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Estudo feito pela Fiocruz alerta que Covid-19 pode causar danos cerebrais

Um estudo realizado no Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), em parceria  com o Instituto D’Or (Idor) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), indicou que o novo coronavírus Sars-Cov-2, responsável pela pandemia covid-19, é capaz de infectar células neurais.

De acordo com a pesquisa, o vírus tem capacidade de infectar células neurais, embora não consiga se replicar no sistema nervoso central. Portanto, ao infectar o plexo coróide, há uma reação do sistema imunológico do organismo humano. Na análise, os pesquisadores pressupõe  que essa reação pode ter permitido que o coronavírus acessasse o sistema nervoso central e causasse danos no cérebro.

Com o avanço dos estudos, pesquisadores acreditam que  a doença Covid-19, que  inicialmente foi descrita como uma infecção viral do trato respiratório, afeta outros sistemas biológicos, incluindo o sistema nervoso central (SNC), como foi observada em alguns casos.

Fonte: Brasil 61

 

 

Casos de covid-19 na Paraíba devem começar a recuar nos próximos 30 dias, prevê estudo da UFPB

O Observatório de Síndromes Respiratórias do Departamento de Estatística da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveu plataforma digital para acompanhar, em tempo real, as previsões de novos casos e mortes pela Covid-19 nas capitais do Brasil.

A aplicação digital foi desenvolvida pelos pesquisadores e professores da UFPB, Marcelo Ferreira e Hemílio Coêlho. O objetivo dela é fornecer, através de modelagem estatística, cenários sobre as tendências de evolução dos casos e óbitos da Covid-19.

“Ao clicar na aba ‘Previsões – Estados e Capitais’, qualquer pessoa poderá acessar informações relacionadas às previsões. Elas são de curto e longo prazo (7 a 30 dias), considerando a série histórica dos casos registrados desde o início da pandemia no Brasil”, explica Hemílio Coêlho.

De acordo com o professor do Departamento de Estatística da UFPB, no caso da Paraíba, os dados mostram evidências de que já ocorreu um pico de casos. Pelos dados atualizados até o dia 27, afirma Hemílio, as previsões apontam para uma tendência de diminuição dos casos, em 30 dias, no estado.

“O mesmo padrão de comportamento das previsões ocorre para João Pessoa. Considerando a atualização das previsões da aplicação em 27 de agosto, a tendência de queda no número de casos está ocorrendo nos demais estados da região Nordeste, com exceção de Bahia e Maranhão”.

O professor da UFPB conta que a confiabilidade e assertiva das previsões é em torno de 95%. Com relação ao número de mortes, Hemílio salienta que os dados mostram evidências de que também já ocorreu o pico na Paraíba e em João Pessoa. Atualmente, segundo ele, as previsões apontam para uma tendência de diminuição nos próximos 30 dias.

“O mesmo padrão de comportamento de queda no número de óbitos está ocorrendo nos demais estados e capitais da região Nordeste. A única exceção é o estado da Bahia, que segue com tendência de aumento da série diária de mortes para os próximos 30 dias”, salienta o professor da UFPB.

Hemílio Coêlho ressalta que, na plataforma desenvolvida na UFPB, além de análises relacionadas à pandemia da Covid-19, os pesquisadores decidiram unir as ideias e ampliar as ações para evidenciar dados de distintas síndromes respiratórias.

“Tornou-se um projeto maior do que a pandemia. A finalidade é não apenas monitorar dados da Covid-19, mas também ampliar a análise de outras síndromes respiratórias, proporcionando uma ampla diversidade de pesquisas futuras no âmbito da UFPB e das pós-graduações”, destaca o professor da UFPB.

Por meio da plataforma digital, os professores e pesquisadores da UFPB pretendem disponibilizar dados, indicadores, análises, relatórios e pesquisas sobre distintas síndromes respiratórias.

“O intuito do grupo é colaborar com a promoção de ações de planejamento, prevenção e enfrentamento de pandemias e epidemias. Buscamos possibilitar dados para a segurança e saúde da população”, almeja Hemílio.

PB Agora com informações da UFPB

 

 

Zika pode aumentar risco de dengue grave, diz estudo na Science

A epidemia de zika que assustou mundo entre 2015 e 2016 pode ter deixado uma marca além da microcefalia e da síndrome paralisante de Guillain-Barré. Um novo estudo mostra que pessoas que tiveram essa arbovirose transmitida por mosquitos do gênero Aedes apresentam um risco maior de terem formas mais graves de uma outra, a dengue, no caso de uma infecção subsequente.

