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Dupla é presa com armamento de guerra na BR-412 na PB

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou uma apreensão na madrugada deste domingo (21). Uma dupla foi presa com armamento de guerra na BR-412, nas imediações do município de Boa Vista, a 50 km de Campina Grande. As apreensões e prisões fazem parte da Operação Tamoio II, iniciada neste domingo em todo país.

A PRF interceptou dois veículos que seguiam na rodovia. Ao parar o primeiro carro, os policiais notaram o condutor assustado, quando o segundo veículo se aproximou e parou ao notar a abordagem que estava acontecendo. Os agentes então perceberam que o condutor do segundo veículo jogou algo para fora do carro, quando também o abordaram. Foram encontradas duas armas de guerra, um fuzil, uma carabina, além de munições e coletes balísticos.

Investigação

Durante a abordagem e conforme investigações realizadas pela Polícia Federal com apoio da PRF, foi constatado que os dois veículos seguiam viagem juntos.

Armamento apreendido

De acordo com a assessoria da PRF, as armas apreendidas possuem alto poder de letalidade. O fuzil, de calibre 7,62 mm, apreendido durante a abordagem tem seu uso não recomendado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para ações de guerra em virtude dos graves danos que podem ser causados pelo uso do armamento. Já a carabina, de calibre 5,56 mm, é o armamento recomendado pela Organização da Nações Unidas (ONU) para os conflitos armados ao redor do mundo. A carabina apreendida estava com os carregadores com 71 munições em condições de uso. As armas apreendidas poderiam parar na mão de criminosos que atuam em ações violentas como assaltos à bancos e carros fortes na região do nordeste do país.

Suspeitos presos

Os homens não possuíam antecedentes criminais. Ambos são paraibanos e informaram aos policiais que pegaram as armas em Monteiro e que iriam entregá-las em Campina Grande. Relataram também que apenas iriam entregar o armamento mas que não sabiam informar quem receberia o material. Apesar do prejuízo dado ao crime organizado com a apreensão dos armamentos, as investigações irão continuar para tentar localizar as pessoas que iriam receber o material e para quais ações criminosas seriam usadas.

Os homens foram detidos, conduzidos à Polícia Federal em Campina Grande e deverão responder pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, considerado desde 2017 como crime hediondo, não sendo possível o pagamento de fiança para responder em liberdade.

 

portalcorreio

 

 

Coronavírus se iguala à guerra ao cancelar Olimpíadas

Jogos só deixaram de acontecer durante 1ª e 2ª guerras mundiais

Situações excepcionais exigem medidas excepcionais. A pandemia causada pelo coronavírus deu o tamanho da sua grandeza mais uma vez nesta semana. Como se já não bastasse os milhares de mortos e infectados pelo mundo, o vírus causou também o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, que aconteceriam neste ano.

Pode parecer bobeira, mas essa situação extraordinária só aconteceu em outros três momentos da história moderno da competição. Muitas pessoas estão se perguntando as datas. Nos sites de apostas, como apostasesportivasbonus.com, os apostadores aguardam ansiosamente pelo início dos jogos, que terá mais de 11 mil atletas e diversas modalidades.

Em 124 anos de existência dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, não foi a primeira vez que o megaevento foi cancelado ou postergado. Por três vezes a competição não foi realizada, em todas elas por causa das duas Grandes Guerras Mundiais: Berlim 1916, Japão 1940 e Londres 1944.

Em 27 de maio de 1912, em Estocolmo, na Suécia, ao escolher Berlim para receber as Olimpíadas de 1916, o Comitê Olímpico Internacional (COI) jamais pensou que a capital alemã seria a primeira a ter de cancelar seus Jogos. Tanto que após o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Em abril de 1915, um ano antes dos Jogos, presidente do Comitê Olímpico Internacional na época, Pierre de Coubertain, não só desmarcou as Olimpíadas como teve de transferir a sede da entidade de Paris para Lausanne, na Suíça.

O fato de Tóquio ter uma Olimpíada cancelada em sua história não é uma novidade.  Em 1940 o país amargou a mesma situação. Em 1937, o Japão iniciou com a China a guerra Sino-Japonesa, quando tentou anexar territórios pertencentes ao chineses. O conflito perdurou e sem previsão de término, em 1939, o COI acabou por transferir a sede das Olimpíadas para Helsinque, na Finlândia.

A propagação da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) acabou por obrigar o COI a cancelar pela segunda vez a realização dos Jogos Olímpicos. E Tóquio só foi receber as Olimpíadas em 1964.

A Segunda Guerra Mundial também fez com que os Jogos de 1944, em Londres, fossem cancelados. Mas, ao contrário dos japoneses que esperaram por 24 anos para receberem as competições, após suas Olimpíadas não acontecerem, os ingleses organizaram em 1948 os primeiros Jogos pós-termino dos conflitos.

Por diversas vezes, as Olimpíadas estiveram sob ameaça mas resistiram. Em setembro de 1972, durante as Olimpíadas de Munique, o mundo ficou horrorizado com a invasão da Vila Olímpica por terroristas do grupo palestino Setembro Negro, que sequestrou e assassinou 11 membros da delegação israelense.

