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Câmara de Solânea concede título de cidadania a Vicente Barbeiro e o poeta Pereira Santos

A Câmara Municipal de Solânea entregou, nessa sexta-feira (26), o título de cidadania a dois ilustres moradores da cidade. Com as proposituras dos vereadores Júnior Melo e Márcio Prudêncio, os novos solanenses Vicente Pereira Lima, popular Vicente Barbeiro, e o poeta Pereira Santos foram homenageados durante a solenidade de entrega do título.

“O objetivo é valorizar aquelas pessoas que têm sua história no município e seu Vicente Barbeiro é uma daquelas pessoas que marca a nossa cidade, por até os dias de hoje manter sua tão famosa barbearia no centro da nossa cidade”, comentou Juninho, autor da propositura de título de cidadania para seu Vicente.

Já o vereador Márcio Prudêncio, autor da propositura que torna o poeta Pereira Santos um solanense, destacou a valorização da cultura do repente e o nome de Solânea representado por Pereira em vários festivais de viola no país. “Pereira tem valorizado o nome de Solânea por onde anda, se destacando sempre nos principais festivais de viola em todo Brasil, além de manter viva a cultura da viola. Por esse motivo, acho mais que merecido congratula-lo com esse título de cidadania”.

Ainda estiveram presentes na Casa Antônio Melo de Azevedo, o prefeito Kayser Rocha, o vice-prefeito Edvanildo Júnior, o ex-prefeito Dr. Chiquinho, além do presidente da Câmara, Flávio Evaristo e os vereadores, Jucian Jad, Tiago, Vanda Rosália e os autores das proposituras Juninho e Márcio Prudêncio.

Ascom-CMS

 

 

Com pavimentação em conclusão e iluminação testada, QTT será promovido no Parque do Poeta em Guarabira/PB

Parque_do_PoetaO projeto cultural Quinta Tem Talento (QTT), promovido pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura e Turismo, será realizado nesta quinta-feira (15/01) em caráter especial, como uma prévia da tradicional Festa da Luz.

Após testes no sistema de iluminação e da pavimentação em parte do local onde será construído o Parque Poeta Ronaldo Cunha Lima e que irá receber a maior festa de padroeiro do Estado, o QTT terá início às 19h00 e trará como atrações Fernando Show e Tinho e Banda.

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A Festa da Luz terá início no próximo dia 29 de janeiro e terá como atração principal o cantor Bell Marques. Artistas como Alceu Valença, Anitta, Aviões do Forró, entre outras atrações também se apresentarão durante os quatro dias de festa.

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Da Redação 
Com Codecom/PMG

Jovem poeta da cidade de Esperança promete fazer muito sucesso com a poesia

Cora Coralina, Carlos Drumond de Andrade e o paraibano Augusto dos anjos, são apenas alguns dos poetas brasileiros lidos pelo esperancense Arthur Richardson, que aos poucos mostra o seu trabalho através da poesia. Ronaldo Cunha Lima também inspira o jovem.

Atualmente, Arthur Richardson é aluno do Curso de Graduação em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O esperancense já sentiu o gosto de outros cursos, a exemplo de Engenharia Civil, porém é a poesia que o deixa fascinado.

Parece que o jovem estudante de direito gosta mesmo é de desafios. Ele está atuando como pesquisador da Linha de Crimes Organizado e Terrorismo. Essa pesquisa já lhe rendeu uma palestra ministrada por ele na Academia da Polícia Civil da Paraíba (Acadepol-PB), no curso de Extensão em Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.

Aos vinte anos de idade, Arthur Richardson afirma que já consegue perceber um amadurecimento nos temas escolhidos das poesias que escreve. “Antes eu escrevia muito sobre o amor platônico”.

Hoje, o jovem sente que já consegue descrever sobre temas muitos mais complexos.  “Hoje conto com certo amadurecimento, e com uma maior extroversão, passei a escrever sobre a sociedade, o direito, este mundo que nos rodeia, e que dele fazemos parte, onde não podemos ser meros receptores , alienados , ao que ele nos impões, mas que devemos ter sempre uma visão crítica”, lembra.

Com tantos poemas feitos e com o incentivo dos amigos e dos pais, Arthur Richardson, pensa, futuramente, em publicar um livro com todos os seus poemas. Se depender da quantidade necessária para a publicação, não será problema , pois o jovem poeta tem em um “baú” com mais de 200 poemas, todos de sua autoria.

Como forma de divulgar seu trabalho, o poeta criou um blog(http://arthurrichardisson.blogspot.com.br/) para divulgar suas poesias.

Confira alguns poemas de Arthur Richardson

Lírio

“”Oh” lírio dos meus olhos.
Raízes da Minha história.
A Deus sempre rogo,
Para ver a tua glória.Paraíso da infância,
Encontros da Juventude,
Manoel que elegância,
Areia,quanta atitude.

Preciso talvez,sair daqui.
Mas você não sai de mim.
Te levarei nos meus traços,Nos meus leais passos.
No sucesso,e no cansaço
Lutarei por ti ,assim…”Arthur Richardisson

Puritano da Linguagem

“Ao puritano linguístico
se ponha no seu lugar
se até Chico já errou
por que não posso errar?A você falta conteúdo
e dom para poder falar,
se prende as regras,
com exceção vou lhe tratar.Em defesa da língua estou
mas a máxima, é comunicar.
Sou livre como gaivota
que no vento, beija o mar.”Arthur Richardisson.

Raízes da Minha história.
A Deus sempre rogo,
Para ver a tua glória.

Paraíso da infância,
Encontros da Juventude,
Manoel que elegância,
Areia,quanta atitude.

Preciso talvez,sair daqui.
Mas você não sai de mim.
Te levarei nos meus traços,Nos meus leais passos.
No sucesso,e no cansaço
Lutarei por ti ,assim…”Arthur Richardisson

Amigo


“O homem de muitos amigos deve mostrar-se amigável,
mas há um amigo mais chegado do que um irmão.”
Provérbios 18:24
Afortunado é aquele que tem amigos admiráveis
Por onde passa,amizade para ele,é vocaçãoÉ um chamado a compartilhar felicidade
Na tempestade,é mais que consolação
Não importa idade, distância é saudade
No retorno é sintonia,a mesma afeiçãoNão preciso nem chamar teu nome
Conheces bem, meu estado emocional
Esta afinidade que nos consome
Não requer nem ambiente condicional

Amigos da escola, amigos da Cidade
Amigos recentes, ou que muito tempo faz
Amigos em Cristo ,ou conexos a Universidade
Amigos de idéias, que tanta confiança traz

Amigos mais apegados,que parentes
Amigos de caminhadas simpáticas
Amigos das intimidades de papos inocentes
Amigo, pois só a amizade já basta….