Esses novos resultados, publicados na edição desta semana da revista Science, podem ser especialmente importantes na hora de elaborar e testar vacinas contra essas doenças.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, do Instituto de Ciências Sustentáveis e do Laboratório Nacional de Virologia, na Nicarágua, e cientistas de outras instituições dos dois países.

A pesquisa se baseou em dados de 3.800 crianças e adolescentes da Nicarágua, país de 6,5 milhões de habitantes da América Central que sofreu com sucessivas epidemias de dengue nos últimos 16 anos, além da de zika.

Os cientistas notaram que houve um grande número pessoas que tiveram dengue entre 2019 e 2020 –302 casos na corte acompanhada. Aqueles com histórico de infecção por zika tinham probabilidade de 12,1% de apresentar sintomas da infecção, causada pelo subtipo 2 do vírus (DENV2), em comparação com apenas 3,5% entre aqueles nunca infectados.

A probabilidade de manifestar dengue hemorrágica, forma mais severa da dengue, segundo o estudo, também é maior em quem teve zika: 1,1% contra 0%, nos dados do estudo.

Nesse e em outros estudos, o candidato a grande vilão é o DENV2. A interação entre ele e os anticorpos produzidos pelo organismo parece estar na raiz do problema.

A explicação é a chamada potenciação dependente de anticorpos (ou ADE, na sigla em inglês). Os anticorpos contra outros subtipos de vírus da dengue e contra o vírus da zika, numa quantidade reduzida, em vez de promover a aniquilação do DENV2, acabariam por protegê-lo e facilitar sua replicação. Não está descartado, porém, que o mesmo fenômeno ocorra com os outros subtipos (DENV1, DENV3 e DENV4).

O virologista Maurício Nogueira, da Faculdade de Medicina de Rio Preto, estudioso de dengue e zika, afirma que os resultados da pesquisa na Science vão ao encontro do que tem visto nos pacientes que acompanha, embora esses resultados ainda não tenham sido publicados.

“Já havíamos demonstrado que a exposição prévia à dengue não piorava o quadro de zika, mas o contrário parece ser verdadeiro”, diz Nogueira. “É importante lembrar que esses fenômenos de ADE dependem do tempo. Se as infecções forem muito seguidas, nada muda, se a segunda for muito tardia, também não.”

Atualmente há apenas uma vacina aprovada contra a dengue, a Dengvaxia, da Sanofi Pasteur, mas há outras em desenvolvimento, assim como outras contra a zika.

“Neste momento é importante entender se a eficácia da vacina contra a dengue varia de acordo com uma infecção prévia por zika”, escreve em comentário também publicado na Science a pesquisadora Hannah Clapham, da Universidade Nacional de Singapura. “No caso da Dengvaxia, os ensaios ocorreram antes da epidemia de 2015-16. E é ainda possível que as vacinas contra a zika possam levar a infecções subsequentes mais severas de dengue.”

Todos os anos, 390 milhões de pessoas de pessoas são infectadas pelo vírus da dengue, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, sendo que 96 milhões apresentam sintomas.

“Seria prudente que todos esses estudos de vacinas mensurassem a imunidade aos vírus antes e após a vacinação, com acompanhamento de longo prazo, já que a imunidade se altera ao longo do tempo”, continua Clapham. Outros flavivírus, como o da febre amarela e o da encefalite japonesa, também devem ganhar atenção, diz.

Eva Harris, autora sênior do artigo, lembra que não há estudos que digam que o ADE seja importante na resposta à infecção contra coronavírus humanos.

“Nós não esperamos que esse inusual mecanismo se aplique à Covid-19. No entanto, estudar a reação cruzada entre vírus correlacionados é sempre valioso e pode ajudar a entender se infecções naturais por outros coronavírus podem gerar imunidade ou se estão associadas a desfechos mais graves”, afirma.

Ela diz que, por causa disso, as vacinas contra zika estão sendo construídas para induzir uma resposta melhor em comparação àquela da infecção natural, com a produção apenas de anticorpos neutralizantes, e não os potenciadores.

“Isto é algo importante no caso da Covid-19: vacinas podem ser desenvolvidas para produzir uma resposta imunológica melhor do que a infecção natural pelo Sars-Cov-2, o que as torna mais seguras e mais efetivas”, diz Harris.

