Arquivo da tag: jornalismo

Profissionais paraibanos recebem Prêmio Sebrae de Jornalismo

 

Nomes serão conhecidos na próxima quarta-feira (24), durante a entrega da premiação, que também presta homenagem aos 120 anos do jornal A União

 

sebraeJornalistas paraibanos que melhor abordaram o tema empreendedorismo em reportagens para TV, rádio, internet e impresso serão reconhecidos na próxima quarta-feira (24) durante a entrega do Prêmio Sebrae de Jornalismo. O evento será realizado na casa de recepções Porto Pinheiro, no Bessa, às 20h, e vai reunir profissionais da imprensa de todo o Estado.

 

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Nesta quinta edição do prêmio, foram inscritos 48 trabalhos de jornalismo impresso, telejornalismo, radiojornalismo e webjornalismo. Em todo o país, foram inscritos 1.279. De acordo com a gerente da Unidade de Marketing e Comunicação do Sebrae Paraíba, Renata Câmara, nesta edição, serão reconhecidos os três primeiros colocados em cada categoria, mas apenas os vencedores serão agraciados com o troféu estadual. “A premiação é surpresa, mas pelas edições anteriores, estamos certos de que os profissionais ficarão satisfeitos com o reconhecimento”, destacou.

 

Este ano, durante a entrega do Prêmio, o Sebrae Paraíba também presta uma homenagem aos 120 anos do jornal A União. “A história de A União está inteiramente ligada ao desenvolvimento do jornalismo no estado. Por meio de alguns profissionais que atuaram neste veículo, teremos a oportunidade de também fazer parte das comemorações dos 120 anos de circulação do impresso, que foi a escola do jornalismo paraibano”, apontou.

 

Os quatro primeiro lugares da etapa estadual irão concorrer à premiação nacional e disputam o Grande Prêmio Sebrae de Jornalismo, no valor de R$ 25 mil. Além do prêmio principal, serão escolhidos os melhores trabalhos em cada categoria, que irão receber R$12,5 mil cada um. Também haverá menções honrosas para melhor trabalho cinematográfico e fotográfico (em nível nacional), além de melhor cobertura em redes sociais e cada um dos contemplados receberá R$ 3 mil.

 

Renata ressaltou que a escolha dos trabalhos pelo corpo de jurados foi difícil, já que o nível das reportagens foi bastante alto. “A cada edição a qualidade do material inscrito tem melhorado e mostrado um diferencial dos profissionais do Estado. Percebemos que o assunto empreendedorismo tem ultrapassado os limites da editoria de economia, mostrando que o tema é transversal e pode ser pautado em vários espaços de Cultura à Cidades”, destacou.

 

O Prêmio Sebrae de Jornalismo é uma iniciativa do Sebrae, com participação da Revista IMPRENSA e apoio institucional da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

 

Serviço

Entrega do Prêmio Sebrae de Jornalismo

Data: 24 de abril de 2013 (quarta-feira)

Horário: 20h

Local: Porto Pinheiro – Av Argemiro de Figueiredo, 636, Bessa

 

 

Assessoria Sebrae

Comentarista da rádio CBN lança livro sobre jornalismo e publicidade no rádio

Apesar de serem áreas irmãs e correlatas, a publicidade e o jornalismo compartilham de uma rixa histórica que ninguém sabe ao certo como surgiu. Enquanto um busca a tão sonhada imparcialidade jornalística, livre da interferência do departamento comercial, o outro reafirma seu espaço, mostrando que sem o respaldo dos anúncios é difícil que um veículo de comunicação consiga se sustentar.
Crédito:Divulgação
Roseann Kennedy é repórter da CBN Brasília e comentarista do quadro “Crônica do Planalto”

No rádio, o cenário não é diferente. Para justamente quebrar esse paradigma e mostrar que essas duas áreas podem (e devem) conviver em harmonia, a jornalista Roseann Kennedy, repórter da CBN Brasília e comentarista do quadro “Crônica do Planalto”, em parceria com o publicitário Amadeu Nogueira de Paula, lança no mês de abril o livro “Jornalismo e Publicidade no rádio: como fazer”.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

