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Anvisa suspende venda de suplemento alimentar com estimulante proibido

Substância suspensa é fabricada por empresa desconhecida e aumenta o rendimento atlético. Consumo pode causar graves danos à saúde


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu nesta terça-feira a distribuição, a divulgação, o comércio e o uso do suplemento alimentar Oxielite Pro. A medida é válida em todo País. De acordo com o órgão, o produto, fabricado por empresa desconhecida, possui a substância dimethylamylamine (DMAA) na composição, um estimulante que ajuda a emagrecer e aumenta o rendimento atlético.

Na última terça-feira (3), o DMAA foi incluído na lista de substâncias proscritas no Brasil, o que impede a importação de suplementos alimentares que contenham a substância, mesmo que por pessoa física e para consumo pessoal. Além do Oxielite Pro, o DMAA é encontrado na composição de suplementos alimentares como Jack3D e Lipo6 Black.

Por meio de nota, a Anvisa alertou que o consumo de suplementos alimentares pode causar graves danos à saúde. Muitos deles são comercializados irregularmente no país, sem terem passado por nenhum tipo de avaliação de segurança.

Alguns desses produtos contêm ingredientes que não são seguros para o uso em alimentos, como estimulantes e hormônios, segundo a agência reguladora. Os suplementos alimentares também podem conter substâncias com propriedades terapêuticas, que não podem ser consumidas sem acompanhamento médico.

“Os agravos à saúde humana podem englobar efeitos tóxicos, em especial no fígado, disfunções metabólicas, danos cardiovasculares, alterações do sistema nervoso e, em alguns casos, levar até a morte”, alertou o órgão.

O comunicado destaca ainda que o forte apelo publicitário e a expectativa de resultados rápidos contribuem para o uso indiscriminado dos suplementos alimentares por pessoas que desconhecem os riscos envolvidos no consumo.

No Brasil, alimentos apresentados em formatos farmacêuticos, como cápsulas e tabletes, só podem ser vendidos depois de avaliados e com registro na Anvisa.

Orientações para evitar o uso de suplementos alimentares não autorizados no País:

– Promessas milagrosas e de ação rápida, como “Perca 5 kg em 1 semana!”;
– Indicações de propriedades ou benefícios cosméticos, como redução de rugas, de celulite e melhora da pele;
– Indicações terapêuticas ou medicamentosas, como cura de doenças, tratamento de diabetes, artrites e emagrecimento;
– Uso de imagens e/ou expressões que façam referência a hormônios e outras substâncias farmacológicas;
– Produtos rotulados exclusivamente em língua estrangeira;
– Uso de fotos de pessoas hipermusculosas ou que façam alusão à perda de peso;
– Uso de panfletos e folders para divulgar as alegações do produto como estratégia para burlar a fiscalização;
– Produtos comercializados em sites sem identificação da empresa fabricante, distribuidora, endereço, CNPJ ou serviço de atendimento ao consumidor.

Recomendações para quem usa ou pretende consumir suplementos alimentares:

– Solicite auxílio de um nutricionista ou médico para a identificação de produtos seguros e regularizados;
– Desconfie se o produto for “bom demais para ser verdade”.Ter um corpo definido e emagrecer nem sempre é rápido ou fácil, principalmente de forma saudável;
– Consumidores que adquiriram produtos que contém DMAA (dimethylamylamine) na composição devem buscar orientação com a autoridade sanitária local sobre a destinação adequada dos suplementos;
– Mais informações podem ser obtidas na central de atendimento da Anvisa pelo telefone 0800 642 9782.

