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Prestes a se encontrar com Temer, Ricardo critica PEC dos gastos: ‘Não podem votar a toque de caixa’

ricardocoutinhoO governador Ricardo Coutinho (PSB) criticou, nesta segunda-feira (14), a Proposta de Emenda Constitucional que estabelece um limite para os gastos públicos pelos próximos 20 anos. Em seu programa de rádio semanal, Coutinho fez uma avaliação da Proposta do governo federal.

“Não acredito que uma matéria dessa não pode ser votada a toque de caixa”, considerou. A PEC tramita atualmente no Senado e já foi aprovada por 19 votos a 7 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Na próxima quarta-feira (16), Ricardo Coutinho participar de audiência com o presidente Michel Temer (PMDB), em Brasília, para apresentar os pleitos da Paraíba.

MaisPB

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Em crise, integrantes da banda O Rappa estão prestes a se separar

rappa1Depois da saída do baterista Marcelo Yuka, em 2001, parece que uma nova crise se instaura na banda O Rappa. Segundo uma fonte da coluna que é próxima do grupo, o clima entre os integrantes é péssimo. Recentemente, eles inclusive fizeram uma reunião e, enquanto apontavam suas diferenças, chegou a ser cogitado por um deles que a solução só poderia vir com o rompimento do grupo.

É sabido no meio artístico que o temperamento do vocalista Falcão não é dos mais fáceis. Depois que saiu da banda, Yuka publicou sua biografia ‘Marcelo Yuka — Não se Preocupe Comigo’, na qual fez críticas ao vocalista. “Falcão não entende o que está cantando. Aliás, na grande maioria das músicas, ele nem sabe o que tem ali”, diz Yuka no livro.

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Na publicação, o ex-baterista da banda também falou sobre sua decepção em relação aos colegas do Rappa: “Os caras foram gananciosos e me tiraram. Em nenhuma outra empresa eu poderia ser mandado embora naquela situação (de cadeirante), mas fui demitido da banda que criei.” Apesar da crise, a banda emplacou recentemente dois novos sucessos que tocam em todas as rádios do Brasil: Anjos (Pra Quem Tem Fé) e Fronteira (D.U.C.A.). Procurada pela coluna, a assessoria da Warner Music não se manifestou até o fechamento desta edição.

O Dia Online

Prestes a mudar, Honda Fit tem desconto de até R$ 4 mil em concessionárias

honda-fitA estreia do novo Fit está próxima. É o que afirmam algumas revendas da Honda consultadas em várias capitais brasileiras, que cravam a chegada do modelo no mês de maio. Nenhum dos vendedores, no entanto, arriscou uma estimativa de preço para a nova geração do monovolume, mas a espectativa dos lojistas é que ele desembarque com uma tabela um pouquinho mais salgada que a atual – isto é, na faixa dos R$ 55 mil.

Apesar de ainda não confirmarem os valores que serão cobrados, os vendedores já adiantam que o carro será equipado com um motor 1.5 flex e que o câmbio automático será do tipo CVT. Oferecido nas versões DX, LX, EX e EXL, o novo Fit não contará com ar-condicionado digital na listagem de itens de série.

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Descontos

Para quem sempre considerou o modelo uma opção de compra interessante, mas supervalorizado, a boa notícia é que em algumas capitais brasileiras ele está sendo negociado com boas condições. Em todas as lojas consultadas, a linha Fit está sendo oferecida com taxa de juros zero para quem pagar 50% do valor do carro na entrada e parcelar o restante em 24 vezes. Além disso, há lojas que negociam o modelo com descontos que podem ultrapassar os R$ 4 mil.

Os maiores abatimentos foram encontrados em São Paulo e Rio de Janeiro, onde estão concentradas a maioria das autorizadas na marca. Na capital paulista, o Fit CX mecânico cujo preço de tabela é de R$ 49.990 chegou a ser oferecido com bônus de R$ 2 mil, chegando ao valor final de R$ 47.900. Condições ainda melhores foram oferecidas para a versão com câmbio automático de cinco marchas. Com tabela inicial de R$ 53.900, o vendedor afirmou “conseguir fazer o carro” por R$ 49.490,o que significa um abatimento de R$ 4.410.