“Quando começamos a fazer esse trabalho conjunto percebemos que ainda esbarramos muito no preconceito, naquela coisa de jornalista e publicitário não conversarem muito. É fundamental que haja essa comunicação, não dá para haver jornalismo sem publicidade”, defende a repórter.
Com exemplos práticos, o livro trata dos bastidores, da técnica e da conduta ética dos profissionais. Também expõe, sem preconceitos, como publicidade e jornalismo podem colaborar entre si, sem gerar interferências indevidas.
Confira a seguir a entrevista:
IMPRENSA: Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre a publicidade no rádio?
Roseann Kennedy – Eu sempre trabalhei com radiojornalismo. Até que fui convidada para dar a disciplina de linguagem radiofônica para publicidade depois que o professor responsável por ela saiu da instituição. Quando comecei a me aprofundar no assunto para conseguir passar o conteúdo previsto na grade do semestre, me dei conta de um problema. Não existia praticamente bibliografia nacional sobre linguagem radiofônica em publicidade. Existe muita coisa voltada para TV, impresso, mas não especificamente para rádio. À medida que os alunos começaram a demonstrar dúvidas práticas, isso foi me servindo de base para fazer um roteiro de um livro.
A partir daí desenvolvi o projeto de um livro que, à principio, era de publicidade mesmo. Mas daí pensei: ‘ai que ousadia a minha. Jornalista querer fazer um livro sobre publicidade’. Por uma coincidência do destino tive contato com o diretor da ESPM, que me indicou o publicitário Amadeu Nogueira de Paula, professor ideal para escrever o projeto comigo.
O que você entende por rádio multimídia? Como é atuação da publicidade nesse cenário?
Rádio multimídia é a ideia de você poder hoje ter o rádio em diversas plataformas ao mesmo tempo, você não precisa ter um aparelho na sua casa ou no carro para ouvir notícias ou músicas. Você pode ouvir pela internet, montar a sua própria programação, ouvir a hora que você quiser as entrevistas e programas favoritos. Como exemplo, temos o caso da plataforma de internet da CBN.
Você tem a área dos comentaristas, um espaço que deixa a programação acessível durante sete dias. Então, se o ouvinte quiser assistir o programa tal, mas por algum motivo perdeu, ele recorre a esse acervo. Isso é fantástico. É o rádio novo, dando a volta por cima, se adequando às novas realidades.
Quando permitimos que o ouvinte monte a própria programação, a publicidade acaba excluída. Isso não é perigoso do ponto de vista financeiro?
Além de ter a publicidade no dial, você cria na internet um novo ambiente de publicidade na internet, então, não há perdas, muito pelo contrário. Para quem busca o material em podcast no site vai encontrar a publicidade trabalhada de uma outra forma. Além disso, o conteúdo na web agrega valor. Além de simplesmente ouvir um spot no rádio, ele poderá visualizar a publicidade de outra forma na web.
Sem falar que a presença do rádio para a internet traz benefícios também para o jornalista, uma vez que cria novas funções profissionais para os que trabalham no rádio. Hoje você tem um jornalista vinculado ao rádio que na verdade está fazendo conteúdo exclusivo para o site, ou seja, esse tendência criou um universo novo de atuação, essa possibilidade de expansão do mercado de trabalho.
Como avalia a importância que a publicidade dá ao rádio nas faculdades?
Nem na área de publicidade, nem do jornalismo o rádio é valorizado. O meio acadêmico não dá a importância que o rádio tem. É muito comum a gente entrar na faculdade e ver pessoas superfascinadas em querer trabalhar em online, jornal e revista ou TV. Mas, ao longo desses meus 20 anos de profissão, poucas pessoas dizem quero trabalhar no rádio, sonho trabalhar no rádio. Lembro que no meu primeiro ano de faculdade eu falava isso e naquela época as pessoas já pensavam que era loucura minha.
O que podemos fazer como profissionais de comunicação para que esse cenário mude e incentivar as novas gerações a apostarem no rádio?
Trabalhar mostrando o universo de atuação que o rádio tem. Mostrar a importância do veículo. É um trabalho de formiguinha mesmo. Mostrar como o veículo é mais viável financeiramente, prático. Com qualquer aparelho celular você consegue entrar ao vivo e dar a notícia. É mostrar que o rádio é feito como muita seriedade. É quebrar alguns paradigmas de quem trabalha com rádio não sabe escrever, por exemplo. Afinal, temos que ter o poder da síntese de forma didática e com linguagem simples a notícia, o que faz essa tarefa ser bem difícil. Romper os preconceitos do dia a dia é um grande passo para mostrar a importância do veículo.
Como a publicidade dialoga nos dias de hoje com o rádio, principalmente nas rádios de notícia? Há uma cobrança maior por peças que não interfiram na credibilidade jornalística?
A cobrança que eu percebo é muito mais no sentido contrário. Tenho muita sorte de trabalhar em uma empresa como a CBN em que os jornalistas não sofrem nenhum tipo de interferência do tipo: você não vai dar essa notícia porque vai contra o nosso anunciante’. Mas conversando com alguns profissionais de rádio vejo muita pressão em rádio pequena. Da direção chegar e dizer que não é bom dar determinada notícia porque tem um anunciante que é do mesmo grupo, então o departamento comercial interfere.
Nunca vivi essa realidade em nenhum lugar que passei, mas com base nas pesquisas que fizemos para estruturar o livro a gente percebe que essa interferência existe, mas em veículos que a dependência do anunciante é muito maior.
Danubia Guimarães

CQC e José Genoino: nem humor, nem jornalismo

cqcA frase que escolhemos de título poderia perfeitamente ser proferida por um torturador em pleno ato de violência, corrosão e degradação da dignidade humana.

Vivemos tempos estranhos. Alguns filmes fazem propaganda de métodos de tortura e recebem o aplauso de parte crítica. Alguns presidentes constroem atos legislativos que permitem a tortura e autorizam seu uso como prática institucionalizada.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

É o que se lê em matéria do jornal Brasil de Fato:

O afogamento simulado de um preso “é legal porque os advogados dizem que é legal. Não sou advogado”, disse Bush em novembro de 2010, ao ser entrevistado pelo jornalista Matt Lauer. “Claro que o faria”, respondeu o ex-presidente ao ser perguntado se voltaria a tomar a mesma decisão.

Márcio Sotelo Felippe, em brilhante artigo publicado neste Viomundo, expôs os dilemas éticos e morais da atual sociedade, ao analisar a tentativa de se justificar a prática da tortura por parte de articulista de um jornal de um grande conglomerado de comunicação.

