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Depressão infantil: As atitudes das crianças revelam que elas não se sentem bem

O suicídio é a segunda causa mais comum de morte em pessoas com idade de 15 a 29 anos

No Brasil, o suicídio ocupa o quarto lugar no ranking de causas de mortes mais comuns entre os jovens. Além disso, a cada 40 segundos uma pessoa se mata em algum lugar do mundo. Segundo a OMS, o suicídio é a segunda causa mais comum de morte em pessoas com idade de 15 a 29 anos. Só no Brasil, 32 pessoas morrem por dia tirando a própria vida.

A pesquisa foi realizada com mais de dois mil brasileiros, a partir dos 13 anos de idade. A pesquisa contou com entrevistados de diferentes regiões do país. O resultado mostra que uma em cada quatro pessoas já pensou em se matar durante a adolescência. Além disso, a pesquisa concluiu que ainda existe muita falta de informação sobre a depressão, bem como muita vergonha do diagnóstico, do tratamento, de procurar ajuda e das pessoas descobrirem sobre a doença.

De acordo com a Dra. Loretta Campos, a depressão infantil existe sim, e temos visto um aumento enorme de suicídio na faixa etária dos adolescentes e os pais devem ter um olhar mais atento, pois é necessário fazer algumas mudanças em relação a avaliação da dinâmica da criança com a família.

“Normalmente o pediatra percebe que quando a criança está deprimida os sintomas aparecem como uma dor de cabeça, dor na barriga e dores muito frequentes no corpo. Além disso, algumas mudam o seu comportamento tornando-se muito agressivas”, alerta a pediatra.

Muitas vezes a dificuldade que os pais tem de comprovarem o quadro depressivo nos filhos é a dificuldade das crianças e adolescentes de se expressarem, mas é importante destacar que o suicídio é previsível, é uma situação que a gente consegue prevenir. Mas para isso é necessário ter um diagnóstico de um pediatra, para que esse tratamento seja acompanhado por uma equipe multidisciplinar com psiquiatra e psicólogos.

A depressão infantil sempre existiu, mas agora estamos abordando sobre este assunto por causa do aumento do suicídio entre crianças de 11 e 12 anos, e uma grande mudança é que a nossa nova realidade da facilidade ao acesso a internet, estimulando a uso precoce das redes sociais, além de brincadeiras como da baleia azul que incentivava o ato suicida.

A criança não tem maturidade para utilizar desses meios digitais que acabam gerando muitas frustrações. E hoje a sociedade vive um grande problema que é a parentalidade distraída, pois existem pais que trabalham o dia inteiro e quando chegam em casa não desfrutam um tempo de qualidade com os seus filhos. “Por isso, é muito importante que exista um momento entre família, mesmo que seja na hora do jantar, assim facilitará a percepção dos pais em alguma atitude ou sintoma anormal dos filhos, facilitando assim um possível diagnóstico de depressão infantil,” finaliza a médica.

 

Dra. Loretta Campos: Pediatra e Consultora de Aleitamento Materno – CRM 10819 – GO  RQE 5373 – Pediatra pela Universidade de São Paulo (USP), Consultora Internacional em Aleitamento Materno (IBCLC), Consultora do sono, Educadora Parental pela Discipline Positive Association e membro da Sociedade Goiana e Brasileira de Pediatria. A médica aborda temas sobre aleitamento materno com ênfase na área comportamental da criança e parentalidade positiva.

 

 

Mariana Durante

 

 

Depressão X Alimentação: Dieta rica em carboidratos refinados, fast food e refrigerantes aumenta em até 41% o risco

Mulheres cuja dieta inclui mais alimentos inflamatórios, como bebidas açucaradas, refrigerantes, grãos refinados, carne vermelha e margarina, além de pobres em alimentos anti-inflamatórios, como vinho, café, azeite de oliva e verduras e vegetais verdes e amarelos têm um risco maior de sofrer com depressão. É o que afirma um estudo realizado por pesquisadores da Harvard School of Public Health (EUA).

Os cientistas descobriram que as mulheres que bebiam regularmente refrigerantes, comiam carne vermelha ou grãos refinados – além de consumirem raramente  vinho, café, azeite e legumes – eram de 29% a 41% mais propensas de ser deprimidas do que aquelas que fizeram uma dieta menos inflamatória. Pesquisas anteriores sugeriram uma ligação entre a inflamação e a depressão, mas a associação entre o padrão alimentar inflamatório e depressão era desconhecida. Estudos têm relacionado inflamação excessiva a doenças cardíacas, AVC, diabetes, câncer e outras condições.

O consumo exagerado de gorduras trans está diretamente relacionado a um maior risco de depressão, “Isso acontece porque o excesso de gorduras trans e saturadas em nosso organismo aumentam a produção de citocinas, moléculas pró-inflamatórias que causam o mau funcionamento dos neurônios”, afirma a Dra. Luanna Caramalac.

Já os refrigerantes são ricos em substâncias que podem interferir nas atividades do nosso organismo de forma negativa. “As pessoas que tomam refrigerante com frequência acabam favorecendo o aparecimento de doenças como depressão,” alerta a nutricionista

Outro fator para se preocupar é a insatisfação com o corpo que pode levar tanto à depressão em relação aos transtornos alimentares. “Ou seja, ter  uma alimentação desregrada, compulsiva e rica em gorduras ou insuficientes em nutrientes, irá favorecer esse quadro depressivo podendo desencadear uma anorexia ou bulimia, principalmente em jovens e adolescentes”, informa Caramalac.

