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Trechos da BR-101 e BR-230 na PB são interditados pelo MST em protesto

Manifestante bloqueiam trecho da BR-230 no distito de Café do Vento, na Paraíba (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) interditaram dois trechos das BRs 101 e 230 na Paraíba em uma manifestação de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início da manhã desta terça-feira (23). De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), as interdições são no km 110 na BR-101 e no km 53 da BR-230, entre a cidade de Santa Rita, na Grande João Pessoa e o posto da PRF em Café do Vento, distrito da cidade de Sobrado.

Ainda de acordo com a PRF na Paraíba, até as 8h15 (horário local), os dois trechos das rodovias federais estavam interditados no estado. Outro ponto da BR-101, no km 9, mas em Goiana, em Pernambuco, também foi fechado pelos manifestantes.

A PRF não informou a motivação do protesto, mas de acordo com uma das integrantes da manifestação, a mobilização é em defesa da candidatura do ex-presidente Lula, que vai ser julgado no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no Rio Grande do Sul, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“Estamos aqui defendendo a candidatura de Lula, pela democracia. Estamos nos manifestando de forma pacífica e ordeira e fazendo liberações pontuais para carros com idosos ou crianças, assim como ambulâncias”, explicou a manifestante identificada como Eva Wilma.

G1

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MST contesta proibição da obstrução de BRs

mstO coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).  Augusto Berlarmino,  contestou, nesta terça-feira (17), determinação da Justiça Federal na Paraíba de impedir bloqueios nas BR-230 e 101 no Estado. A Multa por desobediência é de R$ 10 mil por hora de interrupção.

Em entrevista ao programa 60 Minutos, apresentado pelos jornalistas Heron Cid e Anderson Soares, na Rádio Arapuan FM,  Augusto Berlarmino considerou que a medida foi criada para coagir as pessoas que buscam reivindicar seus direitos.

De acordo com ele, mesmo com a decisão judicial, o MST  vai continuar  fazendo suas atividades.

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“Na verdade nós somos contra essa medida e se a gente avaliar que dever fazer a manifestação, a gente vai fazer ”, assegurou.

Roberto Targino – MaisPB

Deputado paraibano diz que protesto do MST e CUT é uma ‘baderna absurda’

protestoDiante das manifestações do Movimento Sem Terra (MST) e Central Única de Trabalhadores (CUT), o deputado federal Efraim Filho (DEM) se manifestou nas redes sociais mostrando um posicionamento contrário à causa.

Para o deputado, os manifestantes paraibanos e de mais 11 Estados brasileiros, além do Distrito Federal, é um “absurdo”.

“As pessoas querendo ir trabalhar e sendo impedidas de sair de casa pela baderna do MST, insatisfeito porque está perto de perder a mamata. Absurdo!”, declarou.

Grupos contrários ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff promoveram protestos pelo Brasil na manhã desta terça-feira (10). Pelo menos 12 Estados registram atos (São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Piauí, Espírito Santo e Rio Grande do Norte), além do Distrito Federal.

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Os manifestantes são ligados a grupos como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e o MST (Movimento Sem Terra). Nos protestos, os participantes exibem faixas contra o vice-presidente Michel Temer e criticando o “golpe” contra Dilma.

Paraíba

Em João Pessoa, 150 manifestantes estão bloqueando a garagem da empresa de ônibus Transnacional na BR-230. O grupo protesta contra o impeachment e contra a dupla função de motoristas que também trabalham como cobradores. Há ainda outro protesto diante da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), no bairro do Varadouro.

Na bifurcação das BR-101 e da BR-230 (altura da entrada da cidade para quem vem de Campina Grande ou Natal), o trânsito apresenta problemas. Manifestantes permitem que poucos carros sigam viagem, provocando congestionamento no local.

