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Paraíba pode ter 20 mil crianças e jovens com Covid-19, em quatro meses, com volta de aulas presenciais, alerta Secretaria de Saúde

Em Nota Técnica divulgada neste sábado (3), a qual o ClickPB teve acesso, a Secretaria de Saúde alertou para o risco de surto de Covid-19 entre crianças e jovens de 0 a 19 anos, entre outubro de 2020 e fevereiro de 2021, com a volta das aulas presenciais. Segundo a nota, 20 mil pessoas dessa faixa de idades podem ser infectadas pelo novo coronavírus em caso de descontrole da pandemia na retomada educacional.

Segundo o documento, o Estado da Paraíba tem mais de 994.000 crianças e adolescentes matriculados nos mais variados ciclos educacionais, o que representa 24,63% da população do Estado estimada para 2020. Destes, 81,52% são estudantes da rede pública e 18,48% da rede privada de ensino.

Ao comparar a situação com países que aprovaram a retomada de aulas presenciais, como os Estados Unidos, onde entre os meses de abril a setembro de 2020 autoridades sanitárias norte-americanas e a Academia Americana de Pediatria alertaram para um crescimento expressivo do número de casos da Covid-19 entre crianças e adolescentes, da ordem de 500%, ante ao contexto da retomada das atividades educacionais mediante novos protocolos, em alguns de seus Estados.

Analisando a Paraíba com métodos similares de projeção e análise de riscos para que se orientem tomadas de decisão sobre retomadas das atividades educacionais presenciais, com novos protocolos, pode-se obter crescimento médio do número de casos nas faixas etárias escolares da ordem de um pouco mais de 250%. Isto representaria cerca de 20.000 novos casos nas faixas etárias de 0 a 19 anos entre outubro de 2020 e fevereiro de 2021.

O documento reforça ainda que toda e qualquer retomada de atividades rotineiras deve ocorrer, preferencialmente, em atenção aos riscos apontados pelo Plano Novo Normal, por meio de suas bandeiras, e aos protocolos definidos pelas autoridades sanitárias competentes. Neste sentido a Secretaria de Estado da Saúde disponibiliza um importante conjunto de protocolos em seu portal a respeito da Covid-19.

Futuras melhoras da situação da Covid-19 na Paraíba dependerão muito ainda da maior adesão de toda a população às três medidas mais protetoras da saúde e da vida das pessoas. “Usar máscaras, lavar as mãos e manter o distanciamento social, gestos que mais representam este “novo normal” que vivemos e que precisarão estar cada vez mais presentes em nossos cotidianos”, reforçou Daniel Beltrammi. “Trata-se do que se pode convencionar chamar de “efeito escolha”, ou seja, a melhor decisão em favor da proteção e preservação da saúde e da vida!”, alertou o secretário executivo de Saúde, Daniel Beltrammi.

A avaliação completa com a lista de municípios por bandeiras com suas respectivas avaliações pro critério e a íntegra da Nota Técnica estão disponíveis no site do Governo da Paraíba sobre o Novo Normal.

 

clickpb

 

 

Paraíba chega a seis meses de pandemia da Covid-19 e curva de contágio segue estável

A Paraíba completa, nesta sexta-feira (18), seis meses desde que o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado no estado e os dados mostram que o estado chegou ao topo da curva de contágio, seguindo estável com uma média de 700 novos casos e entre 10 e 15 mortes por dia. O G1 fez uma análise dos dados epidemiológicos da doença e faz um balanço deste semestre de pandemia.

Os números de novos casos e novas mortes confirmadas pela doença no estado começou a subir drasticamente a partir do segundo mês de pandemia (entre abril e maio), atingindo o pico entre os meses de junho e julho, quando o estado chegou ao final do quarto mês de pandemia. Nos dois meses seguintes, o número absoluto de novos casos e novas mortes começou a cair, mas não na mesma velocidade do início da doença.

Fazendo uma cronologia do avanço da doença no estado, os primeiros 10 mil casos aconteceram em um intervalo de aproximadamente 60 dias, saltando para mais de 100 mil confirmações em menos de 120 dias.

