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Psicóloga esclarece sobre transtornos de ansiedade e o hábito de lavar as mãos

Quantas vezes você tem lavado as mãos todos os dias devido à Covid-19? Dezenas, certamente, e em uma quantidade bem maior do que era costume. Por causa disso, algumas pessoas começam a se questionar: será que essa frequência é normal, ou estou adquirindo um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)? A psicóloga Mônica Costa, da Ecos (Espaço, Cidadania e Oportunidades Sociais), explica o que é esse distúrbio e esclarece se há o risco de adquiri-lo ao higienizar as mãos mais vezes.

“O Transtorno Obsessivo Compulsivo é um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos e medos irracionais (obsessões) que levam a comportamentos compulsivos. O fato de a pandemia estar nos obrigando a lavar as mãos o tempo inteiro e de forma preventiva, faz com que algumas pessoas pensem que isso vai provocar um Transtorno Obsessivo Compulsivo. Na realidade, o portador do transtorno está nesse momento com um nível de ansiedade ainda maior, porque ele está o tempo inteiro repetindo o que ele já fazia antes. E isso só aumenta a ansiedade”, explica.

“Agora, se você não é portador do distúrbio, você não vai se tornar um obsessivo compulsivo por causa do hábito de lavar as mãos mais vezes, a menos que você já tenha na base emocional essa propensão”, complementa a especialista. Para quem não tem o diagnóstico de TOC e está receoso de adquirir um transtorno de ansiedade, Mônica Costa afirma que há como prevenir.

“A melhor forma de prevenir algum transtorno é você, conscientemente, refletir sobre o que aquele comportamento está querendo lhe dizer. Se você sente o desejo de lavar as mãos, entendendo que aquilo vai livrá-lo de uma ansiedade, você lava as mãos, lava as mãos, lava as mãos, e cada vez vai ficando mais ansioso. Aí já é o início de um transtorno”, diz. A especialista complementa que, quando a pessoa sabe de forma consciente que lavar as mãos é uma medida preventiva em relação à Covid-19, isso não provoca nenhum mal e, portanto, não vai gerar um distúrbio de ansiedade.

A psicóloga da Ecos também reforça que, nesse momento — com divulgação a toda hora de estatísticas sobre a pandemia, além da obrigatoriedade do isolamento social para que não ocorra uma maior disseminação do coronavírus —, é necessário que os indivíduos deem maior atenção às suas emoções. “É importante nós cuidarmos mesmo das nossas emoções, dos nossos sentimentos e dos nossos pensamentos, nesse momento, colocando pensamentos mais significativos, otimistas e positivos no cotidiano. Pense nisso”, finaliza a psicóloga Mônica Costa, que é gerente de Recursos Humanos da Ecos.

PREVENÇÃO – Além de lavar com frequência as mãos com água e sabão até a altura dos punhos (ou higienizá-las com álcool em gel), o Ministério da Saúde recomenda outras medidas para as pessoas se protegerem contra o coronavírus. Confira algumas:  ao tossir ou espirrar, cubra nariz e boca com lenço ou com o braço, e não com as mãos; evite tocar olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas; mantenha uma distância mínima de cerca de 2 metros de qualquer pessoa tossindo ou espirrando; higienize com frequência o celular e os brinquedos das crianças; não compartilhe objetos de uso pessoal; mantenha os ambientes limpos e bem ventilados; evite circulação desnecessária nas ruas; utilize máscaras caseiras ou artesanais feitas de tecido em situações de saída de sua residência; se puder, fique em casa.

Assessoria

 

 

“Nem a prisão foi capaz de fazer Cunha abandonar hábito de chantagens”, diz Moro

José Cruz/Agência Brasil
José Cruz/Agência Brasil

Na sentença desta quinta-feira (30), em que condena o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB)  a 15 anos e quatro meses de prisão por crimes apurados na Operação Lava Jato, o juiz Sérgio Moro alegou que nem mesmo a prisão do ex-deputado, ocorrida em outubro do ano passado, foi capaz de “fazê-lo abandonar o modus operandi , de extorsão, ameaça e chantagem”.

Esse ‘hábito’, lembra Sérgio Moro , já havia sido percebido em episódios anteriores, como quando o delator Júlio Camargo, primeiro a relatar a participação de Cunha no esquema criminoso na Petrobras, disse que chegou a esconder em juízo fatos relacionados ao peemedebista “por medo das consequências”.

Moro diz que Eduardo Cunha tentou “intimidar e constranger” o presidente Michel Temer ao questioná-lo sobre sua relação com o ex-assessor José Yunes e um suposto esquema de repasses ilegais a campanhas do PMDB em 2014.

“A pretexto de instruir a ação penal, Eduardo Cosentino da Cunha apresentou vários quesitos dirigidos ao Exmo. Sr. Presidente da República que nada diziam respeito ao caso concreto”, escreve o juiz. “Tais quesitos, absolutamente estranhos ao objeto da ação penal, tinham por motivo óbvio constranger o Exmo. Sr. Presidente da República e provavelmente buscavam com isso provocar alguma espécie intervenção indevida da parte dele em favor do preso, o que não ocorreu.”