…Para o Amor , és a similitude e paridade…


Amor Amigo, Amor Divino…. Amigo de Verdade

Arthur Richardisson

 

 

belarminonoticias

 

 

 

A grande poeta Cecília Meireles, a maior tagoreana brasileira

Brasil – PGL – [José Paz Rodrigues] De nome completo Cecília Benevides de Carvalho Meireles, nasceu no Rio de Janeiro a 7 de novembro de 1901, e faleceu na mesma cidade a dia 9 do mesmo mês do ano 1964, com 63 anos de idade. Por isso eu quero lembrar esta excelsa escritora nestas datas do presente mês, porque, junto com Rosália de Castro, a considero a melhor poeta do nosso belo idioma internacional, o galego-português.


Cecília foi criada pela sua avó materna Jacinta, oriunda das ilhas dos Açores, pois com três anos faleceu-lhe sua mãe, e seu pai três meses antes de nascer. Com a ajuda de Pedrina, a cuidadora, ambas contavam contos e histórias a Cecília sendo criança, factos e lendas das terras açorianas, ditos e cantares do folclore popular, o que muito influiu na formação literária e sua criatividade da grande poetisa, considerada como a mais importante do país, e uma das maiores da lusofonia. Foi uma escritora excecional, tanto em poesia como em prosa. Escreveu infinidade de artigos em numerosas publicações periódicas. E também muita literatura infantil, da qual foi considerada uma especialista mundial.

Com nove anos já recebeu uma medalha de ouro, com seu nome gravado, pelo seu grande esforço na escola primária. Mais tarde fez na Escola Normal do Rio os estudos de magistério e foi uma grande educadora, seguidora dos princípios do movimento educativo da “Escola Nova”. Junto com Fernando de Azevedo, Lourenço Filho, Hermes Lima e Anísio Teixeira, Cecília divulgou na teoria e na prática por todo o Brasil, nos anos 30, os postulados pedagógicos deste importante movimento, que tinha nascido na Europa. E, especialmente, o de fomentar uma educação sem divisões de sexo, raça e religião, que também defendeu Tagore e aplicou na sua escola nova de Santiniketon.

Para poder aceder à cadeira de Literatura da Escola Normal do Rio de Janeiro, em 1929 defendeu a sua tese titulada “O espírito vitorioso”, precisamente seguindo o modelo educativo da “Escola Nova”, mas o júri, injustamente, reprovou-a e não pôde ocupar a cadeira. Depois de 1930 a 1933, dentro da “Página da Educação” do Diário de Notícias do Rio de Janeiro, publicou nada mais e nada menos que 127 artigos variadíssimos sobre temas educativos, didáticos, de organização escolar, de educação social, renovação pedagógica e de política educativa, seguindo os postulados do movimento antes mencionado, a que pertencia. Todos eles são mesmo hoje de grande atualidade, e entre eles, por tagoreanos, quero destacar aqueles que falam de cooperação, educação e fraternidade universais, educação artística, o respeito pela vida, o ambiente escolar, os poetas como precursores do novo idealismo educacional e a paz pela educação. Todos podiam ser assinados pelo mesmo Robindronath.

Sobre temas educativos continuou publicando depoimentos em outros jornais e revistas. Em 1934 organizou a primeira biblioteca infantil do país, e em 1935 começou a lecionar literatura luso-brasileira e técnica e crítica literária na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ademais de dar cursos e ditar conferências em vários países como Portugal (nas universidades de Lisboa e Coimbra), Chile e os EUA, chegando a ministrar aulas de literatura e cultura brasileira na Universidade do Texas.

PAIXÃO PELA ÍNDIA

Sendo adolescente começou a apaixonar-se pela Índia e sua cultura, e esta sensibilidade para o Oriente a manteve sempre durante toda a sua vida. Por isso na sua crónica “Meus Orientes”, chegou a dizer: “O Oriente tem sido uma paixão constante na minha vida (…) pela sua profundidade poética que é uma outra maneira de ser da sabedoria”. Nos inícios de sua carreira de escritora, em 1920, participou na corrente literária chamada “espiritualista”, dentro da qual destaca o grupo da revistaFesta, com os seus máximos representantes Tasso da Silveira (1895-1968) e Tristão de Ataíde, pseudónimo de Alceu Amoroso Lima (1893-1983), amigos de Cecília e também admiradores de Tagore. No entanto, a nossa escritora e educadora nunca desejou estar filiada a nenhum movimento literário, embora estivesse próxima ao simbolismo e depois ao modernismo.

Segundo Cristina Gomes, a sua poesia é intimista e reflexiva, com tom filosófico, de profunda sensibilidade feminina. A vida, o amor e o tempo são os temas recorrentes dos seus poemas, estando também presente nos seus escritos a musicalidade. Todas as suas tristezas e desencantos, como a perda dos seus pais, depois da avó e do seu primeiro esposo, marcaram a sua poesia, enchendo de lirismo todos os seus escritos. Recebeu postumamente, pelo conjunto de sua excelente obra, da Academia Brasileira de Letras, o “Prêmio Machado de Assis”. Visitou vários países, ademais dos antes citados, escrevendo formosas crónicas das suas viagens para jornais brasileiros. Entre eles há que destacar Itália, país a que lhe dedicou um livro de poemas, Israel, sobre o qual também escreveu poemas e artigos, e a Índia, que tanto amava já desde jovem.

Era uma grande admiradora de Gandhi, dedicando-lhe vários e formosos poemas e artigos. Só o tema do seu apreço pelo “Mahatma” mereceria um estudo amplo e monográfico. Em 1953, para participar em Nova Deli, convidada pelo governo indiano presidido por Nehru, num congresso internacional dedicado a Gandhi, e receber a nomeação de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Nova Deli, com 52 anos de idade, viajou à Índia. Estando no grande país asiático de 1 de janeiro a 6 de março desse ano de 1953. Além da sua estância na capital da República indiana, aproveitou para visitar, entre outros lugares e cidades, Hiderabade, Agra com o seu Taj Mahal, Bangalore, Patna, Jaipur, Puri, Varanasi (Benares), Chennai (Madras), Mumbai (Bombaim), Cachemira, Goa (onde foi muito agasalhada e os jornais recolheram a sua presença, poemas, artigos e entrevistas, sendo nomeada membro de honra do Instituto Vasco da Gama) e Calcutá (Kolkata), ficando muito triste por não poder acercar-se desde esta cidade à Santiniketon de Tagore, estando tão perto.