“A gente agora discute mais a retomada e a flexibilização [da economia] do que como fazer o vírus parar de alcançar as pessoas, e isso é preocupante. Nossa prioridade precisa ser responder a pergunta de como vamos conseguir fazer com que o vírus saia destes níveis e diminua o contágio”, diz o secretário executivo de gestão da rede de unidades de saúde da Paraíba Daniel Beltrammi.

Perfil epidemiológico

As mulheres paraibanas foram mais atingidas pela doença do que os homens, apesar de que os casos mais graves e os óbitos são mais recorrentes nas pessoas do sexo masculino. Em seis meses, 63.850 mulheres foram contaminadas com a doença no estado, contra 51.509 homens. A faixa etária com maior contaminação, em ambos os sexos, foi a de entre 30 e 39 anos.

Em relação aos óbitos, nestes seis meses, 1.483 homens morreram de Covid-19 na Paraíba, contra 1.144 mulheres. Em relação à faixa etária, o número de mortos aumenta conforme a idade avança, sendo que 1.938 óbitos foram registrados em pessoas com mais de 60 anos (824 com mais de 80, a faixa etária mais atingida), contra 689 em pessoas com 59 anos ou menos.

Segundo os dados da Secretaria de Saúde da Paraíba (SES), 26,41% dos mortos por Covid-19 tinham diabetes, a maior proporção de óbitos confirmados segundo comorbidades e fatores de risco. 25,66% dos mortos eram hipertensos e 17,91% cardiopatas, sendo que algumas destas pessoas possuíam duas ou mais comorbidades.

João Pessoa continua sendo a cidade mais afetada pela doença, com 28.765 casos confirmados e 867 óbitos neste período. Campina Grande aparece em seguida, com 12.710 casos e 362 mortes. Guarabira fica em terceiro com 4.409 casos e 66 mortes, Patos em quarto com 4.049 casos e 88 mortes e Santa Rita fecha as cinco cidades com mais casos com 3.274 registros e 150 óbitos.

Desafio e legado

Segundo Daniel Beltrammi, o maior desafio para baixar a curva de contágio nos próximos meses é o período eleitoral, com as campanhas políticas que, historicamente, geram aglomerações.

“A atividade política é uma atividade humana, de proximidade, de troca de ideias. As pessoas ficam na expectativa de que tudo aconteça como sempre foi. O povo espera a aproximação dos candidatos, os abraços, e os candidatos pensam que precisam se aproximar das pessoas. Só que estamos no meio de uma pandemia e é exatamente este contato que faz com que uma pessoa adoeça e eventualmente perca a vida ou que essa pessoa leve o vírus para alguém que vai adoecer e perder a vida”, diz o secretário.

Para Beltrammi, a campanha e as eleições devem ser feitas com muito cuidado, assim como a retomada da economia nas cidades e atividades que já têm novos protocolos de convivência com a doença.

“Todas as atividades presenciais têm que ser feitas em espaço aberto, com menos de 50% da capacidade total de pessoas. O distanciamento social tem que ser feito, para garantir a segurança dos eleitores e também dos candidatos, que neste período entram em contato com um número incontável de pessoas. Preservar a saúde de todos é importante porque ninguém é invulnerável à Covid-19”, diz.

Para os próximos meses e para os próximos anos, o secretário acredita que o aprendizado rápido, necessário para o combate urgente à doença, é o maior legado da pandemia no estado. “Durante estes meses tivemos a oportunidade de melhorar a nossa rede de assistência à saúde e treinar os profissionais para lidar com uma coisa que era completamente desconhecida. Esse aprendizado fica com todo mundo e com certeza vai ajudar a pensar a questão da saúde no estado pelos próximos 20 anos”, completa.

G1

 

Bebê de 10 meses morre e mulher fica ferida em acidente de carro em João Pessoa

Um motorista perdeu o controle do veículo que dirigia na noite desta segunda-feira (31), bateu em um poste e deixou várias pessoas feridas e um bebê de 10 meses morto.