Já no Rio de Janeiro, é possível encontrar o Fit com descontos em algumas revendas, enquanto outras unidades são oferecidas com sobrepreço. O melhor negócio encontrado é para a versão CX manual, que é vendida por R$ 46.900, o que representa um abatimento de R$ 3 mil sobre o preço de tabela. Apesar de bons descontos entre R$ 1.690 e R$ 2.400 também serem oferecidos para as demais versões, uma revenda carioca chegou a oferecer a configuração LX com câmbio manual por R$ 53.900. Na prática, o preço é cerca de R$ 1 mil mais caro do que os R$ 52.890 cobrados oficialmente.

Honda Fit 2014 (Foto: Honda)HONDA FIT 2014 (FOTO: HONDA)

A reportagem de Autoesporte também consultou as lojas em Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador, mas a busca por descontos não foi tão bem-sucedida. Na capital mineira, foram aferidos aumentos em vez de reduções. O valor “promocional” informado pelo vendedor para o Fit CX automático foi de R$ 53.900, cifra R$ 1 mil superior ao valor informado na tabela. Em Porto Alegre, onde há pouquíssimas unidades do modelo nos estoques, foram informados preços ainda maiores: R$ 52 mil para o Fit Cx manual e R$ 54 mil para o automático. Em Salvador, também sem bônus para o consumidor interessado no monovolume: a tabela é respeitada a risca.

Preparando terreno

Os descontos oferecidos pelas revendas da Honda podem ser creditados à chegada da nova geração do Fit, que está prometida para dar as caras nas lojas no início de maio.  Inicialmente, o Fit será importado do Japão ao Brasil, até que a nova fábrica da Honda em Itirapira, no interior de São Paulo, fique pronta. A previsão é de que as operaçoes nesta unidade sejam iniciadas no segundo semestre do ano que vem, com capacidade produtiva inicial de 120 mil unidades por ano. O local também abrigará a produção do aguardado SUV compacto, o Vezel, comquem o monovolume compartilha plataforma. (Colaboraram Fernando Bumbeers e Jéssica Ferrara)

PONTOS FORTES

  • Sua nova versão de entrada, a CX, passa a oferecer câmbio automático como opcional – o que não ocorria com a descontinuada DX
  • Seus eficientes motores 1.4 e 1.5 flex garantem boa mobilidade e economia de combustível
  • No geral, monovolume tem um rodar agradável e transmite segurança e refino ao volante

PONTOS FRACOS

  • Apesar do acabamento de qualidade, há uso excessivo de plásticos em seu interior
  • Mesmo com poucos retoques no visual, versão CX custa R$ 1.970 mais caro que a descontinuada DX
  • As versões equipadas com câmbio automático receberam nota D na avaliação do Inmetro referente ao consumo de combustível

Auto Esporte

Maria Prestes: “Os ideais de Luiz Carlos Prestes continuam vivos”

 

A Fundação Maurício Grabois, em parceria com a Editora Anita Garibaldi, a Comissão Especial de Anistia Vanda Sidou, a Associação 64/68 Anistia, o Comitê Estadual da Verdade e o grupo Os Aparecidos Políticos, lançou na noite da última quinta-feira (6), em Fortaleza, o livro “Meu Companheiro – 40 anos ao lado de Luiz Carlos Prestes”, de Maria Prestes.

O auditório Murilo Aguiar, na Assembleia Legislativa do Ceará, ficou lotada de amigos, militantes e pessoas interessadas em ouvir as histórias de Maria Prestes que, por quatro décadas, conviveu com o “Cavaleiro da Esperança”. Além do viés político, apresentando trechos da jornada ao lado de Prestes, a comunista fez questão de destacar o lado humano do marido.

