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Brasil sofre com retranca, mas vence Paraguai nos pênaltis

Não jogou bem, não foi brilhante, mas passou. O Brasil está na semifinal da Copa América após exorcizar um antigo fantasma da competição: os pênaltis. Na Arena do Grêmio, nesta quinta-feira, a equipe empatou sem gols com o Paraguai no tempo normal após sofrer com a retranca adversária e precisou dos pênaltis para ganhar por 4 a 3 e devolver as derrotas diante do mesmo rival nas quartas de final do torneio em 2011 e 2015.

O Brasil foi superior ao adversário ao longo de mais de 90 minutos de futebol. Tropeçou na insegurança em chutar, na falta de criatividade e prevaleceu na hora de decidir nas cobranças. Firmino chutou para fora, enquanto Gómez e González erraram. Coube ao atacante Gabriel Jesus fechar a série decisiva e colocar o Brasil na semifinal contra quem passar do confronto entre Argentina e Venezuela.

Sob os olhos de Neymar, presente em um camarote ao lado do presidente da CBF, Rogério Caboclo, a seleção brasileira esteve longe de repetir a atuação empolgante da partida contra o Peru. O Paraguai escalado com três zagueiros de origem, posicionado com cinco no meio e uma imensa disposição para marcar e desacelerar o jogo fez o encontro ser monótono e de imensa disputa para cada palmo.

O Brasil conseguiu algumas finalizações logo no começo e criou uma falsa expectativa de pressão. Na verdade, ficaria preso na defesa, atrapalhado pelos erros de passe, dezenas de faltas e sabotado pela própria vontade de querer caprichar mais no lance em vez de chutar a gol. Por isso, passou 35 minutos no primeiro tempo sem finalizar e viu a partida ficar parada, como o Paraguai gostaria.

A chance mais clara do primeiro tempo foi dos paraguaios. Após cruzamento, Derlis González apareceu atrás da defesa e chutou para Alisson salvar, aos 28 minutos. A torcida sentiu a dificuldade do jogo travado e por alguns instantes entoou o coro de Grêmio. Ao fim do primeiro tempo, a arena mesclou vaias com aplausos após ver 45 minutos de futebol pobre em um gramado maltratado.

O Brasil voltou para a etapa final disposto a acelerar mais o jogo e conseguiu uma chance importante. Gabriel Jesus fez bela jogada individual e serviu para Firmino, que foi derrubado na entrada da área. Inicialmente o árbitro deu pênalti, mas após revisar o lance no vídeo, decidiu marcar falta fora da área e expulsar o paraguaio Balbuena. Foram cinco minutos de paralisação.

A vantagem numérica deixou o Brasil ainda mais pressionado a buscar o gol da vitória. O time avançou inteiramente, a ponto de a linha de defesa ficar posicionada na intermediária do Paraguai. Tite tirou o volante Allan e colocou o meia Willian para aumentar a força ofensiva. O jogo virou de um time só, com os paraguaios atordoados e sem qualquer opção para sair da defesa.

O Brasil radicalizou de vez nos minutos finais, ao tirar Daniel Alves e colocar Lucas Paquetá. A equipe queria a todo custo resolver a partida no tempo normal, pois só atacava e sequer sofria perigo. A angústia aumentou após o chute de Willian acertar a trave aos 44 minutos do segundo tempo. Foram mais sete minutos de acréscimos e de gritos de gol sufocados. A decisão foi para os pênaltis.

A torcida compreendeu o sofrimento e entendeu a superioridade brasileira ao longo do tempo normal. Com vaias sobre os paraguaios, ajudou a pressionar e induzir ao erro os dois paraguaios que atuam no futebol nacional: Gómez parou nas mãos de Alisson e Derlis Gonzalez chutou para fora. Em uma noite em que o fiasco assombrou a seleção, a classificação premiou quem mais procurou jogar futebol.

