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Elas falam o que acham de aplicativos para avaliar o outro

aplicativosO Lulu, aplicativo que ‘bombou’ nas últimas semanas, tinha o objetivo de dar a oportunidade às mulheres de avaliarem, anonimamente, o desempenho de ex-companheiros com base em dados do Facebook. Para essa semana, estava previsto o lançamento da versão masculina, o Tubby, no qual os homens poderiam comentar a performance sexual delas. “Sua vez de descobrir se ela é boa de cama” era a frase de boas-vindas. O aplicativo chegou a ser proibido pela justiça brasileira, com a justificativa de que seria uma forma de violência contra a mulher, e na sexta-feira (6) foi feito o anúncio oficial, em vídeo, de que tudo não passava de uma crítica ao machismo.

 

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Mas o que elas pensam sobre esse tipo de avaliação pública?

 

Parece que voltamos à escola, quando as enquetes passavam de sala em sala. Quem não inventava uma vantagem ou aproveitava para cutucar um desafeto?

 

Algumas mulheres se anteciparam e trataram de excluir o perfil antes mesmo de poderem ser avaliadas. É o caso da publicitária Larissa Mattar Rozanski, 25. Ela está solteira, mas quando soube dos boatos excluiu a conta porque achou “os termos muito pesados”. “Foi divulgado que teriam coisas como #engoletudo. Qualquer um pode ir lá e avaliar como quiser. Eu tenho familiares e pessoas do trabalho que poderão ter acesso a essas informações e eu poderia ter a minha imagem denegrida”, afirma.

 

Já a jornalista Paula Silva, 25, atualmente está namorando, mas não estava preocupada em desaparecer do aplicativo. “Não excluiria o meu perfil por dois motivos: sou avessa às novidades tecnológicas e me atrapalharia ao fazê-lo. E não me importo com a opinião alheia. Sei que qualquer um – inclusive um completo estranho – pode fazer um tipo de ‘avaliação’. Basta o mínimo de bom senso para não levar essa bobagem a sério”, pontua.

 

“Mesa de bar”
Nenhuma das entrevistadas pelo Terra vê algo positivo em um aplicativo como o Tubby. Segundo a analista de desenvolvimento Manuella Vargas, 23, este tipo de aplicativo tem a mesma função que uma mesa de bar ou uma roda de amigos. “Dali sempre saíram os comentários e a ‘pontuação’ para os paqueras como existe hoje nos aplicativos. O grande problema além da exposição é a intenção da pessoa que está dando sua opinião, como estar impulsionada por raiva, rancor ou querendo uma vingança, por exemplo.”

Se você precisa de um aplicativo ou tecnologia pra conhecer alguém, daqui a pouco estará namorando uma máquina

 

A assessora de imprensa Priscila Gomes de Freitas, 28, classifica a novidade como “perda de tempo”. “Vi em uma reportagem uma menina falando que o Lulu era um aplicativo para ajudar as mulheres modernas a se relacionar. Achei ridículo porque se você precisa de um aplicativo ou tecnologia pra conhecer alguém, daqui a pouco estará namorando uma máquina.”

 

Paula ressalta que a prática é invasiva e perigosa. “Ambos [Tubby e Lulu] têm como objetivo expor intimidades e disseminar mentiras. Parece que voltamos à escola, quando as enquetes passavam de sala em sala. Quem não inventava uma vantagem ou aproveitava para cutucar um desafeto? A oportunidade é apenas para quem quer brincar com os amigos ou prejudicar alguém. Gente ressentida deve gostar”, afirma.

 

Larissa concorda e reforça que a prática da avaliação via rede social acaba soando como invasão de privacidade. “Principalmente em se tratando de coisas tão íntimas que podem ser ditas por pessoas que você nem tem em sua rede de amigos. Mesmo se bem avaliado, o legal é ouvir um elogio pessoalmente, saber de onde veio”, analisa.