“A conduta processual do condenado no episódio apenas revela que sequer a prisão preventiva foi suficiente para fazê-lo abandonar o modus operandi , de extorsão, ameaça e chantagem”, complementa Moro, que ratifica que “não há qualquer registro” de que Michel Temer tenha cedido à tentativa de intimidação.

Condenação

Em sua decisão, Moro entendeu que o principal algoz da ex-presidente Dilma Rousseff cometeu os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas.

A ação penal na qual Eduardo Cunha foi condenado se referia ao uso de contas na Suíça para receber propina de R$ 5 milhões referente à operação de compra pela Petrobras do Bloco 4, campo de petróleo no Benin, na África, em 2011.

A defesa já anunciou que irá recorrer da decisão do juiz Moro, da 13ª Vara Federal, ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Além da pena de 15 anos e quatro meses de prisão, o ex-deputado também foi condenado a pagar US$ 1,5 milhão à Petrobras. O Ministério Público Federal pedia multa de US$ 77,5 milhões, que se refere ao valor total do prejuízo da Petrobras na compra do campo de Benin.

Moro recorda Teori e exalta Lava Jato

Alvo de recorrentes críticas sobre sua atuação na operação, o juiz da 13ª vara criminal usou sua decisão para exaltar a Lava Jato e recordar o trabalho de Teori Zavaski, ex-relator da operação, que foi morto em um acidente aéreo em janeiro deste ano.

Segundo o juiz, a condenação de Cunha só foi possível “devido a coragem institucional da Procuradoria Geral da República e do Egrégio Supremo Tribunal Federal”.

Entre as decisões tomadas no STF, Moro destacou o afastamento do ex-deputado, considerando que a atitude da Corte “possibilitou o andamento normal do processo de cassação de seu mandato parlamentar”.

“Necessário reconhecer também o mérito posterior da própria Câmara dos Deputados que, sucessivamente, cassou o mandado parlamentar”, escreve o juiz.

O magistrado destacou ainda o trabalho individual do “eminente e saudoso” ministro do STF Teori Zavascki. “Por essa decisão e por outras, o legado de independência e de seriedade do Ministro Teori Zavascki não será esquecido”

“Não há melhor momento para recordar o legado de independência do Ministro Teori Zavaski do que agora, quando discute-se a aprovação de nova lei de abuso de autoridade que, sem as salvaguardas necessárias, terá o efeito prático de criminalizar a interpretação da lei e com isso colocará em risco a independência judicial, subordinando-a ao interesse dos poderosos. Espera-se e confia-se que o Congresso saberá proceder com sabedoria para a adoção de salvaguardas explícitas e inequívocas”, completa Sérgio Moro.

 

iG

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Brasileiros estão abandonando hábito de usar mais de um chip no celular

celularPara pagar mais barato nas ligações de celular, muitos brasileiros costumam ter mais de um chip no mesmo aparelho, ou usar vários aparelhos. Assim, é possível ligar para o número de uma mesma operadora pagando menos e, às vezes até de graça. Mas esse hábito está mudando no país, porque o preço das ligações entre operadoras diferentes vem sendo reduzido nos últimos anos.

“Isso reduziu o fenômeno do ‘consumidor com todos os chips‘. O motivo principal para ter os chips de todas as operadoras era economizar. Com preços menores de ligações para operadoras distintas, o consumidor percebeu que poderia ter somente um chip. Com isso, temos a redução do número de linhas, pois muitos planos pré-pagos estão sendo desativados”, explicou o pesquisador em telecomunicações do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Rafael Zanatta, à Agência Brasil.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com preços menores para chamadas entre operadoras diferentes, o mercado de múltiplos chips perdeu espaço, gerando cancelamentos dos consumidores que possuíam linhas móveis de diferentes prestadores. Entre outubro de 2015 e outubro deste ano, foram desligadas 26,3 milhões de linhas de celulares no país, uma queda de 9,62%. Só entre setembro e outubro de 2016, a queda foi de 3,5 milhões de linhas. Atualmente, o país tem 247,4 milhões de linhas de celulares ativas.

A queda maior foi na modalidade pré-paga. Em outubro do ano passado, 73,5% do total de clientes de celulares tinham linhas pré-pagas e, em outubro deste ano o percentual passou para 68,75%. A Anatel também aponta a desaceleração da economia como um dos motivos do encolhimento da base de acessos móveis.

Mudança de hábito

Outro fator apontado para a queda no número de celulares no país é a mudança na forma de comunicação dos brasileiros, que estão deixando de usar o telefone para falar e usando mais aplicativos de troca de mensagens. “As pessoas estão escrevendo mais do que falando. Preferem aplicações como WhatsApp e Telegram, pois são práticas e permitem uma comunicação mais fluida”, diz Zanatta.

Segundo ele, os consumidores perceberam que precisam de apenas um telefone celular com um bom pacote de dados de conexão. “Todo usuário de WhatsApp precisa da internet como suporte. As pessoas querem conexão a todo momento”, diz.

Impostos

As operadoras de telefonia apontam ainda outro motivo para a queda no número de linhas de celulares ativas no último ano: o aumento de impostos sobre o setor de telecomunicações em alguns estados. Segundo o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), Eduardo Levy, 12 estados aumentaram o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a telefonia em 2016.

