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Gilmar Mendes autoriza Demóstenes a reassumir cargo de promotor

demostenesO ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, autorizou, nesta quinta (3), em decisão liminar, que o ex-senador reassuma seu cargo de procurador de justiça do Estado de Goiás.

Eleito pelo DEM em 2010, Torres foi afastado do cargo por decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em outubro de 2012, após ter seu mandato como senador cassado em função do seu envolvimento com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, preso por exploração de jogos ilegais e corrupção.

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Demóstenes recorreu ao STF da decisão. O caso, por sorteio, caiu nas mãos de Mendes. Apesar da proximidade com o acusado, o ministro não se declarou impedido de ser o relator do processo que ainda aguarda decisão definitiva. Mesmo afastado, porém, Demóstenes continua recebendo seu salário integral.

No recurso ao STF, o ex-senador alega que não cometeu qualquer infração disciplinar no exercício da função de promotor. Segundo ele, o processo administrativo disciplinar a que está sendo submetido se deve, indevidamente, à sua conduta no Senado, e não no órgão do qual está licenciado desde 1999.

Demóstenes Torres afirma também que seu afastamento do cargo público vem sendo prorrogado a cada 60 dias, o que, segundo sua defesa, estaria em desacordo com a lei. E acusa cerceamento do direito de defesa, já que não lhe fora disponibilizada a íntegra das interceptações feitas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, nas ligações telefônicas entre ele e membros da quadrilha.

Na decisão, o ministro Gilmar Mendes acolheu parcialmente o pedido, considerando que a ilegalidade da prorrogação do seu afastamento causa prejuízos a Demóstenes.

“De um lado, é certo que o afastamento ocorre sem prejuízo do subsídio e de seus consectários legais. Contudo, não há como se olvidarem os prejuízos causados ao impetrante, que se vê impedido de exercer suas atividades até o julgamento definitivo do PAD – ainda não ocorrido após mais de um ano e meio de seu afastamento”, justificou o ministro.

Amizade comprovada

Em 2012, no auge das denúncias do envolvimento de Demóstenes com a quadrilha de Cachoeira, o vazamento de ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal acabou por tornar público um encontro pessoal entre o então senador e o ministro, na Alemanha, em abril de 2011.

Em telefonemas grampeados, Carlinhos Cachoeira informava aos comparsas que Demóstenes e Mendes estavam em Berlim e pedia providências para que um jatinho fosse disponibilizado para recebê-los em São Paulo, após o retorno de ambos ao Brasil. À época Gilmar Mendes confirmou o encontro na Alemanha, sem apresentar justificativa para tal, mas garantiu que voltou para Brasília em voo comercial.

Créditos da foto: Fotos: Agência Senado e STF
cartamaior

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Serra aparece entre os diálogos de Cachoeira com Demóstenes

 

“Pela primeira vez, o nome do ex-governador de São Paulo e candidato à Prefeitura, José Serra, aparece na boca do contraventor Carlos Cachoeira, numa conversa com o já cassado Demóstenes Torres. ‘Ocê vai tá com o Serra aí hoje?’, pergunta o bicheiro. ‘Marca uma audiência com ele’, insiste. ‘Vou marcar com ele e venho aqui’, atende o ex-senador. Negócios da Delta com São Paulo são o próximo alvo da CPI”. Reportagem do Brasil 247.

14 de maio de 2009. José Serra era governador de São Paulo. Executava, no Estado, obras bilionárias, como a construção do trecho Sul Rodoanel e as ampliações das marginais – algumas, com a participação da construtora Delta, de Fernando Cavendish. Na quarta-feira (29), o empreiteiro estará na CPI, que investiga as atividades do bicheiro Carlos Cachoeira. Assim como Cavendish, também irá depor o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que era o homem forte da Dersa, empresa de desenvolvimento rodoviário de São Paulo, e já disse que Serra era sua “bússola” na estatal.

Um diálogo, obtido com exclusividade pelo Brasil 247, aponta agora, pela primeira vez, o nome de José Serra nas conversas de Cachoeira. É num telefonema dele ao ex-senador Demóstenes Torres. Cachoeira quer uma audiência do governador para um personagem chamado Dino. E Demóstenes promete marcá-la.