Interação entre Zika e Dengue

Parentes
Os cientistas já desconfiavam que os anticorpos contra a zika poderiam interferir na resposta imunológica contra a dengue, já que os vírus são da mesma família

Ligação
Quando há uma nova infecção por um vírus aparentado, é possível que os anticorpos fabricados na infecção anterior se liguem fortemente ao novo invasor, eliminando-o

Problemas
Mas é possível também que, por uma ligação mais fraca ou uma baixa quantidade de anticorpos, essa interação seja falha, o que aumenta a probabilidade de uma doença mais grave

Estudo
Cientistas de um projeto que acompanha milhares de crianças e adolescentes na Nicarágua observaram que uma infecção prévia pelo vírus da zika é um fator de risco para uma infecção mais grave de dengue

Significado
Especialmente na hora de elaborar vacinas, deve-se levar em conta esse tipo de fenômeno (potencialização dependente de anticorpos, ou ADE na sigla em inglês), para que a proteção contra um vírus não traga mais riscos do que o necessário.

 

FOLHAPRESS

 

 

Estudo revela que amamentação no primeiro ano de vida é primordial por causar efeito positivo no cérebro

Considerado um ato fundamental para o desenvolvimento saudável de uma criança, o aleitamento materno tem ganhado cada vez mais atenção no Brasil. É o que revela o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) do Ministério da Saúde. De acordo com o balanço, 14.505 crianças menores de cinco anos foram avaliadas no período entre fevereiro de 2019 e março de 2020. Desse total, 53% continua sendo amamentada no primeiro ano de vida.

Em relação às crianças menores de seis meses, o índice de amamentação exclusiva é de 45,7%. Quanto às menores de quatro meses, a taxa chega a 60%. Esses resultados, segundo o secretário de Atenção Primária à Saúde, Raphael Câmara Medeiros, representa um avanço importante, pois uma amamentação feita da maneira correta contribui, de maneira significativa, para uma vida saudável, tanto no momento atual, quanto no futuro.

“A amamentação é importante porque reduz em até 13% a mortalidade infantil, diminui as chances da criança ter alergia, infecções, diarreia, doenças respiratórias, obesidade e diabetes tipo 2. Além disso, causa um efeito positivo na inteligência, reduz as chances da mulher vir a ter câncer de mama e de ovário, não causa poluição ambiente por não ter embalagens e diminui os custos com tratamentos e para o sistema de saúde”, pontua Medeiros.

Os dados foram apresentados durante o lançamento da campanha de incentivo à amamentação, do Ministério da Saúde. A iniciativa marca o início do Agosto Dourado e da Semana Mundial do Aleitamento Materno 2020 (SMAM), que ocorre em mais de 150 países.

Na ocasião, foram apresentadas informações sobre o último dado de 2006 da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS). Quando comparados ao Enani, esses dados apontam para um aumento de 15 vezes na prevalência de aleitamento materno exclusivo entre as crianças menores de 4 meses, e de 8,6 vezes entre crianças menores de 6 meses.

Por outro lado, em relação aos últimos 34 anos, percebe-se um salto de aproximadamente 13 vezes no índice de amamentação exclusiva em crianças menores de 4 meses e de cerca de 16 vezes entre crianças menores de 6 meses.

“Esses resultados mostram que o Brasil avançou nesses indicadores, revelando a importância das políticas públicas nessa área e a importância de continuar investindo em políticas públicas para promover e apoiar a amamentação. A nossa recomendação é que as crianças mamem por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos seis primeiros meses, priorizando a amamentação na primeira hora de vida”, destaca a coordenadora Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN) do Ministério da Saúde, Gisele Bertolini.

Amamentação na pandemia

Apesar das recomendações sobre os cuidados para evitar contágio da Covid-19 serem mantidas, o Ministério da Saúde orienta que a amamentação seja contínua mesmo durante a pandemia. Nesse caso, são levados em conta alguns pontos como benefícios para a saúde da criança e da mulher e a ausência de constatações científicas significativas sobre a transmissão do coronavírus por meio do leite materno.

A diretora substituta do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (DAPES), Maria Dilma Teodoro afirma que ainda é considerado o fato de não haver recomendação para a suspensão do aleitamento materno na transmissão de outros vírus respiratórios.

“A mulher deve procurar um profissional de saúde para obter orientações sobre os cuidados necessários para manter a amamentação no período da infecção por vírus. Caso ela tenha alguma dúvida ou se sinta insegura, a recomendação é procurar esclarecimentos com alguém da área e que tente não interromper a amamentação se não houver uma indicação em outro sentido”, explica Maria Dilma.