A tortura torna-se, assim, com uma contribuição aqui, outra ali, senso comum para uma parte do universo social e ganha a força tremenda da convencionalidade. Para uma outra parte, desliza para uma mera questão de ponto de vista. Você pode ser a favor ou contra a tortura do mesmo modo como é, digamos, a favor ou contra o parlamentarismo. Um tortura para salvar bebês. Outro, como agente do Estado, para defender a sociedade dos criminosos. Comentaristas de internet, após ler o artigo de Caligaris, assistir Tropa de Elite ou o filme de Bigelow se veem legitimados para escrever pérolas como “bandido bom é bandido morto” e “direitos humanos são para humanos direitos”.

Voltemos à frase do título. Anteontem, 25.03.13, em cadeia nacional de televisão e não em uma sala obscura do DOPS ou de Guantánamo, ela foi proferida por um jornalista/humorista.

O escárnio e desrespeito à dignidade da pessoa humana praticado por alguns programas de TV – que se dizem misto de jornalismo e humor – ultrapassou todos os limites éticos com a “matéria” que veio ao ar ontem, realizada na Câmara Federal e com intenção de agredir o deputado José Genoíno.

Pinçaremos algumas frases ditas pelo jornalista/humorista. Avisamos, desde já, que é preciso estômago para continuar a leitura.

“Feliciano na Comissão de Direitos Humanos, Genoíno na CCJ, chegou a hora de pegar o goleiro Bruno e colocar pra ministro do esporte, vai (…) ou botar o Nardoni pra vara da infância”.

O périplo “justiceiro” pelos tapetes da Câmara continua em ritmo de passo apressado, permeado por tiros certeiros de infâmia:

“Ô Genoino, quanto tempo a gente tá querendo te procurar, como é que está o senhor? Você veio aqui se esconder porque lá na prisão é pior? Aqui tem mais bandido, é mais fácil? Tá  fazendo voto de silêncio, Genoino? Vai ser bom na prisão lá, além de X9 não se ferra, né? (…) A gente estava atrás de você o tempo todo, Genoino, fala com a gente um pouquinho, só dá um tchau”.

Atingindo o ápice da cretinice, arremata:

“Genoino, você vai passar onde o reveillon? Na papuda? Já sabe como é que vai ser? Qual prisão?”

Depois do constrangimento causado o repórter/humorista tenta justificar o ato de agressão dizendo que:

“como vocês puderam notar, mais uma vez o deputado Genoino não respondeu às perguntas do CQC o que ele tem feito constantemente com a imprensa nacional. A gente quer ouvir umas respostas, a população brasileira também quer”.

Pronto, a palavra mágica de estar agindo em nome do povo serve de véu para encobrir as nódoas de um péssimo jornalismo e de um humor sem graça alguma.

O programa ataca o deputado Genoino em razão de uma condenação evidentemente política que sequer transitou em julgado, mas não vê problema ético em se utilizar e obrigar uma criança a mentir, se dizendo filho de um militante petista, com intenção de enganar o parlamentar, para que ele profira algumas palavras sobre o seu processo.

Ao final, na bancada principal, – em que tomam assento os principais jornalistas/humoristas do programa – a infâmia não cessa. Ao contrário, se aprofunda com os risos sobre um “presente” que o programa oferece ao deputado: um livro sobre presídio com um fundo falso em que se esconde um celular (!).

A matéria toda é desrespeitosa não só para com o deputado, como também, aos parlamentares em geral. Busca-se, com isso, desacreditar o parlamento brasileiro com a tentativa de consolidação de um estereótipo de que todos os deputados e senadores que o compõem sejam ladrões, burros e não trabalhem.

O ataque é seletivo e premeditado. Não se vê matérias deste tipo de programa no Poder Judiciário. Não se vê matérias desses programas na Fiesp ou Febraban. O que se quer é por de joelhos o Congresso Nacional para que não se aprove leis que contrariem os interesses ideológicos dos grandes meios de comunicação.

Daí que o alvo seja sempre os parlamentares, ora com perguntas estultas para expô-los ao ridículo, ora com agressões e violências como as praticadas contra José Genoino.

Ninguém, sendo deputado ou não, está obrigado a dar entrevista a quem quer que seja. Isto deve ser respeitado. No entanto, sequer se tratava de uma entrevista, tendo em vista a virulência, desrespeito e impropriedades das perguntas lançadas pelo repórter/humorista.

A real intenção do jornalista/humorista, se é que é capaz de encontrar alguma racionalidade em seu ato, talvez fosse a de ser agredido e, assim, alcançar o estrelato de muitos minutos de fama na grande mídia. O deputado, no entanto, com toda sua dignidade, não passou recibo. Ignorou por completo a violência recebida e foi extremamente atencioso com a criança.

Em muitos casos, o híbrido humor/jornalismo é um salvo conduto para se ferir a dignidade das pessoas. Se por acaso precisam de credencial para entrar em lugares que se fazem presentes jornalistas, dizem que o são. Quando extrapolam qualquer limite ético para seu exercício, se dizem humoristas. E assim se vai levando.

