Vannuchi: projeção de Joaquim Barbosa se assemelha à de Collor

Publicado em segunda-feira, julho 1, 2013 ·

Valter Campanato/abr
Valter Campanato/abr

A forte queda na popularidade da presidenta Dilma Rousseff (PT) registrada pela pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana acaba com o favoritismo absoluto que ela tinha até aqui para as eleições de 2014. Dilma, no entanto, continua sendo a candidata mais forte para o pleito do ano que vem, na avaliação do cientista político Paulo Vannuchi, em sua coluna na Rádio Brasil Atual. Ele destaca ainda a “aventura” que representaria a eventual candidatura do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.

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Segundo Vannuchi, a queda de Dilma, do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do prefeito paulistano, Fernando Haddad (PT), era esperada neste momento, logo após as manifestações de junho, mas é preciso aguardar se novas pesquisas consolidarão uma tendência que permita projetar influências para 2014.

“É preciso abrir uma série, com pesquisas dentro de um mês ou dois, para que se verifique o que foi uma oscilação brusca do momento em que o povo esteve protestando. Com as imagens da televisão mostrando aquilo, claro que a tendência geral é de derrubar a popularidade da Dilma e, aqui em São Paulo, do Alckmin e do Haddad. Daqui a pouco, as pesquisas vão mostrar em que patamar essa queda estacionou e se houve ou não mudança no cenário”, disse Vannuchi.

Para ele, é possível antecipar que, embora mantenha a liderança nas pesquisas, Dilma não possui mais o favoritismo absoluto que ostentava antes. Essa queda da presidenta deve contribuir para um cenário, considerado provável por Vannuchi, de uma estabilização das manifestações, uma vez que aumenta as esperanças da oposição. “Quando as oposições não veem nenhuma chance de vitória, como não viam, sua tendência é radicalizar. Quando veem chances brotarem, é ‘não vamos tocar fogo no circo porque senão ninguém governa esse país depois’”. Houve situação semelhante na Venezuela, onde a oposição abrandou na mesma proporção em que seu candidato Henrique Capriles cresceu nas pesquisas contra Hugo Chávez.

Além da força da presidenta, Vannuchi alerta para o risco representado pelas intenções de voto recebidas por Joaquim Barbosa, uma vez que se assemelham, em sua visão, à forma como se projetou, em 1989, a candidatura de Fernando Collor. “Se nosso amadurecimento político não for suficiente para superar para sempre as ditaduras e as experiências de aventura, Joaquim Barbosa é uma opção”, alerta. “E a democracia é assim, se o povo quiser, se a mídia trabalhar e as organizações da sociedade civil não conseguirem se opor, podem eleger Barbosa”, diz ele, ressaltando que a candidatura não é provável, até pelos problemas de saúde enfrentados pelo presidente do STF.

O ex-ministro vê chances de crescimento de Marina Silva (Rede Sustentabilidade), por ser a candidata mais crítica em relação aos partidos políticos tradicionais, mas pondera que ela tem dificuldade em lidar com um assunto caro à uma parcela importante dos seus simpatizantes – a liberdade de opção sexual. “É parte das demandas populares acabar com esse fundamentalismo anti-direitos humanos de uma direita evangélica que não fala em nome de todos os evangélicos”, avalia, referindo-se ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Pastor Marcos Feliciano (PSC).

O analista vê ganhos para Eduardo Campos (PSB) por causa do movimento de reaproximação do governo e do PT com os partidos mais à esquerda da base aliada, incluindo PSB, PDT e PCdoB. “Campos se reaproxima de Dilma e Lula, e sempre quis ser candidato dessas forças”, afirma.

As maiores dificuldades se apresentam para o senador Aécio Neves (PSDB), que praticamente não se mexeu. “Ele cresceu um tiquinho de nada, o que é uma demonstração da enorme dificuldade que terá para emplacar”, diz Vannuchi. “Além do favoritismo de Dilma, ele tem que passar por novidades perigosas como Joaquim Barbosa, por Marina, que já tem a memória da eleição anterior em que recebeu muitos votos, e o próprio Campos, que ao se reaproximar do bloco Dilma-Lula ganha força muito maior”, sustenta.

 

 

por Redação da RBA

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