“Ocê vai tá com o Serra aí hoje?”, pergunta Cachoeira. Com naturalidade, Demóstenes diz que não. Afirma ter estado na Companhia Siderúrgica Nacional, do empresário Benjamin Steinbruch. Cachoeira faz então uma brincadeira dizendo que quem gosta muito de Steinbruch é o atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

E, depois, insiste para que Demóstenes, que foi cassado por ser uma espécie de despachante de luxo do bicheiro, marque uma audiência com Serra. “Vou marcar com ele e venho aqui”, atende o ex-senador.

Escute aqui o primeiro diálogo entre Demóstenes e Cachoeira.

Numa outra conversa, de 26 de abril de 2009, Cachoeira também liga a Demóstenes para tratar de negócios em São Paulo. O ex-senador estava no apartamento 1.105 do Hotel Meliá, no bairro do Itaim-Bibi de São Paulo. O bicheiro, que representava interesses da Delta em São Paulo, pede para o senador se encontrar com um espanhol chamado Carlos Sanchez. Trata-se do chefe do Departamento de Engenharia do Metrô de Madri – o modelo usado é o mesmo usado em São Paulo.

Escute aqui o segundo diálogo entre Cachoeira e Demóstenes.

Na terceira conversa, Cachoeira fala com o próprio Sanchez sobre o encontro no Hotel Meliá. Onde? Na rua João Cachoeira, em São Paulo.

Escute aqui o diálogo entre Cachoeira e Sanchez

Neste diálogo, Cachoeira sugere a Sanchez que entre na página da internet do Senado para reconhecer a face de Demóstenes Torres. O espanhol, pelo tom de voz, já festeja um negócio que será “muy bueno”.

Há ainda um último diálogo em que um homem não identificado conversa com um certo Geovane, ligado ao grupo de Cachoeira, sobre um encontro com Serra.

O Brasil 247 entrou em contato, via telefone e e-mail, com o assessor de imprensa da campanha de José Serra à Prefeitura para conhecer a opinião do candidato sobre as revelações. Ele tem memória sobre a audiência que o senador Demóstenes Torres iria pedir? Ocorreu? O que foi tratado? Sem dúvida, a palavra de Serra sobre o assunto pode ser esclarecedora. Até 14h…, o retorno ainda não havia ocorrido.

Portal Vermelho

Suplente de Demóstenes Torres vai receber R$ 16 mil por um dia de trabalho

Suplente do ex-senador Demóstenes Torres, o senador Wilder Morais (DEM-GO) vai receber R$ 16,3 mil por um dia trabalhado no Senado em julho. Como o Senado entrou em recesso parlamentar nesta quarta-feira e Morais só esteve no Senado na sexta-feira, quando tomou posse, o suplente vai receber proporcionalmente o salário mensal de R$ 26,7 mil. Todos os 81 senadores recebem durante o recesso, mesmo com as atividades paralisadas. A diferença é que os demais trabalharam por 17 dias no mês.

Outro suplente também será beneficiado pela manobra. Tomás Correia, empossado ontem na vaga do presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), vai receber R$ 12 mil por nenhum dia de trabalho em julho.

Ele assumiu a vaga na última sessão do Senado antes do recesso. Raupp se licenciou do mandato para se dedicar às campanhas eleitorais municipais.

O parlamentar receberá proporcionalmente por 14 dias em que o Senado vai estar com suas atividades paralisadas.

Os dois suplentes também vão se beneficiar do “recesso branco” decretado pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no segundo semestre. Para liberar os senadores a participarem das campanhas municipais nos Estados, Câmara e Senado vão ter apenas três semanas de trabalhos entre agosto e outubro.

Durante o recesso branco, todos os congressistas recebem os salários normalmente.

Além da remuneração mensal, os senadores têm direito a um “cotão” de R$ 15 mil para despesas relacionadas ao mandato. Também têm cota livre de telefone celular, carro próprio com motorista e despesas de gabinete cobertas pela Casa.

O regimento do Senado determina que o suplente seja empossado se o titular se afastar do mandato por mais de 120 dias. Raupp comunicou ao Senado que vai ficar fora da Casa por 121 dias –um a mais que o necessário para o suplente ser empossado.

O peemedebista nega que tenha feito um “acordo” com o suplente para ceder sua vaga. Afirma que a licença tem o objetivo de permitir sua participação na campanha eleitoral para a disputa municipal de outubro por ser presidente do PMDB.