Agência Brasil

Literatura de cordel: uma ferramenta estimulante na sala de aula

 

A literatura de cordel tem servido de inspiração para professores e alunos como na Escola Municipal Prefeito Walter Dória de Figueiredo, em Rio Largo, Alagoas. Lá, é desenvolvido o projeto Sinhô Cordel, com estudantes do oitavo ano do ensino fundamental. A rede pública na região metropolitana de Natal também tem utilizado o recurso para estimular a leitura.


foto: onordeste.com

A professora Polyanna Paz de Medeiros Costa é a responsável pelo projeto, que estimula os alunos a participar de várias atividades, como leitura e discussão dos temas explorados pela literatura de cordel; audição de versos declamados pelo cordelista alagoano Demis Santana; produção de cordel e desenhos manuais. Os estudantes também participam de dramatizações de textos de cordel, de autoria própria, ao som de músicas regionais, como do compositor Luiz Gonzaga (1912-1989).

“Os textos cordelistas são grande aliados nas estratégias de leitura e compreensão de fatos da realidade”, defende Polyanna. Formada em letras, com habilitação em português e literatura, especialização em mídias na educação e em novos saberes e fazeres da educação básica, ela está há dez anos no magistério. Polyanna também lecionou e desenvolveu o projeto Sinhô Cordel nas escolas Mário Gomes de Barros, no município de Novo Lino, e Alfredo Gaspar de Mendonça, em Maceió.

A docente ressalta que a literatura de cordel integra o patrimônio histórico do povo nordestino. “Ela é ensinada ao aluno para que ele reconheça que a linguagem é um meio fundamental na construção tanto de significados e conhecimentos quanto da identidade do ser humano”, explica Polyanna, reforçando que o mundo exige mais criatividade, senso crítico e capacidade de interpretação, o que é bastante trabalhado com o cordel.

Rio Grande do Norte

Em Parnamirim, região metropolitana de Natal (RN), a literatura de cordel é estimulada nas unidades de ensino. Além do projeto Cordel na Escola, da secretaria municipal de Educação, algumas instituições desenvolvem experiências próprias como na Escola Municipal Professora Íris de Almeida Matos. Lá, é feito um trabalho com literatura de cordel há três anos.

De acordo com a diretora, Andréia Cristiane dos Santos Xavier, a escola sempre desenvolveu atividades voltadas para a leitura, mas os professores se queixavam da falta de estímulo por parte das famílias. “Isso me causava inquietação”, diz Andréia. Ao constatar que algumas famílias não podiam oferecer instrumentos de leitura, tanto por questões financeiras quanto por falta de interesse, a comunidade escolar acolheu a demanda e iniciou uma mobilização. As primeiras atividades foram um carrinho literário e rodas de leitura.

Após perceber o interesse das crianças, diversos proejtos foram criados até chegar ao Sopa de Letrinhas Sabor Cordel, com o cordelista José Acaci. Ficou acertado, então, que este ano a escola seria uma das instituições participantes do projeto Cordel na Escola, da secretaria de Educação, que a cada ano reúne quatro escolas.

Segundo a diretora, com a realização do Sopa de Letrinhas (projeto que deu origem ao trabalho com cordel) foi possível observar diversas melhorias no comportamento dos alunos. Aumentou o interesse pela leitura, interpretação e escrita de textos, houve desenvolvimento da criatividade e do respeito em ouvir o outro.

Os estudantes também ganharam postura ao se apresentar em público e se tornaram mais participativos. A escola, que tem 500 alunos do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, passou a participar também do projeto Rede Potiguar de Escolas Leitoras, que incentiva a promoção da leitura nas instituições públicas de ensino. (Fátima Schenini)

Grandes nomes do cordel

Os cordelistas escolhidos para estudos em sala de aula são Jorge Calheiros, Davi Teixeira, José Severino Cristovão, Vicente Campos Filho, Gerson Santos, Pedro Queiroz, João Ferreira de Lima, José Pacheco, José Francisco Borges, Pedro Costa e Antônio Gonçalves da Silva.

“O cordel é um tipo de poesia popular, impressa em folhetos e veiculada em feiras ou praças”, define a professora nordestina.

O cordel teve origem em Portugal, por volta do século 17, quando era escrito em folhas volantes, também denominadas folhas soltas. Como tinha um aspecto rudimentar, era comercializado nas feiras, praças e ruas preso a um cordel ou barbante, o que facilitava a exposição.

Fonte: Jornal do Professor/MEC