 

 

paraibaja

MST se reuniu com Dilma e discutiu meta para assentamento de famílias acampadas

Foto: Agência Brasil Dilma e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, durante encontro com representantes do MST
Foto: Agência Brasil
Dilma e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, durante encontro com representantes do MST

Representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) entregaram nessa segunda (15) à presidente Dilma Rousseff um documento intitulado Propostas Emergenciais para o Campo. Após o encontro, que ocorreu no Palácio do Planalto, que também teve a participação do ministro Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário, Alexandre da Conceição, membro da direção nacional do MST, disse que o primeiro item da pauta, que trata do assentamento de todas as famílias acampadas, foi uma das questões tratadas com a presidenta Dilma.

“No tema da questão agrária, pelo menos desta vez ela [Dilma] se comprometeu com metas. No outro governo ela não tinha se comprometido. Então isso já é um avanço, uma sinalização”, disse Alexandre. Segundo ele, essa pendência está atualmente em 120 mil famílias, que, de acordo com as reivindicações, devem ser assentadas até julho do ano que vem. Consta também no plano de metas o compromisso de assentar 50 mil famílias por ano.

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Os representantes do MST avaliaram que no segundo governo, Dilma terá maior comprometimento com as pautas para o campo. Informaram que uma lista de reivindicações, com 27 pontos, foi discutida na reunião. E disseram que levaram para a presidente as insatisfações do movimento em relação à possível indicação da senadora Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura.

De acordo com Alexandre Conceição, a nomeação de Kátia Abreu, se confirmada, representa o “agronegócio”, o “atraso”, o “trabalho escravo” e, no seu estado, “a grilagem de terras”. “Temos colocado para imprensa. e agora para presidente Dilma, é que a nomeação da Kátia Abreu é uma simbologia muito ruim para aquilo que foi as eleições nas ruas, onde os movimentos sociais foram garantidos, a vitória da presidenta, em um avanço de um projeto popular mais avançado”, disse.

Apesar das ponderações, os integrantes do movimento disseram que Dilma não se manifestou sobre o assunto. Para Alexandre, embora o nome da senadora represente mais repressão aos indígenas e aos quilombolas, a prerrogativa dessa decisão é da presidenta Dilma Rousseff, e que não cabe ao MST interferir na nomeação.

No que chamou de “balanço crítico” deste ano, o coordenador do MST disse que também foi feito um apelo por mudanças, e que o movimento é contra a manutenção da postura dos integrantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário em relação ao movimento. Segundo ele, assim que compor o novo governo, Dilma vai conversar novamente com o MST para discutir um plano de metas.

Na avaliação de Rosana Fernandes, que também integra a coordenação nacional do MST, a avaliação da reunião é “bastante positiva”, e há uma perspectiva de abrir um diálogo. A animação, no entanto, não tem uma expectativa, por parte do movimento de que “apenas a boa conversa vai resolver”. Segundo ela, em 2015, a tarefa de organização dos trabalhadores vai continuar em todos os estados.

Agência Brasil

MST ocupa quatro agências da Caixa Econômica na PB; Movimento reivindica 5 mil casas no estado

mstO Movimento dos Sem Terra (MST) está ocupando quatro agências da Caixa Econômica Federal na Paraíba. A ação acontece também em outras regiões do país. A idéia é pressionar o Governo Federal para que libere verbas para a construção de casas de movimentos sócias. Entre os movimentos envolvidos estão o próprio MST, Quilombolas, Indígenas, Movimento de Ação Popular (MAP), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), entre outros.

 

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As cidades do estado que estão sofrendo ação do MST nesta sexta-feira (25) são João Pessoa, Esperança, Patos e Souza. Segundo informações de Augusto Arimateia Lima, coordenador do MST na Paraíba, 500 pessoas estão ocupando a agência da Capital, 600 em Souza e 300 pessoas em Patos e Esperança.

 

“Reivindicamos mais de 5 mil casas em reforma e construção na Paraíba pelo programa Minha Casa, Minha Vida”, explicou Lima, lembrando que na última ocupação em maio ficou definido que a União iria fazer o aporte financeiro para as construções, mas nada foi feito até o momento. “Não avançou nada e nenhuma casa foi construída. Desde o último acordo, já protocolamos todos os projetos em assentamentos para que pudessem começar as construções”, desabafa.

