Vigiar a Petrobras é tão grave quanto me espionar, diz Dilma

Publicado em segunda-feira, setembro 9, 2013 ·

Presidente-Dilma-Rousseff-300x200A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira (9) que as denúncias de que a Petrobras também foi espionada pelos Estados Unidos são tão graves quanto as denúncias de espionagem contra ela.

Questionada pelo G1 se considerava graves as denúncias de espionagem contra a estatal brasileira, a presidente respondeu: “Tanto quanto a minha”.

A declaração da presidente foi feita após cerimônia no Palácio do Planalto, na qual sancionou sem vetos a lei que destina 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para educação.

Mais tarde, em nota, Dilma afirmou que, se comprovada, a espionagem sobre a Petrobras, tem por motivos “interesses econômicos e estratégicos”.

Novos documentos classificados como secretos e que vazaram da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, obtidos com exclusividade pelo Fantástico, mostram que a Petrobras, quarta maior petroleira do mundo, também foi espionada.

Na última semana, o Fantástico já havia divulgado que a presidente Dilma Rousseff e o que seriam seus principais assessores foram alvos diretos de espionagem da NSA.

A reportagem foi baseada em documentos obtidos por intermédio de Edward Snowden, que prestava serviços à NSA e agora está asilado provisoriamente na Rússia, procurado pelas autoridades americanas.

Governo espera explicação, diz ministro
O ministro da Educação, Aloisio Mercadante, também comentou as denúncias de espionagem do governo norte-americanos.

“Ela [Dilma] já falou sobre isso. Tratou sobre esse assunto com o presidente Obama na reunião do G20. O governo brasileiro aguarda o pronunciamento oficial do governo americano. Como a presidente disse hoje, houve a violação de princípios fundamentais da Constituição brasileira, da soberania, dos direitos e garantias de cada cidadão, de empresa brasileira que também tem a proteção do sigilo. E o governo americano deverá se pronunciar e se explicar. O governo espera isso.

Especificamente sobre a denúncia de espionagem contra a Petrobras, o ministro classificou como “mais um capítulo” de uma história que vem sendo desvendada. “É um importante papel que a imprensa brasileira cumpriu, junto com outros jornalistas internacionais. A transparência é sempre o melhor caminho para a gente descobrir a verdade e poder recolocar os direitos e garantias do estado, da soberania do país, de uma empresa estratégica, de uma riqueza estratégica do Brasil em seus devidos lugares”, afirmou.

Reportagem
A reportagem exibida no domingo (8), aponta que a rede privada de computadores da estatal brasileira foi invadida pela NSA, informação que contradiz a posição oficial da agência, dada ao jornal “The Washington Post”, onde afirmou não fazer espionagem econômica de nenhum tipo, incluindo o cibernético.

Os dados sobre a empresa estão em documentos vazados por Edward Snowden, analista de inteligência contratado pela NSA, que divulgou esses e outros milhares de registros em junho passado. O jornalista Glenn Greenwald foi quem recebeu os papéis das mãos de Snowden. A Petrobras não quis comentar o caso. A NSA nega espionagem para roubar segredos de empresas estrangeiras.

O novo documento é uma apresentação que recebeu a classificação “ultrassecreta” e que foi elaborada em maio de 2012, para ensinar novos agentes a espionar redes privadas de computador – redes internas de empresas, governos e instituições financeiras e que existem, justamente, para proteger informações.

O nome da Petrobras, a maior empresa do Brasil, aparece logo no início do documento mostrado pelo Fantástico, com o título “Muitos alvos usam redes privadas”.

Não há informações sobre a extensão da espionagem, nem se a agência americana conseguiu acessar o conteúdo guardado nos computadores da empresa. O que se sabe, segundo a reportagem, é que a Petrobras foi alvo de espionagem, mas não há informações a respeito dos documentos que a NSA buscava.

Este tipo de informação é liberada apenas para quem os americanos chamam de “Five eyes” (cinco olhos, na tradução literal), termo utilizado para se referir aos cinco países aliados na espionagem: EUA, Inglaterra, Austrália, Canadá e Nova Zelândia.

g1

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