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João Azevêdo diz que Bolsonaro tomou “decisão impensada” ao cancelar compra da CoronaVac: “vacina não é de direita ou de esquerda”

Governadores e secretários de Saúde revoltaram-se com o recuo de Jair Bolsonaro em relação à compra da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo.

Nesta quarta-feira (21), um dia após o anúncio de acordo para compra de 46 milhões de doses entre Ministério da Saúde e estado de São Paulo, o presidente disse que o imunizante não será adquirido pelo governo federal.

“Se Bolsonaro desautorizar o amplo acordo feito por Pazuello, ele mais uma vez estará sabotando o sistema de saúde e criando uma guerra federativa. Espero que bons conselheiros consigam debelar esse novo surto de Bolsonaro”, diz Flávio Dino (PC do B), governador do Maranhão, que falou em recorrer à Justiça para ter acesso a vacinas validadas pela comunidade científica.

“Bolsonaro não pode dispor das vidas das pessoas para seus propósitos pessoais. E Bolsonaro vai perder de novo, se insistir com mais essa agressão insana aos estados”, acrescentou.

“Temos que apelar ao presidente para que a gente tenha equilíbrio, racionalidade, empatia com quem pode pegar esse vírus. Um apelo mesmo para manter o que falamos ontem. É importante manter a decisão republicana de ontem e deixar de lado questões eleitorais, ideológicas. E torcer para que o que disse Bolsonaro não seja levado ao pé da letra”, diz Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo.

“É para deixar todo mundo perplexo. Depois de uma reunião com quase todos os governadores do país, com Fiocruz, com Butantan, com representantes de municípios, o ministro afirma que vai fazer aquisição da vacina do Butantan e também da Fiocruz, oferecendo segurança e esperança para o país. E, então, o presidente da República, numa decisão impensada, anuncia que não vai fazer a compra da vacina chinesa”, afirma João Azevêdo (PSB), governador da Paraíba.

“Vacina não é de direita ou de esquerda, o que interessa é que tenha eficácia. Se for isso [que Bolsonaro falou], vai ter consequência muito grave e o preço vai ser muito caro. Não dá para compreender que um processo que deveria ser científico vire político”, completa.

“A decisão sobre a inclusão de uma vacina no programa nacional de imunização deve ser eminentemente técnica, e não política. Temos instituições renomadas trabalhando no assunto, como a Fiocruz e o Instituto Butantan, e o que deve ser observado é a condição de segurança, a viabilidade técnica e também a agilidade para disponibilizar a vacina para imunizar a população. Ou seja, sem análises políticas, o importante é que seja tecnicamente decidido e viabilizado para a população o que ela precisa, que é a garantia de uma vacina segura o mais rápido possível”, defendeu Eduardo Leite (PSDB), governador do Rio Grande do Sul.

“O compromisso assumido ontem foi de comprar vacina produzida no Brasil, da Fiocruz-Manguinhos, e do Instituto Butantã, produção brasileira. A saúde do povo em primeiro lugar. E neste caso a saída da crise econômica que permite recuperar empregos e trabalhar solução para a calamidade social é a vacina. O compromisso do ministro Pazuello que selou entendimento com todos os estados e municípios foi claro, comprar da Fiocruz e Butantã”, diz Wellington Dias (PT), do Piauí.

“Não podemos politizar a vacina, nem qualquer aspecto relacionado a essa pandemia. A postura do ministro Pazuello foi elogiada por todos, independente de posições partidárias. Espero que alguém possa conversar com calma e esclarecer o presidente sobre esse tema. Desejo ainda que essa não seja o anúncio de mais uma crise ministerial do governo atual”, diz o secretário de saúde Fabio Vilas-Boas, do governo Rui Costa (PT), da Bahia.

“Que o governo federal guie suas decisões sobre a vacina da Covid por critérios unicamente técnicos. Não se pode jamais colocar posições ideológicas acima da preservação de vidas. Lutaremos para que uma vacina segura e eficaz chegue o mais rápido possível para todos os brasileiros”, escreveu Camilo Santana (PT), governador do Ceará.

“Peço ao presidente Jair Bolsonaro que tenha grandeza. E lidere o Brasil para a saúde, a vida e a retomada de empregos. A nossa guerra não é eleitoral. É contra a pandemia. Não podemos ficar uns contra os outros. Vamos trabalhar unidos para vencer o vírus. E salvar os brasileiros”, escreveu João Doria (PSDB), de São Paulo.