Por fim, a ingestão frequente de fast food pode afetar negativamente a saúde mental de um indivíduo. Sendo assim, ter padrão alimentar baseado em carnes processadas e aditivos alimentares (corantes, conservantes etc.) dobra o risco de depressão na meia idade. “É importante ressaltar que as gorduras presentes nesses alimentos em excesso cultivam outros hábitos que favorecem a depressão, como sedentarismo, tabagismo e baixo consumo de frutas e legumes”, finaliza a nutricionista Luanna Caramalac.

Dra. Luanna Caramalac Munaro – CRN-3 49383 – Nutricionista pela UNIDERP, pós-graduada em nutrição clínica funcional, pela VP – Centro de Nutrição Funcional, pós-graduanda em adequação nutricional e manutenção da homeostase, pós-graduanda em nutrição comportamental pela IPGS, formação em modulação intestinal. Atua na área integrativa com foco em prevenção e tratamentos de doenças crônicas degenerativas e emagrecimento saudável.

Mariana Durante

 

 

Homens sofrem de depressão pós-parto?

A relação entre depressão e suicídio é preocupante. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), os transtornos mentais são responsáveis por 96,8% dos casos de suicídio. A depressão lidera esse ranking. Assim, podemos colocar o suicídio como a pior consequência da depressão.   Em 2020, a doença deve alcançar o título de doença mais incapacitante do mundo de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A recomendação feita pelo American Academy of Pediatrics é que os médicos fiquem atentos a sinais de depressão nas consultas pós-natais tanto na mulher quanto no homem. Segundo estudo publicado pela Universidade Wisconsin-Madison, a depressão entre “novos” pais é um problema que às vezes passa desapercebido, mas estima-se que de 2% a 25% dos pais sejam afetados com a depressão pós parto.

Apesar ser mais frequente nas mães, os pais   também podem sofrer com esse problema. A tristeza paterna, que dá as caras logo depois que o bebê nasce, tem nome e sigla. “Trata-se da depressão pós-parto, ou DPP, como preferem chamar os especialistas, sendo mais comum entre os pais de primeira viagem ou naqueles que não estavam preparados a chegada de um bebê”, alerta o Dr. Domingos Mantelli.

Diferentemente das mulheres, cuja oscilação de humor é causada, na maioria das vezes, por alterações fisiológicas e hormonais na gravidez, a ocorrência desse tipo de depressão nos pais está ligada a questões e situações psicológicas.

De acordo com o ginecologista e obstetra, o homem pode sentir certo isolamento após o nascimento do bebê, pois toda a atenção é direcionada para o recém-nascido, o que faz com que alguns se sintam esquecidos. “O afastamento sexual do casal também pode ser uma das causas dessa depressão,” finaliza Mantelli.

Dr. Domingos Mantelliginecologista e obstetra – autor do livro “Gestação: mitos e verdades sob o olhar do obstetra”. Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA) e residência médica na área de Ginecologia e Obstetrícia pela mesma instituição. Dr. Domingos Mantelli tem pós-graduação em Ultrassonografia Ginecológica e Obstétrica, e em Medicina Legal e Perícias Médicas.

 

Mariana Durante

 

 

 

Cresce o número de brasileiros com depressão e ansiedade durante pandemia

O número de brasileiros com quadros de depressão e ansiedade cresceu desde o início da pandemia da Covid-19. A mais recente pesquisa do Ministério da Saúde sobre o quadro psiquiátrico dos brasileiros neste período revela que 32,6% dos entrevistados se sentiram para baixo ou deprimidos de março para cá.

Outro estudo, do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), aponta que o número de brasileiros com depressão praticamente duplicou nos primeiros dois meses de isolamento social. O percentual de pessoas com a doença passou de 4,2% para 8%. Já os casos de ansiedade saltaram de 8,7% para 14,9%. A pesquisa feita com 1.460 pessoas em 23 estados indica um aumento preocupante nos casos de pessoas com transtornos mentais.

Para especialistas, o isolamento social colabora para o aumento no número de casos de transtornos mentais. É o que explica o psiquiatra Luan Diego Marques. “Já era uma tendência desde 2019 o brasileiro ter quadros de alterações de humor e ansiedade. O isolamento, as mudanças abruptas e a quarentena só impulsionaram um maior desgaste e uma eliminação dos recursos de saúde mental, que é a liberdade, o lazer e a interação social.”

Ele também atribui à crise econômica papel importante nos indicadores. “A vulnerabilidade financeira prejudica o quadro emocional e essa também é uma das possibilidades da piora do nível de ansiedade aqui no Brasil”, complementa.

Percepção médica

A percepção da maior ocorrência de quadros depressivos também ocorre entre os médicos. Um estudo da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) entrevistou profissionais da área. Quase 90% dos psiquiatras afirmaram que os quadros psiquiátricos de seus pacientes se agravaram com a pandemia da Covid-19.

Apesar do momento crítico e do confinamento, Marques afirma que é possível minimizar as chances de depressão. “A depressão pode sim ser evitada”, assegura. Segundo ele, uma das melhores ferramentas para a saúde mental é cultivar relacionamentos.

