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Hanseníase tem cura e tratamento gratuito pelo SUS

A hanseníase é uma doença não hereditária causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, mas que é transmissível pelas vias aéreas respiratórias entre pessoas doentes sem tratamento e pessoas saudáveis. A doença é manifestada por lesões cutâneas e diminuição de sensibilidade térmica. É importante ressaltar que hanseníase tem cura e o tratamento pode ser feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Existem duas formas de hanseníase: a cutânea e a nervosa. A cutânea é menos grave, com manchas na pele e progressiva perda de sensibilidade. Na nervosa aparecem nódulos, os nervos se transformam em cordões nodosos e com a incidência de fortes dores, insensibilidade e deformidade.

Desde 2016, o Ministério da Saúde oficializou o mês de janeiro como o período para o combate à hanseníase e fixou a cor roxa para a campanha. Sendo assim, o mês de janeiro passou a ser intitulado Janeiro Roxo e é dedicado à conscientização da doença. Dia 29 é o dia mundial de combate à doença, enquanto a data nacional é 31 de janeiro.

História, preconceito e tabus

Mas em torno desta doença estão segregação, preconceito e rejeição. O preconceito acontece por conta de lendas históricas e de valores bíblicos que consideravam a doença deformadora da pele e que caía pedaços das pessoas. A hanseníase era conhecida como ‘lepra’.

Hanseníase
Na Bíblia, Jesus aparece curando os doentes (Foto: Ilustração/ Alexandre Teles)

As referências mais remotas datam de 600 a.C. e procedem da Ásia, que, juntamente com a África, são consideradas o berço da doença. A Bíblia contém passagens fazendo referência ao nome ‘lepra’. A doença foi durante muito tempo incurável, o que forçava o isolamento dos pacientes em ambiente denominados gafarias, leprosarias ou leprosários, principalmente na Europa durante a Idade Média, onde as vítimas eram obrigadas a carregar sinos para anunciar a presença. A doença, nessa altura, deu origem a medidas de segregação.

No Brasil, em meados do século XX (20), os doentes eram obrigados a se isolar em leprosários e tinham pertences queimados, uma atitude que visava mais o afastamento dos portadores do que a um tratamento efetivo. Nessa época existiam leis para que os portadores de lepra fossem ‘capturados’ e obrigados a viver em leprosários. Apenas em 1962 a internação compulsória dos doentes deixou de existir.

Mitos e verdades

Veja abaixo um resumo com esclarecimentos sobre a doença:

  • A hanseníase já foi totalmente erradicada. 

É MITO! A Hanseníase ainda possui grande ocorrência no mundo e, principalmente, no Brasil (veja os número abaixo).

  • Pessoa de qualquer sexo, idade e classe social pode “pegar” hanseníase. 

É VERDADE! Apesar de qualquer um estar sujeito a adquirir a bactéria, 90% da população tem resistência para adoecer desse problema.

  • A hanseníase pode causar deformidades e incapacidades físicas.

É VERDADE! Com diagnóstico e tratamentos tardios, há o risco de graves sequelas. Isso pode ser evitado com o tratamento rápido, que cura e é gratuito em unidades do SUS.

  • É possível “pegar” hanseníase de um animal.

É MITO! A hanseníase só é transmitida de uma pessoa que tenha a doença na forma infectante, e não tratada, para outra pessoa.

  • A aglomeração de pessoas facilita a transmissão da hanseníase.

É VERDADE! Ambientes muito fechados e com pouca circulação de ar são locais propícios para a transmissão da doença.

Dados sobre hanseníase

No período de 2008 a 2016, foram notificados 301.322 casos de hanseníase em todo o país, dos quais 21.666 (7,2%) eram menores de 15 anos de idade. Segundo a Secretaria de Saúde da Paraíba, a taxa de detecção na população geral da hanseníase no estado aumentou de 525 casos em 2018 para 608 casos em 2019, apresentando um acréscimo de 2,1%.

Na população maior que 15 anos na Paraíba, em 2018, houve registro de 20 casos, subindo em 2019 para 29 casos novos registrados. Esse indicador mede a força da transmissão recente da endemia e sua tendência, mostrando assim uma alta carga da doença na região onde os casos são encontrados e a importância de se avaliar todos os contatos de casos registrados para quebra da cadeia de transmissão.

Em relação à hanseníase, a meta do Ministério da Saúde é reduzir a carga da doença, com diminuição da taxa de casos novos de hanseníase com Grau de Incapacidade Física 2 (GIF) no diagnóstico para 4,36 casos por 1 milhão de habitantes, e reduzir em 57% o número de crianças diagnosticadas com hanseníase com GIF 2 até 2020.