Nessa situação específica, a amamentação deve ocorrer apenas se a mãe desejar e estiver em condições clínicas adequadas para realizá-la. No caso das mães que tenham confirmação ou estejam com suspeita da Covid-19 que não puderem ou não quiserem amamentar, devem ser orientadas por profissionais de saúde a realizarem a extração do leite materno manualmente ou por bomba.

Fonte: Brasil 61

 

Coronavírus: estudo aponta que não há evidência para eficácia de testes rápidos

Um estudo concluiu que não há evidências que sustentem o uso de testes rápidos para diagnóstico de Covid-19. A análise foi publicada na revista científica BMJ no dia 1º de julho.

Foram analisados dados de mais de 40 estudos de diversos países para avaliar a evidência disponível neste momento que sustente ou não o uso desses testes e indicar sua acurácia.

Os testes sorológicos identificam pessoas que já tiveram contato com o vírus e, por isso, devem ser feitos a partir do 10º dia de contágio.

Na revisão, os testes foram divididos por método e também por classes de anticorpos. A sensibilidade e a especificidade dos diferentes testes foram comparadas.

A sensibilidade corresponde ao nível de precisão, ou seja, quanto mais alta, menor a taxa de falsos negativos. Já a especificidade indica quão específico é o teste para detectar anticorpos contra o Sars-CoV-2 em relação a outros vírus respiratórios.

As três sorologias avaliadas foram Elisa e quimioluminescência, feitas em laboratório a partir de amostra de sangue venoso, e a imunocromatrografia, os chamados testes rápidos, que analisam, no próprio aparelho, uma ou duas gotas de sangue da ponta do dedo. As classes de anticorpos correspondem às imunoglobulinas IgM, IgG e IgA.

Os anticorpos IgM são produzidos no início da infecção, enquanto o IgG e IgA – também chamados de memória – aparecem na fase tardia.

Os anticorpos IgG e IgA são específicos para um agente viral e podem durar bastante tempo no organismo, sendo considerados bons marcadores de imunidade.

Os pesquisadores observaram que a especificidade dos diferentes testes sorológicos varia entre 96,6% a 99,7%. Em relação à sensibilidade, os testes de quimioluminescência tiveram sensibilidade de 97,8% (intervalo de 46,2% a 100%), os de Elisa 84,3% (intervalo de 75,6% a 90,9%) e o imunocromatográfico de apenas 66% (intervalo de 49,3% a 79,3%). Todas as análises foram feitas em pacientes que apresentaram diagnóstico positivo para Covid-19 no exame RT-PCR, considerado padrão-ouro para diagnóstico de infecção aguda.

Na prática, isso significa que em aproximadamente 34% dos casos os testes rápidos dão falso positivos, enquanto no Elisa essa taxa equivale a cerca de 16% e na quimioluminescência, 2%.

Foto:Bruno Concha/Secom

Foto:Bruno Concha/Secom

Em relação aos pacientes que não tiveram contato prévio com o vírus, a chance de o resultado positivo ser verdadeiro –nesse caso indicando corretamente que o paciente não apresenta anticorpos anti-Sars-CoV-2– aumenta para 98% para o Elisa e 97% para o imunocromatográfico. No caso da quimioluminescência, essa taxa se manteve em 98%.

Segundo os autores, em uma população cuja prevalência do Sars-CoV-2 seja de 10%, a cada mil indivíduos que contraíram a doença, 66 terão resultado positivo no teste rápido e 34 serão classificados erroneamente como não infectados. Por outro lado, dentre aqueles que não foram contaminados, em 869 o resultado do teste será negativo, mas 31 serão falsamente identificados como se tivessem anticorpos anti-Sars-CoV-2.

No entanto, uma observação importante da revisão é que há um elevado risco de viés (cerca de 67%) nos testes de acordo com o período em foram realizados –se muito no início ou no fim do contágio. Isso significa que há uma correlação direta entre o momento em que é feito o exame e a sua acurácia.

O estudo também comparou os diferentes testes disponíveis comercialmente e as chamadas tecnologias in-house, desenvolvidas e patenteadas por um laboratório, sem comercialização. A sensibilidade dos testes foi significativamente menor nos kits comerciais nos três métodos em comparação às tecnologias laboratoriais, em especial o método imunocromatográfico, cuja sensibilidade foi de apenas 65%, frente à 88,2% do método desenvolvido em laboratório.