O acidente aconteceu no bairro do Cuiá, em João Pessoa. O motorista afirmou que chovia no momento do acidente e a pista estava molhada.

O bebê estava no colo de um dos avós. O serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreu a mulher e a criança e encaminhou para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. Ela passou por procedimentos médicos de emergência e segue em observação da Cirurgia Geral, com quadro clínico estável, mas o recém-nascido não resistiu à gravidade dos ferimentos após os primeiros atendimentos.

O homem não precisou ser socorrido.

 

paraiba.com.br

 

 

Feminicídios são mais de 50% dos assassinatos de mulheres em sete meses de 2020, na Paraíba

Nos sete primeiros meses de 2020, 49 mulheres foram mortas por crimes letais intencionais em toda a Paraíba. Do total, 17 casos estão sendo investigados como feminicídios. O número representa 53% dos assassinatos de mulheres. No mês de julho, três mulheres foram mortas e dois casos são investigados como feminicídio.

Em relação a 2019, o número de assassinatos de 2020 continua maior, com dez mortes a mais. Nos sete primeiros meses de 2019 foram 18 feminicídios. Os dados são da Secretaria de Estado da Segurança e Defesa Social (Seds), solicitados pela Lei de Acesso à Informação.

Feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido devido ao fato de ela ser mulher ou em decorrência da violência doméstica. Foi inserido no Código Penal como uma qualificação do crime de homicídio em 2015 e é considerado crime hediondo.

Em relação ao assassinato de mulheres, o mês mais violento foi o de janeiro, quando 11 mulheres foram mortas. Um caso está sendo investigado como feminicídio. Importante destacar que, no decorrer dos meses do ano, outro caso investigado como feminicídio foi adicionado no mês de janeiro, mas em junho ele foi descartado.

Apesar disso, maio foi o mês que mais registrou feminicídios, com cinco casos em investigação, representando 50% do total de mulheres assassinadas (10) no mês. Nas estatísticas divulgadas sobre o mês de maio, quatro casos estavam em investigação, isto é, um caso foi acrescentado nas investigações da Polícia Civil após o fechamento das estatísticas anteriores.

Proporcionalmente, abril foi o mês com maior número de feminicídios com relação aos casos de mulheres assassinadas. Do total de sete crimes violentos contra mulheres, 4 deles são investigados como feminicídio, o que representa um percentual de 57%. Os outros três casos são homicídios dolosos, que podem ter outras motivações.

Jovem é achada morta dentro de casa em Monteiro e namorado é principal suspeito

Uma jovem de 21 anos foi achada morta dentro de casa na cidade de Monteiro, que fica a cerca de 300 quilômetros de João Pessoa, no dia 19 de julho. Kleane Ferreira do Nascimento foi encontrada morta por um amigo do seu namorado na casa em que morava, no Centro de Monteiro, de acordo com o delegado da cidade, Jorge Luiz.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a jovem tinha reatado seu relacionamento há poucos dias. O término tinha acontecido por conta de ciúmes do namorado, que acaba gerando brigas constantes entre os dois, segundo relatos de familiares à polícia. O relacionamento tinha sido reatado no dia 15 de agosto após muito insistência do suspeito.

Segundo o delegado Jorge Luiz, na quinta eles foram passear em um açude da cidade, lá ingeriram bebida alcoólica e o suspeito teve uma crise de ciúmes e chegou a tentar afogar a vítima.

O suspeito, de 35 anos, foi preso na manhã da última quinta-feira (13) na mesma cidade. De acordo com a Polícia Civil, durante quase todo o depoimento, o suspeito se manteve calado. “Ao ser perguntado pelo estado civil, ele se disse viúvo e sorriu, desdenhando do crime cometido”, relatou o delegado da 14ª Delegacia Seccional de Polícia Civil da Paraíba, Gilson Duarte.

