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Brasil-EUA o romance que morreu antes de nascer

KEVIN DIETSCH/EFE
KEVIN DIETSCH/EFE

Foi o ano diplomático menos imaginado. No dia 31 de maio de 2013, quando o vice-presidente norte-americano Joe Biden desembarcou em Brasília para definir a letra pequena dos acordos que seriam firmados durante a cúpula entre Dima Rousseff e Barack Obama, ninguém, possivelmente nem a presidenta, imaginava qual seria o desenlace dessa aproximação com Washington, sem precedentes em 11 anos de governos do Partido dos Trabalhadores.

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“Não há obstáculo que não possa ser superado por nossos países… estamos ansiosos por recebê-la (Dilma) em outubro em Washington” assegurava Joe Biden ao deixar o Palácio do Planalto com seu sorriso invicto.

Não é usual que Dilma receba vice-presidentes em seu gabinete e, se o faz, é para cumprir algum protocolo rápido: o fato de ter concedido 90 minutos de seu tempo ao número dois da Casa Branca alimentou especulações fundamentadas sobre o tamanho dos pactos que estavam sendo gestados. Porta-vozes anônimos do governo, possivelmente alguma fonte militar interessada, deixaram transcender que depois da conversa com o emissário de Obama, a presidenta havia resolvido comprar 36 caças F-18 Super Hornet fabricados pela Boeing, uma das empresas que formam o complexo industrial militar norte-americano, cujo poderio gigantesco cresceu ainda mais depois da declaração de guerra ao terror anunciada em 2001 por George Walker Bush, a partir dos atentados contra as Torres Gêmeas nova-iorquinas.

O sorriso, agora vitorioso, de Joe Biden ao apertar a mão do sempre contido chanceler Antônio Patriota marcavam o momento mais regressivo da política externa brasileira desde 2003, com a virtual queda da posição “altiva” frente à Casa Branca concebida sob o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, secundado por seu ministro de Relações Exteriores Celso Amorim e o assessor especial Marco Aurélio García, uma troika que se completava com Samuel Pinheiro Guimarães, o “enfant terrible ” do Itarmaraty, a quem coube a tarefa de revisar planos de estudo e sistemas de admissão na inexpugnável estrutura do Serviço Exterior.

Autor de livros seguidamente citados por Hugo Chávez, Pinheiro Guimarães havia sido condenado ao ostracismo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nos anos 90, como escarmento por ter enunciado a Área de Livre Comércio das Américas.

Dilma, conhecida por suas posições nacionalistas de esquerda, não parecia totalmente convencida com a aproximação abusiva com os Estados Unidos tecida desde 2011 por seu chanceler Antônio Patriota.

A fim de estabelecer comparações, poderíamos situar Patriota nas antípodas de Amorim e Pinheiro Guimarães: diplomático submisso aos poderes estabelecidos no Itamaraty, muito bem relacionado em Washington, onde se desempenhou como embaixador, e um dos brasileiros prediletos da ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que costuma chamá-lo de “meu amigo Antônio”. Afeto que é recíproco.

Rousseff costuma se pronunciar através de gestos e com frequência suas feições pareciam de uma mulher obrigada a calçar sapatos dois números menores aos de sua forma cada vez que aparecia em público junto a Patriota, isso especialmente depois da incompetência com que este atuou frente ao golpe que derrubou o ex-presidente paraguaio Fernando Lugo em junho de 2012.

Em rigor, Patriota foi algo assim como o chanceler de uma nota só, a de Washington, a despeito da agenda sul-americana na qual, depois da gafe paraguaia de 2012 se somou o escândalo boliviano de agosto de 2013, dado que a embaixada brasileira em La Paz foi cúmplice de um dos dirigentes opositores acusados de desestabilizar o presidente Evo Morales.

Essa assimetria diplomática a favor dos Estados Unidos era o desejado pelas facções do Palácio Itamaraty (Chancelaria) nostálgicas do mandato de Fernando Henrique Cardoso, que tiveram que suportar com desgosto a heterodoxia e o latino americanismo que imperaram durante os 8 anos de Lula-Amorim-García.