Outro dado levantado na pesquisa identificou uma maior taxa de acerto dos testes comerciais quando realizados a partir da terceira semana de contágio em relação às primeiras duas semanas após início dos sintomas.

Segundo os autores, embora a utilização de um teste rápido, de baixo custo e com bom índice de acerto seja de interesse da população, essa procura levou à produção, à comercialização e à divulgação de diversos testes sorológicos para Covid-19 sem que houvesse uma avaliação mais rigorosa de sua sensibilidade.

“A baixa sensibilidade do teste rápido preocupa em particular […]. Essas observações fornecem evidências contrárias ao uso desse teste para outros fins além de estudos de soroprevalência, e apoiam as recomendações dadas pela Organização Mundial da Saúde de não utilizá-los como método diagnóstico”, afirmam os autores.

Os pesquisadores concluem com um alerta: “a baixa performance dos testes sorológicos existentes coloca em dúvida a utilização de tais métodos para tomada de decisões, em particular o uso dos testes rápidos associados aos chamados ‘passaportes de imunidade’ por governantes.”

 

FOLHAPRESS

 

 

91% das pessoas que tiveram a Covid-19 no Brasil apresentaram sintomas, diz estudo

Em entrevista coletiva na noite desta quinta-feira (02), o Ministério da Saúde divulgou os resultados do EPICOVID19-BR, o maior estudo epidemiológico do país sobre o coronavírus. Dividida em três fases, com início em maio e término no final de junho, a pesquisa analisou 89.397 pessoas de todas as regiões do país e foi conduzida pela Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

A pesquisa utilizou como base geográfica as 133 cidades de regiões intermediárias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – agrupamentos de locais que são articulados através da influência de uma metrópole, capital regional ou centro urbano.

Entre os resultados, pesquisadores levantaram que os sintomas mais frequentes das pessoas infectadas pelo coronavírus incluem alteração do olfato/paladar, dor de cabeça, febre e tosse. Dentre as pessoas que participaram do estudo, 91% apresentaram sintomas e 9% eram assintomáticas.

“É claro que esse número tem que ser considerado com o devido cuidado. Não estamos querendo dizer que 91% das pessoas vão precisar de atendimento hospitalar. Estamos dizendo que os sintomas da Covid-19 aparecem e isso é uma boa notícia para a secretaria de Vigilância da Saúde para desenvolver protocolos para tentar identificar pessoas sintomáticas e com isso, impedir a disseminação da doença”, avaliou o coordenador do estudo epidemiológico, Pedro Hallal.

Letalidade

O estudo da Universidade Federal de Pelotas apontou também a estimativa da letalidade da infecção por coronavírus. Os resultados mostram taxa de letalidade de 1,15%, o que significa que a cada 100 pessoas infectadas pelo vírus, uma vai a óbito.

“Tem uma alteração grande por faixa etária. Pode ter variação por aglomeração na casa, tem uma série de variáveis que nós discutimos com o Ministério da Saúde para análises futuras, mas, em geral, na população o número que temos para apresentar é 1,15%. É um dado consistente, baseado em fatos reais e não em projeções matemáticas”, destacou Pedro Hallal.

Outros resultados

A pesquisa levantou informações sobre distanciamento social. Da primeira fase até a última, no final de junho, o percentual de pessoas que saem de casa diariamente subiu de 20,2% para 26,2%. A estatística de pessoas quem saem só para atividades essenciais diminuiu – passou de 56,8% em meados de maio para 54,8% no final do mês passado.

O coordenador do estudo, Pedro Hallal, também chamou atenção para a infecção por crianças e adolescentes. “Também pegam o vírus na mesma proporção que adulto. Claro que o quadro clínico das crianças é menos grave, mas pegam também. No início da pandemia foi sugerido que crianças não pegavam”, avaliou.

O estudo mostrou ainda que os 20% mais pobres da população brasileira tem o dobro da infecção do que os 20% mais ricos da população. “Uma explicação é a questão da aglomeração, da quantidade de cômodos, quantidade de moradores. Vamos explorar isso ao longo dos próximos meses”, destacou Hallal.

PB Agora

 

 

Estudo indica interiorização do coronavírus na Paraíba

Um estudo encomendado pelo Núcleo de Atendimento da Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB), em Patos, ao Laboratório de Inteligência Artificial e Macroeconomia Computacional (Labimec) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) mostra um processo de interiorização do novo coronavírus na Paraíba, com a participação decrescente de João Pessoa no registro de novos casos e aumento da participação dos demais municípios.