G1

 

Homem é morto a tiros e esposa grávida de 6 meses é baleada nesta madrugada em João Pessoa

Um homem de 27 anos foi morto a tiros e a esposa, grávida de 6 meses, foi baleada durante a madrugada deste sábado (4), no bairro Costa e Silva, em João Pessoa.

De acordo com a Polícia Militar, o crime ocorreu por volta de 0h30. O casal caminhava na rua quando foi abordado por dois homens em uma moto. Os criminosos tiraram a mulher de perto do marido antes de começar a atirar nele, mas ainda assim ela foi atingida por um tiro de raspão na cabeça.

O homem, identificado como Valdeci Freire de Castro Filho, morreu no local após sofrer dois tiros nas costas e um tórax. Já a mulher, foi socorrida por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. O estado de saúde dela não foi informado.

A polícia ainda não tem informações sobre a motivação ou a autoria do crime.

 

clickpb

 

 

Impactos da Covid-19: Governo da Paraíba registra retração de 6,5% em repasse do FPE, nos últimos seis meses

O Boletim da Sefaz-PB dos Impactos da Covid-19” chegou em mais uma edição, com a seguinte novidade: A Paraíba registrou uma retração de 6,55% no repasse do Fundo de Participação dos Estados (FPE) no acumulado de 1º de janeiro até 20 de junho deste ano, na comparação com igual período de 2019.

Mais o que é FPE? FPE é um instrumento pelo qual os estados recebem uma parcela de recursos arrecadados pelo Governo Federal. De acordo com o documento, quando incluída a transferência do Apoio Financeiro pela União aos Estados Federativos (AFE) – que tem como objetivo mitigar as dificuldades financeiras decorrentes do estado de calamidade pública – no mês de junho de 2020, houve um recuo para 0,53%. Em valores absolutos, o repasse foi de R$ 2,363 bilhões para R$ 2,350 bilhões, resultando numa diferença negativa de R$ 12,4 milhões.

Como os repasses do AFE ocorreram no mês de junho, o mês apresentou um melhor resultado apresentando valores positivos de R$ 104,8 milhões devido ao aporte. Em relação aos impostos estaduais, de 1º a 20 de junho de 2020 a arrecadação do ICMS, do IPVA e do ITCD continuou apresentando um comportamento de decréscimo de 4,17% sobre igual período de 2019. Em valores absolutos, houve uma queda no recolhimento de R$ 453,7 milhões (junho/2019) para R$ 434,8 milhões (junho/2020), resultando numa diferença nominal negativa de R$ 18,9 milhões.

Analisando os três impostos isoladamente, de 1º a 20 de junho de 2020 e comparado com igual período de 2019, constatou-se que houve redução em dois impostos: ITCD (13,73%); e ICMS (6,33%). Já o IPVA registrou expansão de 48,40%.

 

pbagora

 

Após ano de queda, número de assassinatos sobe 6% na PB nos dois primeiros meses de 2020

A Paraíba teve uma alta de 6,8% no número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) nos dois primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. É o que mostra o índice nacional de homicídios criado pelo G1, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.

Essa é a primeira parcial divulgada no ano. Em razão da pandemia do novo coronavírus, houve atraso na entrega dos dados e dificuldade para obter os números de todos os estados.

De acordo com a ferramenta, houve 171 mortes violentas no primeiro bimestre de 2020. Ao todo, 89 pessoas foram mortas no mês de janeiro e 82 no mês de fevereiro. No mesmo período do ano passado, foram 160, sendo 77 em janeiro e 83 assassinato em fevereiro.

A alta no início deste ano vai na contramão de 2019, que teve uma queda de quase 29% no número de assassinatos no primeiro bimestre do ano passado em relação a 2018, quando 225 pessoas foram assassinadas na Paraíba, sendo 128 só em janeiro e 97 em fevereiro.

