Arquivo da tag: Cuba

Fidel Castro, ex-presidente de Cuba, morre aos 90 anos

O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, morreu à 1h29 (hora de Brasília) deste sábado (26), aos 90 anos, na capital Havana. A informação foi divulgada pelo seu irmão Raúl Castro em pronunciamento na TV estatal cubana.

“Com profunda dor compareço para informar ao nosso povo, aos amigos da nossa América e do mundo que hoje, 25 de novembro do 2016, às 22h29, faleceu o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz”, disse Raúl Castro.

“Em cumprimento da vontade expressa do companheiro Fidel, seus restos serão cremados nas primeiras horas” deste sábado, prosseguiu o irmão.

As cinzas serão enterradas em 4 de dezembro, na cidade de Santiago de Cuba, após percorrerem o país numa caravana de 4 dias. Cuba declarou 9 dias de luto oficial pela morte de Fidel Castro.

Figura controversa
Visto como um grande líder revolucionário por uns, e como ditador implacável por outros, Fidel foi saindo de cena progressivamente ao longo da última década, morando em lugar não divulgado e fazendo aparições esporádicas nos últimos anos.

As últimas imagens de Fidel Castro são do dia 15, quando recebeu em sua residência o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang. Antes, ele foi visto em um ato público foi no dia 13 de agosto, na comemoração de seu 90º aniversário. A festa reuniu mais de 100 mil pessoas. Na época, Fidel apresentou um semblante frágil, vestido com um moletom branco e acompanhado pelo seu irmão Raúl e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Despedida
Em abril, durante o XVII Congresso do Partido Comunista de Cuba, Fidel reapareceu e fez um discurso que soou como uma despedida, onde reafirmou a força das ideias dos comunistas.

“A hora de todo mundo vai chegar, mas ficarão as ideias dos comunistas cubanos, como prova de que neste planeta se trabalha com fervor e dignidade, é possível produzir os bens materiais e culturais que os seres humanos necessitam, e devemos lutar sem descanso para isso”, afirmou Fidel Castro na ocasião.

Desde que ficou doente, em julho de 2006, e cedeu o poder ao seu irmão Raúl Castro, o líder cubano se dedicou a escrever artigos, assim como livros sobre sua luta na Sierra Maestra e a receber personalidades internacionais em sua residência, no oeste de Havana.

Doença e saída do poder
Na noite de 31 de julho de 2006, Fidel Castro surpreendeu Cuba e o mundo com o anúncio de que cedia o poder ao irmão Raúl, em caráter provisório, depois de sofrer hemorragias. Foi a primeira vez que saiu do poder.

Sem revelar qual doença o afetava, Fidel admitiu que esteve à beira da morte. Perdeu quase 20 quilos nos primeiros 34 dias de crise, passou por várias cirurgias e dependeu por muitos meses de cateteres.

Em dezembro de 2007, o comandante cubano já havia expressado em uma mensagem escrita que não estava aferrado ao poder, nem obstruiria a passagem das novas gerações, mas em janeiro foi eleito deputado e ficou tecnicamente habilitado para uma reeleição – o que não ocorreu.

Desde março de 2007, já afastado do cenário público, sendo visto apenas em vídeos e fotos, Fidel Castro se dedicava a escrever artigos para a imprensa sob o título de “Reflexões do Comandante-em-Chefe”.

Fidel deixou o poder definitivamente em fevereiro de 2008. Em um texto publicado no jornal estatal “Granma”, ele anunciou sua renúncia.

Fidel Castro foi um dos personagens da política internacional durante mais de seis décadas  (Foto: Adalberto Roque/AFP)Fidel Castro foi um dos personagens da política internacional durante mais de seis décadas (Foto: Adalberto Roque/AFP)

 

Trajetória
Fidel nasceu em 13 de agosto de 1926, na província de Holguín, sul de Cuba, e foi batizado durante a infância de Fidel Hipólito. Sua mãe trabalhava para a mulher de seu pai, o bem sucedido latifundiário espanhol Ángel Castro.