“Ter uma rede de apoio é uma das ferramentas para reduzir a chance dessa pessoa desenvolver depressão. Existem algumas pesquisas que mostram pessoas que possuem confidentes, que podem desabafar, têm menor risco de desenvolver depressão.”

Ampliação do atendimento

Há cidades que tentaram minimizar o impacto da suspensão de consultas com psicólogos e psiquiatras neste período. Em Teresina, por exemplo, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) se organizou para garantir o atendimento em saúde mental à população durante a pandemia do novo coronavírus. O órgão disponibilizou um telefone para quem precisar falar com um psicólogo gratuitamente.

Além disso, a Rede de Atenção Psicossocial do município continua funcionando, de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h e das 14h às 17h. Ao todo, há sete Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para pessoas com transtornos mentais graves. Teresina conta ainda com um ambulatório, o Provida, que atende pessoas que tentaram suicídio.

Ações 

Preocupado com os efeitos das medidas de distanciamento social, sobretudo entre os jovens e adolescentes, o Governo Federal lançou recentemente uma ação de prevenção ao suicídio e automutilação com foco nesses grupos. A medida é uma forma de o país se antecipar à chamada “quarta onda da pandemia”, que se caracteriza pelo agravamento das doenças mentais entre a população.

O objetivo do Ministério da Saúde é qualificar profissionais da saúde, educadores da rede pública e privada de ensino, líderes de associações religiosas, profissionais que atuam em conselhos tutelares, entidades beneficentes e movimentos sociais para que saibam abordar adolescentes entre 11 e 18 anos.

RAPS

A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é formada por diversos pontos de atenção à saúde mental, que atendem a pessoas com quadros psíquicos em diferentes níveis de complexidade. Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) espalhados por municípios de todo o país constituem um dos principais pontos de atendimento para pacientes com sofrimento ou transtorno mental. Existem ainda os serviços de urgência e emergência, como o SAMU 192, a sala de estabilização, Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e prontos-socorros que integram a rede.

Também fazem parte os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs), que são moradias destinadas a cuidar de pacientes com transtornos mentais e que não possuem suporte social ou laços familiares. Além disso, a rede tem Unidades de Acolhimento (UA), ambulatórios multiprofissionais de saúde mental e comunidades terapêuticas. A ideia é que todos esses serviços funcionem de forma integrada.

PB Agora

 

 

Atividade física libera endorfina e é eficaz no combate à depressão

“Além da melhora do condicionamento físico, aperfeiçoa a capacidade cognitiva e diminui os níveis de ansiedade e estresse de maneira geral”, comenta Vanessa Menache, preparadora física da AV Treinamento Inteligente

A depressão afeta mais de 320 milhões de pessoas no mundo, ou seja, 4,4% da população, segundo relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018. Ainda conforme a organização, o Brasil é responsável pela maior taxa da doença na América Latina: 5,8% dos habitantes sofrem com este mal.

Desde 2015, o mês de setembro é dedicado à campanha “Setembro Amarelo” de prevenção ao suicídio. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 90% dos óbitos por suicídio estão ligados a doenças como depressão, distúrbios por uso de substâncias, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.

Diante deste cenário, muitas pessoas acreditam que a única alternativa é tratar com medicamentos. O que elas desconhecem, porém, é que a atividade física serve como um importante aliado no combate à depressão. Um estudo realizado pela Universidade de Toronto, no Canadá, constatou que praticar atividades físicas de 20 a 30 minutos por dia pode afastar a depressão em longo prazo.

Segundo a preparadora física e sócia diretora da AV Treinamento Inteligente, Vanessa Menache, a prática de exercícios físicos, de qualquer tipo, possui inúmeros benefícios. Além da melhora do condicionamento físico, eles também contribuem com o aperfeiçoamento da capacidade cognitiva e diminuem os níveis de ansiedade e estresse de maneira geral. “O programa de treinamento funcional, por exemplo, estimula a superação de forma gradativa em um processo que traz a necessidade de atenção ao momento, envolvendo corpo e mente na execução de movimentos. Dessa forma, acaba por tirar o foco dos sentimentos causadores de estresse e ansiedade”, informa Vanessa.

A ciência confirma o poder da atividade física para o bem-estar psicológico. Experimentos recentes mostram que praticar uma atividade física também estimula o crescimento de células nervosas no hipocampo, região do cérebro que rege a memória e o humor. “É tão benéfica a ponto de o exercício virar prescrição para pessoas deprimidas, agregado à psicoterapia e aos medicamentos”, comenta a personal trainer.

Ela ainda explica que, durante e após uma sessão de treinamento funcional, há liberação de endorfina que tem uma potente ação analgésica e, ao ser liberada, gera sensação de bem estar, conforto, alegria e melhora do humor. “Além disso, o estímulo e o aumento da circulação sanguínea tem sido um grande aliado no progresso das funções cognitivas, de humor, memória e aprendizagem”.

Importante ressaltar que as atividades físicas atuam como adicionais no combate à depressão e ansiedade e devem estar vinculadas ao acompanhamento de profissionais especializados, como educadores físicos, médicos e psicólogos.