A verdade é que, em agosto de 2013, a política externa de Dilma, seguindo os postulados da velha guarda do Itamaraty, era criticada por baixo no PT enquanto parecia encaminhar-se a um pacto de subordinação relativa com Washington a ser rubricado na visita de Estado à Casa Branca, prevista para o dia 23 de outubro.

Foi então, entre julho e setembro, que se conheceram centenas de documentos obtidos pelo ex-analista da NSA, Edward Snowden, revelando que sob o pretexto de caçar terroristas imaginários, essa agência instalou uma central de operações clandestinas em Brasília de onde foram violadas as comunicações de Dilma e roubados dados, provavelmente sensíveis, da petrolífera estatal Petrobras.

Ofendida pela violação da “soberania nacional” perpetrada pelos Estados Unidos, Rousseff solicitou uma reunião urgente com Obama, na qual este não pode dar as explicações exigidas ao mesmo tempo em que admitiu ser impotente frente o poder da comunidade de informações, prima-irmã do complexo industrial militar.

A fracassada conversa com Obama e, em menor medida, a queda de Patriota, fatos acontecidos no lapso de um mês, certificaram a morte da política externa inaugurada em 2011, e afirmaram o reencontro com várias das teses forjadas desde 2003.

A partir desse corte, inesperado e drástico, Dilma assumiu, em setembro do ano passado, o comando das relações exteriores apresentando uma bateria de movimentos convergentes.

Suspendeu a visita de Estado a Washington apesar dos esforços contrários realizados pelo sorridente Joe Biden e pelo secretário de estado John Kerry, também enviado a Brasília para reparar os danos causados pelo dossiê Snoden.

Propôs e obteve o acordo dos países do Mercosul para elaborar uma estratégia conjunta contra a espionagem eletrônica, iniciativa que posteriormente formulou, com algumas modificações, frente a Assembleia das Nações Unidas que, no mês passado, a aprovou com o apoio maciço dos países emergentes e de várias potências como a Alemanha, apesar das reservas iniciais de Angela Merkel.

Pouco depois de assumir o novo chanceler Luiz Alberto Figueireido, empreendeu uma turnê por vários países na qual qualificou a espionagem norte-americana como “inaceitável” e “violação aos direitos humanos”.

Uma simples análise contra factual autoriza supor que, se Dilma tivesse realizado a tão anunciada visita a Washington, provavelmente as petrolíferas norte-americanas teriam sido fortes candidatas no leilão, do super poço de Libra, com 15 bilhões de barris e os aviões Super Hornet, da Boeing poderiam ter sido escolhidos pela Força Aérea para modernizar sua frota de guerra.

Como se sabe, nenhuma petrolífera estadunidense se inscreveu para disputar o campo de Libra, na licitação vencida em outubro por um consórcio encabeçado pela Petrobras, associada a duas companhias chinesas, uma francesa e uma anglo-holandesa.

E, em dezembro, o agora ministro de Defesa, de carreira Celso Amorim, seguindo instruções do Planalto, finalmente optou por comprar 36 caças-bombardeiros Gripem NG, de fabricação sueca, descartando os norte-americanos F18, que antes do datagate pareciam imbatíveis.

Foram duas medidas de Estado que transcendem o conjuntural, nas quais se materializa uma guinada vantajosa para a autonomia nacional, assim como antipática para grupos hegemônicos das indústrias petrolífera e militar, o que gera ressonâncias nas grandes empresas midiáticas.

Quem repasse a linha editorial da CNN, The Economist ou The Financial Times advertirá como mudou o tratamento dado a Rousseff.

Deixou de ser aquela estadista de 2011 para tornar-se uma presidenta “intervencionista e contrária ao livre jogo das forças do mercado”, um modelo inconveniente para os demais países latino-americanos, aos que se recomenda, desde essas usinas de opinião global, descartar o exemplo do Brasil e seguir o proposto pelo México do presidente Enrique Peña Nieto.