Apenas quando Fidel era adolescente seu pai se separou da primeira mulher e assumiu a família com a mãe de Fidel, Lina Ruz Gonzalez, com quem teve outros cinco filhos. Nesta época, Fidel foi assumido oficialmente pelo pai e recebeu o nome de Fidel Alejandro Castro Ruz.

Apesar de não ter sido registrado pelo pai na infância, Fidel cresceu estudando em escolas particulares e em meio a um ambiente de riqueza bastante diferente da pobreza do povo cubano.

Bastante inteligente, o jovem era mais interessado nos esportes do que nos estudos. Mesmo assim, o líder cubano iniciou seus estudos na Universidade de Havana em 1945, onde conheceu o nacionalismo político cubano, o anti-imperalismo e o socialismo, e se formou em direito em 1950.

GNews - Fidel Castro (Foto: Reprodução/GloboNews)GNews – Fidel Castro (Foto: Reprodução/GloboNews)

Em 1948, Fidel viajou para a República Dominicana em uma expedição para tentar derrubar o ditador Rafael Trujillo, que foi fracassada.

Ao voltar para a faculdade, ele se juntou ao Partido Ortodoxo, fundado para acabar com a corrupção no país.

Casamentos
No mesmo ano, Fidel se casou com Mirta Diaz Balart, de uma rica família cubana. Eles tiveram apenas um filho, Fidelito. O casamento com Mirta acabou em 1955. Durante a união, ele teve um relacionamento com Naty Revuelta, com quem teve uma filha, Alina Fernández-Revuelta. Em 1993, ela fugiu da ilha se fazendo passar por uma turista espanhola. Alina pediu asilo nos Estados Unidos e passou a fazer fortes críticas a seu pai.

Com sua segunda mulher, Dalia Soto del Valle, Fidel teve outros cinco filhos homens cujos nomes começam com a letra “A”: Alexis, Alexander, Alejandro, Antonio e Ángel.

Além da filha Alina, uma das irmãs de Fidel, Juanita Castro, também se mudou para os EUA, no início da década de 1960.

A amizade entre Castro e Chávez era antiga (Foto: ENRIQUE DE LA OSA / POOL / AFP)A amizade entre Castro e Chávez era antiga (Foto: ENRIQUE DE LA OSA / POOL / AFP)

Revolução
Durante o casamento com Mirta Diaz, Fidel teve contato com as famílias ricas de Cuba, e se candidatou a um posto no parlamento. Entretanto, o golpe do general Fulgêncio Batista derrubou o governo da época e cancelou as eleições.

Junto com outros membros do Partido Ortodoxo, Fidel organizou uma insurreição. Em 26 de julho de 1953, cerca de 150 pessoas atacaram o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em uma tentativa de derrubar Batista. O ataque falhou e Fidel foi capturado. Após julgamento, ele foi condenado a 15 anos de prisão. Entretanto, o incidente o tornou famoso no país.

Em 1955, Fidel foi anistiado, e fundou o movimento 26 de Julho, de oposição ao governo. Nessa época, ele se encontrou pela primeira vez com o revolucionário Ernesto ‘Che’ Guevara e se exilou no México.

Em 1957, junto com Guevara e mais 79 expedicionários, chegou a Cuba a bordo de um navio e tentou derrubar o presidente, mas foi surpreendido pelo Exército e derrotado. Fidel, seu irmão Raúl e Che conseguiram escapar e se refugiaram na Sierra Maestra, onde travaram combates com o governo.

Em 30 e 31 de dezembro de 1958, as vitórias revolucionárias assustaram Batista, que fugiu de Cuba e foi para a República Dominicana. Aos 32 anos, Fidel conseguiu o controle do país.

Reforma para o comunismo
Um novo governo foi criado, e Fidel assumiu como primeiro-ministro em 1959, após a renúncia de Jose Miro Cardona. Nesta época, foram iniciadas as relações com a então União Soviética.

O líder passou então a sua reforma para o comunismo. Em 1960, Fidel nacionalizou a indústria açucareira de Cuba, sem pagar indenizações. Três anos depois ele estatizaria as fazendas, ampliando a reforma agrária.