Vanessa Menache – Graduada desde 1998 pela UnG e desde então atua como Personal Trainer, com vasta experiência em Treinamento Funcional desde 2008. Especialista em Pilates com formação completa pela Stott Pilates desde 2009. Preparadora física de atletas e pessoas que visam longevidade com qualidade de vida. Especialista em alongamento postural método TMS desde 2004 UniFMU. Especialista em Treinamento Funcional pelo método Core 360 desde 2008. Pós-graduada em biomecânica do exercício em 2016 CEFIT. Certificada no método FMS (Functional Movement Screen). Sócia diretora da AV Treinamento Inteligente.

Treinamento Inteligente – Localizado no bairro do Itaim Bibi, na capital paulista, o espaço conta com um time de profissionais altamente qualificados e especializados em treinamento funcional embasados no Sistema Core 360.  O estúdio oferece aos seus clientes um programa de treino customizado por meio do relacionamento interdisciplinar e interação com os diversos profissionais da área da saúde como Medicina Esportiva, Nutrição, Fisioterapia e Terapeutas. Site: http://treinamentointeligente.com.br

 

 

Depressão: Paraíba já registra 121 suicídios em 2019

A Paraíba já registrou nos primeiros seis meses de 2019 cerca de 121 casos de suicídio, desses 16 foram registrados em João Pessoa, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado. Em comparação ao ano passado, esse número chega a ser maior, já que ao logo de doze meses foram registrados 190 casos.

O órgão também registra as ocorrências de tentativas de suicídios e, no mesmo período, foram contabilizados 496 casos das chamadas lesões autoprovocadas intencionalmente, ou seja, aqueles casos em que existe ameaça da pessoa querer tirar a própria vida.

Em entrevista ao Portal ClickPB, o secretário da Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, explicou que o suicídio é uma preocupação mundial. Ele reforça a importância de se atentar para a gravidade do problema e lembra que, em países desenvolvidos como os Estados Unidos, o suicídio mata mais que o trânsito. “É preocupante como esse aumento nos casos de suicídio está relacionado com o desenvolvimento dos países, que quanto mais desenvolvidos, maiores são os números de pessoas que se suicidam”, destacou.

Ele também lembrou que cresce o número de casos entre jovens, “os jovens estão inconscientemente se isolando, pois deixam de viver e ter convivência social por conta da tecnologia e das redes sociais. A consequência disso, é que muitas vezes, esses adolescentes acabam se sentido solitários. Os pais, muitas vezes, não acolhem e nem acompanham seus filhos adequadamente. Então essas necessidades da sociedade moderna tem contribuído para o aumento do casos de suicídio”, explicou.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) as principais doenças que podem provocar o suicídio são a depressão, transtornos de ansiedade, tristeza profunda, decepções, problemas financeiros e familiares, comportamento na internet e nas redes sociais,

Especialistas de todo o país têm discutido o aumento do número de casos de suicídio, principalmente, entre jovens e adolescentes. Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou um aumento de 24% dos casos entre os anos de 2005 e 2016 somente no Brasil. No entanto, esse número pode ser ainda maior, pois muitos casos são subnotificados.

De acordo com dados da OMS, o Brasil aparece em 8º lugar entre os países com o maior número de suicídios, estando atrás da Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coréia do Sul e Paquistão.

Entre 2006 e 2010, segundo levantamento do Ministério da Saúde, o Rio Grande do Sul, em taxas relativas (mortes por cem mil habitantes) tem a maior taxa do país, com 10,2 casos. Em seguida estão os estados de Roraima, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.

O aumento desses casos tem chamado a atenção da Secretaria de Estado da Saúde (SES), que no último mês de julho, através da Coordenação de Saúde Mental, promoveu diálogo com os municípios a respeito dos serviços das Redes de Atenção Psicossocial (RAPS). Na Paraíba, um novo de sistema de notificação foi implantado e, de acordo com o técnico da Saúde Mental da SES, Lucílvio Silva, para esclarecer e ajudar melhor a sociedade sobre os serviços disponíveis no estado.

Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo foi criada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) em 2015, a campanha Setembro Amarelo tem o objetivo de conscientizar a população e promover a prevenção do suicídio. Com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFP) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Setembro Amarelo faz alusão ao dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

 

 

clickpb

 

 

Setembro Amarelo: profissionais de saúde mental chamam atenção para a prevenção ao suicídio e sintomas da depressão

Apontada como uma das principais causas de suicídio no mundo, a depressão, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), afeta 322 milhões de pessoas pelo mundo. Entre 2005 e 2015, o número de casos da doença cresceu 18%. Quando não diagnosticada e tratada, a doença pode resultar, em seus casos mais graves, no suicídio.

No Brasil, 5,8% da população sofre com a doença. São mais de 11,5 milhões de pessoas diagnosticadas com a depressão, que atualmente é vista como o mal do século. Esse número coloca o país como o 5º do mundo em número de casos. Já em relação aos transtornos de ansiedade, o Brasil é líder no mundo com 18,6 milhões de pessoas.

DEPRESSÃO

A depressão é um transtorno mental que produz alterações do humor. Essas alterações são caracterizadas por uma tristeza profunda, aliada à baixa autoestima, distúrbio do sono, falta de apetite e dores. Ainda de acordo com dados da OMS, as mulheres estão mais suscetíveis a quadros depressivos do que os homens. A doença pode ser classificada como leve, moderada ou grave, de acordo com a intensidade dos sintomas. Durante um quadro grave, o paciente tende a não ser capaz de realizar nenhuma função social.