Os dados apontam que:

  • o estado teve 171 assassinatos nos primeiros dois meses de 2020
  • houve 11 mortes a mais na comparação com 2019, uma alta de 6,8%
  • alta vai na contramão da queda que aconteceu em 2019 com relação a 2018

 

G1

 

 

Família de bebê de quatro meses morta por Covid-19 é internada com sinais da doença

Os tios da bebê de quatro meses, a vítima mais jovem do coronavírus no Brasil, foram internados com sintomas de Covid-19 em Campina Grande. Além dos dois adultos, os dois filhos do casal também foram transferidos da cidade de Taperoá para Campina Grande, com sintomas da doença.

A mulher foi a primeira a apresentar os sintomas suspeitos, mas o primeiro exame realizado ainda em Taperoá deu negativo, porém como ela continuou apresentando sintomas, todos foram transferidos.

A tia da bebê, e seus dois filhos foram internados no Hospital da Criança e do Adolescente na enfermaria e, de acordo com a Secretaria de Saúde do Município, têm quadro clínico estável. Já o tio da bebê está internado no hospital Pedro I com batimentos cardíacos acelerados e pressão alta. Ele está no isolamento.

Com a transferência da família, a população de Taperoá fica em alerta. Até o momento são 11 casos suspeitos na cidade e um óbito, que foi a bebê de quatro meses no dia 11 de abril.

Marília Domingues/Márcio Rangel

 

 

Corpo de grávida de seis meses que estava desaparecida é encontrado enterrado, na Paraíba

A mulher grávida de seis meses, que estava desaparecida desde a última sexta-feira (14), foi encontrada morta na zona rural do município de Alhandra, no Litoral Sul da Paraíba, nesta quarta-feira (19). Segundo informações da Polícia Civil, o corpo de Janaína Felinto, de 29 anos, estava enterrado em um local raso e foi encontrado por um familiar que fazia buscas pela jovem.

Não foi possível identificar o que causou a morte de Janaína. O corpo dela foi encaminhado para o Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de João Pessoa.

A irmã de Janaína, Aline Felinto, contou que viu a irmã pela última vez na quinta-feira (13), mas o irmão a deixou em casa, entre 19h30 e 19h45, quando saiu para trabalhar na sexta-feira. “Ela ficou sozinha em casa entre 19h30 e 19h45, foi a última vez que ela foi vista. Quando ele estava indo para o trabalho, ele encontrou com minha mãe no caminho. Quando ela chegou em casa, ela (Janaína) já não estava mais lá”, relata Aline.

Conforme a delegada Iumara Bezerra, que investiga o caso, pessoas próximas a Janaína estão sendo ouvidas para que uma linha de investigação seja criada sobre o desaparecimento dela. O caso continuará sendo investigado pela equipe do Núcleo de Homicídios da cidade.

Mulher está desaparecida desde a última sexta-feira (14), em Mata Redonda, na Paraíba — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Mulher está desaparecida desde a última sexta-feira (14), em Mata Redonda, na Paraíba — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

 

G1

 

 

PB registra 165 casos de estupro em 9 meses: ‘violência tem relação com machismo’, diz delegada

De janeiro a setembro de 2019, 165 casos de estupro e estupro de vulnerável foram registrados na Paraíba. os dados são da Delegacia Geral de Polícia Civil e mostram que o mês de maio foi o mais violento em relação a esses crimes. Para a delegada adjunta da mulher, Renata Matias, essa situação de violência contra a mulher está arraigada em preconceitos e no machismo. “Ela bebeu”, “ela mereceu”, “ela permitiu”, “ela pediu”: essas são frases, Renata lembra, que ainda são comuns e muito fortes, mas que precisam ser combatidas.

De acordo com os dados, depois do mês de maio, os meses de janeiro, julho e setembro foram os mais violentos em relação a casos de estupro, com 22 casos em janeiro e julho, cada, e 20 em setembro.

“A gente faz um trabalho de conscientização, de enfrentamento a todo tipo de violência contra a mulher. Vem surtindo efeito, mas não é tão rápido. Infelizmente, a gente sabe que essa é uma cultura que vem de muito tempo”, enfatiza Renata Matias.