Já Wilder assumiu a vaga com a cassação de Demóstenes. O suplente tomou posse 48 horas depois do ex-líder do DEM perder o mandato, embora tivesse o prazo de 60 dias para assumir o cargo.

Folha de S. Paulo

Plenário do Senado cassa mandato de Demóstenes Torres

Demóstenes Torres (sem partido-GO) teve seu mandato de senador cassado nesta quarta-feira (11) pelo plenário do Senado em razão de sua ligação com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em votação secreta, Demóstenes foi o segundo senador cassado na história do Senado com 56 votos favoráveis – Luiz Estevão foi cassado em 2000. Apenas 19 dos 80 senadores presentes votaram pela manutenção do mandato do senador. Foram cinco abstenções.

O senador Demóstenes Torres com seu advogado no plenário do Senado (Foto: Agência Senado)O senador Demóstenes Torres com seu advogado
no plenário do Senado (Foto: Agência Senado)

Para se confirmar a perda do cargo, aprovada anteriormente por unimidade no Conselho de Ética e na Comissão de Constituição e Justiça, seriam necessários, no mínimo, 41 votos de senadores. O único senador ausente na sessão foi Clovis Fecury (DEM-MA), que está de licença desde o dia 6 de julho.

Com a cassação aprovada, Demóstenes Torres tem seus direitos políticos suspensos por oito anos a contar do fim do mandato parlamentar, que se encerraria em 2019. Com isso, Demóstenes só poderá voltar a disputar eleições a partir de 2027, quando tiver 66 anos.

Em tese, ele poderia questionar a cassação no Supremo Tribunal Federal (STF), mas ainda nesta terça (10), antes da decisão, o advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, descartou uma apelação na Justiça. “Não vamos recorrer. A decisão do plenário é soberana. Não há como fazer qualquer tipo de recursos. Só nos cabe aceitar a decisão”, disse o advogado.

Com a perda do mandato, Demóstenes também perde o foro privilegiado e deixa de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, onde é alvo de inquérito. Como é procurador de Justiça do Ministério Público de Goiás licenciado, Demóstenes passa a ter como foro o Tribunal de Justiça de Goiás.

O senador cassado foi acusado de quebra de decoro parlamentar por suspeita de ter utilizado o mandato parlamentar para auxiliar nos negócios do contraventor, preso pela Polícia Federal no fim de fevereiro durante a Operação Monte Carlo sob acusação de explorar jogos ilegais e corrupção. Poucos dias após a prisão, surgiram notícias do envolvimento de Carlinhos Cachoeira com Demóstenes Torres.

Eu fui perseguido como um cão sarnento. Tudo o que aconteceu na minha vida e o que não aconteceu veio a público. Mandaram jornalistas para todo lugar de Goiás e do Brasil. Por que não apareceu meu nome em desvios? Eu fui investigado como ninguém no Brasil.”
Demóstenes Torres, durante discurso no plenário do Senado

‘Bode expiatório’ e ‘cão sarnento’
Demóstenes chegou ao plenário nesta quarta para sessão que votaria sua cassação antes dos colegas e permaneceu sentado durante os discursos. Antes da votação, voltou a negar ter favorecido o bicheiro e disse que foi um “bode expiatório” e “perseguido como um cão sarnento”.

“Eu fui perseguido como um cão sarnento. Tudo o que aconteceu na minha vida e o que não aconteceu veio a público. Mandaram jornalistas para todo lugar de Goiás e do Brasil. Por que não apareceu meu nome em desvios? Eu fui investigado como ninguém no Brasil. E não apareceu nada, nada, nada. Aí começaram a inventar”, disse Demóstenes.

Apesar da votação secreta, a sessão, que começou às 10h11, foi aberta e as galerias do plenário já estavam repletas de pessoas convidadas por partidos, que receberam 100 senhas para assistir de perto.

Relembre o caso
No começo de março, a primeira denúncia indicava que Demóstenes havia recebido uma cozinha de presente do contraventor. No mesmo mês foram revelados indícios de que o então senador vazava informações do Congresso para Cachoeira. Depois disso, surgiram novas suspeitas de tráfico de influência em diversos órgãos federais. Em abril, Demóstenes deixou seu partido, o DEM, e passou a ser alvo de processo no Conselho de Ética.

