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Passadas 48h, médica cubana não reaparece e é desligada do ‘Mais Médicos’ na PB

Reprodução/RadarPB
Reprodução/RadarPB

Mesmo após notificação por parte do Ministério da Saúde, a médica alergologista Ana Olga Del Arco Perez não retornou ao seu posto de trabalho em Triunfo, no Sertão, a 590 km de João Pessoa, nem forneceu qualquer notícia para a Secretaria de Saúde da cidade. O órgão federal havia determinado que, caso a profissional de saúde não retornasse à sua rotina normal em 48h, ela seria desligada do programa ‘Mais Médicos’ e teria seu registro profissional suspenso no Brasil.

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“Continuamos, todos esses dias, tentando estabelecer contato com Ana Perez, mas o celular dela está programado para não receber chamadas,” disse a secretária de saúde do município, Kennaline Andrade.

Ela acrescentou que, mesmo que a médica resolva voltar aos trabalhos, não será mais aceita. A justificativa para esta decisão se relaciona com a falta de compromisso com o serviço demonstrada e ao constrangimento causado em Triunfo. Andrade já tratou de desligá-la do ‘Mais Médicos’. “Esta situação tem repercutido muito na cidade. As pessoas estão comentando bastante e algumas estão até comovidas com o caso”, contou a secretária.

Na Unidade Básica de Saúde José Bernardino Batista, onde a desaparecida trabalhava desde dezembro de 2013, ainda não foi feita substituição. No entanto, segundo a Secretaria de Saúde de Triunfo, os atendimentos não estão prejudicados e a população não está desassistida. O problema é que, para atender a demanda de pacientes, estes estão sendo redistribuídos para os outros três PSFs locais, sobrecarregando os demais profissionais, inclusive colegas cubanos.

Kennaline Andrade afirmou que, apesar de já ter formalizado o problema através de ofício enviado à Comissão Estadual do ‘Mais Médicos’, ainda não recebeu respostas e aguarda diretrizes.

 

 

portalcorreio

Médica cubana do “Mais Médicos” some de município da região de Cajazeiras

medicaA médica cubana Ana Del’Arco abandonou o município de Triunfo, na região de Cajazeiras e, consequentemente, o programa “Mais Médicos” do Governo Federal. De acordo com informações do Portal Diário do Sertão, a médica estava no município de Triunfo desde novembro de 2013 e no último dia 18 de junho ela viajou para João Pessoa e, desde então, não manteve mais contato.

Após muitas tentativas de contato por parte da Secretaria Municipal de Saúde, a médica cubana resolveu responder e, nesta terça-feira (1), informou que não mais voltaria para Triunfo, porém, não revelou o seu paradeiro.

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O caso foi levado ao programa “Mais Médicos” do Governo Federal, que tomará as medidas cabíveis ao caso.

Da Redação com Diário do Sertão

Médica cubana acusa Veja de manipulação

medica“Eu vim para o Brasil para trabalhar, não para ficar dando entrevistas”, foi assim que Yamile Mari Min, médica cubana que atua no posto de saúde do Bairro Santa Luzia, me recebeu no início da tarde desta segunda-feira. Por diversas vezes, ela já havia sido procurada pela nossa equipe, mas se recusava a falar.

O meu objetivo era repercutir reportagem publicada pela Revista Veja, que denuncia suposta tentativa de pressão por parte do Ministério da Saúde e do governo de Cuba para que os médicos da ilha de Fidel Castro permaneçam no país. Segundo a revista, Vivian Isabel Chávez Pérez (chamada de capataz dos médicos na reportagem) exerceria esta função e teria, sob ameaças, conseguido manter as duas médicas cubanas em Jaraguá do Sul.

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O fato foi desmentido pelo o secretário de Saúde, Ademar Possamai (DEM), que foi citado pela revista. Segundo ele, em dezembro, as médicas estavam com dificuldades de adaptação e quase chegaram a se desligar, mas depois de contato do Ministério da Saúde, o problema foi solucionado e hoje está tudo bem. Depois de alguns minutos de conversa no consultório, Yamile foi perdendo a desconfiança e admitiu que foi procurada pela Veja na semana passada, mas disse que se negou a falar por entender que parte da imprensa vem tratando deste assunto sob a ótica estritamente política. “Eu e todos os médicos cubanos sabíamos quanto iríamos ganhar ao vir ao Brasil. Ninguém é obrigado a nada, a gente se inscreve sabendo de tudo. Eu estou aqui para ajudar o meu país”, resumiu a cubana já com sorriso no rosto e falando um bom português. Para ela, a prova da importância do programa é a satisfação da comunidade.

