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Vítima de injúria racial em agência bancária de João Pessoa diz que vai processar agressora: “quero ver ela provar que sou bandido”

O caso de injúria racial que chocou a todos na manhã desta quarta-feira (14) ganhou um novo episódio. A vítima, o trabalhador Daniel de Lima gravou um vídeo em que relata a agressão e fala das providências que tomou após a cena explícita de injúria racial, ocorrida dentro da agência do Banco do Brasil Tambaú, em João Pessoa.

No vídeo em que o ClickPB teve acesso, Daniel relata que estava no local para fazer um depósito e se deparou com a mulher questionando um dos funcionários do banco, após visualizar um cartaz de publicidade da empresa. “Ela abordou um funcionário do banco perguntando o porque de um negro fazendo a propaganda. Aí eu perguntei, não entendi senhora, e ela começou a me chamar de negro bandido, ladrão e outras coisas mais. Fico muito triste por ela”, relatou.

Daniel ainda explicou que já fez todos os procedimentos legais, “quero ver ela provar que sou bandido”, criticou.

A mulher poderá responder por injúria racial e difamação. O crime de injúria racial está previsto no artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal e ocorre quando o autor ofende a dignidade ou o decoro utilizando elementos de ‘raça’, cor, etnia, religião, condições de pessoas idosas e portadores de deficiência.

O episódio chamou atenção de clientes que acionaram a polícia. No local, a mulher permaneceu ofendendo Daniel e os demais clientes do local.

clickpb

 

Doutorando da USP é vítima de injúria por ser nordestino: “Seu paraíba pobre burro, ignorante comedor de areia!”

professorO leitor é testemunha de que nas poucas vezes em que esse espaço foi usado para externar questões de fundo pessoal, excepcionalmente se reportaram ao nascimento de meus filhos. Ponto. Entretanto, nesta quarta-feira, uma nova exceção justifica a incursão na medida em que o fato a ser tornado público tem ressonâncias que extrapolam o campo estritamente pessoal. Adquire, por isso mesmo, caráter coletivo, de interesse público. O fato: fui surpreendido no último sábado com as mais estúpidas e gratuitas agressões no bate-papo do Facebook, reproduzidas abaixo, com identificação do autor (certamente fake), com o qual não tenho qualquer vínculo ou conhecimento:
Gabriel Paulo

Início da conversa no bate-papo

Sábado 11:05

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Seu paraiba pobre burro fudido! Nunca será. Miseravel ignorante comedor de areia! Petista imbecil! Vai aprender a ler filho da p… antes de sair procriando q nem rato!

Volta pra tua terra miseravel!!!

Nordestino filho da p…! Aposto q vive de migalha do governo. Babão comedor de areia. Nunca será! Zé povinho!

Gentalha como vc tem que ser exterminada pra nao procriar mais!
​         Esse tipo abjeto de manifestação é reflexo do tom beligerante que invadiu as redes sociais (especialmente os microblogs) nos últimos meses. Foi algo estimulado por sociólogos, jornalistas e até um ex-presidente após as últimas eleições presidenciais, responsabilizando os nordestinos “burros” e “analfabetos”, segundo eles, pela derrota do candidato tucano.  Para essas pessoas, a campanha ainda não acabou. Atropelam, com isso, noções de civilidade e espírito democrático, itens que deveriam nortear a política.

 

Quanto ao “cidadão” em questão, espero contar com apoio do Ministério Público Federal no sentido de identificar a real identidade do autor das manifestações de preconceito e ódio, além do crime de injúria racial contra nordestinos configurado e que não deveria ficar impune.

 

polemicaparaiba

Torcedor é preso por injúria racial em jogo do Campeonato Paraibano

(Foto: Silas Batista / GloboEsporte.com)
(Foto: Silas Batista / GloboEsporte.com)

Mais um lamentável caso de injúria racial foi registrado durante uma partida de futebol. Lucena e Santa Cruz de Santa Rita empatavam por 2 a 2 no Estádio Amigão pelo Campeonato Paraibano quando um torcedor do time de Santa Rita foi preso em flagrante por xingar um membro da comissão técnica do Lucena, após chamá-lo de “macaco”. As informações foram confirmadas na manhã desta sexta-feira pelo delegado Luís Carlos, que atendeu à ocorrência na Central de Polícia de Campina Grande.

