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PF deflagra megaoperação contra suspeitos de planejar execuções de servidores públicos de dentro dos presídios na PB, DF e mais 18 estados

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (31), em conjunto com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), a Operação Caixa Forte que visa investigar o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro praticados por uma facção criminosa com atuação em todo o território nacional. Na Paraíba, estão sendo cumpridos dois mandados contra suspeitos já presos na Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes (PB-1).

Segundo as investigações apontam que os suspeitos recebiam auxílio mensal por terem alcançado cargos de alto escalão ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) ou por terem realizado missões como o planejamento ou execução de servidores públicos.

Ao todo, são cumpridos mais de 600 mandados em na Paraíba, Distrito Federal e mais 18 estados, 422 deles de prisão. Destes, 173 alvos já estavam presos.

Sobre a operação

Os dados obtidos na Operação Caixa Forte – Fase 01 (investigação que identificou os responsáveis pelo chamado “Setor do Progresso” da facção, que se dedica à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico), revelaram que os valores auferidos com o comércio ilícito de drogas eram, em parte, canalizados para inúmeras outras contas bancárias da facção, inclusive para as contas do “Setor da Ajuda”, aquele responsável por recompensar membros da facção recolhidos em presídios.

Foram identificados 210 integrantes do alto escalão da facção, recolhidos em Presídios Federais, que recebiam valores mensais por terem ocupado cargos de relevo na organização criminosa ou executado missões determinadas pelos líderes como, por exemplo, execuções de servidores públicos.

Para garantir o recebimento do “auxílio”, os integrantes do grupo indicavam contas de terceiros não pertencentes à facção para que os valores, oriundos de atividades criminosas, ficassem ocultos e supostamente fora do alcance do sistema de justiça criminal.

A atuação da Polícia Federal visa desarticular a organização criminosa por meio de sua descapitalização, atuando em conformidade com as diretrizes do órgão de enfrentamento à criminalidade organizada por meio da abordagem patrimonial, além da prisão de lideranças.

A ação de hoje envolve cerca de 1.100 policiais federais, que cumprem 623 ordens judiciais, sendo 422 Mandados de Prisão Preventiva e 201 Mandados de Busca e Apreensão, em 19 Estados da Federação e no Distrito Federal; além do bloqueio judicial de até R$ 252 milhões. Todos os mandados foram expedidos pela 2ª Vara de Tóxicos de Belo Horizonte/MG.

Os presos são investigados pelos crimes de participação em organização criminosa, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, cujas penas cominadas podem chegar a 28 anos de prisão.

 

Portal WSCOM

 

 

Brasil faz megaoperação militar nas fronteiras com Argentina, Uruguai e Paraguai

O governo brasileiro enviou uma força com cerca de 9 mil militares – equipados com helicópteros de combate, navios-patrulha, aviões de caça e blindados – para as fronteiras do país com o Paraguai, a Argentina e o Uruguai.

O deslocamento de tropas para a “Operação Ágata 5”, começou na segunda-feira e deve durar entre 20 e 30 dias.

“É uma operação de fronteira que tem por objetivo, sobretudo, a repressão à criminalidade”, afirmou à BBC Brasil o ministro da Defesa, Celso Amorim.

A Marinha enviou aos rios da bacia do Prata ao menos 30 embarcações – entre elas três navios de guerra e um navio-hospital.

A Força Aérea participa da operação com esquadrões de caças F5 e Super Tucano, além de aviões-radar e veículos aéreos não-tripulados.

O Exército mobilizou infantaria e blindados Urutu e Cascavel de três divisões. As três forças usam ainda helicópteros Black Hawk e Pantera, para transporte de tropas e missões de ataque.

A operação terá ainda o apoio de 30 agências governamentais – entre elas a Polícia Federal – que elevarão o efetivo total para cerca de 10 mil homens.

Segundo o general Carlos Bolivar Goellner, comandante militar do sul, a área crítica de patrulhamento será entre as cidades de Foz do Iguaçu, no Paraná, e Corumbá, no Mato Grosso do Sul – onde ocorre a maior incidência de tráfico de drogas e contrabando.

Militares participam de operação Agata 3 (Foto: Divulgação/Ministério da Defesa)A operação Ágata é uma determinação direta da presidente Dilma Rousseff ao Ministério da Defesa

 

“A ação visa reforçar a presença do Estado na fronteira com a bacia do Prata”, disse Goellner. Segundo ele, as fronteiras serão fortemente guarnecidas e como consequência o tráfico de drogas e o contrabando devem ser “sufocados”.

Paraguai

O governo brasileiro afirma que o ambiente entre os países da América do Sul é de cooperação na área de defesa.

Apesar disso, a alta concentração de tropas nas fronteiras pode ser entendida pelos países vizinhos como um recado, segundo Samuel Alves Soares, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e presidente da ABED (Associação Brasileira de Estudos de Defesa).