A polêmica em torno da presença dos profissionais cubanos no Brasil está no fato de que eles recebem R$ 1mil ao mês, os outros R$ 9 mil a que teriam direito são depositados em uma conta do governo de Cuba. No término do contrato, quando retornam para casa, os médicos recebem mais um percentual do valor, o restante fica com os cofres públicos, funciona como um imposto retido na fonte em um país onde a educação e a saúde são 100% financiadas pelo governo.
De Cuba para Jaraguá do Sul

Yamile Mari Min, médica cubana que atua no Posto do Santa Luzia e foi citada pela Revista Veja desta semana, critica decisão de Ramona Matos Rodriguez, que deixou o programa Mais Médicos e entrou com uma ação trabalhista por danos morais de R$ 149 mil contra o governo federal. Os cubanos recebem R$ 1 mil ao mês, auxílio moradia, alimentação e transporte.

A matéria da edição desta semana da Revista Veja denuncia pressão para permanência de médicos cubanos no país, citando profissionais que estão em Jaraguá do Sul. A reportagem cita suposta declaração da coordenadora de Atenção Básica no município, Nádia Silva, que teria dito: “(elas) sofreram um impacto psicológico muito grande por causa dessa diferença de tratamento (salário). Não havia uma semana que não reclamassem das dificuldades de viver aqui”. Procurada pela coluna ontem, Nadia desmentiu as informações publicadas na revista. “Na verdade saiu tudo diferente do que a gente falou. Não sei se eles tinham um interesse com a matéria, mas estamos muito chateados”, contesta a coordenadora, que admite que em dezembro as duas médicas pensaram em deixar o município, mas acredita que tenha sido por dificuldade de estar longe dos familiares e amigos. “Está tudo muito bem”, avalia.

 

 

revistaforum

DEM pede a mão de cubana em casamento

ramonaA médica Ramona Matos está em Brasília, “duela a quien duela”.

A fantástica odisseia da cubana do programa “Más Médicas” começou com uma simples informação equivocada e acabou em casamento.

Ao sair de seu consultório em Pacajá, no Pará, a médica perguntou ao dono de uma quitanda: “Donde está Miami?”.

O quitandeiro até entendeu o “donde”, mas confundiu Miami com o Motel “Me Ame” e acabou apontando na direção de Brasília.

Ramona caminhou, e caminhou, e caminhou, e caminhou mais um pouco. Estava achando tudo muito distante e demorado, mas pensava com perseverança: “Miami, aqui vou eu”.

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Ao chegar a Brasília, perguntou onde poderia encontrar o presidente Barack Obama.

Um engraçadinho a levou ao deputado Agripino Maia e apontou: “É aquele ali”.

Ao ouvir o nome “Agripino”, a médica achou que o deputado reclamava de um resfriado. Foi logo receitando um Luftal e uma colher de Emulsão Scott.

Em seguida, chegou o deputado Ronaldo Fenômeno, em seu cavalo caiado de branco, que homenageou a refugiada com o toque de seu berrante: “múúúúúúú”.

O DEM lhe prometeu cama, comida e roupa lavada. Ela aceitou e viveram felizes para sempre.

O ato selou a adesão oficial da Câmara dos Deputados, onde o casal passará a lua de mel, ao programa “Minha Casa, Minha Vida”.

A Executiva do DEM (representada na foto abaixo pelas três pessoas sem pé nem cabeça) autorizou a operação, denominada “Amor à primeira vista”.

A cerimônia foi celebrada pelo pastor Marco Feliciano, que embora estivesse sem um exemplar da Bíblia, improvisou com uma lista telefônica.

Ao final, os parlamentares do DEM entoaram a música “com quem será”.

A médica de Cuba lançou o buquê, que foi pego pelo deputado Onyx Lorenzoni.