A meta brasileira difere da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS), de “reduzir a taxa de casos novos para menos de 1 por milhão de habitantes e zero para crianças com diagnóstico de hanseníase com GIF 2”, pois leva em consideração o cenário epidemiológico e os determinantes socioeconômicos que influenciam no processo da eliminação da doença como problema de saúde pública no Brasil.

Tipos e Classificação

Manchas na pele são as características mais conhecidas da doença (Foto: Divulgação/ Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD))

Os pacientes com hanseníase são classificados, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, em dois grupos: paucibacilares e multibacilares. Aqueles são os que apresentam exames com poucos ou nenhum bacilo; já estes são os que apresentam em seus exames muitos bacilos.

De acordo com a classificação de Madri, a hanseníase pode ser classificada em: hanseníase indeterminada (paucibacilar), tuberculoide (paucibacilar), dimorfa (multibacilar) e virchowiana (multibacilar). Veja a definição de cada um desses tipos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia:

  • Indeterminada: Pacientes possuem até cinco manchas de contornos imprecisos, e, nesse caso, não há comprometimento neural. É a fase inicial da doença.
  • Tuberculoide: Paciente apresenta até cinco lesões bem definidas e um nervo comprometido.
  • Dimorfa: Paciente apresenta mais de cinco lesões, com bordos que podem estar bem ou pouco definidos, e o comprometimento de dois ou mais nervos.
  • Virchowiana: Paciente apresenta a forma mais disseminada da doença, sendo observada grande parte da pele danificada e, algumas vezes, comprometimento de órgãos, como nariz e rins.

Sintomas e diagnóstico

A hanseníase é fácil de diagnosticar, tratar e tem cura, no entanto, quando diagnosticada e tratada tardiamente pode trazer consequências para os portadores e seus familiares, pelas lesões que os incapacitam fisicamente.

Hanseníase
Sintomas não podem ser ignorados e devem ter acompanhamento médico (Foto: Divulgação/EBC)

Quando se detecta manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo, sem pelos e que não coçam, com alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa ou tátil) e/ou força muscular, deve-se procurar uma Unidade de Atendimento de Saúde, pois esses são os principais sintomas da hanseníase. Também podem surgir dores e sensação de choque, formigamento e dormência ao longo dos nervos, dos braços e das pernas.

A hanseníase, se não tratada inicialmente, pode evoluir para incapacitações físicas. Entre as sequelas deixadas pela doença, estão: incapacidade de elevar o pé (“pé caído”); incapacidade de extensão dos dedos e do punho (“mão caída”); incapacidade de fechar os olhos (lagoftalmo); necrose e ulceração da cartilagem do nariz (“nariz desabado”).

O diagnóstico da hanseníase é feito analisando a manifestação clínica da doença. Além disso, o exame denominado baciloscopia do raspado intradérmico é utilizado para confirmar a existência da doença. Esse exame visa identificar a presença de bacilos. Vale destacar que o resultado negativo do exame não descarta a doença caso o paciente apresente sintomas.

A manifestação clínica da hanseníase em cada pessoa é fundamental para determinar a classificação da doença como Paucibacilar (poucos bacilos) ou Multibacilar (muitos bacilos) e para selecionar o esquema de tratamento adequado para cada caso.

Hanseníase tem cura

O tratamento é realizado em Unidades de Saúde e a medicação é oferecida de forma gratuita. Ao iniciar o tratamento, a carga bacilar da doença diminui gradativamente e assim, o paciente deixa de transmitir para outras pessoas. Para o controle da doença e interrupção da cadeia de transmissão, é imprescindível que sejam realizados: diagnóstico precoce, tratamento regular e avaliação de contatos.

Hanseníase
O paciente deve procurar uma Unidade de Pronto Atendimento. (Foto: Divulgação)

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento da doença em unidades básicas de saúde e em referências, realizado com a Poliquimioterapia (PQT), uma associação de antimicrobianos. Essa associação diminui a resistência medicamentosa do bacilo, que ocorre com frequência quando se utiliza apenas um medicamento, o que acaba impossibilitando a cura da doença.

Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose mensal supervisionada pelo profissional de saúde. As demais são auto-administradas. Ainda no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida. Familiares, colegas de trabalho e amigos, além de apoiar o tratamento, também devem ser examinados.

Para crianças com hanseníase, as doses dos medicamentos são ajustadas de acordo com a idade e o peso. Já no caso de pessoas com intolerância a um dos medicamentos do esquema padrão, são indicados esquemas substitutivos.

A alta por cura é dada após a administração do número de doses preconizadas pelo esquema terapêutico, dentro do prazo recomendado. O tratamento da hanseníase é ambulatorial, ou seja, não necessita de internação.