No entanto, a psicóloga Hanna Jarine explica que nem todo caso de suicídio ou da tentativa de suicídio é resultado de uma depressão. Outros transtornos como o de Humor Bipolar, Esquizofrenia também podem ter como consequência o pensamento ou o comportamento suicida. “As pessoas que estão passando por alguma fragilidade emocional, algum momento de doença mental, aliadas ao medo e a sensação de não suportá-las, fazem com que estas desejem sanar suas dores, e o caminho que veem é com o pensamento do suicídio, não como forma de morrer, mas o ato de ser a única maneira de apagar essas dores”, analisou.

Hanna ressaltou que é comum aliar um comportamento suicida a algum transtorno mental, mas ela acrescenta que outros momentos de fragilidade emocional podem apresentar esse tipo de comportamento. “Por exemplo, alguém que esteja passando por um luto, a perda de alguém, então vem esse desejo de morte, já que atrela a sua felicidade, a sua qualidade de vida a outra pessoa. Alguém que acabou um relacionamento e também via essa fonte de felicidade no outro tem esse desejo de se matar porque é como se a vida não fizesse mais sentido. Mas são coisas passageiras, diferentemente de quem está com algum transtorno”, disse a psicóloga.

Ao identificar um comportamento suicida, seja de um familiar ou de um amigo, estudiosos da saúde mental orientam que esse sentimento não seja ignorado. A primeira atitude é procurar entender o sofrimento da pessoa, compreender as dificuldades e orientá-la a procurar um profissional. “A partir do momento em que a pessoa pensa que sua vida não faz sentido, esta é a hora de procurar um psicólogo ou um psiquiatra e ambos irão avaliar se existe a necessidade de um tratamento medicamentoso”, afirmou Hanna Jarine. É importante estar atento ao comportamento dessa pessoa e assim que notar uma fragilidade emocional profunda e, com isso, um desnivelamento de sua rotina, é bem possível que ela precise de ajuda psicológica. “A primeira coisa que a pessoa faz quando percebe que alguém está com comportamento suicida é validar o sofrimento da pessoa, ou seja, antes de dizer para a pessoa que o que ela sente é uma besteira, deve-se entender de fato o quanto é difícil, e oferecer-se para ajudá-la. É preciso estar ciente de que a pessoa que pensa em suicídio não está bem e orientá-la a procurar um profissional para falar sobre o assunto. A pessoa precisa entender que a vida vale a pena e que é necessário continuar”, observou a psicóloga.

PB Agora

 

 

O que não falar para quem tem depressão

Como trato pessoas portadoras de depressão há vários anos, entendo um pouco a dificuldade e principalmente a confusão sobre o que dizer a quem está deprimido. As neurociências entendem a depressão como uma desordem do funcionamento cerebral, que afeta e compromete o funcionamento normal do organismo, com reflexos ou consequências na vida pessoal em seus aspectos emocionais ou psicológicos, familiares e sociais.

Entenda a depressão

A doença depressiva deve, portanto, ser examinada sob o ponto de vista biológico, genético, cognitivo, social, considerando ainda a história pessoal, econômica e espiritual. A depressão pode ser entendida enquanto sintoma, manifestando-se nos mais diversos quadros clínicos, como: estresse pós-traumático, crises existenciais, conflitos, demência, esquizofrenia, alcoolismo e doenças clínicas. Pode ainda ser compreendida enquanto síndrome, incluindo as alterações de humor (tristeza, irritabilidade, falta de capacidade em sentir prazer, apatia) e alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas, como as alterações de sono e apetite. Por fim, compreendida enquanto doença, a depressão é devida a múltiplos fatores.

As depressões são doenças multicausais, portanto com a interferência de diversos fatores etiológicos. Nas depressões, ocorre um comprometimento multigênico, sendo até três vezes mais frequente em pessoas com antecedentes hereditários positivos. As depressões podem ser afetadas pelas estações climáticas do ano, sendo mais frequentes no inverno e em países de clima frio. Podem ainda ser influenciadas por: privação de sono, intensidade de luz e luminosidade, traumas precoces de vida (orgânicos ou psíquicos), lesões estruturais do cérebro, infecções e viroses, situações de estresse e estilos de vida, condições profissionais específicas, agentes químicos e físicos, outras doenças clínicas e psíquicas (depressões secundárias) e uso de medicamentos.

Fatores psicossociais, como desemprego, aposentadoria, casamentos e separações conjugais, estão correlacionados com aumento nos índices de depressão. Sabe-se por dados de pesquisa que duas a três pessoas entre dez indivíduos têm, tiveram ou terão ao menos um episódio depressivo na vida!

O que não falar para quem tem depressão

Parte da confusão no público leigo decorre dos vários significados da própria palavra depressão, em que um deles implica que ele é apenas uma emoção passageira. É um grande desafio, portanto, compreender que não se pode atribuir à depressão apenas o resultado de falta de força ou de vontade, igualmente a uma falha moral ou espiritual, ou ainda a uma forma de chamar atenção.

Para tornar este texto mais útil e prático, colocaremos o que não se deve falar a quem está deprimido:

“Por que você não apenas faz algo para superar isso?”