 

Ainda segundo o MST, em todo estado da Paraíba são mais de 360 assentamentos e a solicitação para construção das casas foi feito há cinco anos em audiência entre a Caixa e o Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra).

 

 

Questionado a quê se atribuía a demora para a liberação das verbas, Lima apontou: “A demora é atribuída à burocratização do programa, que a cada semana cria novas normas. O Governo Federal aprovou 40 mil casas para serem construídas para os movimentos sociais em todo o Brasil, dessas aprovadas só há verbas para 20 mil. Na Paraíba estão previstas a construção de 600 casas, enquanto reivindicamos 5 mil. Mas esse dinheiro (para as 600 casas) nem chegou na Caixa econômica da Paraíba”, argumentou.

 

Sobre até quando o movimento deve manter a ocupação, o coordenador garante: “Vamos ficar até quando chegarem os recursos”.

 

Paulo Dantas

Marcha do MST termina com 30 PMs e 2 manifestantes feridos em Brasília

O confronto entre policiais militares e manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra na tarde desta quarta-feira (12) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, terminou com 32 pessoas feridas – 30 PMs e dois integrantes da marcha. De acordo com o comando da PM, oito policiais precisaram de atendimento médico em hospitais.

Manifestante ferido é socorrido (Foto: Isabella Calzolari / G1)Manifestante ferido é socorrido no gramado da Esplanada dos Ministérios  (Foto: Isabella Calzolari / G1)

De acordo com o Corpo de Bombeiros, parte dos policiais foi atendida no posto da Câmara dos Deputados e outros levados ao Hospital de Base. Segundo a assessoria da PM, os policiais feridos que necessitaram de atendimento médico foram atingidos por pedras e pedaços de paus na cabeça.

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A marcha pela reforma agrária reuniu cerca de 15 mil pessoas, segundo a PM, e interrompeu o trânsito na área central da capital. Na Praça dos Três Poderes, houve enfrentamento entre integrantes da passeata e policiais.

O ministro da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, recebe em frente ao Palácio do Planalto carta com reivindicações do MST (Foto: Juliana Braga / G1)O ministro da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho,
recebe em frente ao Palácio do Planalto carta com
reivindicações do MST (Foto: Juliana Braga / G1)

Os manifestantes ocuparam a praça, onde ficam o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo. A presidente Dilma Rousseff não se encontrava no palácio no momento do tumulto – ela estava no Palácio da Alvorada, residência oficial.

Em pelo menos três momentos houve confusão entre policiais militares e manifestantes na Praça dos Três Poderes. O Batalhão de Choque da PM chegou a jogar bombas de gás e dar tiros de borracha na direção dos sem-terra. Manifestantes arremessaram objetos contra os PMs.

Depois do tumulto, os manifestantes se concentraram no gramado em frente ao Congresso Nacional. Segundo lideranças do MST, um manifestante foi detido após confronto e pelo menos dois ficaram feridos.

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que acompanhou a manifestação do alto de um carro de som, disse que os manifestantes não tinham a intenção de invadir prédios públicos. “A polícia achou que eles tinham a intenção de invadir o Palácio do Planalto, mas nunca houve essa ideia. A polícia foi para cima e os manifestantes reagiram. Estou aqui desde o começo para não deixar virar pancadaria”, disse o parlamentar.

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, conversou com manifestantes e recebeu uma carta do MST. Ele informou que na manhã desta quinta a  presidenteDilma Rousseff receberá uma comissão de representantes do movimento.

Integrantes do MST ocupam o gramado do Congresso Nacional (Foto: Felipe Néri / G1)Integrantes do MST ocupam o gramado do Congresso Nacional (Foto: Felipe Néri / G1)

Embaixada dos EUA
Antes, por volta das 15h30, manifestantes entraram em confronto com a polícia em frente à embaixada dos Estados Unidos. Um policial chegou a apontar uma arma de pulsos elétricos em direção aos manifestantes.