 

 

por

 Erickson Nogueira e Ingrid Donato

 

 

Médico alerta para cuidados contra a Hanseníase na Gravidez

A hanseníase é uma doença crônica e transmissível, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que se multiplica lentamente, levando a sintomas que podem demorar até 20 anos para aparecer. Ela afeta principalmente os nervos periféricos e está associada a lesões cutâneas características. Sem tratamento, pode causar danos aos nervos, demonstrados por fraqueza nas mãos e pés e pela presença de deformidade visível. Embora a doença seja completamente curável, com uma terapia que é gratuita, a demora em iniciar o tratamento pode levar à incapacidade permanente.

O Brasil concentra mais de 90% dos casos de hanseníase da América Latina, sendo o segundo país no mundo com a maior incidência, ficando atrás apenas da índia. Janeiro é o mês escolhido para a conscientização sobre a doença.

O ginecologista e obstetra Dr. Alberto Guimarães explica sobre a Hanseníase durante a gravidez:

Que problemas a hanseníase durante a gestação pode trazer à mãe e ao bebê?

A hanseníase começa de uma forma aparentemente inocente, com uma alteração na pele, e o desfecho pode levar a grandes mutilações, por isso quando um infectado era identificado ele era isolado, porque as pessoas começam a perder partes do corpo devido ao processo de atrofiamento e deformação, o que acabava causando uma segregação, sem o convívio com a sociedade.

Como é o tratamento da doença quando a paciente está grávida?

Como é uma doença que avança de uma maneira lenta e gradual, muitas pessoas que nem sabem que tem hanseníase acabam engravidando. Caso o diagnóstico seja feito durante a gestação, a principal questão é o tratamento que envolve vários medicamentos e que podem ter alteração no bebê, mas isso depende da fase que foi feito esse diagnóstico e do momento e que se inicia o tratamento. O tratamento da hanseníase dentro e fora da gravidez é o mesmo, com polimendicação, ou seja, a utilização de vários medicamentos.

Como a gestante pode evitar a hanseníase?

A hanseníase é transmitida principalmente por meios respiratórios, então é importante para a mulher – e não só a gestante – evitar os grandes conglomerados, a convivência em espaços com pouca ventilação, ou lugares aonde as pessoas não tem muita higiene. Uma abordagem interessante seriam campanhas que pudessem lembrar as pessoas que a hanseníase continua existindo, mesmo que a gente viva em um momento onde o Zika Vírus exige muitos recursos para descobrir como lidar com esse vírus, no Brasil ainda existem mais de 30 mil casos de hanseníase novos por ano e que passam despercebidos. É necessário que as pessoas estejam atentas ao seu próprio corpo e principalmente lembrar que manchas na pele e diminuição de sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) são situações que precisam ser investigadas. Se for feito o diagnóstico, a pessoa tem que entender a importância de ser tratado, geralmente o tratamento é longo, dependendo da fase da doença, e não é algo que termina em uma semana ou um ano, é um acompanhamento. É interessante ficar claro essa importância do tratamento e ser indicado, caso a mulher saiba que contraiu essa doença, a esperar a cura para se engravidar.

O pré-natal de uma gestante com hanseníase deve ser diferenciado?

O pré-natal de uma mulher que tem hanseníase será sim diferenciado, já que dependendo da gravidade da doença podem existir sequelas na criança. Na hanseníase a questão começa pela pele, mas o bacilo causador da doença tem preferência por atacar os nervos periféricos e a partir disso começam as outras complicações, inclusive a doença pode comprometer a visão por conta da alteração do nervo ótico, atrofiar músculos, alteração da movimentação. Além da pessoa também perder a autoestima e acabar se isolando, devido à essas situações. Durante o pré-natal, são tomados cuidados gerais para diminuir estas complicações referentes ao ataque dos bacilos nos nervos periféricos da mãe.

O recomendado é que a mulher que tenha hanseníase espere estar curada para engravidar, porém, muitas mulheres engravidam nesse período, e o Brasil tem mais de 30 mil casos de hanseníase por ano, segundo a OMS. O que contribui para esse cenário, na sua opinião?

São vários os fatores que contribuem para que a hanseníase não seja erradicada no Brasil. A hanseníase é o que chamamos de “doença silenciosa”, então ela começa na pele, de forma pouco perceptível, e em embora seja uma patologia de fácil identificação médica, muitas vezes as mulheres que estão infectadas engravidam porque nem sabem que estão doentes.

Outro fator é que a doença tem um tratamento longo e muitas vezes as pessoas abandonam os remédios por não verem o resultado imediato. O que agrava ainda mais a situação é que no Brasil não há políticas públicas que incentivem o planejamento familiar, então se a mulher engravida por acidente as chances de o bebê ter como consequência doenças graves é ainda maior. A hanseníase é uma questão de saúde pública, ainda mais por se tratar de uma doença que se prolifera com mais incidência em classes sociais menos favorecidas, que vivem em espaços menores, com mais pessoas e com poucas condições de higienização.