“Na medida em que você aumenta o imposto sobre a voz, você vai empurrando a população para os serviços de texto que não pagam imposto nenhum. É um contrassenso o que os estados estão fazendo”, reclama Levy.

Agência Brasil

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Hábito de usar fone de ouvido pode levar adolescente à perda auditiva

fone-de-ouvidoQualquer som que esteja em volume alto pode ocasionar o que os especialistas chamam de perda auditiva induzida por ruído, que é a diminuição da audição por contato com barulhos intensos e frequentes. Antes, o problema era mais diagnosticado em profissionais que trabalhavam em áreas que contavam com equipamentos emissores de ruídos. Porém, na atualidade, especialistas identificam um novo público vulnerável à perda auditiva: os adolescentes e jovens.

Nessa história, há mais de um vilão: as baladas com música alta, os shows e –o mais preocupante de todos– o fone de ouvido, que costuma ser utilizado para ouvir música no transporte para a escola, na academia ou mesmo para caminhar por uma rua movimentada.

“Esses locais normalmente possuem um nível de ruído alto, que compete com a música. Por isso, a tendência é aumentar ainda mais o volume”, afirma o médico otorrinolaringologista Fausto Nakandakari, do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

“Para ter uma ideia, o ruído de um ônibus gira em torno de 85 decibéis. Então, para ouvir música de forma confortável dentro dele, é preciso colocar o som 20 decibéis acima, chegando perto dos 105 decibéis. Os nossos ouvidos suportam com segurança 30 minutos diários de exposição a esse volume. O problema é que esse tempo costuma ser bem maior no dia a dia do jovem”, diz Nakandakari.

Quando esse limite é ultrapassado com frequência, começa a ocorrer uma degeneração das células localizadas na cóclea, parte auditiva do ouvido interno.

“Quando o ruído cessa, as células voltam ao estado normal, mas esse processo de degenerar e recuperar não resiste muito tempo. Em um período de cinco a dez anos, em média, essas células morrem e acontece a perda auditiva permanente”, explica a fonoaudióloga Daniela Dalapicula Barcelos, especialista em audiologia pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia.

Segundo Daniela, anos atrás, o problema era atenuado por conta da própria tecnologia dos dispositivos de música, que funcionavam por pouco tempo entre uma troca de pilha e outra. O mesmo não acontece com os gadgets modernos, que podem ficar ligados durante o dia inteiro antes de serem carregados. O design do fone também influencia: os que são colocados dentro do ouvido são os mais prejudiciais.

Para perceber se o adolescente está com algum nível de perda auditiva, alguns sinais devem ser observados: necessidade de aumentar o volume da televisão para ouvir, dificuldade de entender o que as pessoas falam em ambientes amplos, ansiedade e irritação causados por não ser compreendido e até alterações no sono e nos batimentos cardíacos.

A perda auditiva só pode ser confirmada por meio de exames médicos e, uma vez constatada, não pode ser revertida. “O tratamento é a colocação de aparelhos auditivos”, fala otorrinolaringologista Nakandakari.

Cuidados necessários

A melhor saída, então, é prevenir. Os especialistas garantem que é possível levar uma vida social ativa sem prejudicar a audição. “Não precisa deixar de ir a festas, basta fazer uma compensação. Se o adolescente é assíduo em casas de show, deve evitar o fone de ouvido. Se ficou exposto a sons elevados por muito tempo em um dia, pode fazer repouso auditivo nos dias seguintes”, afirma Daniela.

Sempre que possível, deve-se preferir o som ambiente –no computador, no celular ou ao jogar games. Ao usar fones, o volume médio do dispositivo não pode ser ultrapassado.

“Uma dica prática para saber se o som está trazendo riscos à audição é verificar se outra pessoa consegue ouvir o ruído do fone. Mesmo estando ao lado de quem escuta uma música, o ideal é não ouvir nada”, declara a fonoaudióloga Isabela Papera de Carvalho, responsável pelo setor de audiologia de uma empresa de aparelhos auditivos com sede na cidade do Rio de Janeiro.

Um som com intensidade acima de 80 decibéis já é considerado alto. “É a intensidade do som de um secador de cabelos e de um liquidificador”, diz Isabela.

Exames preventivos, como a audiometria, também são importantes para diagnosticar precocemente problemas auditivos e devem ser feitos a cada dois anos.

“Se a pessoa trabalha em um local que tem muito ruído, como uma casa noturna ou uma academia, ou se faz uso diário de fones de ouvido, deve reduzir esse intervalo para um ano ou até seis meses, conforme recomendação médica”, afirma a fonoaudióloga Daniela.

Uol

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Atividades escolares estimulam o gosto e hábito pela leitura

leitura“Não há fórmula mágica para fazer o aluno aprender mais rapidamente; cada aluno ou turma tem a própria trajetória. Ou seja, seu próprio tempo.” A opinião é da professora Andrea Job de Souza, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr. Guilherme Hildebrand, no município gaúcho de Santa Cruz do Sul. Para ela, que está no magistério há sete anos, a maior dificuldade de aprendizagem apresentada pelos estudantes está na apropriação da escrita e da leitura.

“Em 2014, as principais dificuldades também têm recaído na aquisição de uma leitura fluente e na escrita correta das palavras”, diz Andrea. Segundo a educadora, o primeiro passo é estimular a capacidade de aprender de cada um, além de valorizar e incentivar cada avanço dos alunos.