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Luiz Carlos Prestes Filho, que também participou do debate, iniciou o encontro agradecendo a iniciativa do senador Inácio Arruda (PCdoB) que culminou na reparação da anulação do mandato do pai e destacou o novo desafio da família. “Resgatar o mandato de Prestes é um direito do povo brasileiro. Agora nossa luta é conseguir também que o Exército Brasileiro o reintegre a suas fileiras e conceda a patente de General. Após a anulação da cassação do mandato, vivemos este momento de fazer as instituições democráticas reconhecer a grandeza de Luiz Carlos Prestes. Entendemos a importância de colocar dentro das forças armadas um comunista revolucionário”, ressaltou.

Prestes Filho também agradeceu a parceria da direção nacional do PCdoB ao apoiar as bandeiras de luta da família. “Este livro, por exemplo, foi fruto da parceria com a editora Anita Garibaldi. Minha mãe, aos 83 anos de idade, pode viver este momento de reencontro do pai com a história do país e o PCdoB foi de grande generosidade ao abraçar este projeto. Vejo este como um reencontro de João Amazonas e Luiz Carlos Prestes. Amazonas, com sua militância, conseguir reorganizar o Partido e, junto com meu pai, mantiveram acesa a chama do Partido”, enalteceu.

Maria Prestes agradeceu a iniciativa de apresentar o livro que detalha sua vida ao lado do marido revolucionário e relatou a emoção de voltar ao Ceará e encontrar velhos amigos. A comunista destacou o objetivo da autobiografia. “Nossa intenção é apresentar, não só o lado histórico e político de Luiz Carlos Prestes, mas também resgatar sua história e falar de sua vida como cidadão, pai de família, homem de bem”.

Trajetória comunista

Filha de um militante comunista, a menina pernambucana cresceu participando de atividades ao lado do pai. Aos 10 anos, já trabalhava em solidariedade às famílias de presos políticos, distribuía material em porta de fábrica, participava de passeatas e atividades como na luta contra a carestia e na campanha “O Petróleo é nosso”. “Em 1947, com a cassação do registro do Partido Comunista, tivemos que recuar um pouco. Em seguida, fui designada para ir a São Paulo. Meu pai havia sido torturado em Recife e foi transferido para a capital paulista. Foi nesta época que recebi a tarefa de ser segurança de Prestes”.

O encontro entre os dois aconteceu em 1952. “Meu pai falava muito sobre a Coluna Prestes, contava sobre as aventuras e a grandeza política de seu líder. Sempre imaginei que ele seria um homem alto e forte. A surpresa foi ao encontrá-lo: pequeno, magrinho… Fiquei decepcionada”, confidenciou entre risos. “E foi ao lado dele que vivi 40 anos, inicialmente na clandestinidade, em São Paulo, depois em várias cidades do país e até no exterior”.

Maria se sentia responsável caso alguma coisa acontecesse com o companheiro. “Vivemos em várias casas. Se desconfiávamos de algo, saíamos apenas com a roupa do corpo e não voltávamos para pegar nada. Mudei o meu nome e dos filhos para não ser identificada. Depois da Anistia descobrimos que a Polícia nunca teve registros sobre nós. Cumprimos bem nosso papel”, avaliou.

Prestes revolucionário

A comunista comentou trechos da jornada do companheiro durante a Coluna Prestes. “Os ideais dele continuam vivos e atuais. Ainda hoje as ideias de Lênin e Marx continuam, como a exploração do homem pelo homem, os baixos salários, os trabalhadores que vivem sem dignidade, pais de família que lutam para sobreviver. No Brasil, as coisas ainda andam devagar. Basta citar a reforma agrária, problema sério que, desde a Marcha dos 1500 homens pelo interior do Brasil, era defendida por Prestes. Ele dizia com grande entusiasmo que o povo não morreria de fome, mas tinha que ter seu cantinho para viver. E ainda hoje as terras continuam concentradas nas mãos dos grandes fazendeiros e empresários”, citou.