As pessoas que não estão deprimidas não apresentam energia física ou psíquica, que é exatamente o que significa depressão: diminuição de energia. Com o intuito de ajudar pode-se dizer ao deprimido para levantar-se e fazer algo para melhorar, como sair, viajar, tentar divertir-se. Este impulso é compreensível, mas uma pessoa deprimida pode sentir ainda mais desespero quando ouve isso. O deprimido, mais do que qualquer coisa, quer “acabar com este estado”, mas ele não consegue. Seu nível de energia e consequentemente autoconfiança estão inoperantes, não é raro que nem tenham energia para sair do quarto ou tomar banho. Seu estado de humor, pensamentos e comportamentos estão além de seu controle se eles têm depressão grave.

“Por que você não pode simplesmente ser feliz?”

A depressão faz com que a mente distorça a visão de mundo, enxergando-o sempre pelas lentes da negatividade e tristeza. Falar a essas pessoas sobre felicidade pode ser mais desanimador e desesperador para alguém que não é capaz de vê-la no momento. Não há nenhuma solução rápida, e insistir ou esperar uma “mudança” poderá reforçar sentimentos de desesperança e inclusive de autoataque.

“Fique longe de terapia e medicamentos”

As pessoas estão sempre com medo de pedir ajuda por causa do estigma que a doença mental traz. Eles podem ter medo ou vergonha de expor como estão, e estamos numa cultura onde somente quem produz e produz muito é valorizado. Medicamentos também são particularmente assustadores, devido novamente à preconceitos e à histórias de dependência, efeitos secundários, e o medo geral de alterar a psique ou “perder” a si mesmo. A grande maioria dos estudos científicos e pesquisas, no entanto, mostra benefícios com o uso criterioso e adequado das medicações antidepressivas. Sabe-se por dados de pesquisas científicas que até 80% das pessoas tratadas para a depressão mostram melhora significativa com o uso de medicamentos combinados com psicoterapia. Além disto, exercício, estilo de vida saudável e dieta equilibrada também podem ajudar na recuperação da depressão, mas, às vezes, isso não é suficiente. É melhor que as pessoas ao redor de quem está com depressão tenham uma mente aberta e incentivem uma decisão informada sobre as suas escolhas para o tratamento e recuperação.

“Você não está tão ruim assim, veja outras pessoas ….”

Claro que ninguém quer se comparar a crianças famintas tentando imigração em zonas de conflito, nem a um portador de doença terminal, mas este não é o ponto. A depressão, em casos graves, pode ser acompanhada de pensamentos que podem se tornar psicóticos ou delirantes. Todos já presenciamos celebridades ricas e amadas, que pareciam ter tudo, cometerem suicídio. Não podemos achar que o ciclo de autopunição em uma mente deprimida seja facilmente amenizada, e isto não deverá indicar que essas pessoas sejam ingratas ou egoístas.

“Você deveria parar de ser tão negativo”

É difícil estar perto de alguém com depressão. Sua baixa energia e humor sombrio podem “contaminar”. As pessoas instintivamente se afastam e, às vezes, expressam abertamente o desprazer ou ansiedade que o deprimido causa a elas. O deprimido, entretanto, se sente muito só, e quando ouve críticas a seu estado depressivo esse isolamento aumenta ainda mais sua depressão. Ser solidário e sem julgamento a uma pessoa deprimida é muito mais útil para a recuperação dela. A depressão pode parecer o lugar mais solitário do mundo para o indivíduo afligido. A melhor maneira de ajudar é dar apoio incondicional, a garantia de que sua condição é uma doença que pode ser tratada, e direcioná-lo para os recursos apropriados. Com isso, você pode fazer uma diferença real para seu amigo ou ente querido que está passando por este momento.

“É culpa sua”

Todos emitimos julgamentos todo o tempo, e estes julgamentos não raro são falhos, baseados nos juízos de valores pessoais, em falta de informações e de conhecimento. Desde os tempos primitivos o ser humano foi influenciado a relacionar depressão a transgressão (pecado). A depressão seria um castigo pelo homem ter infringido alguma lei dos “deuses”. Esta associação entre depressão, pecado e culpa é mais intensa nas civilizações sob influência judaico-cristã. Ainda atualmente vemos pessoas relacionando o estado depressivo ao pecado e, portanto, à culpa. Tal atitude tem consequências dramáticas, pois piora ainda mais o estado depressivo do doente, acentua ainda mais seu estado de autocobrança e baixa autoestima.

“Você vai se sentir melhor amanhã”

A depressão não é uma doença que melhora da noite para o dia. Criar essa falsa expectativa desanima mais ainda quem está deprimido. Só realmente quem já viveu um episódio depressivo sabe o quão profunda é a dor, o sofrimento e a falta de esperança na melhora da doença. Com uma abordagem médica adequada, que identifique os fatores causais envolvidos na depressão e a partir disto se construa um projeto terapêutico adequado, será possível vencer o estado depressivo, mas dentro de um determinado período de tempo. Quando, então, o deprimido começará a ver luz no final do túnel sombrio da depressão

minhavida

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Depressão no altar: quando padres e sacerdotes precisam de ajuda

No último dia 16 de novembro, o padre Rosalino Santos, de 34 anos, publicou no Facebook uma foto de quando era garoto.