 

FOLHAPRESS

 

 

Julian diz que universidades são antro da esquerda: “Você sai de cabelo vermelho e fumando maconha”

Eleito em 2018 naquela onda que apontava o fim da farra no Brasil, o deputado federal Julian Lemos (PSL) é um daqueles seguidores que não tem apenas admiração pelo líder. Tem o mesmo estilo. Assim como o presidente Bolsonaro (PSL), é dono de frases que causam reações imediatas e ficam ecoando por algum tempo no imaginário popular. Seja pelo bem ou pelo mal.

Na noite desta segunda, 12, à vista das câmeras do programa Frente a Frente, do jornalista Heron Cid, da TV Arapuan, Julian disse várias delas, mas uma foi a campeã.

No mesmo dia em que diversos representantes das universidades públicas da Paraíba passaram a tarde, durante audiência pública na Assembleia Legislativa da Paraíba,  criticando o programa Future-se do Governo Federal, que pretende abrir o capital privado para financiamento das instituições federais, Julian resumiu bem ao seu tom o que acha do ensino superior público no Brasil. “As universidades se tornaram um antro da ideologia de esquerda. Você entra de um jeito e sai de lá parecendo uma arara, cabelo vermelho e fumando maconha”, disparou assim mesmo, sem constrangimento.

Isso depois de ter dito, entre as observações mais suaves, que a “esquerda é sebosa” e desejar que “bandido se lasque”.

Durante o programa, no entanto, não se limitou apenas a ataques. Fez dois elogios. Um ao paraibano Sérgio Queiroz, que integra o Governo Bolsonaro. A quem Julian classificou como seu “sonho de candidato” a prefeito de João Pessoa nas eleições de 2020. E outro ao vice-presidente da República, General Mourão. “É um cara fantástico”, definiu.

De resto, ninguém mais escapou.

O programa Frente a Frente vai ao ar todas as segundas-feiras pela TV Arapuan, a partir das 21h30, sob o comando de Heron Cid.

Redação Paraíba

 

 

 

Rachel Sheherazade entra em guerra contra blogueira de esquerda

RachelSheherazadeNa bancada do SBT Notícias, Rachel Sheherazade não tem a mesma liberdade para dizer tudo o que pensa. Após comentários que geraram polêmica, ela está sob censura branca desde o início de 2014.

A jornalista tem usado as redes sociais e o microfone da Rádio Jovem Pan, onde participa do Jornal da Manhã, para expor conceitos e opiniões.

Foi por meio do Facebook e do Twitter que a apresentadora se manifestou contra um post feito pela também jornalista Cynara Menezes em seu blog Socialista Morena.

Com o título ‘Galeria podrera do protesto contra Dilma’, a postagem destacou fotos das manifestações contra o governo e a corrupção ocorridas no domingo passado, dia 15.

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As imagens mostram principalmente ofensas pessoais à presidente Dilma Rousseff. Nas legendas, Cynara comenta em tom sarcástico cartazes com frases como “Dilma puta” e “A Dilma é feia”.

Entre as fotos do post, a blogueira postou uma selfie na qual aparecem Rachel Sheherazade, o marido dela, e os dois filhos do casal, na manifestação da Avenida Paulista. “Foi um protesto, mas também uma festa espontânea e alegre”, legendou Cynara.

Rachel Sheherazade reagiu furiosa: “Peço a meus seguidores que denunciem ao Twitter e Face conteúdo de ódio contra meus filhos, propagado por @cynaramenezes”. A mensagem foi retuitada por mais de 2 mil seguidores e foi curtida por 1,6 mil.

Ainda nas redes sociais, a apresentadora do SBT acusou Cynara Menezes de receber verba do governo federal para manter seu “blog sujo”, nas palavras da própria. Sheherazade usou como fonte o portal Transparência Brasil.

Nele, Cynara aparece como beneficiária de 48.480 reais. “Por que a blogueira @cynaramenezes me ataca em suas redes? É paga pra isso”, escreveu a âncora da TV.

Em resposta, também no Twitter, Cynara Menezes apresentou um documento emitido pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação), no qual a estatal informa que “não houve qualquer pagamento, já que os processos das contratações foram suspensos”.

Na sexta-feira (20), Rachel Sheherazade postou em seu blog oficial: “Blogs sujos são aquelas páginas virtuais sem qualquer credibilidade, vendáveis, que recebem verba pública, direta ou indiretamente, para louvar os feitos do PT e denegrir a imagem da oposição, dos críticos e jornalista independentes que ousam denunciar os mal-feitos (sic) do governo e do partido”.