Dr. Alberto Guimarães: ginecologista, obstetra e precursor do Parto sem Medo

Formado pela Faculdade de Medicina de Teresópolis (RJ) e mestre pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), o médico atualmente encabeça a difusão do “Parto Sem Medo”, novo modelo de assistência à parturiente que realça o parto natural como um evento de máxima feminilidade, onde a mulher e o bebê devem ser os protagonistas. Atuou no cargo de gerente médico para humanização do parto e nascimento do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, CEJAM, em maternidades municipais de São Paulo e na Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Site: https://www.partosemmedo.com.br/

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Diagnóstico precoce de Hanseníase evita consequências mais graves

O último levantamento da Organização Mundial de Saúde indicou que, apenas em 2017, foram registrados 210.671 novos casos de Hanseníase em 150 países. O Brasil ocupa a 2ª posição nesse ranking, com 26.875 registros, perdendo apenas para a Índia. Mas você sabe o que é a doença? A Hanseníase é uma infecção crônica, transmissível e que tem a capacidade de afetar um grande número de pessoas. No caso dos pacientes diagnosticados e que não fazem tratamento, as consequências podem ser mais graves. Para falar sobre assunto, conversamos com a coordenadora-geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde, Carmelita Ribeiro Filha.

“Como o bacilo tem essa preferência pelo nervo periférico, uma pessoa acometida pela Hanseníase, não são todas, mas algumas desenvolvem incapacidades físicas, ou seja, tem uma mão em garra, um pé em garra, uma mão caída… Então seria muito bom, ou menos pior, se a Hanseníase fosse só essa lesão em pele, tratou, acabou. Não é. A hanseníase tem essas complicações e essa incapacidade, que é o principal motivo do estigma e de discriminação”.

Créditos:Ministério da Saúde

O importante é ficar atento aos sinais do seu corpo. Ao surgimento de qualquer mancha que tenha a perda de capacidade sensitiva de dor, calor ou frio, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Quanto mais cedo o diagnóstico, menores as chances de sequelas. A Hanseníase tem cura e o tratamento está disponível gratuitamente no SUS. Por isso, não esqueça: identificou, tratou, curou. Para mais informações acesse saúde.gov.br/hanseníase.

Créditos:Ministério da Saúde

 

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Filhos de pacientes com hanseníase isolados de forma compulsória poderão ser indenizados

campanhasFilhos de pacientes de hanseníase que sofreram isolamento compulsório poderão receber indenização, caso seja aprovada medida provisória para estender a indenização concedida às pessoas internadas nos antigos leprosários.

De acordo com informações Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), a decisão do Brasil é pioneira e o Brasil será o primeiro país do mundo a indenizar as famílias separadas pelo preconceito associado à hanseníase.

Para debater o assunto, a entidade realiza nesta quinta-feira (16) um encontro estadual que acontece no auditório do Hospital Clementino Fraga, na Capital.

De acordo com Arthur Custódio, coordenador nacional do Morhan, a mobilização é fundamental para que o mecanismo legal que venha a garantir a indenização das pessoas que foram separadas de suas famílias realmente atenda as necessidades destes cidadãos. “Por isso, a Morhan vem promovenedo encontros em todo o Brasil e, também reuniões decisivas com o poder público”, informou.

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Arthur disse que o objetivo também é discutir com a Secretaria de Estado da Saúde qual o papel e a missão do Hospital Clementino Fraga “para além da assistência médica”. Ele disse, ainda, que é preciso identificar quais são, hoje, as demandas desta população que passou toda uma vida segregada da sociedade. “Uma questão emergencial neste sentido é a regularização fundiária da região”, aponta.

Preconceito

Uma lei federal da década de 20 e que vigorou até a década de 80 recomendava o isolamento compulsório de pacientes com hanseníase nos chamados na época de leprosários. Ela também determinava que os filhos desses pacientes fossem entregues para adoção.

Arthur Custódio contou que, nesse período, milhares de famílias foram separadas. Os hospitais colônias foram transformados em 1986 em hospitais gerais e os muros foram derrubados, “mas a luta para unir essas famílias continua”, disse.

O Governo Federal concede pensão especial de um salário mínimo e meio desde 2007 às pessoas que foram submetidas ao isolamento compulsório e a expectativa é de que esse benefício se estenda aos seus filhos.

A doença

O Brasil concentra o maior número de casos de hanseníase de todo o mundo, conforme a Morhan. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2014, foram identificados 24.612 casos novos de hanseníase em todo o país, o que corresponde a um coeficiente de prevalência de 12,14 novos casos da doença por cada 100 mil habitantes.