O terrorismo voltou a assombrar os Jogos Olímpicos em Atlanta, no Estados Unidos, no dia 27 de julho de 1996. Um americano de extrema-direita, Eric Rudolph, detonou uma bomba no Parque Centenário, onde milhares de pessoas assistiam a um show. A explosão, que  causou a morte de duas pessoas, não foi suficiente para interromper a competição.

 

 

 

Record, SBT e RedeTV! preparam corte de sinal e armam guerra contra a TV paga

silvio e edirA briga entre a Sky e a Fox foi só um aperitivo do que executivos de três das maiores redes do país preveem para os próximos meses. Unidas na Simba, uma empresa criada no ano passado após aprovação do Cade, Record, SBT e RedeTV! planejam começar a cortar seus sinais das operadoras de TV por assinatura em abril, após o apagão analógico em São Paulo, maior mercado do país. Advogados de ambas as partes já se preparam para uma guerra que deve terminar nos tribunais.

Nesta semana, a Simba começou a enviar às operadoras uma proposta comercial. No documento, informa que, com o fim da TV analógica, a legislação permitirá às redes abertas cobrarem pelos seus sinais digitais e que, por isso, já quer abrir negociações em nome de Record, SBT e RedeTV!.

Juntas, as três redes detêm 19,7% da audiência de todos os canais, entre abertos e pagos, no cabo e no satélite, de acordo com dados de dezembro. Mais relevantes do que elas, só a Globo (30,7%). Os canais da Fox, que geraram centenas de ameaças de cancelamento de assinatura à Sky na semana passada, tiveram 3,43% da audiência da TV por assinatura em dezembro.

As emissoras de TV já sabem que as operadoras irão recusar qualquer negociação para pagar pelos sinais abertos, que são gratuitos. As operadoras estão dispostas a pagar para ver o que acontecerá, uma vez que estar na casa do assinante de TV por assinatura, quase 30% da população do país (e justamente a mais rica e educada), também é importante para as redes abertas, que vivem de publicidade.

Todas as operadoras, das gigantes Net e Sky às nanicas, foram contra a aprovação da Simba, joint venture das três redes, durante processo no Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico), no ano passado. Seus argumentos vão do caráter gratuito da TV aberta, que são concessões públicas, ao desequilíbrio econômico e ameaça à concorrência.

As emissoras abertas também estão dispostas a pagar para ver se as operadoras resistem à perda de clientes, que exigirão seus sinais. Elas se sentiram fortalecidas com a posição da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) de que, para compensar a saída da Fox, a Sky deveria oferecer novos canais similares ou reduzir o preço da mensalidade paga pelo assinante.

Executivos da Record, SBT e RedeTV! dão como certo que não haverá acordo com as operadoras e que, em abril, suas frequências serão cortadas em São Paulo, onde opera a Net, a maior do país. A Net, uma das maiores opositoras da aprovação da Simba no Cade, já sinalizou que não aceita pagar pelos sinais abertos.

O corte na TV paga ocorrerá assim que o sinal de TV analógico, cuja distribuição é obrigatória e gratuita no cabo, for desligado na Grande São Paulo, o que está previsto para 29 de março. Depois virão Goiânia (31 de maio) e as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Fortaleza e Belo Horizonte (26 de julho). Em um primeiro momento, o corte de sinal será apenas na Grande São Paulo.

Os dirigentes das TVs abertas têm um “padrinho” muito forte: o bispo Edir Macedo. O dono da Record, segundo altas fontes, está convencido de que é justo as operadoras pagarem por seus sinais de alta definição, uma vez que já remuneram a Globo, e de que essa receita é relevante _as redes estimam que podem faturar de R$ 360 milhões a R$ 1 bilhão por ano.
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Menor é detido e diz que matou aluno em escola por guerra entre facções, em João Pessoa

Menor morto dentro da escola
Menor morto dentro da escola

Um adolescente de 16 anos foi detido nessa segunda-feira (19) suspeito de matar um menor de 13 anos dentro de uma escola estadual no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, na segunda (12). O suspeito confessou o crime e disse que matou por causa da guerra entre facções. Esse é o segundo envolvido detido pela morte do aluno.

De acordo com o delegado de Menor infrator de João Pessoa, Gustavo Carleto, o adolescente foi apreendido no mesmo bairro onde o crime aconteceu e era aluno da escola. Ele confessou a autoria do assassinato e narrou como tudo aconteceu.

“O menor bastante frio disse que matou por causa da guerra entre bairros. A vítima insultava, daí ele se armou com uma faca e praticou o crime. Antes de matar, deu um soco no rosto do estudante que ao cair desmaiado foi atingido com uma facada no peito. A cabeça dele foi pisoteada”, disse o delegado.

O menor apreendido foi apresentado ao juizado de menor e foi encaminhado para o Centro Educacional do Adolescente (CEA) de João pessoa. O outro suspeito envolvido continua detido.

portalcorreio

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Guerra entre facções causou rebelião em vários presídios do país, diz secretário

presidioO secretário de Justiça e Cidadania de Roraima, Uziel de Castro, disse hoje (17) que a rebelião que ocorreu na tarde de ontem (16) na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista, foi uma determinação nacional da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo, de atacar os integrantes do Comando Vermelho, grupo criminoso do Rio de Janeiro.