FICHA TÉCNICA

BRASIL 0X0 PARAGUAI

BRASIL: Alisson; Daniel Alves (Lucas Paquetá), Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Luís (Alex Sandro); Allan (Willian), Arthur e Philippe Coutinho; Everton, Gabriel Jesus e Roberto Firmino. Técnico: Tite.

PARAGUAI: Gatito Fernández; Piris, Balbuena, Gómez e Alonso; Sánchez (Escobar), Ortiz, Pérez (R. Rojas) e Arzamendia (Valdez); Derlis González e Almirón. Técnico: Eduardo Berizzo.

Nos pênaltis: Brasil 4 (Willian, Marquinhos, Coutinho e Gabriel Jesus); Firmino perdeu) e Paraguai 3 (Almirón, Valdez, Rodrigo Rojas; Gómez e Derlis González perderam)

Árbitro: Roberto Tobar (Chile).

Cartões amarelos: Arzamendia, Piris, Alonso, Filipe Luís, Firmino, Arthur.

Cartão vermelho: Balbuena.

Público: 45.495 pagantes.

Renda: R$ 10.352.430,00.

Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre.

 

Estadão

 

 

De Felipe para Juninho, Vasco fura retranca do Atlético-GO e embala

Como num passe de mágica, toda a ansiedade e o nervosismo do Vasco acumulados por 86 minutos se transformaram em alegria no Serra Dourada. A preparação para o truque, na verdade, foi de Felipe, e a execução, perfeita, de Juninho. Após tanto insistir, o time carioca furou a retranca do Atlético-GO, neste sábado, em duelo pela 28ª rodada do Brasileirão. O combalido Dragão, cada vez mais lanterna, suportou a pressão com um a menos desde a metade do primeiro tempo, quando o zagueiro Gustavo foi expulso por xingar o árbitro.

A tarde no Centro-Oeste se tornou ainda mais cinematográfica pelo fato de os ídolos cruz-maltinos pouco se relacionarem fora de campo, e de o Maestro ter pedido para não atuar na posição em que vinha sendo escalado. Muito se fala a respeito das diferenças entre ambos. A comemoração do gol, no entanto, mostrou um abraço e um beijo fraternal, digno de quem embala para uma reta final positiva, firme na zona de Libertadores e ainda de olho no título.

O resultado coloca o Vasco, em sua segunda vitória consecutiva, com 50 pontos – cinco pontos à frente do São Paulo e provisoriamente a dez de distância do líder Fluminense, que enfrenta o Botafogo, no Engenhão. Já o Rubro-Negro, com o terceiro revés direto, estaciona de vez nos 20 pontos, já com remotas perspectivas de fugir do rebaixamento para Série B.

Recheado de vascaínos, o estádio recebeu 13.212 pagantes, para uma renda de R$ 411.155,00. Na próxima rodada, o Gigante da Colina encara justamente o São Paulo, quarta-feira, em São Januário. Já o Atlético-GO visita o Figueirense, penúltimo, no mesmo dia.

Juninho e Felipe, Atlético-Go e Vasco (Foto: Adalberto Marques / Agência Estado)Felipe e Juninho se abraçam após o gol da vitória cruz-maltina (Foto: Adalberto Marques / Agência Estado)

Ao deixar o gramado, o zagueiro Dedé avaliou o triunfo:

– O time dos caras soube defender bem com um a menos, dificultou para a gente. Não tivemos muitas oportunidades, não fomos agressivos, mas conseguimos o gol com passe do Felipe para o Juninho – destacou o zagueiro.

Pressão vascaína x perigo rubro-negro

O início da partida já exibia o panorama natural em Goiânia: os cariocas com mais posse de bola, e o Dragão em busca do contra-ataque, reconhecendo sua limitação diante e da consequente iminência do rebaixamento. A postura das equipes também refletia na arquibancada, com a superioridade cruz-maltina. Mas a etapa inicial reservaria outras alternativas para este cenário.