Padre celebra missa de Corpus Christi na Esplanada dos Ministérios, em Brasília; como outros trabalhos, vida sacerdotal pode provocar estresse e depressão
Padre celebra missa de Corpus Christi na Esplanada dos Ministérios, em Brasília; como outros trabalhos, vida sacerdotal pode provocar estresse e depressão

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / BBCBrasil.com

O pároco da igreja de São Bartolomeu, em Corumbá (MS), parecia triste. Escreveu frases soltas na legenda, como “Dei o meu melhor” e “Me ilumine, Senhor”.

O que parecia ser um desabafo se tornou um bilhete de despedida. Dois dias depois, o corpo do sacerdote foi encontrado, enforcado, dentro de casa.

O suicídio do padre Rosalino não foi um caso isolado. Oito dias antes, o padre Ligivaldo dos Santos, da paróquia Senhor da Paz, em Salvador (BA), já tinha colocado ponto final em sua história. Aos 37 anos, atirou-se de um viaduto.

Doze dias depois, outro caso. Pela terceira vez em menos de 15 dias, um sacerdote encerrava a própria vida. Renildo Andrade Maia, de 31 anos, era pároco da igreja de Jesus Operário, em Contagem (MG).

“A vida religiosa não dá superpoderes aos padres. Pelo contrário. Eles são tão falíveis quanto qualquer um de nós”, diz o psicólogo Ênio Pinto, autor do livro Os Padres em Psicoterapia (editora Ideias e Letras).

“Em muitos casos, a fé pode não ser forte o suficiente para superar momentos difíceis”, afirma Pinto, que atua há 17 anos no Instituto Terapêutico Acolher, em São Paulo (SP), voltado ao atendimento psicoterápico de padres, freiras e leigos em serviço à Igreja.

Desde a fundação, em 2000, o instituto estima ter atendido cerca de 3,7 mil pacientes, com média de permanência de seis meses a um ano.

Estresse ocupacional

O eventual comportamento suicida de sacerdotes intriga clérigos e terapeutas. Para especialistas consultados pela reportagem, há vários possíveis fatores: excesso de trabalho, falta de lazer, perda da motivação.

“O grau de exigência da Igreja é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade”, afirma o psicólogo William Pereira, autor do livro Sofrimento Psíquico dos Presbíteros(editora Vozes).

'Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade', diz psicólogo autor de livro sobre sofrimento de sacerdotes
‘Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade’, diz psicólogo autor de livro sobre sofrimento de sacerdotes

Foto: Agência Brasil / BBCBrasil.com

“Qualquer deslize, por menor que seja, vira alvo de crítica e julgamento. Por medo, culpa ou vergonha, muitos preferem se matar a pedir ajuda”, diz.

Pesquisa de 2008 da Isma Brasil, organização de pesquisa e tratamento do estresse, apontou que a vida sacerdotal é uma das profissões mais estressantes.

Naquele ano, 448 entre 1,6 mil padres e freiras entrevistados (28%) se sentiam “emocionalmente exaustos”. O percentual de clérigos nessa situação era superior ao de policiais (26%), executivos (20%) e motoristas de ônibus (15%).

A psicóloga Ana Maria Rossi, que coordenou o estudo, afirma que padres diocesanos, que trabalham em paróquias, estão mais propensos a sofrer de estresse do que monges e frades que vivem reclusos.

“Um dos fatores mais estressantes da vida religiosa é a falta de privacidade. Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes, padres têm que estar à disposição dos fieis 24 horas por dia, sete dias por semana.”

Problemas terrenos

Em 8 de janeiro de 2008, o padre José Chitumba ingressou na fazenda Santa Rosa, em Garanhuns (PE), uma das unidades do projeto Fazenda da Esperança, de recuperação de dependentes químicos em mais de 15 países.

“Quando caí em depressão virei alcoólatra, pensei em suicídio, perdi o ânimo para rezar. Passei oito meses sem celebrar missa. Achei que aquela noite não teria fim”, recorda Chitumba, de 62 anos, hoje pároco da Igreja de Santo Antônio, em Chiador (MG).

A vida sacerdotal é mais atribulada do que se costuma imaginar. Inclui celebração de batizados e casamentos, visita a doentes, sessões de confissão, aulas em universidades, presença em pastorais.

Dados de 2010 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ajudam a entender essa demanda: havia no Brasil naquele ano 22 mil padres para 123 milhões de católicos, uma média de um padre para cada 5,6 mil fiéis.

No Brasil há, em média, um padre para cada 5,5 mil fieis católicos; 'Sobra trabalho e falta tempo', diz diretor de casa de repouso para religiosos
No Brasil há, em média, um padre para cada 5,5 mil fieis católicos; ‘Sobra trabalho e falta tempo’, diz diretor de casa de repouso para religiosos

Foto: Agência Brasil / BBCBrasil.com

“Sobra trabalho e falta tempo. Se não tomar cuidado, o sacerdote negligencia sua espiritualidade e trabalha no piloto automático”, adverte o padre Adalto Chitolina, um dos diretores do centro Âncora, casa de repouso em Pinhais (PR) que atende padres e freiras com diagnóstico de estresse, ansiedade ou depressão.

“Ao longo de 2016, nossa taxa de ocupação foi de 100%. Em alguns meses, tivemos lista de espera”, afirma.

O padre Edson Barbosa, da paróquia Nossa Senhora das Graças, em Andradina (SP), foi um dos religiosos atendidos no centro paranaense.