“Eles declararam guerra entre as facções. Estamos percebendo em nível nacional o rompimento desse acordo entre eles”, disse Castro, explicando que existem ramificações dos grupos em vários estados do país.

Segundo ele, também ocorreram rebeliões no Pará e em Rondônia, com a mesma motivação. De acordo com Castro esse movimento entre as facções está sendo observado nos presídios há cerca de uma semana.

Vinte e cinco presos morreram ontem na penitenciária de Boa Vista. O confronto entre as facções começou durante o horário de visitas, por volta das 16h. Cerca de 100 familiares de presos foram feitos reféns, mas liberadas por volta das 20h, após intervenção da Polícia Militar.

O secretário contou que os presos foram contidos e separados e que a unidade já voltou à rotina normal. Os corpos dos detentos mortos já estão no Instituto Médico Legal para a perícia.

Agência Brasil

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Rachel Sheherazade entra em guerra contra blogueira de esquerda

RachelSheherazadeNa bancada do SBT Notícias, Rachel Sheherazade não tem a mesma liberdade para dizer tudo o que pensa. Após comentários que geraram polêmica, ela está sob censura branca desde o início de 2014.

A jornalista tem usado as redes sociais e o microfone da Rádio Jovem Pan, onde participa do Jornal da Manhã, para expor conceitos e opiniões.

Foi por meio do Facebook e do Twitter que a apresentadora se manifestou contra um post feito pela também jornalista Cynara Menezes em seu blog Socialista Morena.

Com o título ‘Galeria podrera do protesto contra Dilma’, a postagem destacou fotos das manifestações contra o governo e a corrupção ocorridas no domingo passado, dia 15.

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As imagens mostram principalmente ofensas pessoais à presidente Dilma Rousseff. Nas legendas, Cynara comenta em tom sarcástico cartazes com frases como “Dilma puta” e “A Dilma é feia”.

Entre as fotos do post, a blogueira postou uma selfie na qual aparecem Rachel Sheherazade, o marido dela, e os dois filhos do casal, na manifestação da Avenida Paulista. “Foi um protesto, mas também uma festa espontânea e alegre”, legendou Cynara.

Rachel Sheherazade reagiu furiosa: “Peço a meus seguidores que denunciem ao Twitter e Face conteúdo de ódio contra meus filhos, propagado por @cynaramenezes”. A mensagem foi retuitada por mais de 2 mil seguidores e foi curtida por 1,6 mil.

Ainda nas redes sociais, a apresentadora do SBT acusou Cynara Menezes de receber verba do governo federal para manter seu “blog sujo”, nas palavras da própria. Sheherazade usou como fonte o portal Transparência Brasil.

Nele, Cynara aparece como beneficiária de 48.480 reais. “Por que a blogueira @cynaramenezes me ataca em suas redes? É paga pra isso”, escreveu a âncora da TV.

Em resposta, também no Twitter, Cynara Menezes apresentou um documento emitido pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação), no qual a estatal informa que “não houve qualquer pagamento, já que os processos das contratações foram suspensos”.

Na sexta-feira (20), Rachel Sheherazade postou em seu blog oficial: “Blogs sujos são aquelas páginas virtuais sem qualquer credibilidade, vendáveis, que recebem verba pública, direta ou indiretamente, para louvar os feitos do PT e denegrir a imagem da oposição, dos críticos e jornalista independentes que ousam denunciar os mal-feitos (sic) do governo e do partido”.

Amordaçada na TV, Sheherazade recorre à internet e ao rádio para divulgar sua posição política e emitir os comentários contundentes que a tornaram famosa na TV Tambaú, afiliada do SBT na Paraíba, e fizeram Silvio Santos trazê-la para São Paulo em 2011.

Resta saber até quando a jornalista vai suportar ser refém do politicamente correto na bancada do SBT Brasil. A promessa feita a ela de um programa solo, no qual teria mais liberdade editorial, tem poucas chances de ser concretizada.

Terra

‘Não se faz guerra em nome de Deus’, diz Papa Francisco

papaApós a celebração do Angelus deste domingo (10) na praça São Pedro, no Vaticano, o papa Francisco voltou a pedir o fim da violência e das perseguições contra cristãos no Iraque por parte do grupo jihadista Estado Islâmico (também conhecido como Isis).

“Não se leva o ódio em nome de Deus, não se faz a guerra em nome de Deus”, exclamou o Pontífice, acrescentando que milhares de pessoas, incluindo católicos, estão sendo expulsas de suas casas no país. Segundo Jorge Bergoglio, as notícias que chegam de lá causam incredulidade e consternação.

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“Milhares de pessoas desalojadas de maneira brutal, crianças mortas de sede e fome durante a fuga, mulheres sequestradas, pessoas massacradas, violências de todos os tipos, destruição de casas, de patrimônios religiosos. Tudo isso ofende gravemente Deus e a humanidade”, afirmou. O Papa ainda disse esperar que uma eficaz solução política possa interromper os confrontos no Iraque.

