Arquivo da tag: embaixador

Embaixador americano na Coreia do Sul é agredido a faca por militante nacionalista

EMBAIXADORO embaixador dos Estados Unidos na Coreia do Sul, Mark Lippert, foi ferido a faca nesta quinta-feira em Seul por um militante nacionalista contrário à aliança militar entre seu país e Washington.

O agressor, que estava armado com uma faca de cozinha de 25 cm, segundo a polícia, atacou Lippert quando ele participava em uma reunião durante um café da manhã no instituto cultural Sejong, no centro da capital sul-coreana.

“O homem surgiu bruscamente entre o público no momento em que começava o café da manhã. Alguns tentaram impedir seu avanço, mas tudo aconteceu muito rápido. O embaixador foi ferido no rosto e levado para o hospital”, explicou Kim Young-man, porta-voz do Conselho Coreano para a Reconciliação e a Cooperação, que organizou o evento.

ACOMPANHE O FOCANDO A NOTÍCIA NAS REDES SOCIAIS:

FACEBOOK                TWITTER                    INSTAGRAM

O diplomata, ferido na mão e na bochecha, foi operado com sucesso e se encontra em condição estável, segundo os médicos. Lippert, no entanto, deverá permanecer por dois ou três dias no hospital.

“Estou bem, animado”, escreveu o embaixador no Twitter.

O presidente Barack Obama telefonou para o embaixador para desejar uma recuperação rápida, informou a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional (NSC), Bernadette Meehan.

O Departamento de Estado condenou com veemência o “ato de violência”.

– Ataque à aliança com EUA –

A polícia identificou o suspeito como Kim Ki-jong, 55 anos, já condenado por atirar uma pedra contra o embaixador do Japão em Seul no ano de 2010.

“Ele permanece detido e estamos tentando entender o motivo do ataque”, disse o chefe de polícia encarregado da investigação, Yoon Myung-Soon.

A presidente sul-coreana, Park Geun-hye, denunciou a agressão como um ataque contra a aliança militar entre Seul e Washington.

“Estes fatos são intoleráveis porque não se trata apenas de uma agressão física contra o embaixador Lippert, mas sim contra a aliança entre Coreia do Sul e Estados Unidos”, destacou.

A presidente Park também foi vítima de um ataque com arma branca, em 2006, durante uma campanha eleitoral. O agressor foi condenado a 10 anos de prisão por tentativa de homicídio.

A Coreia do Norte considerou o ataque contra Lippert um “castigo justo”, pela decisão dos Estados Unidos de seguir adiante com os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.

“Castigo justo para os belicistas americanos”: este é o título de um breve comunicado da agência de notícias oficial KCNA.

A agência afirmou que o ataque a Lippert reflete a postura da opinião pública sul-coreana, “que é crítica a respeito dos Estados Unidos por provocar uma crise bélica na península coreana por seus exercícios militares conjuntos” com Seul.

A KCNA classificou o ataque de “expressão de resistência” válida.

– Movimento nacionalista –

A embaixada dos Estados Unidos na Coreia do Sul coopera com a polícia local, informou o Departamento de Estado.

Os agentes das forças de segurança avançaram sobre o agressor, que usava uma roupa tradicional coreana e gritou uma frase contra a guerra no momento do ataque.

A agência Yonhap revelou que o agressor lidera um movimento nacionalista que organiza regularmente manifestações contra as pretensões territoriais do Japão sobre um grupo de ilhas controladas pela Coreia do Sul.

Partidário do regime norte-coreano, segundo fontes da inteligência de Seul, o agressor viajou seis vezes para a Coreia do Norte entre 2006 e 2007. Ele tentou construir um monumento em memória de Kim Jong-Il em Seul após a morte do dirigente de Pyongyang em 2011.

Kim Ki-jong tem um blog no qual expressou esta semana sua oposição aos exercícios militares conjuntos da Coreia do Sul com os Estados Unidos, por considerar que impossibilitam a retomada do diálogo entre as Coreias.

As manobras conjuntas anuais em grande escala geralmente provocam reações violentas do governo da Coreia do Norte.