Amordaçada na TV, Sheherazade recorre à internet e ao rádio para divulgar sua posição política e emitir os comentários contundentes que a tornaram famosa na TV Tambaú, afiliada do SBT na Paraíba, e fizeram Silvio Santos trazê-la para São Paulo em 2011.

Resta saber até quando a jornalista vai suportar ser refém do politicamente correto na bancada do SBT Brasil. A promessa feita a ela de um programa solo, no qual teria mais liberdade editorial, tem poucas chances de ser concretizada.

Terra

Atlético de Madrid descarta fratura na perna esquerda de Diego Costa

O Atlético de Madrid tranquilizou os torcedores em relação ao lance com com o atacante Diego Costa, que bateu a perna esquerda na trave após marcar o segundo gol da equipe na vitória por 2 a 0 diante do Getafe, na tarde deste domingo, pelo Campeonato Espanhol. Através do Twitter, o clube disse que o brasileiro teve apenas uma ferida no local, descartando assim qualquer tipo de fratura.

– Por sorte, Diego Costa tem apenas uma ferida após batida na trave – diz o twitter do clube.

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Diego Costa chegou a sair de campo chorando e foi levado direto para um clinica próxima ao Coliseum Alfonso Pérez, em Getafe. O jogador estava fora desde o dia 1º de abril.

diego costa atlético de madrid contusão getafe (Foto: Agência Getty Images)Diego Costa se machuca após marcar o segundo gol do Atlético de Madrid (Foto: Agência Getty Images)

 

 

Com o resultado, o Atlético de Madrid chegou aos 82 pontos, três na frente do Real Madrid, que goleou o Almeria por 4 a 0 e ultrapassou o Barcelona. O time de Neymar e Messi perdeu por 1 a 0 para o Granada e permaneceu com 78.

 

 

Globoesporte.com

Trabalhadores portugueses exigem política de esquerda e soberana

Portugal

Marcha de protesto da CGTP-IN em Lisboa, com milhares de participantes, no Dia Nacional de Lutas, em 1º de fevereiro.

A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN) saudou as lutas realizadas mais recentemente e valorizou os seus resultados, mas exortou os trabalhadores a manterem e intensificarem a resistência, tanto durante o mês de fevereiro (por aumentos salariais e pela satisfação de outras reivindicações laborais e sociais) como na semana de luta e protesto que vai realizar-se a partir de 8 de março.

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Além disso, a confederação instou os portugueses a manterem-se em luta também na ação por “trabalho digno com direitos”, na semana de mobilização que deve culminar no Dia Nacional da Juventude.

No prosseguimento da luta, a central destaca as comemorações populares dos 40 anos do 25 de Abril (da Revolução dos Cravos, de 1975, que derrubou a ditadura) e do 1.º de Maio em liberdade. E avança, desde já, que as eleições para o Parlamento Europeu terão que ser também um momento para exibir o “cartão vermelho” aos executores de uma política que, na União Europeia e em Portugal, “inferniza a nossa vida e hipoteca o desenvolvimento do país”.

A mensagem político-sindical do dia nacional de luta ficou expressa na intervenção de Arménio Carlos e dos dirigentes distritais da CGTP-IN e numa resolução, ratificada pelos participantes nas manifestações. O foco central de diversas mobilizações em Portugal tem sido a política de direita do governo de Pedro Passos Coelho, em sintonia com o plano da troika Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional de corte dos gastos públicos (sobretudo sociais), enquanto beneficia grandes grupos.

A degradação das condições de vida, o agravamento das desigualdades, a exigência de melhores salários e de emprego com direitos, a determinação de não abandonar a luta foram igualmente bem visíveis nas palavras de ordem gritadas por todo o país, nas faixas e nos cartazes exibidos nas ruas e praças e nos sinais de compreensão e solidariedade de muitos dos que, no sábado passado, ainda ficaram só vendo os manifestantes passarem.

É necessário unidade

“O momento que vivemos exige a união de esforços e vontades, para defender os nossos interesses de classe, nesta luta, que não pára, pela defesa dos nossos direitos e da nossa dignidade e pela construção de um Portugal de progresso e justiça social”, salientou Arménio Carlos, na Praça dos Restauradores, para onde desfilaram, desde o Cais do Sodré, milhares de trabalhadores dos distritos de Lisboa e Setúbal.