Francisco também aproveitou a ocasião para pedir orações pelas vítimas do vírus Ebola e pelos que lutam para combatê-lo, e para lembrar o conflito na Faixa de Gaza. “Após uma trégua, voltou a guerra, que só faz piorar o conflito entre israelenses e palestinos. Os convido a rezarmos juntos pela paz”, declarou o Pontífice.

JB

Denúncia de propina vira guerra entre PSB e Folha

camposA denúncia veiculada pelo jornal Folha de São Paulo de que lideranças do PP e do Pros teriam oferecido dinheiro para que o PROS-PE apoiasse o PSB na disputa pelo Governo de Pernambuco virou uma briga que parece longe de terminar. Após o candidato socialista Paulo Câmara conseguir obter, na última sexta-feira (25), uma liminar determinando que o jornal publique em até 48 horas o direito de resposta e a retirada da matéria com as denúncias do seu site, a Folha de São Paulo anunciou, neste sábado, que irá recorrer da decisão do desembargador José Ivo de Paula Guimarães, do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE).

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As denúncias veiculadas pela Folha, na última quarta-feira, foram feitas pelo deputado federal José Augusto Maia (Pros-PE). Segundo o parlamentar, que exerceu o cargo de presidente da legenda em Pernambuco, o líder do PP na Câmara Federal, Eduardo da Fonte, e o presidente nacional do Pros, Eurípedes Júnior, teriam oferecido dinheiro para que o Pros pernambucano apoiasse a postulação de Paulo Câmara – cuja coligação conta com 21 partidos – e não a candidatura de Armando Monteiro Neto (PTB).

A denúncia atingiu em cheio a campanha de Câmara que ingressou com uma ação na Justiça pedindo direito de resposta a retirada da matéria do site do jornal. A decisão judicial favorável a Câmara saiu nesta sexta-feira e o jornal entrou com uma medida cautelar junto ao Plenário do TRE-PE para tentar conseguir um efeito suspensivo.

Em sua decisão, o juiz José Ivo de Paula Guimarães, considerou que a publicação divulgou “matéria de conteúdo calunioso, difamatório e injurioso que atinge o representado, apesar de o denunciante ter asseverado não ter provas de suas afirmações” .

“É uma decisão que comete uma grave inversão de valor. A Justiça Eleitoral, em vez de apurar o conteúdo da informação jornalística, que é grave, prefere exercer um ato que equivale a um ato de censura”, afirmou o advogado da Folha de São Paulo, Luís Francisco Carvalho Filho. “O candidato nem é acusado de nada na matéria, portanto não há nenhuma referência ofensiva a ele, razão pela qual esse pedido de resposta é absolutamente descabido. O jornal cumpriu o dever de transmitir uma informação de interesse público e a concessão do direito de resposta ao candidato viola a Constituição brasileira”, disse.

“Não entendemos como censura, de forma alguma. O jornal pode divulgar o que bem entender, tem liberdade de expressão. Mas também é legítimo ao candidato fazer esse pedido”, disse ao jornal o coordenador jurídico da campanha de Câmara, Carlos Neves Filho.

Confira aqui a matéria da Folha de São Paulo sobre o assunto.

 

brasil247

Encontro de Brics e Unasul é o feito histórico mais importante desde a Guerra Fria

bricss As reuniões entre os chefes de governo dos Brics, em Fortaleza, e entre esse bloco e o da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Brasília, são o acontecimento mais importante na geopolítica mundial desde o fim da Guerra Fria. “É uma semana histórica que está acontecendo no Brasil”, afirma Emir Sader em seu comentário nesta quinta (17) na Rádio Brasil Atual.

“Eu diria até que é uma espécie de Bretton Woods do sul do mundo, que foi o acordo no final da Primeira Guerra Mundial pelas grandes potências capitalistas para controlar o sistema internacional, do qual surgiu o FMI”, ressalta. O cientista político avalia que a atual situação dos países do centro do capitalismo, União Europeia e Estados Unidos, está na contramão do desenvolvimento com integração, o slogan da reunião dos Brics e da criação de seu respectivo banco.

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“Se eu fosse tipificar o que faz a Europa hoje com sua política de austeridade, é exatamente contrário: recessão com exclusão de direitos. Então, são dois mundos completamente opostos.” Para Sader, a eleição do ex-primeiro-ministro de Luxemburgo,  Jean-Claude Juncker, como presidente da União Europeia, indica “claramente um contraponto” ao que fazem esses países e os Brics. Juncker é a favor do “paraíso fiscal” e é considerado um dos pais do programa de austeridade que provocou grande crise social na Grécia, em Portugal e na Espanha.

Segundo o sociólogo e colunista da RBA, a criação de bancos é um processo longo. “Um integrante da delegação chinesa disse que demoraria dois anos para o Banco dos Brics começar a funcionar”, ressalta, observando que não haveria ainda recursos disponíveis para ajudar a Argentina. O país tem duas semanas para se posicionar em relação à decisão judicial dos Estados Unidos que determinou que o pagamento da dívida com os credores que não participaram de acordo de renegociação.

“Apoio político ela tem, unanimemente. O problema é saber como se consegue brecar a decisão de um juiz que favorece 7%, quando 93% tinham aceitado a renegociação da dívida.” Sader aponta que é o mesmo mecanismo feito pelos Estados Unidos com países africanos. “É uma máfia que tem de ser quebrada”, afirma.