Desde o início das denúncias, ele alegou que sua relação com Cachoeira, revelada em gravações da Polícia Federal, se limitaria à amizade e que não sabia de qualquer atividade ilegal. Em discursos e na defesa escrita, Demóstenes alegou que as inteceptações eram ilegais, por não terem sido autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), questionou a interpretação dada sobre os diálogos com Cachoeira e se disse vítima de perseguição política e da opinião pública.

Demóstenes adotou comportamento incompatível com o decoro mandato. Ele feriu de morte a dignidade do cargo e a ética que se impõe aos parlamentares”
Pedro Taques, senador

Discursos na sessão
A representação que pediu a cassação de Demóstenes por quebra de decoro parlamentar foi de autoria do PSOL. Em nome do partido, o senador Randofe Rodrigues (AP) usou a tribuna por 30 minutos para afirmar que o senador quebrou o decoro e defender a cassação.

Randolfe afirmou que as gravações feitas pela Polícia Federal entre Demóstenes e Cachoeira deixam claro que as relações entre o senador e o contraventor não eram apenas pessoais. “O que está em jogo é um sinal para milhões de brasileiros sobre a credibuliade de uma instituição”, afirmou. “O diálogo mostra claramente o nível de relação entre Cachoeira e o representado […] Muitas são as provas que mostram a conduta incompatível com o decoro parlamentar.”

Antes de Randolfe, o senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo no Conselho de Ética, afirmou que Demóstenes mentiu aos parlamentares ao negar sua relação com o contraventor.

“Vossa Excelência disse aqui que não sabia dos afazeres ocultos de Carlos Cachoeira. É muito difícil acreditar. Como poderia não saber das atividades criminosas? […] Que amigo é este que não procura saber por que o amigo havia sido indiciado por seis crimes. Portanto, me perdoe, mas Vossa Excelência faltou com a verdade”, disse o relator.

Quem também defendeu a cassação do mandato durante a sessão foi o senador Pedro Taques (PDT-MT), relator de processo contra Demóstenes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Segundo ele, Demóstenes “feriu de morte a dignidade do cargo”.

“Demóstenes adotou comportamento incompatível com o decoro mandato. Ele feriu de morte a dignidade do cargo e a ética que se impõe aos parlamentares”, disse no discurso.

Histórico de cassações
Antes de Demóstenes, apenas um senador teve o mandato cassado: Luiz Estevão, então no PMDB-DF, perdeu o mandato sob a acusação de ter mentido no Senado ao negar envolvimento no desvio de R$ 169 milhões nas obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo.

A cassação ocorreu no dia 28 de junho de 2000, com 52 votos a favor da cassação, 18 contra e dez abstenções. Além do mandato, Luiz Estevão perdeu os direitos políticos até 2014.

No ano seguinte, Antonio Carlos Magalhães, então no PFL-BA, renunciaria ao mandato antes da votação de um processo de cassação, motivado pela revelação de que obteve a relação dos votos da cassação de Luiz Estevão. O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, então no PSDB-DF e líder do governo, também renunciou, sob suspeita de ter fornecido a lista. Ambos foram eleitos novamente em 2002, ACM para o Senado e Arruda para a Câmara.

Ainda em 2001, Jader Barbalho (PMDB-PA) renunciou, também para evitar a perda de direitos políticos. Na época, ele presidia o Senado e era acusado de desvios no Banco do Estado do Pará, fraudes na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e venda de títulos da dívida agrária.

O processo mais recente de ameaça de cassação ocorreu em 2007, quando o então presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) foi acusado de ter as contas pessoais pagas por um lobista. Na época, ele renunciou à presidência do Senado e escapou da cassação.

G1

Em sessão aberta, mas com voto secreto, Demóstenes será julgado nesta quarta

Está marcada para às 10h desta quarta-feira (11) sessão do Plenário do Senado destinada a apreciar o Projeto de Resolução 22/2012, propondo a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). O projeto foi aprovado no Conselho de Ética Decoro Parlamentar, que entendeu que Demóstenes feriu o decoro parlamentar ao manter estreitas relações com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro sob a acusação de crimes como exploração de jogos ilegais e corrupção.