Contrariando constantes e insistentes pressões e manobras de sentido inverso, o secretário-geral da CGTP-IN sublinhou que “a ação do movimento sindical que somos – um movimento sindical dos e para os trabalhadores, dos jovens (com e sem vínculo laboral precário), dos desempregados, das mulheres, dos pensionistas e aposentados – implica o alargamento e a intensificação da luta, a partir dos locais de trabalho, de resposta aos problemas concretos e imediatos, para abrir caminho à construção de uma verdadeira alternativa, de esquerda e soberana, forçar a derrubada deste governo e a convocação de eleições antecipadas para acabar com a política de direita.”

Com informações do jornal comunista português Avante!

As fronteiras entre esquerda e direita na Europa

direitaA esquerda europeia se dilui. A socialdemocracia do Velho Continente ziguezagueia entre suas propostas ideais e uma ação política hiper-realista que não se separa dos cânones liberais quando tem que governar. Consensual, tíbia, moralista, apegada a suas conquistas do século passado, incapaz de oferecer uma visão alternativa que mobilize a sociedade, a socialdemocracia está em crise. As esquerdas da Europa são uma sombra do que já representaram em décadas passadas. Alguns analistas atribuem a ela até uma espécie de “prolofobia”.

 

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Nos últimos 20 anos, a socialdemocracia europeia foi perdendo seus tradicionais bastiões operários e populares ao mesmo tempo em que ganhava o coração dos novos burgueses urbanos. Essa transformação da sociologia de seu eleitorado também transformou a esquerda e a relação de força dentro do jogo eleitoral: os operários e as classes populares votam à direita, os “novos modernos” na socialdemocracia.
O resultado é uma indiferenciação cada vez maior entre ambos os setores. A socialdemocracia pode ser tão adepta da globalização, dos ajustes fiscais e liberal como a direita. A ortodoxia financeira não lhe é indiferente. Em troca, as classes populares, ano após ano, abandonam suas fileiras. “Mas o povo existe!”, diz o sociólogo e cientista político francês Gaël Brustier em seu livro “Busca-se o povo desesperadamente”. Esse analista político escreveu vários livros sobre as transformações políticas atuais, especialmente sobre o futuro incerto da esquerda e a direitização das sociedades europeias. Em um de seus últimos livros, “La guerre culturelle aura bien lieu” (A guerra cultura vai acontecer) Brustier define o combate que a esquerda deve travar para mudar esse imaginário coletivo onde a direita se instalou comodamente na Europa hoje em dia.
Sua análise sobre o presente das esquerdas europeias não faz concessões. As reflexões de Gaël Brustier se inspiram muito nas do filósofo italiano Antonio Gramsci. Este pensador imperdível da esquerda foi um dos fundadores do Partido Comunista italiano. Gramsci foi preso pelo ditador fascista Benito Mussolini e morreu em 1937 quando saiu da cadeia. Nesta entrevista à Carta Maior, Gaël Brustier analisa a crise da socialdemocracia europeia, sua penosa falta de iniciativas e sua indefinição.
A divisão histórica entre a esquerda e a direita herdada da Revolução Francesa de 1789 parece estar chegando ao fim de um ciclo na Europa.
Com efeito. Essa divisão está sendo reconfigurada e reformada mediante outras diferenças. O conteúdo da esquerda de 2013 não é o mesmo do da esquerda de 1981, nem do de 1936. A direita também evoluiu. As diferenças entre esquerda e direita estão então em plena evolução, determinadas por sua vez pelas evoluções econômicas, pela desindustrialização e pela ruptura do esquema de classes sociais que atinge uma grande parte da população.
O Partido Socialista francês é hoje um partido de gente que vive nas grandes metrópoles, favoráveis à globalização. A direita, junto com a extrema direita, conseguiu conquistar os setores operários que durante muito tempo foram eleitores cativos da esquerda. Nos anos 80 ocorreram dois fenômenos: a ruptura do laço entre o voto classista, o voto operário, em favor da esquerda; e, paralelamente, a adesão de certa tecnoestrutura da esquerda às receitas liberais, à liberalização dos mercados internacionais. Esse setor da esquerda está convencido que é preciso desregulamentar e conduzir a França para o combate da globalização liberal. Estes dois fenômenos  conjugados definem a situação atual.
Se tivéssemos que tornar visível a linha que separa hoje a esquerda da direita, por onde ela passa?