Créditos da foto: Arquivo
cartamaior

Estudo: bebês indesejados podem nascer tristes e ter problemas mentais

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Especialistas de Brasília afirmam que a relação afetiva com o bebê que está para nascer é fundamental para a formação e o fortalecimento do vínculo materno. Estudos mostram que os primeiros seis anos são decisivos na vida da pessoa, especialmente devido ao desenvolvimento cerebral. A formação do bebê, no entanto, já começou antes do seu nascimento.

 

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O médico pediatra Laurista Corrêa Filho teve a certeza da constatação após uma experiência no Centro Internacional da Infância, em Paris, em 1991. No retorno dele a Brasília, seis anos depois, foi um dos idealizadores de um grupo de estudos multidisciplinar sobre o tema. O trabalho cresceu a ponto de o grupo prestar consultoria para o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria, além de fazer palestras em vários estados brasileiros.

 

“Até então, o paradigma existente era a parte física, diagnóstico e tratamento. A parte de saúde mental ficava para trás”, lembra o médico. A Associação Brasileira de Estudos para o Bebê foi fundada em Brasília em decorrência do movimento.

 

 

O médico afirma que uma gravidez não desejada pode gerar uma criança problemática. “A pior doença do futuro é a mental”, adverte. Segundo ele, o reconhecimento de que todos os sentidos do bebê já funcionam mesmo antes do nascimento era até então apenas uma suposição, que foi comprovada cientificamente. A maneira como a mãe reage à gestação é fundamental para a formação da criança, garante o médico. Por isso, a comunicação com o bebê é muito importante.

 

O feto é capaz de captar as vibrações dos sons das palavras emitidas pela voz materna, com todas as emoções que as acompanham. Para os médicos, a relação de troca com o feto é fundamental para a formação e fortalecimento do vínculo materno. É uma forma de garantir a saúde e o bem-estar do bebê. Por isso é importante que as mães conheçam as formas de desenvolvimento dele do ponto de vista físico e mental.

 

“Se o bebê não for desejado pela mãe, como será essa criança? Será um sobrevivente e não um ser humano. Como ele vai se desenvolver?”, questiona o médico.

 

Na saúde pública, o especialista acredita que a falta de conhecimento é um dos problemas mais graves em relação aos procedimentos com a mãe. Isso faz com que o bebê seja recebido por uma equipe despreparada. Falta acolhimento, na avaliação dele. A intenção com o grupo de estudos é modificar essas atitudes. Por isso, as ações se concentram em melhorar a formação dos profissionais.

 

A importância da comunicação na gravidez
Durante a gravidez já se estabelece um vínculo afetivo, diz Roselle Bugarin Steenhouwer, médica cirurgiã pediatra, coordenadora geral de Saúde da Asa Sul e diretora geral do Hospital Materno Infantil de Brasília. “O bebê reconhece a voz, até o cheiro do líquido amniótico onde está inserido”, afirma.

 

Para a médica, o bebê é receptivo a tudo o que acontece no ambiente. Ele escuta e sente. Por isso não há nada que a mãe faça que não influa no desenvolvimento da criança ainda no útero. Os casos mais graves são os de bebês rejeitados.

 

 

“Ele não pode sentir que não é bem-vindo, que a mãe não o quer ou o rejeita. Caso contrário, esse bebê vai nascer triste. O amor é o segredo do sucesso de um desenvolvimento psicomotor e afetivo saudável”, defende.

 

Ela explica que a mãe pode estar cheia de vontade de ter uma gravidez tranquila e ter problemas. Por isso o mais importante é o bebê sentir que é desejado, apesar das adversidades. “Ela deve parar em algum momento do dia e pensar nele, falar com ele, colocar uma música que ela goste para ouvir e relaxar”, sugere.

 

Os hormônios que a mãe libera, sobretudo os neurotransmissores, passam para o bebê pelo cordão umbilical, explica o médico Raulê de Almeida, especialista em desenvolvimento infantil pela Universidade de Brasília (UNB).