Com dificuldade para penetrar na defesa goiana, o Vasco apostou nos cruzamentos como válvula de escape. Foram dez escanteios nos primeiros 45 minutos. Mas esbarraram no jogo aéreo mais eficiente do rival e no goleiro Márcio, que demonstrava segurança. Nilton, de cabeça, e Eder Luis, em chute fraco, criaram as tímidas chances, longe e empolgar.

Por outro lado, a estratégia do Atlético não soava tão equivocada. Com espaço e velocidade, ganhava as disputas no campo de ataque e fazia Dedé e companhia correrem atrás, apesar de certa desorganização. Até que, com o nervosismo atrelado à posição na tabela, o zagueiro Gustavo perdeu o controle. Fez falta, reclamou com o árbitro, levou um amarelo e, não satisfeito, o chamou de “filho da p…”, causando a expulsão, com apenas 24 minutos de partida.

O Vasco, então, apertou a pressão, tanto na marcação da saída de bola como nas jogadas ofensivas. Mas faltavam capricho e tabelas eficientes. O técnico Artur Neto foi obrigado a tirar o meia Alexandre Oliveira para colocar o zagueiro Diego Giaretta. Ainda assim, com o passar do tempo, as melhores chances surgiram dos pés rubro-negros. Marino errou o alvo, aos 36, Eron parou em Prass, aos 44, assim como Márcio, em cobrança de falta, aos 47, sempre em contragolpes, preocupando Marcelo Oliveira, que decidiu mexer no intervalo.

Carlos alberto e Ricardo Bueno, Atlético-Go e Vasco (Foto: Adalberto Marques / Agência Estado)Carlos Alberto, apagado em seu centésimo jogo pelo Vasco, e Ricardo Bueno disputam a bola na lateral, ainda no primeiro tempo da partida no Serra Dourada (Foto: Adalberto Marques / Agência Estado)

Cariocas se lançam, e Juninho decide

Com um novo desenho, o time da Colina voltou com Felipe como ponta esquerda, no lugar de Thiago Feltri e com Wendel dando suporte, e Fellipe Bastos solto para ir à linha de fundo, tomando a vaga de Jonas, que pouco explorou este recurso. Ainda sonhando com o título, o intuito vascaíno era claro: não abrir mão de vencer, motivado pelas circunstâncias. Mas, mesmo com o apoio da torcida, estava difícil. A ansiedade com os erros na hora H só crescia.

Destaque na semana, a promessa Marlone substituiu Carlos Alberto e fez sua estreia entre os profissionais. Na primeira jogada, meteu a bola na pequena área, porém, como um repeteco de todo o jogo até então, não havia ninguém posicionado para concluir. Como essa, ocorreram pelo menos mais cinco, só trocando e protagonista Enquanto isso, o Dragão sonhava com o encaixe de um lançamento, que até aconteceu No mano a mano com Renato Silva, Felipe bateu para fora e desperdiçou a única oportunidade na etapa final.

Pouco a pouco, o duelo esfriou, e os vascaínos trocaram a euforia pela cobrança. O cansaço, no entanto, era notório, já que a temperatura passava dos 30 graus. A dura mexeu com os jogadores, e Nilton acertou o travessão aos 38, em bomba de longe. Logo depois, aos 41, a dupla de ídolos entrou em ação: Felipe tocou para Juninho, que bateu de primeira e correu para o abraço com o antigo companheiro. Para deixar de lado as frequentes polêmicas sobre a relação dos dois, o Reizinho tascou até um beijo na careca do Maestro.

Daí em diante, o Vasco só tocou a bola e segurou a vitória que o sustenta no G-4 e também mantém a chance de título. Houve tempo para Alecsandro perder um gol, com a defesa de Márcio ao ficar sem ângulo, e também para mais uma expulsão: o atacante Ricardo Bueno foi expulso depois de um carrinho violento em Juninho, o rei do dia. Mais uma vez.

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