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À frente de uma turma de terceiro ano e de outra de reforço escolar, Andrea ressalta que o desenvolvimento de projetos que envolvem o hábito da leitura em sala de aula tem trazido avanços satisfatórios à prática pedagógica.

“Diariamente, proporciono um espaço para que isso aconteça de maneira prazerosa e se desenvolva o gosto pela leitura”, destaca a professora, que tem formação em pedagogia e pós-graduação em educação infantil.

Seu esforço é para que os estudantes percebam que cada letra e cada sílaba representam um som e que cada palavra faz parte de um contexto e pode contar uma história.

O planejamento deste ano inclui trabalhar passo a passo, a partir do que ela conhece dos alunos, para ampliar os conhecimentos e flexionar atividades e conteúdos de acordo com as dificuldades por eles apresentadas.

Andrea teve um aluno diagnosticado com dislexia, em 2013. Então, durante todo o ano, ela trabalhou com o som que cada letra e cada sílaba faziam quando se juntavam, associando sempre som e imagem.

“A maior barreira superada por aquele aluno tinha relação com a autoconfiança em sua capacidade de ler”, analisa. Assim, à medida que adquiria mais confiança em si mesmo e na professora, o estudante controlava o nervosismo e a ansiedade que demonstrava inicialmente.

A partir dos bons resultados obtidos com esse aluno, a professora resolveu dar ênfase, com a turma deste ano, à realização de trabalhos diferentes e ao atendimento diário, na mesa de cada estudante, a fim de acompanhar o processo de desenvolvimento das atividades.

Avaliação

Supervisora escolar na mesma instituição de ensino, Mara Núbia Sandim revela que os principais problemas de aprendizagem detectados entre os alunos, embora haja alguns casos de dislexia, são o déficit de atenção e a hiperatividade.

De acordo com Mara, os professores são orientados a planejar atividades diferentes e a realizar avaliação flexível, com exercícios variados, testes escritos e orais e trabalhos específicos para cada problema de aprendizagem.

“A escola procura sempre atender o aluno em suas necessidades de aprendizagem e, quando há professores com carga horária disponível, é organizado reforço pedagógico no turno contrário ao das aulas”, salienta.

Caso detecte algum problema de aprendizagem, o professor é orientado a encaminhá-lo à supervisão pedagógica, que o analisa com a área de orientação educacional.

Os aspectos nos quais o aluno apresenta dificuldades são discutidos para a elaboração de estratégias de atendimento, com a realização de atividades diversificadas em sala de aula. “A família é chamada, pois muitas vezes desconhece o problema”, diz Mara.

Quando se percebe que o estudante precisa de atendimento especializado, o caso é encaminhado à Secretaria de Educação e Cultura do município para que seja programado atendimento com equipe multiprofissional, composta por psicólogo, psicopedagogo e educador especial. “Em alguns casos, a família é orientada a encaminhar o estudante ao neuropediatra.”

Mara ressalta, entretanto, que em muitos casos esses profissionais não mantêm contato com a escola. Portanto, a instituição fica sem diagnóstico ou retorno da avaliação. Dessa forma, sem tomar conhecimento do problema, o professor acaba impossibilitado de planejar uma intervenção pedagógica adequada a cada caso.

Há 25 anos no magistério e há oito na função de supervisora escolar na rede municipal de ensino, Mara tem pós- graduação em supervisão escolar e psicopedagogia.

Fonte:
Portal do Professor

Hábito de adiar pode esconder problemas

A procrastinação assume perfis diversos. O procrastinador por criação de problema adia as tarefas para mais tarde porque acha que terá mais tempo. O procrastinador comportamental até faz listas e planos, mas não segue nada do que foi planejado. E o procrastinador retardatário faz várias coisas antes de cumprir uma tarefa determinada anteriormente.

Segundo o psiquiatra norte-americano Bill Knaus em artigo publicado no “Psychology Today”, estes são os três perfis de quem tem mania de deixar tudo para depois. Mas, para a professora-titular da USP e terapeuta analítica comportamental Rachel Kerbay, a definição vai além.

 

 

Daniel Oliveira/ Fotoarena

A publicitária Carina já tem fama de procrastinadora até no escritório e não quis mostrar o rosto: “é fácil começar e terminar o dia fazendo alguma coisa que não tem nada a ver com o trabalho”

 

 

Rachel trabalha há mais de 15 anos com o assunto e define o “autocontrole” – ou melhor, a falta dele – como a palavra-chave para entender este distúrbio. “O procrastinador quer sempre usufruir do resultado imediato. Não sabe planejar e criar condições para que as coisas aconteçam. Como ele segue só aquilo que é de seu interesse, perde o que poderia ganhar a longo prazo”, explica a professora.

Cada um com os seus motivos

É exatamente o que Carina Martins faz repetidas vezes. Redatora publicitária, ela precisa trabalhar em dupla com o responsável pela arte. Mas a fama de “deixar tudo para a última hora” já é bem conhecida entre os colegas e, no último emprego, chegou aos ouvidos do chefe. “Como eu também sou DJ, é muito fácil começar o dia procurando música e, quando me dou conta, passei o expediente inteiro fazendo outra coisa que não era o trabalho”, diz.