“Cardápio humano” 
O fato de um homem se pautar pelo que veria no aplicativo também conta como ponto negativo na opinião delas. Para Manuella, ter a avaliação do Tubby como parâmetro é um indicativo de que  eles não querem nada sério. “Mostraria que o cara definitivamente estaria saindo para a caça e não para conhecer realmente alguém. Até porque, com tantas opções em um ‘cardápio humano’ , se ele já sabe o que quer vai pelo caminho mais fácil”, observa.

 

Para Larissa, “homem que é homem não baixa esse tipo de aplicativo”. “Nem para fuçar e muito menos pra avaliar, afinal de contas o bar esta ai desde 1950 pra isso, não é mesmo? Resumindo, ele seria descartado na mesma hora”, enfatiza.

 

Paula não se importa com o fato do homem olhar, apenas pela curiosidade. “O que contaria é a opinião dele sobre o aplicativo e o quanto dá valor a uma hashtag.”

 

Novo aplicativo seria a 'revanche' dos homens na avaliação das mulheres Foto: Getty Images
Novo aplicativo seria a ‘revanche’ dos homens na avaliação das mulheres
Foto: Getty Images

Só uma olhadinha
Quando o poder está nas mãos delas, voltando ao Lulu, elas contam que usariam o aplicativo apenas por curiosidade.

 

Paula ressalta que o aplicativo pode parecer engraçado, mas tem limite. “Até que nos afete de alguma forma. Eu teria ciúmes de olhar, com certeza. Por isso não procurei, não perguntei para nenhuma amiga que tenha baixado o aplicativo”, conta.

 

Para Priscila, o Lulu não seria algo útil. “Para isso temos Facebook, Twitter. Nestas redes sociais você consegue ver um pouco do que a pessoa é, mas claro que para conhecê-lo só convivendo mesmo. O que eu penso mesmo é que a avaliação tem que ser minha. Não vou ficar olhando avaliações de outras pessoas pra decidir se quero me relacionar com alguém ou não.”

 

Basta o mínimo de bom senso para não levar essa bobagem a sério

Larissa também não aprova os apps, mas conta que baixou o Lulu e deu “uma olhada”. No entanto, se a página fosse de alguém com quem estivesse se relacionando, a coisa mudaria de figura. “Imagina eu ler que o meu namorado foi avaliado com ‘mãos magicas’? Eu poderia até guardar pra mim, mas por dentro eu iria me corroer”, afirma.

 

Ela acredita que apesar de as hashtags serem engraçadas, a prática deve ter limite. “Essa brincadeira pode sim estragar relacionamentos, pode queimar a pessoa em ambientes de trabalho, pode gerar bullying e trazer uma série de problemas de autoestima para pessoa, tanto ela sendo homem quanto mulher”, conclui.

 

Homem que é homem não baixa esse tipo de aplicativo

 

Terra 

Elas, marcadas para morrer

marcadas pra morrerA partir dessa sexta (12), a Adital reproduz às sextas-feiras matéria especial da Agência Pública sobre as histórias de dez mulheres cujas vidas estão ameaçadas por lutarem pelos seus direitos e pela preservação da floresta amazônica.

Nas diversas placas de sinalização ao longo das rodovias que ligam os municípios do sudeste e do sul do Pará, raras são as que não ostentam marcas de balas. Atirar nas placas pode ser o insuitado passatempo de quem trafega por aquelas estradas, sem maiores consequências. Mas as marcas também sinalizam muito do espírito que sempre marcou a colonização daquela parte do estado, pivô de conflitos agrários, assassinatos de lideranças rurais e número um em índices de desmatamento e trabalho escravo.

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Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), ocorreram no estado do Pará, entre 1964 e 2010, 914 assassinatos de trabalhadores rurais, religiosos e advogados por questões de terra. Desse total, 654 ocorreram no sul e sudeste do Pará. “Muitos dos trabalhadores rurais assassinados, não conhecemos os rostos e nem sabemos os seus nomes. Em muitos desses casos a polícia negou o registro das denúncias formalizadas por sindicalistas e familiares das vítimas, e negou também o resgate dos corpos onde foram assassinados”, diz o advogado da CPT em Marabá José Batista Afonso.