Os lideres partidários do Senado decidiram nesta terça-feira (10) dar a palavra a todos os senadores que desejarem discursar durante a análise do caso Demóstenes. Na abertura da sessão, o relator do processo no Conselho de Ética, senador Humberto Costa (PT-PE), e o relator da matéria na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Pedro Taques (PDT-MT), apresentarão seus pareceres por 20 minutos cada, tempo que poderá ser prorrogado por mais 10 minutos. Em seguida, será aberta a palavra para qualquer líder de bancada, de partido ou senador que queira se manifestar, pelo tempo máximo de 10 minutos.

Encerrada a discussão, falará por 20 minutos, prorrogáveis por mais dez, o senador Randolfe Rodrigues (AP), líder do PSOL, partido que ingressou com representação contra Demóstenes. O último a falar será o senador goiano ou seu defensor, que também terá 20 minutos, prorrogáveis por mais dez, para se pronunciar. Se os dois decidirem usar a palavra, o tempo será duplicado (20 minutos para cada). Só então, será iniciada a votação.

Segundo informou o líder do PT no Senado, senador Walter Pinheiro (PT-BA), ninguém terá a palavra cerceada.

– Determinamos o inicio para às 10h para que a sessão transcorra com o tempo necessário para que se tenha opiniões, defesa, todo o processo extremamente aberto – assegurou o senador.

Pinheiro explicou que as galerias serão abertas ao público, mas mediante a distribuição de senhas, que serão partilhadas entre os partidos políticos com representação na Casa. A prática, esclareceu, costuma ser adotada em todas as votações importantes no Senado.

O líder do PT destacou ainda que a votação será secreta, uma vez que não houve mudanças no rito de tramitação do processo disciplinar no Congresso. Os senadores não poderão divulgar, em Plenário, qual foi o seu voto, sob o risco de comprometer a legitimidade do processo. As declarações só poderão ser dadas do lado do fora do Plenário.

Ao iniciar a sessão no Plenário, por determinação do presidente José Sarney, as reuniões de comissões em andamento na Casa serão suspensas.

História

A última vez que o Plenário decidiu processo disciplinar em que esteve em jogo um mandato parlamentar foi em 2007, quando o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi absolvido pelos colegas. O rito do julgamento foi semelhante ao adotado no caso de Demóstenes.

Até agora, o único senador cassado pela Casa foi Luiz Estevão, do Distrito Federal, em 2000. Ele foi acusado de envolvimento no desvio de verbas na construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

Agência Senado

Senado vai ‘julgar’ Demóstenes em 11 de julho

Os presidentes do Senado, José Sarney, e da Comissão de Constituição e Justiça, Eunício Oliveira, definiram o calendário do julgamento do pedido de cassação do mandato de Demóstenes Torres.

Ficou decidido que o processo será analisado e votado na Comissão de Justiça na quarta-feira (4) da semana que vem. Uma semana depois, no dia 11 de julho, será levado a voto no plenário do Senado.

Euncío (PMDB-CE) já escolheu o relator do caso na Comissão de Justiça. Será o senador Pedro Taques (PDT-MT). Caberá a ele dizer se foram respeitados no Conselho de Ética do Senado o regimento interno e a Constituição.

“Escolhi o Pedro Taques porque será o Ministério Público julgando o Ministério Público”, disse Eunício ao blog. Taques é ex-procurador da República. Demóstenes é promotor licenciado do Ministério Público de Goiás.

Reza o regimento do Senado que, em casos de cassação, o prazo de deliberação da Comissão de Justiça é de cinco sessões. Para que o calendário seja cumprido, Sarney (PMDB-AP) terá de convocar sessões deliberativas do plenário nesta quinta e na segunda-feira da semana que vem.

Nesses dias, o Senado costuma realizar apenas sessões não-deliberativas. “Eu disse ao presidente Sarney que só conseguiríamos cumprir os prazos se ele convocasse essas sessões deliberativas. Ele concordou”, contou Eunício.

Antes de bater o martelo, Sarney chamou ao seu gabinete os líderes dos dois maiores partidos do Senado –Walter Pinheiro (PT) e Renan Calherios (PMDB)— e o líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM). Todos puseram-se de acordo em relação aos prazos sugeridos por Eunício.

Assim, o futuro de Demóstenes será definido em plenário uma semana antes do início do recesso parlamentar do meio do ano, que começa em 18 de julho. A sessão será aberta. O voto, secreto. Para que o mandato do senador seja passado na lâmina são necessários 41 votos dos 81 senadores.