Unasul

Além da criação do Banco dos Brics, o bloco estabeleceu ontem (16) com a Unasul acordos políticos, como a defesa da presença de África e América do Sul no Conselho de Segurança da ONU. O presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, propôs ainda que a Unasul crie um banco que tenha relações com o dos Brics. Sader considera o funcionamento da Unasul precário e que precisa se fortalecer para que a proposta seja viável.

RBA

Dilma à CNN: “futebol não é uma guerra, é um jogo”

dilmaNa condição de anfitrião da Copa do Mundo assistida por mais de 3 bilhões de pessoas em todo o mundo, a presidente Dilma Rousseff concedeu à rede americana CNN uma entrevista exclusiva, veiculada nesta quinta-feira 10, para a jornalista Christiane Amanpour. A presidente disse que se sente “triste” pela derrota, por 7 a 1, da Seleção Brasileira frente a da Alemanha, na terça 8, mas lembrou que “futebol não é uma guerra, é um jogo”.

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Dilma defendeu “uma renovação” no futebol brasileiro, de modo a permitir que os principais jogadores permaneçam atuando em clubes nacionais. Ele foi questionada sobre seus tempos de luta contra a ditadura militar brasileira, quando foi torturada. “Você descobre que tem de resistir e que só você pode derrotar você mesmo”. Acompanhe:

Entrevista exclusiva da Presidenta Dilma à CNN:

Jornalista Christiane Amanpour: Senhora Presidente, bem-vinda ao nosso programa.

Presidenta Dilma Rousseff: É um prazer para mim, Christiane, falar com você.

Jornalista: Houve muitas manifestações antes desta Copa do Mundo. E, de repente, durante a Copa do Mundo as pessoas ficaram em êxtase, disseram que era a melhor copa do Mundo, houve tantos gols. A Senhora acha que esta derrota irá moldar o sentimento nacional?

Presidenta: Olha, eu não acredito nisso porque nós vivenciamos uma Copa. Nós sabemos, nós, brasileiros, e também todos os torcedores que aqui vieram, nós sabemos que foi uma Copa que foi… que transcorreu em paz, com muita alegria, com toda a infraestrutura funcionando. De fato, é muito triste que nós cheguemos nesse momento e tenhamos uma derrota, é muito triste. Agora, isso não elimina nem a luta anterior da Seleção, nem tudo o que foi feito e está sendo feito. Afinal, tem uma característica o futebol: ele é feito de vitórias e de derrotas. Ser capaz de superar a derrota, eu acho que é uma característica de uma grande Seleção e de um grande país.

Jornalista: Queria lhe perguntar, Senhora Presidente, se a Senhora acha que a ausência de Neymar e Thiago Silva contribuíram para esta derrota.

Presidenta: Duzentos milhões de brasileiros são técnicos e dão palpite na Seleção. Eu acredito, olhando não como uma pessoa que entende profundamente de futebol, eu acredito que algum efeito significativo teve sobre a Seleção. Agora, diante da derrota, nós temos de ter uma atitude de sermos capazes de aprender com ela e, ao mesmo tempo, superá-la. Por isso, eu tenho certeza que o Brasil e todos os torcedores brasileiros terão um comportamento de persistir nos próximos dias e demonstrar que nós somos capazes de superar essa adversidade. Mas, a gente também tem de considerar uma coisa, sob todos os aspectos o Brasil fez uma Copa do Mundo que eu acredito que, de fato, foi uma das melhores Copas, e nós devemos isso, em grande parte, ao povo brasileiro, à sua capacidade de ter hospitalidade e de receber bem os torcedores do mundo, e eu espero – e tenho certeza – que todo o mundo vai reconhecer esse fato.

Jornalista: Houve muitas perguntas, não apenas pelo mundo, mas também aqui no Brasil, sobre o custo dos estádios, sobre os 14 bilhões de dólares gastos nestes estádios, comparados com os 4 bilhões gastos na África do Sul em 2010. As pessoas diziam: por que não temos melhores escolas, melhor educação ou melhor transporte, melhor infraestrutura. Durante a Copa do Mundo, elas ficaram empolgadas, porque esta tem sido uma excelente Copa do Mundo e a maioria das manifestações tem sido tranquila. A Senhora se preocupa, acredita na possibilidade de de elas recomeçarem após a final, de as pessoas se perguntarem em que foram gastos esses bilhões de dólares se nós sequer chegamos às finais?

Presidenta: Veja bem, nos estados, nos estádios foram gastos 8 bilhões de reais, mais ou menos 4 bilhões de dólares, nos estados. Esse gasto dos estádios, ele foi financiado pelo governo.. Nós gastamos, entre 2010 e 2013, com educação e saúde, nas três esferas de governo, 1 trilhão e 700 bilhões de reais, o que dá aproximadamente 850 bilhões de dólares, bilhões de dólares. Então comparar 4 bilhões de dólares com 850 bilhões de dólares é absolutamente desproporcional. Nós não gastamos… porque o resto dos gastos fica para o Brasil, não só para a Copa. Nem os estádios ficam só para a Copa. Os aeroportos, eles existem porque nós, de 2003 para 2013, nós passamos de 33 milhões de passageiros que viajavam de avião no Brasil para 113 milhões em 2013. Você veja que é… nós estamos fazendo aeroportos para nós mesmos, porque há uma imensa multidão de brasileiros que, nesta década, descobriu que podia viajar de avião porque tinha renda para pagar a passagem.