Prestes família

Maria ratifica que o ideal de Prestes era lutar pelo social, com dignidade e energia. “Ele foi um bom pai de família, gostava de cozinhar, sempre ajudava nos afazeres domésticos. Gostava de jardinagem e sempre tínhamos roseiras e hortas em casa. Prestes também adorava ler clássicos da literatura”, confidenciou.

O papel da mulher

A comunista ressalta a atuação das mulheres para a consolidação da democracia no Brasil. “São inúmeras, desde o movimento estudantil chegando até a eleição de Dilma Rousseff, mulher, guerrilheira, torturada. Tivemos que enfrentar muitas barreiras para conseguir alcançar este momento no país. É importante que todos tenham consciência de que precisamos e devemos resgatar também a história dessas mulheres que tiveram participação na vida política do país”.

Memória

Maria Prestes ressaltou o trabalho da Comissão da Verdade que, segundo a comunista, tem ajudado muito no esclarecimento dos casos e mortes ocorridos durante a ditadura militar no Brasil. “Nossa bandeira é resgatar e preservar a memória dos que deram a vida na luta por um país mais justo. Não só Luiz Carlos Prestes, mas muitos companheiros foram vítima deste período negro da nossa história. Este homem, como tantos outros, não pode ficar esquecido da história do Brasil. Nosso povo deve se orgulhar de seus heróis que deram sua vida para que hoje estivéssemos aqui”.

Participações

Benedito Bizerril, membro da Fundação Maurício Grabois no Ceará, destacou a importância de se resgatar a memória de grandes lideranças comunistas que fizeram parte da história recente do Brasil e ajudaram na consolidação da democracia. “Nesta noite, Maria Prestes nos apresenta uma parcela importante de sua convivência com o grande líder comunista”.

Tarcísio Leitão, histórico militante comunista, também saudou a presença de Maria no Ceará. “Queria que Luiz Carlos Prestes estivesse aqui conosco pra ver como esta próxima a construção de uma sociedade diferente. Estamos marchando pra isso com a ruína do Capitalismo. Vivenciamos um momento histórico da humanidade e a luta de Prestes continua viva. A luta por uma sociedade mais justa é agora a luta do povo brasileiro”.

O vereador Evaldo Lima enalteceu a luta de Maria Prestes de manter viva a memória do seu companheiro e informou que já tramita na Câmara dos Vereadores a criação da Comissão Municipal da Verdade, de sua autoria. O objetivo da comissão é resgatar e preservar a memória dos que, como Prestes, lutaram por um país melhor.

O professor Leite Júnior também rendeu homenagens a Maria Prestes e apresentou uma poesia à companheira do “Cavaleiro da Esperança”. A estudante Virna Sena, de onze anos, também enalteceu as histórias apresentadas por Maria Prestes. “Desejo parabenizar Maria Ribeiro Prestes por ser essa mulher tão guerreira que percebi. Gostei de saber que ela se parece muito comigo por ser influenciada pelo pai e começar a trabalhar solidariamente para o PCdoB com dez anos, um ano antes de mim”.

Programação

Neste sábado (08), Maria Prestes estará em Crateús, onde também lançará seu livro no município. O evento acontecerá no Teatro Rosa Moraes a partir das 19h. A cidade recebeu a visita do “Cavaleiro da Esperança” e é a única cidade do interior do Nordeste a ter uma obra arquiteto Oscar Niemeyer. O monumento é uma homenagem à Coluna Prestes e foi inaugurado em 2005.

De Fortaleza,
Carolina Campos

Senado irá devolver o mandato de Luiz Carlos Prestes

Luís Carlos Prestes (Fábio Pozzebom/ABr)
Luís Carlos Prestes (Fábio Pozzebom/ABr)

Na próxima quinta-feira, 16, o Senado restituirá o mandato de senador de Luiz Carlos Prestes (1898-1990). A sessão que marca a devolução simbólica do mandato está prevista para ter início às 15h30.