Josias de Souza

Conselho de Ética decide pela cassação de mandato do senador Demóstenes Torres

 

Por unanimidade, o Conselho de Ética do Senado aprovou na noite da segunda-feira (25) o relatório do senador Humberto Costa (PT-PE) que pede a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). A votação ocorreu de forma nominal e por meio de voto aberto. O relatório recebeu a aprovação dos 15 senadores que integram o conselho.

O parecer será encaminhado agora à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, para análise dos aspectos constitucionais. Antes de votar, no entanto, a CCJ terá que esperar um intervalo equivalente a cinco sessões ordinárias do Senado, o que fará com que o julgamento político de Demóstenes só ocorra a partir da próxima semana.

Após passar pela CCJ, a posição do conselho segue para o plenário, que terá que decidir, em votação secreta, sobre a perda de mandato do senador.

A reunião durou cerca de cinco horas. No texto, o relator destacou a relação próxima de Demóstenes com o empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, investigado pela Polícia Federal por suspeita de explorar jogos ilegais e comandar um esquema de corrupção de agentes públicos e empresários.

Costa destacou em seu relatório que Demóstenes mentiu ao Conselho de Ética sobre a sua relação com o empresário e que colocou o seu mandato de senador a serviço dos interesses de Cachoeira. O relatório também apontou que o parlamentar goiano participava do esquema de “lavagem de dinheiro” operado por Cachoeira.

“Afirmo, sem tergiversar, que o Senador Demóstenes Torres teve um comportamento incompatível com o decoro parlamentar: percebeu vantagens indevidas; praticou irregularidades graves no desempenho do mandato”, disse o senador Humberto Costa ao apresentar seu voto.

A defesa do senador, que falou na abertura da reunião durante 30 minutos, declarou que Demóstenes quer ser avaliado pelo plenário do Senado e optou por não pedir o arquivamento do processo.

O pedido da defesa causou protesto do senador Mário Couto (PSB-PA). Ele disse que se desligaria do conselho, caso a decisão fosse a favor de Demóstenes. “Jamais vi na minha vida uma defesa pedir a condenação. Peço meu desligamento antecipado deste Conselho de Ética se o plenário absolver Demóstenes”, declarou.

Couto prometeu que abrirá o seu voto quando o processo de cassação for apreciado pelo plenário da Casa. “Quero fazer um apelo, que o senhor [o presidente do Conselho de Ética, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)] seja portador de um pedido de voto aberto. Nós temos que moralizar o Senado. Não podemos mais esconder o nosso voto do povo brasileiro”, disse. “A nação está carente de moralidade, e nós não podemos esconder o nosso voto. Vou abrir o meu voto, nem que, para isso, meu voto seja anulado”, completou.

Já o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse ao votar que os atos de Demóstenes Torres acabaram prejudicando a imagem do Senado. “O que estamos aqui cuidando não é da ética no comportamento pessoal. A quebra de decoro parlamentar não atinge o indivíduo, atinge a instituição”, destacou. “Nos não estamos aqui em uma confraria de amigos. O Senado não é um clube”, declarou.

Antes da votação, o senador Pedro Taques (PDT-MT) lembrou que as gravações indicaram que Demóstenes avisou Carlinhos Cachoeira sobre as investigações da Polícia Federal. “Isso é um fato gravíssimo porque expõe a risco de morte pessoas que estão exercendo uma função pública”, disse Taques. “Não existe nada mais trágico no mundo do que saber o que é certo e fazer o errado. O senador Demóstenes sabia o que é certo e optou pelo que era errado”, ressaltou.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) falou da decepção que sentiu ao saber das denúncias envolvendo o senador goiano. “Eu vivo um momento muito doloroso porque eu tinha uma grande admiração pelo senador Demóstenes. A mim, ele enganou o tempo todo. Sinceramente, eu acreditei nele. Será que o problema dele não é um problema psiquiátrico e não jurídico. Um problema de dupla personalidade”, disse.

Simon também defendeu que a votação em plenário fosse feita de forma aberta. “Eu vou votar pela cassação e gostaria que a votação fosse aberta”, disse Simon.