Produto desta viagem à sua amada Índia é a publicação do seu livro Poemas escritos na Índia, composto de uns 60 poemas escritos no seu périplo indiano de 1953, e editados pela primeira vez em livro em 1961. No mesmo há um poema dedicado a Sarojini Naidu, outro a Gandhi e um muito formoso dedicado ao seu admirado Tagore, com o título de “Cançãozinha para Tagore”. Escreveu também depoimentos, artigos e crónicas (algumas publicadas posteriormente em jornais brasileiros) sobre temas variados da Índia, as suas gentes, paisagens, cidades, templos e personagens importantes como Gandhi e Tagore, que ela tanto admirava. Estas crónicas e artigos foram publicados postumamente nos volumes de Crónicas de viagem e Obra em prosa, ao cuidado do académico Leodegário de Azevedo Filho. Também na antologia de crónicas O que se diz e o que se entende, publicada pela primeira vez em 1980.

A gestão de Cecília Meireles foi fundamental para que se organizassem representações teatrais tagoreanas e homenagens e exposições dedicadas a Robindronath. Com tradução da própria Cecília, no mês de maio de 1949, foi representada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro a obra O carteiro do rei (The Post Office/Dakghor), graças ao apoio de Krishna Kripalani e sua esposa Nondita, membros da missão diplomática indiana, desempenhando um papel na obra Maria Fernanda, filha de Cecília. Para lembrar o centenário do nascimento de Tagore, em 7 de maio de 1961, num número especial do Jornal do Brasil, sob a epígrafe “Da Índia distante”, escreve o artigo intitulado “Homenagem a Rabindranath Tagore”. E nos Cadernos Brasileiros nº 2, publicados no Rio de Janeiro em abril-junho do mesmo 1961, escreve um formoso depoimento com o título de “Um retrato de Rabindranath Tagore”.

Por tudo isto, logo já em 1962, para celebrar o centenário de Tagore, por proposta de Cecília, de forma cooperativa entre o Ministério da Educação e Cultura brasileiro e a Embaixada da Índia no país, organizaram-se atividades de homenagem em base a conferências e exposições. Também com este motivo, coordenadas por Cecília, saíram à luz publicações comemorativas de obras de Robindronath, traduzidas por Guilherme de Almeida, Abgar Renault e a própria Cecília, que passou ao portuguêsMashi, A bela vizinha e outros contos, sete poemas do livro Purobi, que Tagore lhe dedicara a Victoria Ocampo, e O carteiro do rei. No mesmo ano de 1962, publicou-se com a sua tradução, a obra Çaturanga (Choturongo) na coleção de prémios Nobel, com uma apresentação da própria Cecília e um depoimento seu sobre a relação de Tagore com o Brasil.

Em abril de 1962, com ajuda de Cecília, a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro organizou uma magna exposição bibliográfica e fotográfica, de que existe catálogo publicado, dedicada a Tagore. Com apoio da comissão brasileira da Unesco, em 1961, escrito por Cecília, publicou-se no Rio de Janeiro em inglês um folheto de 30 páginas, com o título de Rabindranath Tagore and the East-West Unity. No mesmo ano de 1961, a Sahitya Akademi de Nova Deli incluiu no livro R. Tagore-A Centenary Volume, um capítulo escrito por Cecília sob o título de “Tagore and Brazil”.

ADMIRADORA DE ROBINDRONATH

O amor e apreço que Cecília Meireles teve a Robindronath Tagore levou-a, não só a traduzir várias das suas obras, como também a dedicar-lhe seis formosos poemas e numerosos artigos e crónicas. Para compreender melhor este apreço por Tagore, prefiro que, com as suas próprias palavras escritas, fale a mesma Cecília. A seguir exponho estas palavras de forma sintética, assinalando que seria muito importante editar uma monografia sobre Tagore e Cecília Meireles, em que fossem incluídos os textos completos da poetisa relacionados com Tagore, tanto os poéticos como os escritos em prosa.

a) Nos Poemas: Num artigo como este só posso incluir fragmentos dos mesmos. No titulado “O Diviníssimo Poeta” escreve Cecília: “Rabindranath! Rabindranath! Rabindranath! / Por que deixas a luz mística do teu Oriente, / que é o corpo de ouro dos ídolos de lá / onde os ídolos são a luz do sol de toda a gente! (…). Sofro porque eras o Todo-Longe, o Todo-Altura, / o Criador, que ninguém sabe como será…/ É muito, é enormemente doloroso ser criatura…/ Rabindranath! Rabindranath! Rabindranath!”. Este poema foi escrito em 1923, e saindo à luz esse mesmo ano na revista Para Todos nº 262 de Rio de Janeiro, publicado em tradução para o inglês por K. Kripalani no nº de fevereiro de 1949 do The Visva-Bharati Quarterly (Santiniketon), revista criada por Tagore em 1923.

Do livro Poemas escritos na Índia é o formoso poema “Cançãonzinha para Tagore”, escrito em 1953 e publicado pela primeira vez em 1961. Este poema seu tão lindo o reproduzimos em anexo ao final do presente artigo.

b) Na “Apresentação” da obra Çaturanga (Choturongo), editada em 1962 pela editora Delta do Rio de Janeiro, e reeditada em 1973 pela editora Opera Mundi da mesma cidade, dentro da Biblioteca de Prémios Nobel, em tradução da própria Cecília, da edição francesa À quatre voix (inglês Broken Ties), é muito lindo e acertado onde Cecília escreve: “A verdade, porém, é que Tagore foi um grande defensor das mulheres, e sem que elas mesmas, em geral, o saibam: pois essa defesa se apresenta mais claramente em sua obra de romancista e o Poeta, entre nós, é menos conhecido sob esse aspecto, sendo, realmente, este, o seu primeiro romance traduzido no Brasil. Em verso, Tagore canta freqüentemente a Mulher; mas, em prosa, explica-a, ilumina seus sentimentos e pensamentos, torna-a compreensível em suas delicadezas e obscuridades, glorifica-a entusiástica e ternamente; e, a essa generosa e penetrante luz, seus defeitos e culpas se diluem e apagam. É a maneira tagoreana de encarnar o espírito da Índia, com sua adoração pela Forma Feminina da criação universal”.