O projeto que irá devolver simbolicamente o mandato de Luiz Carlos Prestes, 4/2012, é de autoria do senador Inácio Arruda (PC do B) e declara nula a resolução da Mesa do Senado, de 9 janeiro de 1948, que extinguiu o mandato.

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Eleito senador pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) em 1945, com a maior votação proporcional da política brasileira até então, Prestes teve seu mandato extinto pela Mesa do Senado após o Superior Tribunal EleitoraL cancelar o registro do PCB em 1947. O seu suplente, Abel Chermont, também teve o mandato extinto.

Em sua justificativa, Arruda considera inconstitucional a decisão da Mesa do Senado que declarou extinto o mandato de Prestes. A Constituição de 1946, vigente na época, garantia o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.

“O senador Luiz Carlos Prestes foi eleito, diplomado e empossado sem nenhuma impugnação. O Partido Comunista do Brasil estava legalmente credenciado para disputar as eleições de 2 de dezembro de 1945”, argumenta Arruda.

Com informações da Agência Senado.

Senado faz devolução simbólica de mandato a Prestes, cassado em 1948

 

prestesO Senado aprovou nessa terça-feira (16) o Projeto de Resolução (PRS) 4, de 2012, que devolve simbolicamente o mandato de Luiz Carlos Prestes e seu suplente, Abel Chermont. O líder comunista foi eleito em 1945 (157.397 votos, proporcionalmente a maior votação na política brasileira até então) e teve o mandato cassado em janeiro de 1948, em uma situação que o autor do projeto, senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), considerou uma “nódoa” na história da Casa, citando a proposta que cassou Prestes, que havia sido rejeitada na Comissão de Constituição e Justiça, mas terminou aprovada pelo plenário.

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“Cabe lembrar que, durante essa votação, o Brasil se envolveu numa controvérsia diplomática com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o que levou ao rompimento das relações entre os dois países – o governo brasileiro foi o primeiro do Ocidente a romper relações com a URSS após a Segunda Guerra Mundial, num ato lamentado até mesmo pelo governo dos Estados Unidos da América. Esse episódio foi explorado pela mídia governista da época, incitou a invasão das sedes e destruição de jornais populares e o cerco da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que tinha maioria de vereadores comunistas. Foi nesse clima que o Senado aprovou um projeto de lei que havia sido considerado inconstitucional pela própria Comissão de Constituição e Justiça desta casa”, diz Arruda, na justificativa.

A votação de hoje foi simbólica. “O projeto repara a inconstitucionalidade e as máculas jurídica e política de um ato antidemocrático de cassação de parlamentar eleito pelo povo”, diz o relator, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). Arruda também leu carta da viúva, Maria Prestes, que defendeu a devolução dos mandatos de parlamentares comunistas.

 

 

Com informações da Agência Senado

“Desorganização popular ainda é muito grande no Brasil”, afirma Anita Prestes

Anita Prestes, filha de Prestes e Olga - Foto: Reprodução

Filha dos militantes políticos Luís Carlos Prestes e Olga Benário, a historiadora e professora Anita Prestes palestrou no primeiro módulo do curso “Brasil de Fato – Atualidades e desafios das lutas na América Latina” realizado no dia 10 de outubro, na sede do Sindipetro, no Rio de Janeiro. Nesta entrevista, Anita destacou que transformações profundas na sociedade brasileira só serão possíveis por meio da organização dos setores populares. “Dessa organização popular surgirão lideranças que deverão construir um ou mais partidos que liderem esse processo”, defendeu.

Segundo ela, além da organização popular há necessidade de articulação de outro aspecto fundamental: a formação da consciência política dos movimentos, sobretudo de suas lideranças. “Porque se esses setores populares organizados não souberem para onde vão e para o que eles têm que lutar eles serão levados à derrota – na melhor das hipóteses”, lembra.

Brasil de Fato – O tema geral do curso do Brasil de Fato é “Atualidade e os desafios das lutas na América Latina”. Na sua visão, qual é o maior desafio das lutas na América Latina hoje?

