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Morre aos 90 anos a Nobel de Literatura Nadine Gordimer

A escritora sul-africana Nadine Gordimer (Tiziana Fabi)
A escritora sul-africana Nadine Gordimer (Tiziana Fabi)

Morreu neste domingo, aos 90 anos, a escritora sul-africana Nadine Gordimer, Prêmio Nobel de Literatura 1991 e ativista contra o regime do apartheid. Segundo membros da família em entrevista ao site da BBC, Nadine faleceu enquanto dormia, em sua própria casa. Ela lutava desde março deste ano contra um câncer no pâncreas.

Ao longo da carreira, Nadine publicou mais de 30 livros, incluindo o romance A História de Meu Filho (1990), Burger’s Daughter (1979) e July’s People (1982). Em 1974, a escritora levou o prêmio Man Booker pela obra O Engate. Quando recebeu o Nobel de Literatura, o comitê organizador alegou que o prêmio estava sendo entregue a ela devido a sua “escrita épica magnífica”.

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Nadine veio ao Brasil em 2007 para participar da 5ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), edição que contou com nomes como Amós Óz, Robert Fisk, Mia Couto e J.M. Coetzee.

Apartheid – Uma das principais vozes contra o regime do apartheid, Nadine publicou seu primeiro livro em 1949, um ano depois do Partido Nacional chegar ao poder e oficializar a segregação na África do Sul. De forma quase inevitável, sua escrita foi influenciada pelos acontecimentos do país e a injustiça e a opressão do apartheid se tornaram temas recorrentes em sua obra literária. Três de seus livros sofreram censura do governo, mas mesmo nos momentos mais sombrios do regime, que durou de 1948 a 1994, a escritora se recusou a deixar a África do Sul.

O engajamento político da escritora, porém, não deve ofuscar a qualidade de sua prosa simples e sutil, despida de sentimentalismo. Ao receber o Nobel, em 1991, Nadine deixou claro que a literatura ainda era sua principal vocação. “Algumas pessoas dizem que me deram o prêmio não pelo que escrevi, mas por minha política. Mas eu sou uma escritora. Essa é mim razão para seguir vivendo”, declarou.

Contradição – Amiga de Nelson Mandela e apoiadora do Congresso Nacional Africano (CNA), partido que lutava pelos direitos dos negros no apartheid, Nadine não se omitiu de criticar Thabo Mbeki, sucessor de Mandela na presidência da África do Sul e um dos líderes da legenda, quando discordou da política sanitária do governante em relação à aids. A sul-africana, no entanto, não demonstrava o mesmo senso crítico ao analisar a situação de Cuba. Assim como outro Prêmio Nobel falecido recentemente, o colombiano Gabriel García Márquez, Nadine sempre foi simpática ao regime de Fidel Castro.

Biografia – Nadine Gordimer nasceu em Joanesburgo em 1923 e escreveu sua primeira história aos 15 anos de idade. Suas narrativas tinham como tema principal o apartheid, o exílio e a alienação. Ela foi casado por duas vezes e deixa dois filhos Hugo, 59, e Oriane, 64.

 

Veja

Secretaria de Educação de Mari desenvolve projeto de literatura infanto-juvenil

Foto: Cybelle, Marcos Martins e Elizabete
Foto: Cybelle, Marcos Martins e Elizabete

No próximo dia 23 a Secretaria da Educação de Mari (PB), que tem a frente a professora Cybelle Souza, realizará a culminância do projeto “Viagem pelo mundo maravilhoso da literatura infanto-juvenil”. Durante o evento, serão apresentados e expostos vários trabalhos desenvolvidos pelos alunos da rede municipal de ensino. “O projeto tem sido bem trabalhado nas escolas de nosso município e envolve o alunado da rede municipal de ensino. O prefeito Marcos Martins tem dado total apoio ao nosso evento e queremos cada vez mais levar a literatura e a leitura aos nosso estudantes. O aluno é o alvo principal do projeto, pois acreditamos que a leitura deve ser estimulada veementemente para que possamos ter homens críticos e estudiosos”, disse a secretária da educação de Mari, professora Cybelle.