De acordo com o relatório apresentado durante videoconferência no último dia 18, com representantes da Defensoria Pública estadual, Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB) e da Prefeitura Municipal de Patos, estima-se que o pico dos casos na cidade de Patos ocorrerá entre as 3ª e 4ª semanas de junho.

Na hipótese de um cenário de normalidade no convívio das pessoas, o estudo aponta, neste período, aproximadamente 2,5 mil casos de pessoas infectadas na cidade. A apresentação do relatório foi do professor Cássio da Nóbrega e do pesquisador Flávio Macaúbas Torres Filho.

“O momento é de respeito as orientações de isolamento, ter mais consciência de que é pelo bem da coletividade, até porque a gente sabe que tem pessoas com mais propensão a, uma vez adquirido o vírus, chegar à letalidade. Então, nós reiteramos essa necessidade de cumprir as medidas de isolamento. É difícil, mas é pelo bem comum. Pessoas estão morrendo, entes queridos, inclusive crianças, em decorrência do novo coronavírus. Para que isso termine o mais rápido possível, a gente precisa se conscientizar e respeitar as medidas de isolamento”, reforçou a defensora pública Raíssa Palitot.

De acordo com os dados que mostram o processo de interiorização, João Pessoa registrou, no dia 15 de maio, 27 novos casos, enquanto a cidade de Patos apresentou 45 novos casos na mesma data. “Mesmo sendo uma cidade muito menor, com uma população que representa aproximadamente 15% da população da Capital”, pontou Raíssa.

Dentre os dados, também foi destacado o aumento de 216,2% dos casos confirmados (74 para 160 casos) em apenas uma semana (de 9 a 16 de maio) e de 44,4% nos óbitos (7 para 13), refletindo uma taxa de mortalidade de 5,5%. “Levando-se em conta que, em outros países com testagem superior à brasileira, a taxa de mortalidade do coronavírus não alcança esse patamar, verificou-se, pelos dados do relatório, a possibilidade de grande subnotificação”, diz a ata da reunião.

“Outra coisa que esse estudo nos trouxe que é preciso ficar muito alerta é que o tempo em que a pessoa tem constatado a infecção do vírus, que é testado positivo, até o dia que vem a óbito, em Patos, é menor do que a média no estado”, acrescentou Raíssa.  A média em todo o Estado é de 11 dias, enquanto a de Patos está em torno de oito dias.

 

portalcorreio

 

 

Estudo aponta que novo coronavírus se expandiu na PB pela BR-230

Pesquisa desenvolvida na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) mostra que o novo coronavírus se expandiu na Paraíba pela BR-230. O estudo, divulgado nessa segunda-feira (18), é do Laboratório de Estudos e Gestão de Águas e Território, vinculado ao Departamento de Geociências. O grupo criou um serviço de produção e divulgação de mapas e dados com a espacialização e a evolução dos casos oficiais da Covid-19 na Paraíba.

De acordo com o professor Pedro Vianna, os dados apontam que, na Paraíba, o vírus se difundiu do leste para o oeste e, diferente do que ocorreu no planeta, em que o vírus se expandiu por meio do transporte aéreo, no estado, esse deslocamento se deu pela malha rodoviária, principalmente a BR-230. Já os polos regionais ao longo da BR-230, como Campina Grande, Patos, Sousa e Cajazeiras, tornaram-se novos centros de disseminação, em caráter regional.

Ainda segundo Pedro Vianna, a falha no acompanhamento dos primeiros casos, com a ausência de exames, não permite saber se o principal meio de entrada do vírus na região de João Pessoa foi pela via aérea, originário de São Paulo ou de Brasília, ou pela BR-101, vindo da região metropolitana de Recife (PE).

Conforme a análise do professor, a região de João Pessoa expandiu o vírus pelo seu entorno e se tornou uma vasta zona de contágio, contribuindo para isso sua morfologia urbana, com aglomeração urbana com alta densidade populacional.

De acordo com os estudos, há mais de 80 favelas na capital. O alto grau de verticalização nas zonas de classe média e alta do litoral obriga o uso de áreas comuns como elevadores, relevantes na disseminação do coronavírus.

Outros fatores que colaboram para a propagação da doença, na avaliação do professor Pedro Vianna, são a estrutura interna da rede de distribuição de serviços e mercadorias, principalmente a de alimentos, ainda fortemente marcada pela presença de mercados municipais e feiras livres em diversos bairros, quebrando o distanciamento social.