 

“O bebê percebe o comportamento da mãe e associa com o tipo de hormônio. Se a mãe está muito intranquila, vai liberar catecolaminas, hormônios liberados em situações de estresse. Se a mãe está tranquila, serena, feliz, vai liberar endorfina, e vai transmitir ao bebê uma condição de bem-estar”, avalia.

 

Almeida explica que uma mãe depressiva, triste, que não é capaz de se comunicar com o seu bebê, poderá ter surpresas negativas. A ausência dessa ponte com a criança vai dificultar a formação do vínculo. Consequentemente, o bebê terá uma formação comprometida, sem apego. Poderá desenvolver neuroses, psicoses e problemas na sua vida futura que o impedirão de ser feliz plenamente.

 

Entre as posturas recomendadas pelos médicos para melhorar a relação entre mãe e bebê estão conversar diariamente com a criança, ouvir música com ela, contar histórias para ela, evitar situações de estresse e de conflito durante a gravidez.

 

O Ministério da Saúde recomenda ainda que, para garantir uma gestação tranquila e a segurança do bebê, é fundamental que a gestante faça o acompanhamento pré-natal e adote um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada e evitando o consumo de bebidas alcoólicas e cigarros.

 

Número de crianças prematuras é alto no país
Segundo um estudo do Unicef divulgado em agosto, a prevalência de crianças prematuras é de 11,7% em relação aos partos no país. O percentual coloca o Brasil no mesmo patamar de países de baixa renda, onde a prevalência é de 11,8%. Os pesquisadores investigaram os números da prematuridade no Brasil e também o baixo peso ao nascer.

 

Para Laurista Corrêa Filho, não se pode relacionar a falta de afeto entre mãe e filho durante a gravidez com o caso de prematuridade. Para ele, são vários fatores que contribuem para isso, especialmente gravidez na adolescência.

 

Deutsche Welle 

Bebê guarabirense morre em hospital da capital após esperar mais de 11 horas para nascer

Na tarde dessa segunda-feira (29), o jovem Alexsandro de Lima Oliveira, entrou em contato com a nossa equipe de reportagem,  para relatar um triste fato que aconteceu no hospital Edson Ramalho em João Pessoa.

Segundo informações repassadas por ele, sua esposa Dulcilene Pereira de Oliveira , 18 anos,  estava grávida de 9 meses, entrou em trabalho de parto no último sábado dia (27), e foi levada para o hospital Regional de Guarabira.

Após ser atendida pelo médico plantonista, Dulcilene que estava sofrendo com muitas dores, foi encaminhada para casa. Segundo o médico, a dilatação da paciente não era suficiente para o parto, a mesma teria que aguardar em casa as contrações aumentarem.

Alexsandro voltou à procurar o médico e pediu para que ele realizasse o parto cesário, pois temia que sua esposa não conseguisse ter a criança de parto normal, o médico se negou e disse que ela teria todas as condições de ter a criança de parto normal.

Vendo o sofrimento da esposa, Alexsandro ligou para uma médica amiga da família,  que trabalha no Hospital Edson Ramalho, que pediu para que ele trouxesse a esposa para o  hospital, para realizarem o parto cesário. Pensando na segurança de sua esposa e do bebê,  ele a levou para João Pessoa para que o parto cesário fosse realizado.

Ao chegar ao hospital por volta das 19:00h do sábado (27), Dulcilene foi atendida pelo Dr. Marcelo Braz, que fez o exame de toque na paciente  e também a encaminhou para casa, dizendo que ela não iria ter o filho naquela noite. Alexsandro também falou com esse médico e pediu para que ele a operasse, já que na última ultrasonografia o filho pesava mais de 4kg, ele temia pela vida do filho e da esposa, segundo ele o médico voltou a se negar, e disse que por ela morar em Guarabira iria interna-la no hospital até que ela alcançasse a dilatação necessária para obter o parto normal.

Dulcilene aguardou por mais de onze horas e não conseguiu ter o bebê, segundo os relatos de Alexsandro (esposo) por volta das 6:00h da manhã do domingo (28), enfermeiros e médicos empurravam a barriga de sua esposa para que ela tivesse o filho normal e depois de muitas tentativas, o médico Dr. Marcelo, resolveu operar a paciente.