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– Após o jogo no Amigão, um cidadão (a identidade do acusado foi revelada pelo delegado, mas a reportagem preferiu omiti-la) foi detido em flagrante pela acusação de injúria racial contra o preparador de goleiros do Lucena, Robério Epaminondas. Robério foi chamado de macaco durante alguns momentos do jogo. Nós escutamos três testemunhas, duas delas confirmaram o fato e uma negou. O acusado foi preso, mas pagou uma fiança de R$ 400 e em seguida foi liberado. Agora, nós vamos ouvir outras testemunhas e dar segmento às investigações – explicou o delegado.

O caso nem de longe é isolado no país. Já este ano, a jogadora de vôlei Fabi, do Sesi-SP e da seleção brasileira, também sofreu com xingamentos racistas durante uma partida válida pela Superliga feminina de vôlei, em Minas Gerais. Na oportunidade, Fabi relatou que um homem na arquibancada proferiu expressões como “macaca quer banana”, “macaca joga banana”, entre outras, em sua direção.

Dentro de campo, Lucena e Santa Cruz-PB fizeram uma partida bastante movimentada, com quatro gols e ainda um pênalti perdido, que acabou com o empate em 2 a 2. Na tabela de classificação, o Tubarão do Norte aparece na oitava colocação, com quatro pontos conquistados em seis jogos já disputados. Enquanto isso, o Tricolor Canavieiro está no grupo dos quatro primeiros colocados da competição estadual, com nove pontos, ocupando a quarta colocação.

Lucena x Santa Cruz-PB, Amigão (Foto: Silas Batista / GloboEsporte.com)Equipes se enfrentaram no Estádio Amigão em partida válida pelo Paraibano (Foto: Silas Batista / GloboEsporte.com)
Globoesporte.com

Justiça mantém condenação a radialista por injúria e difamação de ex-prefeito

justiçaA Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba negou o recurso do apresentador Alberto Vilar de Sousa, que comanda o programa de rádio “Os Segredos de Sumé”, e manteve a condenação por crime de injúria e difamação, informou o PB Agora, na última quinta-feira (28/2).
O autor do processo, o então prefeito Francisco Duarte da Silva Neto, alega que o radialista denegriu sua imagem perante a sociedade local. Durante uma gravação, Vilar teria feito comentários como “…mas ele liga pra lei? …a lei é ele! Ele faz o que ele quer! …ele não tá nem ligando para lei… a lei é ele… ele desmoraliza a justiça toda semana…”.

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O radialista, no entanto, diz não ter tido a intenção de injuriar o ex-prefeito e que tudo não passou de uma injustificada animosidade política.
Segundo o relator o caso, João Benedito da Silva, os argumentos da apelação não procedem. “O acusado, ao se dirigir a vítima através da rádio, se excedeu nos termos proferidos conta ele, atingindo sua honra subjetiva, o que parece ter sido prática corriqueira ao longo de vários anos”, avaliou o magistrado.
Portal IMPRENSA

Justiça recebe denúncia por injúria racial contra professora universitária no Paraná

O juiz Mauro Bley Pereira Junior, da 3ª Vara Criminal de Curitiba, recebeu denúncia formulada pelo Ministério Público (MP) do Paraná contra uma professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) acusada de racismo.

Conforme a denúncia do MP, a professora Ligia Regina Klein, do Setor de Educação da UFPR, teria feito o seguinte comentário dentro de uma sala de aula, dirigindo-se a duas estudantes negras: “Vocês, só fazendo lanchinho. Duas macaquinhas comendo banana. Eu também gosto de banana. Em doces e bolos”.