A hanseníase tem cura e o tratamento está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), gratuitamente. Como a transmissão da doença é interrompida 48 horas após o início do tratamento, o Brasil teria todas as condições para eliminar a hanseníase.

 

 

portalcorreio

Paraíba ultrapassa metas na 2ª Campanha Nacional de hanseníase, verminoses e tracoma

hanseniaseA Paraíba ultrapassou as metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde para 2ª Campanha Nacional de Hanseníase, Verminoses e Tracoma (inflamação dos olhos), com a adesão de 50 municípios, 1.031 escolas e 123.841 escolares, de cinco a 14 anos de idade. Foram investigados 84,6% em relação à hanseníase, enquanto a meta era atingir 70% dos escolares por meio do formulário de auto-imagem; quanto às verminoses, foi atingido um percentual de 85,1% e a meta era de 80% dos escolares com idade entre cinco e 14 anos de idade.

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A Campanha começou no dia 26 de maio de 2014, foi intensificada no período de 4 a 8 de agosto e teve a inserção dos dados no FormSUS finalizada no dia 24 de dezembro. O objetivo foi identificar casos suspeitos de hanseníase e referenciar para a rede básica de saúde; tratar casos positivos da doença e seus contatos domiciliares; reduzir carga parasitária de geohelmintos em escolares, mediante tratamento com Albendazol de 400 ml e identificar casos de tracoma mediante busca ativa e tratá-los.

Segundo a chefe do Núcleo de Doenças Endêmicas, da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Mauricélia Holmes, o resultado da 2ª Campanha foi um grande avanço, já que no primeiro ano, em 2013, apenas 16 municípios aderiram. “Este é o fruto de uma boa parceria entre o Estado e os municípios no diagnóstico precoce dessas doenças que têm tratamento oferecido gratuitamente pelo SUS”, disse.

Bananeiras e Riachão foram eleitos como os municípios prioritários para a tracoma, que entrou somente nesta segunda campanha. Os municípios de Pitimbu e Sapé também decidiram realizar a investigação sobre a doença. No total, foram investigados 2.766 escolares de 5 a 14 anos de 44 escolas. Dos quatro municípios, foram registrados três casos em Bananeiras: dois estudantes e um familiar. Todos foram tratados com o antibiótico Azitromicina.

A previsão é que a 3ª Campanha inicie no mês de maio de 2015. A expectativa é que mais municípios façam adesão.

Geohelmintíases (Verminoses) – Verminoses, no geral, interferem e afetam o desenvolvimento físico e intelectual das crianças. Com o Albendazol, aumenta o rendimento e, consequentemente, melhora a qualidade do aprendizado.

Hanseníase – A hanseníase é uma doença infecciosa e contagiosa causada por um bacilo denominado Mycobacterium leprae. A doença não é hereditária e sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa infectada.

Os sintomas incluem: sensação de formigamento; fisgadas ou dormência nas extremidades; manchas brancas ou avermelhadas, geralmente com perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato; áreas da pele aparentemente normais que têm alteração da sensibilidade e da secreção de suor; caroços e placas em qualquer local do corpo e diminuição da força muscular (dificuldade para segurar objetos).
A hanseníase tem cura e o tratamento é feito nas unidades de saúde gratuitamente. A cura é mais fácil e rápida quanto mais precoce for o diagnóstico.

Tracoma – Tracoma é uma doença oftálmica altamente contagiosa, de etiologia bacteriana, causadora de comprometimentos na córnea e na conjuntiva. Provoca fotofobia, dor e lacrimejamento, podendo levar à cegueira. É causada por infecção bacteriana crônica deflagrada pelo micro-organismo Chlamydia trachomatis, transmitida por moscas caseiras e falta de higiene.

Se não for tratada adequadamente com antibióticos orais, os sintomas poderão causar cegueira, resultado da ulceração e cicatrização da córnea. A doença pode ser efetivamente tratada com azitromicina, cirurgia, antibióticos e boas condições de higiene.

paraiba.com.br

Saúde notifica mais 500 novos casos de hanseníase na Paraíba; campanha é realizada durante esse mês

hanseniaseDe acordo com dados do Núcleo de Doenças Endêmicas da Secretaria de Estado da Saúde (SES), em 2012 foram notificados 710 novos casos de hanseníase no Estado, enquanto que em 2013 esse número caiu para 544 casos novos. Para alertar sobre a doença,  o Governo do Estado  realizou  no mês de janeiro uma programação especial em alusão à Campanha Estadual da Hanseníase. Na manhã da última sexta-feira (31) foi  realizado uma ação no Parque Sólon de Lucena (Lagoa), onde profissionais das equipes de saúde da família, da Secretaria de Saúde de João Pessoa e do Núcleo de Doenças Endêmicas da SES montaram uma  tenda  para  a distribuição de panfletos, orientando e tirando todas as dúvidas da população sobre Hanseníase

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Com o slogan “Hanseníase tem cura. Procure saber se você tem a doença. Procure tratamento”, a campanha realizou diversas atividades, durante todo o mês, em parceria com os profissionais do Complexo Hospitalar de Doenças Infectocontagiosas Clementino Fraga, como palestras, divulgação de sinais e sintomas da hanseníase e exames de pele.