“Os países (vizinhos) podem interpretar que é uma demonstração de força. (Essa operação) tem um simbolismo, um peso, que pode ser entendido de outra maneira.”

Segundo Soares, esse entendimento é especialmente possível em relação ao Paraguai, que foi isolado politicamente no mês passado após uma ação diplomática costurada pelos presidentes Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e Jose Mujica.

Assunção foi suspensa do Mercosul após destituir o então presidente Fernando Lugo em um julgamento “relâmpago”.

Segundo Soares, em alguns setores políticos paraguaios a operação Ágata 5 deverá ser entendida como uma ação típica do “imperialismo brasileiro”.

Cinturão da paz

Essa possibilidade é descartada pelo ministro da Defesa. “Todos os Estados vizinhos foram previamente avisados, informados, e convidados a enviar observadores (para a operação)”, afirmou Amorim durante o VI Encontro Nacional da Abed, em São Paulo, na segunda-feira.

Militares participam de operação Agata 3 (Foto: Divulgação/Ministério da Defesa)Até agora cinco edições da operação já foram realizadas, em diversas regiões de fronteira

 

Segundo ele, em operações anteriores, a Venezuela e a Colômbia até cooperaram com os brasileiros, fazendo ação semelhante de seu lado da fronteira.

De acordo com Amorim, a diplomacia brasileira criou ao longo dos anos um processo de integração regional e cooperação militar na América do Sul – com órgãos como o Conselho de Defesa Sulamericana, da Unasul – que resultou em um “cinturão da paz” em torno do Brasil.

Segundo ele, por causa disso, a maior ameaça militar contra o Brasil, em tese, é um cenário futuro no qual potências internacionais em conflito venham a se interessar por recursos brasileiros como água, energia e capacidade de produção de alimentos.

“O Brasil deve construir uma capacidade dissuasória crível que torne extremamente custosa a perspectiva de agressão ao nosso país”, disse em palestra durante o evento.

Porém, Soares explica que tal estratégia assume que, mesmo com grandes investimentos no setor de Defesa, o Brasil não seria capaz de vencer um eventual conflito com uma potência militar internacional – sendo apenas capaz de fazer a empreitada menos atrativa ao adversário.

Criminalidade

A operação Ágata é uma determinação direta da presidente Dilma Rousseff ao Ministério da Defesa.

Até agora, cinco edições da operação já foram realizadas, em diversas regiões de fronteira do Brasil, desde o ano passado.

A atual ocorre semanas após o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do partido opositor PSDB, cobrar um maior policiamento nas fronteiras do país ao tentar explicar o aumento da criminalidade em seu Estado.

Nas quatro primeiras Ágatas foram apreendidas mais de 2,3 toneladas de drogas, 302 embarcações irregulares e 59 armas.

As Forças Armadas também dinamitaram quatro pistas de pouso clandestinas e fecharam oito garimpos e cinco madeireiras ilegais.

Também foram realizados 19 mil atendimentos médicos e 21 mil odontológicos para populações isoladas ou carentes.

Porém, as críticas dos habitantes das regiões atendidas é que quando a operação acaba, os criminosos voltam a agir normalmente.

A resposta do Ministério da Defesa é que devido à vasta extensão das fronteiras do país, as operações Ágata visam mais dissuadir as ações de criminosos do que combatê-las diretamente – além de levar a autoridade do Estado para áreas remotas do território.

A pasta afirma ainda que, após o fim das operações, a Polícia Federal faz ações específicas para flagrar criminosos que tentam “recuperar o prejuízo” após um mês de inatividade.

Segundo o general Goellner, quando não há operações de larga escala como a Ágata 5, é quase impossível fechar totalmente as fronteiras para a ação de criminosos. “Estamos sempre presentes na região, mas fechar a fronteira não é nossa missão principal, se olharmos só o lago de Itaipú, de Foz de Iguaçu a Guaíra, (encontrar os criminosos que cruzam entram no país em barcos pequenos) é como achar uma agulha em um palheiro, são quase 700 quilômetros de lago”.

Segurança pública

Para o professor Soares, o governo brasileiro não deveria usar seus militares para fazer o papel de policiais, especialmente em ações domo as Ágatas. “É um equívoco. Não são forças para essa finalidade e perspectiva. Desse jeito, as Forças Armadas irão se transformar em uma espécie de Guarda Nacional”, disse.

Para ele, usar os militares como policiais é um desperdício de recursos que poderiam ser usados na preparação e equipamento das Forças Armadas para um eventual conflito com uma nação estrangeira.

Amorim também afirmou que a segurança pública é competência dos Estados e que a função dos militares é a defesa contra “ameaças externas”. Disse porém, que podem haver exceções para essa regra, “desde que limitadas no tempo e no espaço”.

BBC Brasil