É muito complicado. Mas podemos dizer que a linha de fratura passa pela sociologia dos dois campos. Certa burguesia de negócios permaneceu à direita enquanto que muitos operários e empregados passaram da esquerda para a direita. Por outro lado, muitos jovens com diplomas, que trabalham no mundo das ideias, na imprensa, na comunicação, que estão conectados com a mundialização, toda essa gente conforma a sociologia da esquerda. A fratura entre esquerda e direita já não passa tanto pelas questões econômicas. Hoje, fundamentalmente, no que diz respeito às questões econômicas as políticas que a socialdemocracia aplica na Europa não são tão diferentes das políticas aplicadas pelo bloco conservador. No parlamento europeu, por exemplo, os blocos da direita, o PPE, e da socialdemocracia, PSE, estão ligados pelo consenso europeu.
Por acaso, a Europa matou a esquerda então?
O problema da esquerda europeia reside em que sempre se remeteu a um plano ideal para justificar a Europa real. Quando se construiu o mercado único a esquerda disse: na próxima etapa vamos construir a Europa social”. Mas essa Europa social nunca se tornou realidade. A esquerda disse também que as instituições europeias eram bastante oligárquicas e prometeu que, no futuro, construiria uma Europa democrática. Isso tampouco virou realidade. Em suma, a vocação de uma Europa ideal sempre serviu para justificar a existência da Europa real. Hoje chegamos ao fim dessa contradição.
A socialdemocracia pretende mudar a Europa ao mesmo tempo em que adere ao marco consensual europeu. Observemos o que ocorreu com o presidente francês François Hollande. Antes de ser eleito, Hollande prometeu que iria renegociar o famoso pacto fiscal europeu firmado pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy e pela chanceler alemã Angela Merkel, pacto conhecido como Merkozy. Mas ele não cumpriu sua promessa impedindo que a política econômica europeia tomasse outra direção. Em resumo, as esquerdas europeias perderam a batalha ideológica. A Europa funcionou durante muito tempo como um mito de substituição.
Esta situação deixa um esquema muito claro: se usam os ideais para ganhar uma eleição, mas se governa exclusivamente com as realidades financeiras. Isso faz parte do consenso europeu.
O problema reside em saber quem é capaz de romper esse consenso. O Partido Socialista francês é, por exemplo, o mais poderoso da Europa: tem a presidência, as regiões mais importantes, as duas câmaras do Parlamento. Mas isso não ocorre com os demais partidos socialdemocratas da Europa. Por isso não podem nem aceitar, nem aplicar um projeto socialdemocrata alternativo. A esquerda europeia poderia começar a propor um plano radicalmente distinto ao da direita. Mas não faz isso.
A esquerda europeia dá todos os sinais de estar no patíbulo: é incapaz de operar uma verdadeira mutação e também de propor uma alternativa.
A esquerda não morreu, ela é um gigante ferido. Até os sindicatos, que sempre foram o sustentáculo da esquerda, estão debilitados. Depois de um século de socialismo a esquerda se tornou incapaz de imprimir na sociedade uma verdadeira visão mobilizadora, um projeto claramente identificável. A socialdemocracia está em crise. A esquerda radical também está em crise porque nem substitui a socialdemocracia nem consegue desempenhar um papel de contraponto eficaz aos desvios dos socialdemocratas. Por paradoxal que seja, hoje é muito mais simples ser de direita que de esquerda. A direita navega sobre as ondas do pânico moral, sobre o medo da decadência. É muito simples. Mas é óbvio também que, à esquerda, não houve um trabalho crítico sobre a ideologia dominante.
É preciso não se enganar mais: a esquerda faz parte hoje da ideologia dominante e não consegue transmitir um imaginário alternativo. Essa é sua grande dificuldade. Se observamos o que ocorre na França, os protestos mais fortes não vêm das esquerda, mas sim da direita.
Esta crise e estas novas fronteiras que você descreve são próprias da esquerda europeia. Elas não se aplicam tanto às esquerdas latino-americanas.
Certamente. As esquerdas latino-americanas são muito diferentes das esquerdas europeias. Em primeiro lugar, as esquerdas da América Latina assumiram e formaram um projeto geopolítico. Há 15 anos, ninguém pensaria que a América Latina teria a autonomia que alcançou hoje. É uma grande conquista. Os Estados Unidos já não podem dar ordens com tanta facilidade como antes, nem tampouco considerar que a América Latina é seu quintal. Kirchner na Argentina, Chávez na Venezuela, Correa no Equador, Morales na Bolívia ou Lula no Brasil ganharam espaços enormes, imprimiram a afirmação de uma autonomia enorme em relação aos Estados Unidos. Esses presidentes tiveram uma visão geopolítica e um programa de ação social.