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O evento vai acontecer no largo da matriz, no centro de Mari, no salão São Sebastião, começando a partir das 8h00, com término às 17h00. O prefeito Marcos Martins participará do evento, numa atitude de valorização da leitura, do incentivo ao aluno (a) a estudar. “Tudo que venha em favor da educação dos nossos alunos, do povo mariense, terá nosso apoio, apoio do governo de todos. Acredito na educação como base para o desenvolvimento de uma cidade, de um estado e de um país”, disse o prefeito.
 Coodecom – Prefeitura de Mari

Presidenta da Academia Brasileira de Letras diz que tecnologia não vai modificar a literatura

A internet e os novos dispositivos eletrônicos de leitura não vão mudar a essência da literatura. A avaliação é da presidenta da Academia Brasileira de Letras (ABL), Ana Maria Machado. Ela participou na sexta (9) da Festa Literária Internacional das Unidades de Polícia Pacificadora (Flupp), que se encerra neste domingo (11) na comunidade do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. Ana Maria conversou com um grupo de crianças e adolescentes de escolas públicas do Rio e respondeu a perguntas da plateia.

“A tecnologia não vai modificar a literatura. Pode mudar o mercado de livros. Mas a literatura é a mesma desde que existe a linguagem. Muito antes de existir a escrita, já existia Homero, com a Odisseia e com a Ilíada. A literatura já foi escrita em papiro, em pergaminho, em rolo, em tablita [tabletes de argila]. O que muda é o suporte dela, se é uma tela [de computador] ou se é um livro, isso é secundário.”

Autora de 140 livros, com cerca de 19 milhões de exemplares vendidos, traduzidos para diversas línguas, a presidenta da ABL disse que ainda não disponibilizou nenhuma obra em formato eletrônico. “Enquanto não se descobrir como remunerar o direito autoral, fica só a pirataria”.

Sobre a presença da ABL na Flupp, realizada em uma área onde antes da pacificação das UPPs aparecia quase diariamente na imprensa por causa de tiroteios envolvendo o tráfico de drogas, Ana Maria disse que a academia tem uma ligação histórica com as favelas.

“A gente tem que lembrar que o fundador da academia, Machado de Assis, nasceu no Morro da Providência, a primeira favela do Brasil. Nossa presença aqui é uma volta ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído. Não devíamos ser uma cidade partida. Devemos todos estar juntos, na grande síntese cultural brasileira.”

Uma das perguntas feitas pelos estudantes à autora foi sobre qual era o prazer de sua profissão. “O prazer de ser escritora é poder tocar o outro. Poder chegar à mente, ao coração de outras pessoas. Falar em nome dos outros. Fazer com que o outro se reencontre na gente e que cada um se conheça mais pelo o que a gente escreveu.”

Fonte: Agência Brasil
Focando a Notícia

Paraíba vai sediar Encontro Nacional de Literatura Infanto-Juvenil em agosto

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A Paraíba deverá receber escritores, pesquisadores e estudantes de todo o país para uma grande discussão sobre literatura infanto-juvenil. É que a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) vai sediar de 29 a 31 de agosto o IV Encontro Nacional de Literatura Infanto-Juvenil e Ensino (ENLIJE)

Segundo a assessoria do evento, o Encontro é realizado a cada dois anos, numa promoção da linha de pesquisa Literatura e Ensino do Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino (PósLE) da UFCG. “Neste ano, o foco do encontro será a literatura infanto-juvenil, nos níveis fundamental e médio, com o objetivo de aproximar os profissionais de ensino e pesquisadores de diferentes universidades, de escolas públicas e particulares”, ressaltam os organizadores.

Minicursos, grupos de trabalho, sessões coordenadas, pôsteres, palestras e mesas redondas farão parte da programação. As inscrições estão sendo realizadas, exclusivamente, via internet. A taxa de inscrição varia de R$ 30 a R$ 80, dependendo da categoria na qual o participante se enquadra.