No caso da matéria aqui analisada, não se tratou de jornalismo, sequer de humor. Não existe graça na violência gratuita. Poderíamos nominar como sadismo, mas não existe almoço grátis, estamos diante de uma estratégia política deliberada e colocada em curso há algum tempo.

Patrick Mariano Gomes é advogado, integrante da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap) e mestrando em Direito, Estado e Constituição na Universidade de Brasília – UnB.

revistaforum

“Jornalismo esportivo não é entretenimento, deve trazer informação”, diz Vladir Lemos

Com sólida carreira na imprensa esportiva, o jornalista Vladir Lemos possui grande responsabilidade como editor-chefe do “Cartão Verde”, atração da TV Cultura, que há 20 anos mantém o alto nível de debates sobre o cotidiano do futebol.
Diferente dos programas que adotam o formato de mesa-redonda tradicional, o “Cartão Verde” precisou se reinventar algumas vezes, mas sempre mantendo a essência: a informação de qualidade. Começou no domingo, quando não havia quase nenhum programa esportivo na TV, mas mudou para a segunda quando a concorrência aumentou.

Jair Magri
Vladir Lemos
Tamanho foi o sucesso no começo da semana, que, novamente, outros programas, principalmente da TV fechada, mudaram para as segundas-feiras. Isso fez com que a atração migrasse para quinta e, atualmente, fixou-se nas terças com um objetivo: antecipar a informação da rodada do meio de semana para os telespectadores.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Em meio à grande concorrência e ao engessamento da cobertura de times, o que faz com que as matérias sejam cada vez mais iguais, o “Cartão Verde” tenta se sobressair trazendo comentaristas que possam manter um nível elevado de discussão. Basta citar nomes como Sócrates, Armando Nogueira e Xico Sá para constatar que o espaço do “Cartão Verde” é nobre.
Antes do programa de 20 anos em uma edição especial, que foi ao ar na semana passada e contou com a presença de José Trajano, Vitor Birner, Celso Unzelte e Roberto Rivellino, Valdir Lemos falou à IMPRENSA sobre as premissas do programa, ressaltou o papel social do jornalismo esportivo, debateu limites entre jornalismo e entretenimento e explicou mudanças de comportamento por parte da audiência do programa.
IMPRENSA – O que era o “Cartão Verde” em 1993 e o que ele se tornou?
Vladir Lemos – O programa teve muitas fases. Mas eu iria que a missão inicial continua sendo a mesma, ela não mudou. Quando perguntavam ao Armando Nogueira porque o programa se chamava “Cartão Verde” ele dizia que já existia o cartão amarelo e o vermelho. Ambos existiam para punir, mas o cartão verde é para enaltecer o futebol. Claro que as pessoas mudaram, mas a essência do programa se mantém, ou seja, a de respeitar a visão que cada um tem sobre o futebol.
O que mudou nos telespectadores?
Os olhares das pessoas sobre o jogo mudou. Eu brinco que precisamos cada vez mais ser diferenciado e criativo sobre o jogo, porque, às vezes, ele fica chato. Geralmente, as pessoas abriam o caderno de esportes e iam direto à notícia de seu time. Hoje, elas vão direto ler o que diz um colunista. Isso seria reflexo de uma cobertura esportiva limitada. Há 20 anos, o jornalista escolhia a fonte, o lugar que ia ficar no gramado, com quem ia falar. Hoje, todos ficam no mesmo lugar, sob o mesmo ponto de vista e ouvem as mesmas pessoas na sala de imprensa. Isso empobrece o espectro para falar do clube, mas em compensação sua reflexão fica mais profunda. E neste sentido, o programa é bem reflexivo.
Ele começa em um domingo como receita de sucesso…
Chega um momento em que o domingo passa a ter de quatro a cinco programas de debate esportivo. Começamos a pensar: ‘vamos sair disso e colocar o programa na segunda. Pegamos o que já foi discutido e fazemos uma reflexão. Deu certo também, tanto que, hoje, grande parte de programas esportivos da TV fechada são de segunda. Depois fomos para a quinta e hoje estamos na terça. Neste dia, temos o desafio de olhar adiante, do que vai acontecer no jogo da quarta.