O fato, ocorrido na noite do último dia 11 de abril, envolveu as alunas Eliane Regina Graciano e Kely Cristina Cunha, ambas do segundo ano do curso de pedagogia. Logo em seguida, ainda de acordo com a denúncia, a professora teria se aproximado novamente das alunas, que haviam esquecido de levar um texto que seria analisado em sala, e dito a uma delas: “Esqueceu de trazer o texto, mas a bananinha não esqueceu, né”.

“Analisando a denúncia e os documentos juntados, observam-se indícios da alegada injúria na utilização de elementos referentes à raça e cor, e da autoria delituosa da acusada, pelo que recebo a denúncia”, diz trecho de despacho assinado no último dia 30 de julho por Pereira Junior. O magistrado determinou a citação da professora para que, em prazo de dez dias, ofereça uma resposta à acusação por meio de um advogado.

Baseada em inquérito policial, a denúncia do MP havia sido protocolada no último dia 17 de julho. A promotora Marilú Shnaider Paraná de Sousa aponta no documento que, “em tese”, a professora cometeu crime previsto no Artigo 140 do Código Penal, cujo parágrafo terceiro trata de injúria racial. A pena prevista é reclusão de um a três anos, além de multa. Essa sanção pode ser aumentada em um terço no caso de crime cometido na presença de várias pessoas. A promotora sugere que, além das duas vítimas, seis testemunhas sejam ouvidas no processo.

“Houve pressões corporativas dentro da universidade para que as alunas não registrassem o caso na delegacia de polícia. Não é por acaso que o intervalo entre o fato e o boletim de ocorrência é 20 dias”, disse o advogado André Nunes da Silva, que defende as duas estudantes. “Tentaram colocar panos quentes, desqualificando a denúncia e dizendo que a repercussão do caso afetaria a universidade. Em um segundo momento, iremos ingressar com uma outra ação contra a UFPR por causa desse constrangimento.”

Em seu depoimento à polícia, a professora Ligia Regina Klein disse que suas declarações foram motivadas por uma “lembrança afetiva da infância”, quando ela era chamada de “macaquinha” por seu irmão, pelo fato de gostar de comer bananas.

Procurada pela Agência Brasil, Klein disse que ainda não foi citada a respeito da decisão do juiz e que ainda não leu a denúncia do MP. “A delegada da Polícia Civil havia dado um parecer pelo arquivamento do caso por falta de indícios [de crime]. Então houve uma posição diferente [do MP]”, disse a professora. “A minha afirmação foi retirada do contexto, não tive intenção [de ofender], foi uma manifestação carinhosa.”

Klein também argumenta que sempre atuou em defesa dos direitos das minorias, é favorável às cotas raciais e respeita o movimento negro. “Racismo é uma coisa abominável. Agora, há racismo e há interpretações muito rigorosas de palavras retiradas do contexto.”

A professora da UFPR negou ainda que tenha havido pressão contra as alunas e ressaltou que pediu desculpas a elas após o episódio “por uma eventual dor” que sua declaração tenha provocado. “Fiquei muito chateada. Aguardo a Justiça se pronunciar. Estou tranquila.”

A aluna Eliane Graciano disse à Agência Brasil que as manifestações de racismo são naturalizadas na fala das pessoas e que o objetivo da denúncia é fazer com que a sociedade reflita sobre esse fato. “Tudo que as pessoas falam traz consequências, tanto que elas às vezes acham que é só uma brincadeira, mas não é”, explicou Eliane. “O episódio foi divulgado nas redes sociais. Depois dele alguns professores pararam de conversar com a gente. Sorte que depois começou a greve [dos professores das universidades federais], porque talvez eu não tivesse condições de continuar estudando.”

A respeito de uma eventual pressão para que o caso não fosse levado à Justiça, a aluna disse que ela e sua colega não tiveram assessoria jurídica durante a tentativa de mediação feita por professores da universidade. “A comissão tinha muito mais professores do que alunos, não tinha ninguém do centro acadêmico. Eles queriam transformar tudo em um mero mal entendido.”

Agência Brasil