Carina também é do tipo que demora muitos dias para cumprir uma tarefa muito fácil, exatamente pelo grau de exigência ser menor. Só que quando o assunto é difícil, ela também trava. Daí o motivo é ter medo de encarar um desafio.

“Geralmente, o procrastinador tem medo do resultado e de uma avaliação pública. Daí o bloqueio e a decisão de não fazer nada. Para isso, ele encontra várias desculpas –muitas vezes externas, como tempo ruim, pouco dinheiro, falta de sorte – ou apela para a emoção para adiar os compromissos”, analisa Rachel.

O problema é que, na maioria dos casos, ele joga o trabalho para frente com a desculpa de que precisa de mais tempo para fazer determinado projeto, e nem por isso faz melhor. “Eu sempre falo, ‘semana que vem eu faço com mais calma’. Apesar da sensação ruim de angústia, acabo me enrolando de novo e dedico menos tempo do que o trabalho de verdade precisa. A saída, então, é o improviso”, confessa Carina.

Getty Images

Telemarketing: um guia para o bom atendimento

Missão dada não é missão cumprida

Nesse nó de desculpas e enrolação, a preguiça – ao contrário do que muita gente acredita – não é a resposta do problema. É só ver a disposição da Carina para pesquisar música e fazer outras atividades que lhe dão prazer. Foi também o que concluiu Christian Barbosa, especialista em produtividade e autor do livro “Equilíbrio e Resultado – Por que as pessoas não fazem o que deveriam fazer”. Christian elaborou uma pesquisa e perguntou a mais de 4 mil pessoas a seguinte questão: “você procrastina atividades ao longo da sua rotina?”. 97,4% dos entrevistados responderam “sim”.

De acordo com o levantamento, exercício físico, leitura, saúde e planejamento financeiro são as quatro coisas mais adiadas. Por outro lado, casamento, comprar apartamento, mudar de emprego e férias são aquelas que as pessoas realizam com mais facilidade. “Não há nada de errado em procrastinar de vez em quando, o problema é quando isso começa a ficar crônico e passamos a adiar frequentemente coisas que não poderiam ser adiadas”, define.

“De maneira geral, as coisas pessoais acabam sendo as que mais adiamos. Talvez porque na vida pessoal ninguém fique cobrando que você leia determinado livro ou organize seu armário. Mas, no trabalho, você tem chefe e clientes que esperam o resultado de sua produção”, ressalta Christian.

A falta dessa figura pode ser uma das razões que faz o estudante Marcio Vincler viver sempre no atraso. Há alguns anos, ele passou a trabalhar com a mãe. Como precisa de dedicação semi-integral na faculdade de veterinária, e ainda dá expediente em uma clínica, o tempo disponível para escritório é bem reduzido e as regalias são muitas.

Apesar de admitir que não se incomoda com as brincadeiras dos colegas, ele sabe o quanto esse comportamento cria rótulos. “Eu não consigo chegar no horário em nenhum lugar e as pessoas já contam com a minha demora”, diz.

 

 

Daniel Oliveira/ Fotoarena

Carina brinca com desenho: procrastinadores temem ser tachados de “preguiçosos”

 

 

Rir de si mesmo nem sempre é a melhor saída

A descontração dos procrastinadores vai embora quando é proposta uma sessão de fotos para ilustrar esta reportagem. Aí, a desculpa da imagem a zelar fala mais alto. Situação parecida viveu Christian Barbosa: se na primeira fase de sua pesquisa, que era anônima, não teve dificuldades, tudo mudou quando ele deu início à segunda etapa, que era procurar personagens e entender o dia-a-dia desse grupo. “Eles simplesmente sumiram. Ou pediam para trocar os nomes, a idade, a profissão. A principal preocupação era não ser mal visto pelos colegas de trabalho”, explica.

Mesmo assim, o procrastinador é mais tolerado no Brasil do que em outros lugares. “O que dita a cultura são os costumes, os valores de um grupo. E a nossa não é a do fazer, mas o de empurrar. Temos um histórico de relações cordiais, em que os problemas se resolvem na base da amizade”, pontua Rachel Kerbauy.

O presente é o momento ideal

A pergunta diante deste jogo de empurra-empurra é: há uma luz no fim do túnel? Sim. “É preciso mudar as ações, as habilidades e a fala. Ou seja, o jeito de fazer das coisas”, afirma Rachel. É o que também acredita Christian Barbosa. “Infelizmente, na vida nem sempre teremos apenas coisas interessantes para fazer. É preciso aceitar isso”, diz.

Segundo ele, em muitos casos, adotar uma estratégia de produtividade dá bons resultados. Outra dica valiosa é defendida por Rachel. “Planeje os compromissos, crie alternativas factíveis e avance aos poucos. A recompensa neste caso não é material. É o sentimento de dever concluído que dá impulso à mudança e se torna mais satisfatório do que o mal-estar de um comportamento procrastinador”.