 

A situação das esquerdas europeias não é comparável a isso. As esquerdas latino-americanas impuseram suas agendas, conquistaram eleitores, desenvolveram sua visão de mundo. Esse esquema funciona porque essa esquerda é capaz de mobilizar a sociedade. Comparadas com as da Europa, as esquerdas latino-americanas são muito mais dinâmicas.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Créditos da foto: Divulgação
Carta Maior

Criança perde dois dedos da mão esquerda em tiro acidental

DedosUma criança de 12 anos perdeu dois dedos da mão esquerda após sofrer um tiro acidental de espingarda enquanto caçava com um amigo, também criança, na cidade de Cacimba de Dentro, no Curimataú da Paraíba. O acidente aconteceu no Sítio Caraúbas.
A dona de casa Maria de Lourdes Galdino afirmou não saber que o filho estava caçando com outro colega. “Ele disse que iria sair e eu pedi para não ir. Ele saiu e eu não soube para onde ele foi. Quando foi à tarde eu soube que o menino tinha atirado nele”, disse.

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Para a assistente social Isolda Soares, casos como esse são comuns porque a explicação para que um pai deixe uma criança manusear uma arma está na cultura.
“Ainda é muito comum cultivarem essa questão de ter armas em casa, seja ela a cartucheira, seja a espingarda para caçar e dão aos filhos como se eles tivessem maturidade suficiente para manuseá-las sem causar maiores consequências”, afirmou.
portalindependente

Esquerda e movimentos sociais do Brasil apoiam eleição de Maduro

maduroEm auditório lotado, a campanha “Brasil com Chávez está com Maduro” conseguiu reunir a esquerda brasileira e diversos movimentos sociais em torno do apoio à candidatura do presidente interino do país à eleição da Venezuela. Maduro, que assumiu a presidência após a morte de Chávez em 5 de março, é a esperança de que a revolução bolivariana e os avanços políticos, sociais, econômicos e culturais e as iniciativas de integração impulsionadas por aquele país terão continuidade.

Em sua fala de encerramento, o Cônsul da Venezuela em São Paulo, Robert Torrealba, expressou que, apesar da doença de Chávez, “nunca imaginaríamos que este momento chegaria, mas chegou. Ele teve muita coragem e ousadia e foi esta ousadia que foi capaz de convencer o povo venezuelano de que tínhamos dignidade”.

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Chávez ultrapassou as fronteiras da Venezuela, teve solidariedade com os povos de outros países e é por isso que hoje é lembrado em diversas partes do mundo. “Até 1999 só enxergávamos Miami e Madri, só olhávamos para o norte. Chávez nos convenceu de que tínhamos uma grande fronteira com o Brasil e que deveríamos nos unir na luta por um mundo melhor”, lembrou o diplomata.

Além disso, ele nos “convenceu ainda de que era possível conseguir transformações através do voto. Nos mostrou que com o voto somos capazes de produzir transformações imensas”. E pontuou: “agora, temos a imensa responsabilidade de respaldar, nas urnas, e com o voto, este processo”.

O jornalista e observador das eleições na Venezuela, Max Altman, que conhece Nicolás Maduro desde 2002, quando, ainda diplomata, esteve no Brasil pela primeira vez, ressaltou que se trata de “um quadro extraordinário. Ele tem uma base, formação política importante. Foi motorista de ônibus, sindicalista. Maduro não tem formação universitária, se formou na luta política da vida, cotidiana, e tem uma consolidada formação ideológica”.

Para o integrante da Secretaria de Relações Internacionais do PT, “Maduro terá que enfrentar os enormes desafios que a Venezuela tem pela frente. Mas, os 14 anos de Chávez no governo ajudaram a orientar o povo, a formar sua consciência”. E acrescentou: “hoje, milhões de Chávez transitam pelas ruas da Venezuela e garantirão que esta pátria nunca mais voltará ao passado. Esta sustentação, ao lado de realizações concretas, levarão o processo revolucionário a ser irreversível, a um ponto de não retorno”.

O manifesto das organizações encerrou o ato: “no lançamento da primeira campanha, dissemos: ‘Se venezuelanos fôssemos, votaríamos em Hugo Chávez’. Agora, diremos: ‘se venezuelanos fôssemos, votaríamos em Nicolás Maduro’”. Entusiasmada, a plateia completou: “Chávez, eu juro. Meu voto é em Maduro”, frase repetida pelos milhares de venezuelanos que, desde a morte do Comandante, tomam as ruas de Caracas.