Outro problema é a disponibilidade hídrica. Em zonas que não são atendidas por rede de água tratada, as pessoas não têm como fazer a higienização para prevenir o contágio.

A pesquisa

A execução do mapa está sob a responsabilidade de alunos de graduação, mestrado e doutorado do Programa de Pós-graduação em Geografia da UFPB. O trabalho vem sendo desenvolvido desde o dia 2 de abril.

Uma parte das atualizações é feita por rotinas automáticas que buscam e capturam dados de sites oficiais do governo federal e da Paraíba, principalmente os dos boletins da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba. Esses dados são então filtrados, analisados e inseridos em ambiente de Sistema de Informação Geográfica (SIG) para a geração dos mapas.

Com a suspensão das atividades presenciais, o conhecimento técnico de Geotecnologia, uma das linhas de trabalho do laboratório, que normalmente é destinado à análise sobre os recursos hídricos, foi aplicado para acompanhar a crise da saúde provocada pelo novo coronavírus.

Equipe de trabalho

  • Pedro Vianna (professor)
  • Francisco Segundo Neto (doutorando)
  • Maria Cecilia Silva (doutoranda)
  • Thiago Farias (mestrando)
  • Arthur Santos (aluno da graduação)

Coronavírus na Paraíba

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a Paraíba contabiliza 4.786 casos de Covid-19 e 207 mortes em decorrência da doença. Os casos estão distribuídos em 141 dos 223 municípios do estado.

 

portalcorreio

 

 

Pico da Covid-19 na Paraíba será no início de junho, diz estudo da UFPB

Um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Inteligência Artificial e Macroeconomia Computacional (Labimec) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) aponta que o pico de contágios por Covid-19 na Paraíba será no início de junho, atingindo 5% da população, com 190.078 casos.

O prognóstico é mantido quando aplicado, por exemplo, à cidade de João Pessoa, sendo esperados 35.457 casos, o que corresponde a 4% da população do município.

“Com estas previsões, podemos auxiliar gestores públicos no enfrentamento da pandemia, por meio de tomada de decisões, a fim de gerenciar os riscos”, avalia Maria Daniella Silva, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo.

A estimativa foi realizada com base no modelo epidemiológico SIR, usado para medir a evolução de epidemias contagiosas. Para isso, indivíduos de determinada população são definidos em Susceptíveis (S), Infectados (I) e Recuperados (R).

Para o estudo, foram feitas três suposições: a população é constante, com isso, não é levado em consideração os nascimentos e as mortes durante a pandemia; os indivíduos são igualmente susceptíveis à doença; as pessoas ficam imunes após uma única infecção.

Maria Daniella Silva explica que os resultados não estão levando em conta nenhuma medida de contenção de interação humana. “Isso achataria a curva, ou seja, reduziria o número máximo de infectados”.

O modelo de previsão também não considera a existência de subnotificação dos casos. “O número de infectados pode ser maior que o apresentado oficialmente. Todo modelo de previsão está sujeito a erros”.

Nesta terça (12), segundo a Secretária de Saúde do Estado, a Paraíba registrou o maior número de casos e óbitos em um único dia. Foram 252 novos casos de Covid-19 e 15 óbitos causados pela doença. Assim, a Paraíba atingiu 2.777 casos de Covid -19. Desses, 154 faleceram e 601 se recuperaram. Outros 3.137 casos investigados já foram descartados.

Por meio dos boletins da pasta estadual, o Laboratório de Inteligência Artificial e Macroeconomia Computacional da UFPB levantou que, das mortes provocadas pela Covid-19, 60,2% pessoas tinham 60 anos ou mais, grupo de risco da doença. Outras 74,2% tinham comorbidades, tais como hipertensão, diabetes e problemas cardíacos. Com relação ao sexo das vítimas, 36,6% são mulheres e 63,4% homens, com média de idade de 64 anos.

Isolamento

A partir de dados da geolocalização de smartphones do sistema Android captados pela Google, o laboratório da UFPB também analisa o nível de circulação de pessoas em determinados locais, com a finalidade de monitorar o cumprimento da política de isolamento social.

Os dados constatam que houve uma grande variação na circulação de pessoas no dia 21 de abril, que foi o máximo de isolamento social no período, chegando a uma variação negativa de 78% da circulação de pessoas em lojas e ambientes de recreação, devido ao feriado de Tiradentes.

Já no dia 26 de abril, foi observado grande aumento da circulação de pessoas e um certo descumprimento da política de isolamento implementada, o que pode ser preocupante para o sistema de saúde paraibano e para a sociedade como um todo.