 

Fernanda Tripolli – especial para o iG

Torne o hábito de beber água mais divertido

Aumente sua hidratação sem reclamar da falta de gosto ou de cor da bebida saudável

Beber dois litros de água por dia pode ser uma tarefa difícil, até mesmo quando o clima esquenta, no caso de quem não cultiva o hábito. Sucos e refrigerantes acabam ganhando destaque como opções mais atrativa, o que prejudica o metabolismo. “A água elimina as toxinas do organismo, protege o corpo contra doenças e até aumenta a resistência física”, diz a nutricionista Myrla Merlo, da clínica Da Matta Fisio, em Belo Horizonte. Pensando em aumentar sua vontade de beber água, seguem algumas dicas para tornar esse hábito mais divertido e saboroso:

Adicione frutas à água

Que tal acrescentar textura ao seu copo d’água? A nutricionista Roseli Rossi, da Clínica Equilíbrio Nutricional, em São Paulo, afirma que você pode acrescentar frutas fatiadas, amassadas ou mesmo cascas à bebida, que ganha o sabor da fruta de maneira bem leve eaté parte das vitaminas. “Pode ser adicionado abacaxi picado, cascas de laranja ou limão, maçã picada, uvas, carambola ou mesmo ervas como capim cidreira, hortelã, canela em pau e cravo”, afirma.

água com suco concentrado - Foto: Getty Images

Dê um sabor com suco concentrado

Para quem reclama que a água não tem gosto, a dica é acrescentar suco concentrado de frutas. “Opte sempre pelas opções sem açúcar e não exagere nas quantidades, pois é só para dar um leve sabor e facilitar a digestão”, afirma a nutricionista Roseli. A proporção ideal é um litro de água para 200ml do suco.

água com gás e morangos - Foto: Getty Images

Faça cubos de gelo divertidos

Se você gosta de água bem gelada, experimente fazer cubos de gelo com pedaços de frutas dentro. O efeito fica muito bonito e você ainda pode impressionar os convidados com uma bebida simples, mas cheia de estilo. Experimente usar framboesa, amora, morango, uva, kiwi ou outra fruta de sua preferência. E não se preocupe: quando o gelo derreter, é só comer a fruta.

água com gás e morangos - Foto: Getty Images

Transforme em uma bebida gaseificada

Se você é fã dos refrigerantes, experimente acrescentar um pouco de água com gás à água tradicional e completar com suco concentrado de fruta, só para deixar com um sabor diferente. “Para um litro de água mineral acrescente dois copos de água com gás e dois copos de suco de fruta”, diz a nutricionista Roseli.

garrafas de água coloridas - Foto: Getty Images

Invista em águas de cheiro

Essas bebidas são isentas de calorias e uma ótima opção para aumentar a ingestão de líquidos durante o dia. “É importante lembrar que a água natural não é insubstituível, mas para quem não tem o hábito de tomar a bebida pura essa é uma boa opção, pois tem menos sódio e substâncias químicas”, diz a nutricionista Myrla Merlo. A água de rosas e a água de flor de laranjeira são alternativas bem conhecidas.

chá gelado - Foto: Getty Images

Prepare um chá refrescante

Nada como tomar um chá bem gelado para aliviar o calor. “Os chás são excelentes, porque além de hidratarem tem funções que beneficiam a saúde”, afirma a nutricionista Roseli. As ervas em infusões podem ser usadas dependendo da necessidade individual, como hortelã e alecrim para digestão, ou chá verde e de hibisco para efeito termogênico.

jarra de água com limões - Foto: Getty Images

Melhore o visual

Em alguns casos, apenas colocar a água em uma jarra bonita ou decorar o copo com guarda-chuvinhas e outros adereços já dão mais ânimo para incluir a bebida no dia a dia. “Tudo é valido pra adquirir o hábito de aumentar o consumo de água, imprescindível para uma vida saudável”, afirma Roseli Rossi. Faça preparações especiais para servir a água nas refeições, ela vai ficar mais atraente à mesa.

Minha Vida

Fumantes recebem apoio para combater o hábito

Tabagismo é responsável por cerca de 200 mil mortes por ano no Brasil e é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como doença epidêmica


A dependência da nicotina faz com que os fumantes se exponham continuamente a mais de quatro mil substâncias tóxicas, fator de risco para aproximadamente 50 doenças, principalmente as respiratórias e cardiovasculares, além de vários tipos de câncer.

Pensando nisso, o Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) tem oferecido ampla assistência a quem quer parar de fumar, desde o acompanhamento do paciente por profissionais de saúde até a oferta de medicamentos, como por exemplo, adesivos, pastilhas, gomas de mascar e o antidepressivo bupropiona.

Divulgação/Ministério da Saúde Maço de cigarro carrega mensagem alertando sobre os riscos para quem fuma

  • Maço de cigarro carrega mensagem alertando sobre os riscos para quem fuma

“Para ter acesso ao tratamento, basta estar decidido a parar de fumar e procurar uma unidade de atendimento credenciada”, orienta o diretor de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, José Miguel do Nascimento.

A ações previstas no Sistema Único de Saúde para estimular os fumantes a vencer a dependência estão inseridas no Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNTC). Só nos últimos dois anos (2010 e 2011), 242,4 mil pacientes foram atendidos em unidades credenciadas ao PNTC. Desse total, estima-se que quase metade deixou de ser fumante.

“Ao procurar apoio para deixar de fumar, o paciente realiza exames e passa por uma avaliação clínica, onde o profissional identifica qual a relação do fumante com o cigarro e traça um plano terapêutico para ele”, explica José Miguel. O tratamento é realizado por meio de consultas individuais ou sessões em grupo para a prevenção a uma possível recaída.