Créditos da foto: Arquivo
cartamaior

“Medicina cubana ensina a atender o povo com qualidade e humanismo”

Augusto-César-e-Andreia-CampigottoA saúde no Brasil tem sido tema de grandes debates nas últimas semanas, provocados tanto pelas manifestações das ruas, que exigem melhoras e mais investimentos na área, quanto pelas propostas recentes do governo em trazer médicos de outros países para trabalhar em regiões mais carentes.

Essas propostas, assim como a obrigação dos estudantes de universidades públicas em cumprir dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS), tem sido alvo de fortes críticas das associações de médicos, que afirmam que essas não seriam as soluções para os problemas.

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Página do MST conversou sobre o tema com Augusto César e Andreia Campigotto, ambos militantes do movimento e formados em medicina em Cuba.

Nascido em Chapecó (SC) e com 25 anos de vida, Augusto César ainda não exerce a profissão. Está estudando para fazer a prova de revalidação do diploma cubano e, assim, poder atuar no Brasil. Quando conseguir seu registro, pretende trabalhar na área rural, atendendo os Sem Terra e os assentados da Reforma Agrária.

Andreia Campigotto tem 28 anos e nasceu em Nova Ronda Alta (RS). Trabalha em Cajazeiras, no sertão paraibano, como residente em medicina da família em uma unidade básica de saúde, que atende uma comunidade de 4 mil pessoas.

Formato

O curso de medicina cubano dura seis anos. Para estudantes de outros países, ele se inicia na Escola Latinoamericana de Medicina, localizada em Havana. Depois de um período inicial de dois anos, os estudantes são enviados para as diversas universidades do país. Augusto e Andreia foram para a universidade da província de Camaguey.

O curso de medicina cubano não se difere muito do brasileiro, do ponto de vista curricular.

“Os dois primeiros anos trabalham com as ciências médicas. Estudamos fisiologia humana, anatomia humana e desde o primeiro ano temos contato com os postos de saúde. Quando somos distribuídos para as universidades, vivenciamos o sistema público de saúde. Comparado com o Brasil, o nível teórico é igual, mas o nível de prática é maior”, afirma Augusto.

“Um estudo do governo federal mostra a compatibilidade curricular dos cursos de medicina de 90% entre Brasil e Cuba. Então, não há grandes diferenças teóricas”, conta Andreia.

A diferença principal entre os dois cursos está na concepção de medicina e de saúde na formação dos médicos. “O curso brasileiro é voltado para as altas especialidades. Tem essa lógica de que você faz medicina, entra numa residência e se especializa. Já em Cuba o curso se volta à atenção primária de saúde, para entendermos a lógica de prevenção das doenças e o tratamento das enfermidades que as comunidades possam vir a ter”, diz Augusto.

Em contrapartida, “saúde” e “medicina” no Brasil são sinônimos de pedidos de exames e tratamento com diversos medicamentos, calcados em sua maioria na alta tecnologia. Com isso, a medicina preventiva fica em segundo plano, alimentando uma indústria baseada na exigência destes procedimentos.

“No Brasil, temos uma limitação na formação do profissional, pois ela é voltada ao modelo hospitalacêntrico, que pensa só na doença e no tratamento. Em Cuba isso já foi superado. Lá eles formam profissionais para tratar e cuidar com qualidade, humanismo e amor cada paciente; aprendemos de verdade a lidar com a saúde do ser humano”, analisa Andreia.

Ela destaca que os médicos formados na ilha são capazes de atender a população sem utilizar somente a alta tecnologia, condição que não necessariamente limita um atendimento com qualidade à população que mais carece.

“É mais barato fazer promoção e prevenção de saúde. No entanto, isso rompe com a ditadura do dinheiro. Com isso, os médicos aguardam o paciente ficar doente para pedir um monte de exames e dar um monte de medicamentos”, afirma Augusto

De acordo com ele, essa estrutura fortalece o complexo médico-industrial, que se favorece sempre que há alguém internado ou que precise tomar algum medicamento.

“Não negamos a necessidade de medicamentos e equipamentos, porque precisamos dar atenção a esse tipo de paciente. Mas não precisamos esperar que todas as pessoas fiquem doentes para começar a trabalhar a questão da saúde”, acredita Augusto.

(Foto: Página do MST)

José Coutinho Junior

da Página do MST

Pastor deputado federal diz sofrer perseguição e se compara a blogueira cubana

marco felicianoRecém-eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) se compara à ativista cubana Yoani Sánchez ao afirmar que sofre perseguição de simpatizantes de uma “ditadura da desinformação”.