 

Luciana Lima/Repórter da Agência Brasil
Focando a Notícia

Gravações mostram relação entre Veja, Cachoeira e Demóstenes

Gravações divulgadas pela revista Carta Capital desta semana reforçam a existência de conexões entre o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), a revista Veja e o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso durante a Operação Monte Carlo da Polícia Federal.

A reportagem de Cynara Menezes mostra como a atuação de arapongas a serviço de Cachoeira resultou em notícias divulgadas pela semanal do Grupo Abril. Chamam atenção dois casos, que se somam à detecção de mais de duzentas chamadas telefônicas entre o diretor da sucursal de Brasília de Veja, Policarpo Júnior, e os integrantes do grupo do contraventor.

No primeiro áudio, que já circulava pela internet durante a semana, Cláudio Abreu, diretor da construtora Delta no Centro-oeste, comemora entrevista divulgada pela publicação defendendo que Demóstenes deixasse o DEM rumo ao PMDB para abrir caminho a uma indicação como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). “Você conseguiu?”, pergunta Cachoeira em uma conversa ao telefone. “Consegui”, responde Abreu, afirmando que a entrevista saiu na seção Páginas Amarelas, que abre a semanal.

Em outro áudio, o araponga Jairo Martins, do grupo do contraventor, revela como conseguiu que Veja se saísse com a capa “O poderoso chefão”, que aborda encontros do ex-ministro José Dirceu (PT) com políticos em um hotel de Brasília. O caso ficou famoso depois que um repórter da revista, Gustavo Ribeiro, tentou invadir o quarto de Dirceu. “Se era, como argumenta Veja, um trabalho jornalístico comum, por que se valer dos préstimos de um araponga serviçal de um contraventor?”, indaga Carta Capital.

Em texto divulgado em sua página na internet, o ex-ministro defende que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) aberta no Congresso para apurar as relações entre Cachoeira e o mundo político debruce sobre as conexões com o mundo jornalístico. Ele lamenta o silêncio da mídia tradicional em torno do tema, à exceção da TV Record.

“Há veículos de comunicação que gostam de confundir liberdade de imprensa com liberdade de empresa e de transformar essa mesma liberdade no direito de alguns poucos proprietários de veículos e de seus jornalistas mais próximos de fazerem o que bem entendem”, diz. “Liberdade não dá à imprensa salvo conduto para publicar mentiras sobre quem quer que seja e muito menos para agir em conluio com o crime, ou para praticar atividades ilegais. Numa democracia de verdade, ninguém pode estar acima da lei. Nem mesmo a mídia, por mais poderosa que seja, por mais imune que se imagine.”

Para Carta Capital, Veja faz lembrar o caso do magnata da mídia Rupert Murdoch. No ano passado, no Reino Unido, revelou-se que um de seus jornais, o News of The World, lançava mão de escutas telefônicas ilegais e de uma relação ilegal com a polícia para bisbilhotar a vida de personalidades e autoridades. As investigações mostraram um jogo de chantagem entre Murdoch e os dois principais partidos britânicos. Agora, pode-se decidir que Murdoch terá de se desfazer de todos seus veículos de comunicação na Grã-Bretanha.

redebrasilatual

Aécio Neves assume que atendeu pedido de Demóstenes para indicar prima de Cachoeira a cargo no governo de MG

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) confirmou, na tarde dessa terça-feira (24), que indicou, a pedido do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) uma prima do bicheiro Carlinhos Cachoeira para o governo de Minas Gerais, no ano passado. O tucano disse que não tem “bola de cristal”, então não sabia do vínculo de Mônica Beatriz Silva Vieira com o contraventor e que se sente traído pelo colega de oposição.
– Há um ano o senador Demóstenes estava acima de qualquer suspeita. Lamento que um senador se disponha a defender os interesses de um contraventor. Eu me sinto traído na minha boa fé. A própria imprensa dava a ele a aura de um combatente da corrupção – afirmou Aécio.
Ainda de acordo com o senador tucano, Mônica tinha um currículo qualificado e ele encaminhou a indicação para a Secretaria de Governo de Minas. Ela assumiu a diretoria regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba que era, segundo Aécio, da cota do DEM, partido a que pertencia Demóstenes.
– O governo de Minas é referência de meritocracia – disse Aécio.