Quanto aos estádios, este é um lugar de encontro da população, e quando eu disse que o futebol brasileiro tem de ser renovado, o que eu queria dizer com isso? Eu queria dizer que o Brasil não pode mais continuar exportando jogador. Exportar jogador significa não ter a maior atração para os estádios ficarem cheios. Qual é a maior atração que um país que ama o futebol como o nosso tem para ir num jogo de futebol? Ver os craques. Tem craques no Brasil que estão fora do país há muito tempo. Então, renovar o futebol brasileiro é perceber que um país, com essa paixão pelo futebol, tem todo o direito de ter seus jogadores aqui e não tê-los exportados.

Jornalista: Senhora Presidente, algumas pessoas disseram que Brasil e Copa do Mundo, esta é a fantasia do Brasil. Este é o Brasil que se gostaria de ter. Organizar uma Copa do Mundo fabulosa, apesar da terrível derrota da sua seleção. Mas este não é o Brasil real. No Brasil real, as pessoas estão nas ruas, querem melhor saneamento, melhor educação, melhores serviços. Isto acontece num momento em que a Senhora se lança para a reeleição. A Senhora sente agora o desafio político, com esta derrota, e que após a competição a Senhora estará sob pressão para mostrar resultados?

Presidenta: Primeiro, eu acho que esse Brasil que estão descrevendo não tem nada a ver com o Brasil real. O Brasil real é um Brasil que, de 2003 até hoje, tirou 36 milhões da pobreza, levou à classe média 42 milhões de pessoas. Quarenta e dois milhões de pessoas, para a gente colocar uma dimensão, equivale à Argentina, um país próximo aqui e bastante populoso. Isso se conseguiu em uma década. Essas pessoas que chegaram à classe média querem, de fato, melhor educação e melhor saúde. Nós estamos nos esforçando imensamente para esse processo.

Jornalista: A Senhora fala em retirar 36 milhões de pessoas da pobreza. Este é um grande triunfo para o Brasil. E é obviamente a razão pela qual as pessoas ainda têm aspirações. Elas querem melhorar ainda mais. Qual a sua resposta a esse um milhão de pessoas que saíram às ruas no ano passado e para as pessoas que ainda dizem que ainda têm aspirações, apesar do que a Senhora já fez?, Por outro lado, Senhora Presidente, o incrível crescimento econômico do Brasil da última década desacelerou-se e continua lento. O que a Senhora fará? A Senhora precisará encontrar um novo modelo econômico para alcançar o desenvolvimento?

Presidenta: Veja você, o nosso crescimento ter desacelerado se deve à violenta crise que começa no mundo a partir de 2008. De 2008 até 2014, no mundo, em torno de 60 milhões de empregos foram encerrados, foram fechados. Nós no Brasil, conseguimos, mesmo assim, enfrentar essa crise mantendo um nível de emprego ainda alto. Nós criamos, nesse mesmo período, 11 milhões de empregos. De fato, o mundo passa hoje por um momento difícil. No nosso caso, nós temos feito um imenso esforço para manter as taxas de crescimento e um desses esforços diz respeito aos investimentos que fazemos em infraestrutura. Eu acredito que nós entraremos num novo ciclo de desenvolvimento no Brasil. Se o primeiro foi baseado no crescimento com inclusão social, estabilidade macroeconômica, o segundo ciclo vai ter de se basear na melhoria da nossa produtividade, portanto, da nossa competitividade. Nós temos, como país, de apostar muito na educação. A educação dá conta de duas coisas: garantir que essas pessoas que mudaram as suas condições de vida e de renda, elas tenham esse ganho de forma permanente. A educação garante isso. Em segundo lugar, nós temos de entrar na economia da inovação, do crescimento e do valor agregado. Somos um país que tem uma agricultura, uma indústria e um setor de serviços bem desenvolvido. Então, nós temos de assegurar qualidade de emprego e temos de investir em infraestrutura logística, energética e social-urbana.

Jornalista: Quão grave é para este país e para esta nação o problema da corrupção?

Presidenta: Eu acredito que essa é uma questão fundamental no país. Eu defendo, e a minha vida toda demonstra isso, eu defendo tolerância zero com a corrupção, e isso não é só… não pode ser só uma fala presidencial. Tem de resultar em modificações institucionais. Nós criamos, no setor público federal, nós criamos um Portal da Transparência. Todos os gastos, todas as compras, todos os investimentos realizados pelo governo federal aparecem no Portal da internet em menos de 24 horas. Nós criamos a Controladoria-Geral da União e demos à Controladoria-Geral da União poder de investigar e de criar todos os mecanismos de imposição de melhores práticas dentro da Administração. Muitas das ações de corrupção foram descobertas pela Controladoria-Geral da União. Nós demos integral autonomia para a Polícia Federal investigar crimes de corrupção. Noventa por cento do que aparece de corrupção no Brasil foi investigado pela Polícia Federal, que é um órgão do governo federal.

