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Mais de 35% da água tratada na PB é desperdiçada, diz Trata Brasil

(Foto: Rizemberg Felipe/Jornal da Paraíba)
(Foto: Rizemberg Felipe/Jornal da Paraíba)

Um total de 41,51% da água produzida pelo sistema de abastecimento na Paraíba não foi faturada em 2013, de acordo com um levantamento do Instituto Trata Brasil divulgado nesta quarta-feira (25). Este quadro é reflexo do volume de água desperdiçada no estado. O estudo também aponta que 36,18% da água tratada no estado não chega a ser efetivamente consumida porque se perde. Para ter uma ideia, a perda chega a 283,66 litros de água por dia para cada unidade ligada ao sistema de abastecimento.

O estudo detalha o quadro das cidades de João Pessoa e Campina Grande, que estão entre as cem maiores cidades do país. A perda diária por unidade na capital chega a 407,62 litros, enquanto em Campina Grande o volume chega a 346,42 litros. As perdas na distribuição chegam a 39,90% e 40,32% em João Pessoa e Campina, respectivamente.

Segundo o assessor de Planejamento da Cagepa, Ricardo Benevides, dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) do Ministério das Cidades mostram que as perdas de faturamento estão em 37,33% e as perdas na distribuição, em 36,42%.

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“Vale observar que estas perdas não se somam, são conjuntos com interseções. Desta forma apesar dos números oficias serem estes, podemos afirmar com certeza que se não existissem desvios e ligações clandestinas tais percentuais seriam muito menores”, declarou o engenheiro.

Ainda de acordo com ele, também citando o SNIS, o índice de perdas por ligação em todo o estado é de 284,81 litros por dia, por ligação, o que dá um total de 103 mil litros por ano. Em João Pessoa, esse número fica em 407,62 litros por dia, por ligação, e em Campina Grande, em 346,42 litros por dia, por ligação.

Para evitar esse desperdício, Benevides mencionou algumas ações que a Cagepa tem efetuado. Entre elas, estão substituição de hidrômetros, instalação de macromedidores, automação de sistemas, incremento de equipes para retirada de vazamentos, substituição de trechos de redes antigas de distribuição de água, projeto de melhoria do callcenter, visando agilizar o recebimento e encaminhamento de avisos de vazamentos com maior rapidez, Projeto de Setorização, visando reequilibrar as pressões nas redes de distribuição o que reduzirá o número de vazamentos, e intensificação da fiscalização de águas cortadas e desvios fraudulentos.

Abastecimento
Segundo o instituto, 100% da população de Campina Grande é atendida pelo sistema de abastecimento de água, enquanto em João Pessoa esse índice é de 95,29%.

 

Do G1 PB

Mais de um terço da água tratada é desperdiçada na Paraíba

aguaPouco mais de um terço da água produzida na Paraíba escoa pelo ralo. Segundo pesquisa publicada pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), Instituto Trata Brasil, divulgada nesta terça-feira (19), o índice de perda de faturamento da Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa) é de 36, 79%. No Brasil, as empresas de fornecimento de água perdem 35,7%.

A perda é devido a vazamentos, ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo do produto. O estado do Amapá lidera esse ranking com 74,36%. A Paraíba fica na posição intermediaria, ocupando o 16º lugar, entre os estados que mais perdem em faturamento. A Paraíba produz o equivalente a 1,60% do volume de água do Brasil.

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Mesmo assimn, a pesquisa destaca também que somente 40% dos estados brasileiros apresentaram, em 2010, índices de perdas de faturamento inferiores ao nível médio das perdas nacionais, sendo um estado na região Norte (Tocantins, 21,93%), três estados na região Nordeste (Ceará, 21,76%; Bahia, 30,27%; e Paraíba, 36,79%), dois da região Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul, 19,65% e Goiás, 31,29%), três da região Sudeste (Minas Gerais, 29,15%, Espírito Santo, 27,15% e São Paulo, 32,55%), e dois da região Sul (Paraná, 21,09% e Santa Catarina, 22,03%).