Anita Prestes – É difícil dizer qual é o maior desafio. Parece-me que no momento é defender e assegurar a continuidade da revolução na Venezuela, que é o ponto mais avançado das lutas pelas transformações profundas, sociais e políticas, tendo em vista em longo prazo o socialismo. Essa eleição com a vitória do presidente Hugo Chávez foi um momento muito importante de reafirmação deste processo. Mas não se pode perder a vigilância porque se de um lado foi uma vitória, por outro lado, o inimigo, principalmente o imperialismo, vai fazer tudo para reverter essa vitória. Portanto é muito importante que as forças democráticas, progressistas, de esquerda no continente e diria mais, no mundo, estejam atentos para impedir qualquer provocação e qualquer retrocesso nesse processo que seria muito ruim não só para o povo venezuelano, mas para toda a América Latina.

O que falta no Brasil para termos estas transformações profundas?

Eu diria que só conseguiremos estas transformações profundas com o socialismo. Com o regime socialista, que é o exemplo de Cuba, isso ficou muito claro. A própria ONU e outras entidades internacionais reconhecem que em Cuba foi resolvido o problema da saúde pública, do ensino público. Um país pequeno, com limitações muito grandes do ponto de vista da economia, das suas riquezas naturais, ainda por cima com um bloqueio violento de 50 anos e conseguiu resolver esses problemas com o regime socialista. Claro que no Brasil não vamos conquistar o socialismo da noite para o dia, pois é um processo longo e demorado e acho que só chegaremos lá por meio da organização popular. Dessa organização popular surgirão lideranças que deverão construir um ou mais partidos que liderem esse processo. Eu vejo dessa maneira.

Como a senhora avalia a atuação das esquerdas na preparação das forças sociais nesse processo de organização popular? O que se avançou e o que precisa melhorar?

Avançou-se bastante em termos de organização popular principalmente com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Pela primeira vez no Brasil, temos realmente um movimento que abrange todo o território e que tem feito mobilização dos setores dos trabalhadores expulsos pelo agronegócio. Então esse movimento é um avanço, se a gente olha para o passado do Brasil em que as classes dominantes sempre conseguiram evitar e impedir a organização popular. Mas isso ainda é muito pouco. Os próprios companheiros do MST reconhecem que nas cidades – 90% da população brasileira é urbana – o movimento dos trabalhadores ainda está muito desorganizado, sob influência dos chamados pelegos: lideranças sindicais que invés de levar adiante a luta pelos interesses dos trabalhadores conciliam com os interesses dos patrões: essa é a realidade. Então o movimento sindical urbano deixa muito a desejar, a desorganização popular ainda é muito grande no Brasil, as chamadas esquerdas são muito esfaceladas e com pouquíssima penetração. Lembrando o que meu pai, Luís Carlos Prestes, sempre dizia, vai ser a partir das lutas populares que surgirão novas lideranças. A própria prática do MST mostra isso: na medida em que houve lutas, surgiram novas lideranças. E as mais lúcidas e comprometidas com os interesses populares inevitavelmente terão que marchar para aprofundar seus conhecimentos do marxismo, a única teoria que permite realizar transformações viáveis e que conduzam ao socialismo. Então essas lideranças terão que organizar partidos efetivamente revolucionários. O que, por enquanto, considero que não existe no Brasil.

Numa perspectiva histórica, a senhora analisa que até mesmo lideranças progressistas desestimulam a organização popular no Brasil. Por que isso ocorreu?

Esse período muito extenso de mais de vinte anos de ditadura impediu o surgimento de novas lideranças e as antigas foram morrendo: Arraes, Brizola, o próprio Prestes. Hoje em dia no Brasil temos muito poucas lideranças. Uma grande liderança atual que nós temos é o Lula. Fora disso não existe outra liderança. E essas lideranças que faleceram eram todas lideranças burguesas que, portanto, não tinham interesse em organizar os trabalhadores. Com exceção do Prestes, que era do PCB, partido que cometeu muitos erros, mas que também foi muito combatido e reprimido. Fora esse caso, o Arraes, Brizola e o próprio Jango eram políticos que tinham enraizamento popular, tinham influência, mas não estavam interessados em organizar as massas populares porque eram caudilhos que temiam que o movimento popular pudesse passar por cima deles. Aí os interesses burgueses se sobrepõem. Só lideranças que estejam comprometidas com os interesses populares serão capazes de se empenhar na organização popular. E, lamentavelmente, não é o caso do Lula.