Jornalista: A Senhora prometeu transformar a corrupção em crime e não apenas uma contravenção. Isto já foi feito?

Presidenta: Yes, todas. Não só fizemos isso, mas, agora… porque no Brasil tinha a prática de só o corruptor pagar pela corrupção. Os dois lados, hoje, tanto quem corrompe como quem é corrompido, hoje, paga diante da Justiça, o que eu acho uma grande melhoria porque um não existe sem o outro.

Jornalista: A Senhora tem uma história de vida fenomenal, Presidente. Depois do intervalo eu gostaria de falar sobre isso.

(intervalo)

Jornalista: Bem-vinda de volta ao nosso programa. A Senhora é a primeira mulher presidente do Brasil, um país de mais de 200 milhões de pessoas, o motor da América Latina –   a economia do país é de longe a maior comparada com o restante do continente. A Senhora sempre sonhou em ser Presidente?

Presidenta: Não, eu nunca sonhei em ser presidente.

Jornalista: A sua história pessoal sugere, na verdade, justamente o contrário, porque a Senhora foi uma guerrilheira urbana nos anos 60, lutando e resistindo à ditadura militar. A Senhora sonhava em ser uma espécie de Robin Hood?

Presidenta: Não. Não, não. É muito difícil viver numa ditadura. A ditadura limita seus sonhos. Quando você não tem direito de expressão nem de organização, qualquer ato de discordância torna-se um ato de contraposição. No Brasil, o direito de greve era visto como uma ofensa ao regime. As manifestações que hoje nós… com as quais nós convivemos tranquilamente, eram motivo para você perseguir, matar, torturar. Então, na minha juventude, eu lutei contra a ditadura, eu fui produto desse tempo. Tenho muito orgulho de ter lutado porque não é fácil, não é fácil… o clima de uma ditadura é um clima que corrói, que corrompe as pessoas no sentido de corromper a sua capacidade de resistir.

Jornalista: A Senhora chegou a ser presa e mantida em prisão por três anos. E foi torturada. A Senhora pode falar sobre isso?

Presidenta: Eu fui presa nos anos 70 e fiquei por três anos num presídio em São Paulo, que hoje está, inclusive, demolido. É uma experiência em que você aprende que é necessário duas coisas: resistir e… e você percebe que só você mesmo pode te derrotar. Não que seja fácil suportar a tortura, não é, e você só suporta a tortura se você se enganar, deliberadamente, dizendo: mais um pouco eu suporto, mais outro pouco eu suporto, e assim você vai indo, e vai indo, e vai indo. A tortura não pode te derrotar, a adversidade não pode te tirar o ânimo de viver e você não pode se contaminar pelo que o torturador acha de você.

Jornalista: O que eles fizeram com a Senhora?

Presidenta: O que faziam no Brasil com todo mundo que era preso: choque elétrico; uma coisa que se chamava pau-de-arara, que é difícil de explicar para você, que é uma forma de pendurar as pessoas pelos braços e pelas pernas; e muito choque elétrico. O pior era o choque elétrico. É a forma mais… é uma dor que anda. A dor praticada por alguém sobre outra pessoa é algo imperdoável, bárbaro, que quem faz isso tem uma perda de valores humanos, de tudo o que nós conquistamos ao sair das cavernas e nos elevarmos à condição de civilizados. A tortura é uma negação disso, é uma negação do outro. Talvez a pior forma de negação. Por isso nós não podemos aceitar, em lugar nenhum do mundo, a ocorrência de tortura, sob qualquer alegação. Eu nunca vi um processo de tortura não destruir a instituição que pratica, que pratica a tortura. Todos os processos de tortura, historicamente, destruíram quem praticou a tortura. É gravíssimo o Ocidente voltar atrás nessa questão.

Jornalista: Como isto moldou a sua visão de mundo?

Presidenta: Como eu construí a minha visão de mundo?

Sabe, só tem um jeito da tortura não te contaminar. Ela não pode te levar a absorver uma raiva contra quem pratica, o ódio contra quem pratica. Você não pode deixar isso entrar para dentro de você, tem de ficar no externo, tem de ficar na dor física. Não pode se transformar numa motivação de sentimento, de visão de mundo, e da sua… eu diria assim, da sua ideologia, da sua cultura, da sua forma de ver o mundo. Agora, eu vou te dizer uma coisa, sobretudo tem uma coisa que eu acho que a tortura me fez viver de uma forma intensa, é a certeza absoluta que nós derrotamos, no Brasil, quem praticou. A derrota não é uma derrota pessoal, não é contra A, B ou C. Nós derrotamos, no Brasil, a estrutura que praticou a tortura, e foi a ditadura. Ao construir a democracia e construir com padrões que respeitam os direitos humanos… porque no Brasil nós temos, hoje, esse amor perdido pela democracia. Eu acho que isso foi o grande ganho.