Governo de Minas diz que prima de Cachoeira atendia às exigências
Já o governo de Minas alegou ter contratado por indicação do DEM a prima do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em nota enviada nesta terça-feira, a assessoria do governador Antônio Anastasia (PSDB) diz que a nomeação de Mônica Beatriz Silva Vieira para a diretoria de Uberaba da Secretaria de Estado de Defesa Social (Sedese) foi antecedida por uma análise do currículo da servidora e que a prima de Cachoeira “atendia às exigências da função”.
De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, gravações da Polícia Federal mostram que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) um emprego para Mônica. O senador agia em nome de Carlinhos Cachoeira, que ligou sete vezes para tratar sobre o assunto. Na nota, o governo de Minas afirma que o cargo ocupado por Mônica desde 25 de maio do ano passado era antes de outro profissional também indicado pelo DEM.
– (Mônica) É servidora concursada da Prefeitura de Uberaba, atuou como coordenadora dos programas do governo federal Pró-Jovem Trabalhador, do Ministério do Trabalho, e Escola de Fábrica, do Ministério da Educação – registra a nota, acrescentando que Mônica é formada em pedagogia, com pós-graduação em psicopedagogia.
A reportagem não conseguiu falar com a servidora. Na manhã desta terça-feira, um funcionário alegou que ela não iria trabalhar. À tarde, outro servidor disse que Mônica estava em reunião o dia inteiro.
O deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) anunciou nessa terça-feira que vai protocolar um requerimento, por meio da Assembleia Legislativa de Minas, com pedido de explicações ao governo estadual sobre os critérios adotados para a contratação de cargos comissionados.

Fonte: O Globo
Focando a Notícia

Com ajuda de Demóstenes, Cachoeira ‘nomeou’ prima no governo de Minas

Escutas telefônicas da Polícia Federal revelam que o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) intercedeu diretamente junto a seu colega, Aécio Neves (PSDB-MG), e arrumou emprego comissionado no governo de Minas para uma prima do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Mônica Beatriz Silva Vieira, a prima de Cachoeira, assumiu em 25 de maio de 2011 o cargo de diretora regional da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) em Uberaba.

Do pedido de Cachoeira a Demóstenes até a nomeação de Mônica bastaram apenas 12 dias e 7 telefonemas. Aécio confirma o empenho para atender à solicitação de Demóstenes, mas alega desconhecer interesse de Cachoeira na indicação (leia texto nesta página).

São citados nos grampos o deputado federal Marcos Montes (PSD), ex-prefeito de Uberaba, e Danilo de Castro, articulador político de Aécio em seu Estado e secretário de Governo da gestão Antonio Anastasia (PSDB), governador de Minas.

A PF monitorou Cachoeira, a prima dele e Demóstenes na Operação Monte Carlo, que desmantelou esquema de contravenção, fez ruir a aura de paladino do senador goiano e expôs métodos supostamente ilícitos da Delta Construções para atingir a supremacia em sua área.

Professor e doutor. Aécio não caiu no grampo porque não é alvo da investigação. Mas ele é mencionado por Demóstenes e Cachoeira. Nos diálogos, o contraventor chama Demóstenes de ‘doutor’ e o senador lhe confere o título de ‘professor’.

O grampo que mostra a ascensão profissional da prima de Cachoeira está sob guarda do Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos que tratam exclusivamente do conluio de Demóstenes com o contraventor.

Em 13 de maio de 2011, Aécio é citado. Cachoeira pede a Demóstenes para ‘não esquecer’ o pedido. ‘É importantíssimo pra mim. Você consegue pôr ela lá com o Aécio… em Uberaba, pô, a mãe dela morreu. É irmã da minha mãe.’ Demóstenes: ‘Tranquilo. Deixa eu só ligar pro rapaz lá. Deixa eu ligar pra ele.’

A PF avalia que o caso pode caracterizar tráfico de influência.

‘Seguem ligações telefônicas, divididas por investigado, em ordem cronológica, que contêm indícios de possível cometimento de infração penal por parte de seus interlocutores ou pessoas referidas.’

Na síntese que faz da ligação de Cachoeira a Mônica, a 26 de maio – o contato durou 3 minutos e 47 segundos -, a PF assinala: ‘Falam sobre a nomeação de Mônica para a Sedese/MG, conseguida por Cachoeira junto ao senador Aécio Neves por intermédio do senador Demóstenes Torres e de Danilo de Castro.’

Estadão