Jovens homenageiam Chávez

Cerca de 40 entidades estiveram presentes na cerimônia, entre partidos políticos e movimentos sociais. Em todas as falas da mesa foi ressaltada a transcendência do processo conduzido por Hugo Chávez na Venezuela e seu legado político e ideológico:

Valter Pomar – Partido dos Trabalhadores (PT) e Foro de São Paulo

“Temos claro que os Estados Unidos, os governos direitistas da União Europeia e da América Latina confundem o processo com a pessoa. Acham que o que acontece na Venezuela é produto de uma pessoa e, portanto, a morte dela pode interromper o processo. Nossa postura tem que ser outra. Chávez é expressão de uma ação social que não acaba com a morte de sua liderança”.

João Paulo Rodrigues – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

“É de extrema importância ajudar no debate e prestar solidariedade ao povo da Venezuela pela solidariedade que o país tem tido com os demais países da América Latina. Temos experiências muito importantes com a Venezuela. Graças à integração com aquele povo, construímos quatro escolas de agroecologia para a formação de estudantes latino-americanos. Mais de 1.200 jovens de toda a América Latina já passaram pela escola Florestan Fernandes. E neste ano, mais de 40 jovens assentados serão formados em medicina e agronomia com parcerias com a Venezuela. Então, a questão é ajudar no processo em curso e garantir que a América Latina tenha outros processos com o mesmo nível de radicalidade”.
Ricardo Alemão Abreu – Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

“’Seu nome viverá através dos séculos, e com ele sua obra’. Esta frase foi proferida por Friedrich Engels diante do túmulo de Karl Marx. E como Marx, o legado de Chávez atravessará séculos. Um de seus principais legados é a contribuição para nossa segunda independência. Chávez é o nome pelo qual responde o povo oprimido e explorado, é a voz dos trabalhadores, é a representação da própria Revolução Bolivariana, do movimento popular patriótico latino-americano e socialista: este é o chavismo, e Maduro é fruto deste movimento”.

Ivan Valente – Partido Socialimos e Liberdade (PSOL)

“A luta de libertação de séculos de opressão significa marchar contra a corrente do neoliberalismo. Por isso Chávez tem uma simbologia especial. O radicalismo deste processo foi entender que o povo tinha que ser protagonista e que sua riqueza estava nas mãos da burguesia. Chávez construiu um programa popular anti-imperialista, anti-latifundiário. Enfrentou interesses, porque sem luta, não há conquista. Agora, preocupa a reação imperialista contra um projeto que possa criar uma sociedade sem exploradores e explorados. Tudo o que ele fez foi despertar o povo venezuelano, mesmo com a maior campanha de demonização na mídia já vista”.

Socorro Gomes – Cebrapaz e Conselho Mundial da Paz

A morte de Chávez, ao mesmo tempo em que é uma perda, chama a atenção para algumas características do processo que liderou, como ousadia e franqueza. Ele elevou o sentimento de dignidade e amor próprio não só dos venezuelanos, mas de todos os latinos. Ele esteve como centro no combate à miséria, à desigualdade. Assim, se de um lado cresce a consciência do povo, salta aos olhos também a truculência e o ódio do imperialismo. Isso é fruto de um temor do Chávez, fruto da elevação e da maturidade do povo da Venezuela, conquistou. Trata-se de um processo coletivo e muitas lutas virão. O ataque às nações é típico do imperialismo, mas o povo está mais consciente, unido. Podemos dizer que com Chávez, nós redescobrimos a América Latina e a soberania de nossos povos”.

Nalu Faria – Marcha Mundial das Mulheres (MMM)

“A Marcha Mundial das Mulheres pôde constatar o processo de mobilização, do povo nas ruas defendendo a revolução bolivariana. Chávez, durante o Fórum Social Mundial de Belém, disse que ‘uma revolução socialista ou será feminina, ou não será revolução’. E não ficou no discurso, criou programas e debateu isso profundamente, como fruto de coerência nos processos desenvolvidos desde então. É uma revolução feminista. Assim, foram criados: o Banco da Mulher, o Ministério da Mulher, a política nos Bairros com o programa Barrio Adentro, por exemplo. Apoiar este processo é uma responsabilidade que temos todos os homens e mulheres até que todos sejamos iguais e não vamos e não podemos retroceder em todo o processo de transformação da Venezuela e do mundo inteiro”.

Júlio Turra – Central Única dos Trabalhadores (CUT)

“O processo venezuelano é repleto de contradições, como todos os processos transformadores. Maduro foi sindicalista. Era o homem da negociação, da diplomacia de Chávez. A conjuntura é difícil. Por isso temos que manifestar apoio incondicional a qualquer ameaça ou gesto de ingerência externa nos assuntos venezuelanos, e qualquer medida de ataque que defenda os interesses das multinacionais e dos imperialistas naquele país”.