A CPT divulgou no início do ano uma lista com o nome de 38 pessoas ameaçadas de morte no sul e sudeste do Pará por causa de sua luta pela posse da terra. Dez são mulheres.

Num dossiê que smiúça a violência no sul e sudeste do Pará, a CPT avalia a violência que vitimou centenas de trabalhadores rurais, dirigentes sindicais, religiosos, advogados e parlamentares que lutam pela terra e pela reforma agrária, remonta principalmente o governo militar que, no início da década de 1970, começou a investir na ocupação da Amazônia. O sul e sudeste do estado do Pará, região de expressiva concentração de riquezas minerais e naturais, foi talvez onde esse processo se efetivou de maneira mais contundente.

Para explorar as riquezas, o governo construiu estradas, como a Transamazônica, a BR-222, a BR-158, mas construiu também hidrelétricas, como Tucuruí, e estimulou e financiou a implantação de grandes projetos para explorar as riquezas ali existentes, como o Projeto Ferro Carajás. “Ao mesmo tempo incentivou a vinda de grandes empresas e pecuaristas do Centro-Sul do Brasil para investir na criação de gado bovino. Não só concedeu terras, mas créditos subsidiados pela política de incentivos fiscais da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Esses grupos econômicos, especialmente aqueles que investiram na implantação da pecuária extensiva passaram a expulsar, de forma muito violenta, os povos indígenas e diversos pequenos agricultores que há muito tempo ocupavam da região”, enfatiza o dossiê da CPT.

A novidade da violência atual é que as mulheres estão cada vez mais na linha de tiro, alvo de ameaças. Algumas convivem com essa marca há mais de uma década. Outras começaram a sentir mais recentemente o peso da sina de estarem marcadas para morrer.

Em comum, essas mulheres carregam a consciência da luta que travam; sentem medo, modificaram hábitos, convivem com a incerteza cotidiana. Houve quem decidisse se afastar da luta sindical, com medo das ameaças cada vez mais constantes. Outras permanecem, sabendo ser esse o destino a seguir.

Uma das poucas que conseguiram alguma atenção nacional para o seu périplo foi Laísa Santos Sampaio. Irmã da extrativista Maria do Espírito Santo, assassinada em Nova Ipixuna, a 580 quilômetros de Belém em 2011, Laísa é o “alvo da vez” no município. Ela e o marido, José Maria Gomes Sampaio, o Zé Rondon, estão sendo ameaçados de morte desde o assassinato de Maria e José Cláudio Ribeiro da Silva. Laísa já não dorme tranquilamente e não pode sair de casa sem acompanhamento. A rotina pessoal mudou, desorganizando toda sua família, a relação com os filhos e o trato da lavoura e do extrativismo dentro do seu lote de terra. A Comissão Pastoral da Terra acredita que as ameaças têm sido feitas por pessoas que provavelmente fizeram parte do consórcio de proprietários de terras, madeireiros e carvoeiros que assassinou José e Maria. As ameaças de morte foram registradas na Delegacia de Conflitos Agrários do Sudeste do Pará (DECA). Pouco mudou.

“Não saio mais desacompanhada”, diz Regina Maria Gonçalves Chaves. Regina é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município de Eldorado dos Carajás. No dia 15 de junho de 2012 um grupo de fazendeiros invadiu a sede do Sindicato e a ameaçou diretamente. “Deixaram um recado: estariam com grupos armados à espera de qualquer tentativa de ocupação por parte dos movimentos sociais”, diz ela. Dias depois, pessoas estranhas foram vistas rondando a sede do sindicato e à procura de Regina na casa dos familiares dela.