c) Em “Tagore e o Brasil” (1961) escreve: “Recordamos ainda, no que nos toca, outra experiência importante relacionada com Tagore como educador, pelo fato de termos exercido sempre, paralelamente, atividades literárias e educacionais. Em 1930, quando se operava no Brasil importante modificação nos conceitos pedagógicos, aparecia também em “Feuilles de l´Inde”, um brilhante trabalho de Tagore sobre “Uma Universidade Oriental”. Tudo quanto ele então aí dizia sobre métodos educacionais, erros na formação dos estudantes, organização do ensino, orientação dos professores, importância da arte e do folclore na educação, etc., representava exatamente aquilo a que aspirávamos. E essas distantes palavras viviam em nós como se fossem as únicas que pudéssemos proferir sobre o assunto. No nosso caso particular, a construção de um mundo em que Oriente e Ocidente se conhecessem e amassem tinha sido sempre uma idéia fundamental. E até hoje pensamos em Shantiniketan como um exemplo”.

d) Em “Rabindranath, pequeno estudante”, publicado no livro antológico de crónicas O que se diz e o que se entende (1ª edição de 1980), baseando-se no livro autobiográfico de memórias tagoreanoJibonsmriti, e comentando o famoso conto de Tagore Totakahini (O adestramento do loro / The Parrot´s Training), escreve também: “R. Tagore, homem extraordinário, que se fez educador por amar as crianças, anotou suas amarguras de pequeno colegial. Falou-nos de seu mundo encantado, de sua vida poética ainda incomunicável – em contraste com os métodos e as finalidades do ensino, no seu tempo. Isso foi há um século, e, por incrível que pareça, continua a ser mais ou menos como era, até agora”.

e) Em “O Gurudev”, publicado no mesmo livro antes citado, faz um acertado panegírico de Tagore, explicando o profundo significado deste apelativo e escrevendo: “Poemas, contos, canções, romances, teatro, música, tudo converge para um fim superior, na obra de Tagore. É uma obra altamente educativa, sem nenhuma aparência ou intenção didática. Ele não acreditava, aliás, em métodos de educação que não fossem inspirados em grandes sentimentos.(…) Queria educadores capazes de amar seu ofício e seus discípulos, de amar a vida em sua totalidade. E, sem desconhecer os sofrimentos deste mundo, gostava de mostrar caminhos de alegria, esses caminhos por onde os corações felizes e agradecidos vão sem medo ao encontro de seu Amor. Caminhos do fim do mundo, onde todos se reconhecerão”.

f) Em “Canções de Tagore” do mesmo livro anterior, depoimento publicado em 1963, Cecília escreve:“Eu tinha traduzido as minhas simples canções (…). As suas eram de Tagore. Falavam do amor humano e divino, e guardavam sempre nas palavras aquela dignidade religiosa que caracteriza a obra do poeta. Ele escreveu a letra e a música de tantas canções, que parece impossível a riqueza criadora do seu espírito. E essas canções circulam pela Índia toda, de tal maneira o poeta estava identificado com a sua terra. Talvez muita gente nem saiba de quem é a canção que está cantando, aqui e ali, na imensidão da Índia. Mas todos encontram nas suas palavras a expressão da sua vida”.

g) No depoimento “O aniversário de Gandhi” (1961), Cecília Meireles compara Gandhi com Tagore, e num treito do mesmo diz: “Para R. Tagore, Deus é uma expressão de amor, é uma intuição poética, é um encontro póstumo, transcendente e definitivo; para o Mahatma, Deus é a Verdade, a Verdade é Deus, como num postulado científico”.

h) Na crónica publicada no jornal Folha da Manhã de São Paulo em 1 de abril de 1950, com o título de“As flores de Champaca e a irmã Parul”, Cecília lembra, fazendo um paralelismo entre ambos, o famoso e lindo poema de Sissu (A lua crescente ou nova) e uma cena de O carteiro do rei (Dakghor/The Post Office), e escreve: “Mandaram procurar a pobre rainha, por todos os lados. Afinal chegou, tão maltratada que nem parecia quem fora. Mas, assim que levantou os braços, as flores vieram como pássaros, pousaram em redor de sua cabeça. E da corola de cada Champaca saiu um príncipe; e da corola de Parul uma princesinha. Todas cantaram e dançaram, e foram felizes até o fim”.

i) Na crónica escrita durante a sua visita a Kolkata em 1953 e publicada em 1959, intitulada“Transparência de Calcutá”, fala muito e bem do formoso idioma bengali chamado Bangla e dos seus grandes cultivadores R. Tagore e Sorot Chondro Chatterji. Esta crónica é muito linda e inspirada, e num dos seus treitos Cecília escreve: “Pois, se algum dia me tivesse ocorrido chegar a este país, a primeira coisa a que me conduziriam os meus desejos seria, naturalmente, a Universidade de Shantiniketan. Ela era – e continua a ser – como um símbolo, no meu coração. Fundada por um poeta – e um poeta que se chamou Tagore! – no princípio deste século, – que havia de ser tão atordoante, – e sonhando realizar o “sítio da paz” que o seu nome exprime, por meio de uma educação integral, intelectual, moral, artística, ao mesmo tempo ligada ao glorioso passado da Índia, à humildade contemporânea e a um futuro que se poderia sonhar fraternal,- tudo, nessa instituição, me chamava: origem, métodos, objetivos. (Embora com resultados constantemente melancólicos, a minha vocação profunda foi sempre uma: educar). No entanto, aqui, a umas noventa milhas dessa universidade, por obediência a um plano de viagem que é preciso cumprir, não a poderei ver: continuarei a guardá-la na imaginação, com suas árvores, seu ensino ao ar livre, sua preocupação de dar aos estudantes uma correta formação interior, e meios de exprimi-la. Shantiniketan continuará a ser um lugar lírico, com música, dança, poesia, festas populares, tecelagem, pintura,- ciência, filosofia, num ambiente bucólico, com as aldeias em redor, as cestas de frutas, os jarros de leite,- a vida antiga enriquecendo a atual, e a vida atual enriquecendo a antiga… Não verei Shantiniketan. Assim é o nosso destino: recebemos o que jamais esperamos; não conseguimos o que às vezes pretendemos”. Infelizmente, estando tão perto, Cecília não viajou à Morada da Paz tagoreana, mas estas suas palavras tão formosas, tão acertadas e tão profundas, revelam o grande conhecimento que tinha da obra de Tagore e do seu pensamento educativo, que, mesmo se tivesse ido a Santiniketon, não poderia escrever daquele lugar com tanta exatidão sobre a sua beleza e a sua paz.