:Jair Magri
Programa em comemoração aos 20 anos do programa
O diferencial seria trabalhar antecipando o que pode acontecer?
Somos forçados a fazer isso. Uma vez que o programa é exibido na terça. O que tentamos é ter a missão de fazer a pessoa assistir o programa neste horário até 23h e quando vir o jornal de esportes do dia seguinte estar informada e já ter feito uma reflexão sobre aquilo que falamos.
Por que o modelo mesa redonda deu tão certo?
Existem certos moldes na TV, que por mais que você tente, não consegue mudar. Mesmo o jornal mudou muito pouco. O que tentamos fazer é quebrar o estereótipo de que todo programa de esporte tem que ter essas pessoas mal humoradas, figuras azedas e que, muitas vezes, agem com extrema deselegância. Tentar construir uma discussão educada é nosso objetivo. É ruim chegar à casa de alguém gritando. O Sócrates dizia que gostava de fazer um programa que as pessoas dessem risada.
Os programas que existem por aí não se alimentam de polêmicas? O público procura isso?
Talvez seja até verdade que você precise de polêmica para ter audiência, mas para alimentar uma polêmica a pessoa tem que sair daquilo que ela exatamente pensa, precisa dar largura a um tema e corre o risco de perder o foco. Polêmica é uma coisa que a gente não tem. A gente procura tratar dos temas com a maior educação possível. Até porque isso combina com a TV Cultura.
Às vezes, têm-se a sensação de que o programa busca manter um alto nível, isso é proposital?
Meu papel é buscar pessoas que tenham um olhar interessante do futebol. Você, muito provavelmente, não vai encontrar uma pessoa interessante que não esteja preparada ou não tenha conteúdo. As pessoas acham que se falar baixo você não mobiliza. Existe um consenso meio enganoso de que futebol depende dessas coisas polêmicas.
Como foi ter trabalhado com o Sócrates?
O Sócrates era uma figura tão forte que, às vezes, até o silêncio dele falava. Em muitos programas ele não estava disposto a falar de determinados assuntos. Ele era muito seletivo nas coisas que comentava. Às vezes, fazíamos uma pergunta que era “amarelo” e ele começava falando de “azul”, mas no final chegava ao ponto que você queria.
E o Armando Nogueira?
Lembro uma vez em que ele estava lançando um livro e deu tempo de conversar. Ele virou para mim e disse: ‘Vladir vou te falar uma coisa: tenho 40 anos de jornalismo e nunca escrevi uma linha sobre tática’. Aquilo serviu para me embasar.
Como é driblar aquela dificuldade inicial de estar tudo limitado na cobertura?
O desafio é usar a criatividade para lidar com a limitação. Muitas vezes pegamos um fato, as imagens e criamos um texto em cima daquilo. Algo que já embute uma reflexão. É buscar o diferencial. O que está exposto, já está exposto, todo mundo tem. Tem que buscar algo novo.
O que você definiria como sensacionalismo no esporte?
Não sei se sensacionalismo é a palavra correta. Mas um exemplo: semana passada o Pelé falou que o Neymar só está preocupado com o cabelo. Eu lembro que quando o Edinho apitava os treinos, o Neymar ficava nervoso. Ele poderia dizer que o Neymar é viciado em falta, aí é uma coisa. Agora, falar do cabelo? Você sabe se realmente ele está preocupado com o cabelo?
Por se tratar de um tema tão explosivo não existem vários cuidados a serem tomados com relação ao futebol?
Dando como exemplo essa tragédia da Bolívia – em que um torcedor de 14 anos morreu ao sert atingido por um sinalizador –  a primeira coisa que chamou a atenção foi na terça da semana seguinte a possibilidade de os torcedores fazerem a manifestação na porta do estádio. Isso é extremamente perigoso e meu papel como jornalista é de dizer: ‘por favor, não vá’. Temos essa função social. Quando alguém faz uma transmissão incitando ódio acaba ofuscando a importância que o fato e a notícia merecem. Tem coisas no futebol extremamente explosivas, se isso é colocado de uma maneira errada, ou dúbia, é muito sério.
O que você acha de usar cada vez mais entretenimento no jornalismo?

Minha postura é de jornalismo. Quando ligo a televisão e vejo o repórter levando o jogador para dirigir um carro veloz, isso não interessa a mim. Mas pode interessar para o público. Eu me interesso por aquilo que traz informação. Muitas vezes discutem e dizem que jornalista está a favor do entretenimento. Jornalista é jornalista e ponto.

 

Luiz Gustavo Pacete e Vanessa Gonçalves

Abertas as inscrições para a 10ª edição do Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo

Estão abertas as inscrições para a 10ª edição do Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo, uma das maiores e mais prestigiadas premiações da área, promovido pela revista e Portal IMPRENSA, com patrocínio da Souza Cruz.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Crédito:Luiz Murauskas
Imagem do troféu que será cedido aos vencedores
As inscrições devem ser feitas através do site da premiação até o dia 20 de maio e concorrem ao prêmio os trabalhos veiculados no período de 8 de abril de 2012 a 7 de abril de 2013.
Esta edição vai premiar as melhores matérias do ano em 11 categorias, além de uma categoria especial. O prêmio é voltado para profissionais que atuam em mídias impressas (jornais e revistas), estudantes de jornalismo, sites jornalísticos e emissoras de rádio e TV de todo o Brasil.
Mais informações podem ser obtidas através do e-mail: contato@premioliberobadaro.com.br e do telefone (11) 2117-5312.
Portal IMPRENSA

Dom Pedro Casaldáliga pede retirada de seu nome de prêmio de jornalismo em MT

 

Para ele, é uma incoerência o governo estadual promover o prêmio sobre o combate ao trabalho escravo e manter a secretária de Cultura, Janete Riva, que consta na lista suja

 

 

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

 

O bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, pediu a retirada de seu nome do prêmio de jornalismo promovido pela Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) de Mato Grosso. O pedido foi entregue, formalmente, ao governo estadual na segunda-feira (25/2).

A justificativa é a permanência de Janete Riva no cargo de secretária estadual de Cultura. Isto porque, em 2012, Janete foi incluída na Lista Suja do Trabalho Escravo. Para o bispo, é uma incoerência o governo de Mato Grosso promover o Prêmio Nacional de Jornalismo Dom Pedro Casaldáliga, que visa incentivar o combate ao trabalho escravo, e manter Janete como secretária.