O levantamento é referente aos dados de 2010 e é baseado nas perdas financeiras dos provedores dos serviços informadas ao Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades. O estudo foi feito pelos professores Rudinei Toneto Jr., da Universidade de São Paulo (USP) e Carlos Saiani, do Instituto Mackenzie.

De acordo com o estudo, “As perdas financeiras são derivadas de ligações clandestinas, roubos de água, problemas ou falta de hidrantes e de medição em geral, submedições e, sobretudo, dos vazamentos que ocorrem em horários de baixa demanda, por corrosão ou idade avançada das redes de distribuição, uso de materiais inadequados ou fora dos padrões técnicos, obras mal executadas, entre outros”.

Em 2010, o valor de água cobrado por metro cúbico na Paraíba era de R$ 2,32, enquanto o seu custo médio com os serviços era de 2,89, ou seja, um prejuízo de 59 centavos por cada metro cúbico. Com o resultado que a Paraíba teve um déficit de 23,95% no desempenho financeiro e de 16,92% de suficiência de caixa.

Ainda segundo apresenta a pesquisa, em 2010 a receita operacional direta de água era de R$ 280.482 milhões. O aumento da receita direta de água com redução de 10% nas perdas foi de R$ 17.175 milhões (6,10%). O levanto apresenta também o investimento realizado em abastecimento de água pelo prestador de serviço foi de R$ 29.983 milhões, o que significa que a razão entre aumento na receita operacional direta de água e investimento é de 57%.

De acordo com a pesquisa a perda em João Pessoa na distribuição da água é de 49,8%, enquanto a de faturamento é de 37,9%. Já a cidade Campina Grande tem 42,5% na perda de distribuição e 29% no faturamento.

“As perdas de água representam um dos maiores desafios e dificuldades para a expansão das redes de distribuição de água no Brasil. A perda financeira com a água produzida e não faturada faz com que o setor do saneamento perca recursos financeiros fundamentais também para a expansão do esgotamento sanitário no país”, apontou o estudo.

O Instituto Trata Brasil tem entre seus apoiadores as empresas Braskem, a Tigre, Amanco, o Instituto Vladimir Herzog, a Agência Nacional de Águas (ANA), e o Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O avanço do saneamento básico no Brasil, uma das áreas mais atrasadas na da infraestrutura nacional, dependerá de melhorias na gestão do setor, em especial da situação dramática das perdas de água no Brasil. Em 2010, as perdas de faturamento das empresas operadoras com vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água, alcançaram, na média nacional 37,5%. Uma redução de apenas 10% nas perdas no País agregaria R$ 1,3 bilhão à receita operacional com a água, equivalente a 42% do investimento realizado em abastecimento de água para todo o País naquele ano. Redução de perdas mais significativas ajudaria ainda mais as empresas a terem recursos para a expansão do atendimento em água potável, mas também da ampliação das redes de esgoto e seu tratamento.
O estudo utilizou informações sobre os serviços de abastecimento de água em 4.926 municípios brasileiros, dos quais 333 na região norte (7%), 1584 na região nordeste (32%), 417 na região centro-oeste (8%), 1505 na região sudeste (31%) e 1087 na região sul (22%).

Em 2010, a média brasileira de perdas de faturamento era igual a 37,57%, com média de 51,55% na região Norte; 44,93% na região Nordeste; 32,59% na região Centro-Oeste; 35,19% na região Sudeste; e 32,29% na região Sul.

No que diz respeito aos índices de perdas de faturamento por estados é importante destacar que há uma maior variação dos índices dos estados componentes das regiões norte e nordeste. Na região Norte os índices de perdas de faturamento oscilam de 21,93% no estado de Tocantins a 74,6% no estado do Amapá. No Nordeste as oscilações dos índices de perdas também são notáveis: enquanto o Ceará apresenta índice igual a 21,76%, o estado de Alagoas apresenta índice igual a 65,87%.

Nos estados das demais regiões as variações nos índices de perdas de faturamento são menores, mesmo assim cabe destacar que em alguns estados os índices são superiores a 40%, como é o caso de Mato Grosso (43,79%), na região Centro-Oeste; do Rio de Janeiro (46,95%), no Sudeste; e do Rio Grande do Sul (47,07%), na região Sul.

 

 

Naira Di Lorenzo