Quase 30.000 soldados americanos estão presentes na Coreia do Sul de forma permanente e Washington assumiria o comando operacional no caso de conflito armado com a Coreia do Norte.

Lippert, 42 anos, ex-assistente do Departamento de Defesa para Assuntos Asiáticos, tem a reputação de ser um diplomata próximo do presidente Obama. Oficial da reserva da Marinha, que serviu no Iraque nos anos de 2007 e 2008 como agente de informação das forças especiais, assumiu o posto em Seul em outubro do ano passado.

 

 

AFP

Após crise, Dilma adia início da atuação do embaixador da Indonésia

dilma_wf2A presidente Dilma Rousseff informou nesta sexta-feira (20), durante cerimônia de entrega das credenciais dos embaixadores de cinco países, que o governo brasileiro decidiu adiar o início da atuação do embaixador da Indonésia em Brasília, Toto Riyanto, em razão do estremecimento nas relações entre os dois países. Em janeiro, a execução do brasileiro Marco Archer por parte do governo indonésio gerou um mal-estar diplomático entre Brasília e Jacarta.

O recebimento das credenciais dos embaixadores pelo presidente da República é uma formalidade que marca oficialmente o começo das atividades dos diplomatas. Na prática, com o ato, o presidente passa a reconhecer que o embaixador representa o Estado no Brasil.

Na solenidade desta sexta, era para o diplomata indonésio ter entregado suas credenciais à Presidência, habitando-o a atuar no país. Porém, o governo brasileiro optou por postergar o ato, o que deixa a Indonésia, temporariamente, sem embaixador no Brasil.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Segundo o G1 apurou, o diplomata indonésio chegou a ir na manhã desta sexta ao Palácio do Planalto para participar da cerimônia. Porém, antes do início evento, ele foi chamado para uma conversa reservada e avisado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, da decisão da presidente Dilma de adiar o recebimento das credenciais.

A presidente, entretanto, recebeu as credenciais de diplomatas de cinco países: Edwin Emílio Vergada Cárdenas (Panamá), Maria Lourdes Urbaneja Durant (Venezuela), Diana Marcela Vanegas Hernández (El Salvador), Amadou Habibou Ndiaye (Senegal) e Nikolaos Tsamados (Grécia).

A própria Dilma explicou, ao final da cerimônia, o motivo de ela ter decidido “atrasar” o recebimento da documentação do embaixador. Segundo Dilma, antes de autorizar a atuação do diplomata, ela quer ter clareza sobre a situação das relações diplomáticas entre as duas nações.

“Achamos importante que haja uma evolução na situação para que a gente tenha clareza em que condições estão as relações da Indonésia com o Brasil. Na verdade, o que fizemos foi atrasar um pouco o recebimento de credenciais, nada mais que isso”, ressaltou a presidente.

Fantástico mostra os últimos passos de brasileiro executado na Indonésia (Foto: Reprodução TV Globo)
Marco Archer foi executado em janeiro na Indonésia
(Foto: Reprodução TV Globo)

Crise diplomática
No mesmo dia em que o brasileiro Marco Archer foi executado, Dilma divulgou nota oficial na qual se disse “consternada e indignada”com a decisão do governo da Indonésia e anunciou que havia decidido chamar o embaixador brasileiro em Jacarta para “consultas”. Na linguagem diplomática, chamar um embaixador para consultas representa uma espécie de agravo ao país no qual está o embaixador.

Um dia antes da execução de Marco Archer, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que o fato de o governo indonésio não aceitar os pedidos de clemência criaria “sombra” nas relações diplomáticas entre os países. Dilma havia apelado pessoalmente ao colega da Indonésia para tentar evitar a execução.

Atualmente, o governo brasileiro está empenhado em tentar livrar outro brasileiro da pena de morte na Indonésia. Preso na Indonésia por tráfico de drogas, Rodrigo Gularte também pode vir a ser fuzilado pelas autoridades indonésias.

Em janeiro, Marco Aurélio Garcia disse ainda ter “esperança” de evitar a execução de Gularte. “A preocupação do governo brasileiro, já que não conseguimos ser exitosos na questão do primeiro executado, é que tenhamos pelo menos possibilidade de resolver esse caso [de Rodrigo Gularte] […] A esperança é sempre a última que morre. Então vamos trabalhar nessa direção”, ponderou o assessor especial da Presidência.