“Considerando que a fazenda de propriedade da secretária de Cultura do estado de Mato Grosso, Janete Riva, consta da Lista Suja do Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho, eu peço que meu nome seja retirado do prêmio do concurso de jornalismo organizado pela Coetrae/MT”, disse Dom Pedro em nota.

A nomeação de Janete Riva tem sido alvo de críticas de várias organizações sociais. Na semana passada, o Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso pediu a sua exoneração. No entanto, o governo do estado, através da Casa Civil, afirmou em nota que não retrocederia do ato de nomeação, sob o argumento de que não há provas de trabalho em situação análoga à escravidão na propriedade da secretária de Cultura.

Janete Riva teve seu nome incluído na lista suja do Ministério do Trabalho após sete pessoas terem sido libertadas de situação análoga à escravidão, em 2010, em uma de suas propriedades no município de Juara (MT). Janete é esposa do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o deputado José Riva (PSD).

 

 

 

 

Fonte: Brasil de Fato

Sebrae inscreve para prêmio de jornalismo até 21 de janeiro


Profissionais podem concorrer em quatro categorias e três menções honrosas

Jornalistas paraibanos podem se inscrever até o dia 21 de janeiro para mais uma edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo. Com a temática voltada para os pequenos negócios, a premiação está com as inscrições abertas para trabalhos desenvolvidos em revistas, jornais, sites, emissoras de TV e rádio. Poderão ser inscritas reportagens publicadas no período de 1º de janeiro de 2012 a 31 de dezembro de 2012, com pautas ligadas aos seguintes temas: empreendedorismo, cooperação, competitividade, inovação, inclusão produtiva, sustentabilidade, políticas públicas e gestão empreendedora nos pequenos negócios.

“O prêmio é uma iniciativa muito positiva, porque além de reconhecer o profissionalismo de quem faz uma boa reportagem, também estimula uma amplitude do olhar jornalístico sobre as pautas relacionadas ao empreendedorismo, que não necessariamente estão nos cadernos ou nas pautas de economia”, disse a gerente de Comunicação e Marketing do Sebrae Paraíba, Renata Câmara.

Inicialmente, os profissionais concorrem estadualmente em quatro categorias (jornalismo impresso, radiojornalismo, telejornalismo e web jornalismo) e três menções honrosas (fotojornalismo, jornalismo cinematográfico e mídias sociais). Os melhores colocados em cada uma das categorias são premiados estadualmente e concorrem ao prêmio nacional, que irá distribuir R$96,5 mil entre os vencedores. As inscrições podem ser feitas através do site www.premiosebraedejornalismo.com.br.

Em sua última edição, em 2011, o Prêmio Sebrae de Jornalismo teve 1.143 inscritos. A Paraíba foi o Estado do Nordeste que teve o maior número de inscrições, com 53 trabalhos inscritos. Na etapa estadual, foram premiados com o primeiro lugar nas categorias jornalismo impresso (Daniel Motta e Ana Teixeira/Correio da Paraíba), telejornalismo (Wendell Rodrigues/TV Correio), radiojornalismo (Jacquelline Oliveira/Rádio Cidade Sumé) e webjornalismo (Raquel Medeiros/Portal Nas Entrelinhas). Em telejornalismo, a matéria “Faço diferente na Paraíba”, da TV Correio, ficou entre as três melhores da categoria, nacionalmente.

Na menção honrosa de repórter cinematográfico a Paraíba foi representada por dois trabalhos: O Bonequeiro, da TV Cabo Branco, com o cinegrafista Wellington Campos; e Faço diferente na Paraíba, da TV Correio, com os cinegrafistas Flávio Melo, Walter Júnior e Marcelo Xavier. Na menção honrosa em Fotojornalismo, a Paraíba concorreu com trabalho de Felipe Gesteira do Jornal da Paraíba. Já nas Mídias Sociais, Simão Mairins, Fábio Bandeira, Éber Freitas, Mayara Chave, Thiago Castor e João Faissal concorreram à menção honrosa com o trabalho ‘Administradores da Rede’, publicada do portal Administradores.com.

O prêmio é um concurso jornalístico instituído pelo Sebrae, com participação promocional da Revista Imprensa e apoio institucional da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

Prêmio Sebrae de Jornalismo

– Inscrições até 21 de janeiro – www.premiosebraedejornalismo.com.br

– Podem concorrer: trabalhos publicados entre 1º de janeiro de 2012 e 31 de dezembro de 2012

Premiação na etapa nacional:
• PRÊMIO SEBRAE DE JORNALISMO IMPRESSO – R$ 12.500,00
• PRÊMIO SEBRAE DE RADIOJORNALISMO – R$ 12.500,00
• PRÊMIO SEBRAE DE TELEJORNALISMO – R$ 12.500,00
• PRÊMIO SEBRAE DE WEBJORNALISMO – R$ 12.500,00

Premiações especiais da etapa nacional:
• GRANDE PRÊMIO SEBRAE DE JORNALISMO – R$ 25.000,00
À melhor matéria inscrita em qualquer uma das categorias;
• PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI SEBRAE – R$ 12.500,00
À melhor matéria inscrita sobre a pauta Gestão Empreendedora nos Pequenos Negócios;
• MENÇÃO HONROSA FOTOJORNALISMO – R$ 3.000,00
Ao trabalho de melhor imagem em jornalismo impresso ou webjornalismo;
• MENÇÃO HONROSA REPÓRTER CINEMATOGRÁFICO – R$ 3.000,00
Ao trabalho de melhor imagem como reportagem cinematográfica;
• MENÇÃO HONROSA DE MÍDIAS SOCIAIS – R$ 3.000,00
À melhor cobertura jornalística feita em blogs e/ou redes sociais.