Caso haja indicação, são prescritos medicamentos com o objetivo de reduzir os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina. “O objetivo é fazer com que a pessoa reflita sobre os benefícios de uma vida sem cigarro e se mantenha firme na decisão”, diz o diretor.



Investimentos

De acordo com o Inca, em 2011, o País gastou R$ 21 bilhões no tratamento de pacientes com doenças relacionadas ao consumo de cigarros. O valor foi 3,5 vezes maior que o imposto arrecadado pela Receita Federal com produtos derivados do tabaco, e corresponde a 30% de todo o orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ainda segundo o instituto, nos últimos dez anos, o tabaco matou 50 milhões de pessoas em todo o mundo. O consumo do cigarro é responsável por mais de 15% das mortes de homens adultos, e 7% das mortes de mulheres. No Brasil, um em cada cinco homens e uma em cada dez mulheres morrem por causa do tabagismo.

Dependências

A dependência provocada pela nicotina produz grande desconforto físico e psicológico ao fumante que tenta abandonar o uso, comprometendo a abstinência.

Física: Cada tragada tem 4.730 substâncias e, com o tempo, o corpo do fumante passa a precisar do cigarro para funcionar. Quando se tira essas substâncias, particularmente a nicotina, o corpo vive uma espécie de curto-circuito e entra em síndrome de abstinência. Os principais sintomas são ansiedade, inquietação, sonolência ou insônia, e prisão de ventre.

Psicológica: O cigarro torna-se uma “bengala” para o viciado, que passa a fumar mais quando está estressado, triste e se sentindo sozinho.

Comportamental: O fumante tem uma rotina com o cigarro. Há momentos em que o fumar é um hábito automático. Depois da refeição, com o cafezinho, após ir ao banheiro, etc.

Tratamentos

Pesquisas indicam que 80% dos fumantes desejam parar de fumar, mas apenas 3% conseguem sozinhos, demandando tratamento específico.

O contato telefônico para seguir orientação de especialistas é realizado pela Ouvidoria do SUS/Disque Saúde – 136

Fonte:
Ministério da Saúde
Portal do Planalto
Portal Brasil

Hábito de usar o computador faz bem à saúde mental de idosos

Segundo estudo feito com idosos, chances de ser diagnosticado com demência diminui entre aqueles que utilizam o computador

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Uso do computador aliado a práticas de exercícios melhora a qualidade de vida de idosos (Reprodução/Internet)

Um estudo publicado no periódico PLoS One concluiu que o uso do computador pode ajudar idosos a reduzir a perda de memória e a diminuição da capacidade de raciocínio e de aprendizado que ocorrem naturalmente com a idade. No estudo, especialistas concluíram que homens mais velhos que têm esse hábito têm menos chances de desenvolver demência em um período de oito anos.

O autor do estudo, o brasileiro Osvaldo Almeida, professor da Escola de Psiquiatria e Neurociência Clínica e diretor de pesquisa do Centro de Saúde e Envelhecimento da Universidade de Western Australia, em Perth, disse que pesquisas anteriores já haviam indicado que atividades que estimulam a mente, como leitura e palavras cruzadas, diminuem o risco de demência, porém, havia poucas evidências sobre os reais efeitos do uso prolongado dos computadores.

Na pesquisa, foram selecionados 5.506 homens com idades entre 65 e 86 anos para serem acompanhados ao longo de oito anos. Os resultados indicaram que aqueles que tinham o hábito de utilizar o computador frequentemente apresentaram um risco até 40% menor de serem diagnosticados com demência no período em que o estudo foi realizado em relação com aqueles que nunca o faziam.

Segundo Almeida, o envelhecimento da população mundial fará o número de pessoas com declínio cognitivo aumentar em 50 milhões até 2025, mas a pesquisa pode ajudar a mudar este cenário. “Se as nossas estatísticas estiverem corretas, o aumento do número dos casos de demência nos próximos 40 anos não será tão dramático quanto o atual”, disse o professor.

Almeida ressaltou que homens mais velhos devem adotar o uso do computador no dia-a-dia, mas sem se esquecerem dos prejuízos à saúde de períodos prolongados de sedentarismo e das vantagens de exercitar-se.

Fontes: Veja-Usar computador faz bem à saúde mental dos idosos

Hábito de ler está além dos livros, diz um dos maiores especialistas em leitura do mundo

Brasília – Um dos maiores especialistas em leitura do mundo, o francês Roger Chartier destaca que o hábito de ler está muito além dos livros impressos e defende que os governos têm papel importante na promoção de uma sociedade mais leitora.

O historiador esteve no Brasil para participar do 2º Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários, realizado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Em entrevista à Agência Brasil, o professor e historiador avaliou que os meios digitais ampliam as possibilidades de leitura, mas ressaltou que parte da sociedade ainda está excluída dessa realidade. “O analfabetismo pode ser o radical, o funcional ou o digital”, disse.