Segundo a chefe do Núcleo de Doenças Endêmicas da SES, Mauricélia Holmes, a mobilização não vai se encerrar em janeiro. “Vamos realizar capacitações com profissionais de Esperança e, em seguida, uma campanha no município. Depois vamos realizar esse mesmo momento em Mamanguape, e isso vai acontecer até maio, porque a partir daí nós realizaremos, juntamente com o Ministério da Saúde, a segunda etapa da Campanha da Hanseníase e Geohelmintíases, onde vamos trabalhar com os escolares menores de 15 anos”, disse.

Sobre a doença – A hanseníase é uma doença infecciosa e atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é longo, variando entre dois e cinco anos. É importante que, ao perceber algum sinal, a pessoa com suspeita de hanseníase não se automedique e procure imediatamente um serviço de saúde.

É preciso observar manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo e áreas da pele que não coçam, mas que causam a sensação de formigamento e ficam dormentes, com diminuição ou ausência de dor, da sensibilidade ao calor, ao frio e ao toque.

Todos os casos de hanseníase têm tratamento e cura. A doença pode causar incapacidades físicas, evitadas com o diagnóstico precoce e o tratamento imediato, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento, gratuito e eficaz, pode durar de seis a doze meses. Os medicamentos devem ser tomados todos os dias, em casa, e uma vez por mês no serviço de saúde. Também fazem parte do tratamento exercícios para prevenir as incapacidades físicas, além de orientações da equipe de saúde.

Grupo de Auto-cuidado – O Hospital Clementino Fraga conta com encontros do grupo de auto-cuidado. Os encontros são realizados na primeira quarta-feira do mês. Nos grupos de auto-cuidado, os pacientes convivem com outras experiências e aprendem a perceber as características de suas lesões, o que possibilita uma tomada de decisão de tratamento mais acertada. Os encontros do grupo são abertos a todos.

Oficina de Calçados – Buscando ajudar os pacientes de hanseníase, o Hospital Clementino Fraga conta com uma oficina onde são produzidas sandálias adaptadas, férulas e outras adaptações, necessárias para ajudar o paciente da doença no dia a dia. O processo de confecção das peças é 100% artesanal. Aqui nós produzimos todas as adaptações necessárias para ajudar ao paciente de hanseníase, além de férulas (para ajudar pacientes que apresentam pé caído, faltando assim a força muscular), sandálias adaptadas e adaptações de diversos tipos. No ano de 2013 foram produzidos 220 pares de sandálias adaptadas, além de 138 demais tipos de adaptações.

Paulo Cosme

Secretaria de saúde de Cajazeiras realizou Campanha contra Hanseníase

hanseNo período de 18 a 22 de março de 2013 a Secretaria de Saúde de Cajazeiras  realizou a Campanha Nacional de Hanseníase e Geohelmintíases, sendo esta uma das principais estratégias definidas pelo Ministério da Saúde (MS), visando o enfrentamento a Hanseníase e Geohelmintíases em escolares de maneira significativa.

A campanha tem o objetivo de reduzir a carga parasitária de geohelmintos em escolares do ensino público fundamental e identificar casos suspeitos de Hanseníase através do “método espelho”. Após a identificação, os suspeitos serão referenciados a rede básica de saúde visando à confirmação diagnóstica e tratamento.

Como público a campanha deve atender a 13.000 escolares na faixa etária de 5 a 14 anos, pertencentes ao município de Cajazeiras que é considerado um dos prioritários na Paraíba para as ações da Hanseníase.

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O Ministério de Saúde, Secretária do Estado de Saúde e a Secretária Municipal de Saúde de Cajazeiras estão apoiando estas ações.

hanseniase

 

Secom/Cajazeiras para o Focando a Notícia

Bananeiras e Casserengue participam da campanha de Hanseníase em parceria com o Estado

hanseniaseO Governo do Estado, em parceria com 15 municípios paraibanos, iniciou nesta segunda-feira (18) a Campanha Nacional de Hanseníase Geohelmintíases que faz parte do Plano Integrado de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde.  Na Paraíba, a campanha vai se estender até o dia 22 de março e será coordenada pela Gerência Executiva de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SES), que fará o  monitoramento dos dados. A meta é investigar os sinais e sintomas da hanseníase em 70% dos escolares; tratar 90% dos escolares (população alvo) com idade entre 5 e 14 anos para geohelmíntiases e realizar, no mínimo,  80% do  tratamento dos casos positivos e de seus contatos de acordo com as normas padronizadas pelo Ministério da Saúde.