Medidas e procedimentos formais

É importante sempre denunciar. No entanto, em casos de estupro, a profilaxia é urgente. O Instituto Cândida Vargas (ICVIO) é um local de referência para uma oferta de assistência especializadas para mulheres que sofreram violência sexual e/ou doméstica. A vítima tem assistência médica com enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos, além de um trabalho em parceria com a polícia, o conselho tutelar e outros órgãos.

Ao todo, 128 mulheres vítimas de violência sexual foram atendidas no Instituto de janeiro a outubro de 2019. Nesse mesmo período, 11 mulheres realizaram o aborto legal, previsto no Código Penal.

Mesmo atuando em parceria com outros órgãos de defesa, o atendimento no Instituto para as vítimas de violência acontece também por demanda espontânea. Basta que a vítima procure diretamente a unidade hospitalar.

No local, a paciente deve receber a classificação de risco vermelha e será encaminhada ao atendimento imediato e reservado, onde todo o processo acontece de forma sigilosa.

O atendimento em casos de violência sexual deve acontecer em até 72 horas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS). Toda assistência prestada seguem um protocolo instituído pelo Ministério. No entanto, se a vítima buscar o serviço após as 72 horas, ela também será atendida da mesma forma, mudando apenas os protocolos de atendimento a serem realizados.

 — Foto: Editoria de Arte/G1

— Foto: Editoria de Arte/G1

“No ICVIO acolhemos essa mulher com toda discrição e cuidado que o momento requer. É importante que ela chegue ao serviço em até 72 horas, pois nesse tempo conseguimos realizar as profilaxias tanto para ISTs quanto a anticoncepção de emergência, medida essencial para se evitar a gravidez em consequência de estupro, que realizamos com o consentimento da vítima”, explica a enfermeira do serviço, Vanessa Montenegro.

Caso a vítima seja criança, será atendida no Instituto desde que tenha tido a menarca (primeira menstruação). Se não tiver havido a menarca, a criança ou adolescente será atendida no Hospital Infantil Arlinda Marques. Já em casos da vítima ser do sexo masculino, o atendimento será realizado no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena.

‘Precisamos trabalhar o amor próprio’

Em casos de estupro, fazer a denúncia já é um passo imenso. É uma maneira de entender que a vítima não teve culpa sobre o que aconteceu. Depois disso, procurar apoio psicológico é fundamental para recuperar os danos que são causados à saúde mental da vítima.

De acordo com a psicóloga Renata Toscano, primeiro é preciso saber se a mulher fez ou não a denúncia. Se ela chega no consultório relatando o fato e informando que procurou o serviço por esse motivo, o trabalho se executa mais facilmente.

Mulheres têm dificuldades de revelarem o estupro — Foto: Dani Fechine/G1

Mulheres têm dificuldades de revelarem o estupro — Foto: Dani Fechine/G1

No entanto, muitas vezes, as mulheres que não denunciam chegam aos consultórios relatando apenas sintomas, como insônia, isolamento, choro, e o caso pode acabar sendo confundido com a depressão, sem que a mulher revele o importante caso que pode ter provocado tudo isso.

“É preciso entender o motivo por não fazer a denúncia, para poder trabalhar com essa motivação. Depois disso, tentamos identificar os danos sociais, emocionais e profissionais que aquilo causou, porque geralmente quando ela sofre o estupro, ela se isola e perde a confiança nas pessoas”, explica a psicóloga.

Ela lembra que a própria sociedade cria estereótipos em cima da vítima, dificultando ainda mais o acesso e a busca da mulher pelo acompanhamento psicólogo, porque a culpabiliza por um crime que não cometeu.

“Se ela se isola, se está deprimida, se está triste, diminui a confiança, se culpa pelo estupro, então precisamos trabalhar o amor próprio, a auto-confiança, o encorajamento, e mostrar que a culpa não foi dela”, revela Renata Toscano.

É importante e urgente que, mesmo que a mulher tenha procurado o atendimento psicológico sem denunciar, seja feito um trabalho de conscientização sobre a importância de denunciar para combater o crime.

G1