Para mais informações, acesse o site do evento: http://www.enlije.com.br

PCCN

Literatura de cordel: uma ferramenta estimulante na sala de aula

 

A literatura de cordel tem servido de inspiração para professores e alunos como na Escola Municipal Prefeito Walter Dória de Figueiredo, em Rio Largo, Alagoas. Lá, é desenvolvido o projeto Sinhô Cordel, com estudantes do oitavo ano do ensino fundamental. A rede pública na região metropolitana de Natal também tem utilizado o recurso para estimular a leitura.


foto: onordeste.com

A professora Polyanna Paz de Medeiros Costa é a responsável pelo projeto, que estimula os alunos a participar de várias atividades, como leitura e discussão dos temas explorados pela literatura de cordel; audição de versos declamados pelo cordelista alagoano Demis Santana; produção de cordel e desenhos manuais. Os estudantes também participam de dramatizações de textos de cordel, de autoria própria, ao som de músicas regionais, como do compositor Luiz Gonzaga (1912-1989).

“Os textos cordelistas são grande aliados nas estratégias de leitura e compreensão de fatos da realidade”, defende Polyanna. Formada em letras, com habilitação em português e literatura, especialização em mídias na educação e em novos saberes e fazeres da educação básica, ela está há dez anos no magistério. Polyanna também lecionou e desenvolveu o projeto Sinhô Cordel nas escolas Mário Gomes de Barros, no município de Novo Lino, e Alfredo Gaspar de Mendonça, em Maceió.

A docente ressalta que a literatura de cordel integra o patrimônio histórico do povo nordestino. “Ela é ensinada ao aluno para que ele reconheça que a linguagem é um meio fundamental na construção tanto de significados e conhecimentos quanto da identidade do ser humano”, explica Polyanna, reforçando que o mundo exige mais criatividade, senso crítico e capacidade de interpretação, o que é bastante trabalhado com o cordel.

Rio Grande do Norte

Em Parnamirim, região metropolitana de Natal (RN), a literatura de cordel é estimulada nas unidades de ensino. Além do projeto Cordel na Escola, da secretaria municipal de Educação, algumas instituições desenvolvem experiências próprias como na Escola Municipal Professora Íris de Almeida Matos. Lá, é feito um trabalho com literatura de cordel há três anos.

De acordo com a diretora, Andréia Cristiane dos Santos Xavier, a escola sempre desenvolveu atividades voltadas para a leitura, mas os professores se queixavam da falta de estímulo por parte das famílias. “Isso me causava inquietação”, diz Andréia. Ao constatar que algumas famílias não podiam oferecer instrumentos de leitura, tanto por questões financeiras quanto por falta de interesse, a comunidade escolar acolheu a demanda e iniciou uma mobilização. As primeiras atividades foram um carrinho literário e rodas de leitura.

Após perceber o interesse das crianças, diversos proejtos foram criados até chegar ao Sopa de Letrinhas Sabor Cordel, com o cordelista José Acaci. Ficou acertado, então, que este ano a escola seria uma das instituições participantes do projeto Cordel na Escola, da secretaria de Educação, que a cada ano reúne quatro escolas.

Segundo a diretora, com a realização do Sopa de Letrinhas (projeto que deu origem ao trabalho com cordel) foi possível observar diversas melhorias no comportamento dos alunos. Aumentou o interesse pela leitura, interpretação e escrita de textos, houve desenvolvimento da criatividade e do respeito em ouvir o outro.

Os estudantes também ganharam postura ao se apresentar em público e se tornaram mais participativos. A escola, que tem 500 alunos do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, passou a participar também do projeto Rede Potiguar de Escolas Leitoras, que incentiva a promoção da leitura nas instituições públicas de ensino. (Fátima Schenini)

Grandes nomes do cordel

Os cordelistas escolhidos para estudos em sala de aula são Jorge Calheiros, Davi Teixeira, José Severino Cristovão, Vicente Campos Filho, Gerson Santos, Pedro Queiroz, João Ferreira de Lima, José Pacheco, José Francisco Borges, Pedro Costa e Antônio Gonçalves da Silva.

“O cordel é um tipo de poesia popular, impressa em folhetos e veiculada em feiras ou praças”, define a professora nordestina.