Prefeito de Caracas
Ao final da solenidade, Dilma foi questionada sobre se houve algum tipo de “constrangimento” entre ela e a embaixadora da Venezuela, Maria Lourdes Urbaneja Durant, em razão da prisão, nesta quinta (19), do prefeito de Caracas, Antônio Ledezma. Na resposta, a presidente foi taxativa, dizendo que não houve constragimento.

Ledezma foi preso sob a acusação por parte do governo do presidente Nicolás Maduro de tentar promover um golpe de Estado na Venezuela e agir em parceria com os Estados Unidos. A chefe do Executivo classificou a prisão de Ledezma de “questão interna” da Venezuela.

“Eu não posso receber um embaixador baseada nas questões internas do país. Eu recebo os embaixadores baseada nas relações que eles estabelecem com o Brasil. Então, o nosso foco é, fundamentalmente, essas relações. E é isso que explica o fato de a gente ter postergado o recebimento das credenciais da Indonésia. [A morte de Marco Archer] não é nenhuma questão interna na Indonésia”, argumentou Dilma.

 

Filipe Matoso

Estado Islâmico quer matar o Papa, diz embaixador do Iraque

papaO embaixador do Iraque junto à Santa Fé, Habbed Al Sadr, anunciou, nesta terça-feira, que o Papa Francisco tem sofrido ameaças do grupo extremista Estado Islâmico (EI). As informações são do Daily Mail.

O alerta acontece em um momento em que o pontífice se prepara para se deslocar à Albânia e planeja uma visita à Turquia, países de maioria muçulmana.

“O autoproclamado Estado Islâmico foi claro: eles querem matar o Papa. As ameaças são reais”, disse o iraquiano ao jornal italiano La Nazione.

Segundo o Al Sadr, como o grupo está tomando proporções mundiais e conta com integrantes de diversas nações, a ameaça é ainda mais grave e a segurança do pontífice estaria em risco em qualquer lugar do planeta.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

“Quero deixar claro que não tenho nenhum conhecimento sobre os futuros planos dos terroristas. Mas a regra do Estado Islâmico é clara: ou a pessoa se converte à religião deles ou morre. Com o Papa, a morte seria a única opção que eles dariam.”, disse o iraquiano.

Suas afirmações, no entanto, foram desvalorizadas pelo padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, que disse que não estão previstas medidas de segurança avançadas para a visita de Francisco aos países muçulmanos.

Terra

 

Brasil chama de ‘inaceitável’ violência em Gaza e convoca embaixador

gaza2O governo brasileiro classificou nesta quarta-feira (23), em nota oficial, de “inaceitável” a escalada da violência na Faixa de Gaza e informou que chamou o embaixador em Israel “para consulta”.

A medida diplomática de convocar um embaixador é excepcional e tomada quando o governo quer demonstrar o descontentamento e avalia que a situação no outro país é de extrema gravidade.

A última vez em que o governo chamou um embaixador para consulta foi após o impeachment de Fernando Lugo no Paraguai, episódio que o Brasil considerou como “ruptura da ordem democrática”.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Pelo menos 644 palestinos e 31 israelenses, entre estes 29 soldados, morreram em 16 dias de ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza.

Israelenses e palestinos acusaram uns aos outros de crimes de guerra durante uma reunião extraordinária em Genebra do Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta quarta, com ambas as partes alegando terem agido dentro das leis internacionais durante a escalada de violência.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores considerou “desproporcional” o uso de força por Israel e voltou a pedir o fim dos ataques.

” O governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças. O governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes”, diz o comunicado.

 

Veja a íntegra da nota:

Ministério das Relações Exteriores
Assessoria de Imprensa do Gabinete

Nota nº 168
23 de julho de 2014

 

Conflito entre Israel e Palestina

O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.

 

O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes.

Diante da gravidade da situação, o Governo brasileiro votou favoravelmente a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje.

Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel Aviv foi chamado a Brasília para consultas.

G1

Embaixador da ONU desembarca na Capital para participar de evento da Fundação Solidariedade

Jorge Chediek e Beatriz Ribeiro
Jorge Chediek e Beatriz Ribeiro

A Fundação Solidariedade receberá, nesta sexta-feira (5), representantes de governos, instituições parceiras e voluntários que integram o Núcleo Nós Podemos Paraíba, em evento especial com a presença do representante maior das Nações Unidas no Brasil, o embaixador da ONU no Brasil, Jorge Chediek e um representante da Secretaria-Geral da Presidência da República. Serão apresentadas iniciativas realizadas pelos parceiros no ano de 2013, além dos 12 embaixadores dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio na Paraíba. O evento ocorrerá na Maison Blunelle, a partir das 17h.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

“Temos a imensa satisfação em receber os representantes das instituições e governos que integram o Núcleo Nós Podemos Paraíba e trabalham em prol da melhoria da qualidade de vida dos paraibanos. Reconhecemos que através das suas iniciativas e disposição a Paraíba tem sido destaque no contexto nacional em prol das Diretrizes das Nações Unidas”, declarou Beatriz Ribeiro, secretária-Executiva do Nós podemos Paraíba.

Na oportunidade, o embaixador da ONU no Brasil, falará para os gestores municipais a importância de executar políticas públicas voltadas aos Objetivos do Milênio, como também destacará a participação de cada voluntário e instituição no processo de fortalecimento do Núcleo Estadual. Pela secretária-geral da Presidência da República os Objetivos de Desenvolvimento são disseminados em todo o Brasil e trabalha a da Agenda de Compromissos dos ODM para o município, uma ferramenta que relaciona políticas públicas federais voltadas aos ODM aplicáveis nos municípios.

Serão apresentadas as ações realizadas pelos parceiros no ano passado, bem como os Embaixadores dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio na Paraíba: Jogador Hulk (virá o representante, visto que o jogador está em preparação para os jogos da Copa do Mundo), Álvaro Filho, Caio Márcio, Mayssa Pessoa, Liss Albuquerque, Lucy Alves, Diana Miranda, Yegor Gomes, Renata Arruda, Jurandy do Sax, Patrick e Fabiano Moura de Moura.

Por Jornal Correio da Paraíba/ Márcia Dementshuk

Decisão sobre extraditar Pizzolato ‘não será política’, afirma embaixador

O embaixador da Itália no Brasil, Raffaele Trombetta, em seu gabinete, em Brasília (Foto: Fabiano Costa/G1)
O embaixador da Itália no Brasil, Raffaele Trombetta, em seu gabinete, em Brasília (Foto: Fabiano Costa/G1)

Embora o governo brasileiro tenha recusado, em 2010, a extradição do ex-ativista de esquerda italiano Cesare Battisti, o embaixador da Itália no Brasil, Raffaele Trombetta, afirmou ao G1 que a análise do pedido de extradição do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, marcada para 5 de junho, “não será política”. O diplomata assegurou que a solicitação brasileira será apreciada pelas autoridades da Itália exclusivamente com base em critérios “jurídicos”.

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 12 anos e 7 meses de prisão no julgamento do processo do mensalão, Pizzolato fugiu para a Itália a fim de tentar escapar do cumprimento da pena, mas acabou preso pela polícia italiana em 5 de fevereiro, com base em um mandado de prisão internacional expedido pela Interpol. Desde então, ele aguarda em um presídio de Modena, no norte da Itália, uma definição sobre se será extraditado para o Brasil ou se poderá permanecer na Itália, como reivindicou à Justiça italiana.

Quero ressaltar que [a decisão de extraditar ou não Pizzolato para o Brasil] não vai ser uma decisão política. Será com base apenas em elementos jurídicos. Não tem nada de [influência] política, pelo menos para a Itália.”
Raffaele Trombetta, embaixador da Itália no Brasil

“Quero ressaltar que [a decisão de extraditar ou não Pizzolato para o Brasil] não vai ser uma decisão política. Será com base apenas em elementos jurídicos. Não tem nada de [influência] política, pelo menos para a Itália”, afirmou Trombetta em entrevista ao G1 na sede da embaixada italiana em Brasília.