j) Cecília escreveu outras crónicas em que aparece resenhada a obra e figura de Tagore e várias estão dedicadas à formosa cidade de Calcutá (Kolkata), na qual nasceu Robindronath, escritas em 1953 e publicadas em 1959. É o caso de “Vistas de Calcutá”, “Amanhece em Calcutá” e “Um dia em Calcutá”. Nesta última, publicada no Diário de Notícias do Rio de Janeiro, em 31 de outubro de 1954, escreve: “R. Tagore sobrevive e alegra mais este ambiente intelectual com a primavera dos seus desenhos. Como o sentimos eterno – no que pintou, no que escreveu, no que compôs em todos os caminhos da arte! Como o sentimos vivo, ao nosso lado, e entendemos o seu sonho de tornar inteligíveis, um ao outro, o Oriente e o Ocidente! E com que sinceridade lho agradecemos! E com que carinho! Voltamos felizes, como se o tivéssemos visto. A Beleza é uma felicidade imortal”.Escrita também na capital indiana de Bengala a crónica “Do Ganges a Tagore”, publicada também noDiário de Notícias do Rio de Janeiro, em 19 de setembro de 1954, tem um treito em que Cecília escreve: “Giram, diante de meus olhos, Calcutá, com suas múltiplas aparências, e Tagore, com seus múltiplos dons. E tudo ressoa como um caramujo aplicado ao ouvido, desde o primeiro instante, neste remoto lugar”.

Finalmente, não quero deixar de citar que, no depoimento “O tempo e os relógios”, publicado no livro antes citado O que se diz e o que se entende, Cecília, que passara para o português O carteiro do reide Tagore em 1949, lembra aquela cena em que o protagonista Omol fala do toque do gongo, para anunciar as horas do dia. E nos seus poemas “A pastora das nuvens” “Sol”, revelam-se as influências do pensamento indiano de Tagore, podendo ser Cecília a pastora e Tagore o sol, que é o que significa o nome de Robi.

Depois de ler a antologia de textos anteriores arredor de Robindronath Tagore, não podem ficar dúvidas já de que Cecília Meireles – que começou a ler Tagore lá pelo ano 1920, e já não o deixou de ler mais – é uma tagoreana profunda, uma das mais importantes do mundo. Pelo seu alto significado, quero fechar esta parte com aquele texto de Cecília que diz: “Nestes últimos anos, a vida se tornou de tal modo trepidante no Brasil – como no resto do mundo – que não é fácil encontrar-se quem fale de Tagore, tal foi a invasão de autores, idéias e sobretudo inquietações de toda espécie. A poesia tagoreana conduz a uma visão de santidade, de serenidade, na contemplação geral – visão que as gerações atuais mal podem compreender. No entanto, talvez toda esta trepidação seja momentânea e superficial. Não será impossível um renascimento de Tagore, quando esta onda turbulenta e caótica se acalmar, quando os jovens acreditarem na supremacia do Espírito sobre todas as coisas e a sabedoria do Oriente não for ignorada no Ocidente tão técnico”. Assombra comprovar a profunda atualidade destas palavras da Cecília, no momento atual a nível mundial. Embora tenham sido escritas há várias décadas.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:

MEIRELES, C. (et al.): Tagore. Assoc. Brasileira Congresso Liberdade da Cultura, 1961 (folheto de 23 páginas).

MEIRELES, Cecília (Ed.): Homenagem a Rabindranath Tagore. Poeta, dramaturgo, ator, musicista, novelista, pintor, educador. Rio de Janeiro: Embaixada da Índia, 1961.

MEIRELES, Cecília: O que se diz e o que se entende (Crônicas). Rio de Janeiro: Nova Fronteira Editora, 2002 (5 crônicas sobre Tagore)

ID.: Crônicas de viagem (2). (Obra em prosa). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.

ID.: Crônicas de viagem (3). (Obra em prosa). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

ID.: Obra em prosa. Vol. I: Crônicas em geral. Tomo 1. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

ID.: “Necessidade de poesia”. Rio de Janeiro: Leitura nº 25, janeiro 1945 (Tagore e A. Renault)

ID.: “Abgar Renault e Rabindranath Tagore”. Belo Horizonte: Panorama, Arte e Literatura nº 5, 1948, p. 13.

ID.: “Tagore and Brazil” in R. Tagore- A Centenary Volume. N. Delhi: Sahitya Akademi, 1961, Pp. 334-337.

ID.: R.Tagore and East West Unity. Rio de Janeiro: Brazilian National Commission for Unesco, 1961.

ID.: “Homenagem a Rabindranath Tagore”. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 7-05-1961.

ID.: “Um retrato de Rabindranath Tagore”. Rio de Janeiro: Cadernos Brasileiros nº 2, abril-junho de 1961.

ID.: “Tagore e o Brasil” no livro de Tagore A noite de núpcias. Brasília: Coordenada, 1968.

ID.: “Apresentação” no livro de Tagore Çaturanga. Rio de Janeiro: Delta Editora, 1962.

ID.: “Abgar Renault e R. Tagore”. Belo Horizonte: Diário de Minas Gerais- Suplemento Literário, 20-07-1968.

ANEXO:

CANÇÃOZINHA PARA TAGORE

Por Cecília MEIRELES (Poema escrito em 1953 e publicado em 1961)

Àquele lado do tempo
onde abre a rosa da aurora,
chegaremos de mãos dadas,
cantando canções de roda
com palavras encantadas.

Para além de hoje e de outrora,
veremos os Reis ocultos
senhores da vida toda,
em cuja etérea Cidade
fomos lágrima e saudade
por seus nomes e seus vultos.

Àquele lado do tempo
onde abre a rosa da aurora
e onde mais do que a ventura
a dor é perfeita e pura,
chegaremos de mãos dadas.

Chegaremos de mãos dadas,
Tagore, ao divino mundo
em que o amor eterno mora
e onde a alma é o sonho profundo
da rosa dentro da aurora.

Chegaremos de mãos dadas
cantando canções de roda.
E então nossa vida toda
será das coisas amadas.

diarioliberdade

Chuva cai, o povo chora e o Poeta é sepultado em Campina Grande

O corpo do ex-governador Ronaldo Cunha Lima foi sepultado no final da tarde deste domingo (8), no Cemitério Monte Santo em Campina Grande. A chuva não foi empecilho para que os paraibanos acompanhassem o cortejo pelas ruas da Rainha da Borborema.

Populares, autoridades políticas, amigos e familiares acompanharam a viatura do Corpo de Bombeiros que conduziu o cortejo do Parque do Povo até o cemitério.