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Os municípios que vão participar da campanha são João Pessoa, Campina Grande, Cajazeiras,  Alhandra, Araruna,  Cacimbas, Cajazeirinha, Casserengue, Damião, Manaíra,  Itatuba, Santa Cecília, Vierópolis, Bananeiras e Riachão. Eles foram escolhidos por critérios populacional e de desenvolvimento humano dentre outros determinados pela Portaria N2.556 de 28 de Outubro de 2011 que estabeleceu repasse fundo a fundo para implantação, implementação e fortalecimento da Vigilância Epidemiológica destes agravos para o ano de 2012.

No caso da campanha para Geohelmintíases, o público alvo será os estudantes de 5 a 14 anos da Rede Pública de Ensino Fundamental que é considerada a faixa etária mais vulnerável à doença.  Talita Tavares explica que por meio da campanha será possível fazer a detecção rápida da doença o que possibilita o tratamento mais rápido e eficaz do agravo. Os casos suspeitos de hanseníase serão encaminhados à rede básica de saúde para confirmação e tratamento. “Uma vez identificado um caso em uma criança ou adolescente, se faz necessário desencadear ações de vigilância epidemiológica para identificação de novos casos na comunidade”,  explicou.

A Campanha também tem como objetivo reduzir a carga dos geohelmintos (parasitas intestinais conhecidos como lombrigas, que causam anemia, dor abdominal e diarreia), que podem prejudicar o desenvolvimento e o rendimento escolar da criança. As atividades da Campanha incluem ainda, mobilização e orientações para os professores e escolares, subsidiadas por material didático confeccionado para esse fim.

Para o tratamento da Geohelmintíases, o Governo Federal já disponibilizou para o Estado o medicamento Albendazol 400mg. Esse remédio será repassado à Assistência Farmacêutica das Gerências  Regionais de Saúde e será administrado por meio do Programa Saúde na Escola.  Talita Tavares explicou que a oferta e a supervisão do tratamento de geohelmintos nos escolares serão realizadas por profissionais de saúde da área de abrangência das unidades básicas. 

Sobre as Doenças

Hanseníase: É uma doença infecciosa, crônica, causada pelo Mycobacterium leprae que acomete principalmente a pele e os nervos periféricos. É preciso observar manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo e áreas da pele que não coçam; mas, que causam a sensação de formigamento e ficam dormentes, com diminuição ou ausência de dor, da sensibilidade ao calor, ao frio e ao toque.

Geohelmintíases: De acordo com a Gerência de Vigilância Ambiental as Geohelmintíases constituem um grupo de doenças parasitárias intestinais que acometem o homem e são causadas principalmente pelo Ascaris lumbricóides, Trichuris trichiuria e pelos ancilostomídeos. Os casos portadores dessas parasitoses são detectados de forma passiva pelas unidades de saúde no Brasil. Estima-se que a prevalência do país varie de 2 a 36%; com maior destaque em municípios com baixo IDH.

 

 

Focando a Notícia com Secom-PB

Brasil testará exame definitivo para hanseníase

Teste é feito com apenas uma gota de sangue e resultado sai em 10 minutos

 

hanseniaseUm teste rápido para diagnóstico de hanseníase, apontado como promissor na redução de casos da doença, deve começar a ser usado no Brasilainda neste ano. Desenvolvido em parceria pelo Instituto de Pesquisas Infecciosas (Idri), dos Estados Unidos, e a empresa brasileira OrangeLife, o exame é feito em menos de 10 minutos, com apenas uma gota de sangue do paciente.

“Os grandes avanços no tratamento de doenças geralmente são constatados em duas ocasiões: uma inovação tecnológica ou uma mudança de estratégia. Esse teste associa as duas situações”, avalia o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. Hoje, não há um exame definitivo para identificar a hanseníase, o que dificulta o diagnóstico precoce.

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O País é um dos líderes em número de casos. Em 2011, foram registrados 33.955 pacientes. Desse total, 2.420 tinham menos de 15 anos — um indicador de que a transmissão continua ativa.

Apesar do alto número de casos, diz Barbosa, a doença está concentrada em algumas regiões.

— “Boa parte dos médicos não tem familiaridade com a doença”.

Isso faz com que muitos, para evitar erro na prescrição, indiquem o tratamento só quando o quadro está bem definido. Além de agravar a situação do paciente, tal comportamento permite contaminação.