Rogério Nunes – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

“Temos na Venezuela um processo revolucionário que alterou a correlação de forças e propôs uma nova ordem em um sistema que estava apodrecido como todas as elites latino-americanas na época. Este é um processo de integração regional, de construção de uma nova sociedade, do socialismo do século 21, com soberania popular, com participação dos trabalhadores”.

 

Fotos: Douglas Mansur

Portal Vermelho

Rodrigo Vianna: O sufoco na blogosfera de esquerda

pigAs ações judiciais impetradas por veículos de comunicação tradicionais contra jornalistas, blogueiros e ativistas de rede têm aumentado e ganhado mais visibilidade nos últimos anos. Essa postura, que fere o direito constitucional do exercício da livre opinião, será tema  do evento “Liberdade de Expressão e Judicialização da Comunicação – No Dia da Mentira Queremos a Verdade”, que será realizado no dia 1o de abril, segunda-feira, às 19 horas, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais – SJPMG (Av. Álvares Cabral, 400. Centro). Aberto ao público, o encontro é uma iniciativa do Comitê Mineiro do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC-MG).

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Para compor a mesa, foram convidados o jornalista e blogueiro Rodrigo Vianna; o Cientista Político e professor do Departamento de Ciência Política da UFMG, Juarez Guimarães; e o Conselheiro da OAB/MG, advogado e professor, José Alfredo Baracho Júnior. O debate será mediado pela jornalista, doutoranda em Ciência Política e professora da Fumec, Ana Paola Amorim.

A Judicialização é vista por alguns professores de Direito, estudiosos e juristas – dentre outros – como o modo mais rápido de efetivar direitos. Outros acreditam que a Judicialização ultrapassa os limites de cada poder, “criando” um poder Judiciário baseado no fazer político, desvirtuando sua principal característica que é a função de guardiã da Constituição Brasileira.

O FNDC-MG defende a segunda posição, aquela que realmente assegura o direito de opinião e a livre manifestação de pensamento, ou seja, a verdadeira liberdade de expressão.

Esse encontro dá continuidade às atividades da campanha “Para Expressar a Liberdade – Uma nova lei para um novo tempo” < http://www.paraexpressaraliberdade.org.br/>, cujo lançamento em Minas aconteceu em novembro do ano passado na sede do Sindicato dos Jornalistas.

Entenda a campanha

Iniciativa do FNDC, a campanha “Para Expressar a Liberdade” foi lançada nacionalmente no dia 27 de agosto de 2012, data em que o Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT) completou 50 anos. Essa lei, que regulamenta o funcionamento das rádios e televisões no Brasil, não sofreu nenhum tipo de adequação em meio século de existência, deixando de acompanhar os avanços políticos de nosso país e de contribuir com a pluralidade.

 

 

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Internet pode furar bloqueio da grande imprensa à esquerda, diz Lula

Na Conferência, Lula defendeu fim do embargo econômico a Cuba (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)
Na Conferência, Lula defendeu fim do embargo econômico a Cuba (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que acredita que a interação permitida pelos novos meios de comunicação, em especial a internet, podem ajudar a furar o bloqueio que a grande mídia tradicional impõe aos governos de esquerda. A declaração foi feita na quarta-feira (30), durante o encerramento da 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, patrocinada pela Unesco e realizada em Cuba.

Lula criticou a resistência dos grandes meios de comunicação aos governos progressistas. Em tom irônico ele afirmou: “Eu nem reclamo, porque no Brasil a imprensa só fala bem de mim. Mas nasci assim, cresci assim e vou morrer assim, ou seja, deixando eles muito nervosos”.

“Não pense que a imprensa não gosta do Chávez porque ele fala do socialismo do século 21. Não pensem que não simpatizam com Corrêa, Morales ou Cristina. A verdade nua e crua é que a elite política e econômica dos nossos países não gosta de nós, não pelos erros que tenhamos cometido, mas pelas coisas que fizemos bem.”

Lula também defendeu o fim do embargo econômico dos Estados Unidos a Cuba, que segundo ele não se justifica mais. “Espero que o presidente Obama, neste segundo mandato, tenha um olhar mais equitativo e mais justo para nossa querida América Latina e, principalmente, acabe com o bloqueio contra Cuba, porque não existe motivo nenhum para mantê-lo.”

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