A defesa de Pizzolato alegou ao tribunal de Bologna, responsável pelo julgamento do caso, que os presídios brasileiros não têm “condições dignas”. A apelação do ex-dirigente do banco público levou a corte italiana a questionar o Ministério Público do Brasil sobre a situação das penitenciárias do país.

Na ocasião, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo e ao Ministério da Justiça indicações de presídios que respeitem os direitos humanos. Mas Janot  ainda não recebeu resposta para enviar ao tribunal italiano.

Pedido de extradição
Na tentativa de repatriar Henrique Pizzolato ao Brasil para que ele cumpra a pena pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, o governo federal encaminhou ao Executivo italiano um pedido de extradição.

O processo é polêmico porque o ex-diretor do Banco do Brasil tem dupla cidadania (brasileira e italiana) e, por isso, o governo da Itália pode se recusar a extraditá-lo.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

O embaixador da Itália disse que, ao contrário do que prevê a Constituição brasileira, a carta italiana não opõe restrições à eventual extradição de um de seus cidadãos.

O Ministério Público italiano já se manifestou a favor da extradição de Pizzolato, mas a decisão final será tomada pelo tribunal de Bologna em audiência marcada para o dia 5 de junho. Na ocasião, a corte poderá decidir pedir mais informações antes de analisar o caso. Pizzolato poderá recorrer ao próprio Judiciário de eventual decisão pela extradição.

Segundo Raffaele Trombetta, caberá ao Executivo italiano apenas chancelar a posição da Justiça após ser expedida a sentença sobre o caso.

“Não é uma decisão que caiba à embaixada ou ao governo italiano. É a Justiça italiana que tem de considerar todos os aspectos”, explicou o diplomata.

“Ainda que o ato final seja assinado pelo ministro da Justiça [da Itália], será feito somente com base em elementos jurídicos, não políticos. Do ponto de vista italiano, não é um assunto político”, declarou.

A Itália não aceitou e ainda não aceita o que aconteceu no caso Cesare Battisti. Não aceita que ele agora possa ser um homem livre aqui no Brasil. É claro que não gostamos disso.”
Raffaele Trombetta, embaixador da Itália no Brasil

Na última quarta (30), o procurador-geral da República anunciou que o Ministério Público brasileiro vai dar suporte ao advogado italiano que o governo do Brasil vai contratar para defender junto à Justiça do país europeu o retorno de Pizzolato.

Efeito Battisti
Mesmo garantindo imparcialidade na análise do caso do único fugitivo do mensalão, o embaixador disse que o governo italiano ainda não “aceita” a decisão do Palácio do Planalto que negou a extradição do ativista Cesare Battisti à Itália sob a justificativa de “fundado temor de perseguição”.

“Quero ressaltar que a Itália não aceitou e ainda não aceita o que aconteceu no caso Cesare Battisti. Não aceita que ele agora possa ser um homem livre aqui no Brasil. É claro que não gostamos disso”, afirmou.

O imbróglio envolvendo a extradição do ativista para o país europeu se transformou em uma das maiores polêmicas da diplomacia brasileira durante o segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Condenado à prisão perpétua na Itália pela autoria de quatro assassinatos na década de 1970, Battisti foi preso no Rio de Janeiro em 2007. Dois anos depois, a despeito dos apelos do governo italiano para extraditá-lo, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu refúgio ao ex-ativista de esquerda.

No último dia de seu governo, Lula acatou parecer elaborado pela Advocacia Geral da União (AGU) que recomendava a manutenção de Battisti em território brasileiro. Em 2011, ao analisar recurso do Executivo italiano, o STF decidiu, por seis votos a três, manter a decisão do ex-presidente da República de negar a extradição. No dia seguinte ao julgamento, o ex-ativista foi libertado do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Indagado se o desfecho do caso Battisti pode influenciar a futura decisão italiana em torno do pedido de extradição de Pizzolato, o embaixador foi taxativo: “De jeito nenhum. São dois assuntos distintos, diferentes”.

 

Fabiano Costa