— A hanseníase é transmitida por contato prolongado com um doente. “O diagnóstico precoce é um dos caminhos essenciais para reduzir o número de casos”.

Inicialmente, o teste deverá ser feito em dois Estados, a serem definidos. No páreo estão Ceará, Pernambuco e Mato Grosso. Na próxima semana, uma reunião entre representantes do governo e da OrangeLife dever ser feita para acertar os detalhes.

Barbosa diz que, na primeira etapa, o teste será acompanhado por representantes de centros de referência. “

— Vamos avaliar como o teste se comporta no mundo real. Que tipo de treinamento profissionais terão de fazer para aplicar o teste, identificar eventuais dificuldades”.

Além de melhorar o diagnóstico precoce, o teste dará maior agilidade para a busca por pessoas que tiveram contato com infectados. “Quanto mais rápida a identificação, maiores as chances de reduzir de forma significativa o número de casos.”

Preço baixo

O presidente da OrangeLife, Marco Collovati, afirma que a unidade do teste não deverá custar mais de R$ 2,00 (US$ 1). Ainda não foi acertado quantas unidades poderiam ser usadas nessa primeira etapa. “

— Ele é muito fácil de ser usado. Além de informação ágil, ele pode dar maior independência para equipes de saúde”.

O produto foi desenvolvido em 2012 nos Estados Unidos. Em dezembro, recebeu o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além do kit de diagnóstico, a empresa desenvolveu um aplicativo para ser usado em smartphones. O dispositivo, de acordo com Collovati, pode melhorar a interpretação do teste e facilitar o registro das informações em bancos de dados.

Doença infecciosa, a hanseníase atinge pele e nervos dos braços, mãos, pernas, pés e cabeça. O tempo entre contaminação e primeiros sintomas varia de dois a cinco anos. Os sinais de alerta são manchas brancas, avermelhadas ou amarronzadas, com sensação de formigamento e redução da sensibilidade ao calor, frio e toque. O tratamento, gratuito, dura de seis meses a um ano. Todos os pacientes submetidos à terapia podem ser curados.


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Número de casos de hanseníase no Brasil é alarmante, diz coordenador de movimento dos afetados pela doença

hanseniaseO Brasil é o segundo país do mundo com maior número de casos de hanseníase, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2011, o país registrou cerca de 34 mil novos casos da doença, número inferior apenas aos 127 mil casos na Índia, que tem uma população cinco vezes maior.

Segundo o coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio, a situação do Brasil é alarmante, principalmente porque há muitos registros da doença em crianças e adolescentes com menos de 15 anos, totalizando 2.420 casos. De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2012 foram detectados quase 29 mil casos de hanseníase no país, dos quais 1.936 em menores de 15 anos.

“É raro hanseníase em criança. Hanseníase em criança significa adulto sem tratamento, significa demanda oculta [casos que não entram nas estatísticas]. Isso é mais criança doente do que todas as crianças doentes de hanseníase somadas da América, África e Europa. O Brasil está com um índice alarmante”, disse Custódio.

De acordo com o Ministério da Saúde, os casos de hanseníase diminuíram 26% entre 2001 e 2011. No entanto, a queda da doença no resto do mundo foi muito mais acentuada, já que, segundo a OMS, em um período de seis anos (entre 2004 e 2010) houve uma redução de 40% nos casos da doença em todo o mundo.

Segundo Custódio, para reduzir essas estatísticas é preciso que os três níveis de governo intensifiquem suas ações na prevenção e no tratamento da doença. Ele defende que sejam realizadas campanhas de conscientização da população e também a qualificação dos profissionais de saúde para atender aos pacientes.

O papel do Ministério da Saúde, para Custódio, consiste em basicamente repassar recursos para os municípios. “Muitas vezes, esses recursos não são nem fiscalizados. Estamos inclusive pedindo ao Ministério Público que fiscalize esses recursos, porque a gente sabe de municípios que não utilizaram esse financiamento ou utilizaram para a compra de outras coisas. A gente precisa de mais, que todas as esferas de governo estejam envolvidas em um processo de eliminação. É preciso colocar isso como uma prioridade na pauta do governo”, disse.

O coordenador da Morhan também critica o ministério por não participar das mobilizações no Dia Mundial e Nacional de Combate à Hanseníase, comemorado nesse domingo (27). “Nos últimos três anos, nos dias mundiais de combate à hanseníase, o Ministério da Saúde não fez nenhuma campanha, não fez nenhum material publicitário novo. O Dia Mundial da Hanseníase foi criado pela ONU [Organização das Nações Unidas] em 1954 porque um dos maiores problemas da hanseníase era a falta de informação e de campanhas educativas. Parece que a gente ainda não aprendeu isso.”

Vitor Abdala, da Agência Brasil