Fui informado agora pela segurança que o tribunal corre o risco de ser invadido”
Ministro Ricardo Lewandowski, pouco antes de deixar o prédio do Supremo Tribunal Federal junto com os demais ministros da corte

Os policiais fizeram um cordão de isolamento em frente à embaixada, para impedir a aproximação dos manifestantes. O grupo seguiu apenas pela via lateral ao prédio.

Pouco depois das 16h, os manifestantes entraram em confronto com os policiais. Um grupo de sem-terra tentou ultrapassar uma barreira de PMs e houve troca de socos e pontapés.

Alguns manifestantes disseram que houve uso de spray de pimenta. A corporação negou o fato e disse que o movimento transcorria com tranquilidade até que “baderneiros infiltrados” iniciaram a confusão.

Supremo
Por causa da manifestação, a segurança do Supremo retirou os ministros do prédio. A sessão desta quarta do tribunal foi suspensa e posteriormente retomada.

O presidente em exercício da Corte, Ricardo Lewandowski, informou por volta de 16h10 que havia risco de invasão ao tribunal pelo grupo do MST.

“Fui informado agora pela segurança que o tribunal corre o risco de ser invadido”, afirmou Lewandowski naquele momento.

Um grupo chegou a derrubar as grades que protegem o tribunal, mas foi barrado pela segurança do Supremo Tribunal Federal.

Às 19h, a maior parte dos manifestantes retornou para o acampamento montado ao lado do estádio Nacional Mané Garrincha.

 

G1

No 6° Congresso, MST defende novo tipo de Reforma Agrária

No 6° Congresso, MST defende novo tipo de Reforma Agrária  A chamada Reforma Agrária Popular, defendida pelo MST, busca responder às demandas da conjuntura atual.

Passados 30 anos da fundação do MST, as configurações do campo brasileiro sinalizam para a agudização das contradições sociais que se acumulam como uma dívida histórica, desde a concentração das terras como mercadorias em oligopólios privados, a continuidade da expulsão do homem e da mulher do campo para inchar as grandes cidades, bem como a inundação de agrotóxicos que o modelo do agronegócio despeja anualmente nas mesas de cada brasileiro.

Sinais claros dessas contradições estão expressos nas cifras de acampados hoje à espera de acesso à terra, que ultrapassa as 186 mil famílias, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Tão alarmante quanto é a quantidade de veneno ingerida por cada pessoa no Brasil hoje através da alimentação contaminada: uma média de 5,2 litros ingeridos por pessoa ao ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Isto para não mencionar a existência no Brasil de trabalho em condições análogas à escravidão em pleno século XXI, sustentado dentro das cercas de latifúndios país afora.

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Esta situação sustenta o questionamento às promessas do desenvolvimento capitalista no campo brasileiro, engendrado desde os governos militares através do pacote tecnológico implantado impositivamente nos países do Sul.

“O período da ditadura teve como um dos seus eixos a implantação do que se chamou de Revolução Verde. Com a ‘modernização’ da agricultura, introduziu-se um pacote de máquinas, químicos e tecnologias, além de uma série de medidas, dentre elas o crédito rural condicionado a este modelo, medidas que causaram uma forte expulsão do povo do campo brasileiro”, sustenta Débora Nunes, da coordenação nacional do MST.

Na contramão da lógica do capitalismo dos países centrais, que realizaram Reformas Agrárias como base de desenvolvimento de suas indústrias e mercados internos (a exemplo de EUA e Alemanha), no Brasil o modelo político permeado pela velha oligarquia latifundiária impediu qualquer divisão de terras. Não foi realizada a dita Reforma Agrária clássica.

“Passados 30 anos da criação do MST, chegamos à primeira década deste século com a compreensão de que a possibilidade da realização de uma Reforma Agrária do tipo clássica não mais se viabiliza e nem responderia as atuais necessidades dos camponeses. Com a hegemonia do agronegócio sobre a agricultura, os desafios colocados estão em outro patamar e isso exige que nossas proposições também estejam”, completa Débora.