Assessoria de Imprensa para o Focando a Notícia

Porto Alegre sediará Seminário Internacional de Direitos Humanos e Jornalismo

Representantes dos Sindicatos de Jornalistas da América Latina e Caribe vão discutir a violência contra a categoria no Seminário Internacional de Direitos Humanos e Jornalismo, nos dias 18 e 19 de janeiro, em Porto Alegre. Na ocasião também será instalada a Comissão da Verdade, Memória e Justiça dos Jornalistas Brasileiros.

O seminário é uma promoção da Federação de Jornalistas da América Latina e Caribe (Fepalc) e da Oficina Regional da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) para a América Latina, com realização da FENAJ e apoio do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul.

Além de representantes dos Sindicatos de Jornalistas brasileiros, o evento contará com a participação de jornalistas e autoridades da Argentina, Venezuela, México, Chile, Uruguai, Paraguai, Honduras, Panamá, Colômbia. Celso Schröder, presidente da FENAJ e da FEPALC, alerta que os Sindicatos de Jornalistas do Brasil deverão confirmar a indicação do nome dos seus representantes até o dia 10 de janeiro, pelo e-mail fenaj@fenaj.org.br. “Precisamos destas informações com antecedência para assegurar a infraestrutura necessária”, justifica, destacando que a atividade faz parte de uma campanha lançada pela FIJ em todo o mundo para coibir a violência contra os profissionais de imprensa.

A abertura do Seminário será às 9 horas do dia 18 de janeiro, com representantes da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) da FEPALC e autoridades nacionais i internacionais. Em seguida, às 9h30, o Painel 1 debaterá “A violência contra jornalista na perspectiva dos direitos humanos”. Neste painel estão previstas as participações de um representante do Conselho Intergovernamental do Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação (PIDC) da Unesco, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e do Itamaraty.

Ainda pela manhã, o Painel 2 abordará o tema “Quando o Estado é o agente violador: as ditaduras e a atuação dos agentes de segurança pública nas democracias”, com representantes da Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Brasil e dos governos do Paraguai, Argentina, Chile e Uruguai.

No período da tarde, com início às 14 h15, o painel 3 debaterá “A ausência do Estado e a violência social contra jornalistas: do crime organizado aos detentores de poder localizado”, com representações do México, Colômbia, Brasil e de Honduras. Já às 15h45, palestrantes da Venezuela, Argentina, Brasil e Panamá discutirão o tema do painel 4, “A violência cotidiana das redações: censura interna, autocensura, pressões políticas e econômicas que afetam a produção jornalística e a saúde dos jornalistas”.

A programação do primeiro dia do Seminário Internacional será encerrada com o lançamento da Comissão Memória, Verdade e Justiça dos Jornalistas Brasileiros, composta pelos jornalistas Audálio Dantas (SP), Nilmário Miranda (MG), Rose Nogueira (SP), Carlos Alberto Caó (RJ) e Sérgio Murillo de Andrade (SC).

O segundo dia do evento está reservado para trabalhos em grupo onde os participantes debaterão o porquê da violência contra jornalistas e como enfrentar o problema, buscando possíveis soluções para as causas mais comuns das agressões.

Fenaj

Guerra ao narcotráfico vem matando o jornalismo mexicano aos poucos, diz pesquisa

Grupos criminais continuam ameaçando profissionais de imprensa quando estes noticiam a guerra contra o narcotráfico no México. A atuação dos criminosos já matou mais de 60 mil pessoas desde que o atual presidente, Felipe Calderón, tomou posse em 2006. Segundo dados da Fundação MEPI, organização de jornalismo investigativo da Cidade do México, as ameaças e a falta de informações oficiais complicam o trabalho dos repórteres no País.

O México foi o país mais perigoso do mundo para repórteres em 2011, segundo o Instituto Internacional de Imprensa (IPI). Dez jornalistas foram assassinados no ano passado e a tendência do alto número de mortes continua em 2012. De acordo com o Blog Jornalismo nas Américas, o medo constante de ser alvo de represálias do crime organizado aprofundou a autocensura nos jornais mexicanos.
Na pesquisa, que durou seis meses, foram avaliados jornais em 14 dos 31 estados da República Mexicana, como continuação de outro estudo feito pelo MEPI em 2010. A intenção da organização era medir como os conteúdos das publicações destes estados foram impactados pela violência. Os novos números indicam que sete de cada dez histórias publicadas eram sobre incidentes relacionados ao crime organizado. Mesmo assim, somente dois dos jornais que o MEPI monitorou (El Norte, de Monterrey;  El Informador, de Guadalajara) contextualizaram a violência, identificaram as vítimas e deram seguimento às matérias.
Portal IMPRENSA

As pessoas precisam diferenciar jornalismo de entretenimento

O último final de semana confrontou claramente dois modos de tratar o Esporte na televisão. Começo a falar da espetacular cobertura da ESPN Brasil em mais uma final da Liga dos Campeões da Europa. O principal produto da emissora é tratado de forma jornalística exemplar. Um ou outro pode dizer que é demais ficar horas e horas comentando antes e depois da partida se o Bayern de Munique deveria jogar no 4-4-2 ou no 4-2-3-1. E se é correto um russo torrar um bilhão de euros para fazer o Chelsea campeão. A pessoa pode até não gostar, é claro, mas isso é Jornalismo, assim mesmo com ‘J’ maiúsculo. Narradores, apresentadores, comentaristas e repórteres conhecem o que estão falando, sabem a trajetória de cada um dos jogadores em campo, dos treinadores fora e o que representa uma conquista para aqueles torcedores. Dá um orgulho danado ser jornalista e acompanhar uma transmissão dessas.