Reações

O mapeamento do Twitter, produzido pela unidade de pesquisa, teve como foco a reação dos usuários brasileiros a notícias relacionada à Covid-19. Para isso, foram coletados 90 mil tweets de 4 a 8 de maio.

Através de machine learning, um método de análise de dados, os tweets da segunda-feira (4) apresentaram um novo ápice do sentimento negativo. Isso ocorreu devido a notícias e acontecimentos do final de semana, além da divulgação de que o país havia ultrapassado 100 mil casos confirmados e mais de 7 mil óbitos.

Na dia 7 de maio, houve uma redução brusca desse sentimento, que pode ser atribuída à divulgação da descoberta, por parte de Israel, de um anticorpo que “neutraliza” o coronavírus e também ao relatório feito pelo Imperial College de Londres, com foco no Brasil, que recomenda a adoção de medidas mais severas para conter a explosão da pandemia.

Desde então, algumas cidades começaram a discutir e implantar o lockdown, isolamento total, e a reação de “alívio” por parte de alguns usuários foi captada, uma vez que o Twitter se trata de uma ferramenta de monitoramento em tempo real.

As análises do laboratório acompanham a pandemia do novo coronavírus desde o início de abril. O grupo é formado ainda pelos pesquisadores Cássio Besarria, Valéria Besarria, Fabyan Esberard, Pierre Hítalo, Flávio Macaúbas, Daniel Campesi e Guilherma Mazala. É possível acompanhá-los pelo perfil do laboratório no Instagram.

 

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Vitamina D pode reduzir risco de contágio, sugere estudo

A vitamina D pode ter um papel importante no tratamento e prevenção da covid-19, sugere um estudo da Universidade de Turim divulgado nesta quinta-feira (26/03), que analisou a relação entre a deficiência deste nutriente no corpo e o novo coronavírus.

Coordenado pelo professor Giancarlo Isaia, docente em geriatria e presidente da Academia de Medicina da cidade italiana, e por Enzo Medico, professor de histologia (estudo de tecidos), a pesquisa mostrou que “dados preliminares coletados nos últimos dias em Turim indicam que os pacientes com a covid-19 apresentam uma prevalência muita alta de deficiência de vitamina D”.
Os dados apurados na pesquisa, segundo os dois especialistas, mostraram que a vitamina D tem papel ativo na regulação do sistema imunológico. Outras evidências indicam que o composto tem um efeito “na redução do risco de infecções respiratórias de origem viral, inclusive na do coronavírus”. O elemento também teria capacidade de combater danos pulmonares causados por inflamações.

Ter vitamina D suficiente no organismo também “pode ser necessário para determinar uma maior resistência às infecções de covid-19, (possibilidade) que, apesar de haver menos evidências científicas, pode ser considerada verossímil”, escrevem os pesquisadores.

A falta da molécula no organismo é ainda frequentemente associada a diversas doenças crônicas que podem reduzir a expectativa de vida em idosos, “tanto mais no caso de infecções da covid-19”. Na Itália, a falta de vitamina D afeta grande parte dos habitantes, especialmente os mais idosos, cujo país tem a segunda maior população do mundo, depois do Japão. Os mais velhos fazem ainda parte do grupo de risco do novo coronavírus. Fortemente a atingida pela pandemia, a Itália já registrou o maior número de mortes do mundo em decorrência da covid-19, mais de 9,1 mil.

Isaia e Medico já submeteram o documento com dados da pesquisa à Academia de Medicina de Turim. No texto, eles recomendam aos médicos que, associada a outras medidas, eles garantam “níveis adequados” de vitamina D na população, “mas sobretudo em pacientes já contagiados, seus familiares, agentes de saúde, idosos frágeis, no público de residências assistenciais, em pessoas em regime de isolamento e em todos aqueles que, por vários motivos, não se expõe adequadamente à luz solar”.
Além disso, os autores dizem que a administração intravenosa da forma ativa da vitamina D, o Calcitriol, também pode ser considerada em pacientes da doença respiratória covid-19, causada pelo coronavírus, com funções respiratórias particularmente comprometidas.
Eles lembram ainda que a carência pode ser compensada, antes de tudo, com exposição das pessoas à luz solar pelo maior tempo possível, “em varandas e terraços, além de ingerir alimentos ricos em vitamina D e tomando preparados farmacêuticos especiais – mas sempre após consulta médica”.

Assessoria de Comunicação da Climatempo