Como em um choro, o céu de Campina Grande se despediu do Poeta fazendo rolar pela cidade a chuva que se confundiu com as lágrimas de alguns presentes, mas que não tirou os paraibanos das ruas para última homenagem ao ex-governador. Com guarda chuva, sombrinhas e até sem proteção, centenas de pessoas seguiram o cortejo.

Ronaldo morreu neste sábado (7) às 9:35h em decorrência de um câncer no pulmão.

Uma multidão visitou corpo do Poeta durante o velório no Palácio da Redenção em João Pessoa, na tarde do sábado, e no Parque do Povo em Campina Grande, no noite de sábado e durante este domingo.

Em menos de uma hora após a confirmação da morte do poeta, dada pelo seu filho, o senador Ronaldo Cunha Lima, na sua conta do Twitter, os internautas começaram a replicar a informação, lamentar a perda, prestar condolência e homenagens a Ronaldo Cunha Lima, sendo assim o assunto mais comentados na rede social no Brasil e um dos dez assuntos do mundo.

Ronaldo deixa a viúva, quatro filhos e oito netos. O poeta teve 10 irmãos: Aluisio, Ivandro, Lucio, Zelia, Fernando, Roberto, Marta, Maria José, Terezinha e Renato, dos quais três são falecidos (Aluisio, Lucio e Fernando).

“Quando eu for pra eternidade, onde só Deus me alcança, eu não quero ser saudade, já me basta ser lembrança”. Ronaldo Cunha Lima.

MaiaPB – Écliton Monteiro

Mídia e lideranças nacionais lamentam morte do ‘poeta’

A morte do ex-governador e poeta Ronaldo Cunha Lima repercutiu em todo o país. No sábado (07), dia do falecimento, citações como ‘poeta’, ‘Ronaldo’, ‘luto’ e ‘Cunha Lima’ permaneceram por horas nas listas dos mais comentados do Twitter. Pelas redes sociais, lideranças nacionais, artistas e amigos manifestaram solidariedade à família e lembraram da amizade que mantinha com o ex-governador.

Ronaldo será enterrado neste domingo (08), no cemitério Campo Santo em Campina Grande. O corpo foi velado durante toda a noite no Parque do Povo. Uma fila imensa se formou para a visitação pública no velório. Várias pessoas que passaram por lá postaram fotos nas redes sociais, mostrando a multidão que se formou para a última homenagem a Ronaldo.

Entre as personalidades políticas que prestaram solidariedade via redes sociais, estão ex-ministro da Saúde, José Serra, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o deputado federal Roberto Freire (presidente nacional do PPS), e o ex-governador do Paraná, Roberto Requião.

A cantora Elba Ramalho também se manifestou via Twitter, assim como o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcanti. Ronaldo Cunha Lima era advogado.

A morte de Ronaldo repercutiu em praticamente todos os veículos de comunicação do país, como a revista Veja e os jornais O Globo, O Dia (RJ), além de agências internacionais de notícia como a Reuters.

Em João Pessoa e em Campina Grande todos os candidatos a prefeito suspenderam suas atividades de campanha em respeito ao luto pela morte de Ronaldo Cunha Lima. Foi o que fez, por exemplo, a candidata Daniella Ribeiro (PP), em Campina. Em seu microblog no Twitter, Daniella postou uma mensagem de apoio à família, minutos após a divulgação da morte do poeta. “Lamento a perda do ilustre campinense Ronaldo Cunha Lima e presto minhas condolências à toda família nesse momento de dor”, disse.

O Governo do Estado decretou luto de três dias. As prefeituras municipais de João Pessoa e de Campina Grande também fizeram o mesmo.

Por Hermes de Luna

Portalcorreio

Ronaldo Cunha Lima: poeta, político, homem do povo




O poeta e político Ronaldo Cunha Lima nasceu na cidade de Guarabira, em 18 de março de 1936, mas ainda jovem mudou-se com a família para Campina Grande. Com a morte do pai, Demóstenes, para ajudar a mãe, dona Nenzinha, no sustento da casa e para custear os estudos, vendeu jornais, foi garçom e trabalhou em cartório.

Ronaldo formou-se em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mas desde cedo a vocação para a política passou a marcar sua trajetória. Fez parte do Centro Estudantil Campinense, um verdadeiro celeiro de líderes políticos, sendo, inclusive, vice-presidente da entidade.

Disputou sua primeira eleição em 1959, com 23 anos, elegendo-se vereador pelo PTB, com 952 votos. Três anos depois (1962), foi eleito deputado estadual, somando 3.796 sufrágios, dos quais 2.057 oriundos das urnas de Campina Grande. Em 1968, aos 32 anos, chegaria à Prefeitura de Campina Grande, uma história interrompida.

A partir de 31 de março de 1964, o Brasil passou a ser comandado pelo regime militar, cujas mudanças políticas acabaram por atingir Campina Grande, com o afastamento do então prefeito Newton Rique, que, além de perder o mandato conquistado no ano anterior, teve os direitos políticos cassados por dez anos.

Amigo de Rique, Ronaldo certamente não imaginava que, cinco anos depois, enfrentaria o mesmo destino. Mesmo sem ser o mais votado para a Prefeitura em 1968, Cunha Lima venceu, beneficiando-se da nova legislação, outorgada pelos militares, que instituiu o sistema da sublegenda. As eleições aconteceram em 15 de novembro.

Prefeito eleito, prefeito cassado

Na votação direta, Severino Cabral, da Arena I, teve mais sufrágios: 17.568. A Arena II, com Plínio Lemos, que poderia ter balançado a disputa em favor de Cabral, obteve apenas 635 votos. E a Arena III, de Stênio Lopes, teve ainda pior desempenho, com 241 sufrágios. Na soma, a Arena, onde praticamente só o “Pé de Chumbo” teve votos, totalizou 18.444 sufrágios. Com isso, o partido ficou atrás do MDB, que somou 22.156 votos: 13.429 de Ronaldo Cunha Lima, 312 de Osmar Aquino e 8.415 de Vital do Rêgo.

Candidato mais votado do partido que obteve a maior votação, Ronaldo elegeu-se. Venceu de acordo com as regras do jogo. Mas, se a norma casuística da Ditadura Militar ajudou a vencer, o arbítrio acabaria levando a uma virada de mesa.

Ronaldo e seu vice, Orlando Almeida, tomaram posse no dia 31 de janeiro de 1969. Menos de dois meses depois, em 14 de março, por efeito do famigerado Ato Institucional nº 5 (AI-5), decretado no dia anterior, assim como acontecera com Newton Rique, Ronaldo também teve o mandato cassado, com suspensão dos direitos políticos por dez anos. Seu vice assumiu, mas também acabou afastado, ficando Campina nas mãos de um interventor, Manoel Paz de Lima.