Não se trata simplesmente ter uma base popular, mas organizar essa base.

Organizar essa base para lutar. E organizar não só do ponto de vista de unificar e ter uma estrutura orgânica, mas também lhe dar consciência política e revolucionária. Há necessidade de articulação desses dois aspectos: organização e consciência porque se esses setores populares organizados não souberem para onde vão e para o que eles têm que lutar eles serão levados à derrota – na melhor das hipóteses. Então isso só pode ser feito por um partido político que tenha clareza disso e, na minha opinião, nós não temos esse partido. E Lula, lamentavelmente, também não quis cumprir esse papel. Ele mesmo diz que repudia os livros e, além disso, ele sofreu muita influência de intelectuais que o levaram pelo caminho do reformismo, da conciliação, de ter o poder pelo poder. Fazer doação aos pobres, no fundo, é uma atitude populista e paternalista que não rompe com as estruturas existentes. Acabou distribuindo migalhas para os trabalhadores.

 

Manifestação contra a utilização de energia nuclear: transformações na sociedade

brasileira só serão possíveis por meio da organização popular – Foto: João Zinclar

A senhora falou do MST como um exemplo de movimento que consegue ter o mínimo de organicidade e citou o entrave que é a dificuldade de organizar os trabalhadores nas cidades. Por que é tão difícil organizar o povo nas cidades?

É difícil porque historicamente não temos no Brasil tradição de organização popular. Pela própria formação histórica do Brasil, tivemos essa classe dominante de senhores de terra e de escravos durante séculos. A escravidão só acabou no final do século 19 e essa classe dominante brasileira conseguiu construir um aparato de Estado extremamente unificado e repressor que impediu qualquer movimento. Olhando a história do século 19 pipocaram movimentos populares, todos esmagados com uma violência gigantesca. Se olharmos para o século 20 a mesma coisa. Pelo estudos que eu fiz, o único movimento brasileiro que teve algumas características populares e que não foi derrotado, embora não tenha sido vitorioso, foi a Coluna Prestes. Eles não conseguiram derrotar, mas também não se conseguiu o objetivo que era tomar o poder, derrubar o presidente, mas conseguiu sair do Brasil sem ter sido derrotada e derrotou 18 generais do Exército brasileiro. Eu não conheço nenhum outro movimento de caráter popular que não tenha sido derrotado com muita violência. Então essa tradição é um peso muito grande que a gente carrega, dificulta muito. O brasileiro urbano não tem tradição de organização, já no campo surgiu o MST com o apoio da igreja com as comunidades de base, nos anos de 1980, que desempenharam um papel muito importante.

Nas cidades, os sindicatos brasileiros eram muito organizados e combativos. Em que momento houve foi essa ruptura?

Com o golpe de 1964, o que havia de combativo foi esmagado também. Aí os pelegos tomaram conta. Hoje a gente vê o movimento sindical basicamente na mão de setores que ao invés de serem lideranças dos trabalhadores acabam sendo defensores dos interesses da burguesia e do Estado. Esse é um problema muito sério que vai ter que ser vencido. Eu considero que que há algo novo nas greves que têm acontecido no último ano, greves importantes nas usinas do PAC que estão sendo construídas na Amazônia com a paralisação de trinta mil trabalhadores. Mas o que falta a esses movimentos grevistas? Lideranças de um partido revolucionário que estivesse lá para liderar esse movimento. São explosões. Explosões espontâneas acontecem, acabam e não vão pra frente.

brasildefato