Em entrevista à Folha, Feliciano disse que sofre ameaças de morte desde que foi indicado para a vaga destinada ao seu partido na comissão, e avalia pedir proteção policial para ele e sua família.

“A situação está tomando dimensões muito estranhas. É assustador, estou me sentindo perseguido como aquela cubana lá. Como é o nome? A Yoani Sánchez”, disse, em referência à blogueira crítica do governo de Cuba, que enfrentou protestos no Brasil.

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Acusado por movimentos sociais de homofobia e intolerância racial e religiosa, Feliciano foi alvo de uma avalanche de críticas ao ser eleito na última quinta-feira presidente de uma comissão que tem como uma de suas atribuições lidar com demandas de homossexuais, prostitutas, negros e outras minorias.

Feliciano já sofre pressão para renunciar ao posto. Há na internet petições de movimentos sociais com mais de 50 mil assinaturas pedindo o seu afastamento. “Não estou preocupado. Isso é democracia”, disse. “Tenho em meu site uma petição muito maior. São 120 mil e só faz crescer.”

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou neste sábado (9) em Natal que a escolha de Feliciano pode ser eventualmente revista, se aparecerem “fatos novos”.

“Se fatos novos surgirem, a Câmara poderá avaliar a situação da Comissão de Direitos Humanos, mas sempre respeitando o direito de cada parlamentar e de cada partido”, afirmou Henrique Alves.

Segundo Feliciano, “todo pedido de audiência será acatado, qualquer pessoa que nos procurar será ouvida”.

“Não sou homofóbico, estou sendo mal interpretado. Peço apenas que me deem uma chance. Não fiz mal algum a ninguém e, se alguém acha que fiz, que me perdoem pelo mal entendido”, acrescentou Feliciano.

Folha de São Paulo

Cidade cubana recupera trajetória de Che durante a revolução

 

 

Estátua simboliza a saída do guerrilheiro para

cumprir nova missão designada a ele por Fidel Castro

Foto: Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

Com a estridente buzina que alerta a aproximação do trem, a ferrovia cubana destruída em dezembro de 1958 se mantém ativa. Cheio de passageiros, o trem que conecta o leste de Cuba a Havana cumpre seu trajeto revivendo a história ao passar pelo museu a céu aberto ¨Ação contra o trem blindado¨, em Santa Clara, cidade localizada a 270 km da capital.

Quatro vagões que descarrilharam e foram atacados a tiros pelos revolucionários liderados por Ernesto Che Guevara estão expostos em uma praça construída no local do confronto, que resultou na rendição dos soldados do ditador Fulgencio Batista. Dentro de cada um, a história do evento que marcou a vida dos habitantes de Santa Clara está contada.

Em um deles, uma carta intitulada ¨Ao Povo de Santa Clara¨ avisava aos moradores que o exército rebelde já se encontrava na cidade, ¨um dos últimos redutos da tirania¨ na província. Segundo o documento, as forças revolucionárias já ocupavam a maior parte da cidade. ¨Acreditamos que dentro de breves horas poderemos anunciar aos locais e ao povo de Cuba que Santa Clara já é cidade livre¨.

¨Mas o ânimo da vitória, a satisfação e a alegria acumulada através de quase sete anos de terror não devem se desbordar em manifestações populares, já que o exército da tirania ainda ocupa posições dentro da cidade, posições das quais em breve serão desalojados¨, diz um trecho da carta, assinada pela seção provincial de propaganda do movimento revolucionário 26 de Julho.

Che e Camilo Cienfuegos no museu da revolução, em Havana, em

uma das homenagens ao argentino – Foto: Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

Entre as orientações transmitidas no documento estavam a de que a população saísse de casa somente em caso de urgência, a evacuação de famílias que morassem perto de regiões conflitivas, e a prestação do maior apoio possível aos membros do exército rebelde e a organizações revolucionárias clandestinas.

¨As cartas eram impressas precariamente nas montanhas e repassadas clandestinamente aos moradores. Um lia e passava para o outro, e assim a informação ia sendo transmitida¨, explicou ao Opera Mundi Eneida López Peralta, responsável de Relações Internacionais do Partido Comunista Cubano (PCC) da província de Villa Clara, localizada no setor que, na época da revolução, era denominado Las Villas.