Segundo Débora, o programa agrário defendido hoje pelo MST ainda se funda na divisão e democratização das terras, ampliando o acesso a este meio de produção fundamental para a massa Sem Terra, mas vai além deste primeiro passo.

Reforma Agrária Popular: um contraponto ao sistema

A chamada Reforma Agrária Popular, defendida pelo MST, busca responder às demandas da conjuntura atual. Débora se refere ao programa não como uma cartilha a ser seguida, mas como uma ferramenta que orienta a militância e dialoga com a sociedade o que o movimento quer para o Brasil.

“O MST apresenta um programa agrário que extrapola a reivindicação de condições e medidas coorporativas apenas para os camponeses. Apresenta-se como uma alternativa aos problemas estruturais do campo e de toda a sociedade brasileira”, diz.

Indo além da concepção de democratização do acesso à terra, o MST, através da luta por uma Reforma Agrária Popular, tem avançado no confronto ao modelo do Capital no campo em outras frentes: na ressignificação do trato dado pela sociedade à natureza, hoje mercantilizada; no estabelecimento de novas relações de produção e assumindo o desafio da transição para uma nova matriz tecnológica no campo, a agroecologia; e na disputa das instituições do Estado para que estas reorientem sua atuação, que hoje apenas privilegia o agronegócio, em detrimento da agricultura camponesa.

“O processo de agroindustrialização defendido e praticado pelo MST, por exemplo, dentro do contexto de Reforma Agrária Popular, tem confrontado a forma de apropriação capitalista da indústria agrícola convencional, bem como suas formas de gestão – além de estar circunscrito a um projeto de sociedade”, explica Débora.

O movimento tem, num processo de lutas e conquistas, confrontado e pautado o Estado, como ente público coletivo, para que cumpra seu papel decisivo na estruturação desta via de desenvolvimento popular para o campo que reflete em toda sociedade.

Débora afirma que “temos pressionado o Estado para que assuma esta nova política agrícola, com financiamento público da produção primária, da agroindustrialização, de implantação das infraestruturas (equipamentos, estruturas públicas, sociais e produtivas – acesso à terra, escola, telecentros, estradas, abastecimento de água e energia, mecanização etc), crédito, comercialização (com abastecimento regulado pelo estado e não desordenado pelo mercado)”, defende citando o caso da alta dos preços do tomate em 2013.

Acúmulos que preparam um salto maior

O MST tem defendido que a luta, o enfrentamento pressionando e pautando Estado e governos, tem alterado estruturas produtivas e sociais, como alicerce para mudanças maiores, em nível global na sociedade.

Seja a partir da própria divisão e uso das terras, seja no estabelecimento de concepções de trabalho associado e cooperado, ou ainda na elevação da consciência e organização de classe através de sucessivos programas de formação popular, o movimento tem acumulado forças para impulsionar as transformações sociais nocampo e na cidade.

“Queremos transformar o campo num lugar melhor para se viver, tanto para que quem está lá tenha esse sentimento, como para que quem está na cidade saiba que o meio rural é onde se produz alimento e vida e onde o povo se coloca em marcha pra concretizar esse sonho” resume Débora.

E conclui: “no atual estágio da luta de classes é preciso inovar na percepção e no programa que esteja além do campo. Essa proposição não está restrita ao campo, é um projeto de agricultura para o campo, mas que resolveria problemas estruturais da sociedade brasileira”.

*Do Setor de Comunicação do MST

 

Rumo a seu VI Congresso, MST defende novo tipo de reforma agrária

Reforma agrariaNos dias 10 a 14 de fevereiro, mais de 15 mil militantes de uma das maiores organizações populares de massas do planeta, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), estarão reunidos em seu VI Congresso, em Brasília. A instância máxima de direção do Movimento se debruçará sobre as táticas e estratégias na atual conjuntura para a consolidação da luta por uma Reforma Agrária Popular.
Passados 30 anos da fundação do MST, as configurações do campo brasileiro sinalizam para a agudização das contradições sociais que se acumulam como uma dívida histórica, desde a concentração das terras como mercadorias em oligopólios privados, a continuidade da expulsão do homem e da mulher do campo para inchar as grandes cidades, bem como a inundação de agrotóxicos que o modelo do agronegócio despeja anualmente nas mesas de cada brasileiro.