Pouco mais de 24 horas depois tivemos contato com a informação esportiva tratada de outra maneira. O argentino German Herrera, atacante do Botafogo, marcou três gols diante do São Paulo, na goleada por 4 a 2. Todo mundo que acompanha futebol sabe que o cara que faz três gols no Brasil pede música no Fantástico, da Rede Globo. Não sabemos ainda se o Herrera não curte o programa, a Globo ou mesmo se curte música. Também não lembro se o próprio Herrera já foi sacaneado no mesmo quadro, que utiliza um tal mustela para fazer piada dos jogadores que cometem erros durante as partidas. O lance é que ele não quis pedir a música e virou notícia. Como assim o Herrera não quis pedir a música, vira notícia e o ‘fato’ se torna mais importante do que os três gols marcados?

A recusa de Herrera ganhou destaque em chamadas entre dois blocos e foi a maior atração da parte dedicada aos gols. A produção do programa aproveitou uma palavra dita pelo argentino, buscou uma música do Chiclete com Banana e colocou no ar. Os três gols do Herrera tiveram, na verdade, menos espaço do que a recusa em pedir um sucesso de Luan Santana, Thiaguinho ou da banda Calypso. E aí é que fica clara a diferença entre Jornalismo, com ‘J’ maiúsculo, e entretenimento, que é o que o Esporte da Globo faz há muitos anos. Um repórter da Globo chamou Herrera de ‘babaca’ no Twitter. Esqueceu que é jornalista e incorporou o tom de entretenimento da empresa em que trabalha.

Vou usar como exemplo jogos hipotéticos, mas isso já aconteceu no programa. O Atlético-MG fez 5 a 2 no Uberlândia pelo Campeonato Mineiro e por causa do tempo, os gols foram resumidos, tipo passaram três gols do Galo e um do Uberlândia. Na sequência, um atacante do Ananindeua meteu três gols no Fast Club pelo Campeonato Amazonense. O programa passou todos os gols e o rapaz pediu a música dele. Nada tenho contra o Amazonas. Mas queria ver os gols do Amazonense todo domingo e não só quando o cara dá uma sorte danada e faz três gols. O Ananindeua nunca mais teve gol no Fantástico. Eu fico imaginando o desespero do pessoal do programa quando ninguém faz três gols.

A recusa do Herrera me lembrou do Dunga. Quando treinador da Seleção, ele achou por bem não conceder exclusivas para a Globo e proibiu o livre trânsito dos repórteres da empresa nos corredores da concentração. Jornalisticamente foi uma decisão acertadíssima. Tratamento igual para todos. O final você deve lembrar: o técnico batendo boca publicamente com um dos apresentadores da Globo em uma entrevista coletiva na África do Sul durante a Copa de 2010.

Já escrevi aqui e repito: a emissora tem o direito de usar a linha editorial que quiser. Se a Globo prefere passar os três gols do cara do Ananindeua e a música que ele quis ouvir em detrimento dos cinco gols do Galo é problema dela. O que não pode é o público não conseguir diferenciar que isso não é jornalismo. Li gente demais na internet escrevendo sobre o estágio do ‘jornalismo esportivo’. Minha gente, Luan Santana, banda Calypso, Padre Fabio de Mello, João Sorrisão, Inacreditável Futebol Clube, João Bolinha nada têm a ver com Jornalismo. Isso é entretenimento. E quase sempre a Globo faz entretenimento muito bem.

Mais um exemplo para deixar clara a diferença entre os dois mundos. Em meio a uma crise entre Vanderlei Luxemburgo e Ronaldinho Gaúcho, o Flamengo entrou em campo para uma partida decisiva na fase preliminar da Taça Libertadores. Antes do jogo, com os times em campo, o repórter se dirigiu ao treinador e disse. “Eu não vou fazer aquela pergunta”. A pergunta em questão era o problema entre técnico e estrela, que acabou com a demissão do primeiro. Uma briga que claramente influenciava no desempenho da equipe. O Rubro-Negro venceu aquele dia na bacia das almas e acabou eliminado do torneio pouco depois. Um estagiário em início de carreira deveria fazer a pergunta; um editor poderia pensar seriamente em demitir um repórter que bobeasse e não fizesse a pergunta. Perceberam o momento em que o Jornalismo acaba e entra em campo o entretenimento?

O Jornalismo de verdade não precisa ser chato, pode ter humor, pode ter diversão. Tem um monte de gente que faz ainda bom jornalismo esportivo, na TV, no rádio, nos jornais e na internet. Profissionais preparados fazem isso calmamente, sem perder o foco na informação, em qualquer meio. Só falta o público perceber.

nosdacomunicacao