Há dois anos, dormia pouco, comia mal, andava irritado. Mas o alarme soou quando começou a beber além da conta. Em julho de 2015, pediu dispensa de suas atividades paroquiais e passou três meses no centro Âncora, entre consultas médicas, palestras de nutrição e exercícios físicos.

“Não sei o que teria acontecido comigo se não tivesse dado essa parada. Demorei a perceber que não era super-herói”, afirma. Sóbrio há um ano e nove meses, o padre, de 36 anos, trocou o álcool por caminhadas e trajetos diários de bicicleta.

Preocupação na cúpula

Reitor do seminário São José de Niterói, o padre Douglas Fontes diz estar atento à saúde mental dos colegas. Em pregações, costuma alertar os futuros sacerdotes para a necessidade de cuidarem mais de si mesmos.

“Jamais amaremos ao próximo se antes não amarmos a nós mesmos. E amar a si mesmo significa levar uma vida mais saudável. Tristes, cansados ou doentes não cumpriremos a missão que Deus nos confiou.”

Padre Edson Barbosa, de Andradina (SP), buscou ajuda especializada para superar vício em alcool
Padre Edson Barbosa, de Andradina (SP), buscou ajuda especializada para superar vício em alcool

Foto: Arquivo pessoal / BBCBrasil.com

Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da comissão da CNBB que se ocupa da vida dos padres, diz que sacerdotes devem pedir ajuda ao bispo de sua diocese em caso de tensão psicológica ou esgotamento físicos.

“Os padres não estão sozinhos. Fazemos parte de uma família. E nesta família cabe ao bispo desempenhar o papel de pai e, como tal, zelar pelas necessidades dos filhos”, afirma.

Outros locais do mundo também registram casos de padres com problemas psicológicos.

Uma pesquisa da Universidade de Salamanca, na Espanha, ouviu 881 sacerdotes de três países (México, Costa Rica e Porto Rico) e identificou incidência alta de transtornos relacionados à atividade.

“Três em cada cinco experimentavam graus médios ou avançados deburnout , a síndrome do esgotamento profissional”, registrou a autora da pesquisa, Helena de Mézerville, no livro O Desgaste na Vida Sacerdotal(editora Paulus).

Na Itália, o burnout é conhecido por alguns sacerdotes como a “síndrome do bom samaritano desiludido”.

Naturalmente, sacerdotes católicos não são os únicos sob risco.

“A natureza do trabalho é a mesma. Logo, estamos sujeitos aos mesmos riscos”, avalia o rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP). O sheik Ahmad Mazloum, do Centro Islâmico de Foz do Iguaçu (PR), faz coro.

“É preciso satisfazer, de maneira lícita e correta, as necessidades básicas do espírito, mente e corpo. Caso contrário, estaremos sempre em perigoso desequilíbrio”, alerta.

BBC Brasil

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No Dia Mundial da Saúde, OMS alerta sobre depressão

Foto: Internete
Foto: Internete

A depressão tem tratamento e o primeiro passo é conversar sobre o assunto. Essa é a proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Dia Mundial da Saúde, lembrado hoje (7). A doença, segundo a entidade, afeta pessoas de todas as idades e estilos de vida, causa angústia e interfere na capacidade de o paciente fazer até mesmo as tarefas mais simples do dia a dia.

“No pior dos casos, a depressão pode levar ao suicídio, segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos”, destacou a OMS. “Ainda assim, a depressão pode ser prevenida e tratada. Uma melhor compreensão sobre o que é a doença e como ela deve ser prevenida e tratada pode ajudar a reduzir o estigma associado à condição, além de levar mais pessoas a procurar ajuda”, completou a entidade.

Números em ascensão

O número de pessoas que vivem com depressão, segundo a OMS, está aumentando – 18% entre 2005 e 2015. A estimativa é que, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença em todo o mundo. O órgão alertou ainda que a depressão figura como a principal causa de incapacidade laboral no planeta.

“A depressão é diferente de flutuações habituais de humor e respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou severa, ela pode se tornar um sério problema de saúde”, destacou a organização. Os dados mostram que quase 800 mil pessoas morrem anualmente em razão de suicídio.

Depressão no Brasil

De acordo com a OMS, cerca de 5,8% da população brasileira sofrem de depressão – um total de 11,5 milhões de casos. O índice é o maior na América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos.

O levantamento mostra que, além do Brasil e dos Estados Unidos, países como a Ucrânia, Austrália e Estônia também registram altos índices de depressão em sua população – 6,3%, 5,9% e 5,9%, respectivamente. Entre as nações com os menores índices do transtorno estão as Ilhas Salomão (2,9%) e a Guatemala (3,7%). A prevalência na população mundial, segundo a OMS, é 4,4%.

Falhas no acesso ao tratamento

A organização também alertou que, apesar da existência de tratamentos efetivos para a depressão, menos da metade das pessoas afetadas no mundo – e, em alguns países, menos de 10% dos casos – recebe ajuda médica. As barreiras incluem falta de recursos, falta de profissionais capacitados e o estigma social associado a transtornos mentais, além de falhas no diagnóstico.

“O fardo da depressão e de outras condições envolvendo a saúde mental está em ascensão em todo o mundo”, concluiu a OMS, ao cobrar uma resposta compreensiva e coordenada para as desordens mentais por parte de todos os países-membros.

Agência Brasil

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