Do mesmo modo que Newton Rique, Ronaldo Cunha Lima também deixou Campina Grande. Mas, ao contrário do amigo rico, o poeta-político, casado com Maria da Glória Rodrigues da Cunha Lima, penou para sustentar a prole de quatro filhos – Ronaldo, Cássio, Glauce e Savigny Cunha Lima – fora da Rainha da Borborema, ainda mais com os direitos políticos suspensos – o que o impediu de assumir cargo público.

Inicialmente, Ronaldo transferiu-se para São Paulo e, em seguida, para o Rio de Janeiro, exercendo a advocacia. Nunca desligou-se, todavia, de Campina Grande. Segundo relato do filho, o hoje senador Cássio Cunha Lima, acompanhava os acontecimentos da cidade através das páginas do agora extinto Diário da Borborema, até que, nos estertores do regime militar, após a anistia, regressou à Paraíba e voltou a disputar a Prefeitura campinense.

1982: O retorno triunfal nos braços do povo

Convocado por amigos para voltar às disputas políticas, Ronaldo Cunha Lima deixou o Rio de Janeiro, em 1982, e retornou à Rainha da Borborema. A volta triunfal ficou eternizada nos versos de uma quadrinha: “Volto à minha Campina / No templo e no Evangelho! / E ao entrar nesta cidade / Afoguei minhas saudades / Nas águas do Açude Velho”.

Em sua nova disputa pela Prefeitura, Ronaldo não precisou se valer, como em 1968, da sublegenda, para reconquistar a Prefeitura. O sistema era o mesmo, mas o bipartidarismo havia sido rompido. Indiferente a esses aspectos, Ronaldo atropelou todos os adversários, e venceu com larga vantagem.

Candidato pelo PMDB I, Ronaldo somou 40.679 votos, o equivalente a 56,33%. Vital do Rêgo (PSD I) obteve 28.625 sufrágios, ou 39,64%. A votação dos demais candidatos foi minúscula. Passados 13 anos desde a cassação pelo regime militar, Ronaldo voltava ao cargo que lhe fora usurpado pelo arbítrio.

Tal pai, tal filho

Ronaldo cumpriu mandato de seis anos. Em 1986, elegeu o filho Cássio, então com 23 anos, deputado federal constituinte. E, beneficiando-se pelas disposições transitórias da nova Carta Magna, fez do jovem deputado seu sucessor no comando do executivo municipal campinense, vencendo na disputa o ex-prefeito Enivaldo Ribeiro.

O jingle da campanha de Cássio expressava o sentimento e a estratégia de marketing daquele momento: “Plantar o grão / Pra colher o milho / Depois do pai / Sempre vem o filho / Continuar por amor é a sina / Francisco Lira, Cássio Cunha Lima”. O sucesso em 1982, coroado com a vitória do filho em 1988 e o poderio do PMDB estadual, somados, pavimentaram o caminho para a corrida pelo Palácio da Redenção, em 1990.

Seria a primeira eleição direta para governador, a ser decidida no segundo turno. E a nova regra permitiu que Ronaldo Cunha Lima derrotasse o ex-governador Wilson Braga (PDT), que venceu o primeiro turno, com 498.763 votos, contra 462.562 do peemedebista. Também estiveram no primeiro tempo da refrega outros candidatos: João Agripino (PDS) – 137.487 sufrágios; Genival Veloso de França – 44.719; Juracy Palhano – 6.494.

No segundo turno, Cunha Lima reverteu a vantagem de Wilson Braga, vencendo com ampla vantagem: 704.375 sufrágios a 571.802 (diferença de mais de 132 mil votos). No balanço entre as duas principais cidades do Estado, enquanto em João Pessoa a diferença pró-Braga caiu para menos de 24 mil sufrágios, em Campina Grande Ronaldo ampliou sua margem para quase 85 mil votos.

Ronaldo governou a Paraíba de 15 de março de 1991 a 2 de abril de 1994, quando renunciou ao mandato, entregando o cargo ao vice-governador, Cícero Lucena, para se eleger senador.

Um poeta de alma e verso

Ex-vereador, ex-deputado, ex-prefeito, ex-governador e ex-senador, Ronaldo Cunha Lima sempre gostou de ser tratado por um título bem mais singelo: poeta. É assim que os próprios filhos o chamavam. Tem diversos livros publicados e sua obra transita entre o estilo clássico, preponderante, marcadamente romântico, ao popular típico do Nordeste. Essa veia, inclusive, sempre esteve presente em suas ações como gestor público. Quando governador, fez imprimir na contracapa dos livros distribuídos nas escolas públicas duas quadrinhas:

No livro que você lê

Se aprender bem direitinho

Cada página é um caminho

Que se abre pra você.

Se for muito bem usado

O livro que a escola deu

De certo, será usado

Por outro colega seu.

Responsável pela construção da marca “Maior São João do Mundo”, ao inaugurar o Parque do Povo, em 1986, fez constar na placa inaugural mais uma quadra:

Que este meu gesto marque

O nascer de um tempo novo

O povo pediu o parque

Eu fiz o Parque do Povo.

Outra paixão de Ronaldo Cunha Lima era o poeta Augusto dos Anjos. Dominando a história e a obra do autor do Eu, Ronaldo participou do programa “Sem Limites”, na extinta TV Manchete. Durante semanas, encantou o apresentador e o público, respondendo todas as perguntas sobre Augusto dos Anjos, algumas vezes com versos improvisados, e venceu o programa.

Nas urnas, Ronaldo Cunha Lima jamais conheceu derrota. Amargou a cassação pelo regime militar, o revés na convenção peemedebista de 1998 e a cassação do filho pela Justiça, em 2009 – talvez sua maior tristeza. Mas, malquisto por alguns e adorado por muitos, sempre foi agraciado pelo concurso do apoio popular. Encontrou em Campina Grande seu porto seguro, seu lugar forte. Entra agora para a história como um dos maiores líderes políticos da Paraíba. Com todas as marcas que caracterizam os grandes líderes, inclusive as contradições.

Ronaldo não fugiu à tradição oligárquica que marca os grandes nomes da política paraibana e, em seu meio, soube impor sua vontade. Mas, de qualquer forma, nesse jogo da real democracia brasileira, sempre recebeu a chancela popular – e, nesse sistema, o povo é o maior juiz. Foi um homem do seu tempo. No entanto, conseguiu ser, ao mesmo tempo, um intelectual respeitado nos altos círculos e um gênio popular, transitando poética, política e humanamente entre nobres e plebeus com igual desenvoltura, com a mesma identificação.