No museu, também está exposto um dos tratores utilizados para a deformação dos trilhos que, levantados, provocaram o descarrilamento do trem e, depois de hora e meia de combate, a subida da bandeira branca da rendição dos militares.

Imagem do museu do trem blindado, na cidade de Santa Clara, em Cuba

Foto: Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

Todos os moradores da cidade têm lembranças ou relatos para contar sobre os confrontos na região naquele ano. Os mais velhos recordam momentos de tensão constante pelos bombardeiros indiscriminados do exército, em uma vã tentativa de sufocar a guerrilha. E contam como a população se uniu o Che e seus combatentes, atirando coquetéis molotov em cima e embaixo dos vagões, já que suas paredes foram previamente blindadas com chapas de metal e areia.

¨Não escutei uma grande explosão quando o trem descarrilhou, mas sim muitos tiros. Lembro de ter me escondido embaixo da cama¨, conta o aposentado santaclarenho José Socarrán, que tinha 15 anos na época do confronto, ocorrido a apenas alguns metros de sua casa.

Os mais jovens, por sua vez, reproduzem com detalhes as histórias que escutam desde pequenos, sobre a importância da cidade para o triunfo da revolução. Batista renunciaria e fugiria rumo à República Dominicana dias depois do ataque, que impediu o transporte das de armas pesadas e munições destinadas a fortalecer suas tropas, já debilitadas.

Mausoléu e homenagens

Autodenominada ¨Cidade do Che¨, Santa Clara abriga o mausoléu do revolucionário argentino e de outros combatentes mortos na Bolívia. Os restos mortais de Che chegaram a Cuba em 1997, após anos de desconhecimento sobre sua localização no país andino.

A urna com os restos mortais foi exposta inicialmente em Havana e depois transladada a Santa Clara em uma carreata que passou por diferentes cidades do país. No dia da inauguração do mausoléu, o próprio Fidel Castro ascendeu a chama da imortalidade e fez um discurso em homenagem ao Che, lembra o museólogo do local, Faustino Moriano Morales.

Dispostas em uma espécie de cova inspirada na selva boliviana, com pouca iluminação, o mausoléu pode ser visitado por grupos reduzidos. O uso de câmeras fotográficas e filmadoras não são permitidas no recinto, localizado na parte traseira a uma alta estátua do guerrilheiro, e diversos painéis esculturais no qual seus dizeres e imagens em ação são retratados.

Em frente ao mausoléu, um museu narra a vida do guerrilheiro desde sua infância, com uma réplica de sua estátua quando criança, que também pode ser vista na cidade argentina de Alta Gracia, onde Che também viveu quando era jovem, e que hoje funciona como um museu.

Histórias de combates entre Che e o exército de Fulgencio Batista são contadas

pelo povo de Santa Clara – Foto: Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

A poucos metros dali, uma escultura doada a Cuba pelo artista Casto Solano Marroyo está exposta no comitê provincial do PCC, que abrigou a segunda comandância das tropas rebeldes em Santa Clara. Repleta de mini-esculturas por todo o corpo e roupa, a obra é rica em expressões sobre a vida do revolucionário argentino.

A estátua de Che caminhando com uma criança nos braços simboliza a saída do guerrilheiro desta comandância em janeiro de 1959 para cumprir a nova missão designada a ele por Fidel Castro: ocupar Morro Cabaña, um forte localizado em Havana, que servia como uma poderosa unidade militar de Batista, e que hoje é mais um dos pontos que narram a história do revolucionário argentino em Cuba.

A poucos metros do complexo, está localizado o museu ¨Casa do Che¨, onde se exibe a urna na qual os restos mortais do guerrilheiro foram transportados até sua acomodação definitiva no mausoléu. Apesar do nome do espaço de exposição, o local não funcionou como a casa familiar do argentino, mas sim como ambiente de trabalho, com a convivência permanente dos integrantes de sua coluna rebelde.

O Museu da Revolução, instalado no lugar que funcionava como palácio presidencial até a renúncia de Batista, compila diversos retratos do revolucionário na luta rebelde. A exposição oferece uma narrativa da revolução cubana ilustrada por fotos, documentos, réplicas e elementos originais – como o barco Granma, exposto em um anexo no exterior do museu – da época.

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