Agência Brasil: Uma pesquisa divulgada recentemente indicou que o brasileiro lê em média quatro livros por ano (a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada pelo Instituto Pró-Livro em abril). Podemos considerar essa quantidade grande ou pequena em relação a outros países?
Roger Chartier: Em primeiro lugar, me parece que o ato de ler não se trata necessariamente de ler livros. Essas pesquisas que peguntam às pessoas se elas leem livros estão sempre ignorando que a leitura é muito mais do que ler livros. Basta ver em todos os comportamentos da sociedade que a leitura é uma prática fundamental e disseminada. Isso inclui a leitura dos livros, mas muita gente diz que não lê livros e de fato está lendo objetos impressos que poderiam ser considerados [jornais, revistas, revistas em quadrinhos, entre outras publicações]. Não devemos ser pessimistas, o que se deve pensar é que a prática da leitura é mais frequente, importante e necessária do que poderia indicar uma pesquisa sobre o número de livros lidos.

ABr: Hoje a leitura está em diferentes plataformas?
Chartier: Absolutamente, quando há a entrada no mundo digital abre-se uma possibilidade de leitura mais importante que antes. Não posso comparar imediatamente, mas nos últimos anos houve um recuo do número de livros lidos, mas não necessariamente porque as pessoas estão lendo pouco. É mais uma transformação das práticas culturais. É gente que tinha o costume de comprar e ler muitos livros e agora talvez gaste o mesmo dinheiro com outras formas de diversão.

ABr: A mesma pesquisa que trouxe a média de livro lidos pelos brasileiros aponta que a população prefere outras atividade à leitura, como ver televisão ou acessar a internet.
Chartier: Isso não seria próprio do brasileiro. Penso que em qualquer sociedade do mundo [a pesquisa] teria o mesmo resultado. Talvez com porcentagens diferentes. Uma pesquisa francesa do Ministério da Cultura mostrou que houve uma redistribuição dos gastos culturais para o teatro, o turismo, a viagem e o próprio meio digital.

ABr: Na sua avaliação, essa evolução tecnológica da leitura do impresso para os meios digitais tem o papel de ampliar ou reduzir o número de leitores?
Chartier: Representa uma possibilidade de leitura mais forte do que antes. Quantas vezes nós somos obrigados a preencher formulários para comprar algo, ler e-mails. Tudo isso está num mundo digital que é construído pela leitura e a escrita. Mas também há fronteiras, não se pode pensar que cada um tem um acesso imediato [ao meio digital]. É totalmente um mundo que impõe mais leitura e escrita. Por outro lado, é um mundo onde a leitura tradicional dos textos que são considerados livros, de ver uma obra que tem uma coerência, uma singularidade, aqui [nos meios digitais] se confronta com uma prática de leitura que é mais descontínua. A percepção da obra intelectual ou estética no mundo digital é um processo muito mais complicado porque há fragmentos e trechos de textos aparecendo na tela.

ABr: Na sua opinião, a responsabilidade de promover o hábito da leitura em uma sociedade é da escola?
Chartier: Os sociólogos mostram que, evidentemente, a escola pode corrigir desigualdades que nascem na sociedade mesmo [para o acesso à leitura]. Mas ao mesmo tempo a escola reflete as desigualdades de uma sociedade. Então me parece que, também, é um desafio fundamental que as crianças possam ter incorporados instrumentos de relação com a cultura escrita e que essa desigualdade social deveria ser considerada e corrigida pela escola que normalmente pode dar aos que estão desprovidos os instrumento de conhecimento ou de compreensão da cultura escrita. É uma relação complexa entre a escola e o mundo social. E é claro que a escola não pode fazer tudo.

ABr: Esse é um papel também dos governos?
Chartier: Os governos têm um papel múltiplo. Ele pode ajudar por meio de campanhas de incentivo à leitura, de recursos às famílias mais desprovidas de capital cultural e pode ajudar pela atenção ao sistema escolar. São três maneira de interação que me parecem fundamentais.

ABr: No Brasil ainda temos quase 14 milhões de analfabetos e boa parte da população tem pouco domínio da leitura e escrita – são as pessoas consideradas analfabetas funcionais. Isso não é um entrave ao estímulo da leitura?
Chartier: É preciso diferenciar o analfabetismo radical, que é quando a pessoa está realmente fora da possibilidade de ler e escrever da outra forma que seria uma dificuldade para uma leitura. Há ainda uma outra forma de analfabetismo que seria da historialidade no mundo digital, uma nova fronteira entre os que estão dentro desse mundo e outros que, por razões econômicas e culturais, ficam de fora. O conceito de analfabetismo pode ser o radical, o funcional ou o digital. Cada um precisa de uma forma de aculturação, de pedagogia e didática diferente, mas os três também são tarefas importantes não só para os governos, mas para a sociedade inteira.

ABr: Na sua avaliação, a exclusão dos meios digitais poderia ser considerada uma nova forma de analfabetismo?
Chartier: Me parece que isso é importante e há uma ilusão que vem de quem escreve sobre o mundo digital, porque já está nele e pensa que a sociedade inteira está digitalizada, mas não é o caso. Evidente há muitos obstáculos e fronteiras para entrar nesse mundo. Começando pela própria compra dos instrumentos e terminando com a capacidade de fazer um bom uso dessas novas técnicas. Essa é uma outra tarefa dada à escola de permitir a aprendizagem dessa nova técnica, mas não somente de aprender a ler e escrever, mas como fazer isso na tela do computador.

Agência Brasil