O julgamento da istória, que inevitavelmente perscruta todos os homens públicos, de todos os tempos, precisará analisar Ronaldo Cunha Lima pelos inúmeros aspectos, tantas vezes controversos, que marcam a sua personalidade. Sem o ardor messiânico dos apaixonados nem a má vontade inexorável dos críticos, não será um trabalho simples, porque Ronaldo nem de longe foi uma figura simplória, ao contrário de tantos homens públicos.

Aliás, essa é uma das marcas de Ronaldo que não podem ser negadas: ele não foi político por acaso, ele não foi um grande líder por acidente de percurso, ele jamais foi uma personalidade irrelevante no cenário paraibano, nem no seu alvorecer político, nem no seu ocaso. Sem padrinhos poderosos, sem berço de ouro, Ronaldo tornou-se o patriarca de uma família hoje de elite na política estadual. Ele escreveu, com versos e brilho a própria história, a poesia tipicamente humana da sua própria existência.

Secom

Estado de saúde de Ronaldo piora e familiares e amigos fazem vigília na casa do poeta

O ex-governador da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima, apresentou uma piora na noite desta sexta (6) e os familiares e amigos estão apreensivos e em vigília na casa do poeta permanentemente.

No twitter, Ronaldinho Cunha Lima, filho do poeta, comentou que passou momentos difíceis na madrugada, ‘de muita dor’.

Ronaldinho twitou: ‘Noite escura que parece não ter fim. Meu Deus’ , Após a noite em claro, Ronaldinho comentou: ‘O dia clareou, mas não consigo enxergar a luz. Em Deus e nas milhares e milhares de manifestações de solidariedade eu me apego. Muita dor”.

Há pouco, o filho do poeta comentou que familiares e amigos chegam constantemente à casa do poeta. “Familiares a amigos mais próximos se amontoam em cadeiras e sofás aqui na casa do poeta numa vigília q comove e conforta. Momentos difíceis

A noite, Ronaldinho já havia alertado para a piora do estado de saúde do poeta: “Ao lado do Poeta, que infelizmente a noite apresentou uma piora. Uma sedação leve a matem dormindo agora. Estamos todos em oração”, apontou.

 

Marília Domingues

Poeta de 17 anos lança livro e expõe telas na Fundação Casa de José Américo

 

Francisco Carneiro Júnior despertou para o mundo da literatura e pintura ainda na infância. Nessa época, já gostava de ler, viajar e conhecer museus, além do hobby de andar a cavalo. Atualmente, aos 17 anos de idade, decidiu reunir seus poemas e lançar o primeiro livro “Reflexos Poéticos”, além de exposição de telas pintadas por ele. O lançamento e os trabalhos podem ser conferidos nesta terça-feira (5), às 18h30, na Fundação Casa de José Américo, órgão vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, instituições parceiras culturais no evento.

Com arte da capa assinada pelo autor, o livro tem 118 páginas, reunindo 49 sonetos e 41 poemas de versos livres, e traz orelhas escritas pelo artista plástico Flávio Tavares, que contribuiu ainda com quatro ilustrações artísticas, distribuídas no livro, e de quem o autor diz que recebeu influências na pintura. ”Júnior caminha pela escuridão das paixões, dos sentimentos, do existencialismo, em busca da razão de viver! Essa geografia interior, esse mundo em seus poemas são ‘desenhados’ por linhas e razões emotivas que vão clarear com paixão as razões da existência!”, comenta Flávio Tavares.

Francisco revela que recebeu influências de Augusto dos Anjos na literatura. O prefácio foi escrito pelo historiador Joaquim Osterne Carneiro, presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba e avô paterno do autor. Ao apresentar o livro, Osterne comenta que “a primeira parte da obra é constituída de uma poética que chama a atenção não somente pela metrificação dos versos, mas igualmente pela profundidade dos assuntos abordados para um jovem de sua idade, máxime nos sonetos, que ocupam lugar de destaque em suas rimas”.

Na segunda parte, prossegue Osterne, “Júnior nos apresenta poemas que podem se enquadrar no denominado modernismo brasileiro, cujos versos bem concatenados e bem estruturados, demonstram a grande sensibilidade do jovem autor, que a partir deste trabalho se inscreve definitivamente entre os vates paraibanos de maior expressão e certamente alcançará um lugar de destaque na literatura de nossa terra”.

Francisco se diz apaixonado pela literatura, justificando que é uma forma de estar conectado com reflexões importantes para o dia-a-dia. Considera que este é um caminho válido a ser introduzido pelos jovens. Tanto que ainda sequer lançou o primeiro livro, mas já tem crônicas e contos guardados e programa-se para lançar o próximo livro, no estilo romance.

A Fundação Casa de José Américo fica na orla do Cabo Branco, nº 3336.


Assessoria de Imprensa para o Focando a Notícia

Câmara de Guarabira presta homenagem ao poeta Sebastião da Silva


Os repentistas Sebastião da Silva e Raulino Silva lançaram no último sábado (05/05) na Câmara de Guarabira, durante Sessão Especial proposta pelo vereador Beto Meireles, o CD intitulado “Em Busca da Perfeição”.

Durante a sessão, os presentes homenagearam o guarabirense Sebastião da Silva que é repentista há cinquenta anos e tem levado a poesia e o nome de Guarabira para os quatro cantos deste país. Atualmente o poeta reside na cidade de Caicó, no Rio Grande do Norte.

Lamentavelmente o único vereador presente na sessão foi Beto Meireles. A ausência dos demais vereadores foi duramente criticada pelo repentista Valdeci Alexandre e por Raulino Silva, que repreenderam os demais parlamentares dizendo que não existe compromisso dos edis com a cultura popular.

Ao término dos discursos e homenagens, os repentistas Antônio Costa, Sebastião da Silva e Raulino Silva promoveram um verdadeiro show de cantoria, com motes dados pelas pessoas presentes, que ficaram agraciadas com os versos improvisados dos cantadores.

Para o vereador Beto Meireles “foi um momento impar vivido pela casa do povo. O nosso gabinete está aberto para os mais diversos temas da sociedade guarabirense, e que cada vez mais irá trabalhar para promover eventos desta natureza, que enriquecem e prestigiam a cultura popular da nossa terra”, disse.

Assessoria do vereador para o Focando a Notícia