Em Breu Branco, próximo ao município de Tucuruí, a 480 quilômetros da capital, Graciete Souza Machado convive com uma bala alojada a apenas dois centímetros da coluna vertebral. O alvo era o pai, Francisco Alves de Macedo, líder comunitário que defendia posseiros que ocuparam a fazenda Castanheira. Francisco Alves foi morto por pistoleiros “Eu sou ameaçada de morte desde 2010. Não temos liberdade para sair de casa com nossas crianças. Vivemos totalmente inseguros e com muito medo, pois a qualquer momento, como aconteceu com o meu pai, pode acontecer comigo. Tenho muito medo”, diz ela.

Mudam as personagens, mas as histórias são semelhantes.

“As mulheres se tornaram lideranças que acabaram tomando à frente da luta, muitas vezes são responsáveis pelo sustento da família”, diz a advogada da Comissão Pastoral da Terra, Vânia Maria Santos, 29 anos. Ela atribui a continuidade dos padrões de violência à impunidade. “Da ameaça à concretização é pouca coisa”, diz ela.

Nos assentamentos, acampamentos, periferias dos municípios, nas entidades sindicais, uma dezena de mulheres segue sua vida, à espera do assassino, cumprindo pena forçada. É a história delas que a Pública, em parceria com o jornal Diário do Pará, conta a partir dessa semana.

 

Adital

Elas falam como ter um Dia dos Namorados picante

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

O Dia dos Namorados, comemorado no Brasil em 12 de junho, está chegando. A época transforma vitrines de lojas de shoppings, cria promoções em restaurantes e motéis. Na TV, propagandas de como é importante presentear a pessoa amada. Mas será isso que elas querem? O Terra entrevistou mulheres em busca de saber qual a melhor forma para comemorar o dia e descobriu que a data é vista como “comercial” e criticada pelo público feminino. Por outro lado, elas contaram não abrir mão de comemoração ousada ao lado do parceiro, com jantar, motel e noite picante.

 

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“Não passa de uma data meramente comercial, mas obviamente que gosto de estar com meu namorado”, contou a analista financeiro Ana Carolina Rodrigues, que mantém um relacionamento sério há dois anos.  A estudante de Arquitetura e Urbanismo Michelle Duque também criticou a “obrigação” de trocar presentes no Dia dos Namorados. “Puro capitalismo” opinou a estudante Júlia Lyra. Para Michelle, magia, romantismo e carinho devem existir todos os dias. “Acho absurdo aquelas pessoas que enchem seus queridos parceiros de presentes, levam para jantar, fazem mil cambalhotas e no dia a dia, nada”, reforçou Júlia.

 

Mas não é pelo motivo de que o Dia dos Namorados é um grande impulso à economia de lojistas e donos de estabelecimentos de lazer, que deve ser completamente ignorado, segundo elas. “Não sou daquelas radicais que acha que é apenas uma data comercial, mas também não sou a favor de presentes absurdos e que saiam muito do tema ‘amor’”, disse a supervisora de call center Nadya Machado. É uma data para celebrar a paixão, afetividade, amor e companheirismo entre ambos, na opinião da advogada Paula Ibelli. O que o homem não pode fazer? “Esquecer a data”, disse a produtora de eventos Amália Maria.

 

Comemoração picante
“Restaurante e motel”, sugeriu Michelle como programas para a noite. Habitual demais? Só que a data especial pode ser acompanhada de alguns temperos extras. “Tudo que faça esquentar o relacionamento é ótimo. Pode aproveitar e ir a um sex shop e fazer uma brincadeira em que um escolhe o que quer que o outro use”, sugeriu Nadya. Para Michelle, não deveria existir data para explorar a intimidade sexual, mas o Dia dos Namorados é uma “boa desculpa para experiências novas, como um brinquedo de sex shop ou uma massagem tântrica”.

 

Lingerie nova e um bom vinho não podem faltar, na opinião de Ana Carolina, porém, em geral, tudo que for “surpresa” ou “diferente” é adequado para o dia, disse Amália. Para sair do óbvio entre motéis e restaurantes lotados, Paula sugeriu uma “noite romântica em casa ou uma viagem de final de semana”. “Com decoração à luz de velas, pétalas de rosas pelo quarto e uma bebida, ninguém resiste, certo?”, concluiu Michelle.

 

Terra