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Sinais claros dessas contradições estão expressos nas cifras de acampados hoje à espera de acesso à terra, que ultrapassa as 186 mil famílias, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Tão alarmante quanto é a quantidade de veneno ingerida por cada pessoa no Brasil hoje através da alimentação contaminada: uma média de 5,2 litros ingeridos por pessoa ao ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Isto para não mencionar a existência no Brasil de trabalho em condições análogas à escravidão em pleno século XXI, sustentado dentro das cercas de latifúndios país afora.
Esta situação sustenta o questionamento às promessas do desenvolvimento capitalista no campo brasileiro, engendrado desde os governos militares através do pacote tecnológico implantado impositivamente nos países do Sul.
“O período da ditadura teve como um dos seus eixos a implantação do que se chamou de Revolução Verde. Com a ‘modernização’ da agricultura, introduziu-se um pacote de máquinas, químicos e tecnologias, além de uma série de medidas, dentre elas o crédito rural condicionado a este modelo, medidas que causaram uma forte expulsão do povo do campo brasileiro”, sustenta Débora Nunes, da coordenação nacional do MST.
Na contramão da lógica do capitalismo dos países centrais, que realizaram Reformas Agrárias como base de desenvolvimento de suas indústrias e mercados internos (a exemplo de EUA e Alemanha), no Brasil o modelo político permeado pela velha oligarquia latifundiária impediu qualquer divisão de terras. Não foi realizada a dita Reforma Agrária clássica.
“Passados 30 anos da criação do MST, chegamos à primeira década deste século com a compreensão de que a possibilidade da realização de uma Reforma Agrária do tipo clássica não mais se viabiliza e nem responderia as atuais necessidades dos camponeses. Com a hegemonia do agronegócio sobre a agricultura, os desafios colocados estão em outro patamar e isso exige que nossas proposições também estejam”, completa Débora.
Segundo Débora, o programa agrário defendido hoje pelo MST ainda se funda na divisão e democratização das terras, ampliando o acesso a este meio de produção fundamental para a massa Sem Terra, mas vai além deste primeiro passo.


Reforma Agrária Popular: um contraponto ao sistema

A chamada Reforma Agrária Popular, defendida pelo MST, busca responder às demandas da conjuntura atual. Débora se refere ao programa não como uma cartilha a ser seguida, mas como uma ferramenta que orienta a militância e dialoga com a sociedade o que o movimento quer para o Brasil.
“O MST apresenta um programa agrário que extrapola a reivindicação de condições e medidas coorporativas apenas para os camponeses. Apresenta-se como uma alternativa aos problemas estruturais do campo e de toda a sociedade brasileira”, diz.
Indo além da concepção de democratização do acesso à terra, o MST, através da luta por uma Reforma Agrária Popular, tem avançado no confronto ao modelo do Capital no campo em outras frentes: na ressignificação do trato dado pela sociedade à natureza, hoje mercantilizada; no estabelecimento de novas relações de produção e assumindo o desafio da transição para uma nova matriz tecnológica no campo, a agroecologia; e na disputa das instituições do Estado para que estas reorientem sua atuação, que hoje apenas privilegia o agronegócio, em detrimento da agricultura camponesa.
“O processo de agroindustrialização defendido e praticado pelo MST, por exemplo, dentro do contexto de Reforma Agrária Popular, tem confrontado a forma de apropriação capitalista da indústria agrícola convencional, bem como suas formas de gestão – além de estar circunscrito a um projeto de sociedade”, explica Débora.
O movimento tem, num processo de lutas e conquistas, confrontado e pautado o Estado, como ente público coletivo, para que cumpra seu papel decisivo na estruturação desta via de desenvolvimento popular para o campo que reflete em toda sociedade.
Débora afirma que “temos pressionado o Estado para que assuma esta nova política agrícola, com financiamento público da produção primária, da agroindustrialização, de implantação das infraestruturas (equipamentos, estruturas públicas, sociais e produtivas – acesso à terra, escola, telecentros, estradas, abastecimento de água e energia, mecanização etc), crédito, comercialização (com abastecimento regulado pelo estado e não desordenado pelo mercado)”, defende citando o caso da alta dos preços do tomate em 2013.