O bebê nasceu com insuficiencia respirátoria foi para UTI e morreu por volta das 4:00hs da manha desta segunda-feira.

A família vai aguarda o laudo médico para saber se ouve negligência por parte do hospital. A criança se chamaria Arthur, o casal esperava ansioso a chegada da criança, mais teve seus sonhos frustados pelo fato.

Alexsandro emocionado contou a nossa equipe como  recebeu a noticia da morte da criança, e como contou a notícia a sua esposa.

Portal Midia

O rádio digital brasileiro pode morrer antes de nascer

Desde 2006, o governo brasileiro adotou o padrão ISDB-TB de TV Digital, que permite convergência, interatividade e multiprogramação. Mandar a opinião, votar em enquetes, assistir outros programas no mesmo canal e até mesmo acessar a internet, através do aparelho televisivo, são possibilidades dos espectadores neste modelo. No entanto, tudo isso parece mais cena de ficção futurista do que realidade. O explícito boicote das emissoras aos recursos digitais e a ausência de regulamentação governamental revelam que a TV digital brasileira ainda inexiste, senão como canais HD (alta definição de som e imagem) porque o interesse empresarial, que predomina também no Ministério das Comunicações, tenta construir uma TV com menor custo, maior lucro e uma audiência concentrada em poucos canais, o mais passiva, acomodada e disciplinada possível.

O rádio digital corre o risco de repetir a fatídica situação. Com atraso de, pelo menos, cinco anos, o governo federal ainda não definiu seu padrão (IBOC e DRM são os principais concorrentes), nem as diretrizes do modelo. Somente em agosto de 2012, o Ministério das Comunicações criou um Conselho Consultivo para discutir esta decisão. Composto por representantes do governo, das emissoras e dos fabricantes, o órgão tem sua primeira reunião no dia 23 de outubro. Além de atrasada, a discussão começa totalmente desequilibrada. Sem quase investimentos, o Conselho não conta com qualquer estrutura para sua instalação, sequer as condições para participação dos conselheiros é garantida. Não há subsídios para passagens, transporte, hospedagem e alimentação para quem voluntariamente prestará o serviço público de construir posições para a decisão governamental sobre o tema.

Grupos empresariais são favorecidos

Além de institucionalizar a gestão de financiamento do privado para o público, a situação favorece a inversão dos interesses sociais em particulares, dado que a falta de condições simétricas para a participação no debate privilegia os grupos empresariais. A impossibilidade de entidades como a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) enviarem seu representante titular por falta de recursos financeiros enfraquece a defesa de uma rádio digital popular e democrático.

Pensar este modelo é muito mais do que a escolha de um padrão e os custos para implantação. É planejar e executar uma série de medidas que possibilitem mais amplos acessos e participação no rádio digital. É muito mais do que uma questão tecnológica. É uma decisão política que deve orientar a horizontalização da produção e potencialize o uso da tecnologia. Assim, muitas questões e escolhas podem ser elaboradas. Como empoderar as pequenas e médias emissoras a produzirem conteúdo multiforme, interativo e colaborativo? O modelo irá agravar as diferenças entre os grandes e pequenos grupos radiodifusores? Como a multitransmissão num mesmo canal será distribuída? As emissoras poderão veicular diferentes programações simultâneas ou os canais serão compartilhados por emissoras educativas, comunitárias e comerciais? O rádio digital poderá ser uma forma de acesso à internet, possibilitando inclusão digital? Como os ouvintes serão preparados para o uso da nova tecnologia? Haverá orientações para sua participação mais efetiva na produção e gestão das emissoras?

A falta de condições de paridade de participação nesse Conselho revela que não há no governo disposição política de, provavelmente, debater essas questões, respondê-las e, muito menos, executá-las. Reflete também a inexistência de uma política pública de comunicações, favorecendo a força dos grupos empresariais consolidados pelo mercado de gerir, conforme seus interesses bens públicos, como a radiodifusão, que deveriam alicerçar a educação e a participação cidadãs.

Ismar Capistrano Costa Filho