O cordel teve origem em Portugal, por volta do século 17, quando era escrito em folhas volantes, também denominadas folhas soltas. Como tinha um aspecto rudimentar, era comercializado nas feiras, praças e ruas preso a um cordel ou barbante, o que facilitava a exposição.

Fonte: Jornal do Professor/MEC

Dalton Trevisan ganha o maior prêmio de literatura de Portugal

 

O escritor brasileiro Dalton Trevisan foi agraciado na segunda-feira (21) com o Prêmio Camões, o maior prêmio literário de língua portuguesa. O prêmio foi anunciado esta segunda-feira em Lisboa pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.

 

Dalton Autor de “O Vampiro de Curitiba” é dos maiores escritores do país

Como tem sido habitual ao longo dos anos na conferência de imprensa o júri leu a ata da reunião, apresentando as razões justificativas da escolha do premiado: “Dalton Trevisan significa uma opção radical pela literatura enquanto arte da palavra. Tanto nas suas incessantes experimentações com a língua portuguesa, muitas vezes em oposição a ela mesma, quanto na sua dedicação ao fazer literário sem concessões às distrações da vida pessoal e social”. A escolha de Dalton Trevisan, um dos mais importantes e premiados escritores brasileiros, foi unânime.

O autor de “O Vampiro de Curitiba” (que passou a ser a sua alcunha) é “um dos maiores escritores brasileiros da atualidade”, considerado “o maior contista moderno do Brasil” distingue-se pela originalidade das histórias que escreve e pelo mistério que criou à volta da sua vida pessoal. Não gosta de dar entrevistas nem de ser fotografado e não é visto nas ruas. Por isso o júri do prêmio não conseguiu ainda contatar o autor, está a tentar fazê-lo.

Ao receber na notícia, Trevisan disse: “Me ligaram da Biblioteca Nacional [brasileira] agora para dizer que ainda não anunciaram o prêmio porque queriam falar com o Dalton primeiro e queriam saber como. Estamos tentando falar com ele para lhe dizer. Ele não fala nem conosco. Só responde por fax e às vezes liga para a gente para alguma coisa muito prática. Envia os originais em papel.”

Quanto à hipótese de Dalton Trevisan não aparecer para receber o prêmio por causa da sua reclusão, Francisco José Viegas afirmou que o júri é autônomo em relação a isso. “Esta é uma decisão do júri que decidiu isto independentemente de qualquer impossibilidade que se manifeste de seguida. Esta decisão é uma decisão de natureza literária e de natureza cultural e não tem a ver com esses imponderáveis. Tratou-se de uma escolha livre e independente, uma escolha a montante dessas questões.”

Nesta 24ª edição do Prêmio Camões foi constituído por Rosa Martelo, professora associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto; Abel Barros Baptista, professor associado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; a poeta angolana Ana Paula Tavares; o historiador e escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho; Alcir Pécora, professor da Universidade de Campinas, Brasil, e o crítico, ensaísta e escritor brasileiro Silviano Santiago.

“A discussão começou em aberto com os diversos participantes fazendo as suas indicações e em seguida houve um debate entre os participantes, em torno dos nomes sugeridos. Esse debate foi produtivo e do meu ponto de vista, enriquecedor. Depois de duas horas, chegamos à unanimidade”, explicou Silviano Santiago.

“Não há dúvida que Dalton Trevisan é uma pessoa muito secreta. Ele não têm aliás, ele lembra um pouco, para facilitar pessoas que não o conheçam o escritor norte-americano J.D. Salinger (1919-2010). Mas quando lhe foi- atribuído o Prêmio PT ele aceitou” , acrescentou.

Dalton Trevisan, que nasceu em 1925 em Curitiba, é licenciado em direito e foi depois de ter sido jornalista policial e crítico de cinema, que se dedicou à literatura.. Começou a publicar em 1945, apesar de mais tarde ter renegado os seus dois livros de juventude: “Sonata sempre ao Luar” e “Sete anos de Pastor”. Entre 1946 e 1948, editou a revista “Joaquim”, “uma homenagem a todos os Joaquins do Brasil”, por onde passaram os maiores nomes da cultura brasileira.

Com agências