Acúmulos que preparam um salto maior

O MST tem defendido que a luta, o enfrentamento pressionando e pautando Estado e governos, tem alterado estruturas produtivas e sociais, como alicerce para mudanças maiores, em nível global na sociedade.
Seja a partir da própria divisão e uso das terras, seja no estabelecimento de concepções de trabalho associado e cooperado, ou ainda na elevação da consciência e organização de classe através de sucessivos programas de formação popular, o movimento tem acumulado forças para impulsionar as transformações sociais nocampo e na cidade.
“Queremos transformar o campo num lugar melhor para se viver, tanto para que quem está lá tenha esse sentimento, como para que quem está na cidade saiba que o meio rural é onde se produz alimento e vida e onde o povo se coloca em marcha pra concretizar esse sonho” resume Débora.
E conclui: “no atual estágio da luta de classes é preciso inovar na percepção e no programa que esteja além do campo. Essa proposição não está restrita ao campo, é um projeto de agricultura para o campo, mas que resolveria problemas estruturais da sociedade brasileira”.

 

 

Por Rafael Soriano
Para Página do MST

Marcadas para morrer: Essa é Maria Raimunda, líder do MST no Pará, ameaçada de morte

maria-raimundaA frase foi dita em uma reunião entre latifundiários de Marabá, a 685 quilômetros de Belém: para enfraquecer o movimento dos Sem Terra no sudoeste do Pará bastava tirar quatro pessoas do caminho. Uma delas era Maria Raimunda César de Souza.

Maria Raimunda não ficou surpresa ao ouvir o veredito dos fazendeiros dias depois da reunião. Aos 39 anos, já foi ameaçada de morte e teve a prisão decretada em algumas ocasiões e sabe que é uma pedra no sapato deles. Afinal, ela é a diretora nacional do MST no Pará.

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Em 2008 recebeu de um amigo um recado era para se afastar de ações no município vizinho de Parauapebas. Um policial militar havia sido sondado para executar Maria Raimunda e outras três lideranças do MST na região. O policial a conhecia e não topou a empreitada. Pediu para avisá-la do risco que corria.

Viver sob esse tipo de tensão não é novidade para Maria Raimunda. Ela nasceu em Marabá, mas cresceu em Brejo Grande do Araguaia, a 100 km de Marabá. Era o auge da Guerrilha do Araguaia e a cidadezinha vivia com medo. “Quem mandava era o Exército. Toda a cidade era vigiada. Todos tinham que dormir em esconderijos subterrâneos por causa dos ataques de bomba. Eu fui crescendo nesse ambiente”, lembra.

No auge do conflito, a casa de farinha no quintal da casa em que morava com os pais foi escolhida pelo Exército para servir de alojamento aos soldados. Com o fim dos combates a residência passou a ser apoio de padres e freiras, principalmente dominicanos. O temido major Curió era presença constante em Brejo Grande do Araguaia. Junto aos ex-guias do Exército durante a campanha de combates aos guerrilheiros, Sebastião Curió impunha o terror.

“Minha opção de vida foi escolher entre o medo de calar e a defesa dos direitos humanos. Optei pela segunda via”, diz Maria Raimunda. A decisão veio cedo. Com menos de 12 anos, na primeira metade dos anos 80, já participava das comunidades eclesiais de base da igreja católica. Acompanhou marchas e mobilizações num período em que os crimes de pistolagem e a luta pela posse da terra atingiram o ápice no sul e sudeste do Pará.