Jornalista: Eu posso ver a paixão com a qual a Senhora fala disso. E a sua história pessoal é impressionante. Há muitas críticas hoje à Polícia do Brasil de que é uma das mais letais na região, de que em 2012 cerca de 2 mil pessoas foram torturadas e mortas pela Polícia brasileira. Isso parece ser um legado ruim desse tipo de tortura, ditadura e de falta do Estado de Direito que a Senhora combatia. A Senhora pode mudar isso?

Presidenta: Esse talvez seja um dos maiores desafios do Brasil.. O combate à criminalidade, ele não pode ser feito com os métodos dos criminosos. Muitas vezes isso ocorre, e nós não podemos também deixar intocada a estrutura prisional brasileira. Então tem de haver uma interação entre o Executivo federal e as polícias, e as polícias são dos estados, porque na Constituição brasileira a atribuição da segurança pública é estadual. Eu acredito que nós teremos de rever isso, rever a Constituição. Por quê? Porque essa é uma questão que tem de envolver o Executivo federal, o estadual, a Justiça estadual e federal, porque também há uma quantidade imensa de prisioneiros em situações sub-humanas nos presídios. Isso nós vamos ter… essa é uma questão das mais graves no Brasil. Essa… em alguns lugares nós conseguimos um grande avanço

Jornalista: e, finalmente, por falar em Estado de Direito, a Senhora criticou duramente o Governo dos Estados Unidos por causa da espionagem ou das revelações de Edward Snowden. A Senhora foi espionada, milhões de brasileiros foram espionados. A Senhora se reconciliou com o Presidente Obama. As relações estão bem novamente? A questão já passou ou a Senhora ainda tem um problema com os Estados Unidos e a administração Obama quanto a isto?

Presidenta: Olha, eu não acredito que a responsabilidade com… pelos hábitos de espionagem seja da administração do presidente Obama. Eu acho que ela é um processo que vem ocorrendo depois do 11 de Setembro. O que nós não aceitamos e continuamos não aceitando é o fato de que o governo brasileiro, empresas brasileiras e cidadãos brasileiros fossem espionados, porque isso atinge diretamente os direitos humanos brasileiros, principalmente o direito à privacidade e à liberdade de expressão. Então nós manifestamos essa questão para o governo Obama porque, no momento, o que nós dissemos a eles é que cada ato recíproco entre o Brasil e os Estados Unidos, que são grandes parceiros estratégicos, seria comprometido por revelações que nós não tínhamos controle, não sabíamos que existiam, e que queríamos duas coisas: uma garantia que não aconteceria mais e o fato de que alguém tinha de se responsabilizar e falar para nós que não aconteceria. Naquele momento o governo Obama estava em processo de equacionar esse problema… essa questão da espionagem internacional, e não tinha condições de responder para nós. Como não tinha condição de responder para nós, nós não tivemos nenhuma outra ação… por exemplo, eu ia fazer uma visita e não fiz por isso. Isso não implicou em nenhuma ruptura com o governo Obama. Implicou simplesmente em colocar as cartas na mesa e dizer “olha, isso é impossível”. Hoje eu acredito que eles deram vários passos.

Intervalo

Jornalista: Obrigado, gostaria apenas de fazer mais uma pergunta para o segmento final do programa. Finalmente, Senhora Presidente, A Chanceler Merkel e a Senhora são as duas mais poderosas mulheres presidentes do mundo hoje. O que é ser uma mulher presidente? E o que a Senhora dirá à Chanceler Merkel já que a seleção dela chegou à final da Copa?

Presidenta: Congratulations. Vou cumprimentar a chanceler Merkel pela vitória porque o futebol, ele tem uma característica, ele é um jogo que permite que o que há de melhor na atividade humana apareça. Primeiro, ele é um jogo que implica em cooperação, as pessoas têm de cooperar. Segundo, ele implica em treinamento, as pessoas têm de treinar. No futebol e na vida, se você não se esforçar, não trabalhar, não… você também não obtém sucesso. Implica numa coisa que eu acho fundamental e que é uma educação para todos nós: no fair play, no saber ganhar e no saber perder. Quando você perde, você tem de cumprimentar o adversário. Não é uma guerra, é um jogo, e é por isso que o futebol encanta, porque além disso ele mostra a beleza da iniciativa individual humana em vários momentos, apesar de ele ser um jogo de cooperação. Então eu vou cumprimentar a Angela Merkel e dizer para a Chanceler que o time dela jogou muito bem. E ela esteja de parabéns.

Jornalista: É diferente ser uma mulher Presidente. A Senhora faz as coisas de maneira distinta?

Presidenta: Eu acho que ainda no nosso mundo é visto de forma diferente. Mulheres que são líderes políticas, elas são vistas como duras, duras, mulheres duras, frias, cercadas de homens meigos. Nem uma coisa, nem outra é verdade. Nós somos, como lideranças, como presidentes ou como chanceleres, nós somos mulheres exercendo o papel de mulheres. Eu sempre quero crer que nosso olhar feminino tem uma parte que é perceber que você governa para pessoas e não para coisas. Não que os homens façam necessariamente diferente, mas é certo que a mulher sabe que as pessoas são sentimentos e emoções também, além de pensamentos, além da racionalidade. Acho que essa é uma diferença fundamental.

Jornalista: Presidenta Rousseff, muito obrigada pela participação.

 

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