Em 1993, Maria Raimunda mudou para Marabá para cursar Letras na Universidade Federal do Pará. Um ano depois ingressou no Diretório Central dos Estudantes (DCE). Era uma época de embates entre o MST e os latifundiários. Em Parauapebas, a fazenda Palmares era uma das primeiras ocupações em que o MST e as milícias organizadas pelos fazendeiros se enfrentaram. “Dávamos apoio a essas manifestações e aos poucos fui conhecendo o pessoal que fazia parte do movimento”.

Em 1996 ocorreu o massacre de Eldorado dos Carajás. Sangue, retaliações, violências. Maria Raimunda sentia que havia algo se modificando dentro dela e na situação agrária do Pará. Em 1998 ingressou no MST e, de cara foi enviada a Belém para atuar no escritório político da organização. Ficou seis anos em Belém. Acompanhou de perto as tensões envolvendo os assentamentos João Batista, em Castanhal, distante a duas horas de carro de Belém e as diversas ações de despejo e resistência do assentamento Mártires de Abril, no distrito do Mosqueiro. Tornou-se forte, acostumada à tensão e à resistência.

“Em Marabá ficou mais pesado. As ameaças são mais fortes. E é uma ameaça a toda luta. Os fazendeiros ‘fazem o serviço’. Eles querem ver o sangue derramar. Várias vezes recebi avisos de que poderia morrer. Muitas mensagens, gente dizendo para me cuidar, não viajar à noite, evitar ônibus, barzinhos, a não me expor”. Às vezes o telefone toca e do outro lado, só o silêncio ou uma respiração profunda. Pressão psicológica.

E há a pressão oficial. Desde 2006 Maria Raimunda assumiu a direção do MST. Todos os processos de ocupação de terra, todos os embates e confrontos com a polícia, fazendeiros ou mesmo com a Justiça, têm o nome dela à frente. Por conta disso, já teve pelo menos três prisões decretadas. “Tive de passar três meses foragida, de canto em canto, com a minha prisão preventiva decretada na região.

A última foi no governo petista de Ana Júlia Carepa, depois do fechamento de pista na Curva do S, local do massacre de Eldorado dos Carajás, em protesto contra as milícias armadas nas fazendas do controverso banqueiro Daniel Dantas, espalhadas pelo sudeste do Pará.

Mas ela diz que sente ainda mais medo quando a situação parece mais tranquila. “Quando baixa a poeira dessas tensões é que eu tenho mais medo. É na calmaria que os pistoleiros agem mais, quando estamos de guarda baixa. Mas o que a gente pode fazer? Não dá para parar a vida, deixar de viver. Tem que seguir em frente e é isso que eu faço”.

 

Por Ismael Machado, Diário do Pará/ Agência Pública

Após cinco horas de interdição, MST encerra manifesto e libera trânsito BR 101

Instagram @tucabrito
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Uma manifestação realizada por integrantes do Movimento Sem Teto (MST), provocou congestionamento e deixou o trânsito lento nas proximidades do Posto Fiscal de Cruz das Almas, na BR 101 – Km 128, trecho entre os Estados da Paraíba e Pernambuco, nesta segunda-feira (29).

De acordo com os manifestantes, o motivo da interdição da rodovia seria em protesto contra uma ação da Polícia Rodoviária Federal, que teria prendido quatro integrantes do grupo e recolhido um trator e outros equipamentos usados para roçar a terra.

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A PRF informou através da sua rede social ‘Twitter’, que os manifestantes liberaram a rodovia federal por volta das 22h, no entanto, o trânsito seguia lento por conta da limpeza do asfalto. “Rodovia liberada, no Km 127 da BR 101, divisa PB/PE. Trânsito lento no local para lavagem de rodovia…”

Inicialmente, segundo a Polícia Rodoviária Federal, os integrantes do MST não estavam abertos ao diálogo e mantiveram as duas vias da BR-101 interditadas por pelo menos cinco horas. “Na divisa PB/PE ocorre interdição de rodovia pelo MST. Manifestantes não querem negociação… PRF no local”, havia publicado a PRF, às 16h40.

 

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