Em 1961, o governo proclamou seu status socialista. Houve uma fuga em massa dos ricos do país para Miami, nos Estados Unidos, que rompem as relações diplomáticas com Cuba.

Fidel com Che Guevara, em foto de 1960 (Foto: AP Foto/Prensa Latina via AP Images)Fidel com Che Guevara, em foto de 1960 (Foto: AP Foto/Prensa Latina via AP Images)

Crise com os EUA
Em abril, Castro formalizou Cuba como um estado socialista. No dia seguinte, cerca de 1,3 mil exilados cubanos apoiados pela CIA atacaram a ilha pela Baía dos Porcos, em uma tentativa de derrubar o governo.

O ataque foi um fracasso – centenas de pessoas foram mortas e quase mil capturadas. Os EUA negaram seu envolvimento, mas revelaram que os exilados foram treinados pela CIA. Décadas depois, o país confirmou que a ação vinha sendo planejada desde 1959.

O incidente fez Castro consolidar seu poder. Em maio do mesmo ano, ele anunciou o fim das eleições democráticas no país e denunciou o imperialismo americano. Che Guevara assumiu o Ministério da Indústria.

Em 1962, os EUA ordenaram o bloqueio econômico total à ilha, isolando o regime, uma política que se seguiu até a atualidade.

Fidel passou a intensificar sua relação com a União Soviética, aceitando financiamento e ajudas militares. Em outubro de 1962, o país concebeu a ideia de implantar misseis nucleares em Cuba, gerando uma crise com os EUA e quase uma guerra nuclear.

Dias depois, o premiê soviético concordou em remover os mísseis com o comprometimento americano de não invadir Cuba. Castro foi deixado de lado nas negociações.

Camilo Cienfuegos era um dos colaboradores mais próximos de Castro (Foto: Prensa Latina/AFP)Camilo Cienfuegos era um dos colaboradores mais próximos de Castro (Foto: Prensa Latina/AFP)

Governo
Em 1965, Che deixa o país para expandir a revolução. Dois anos depois, ele foi assassinado na Bolívia, deixando Fidel como único rosto da revolução.

Ainda em 1965, Fidel se posicionou como líder do Partido Comunista cubano. Pouco a pouco, ele começou uma campanha para apoiar a luta armada contra o imperialismo na América Latina e na África.

Apesar do comprometimento dos EUA de não invadir a ilha, houve ataques de outras formas, como o bloqueio econômico e centenas de tentativas de assassinato contra Fidel ao longo dos anos. Fidel chegou a dizer que se escapar de tentativas de assassinato fosse um esporte olímpico, ele teria ganhado medalhas de ouro.

Durante seu governo, Fidel investiu na educação – foram criadas cerca de 10 mil novas escolas, e a alfabetização atingiu 98% da população. Os cubanos têm um sistema de saúde universal, que reduziu a mortalidade infantil para 11 a cada mil nascidos vivos.

Execuções e prisões
Entretanto, as liberdades civis foram confiscadas. Sindicatos perderam o direito de realizar greves, jornais independentes foram fechados e instituições religiosas perseguidas. Castro removeu seus opositores com execuções e prisões, além do exílio forçado.

Centenas de milhares de cubanos fugiram do país ao longo das décadas, muitos seguindo para a Flórida, bastante próxima da costa da ilha. A maior saída ocorreu em 1980, quando o governo anunciou a autorização de saída, e 125 mil pessoas deixaram Cuba – 15 mil delas se jogaram ao mar amarradas e canoas, pneus e botes.

Em 1986, instituições de defesa dos direitos humanos realizaram em Paris o “Tribunal de Cuba”, onde ex-prisioneiros da ditadura deram seu testemunho. Entidades calculam que cerca de 12 mil pessoas morreram nas mãos do governo.

Em 1989, com a queda do muro de Berlin, a União Soviética retira seus 7 mil militares da ilha e acaba com a ajuda comercial à Cuba.

Em 1996, Cuba bombardeia dois aviões civis pilotados por exilados cubanos em Miami, retomando as tensões com os EUA. No ano seguinte, Fidel apontou seu irmão, Raúl, como seu sucessor.

Em 2002, os EUA criam uma prisão para suspeitos de terrorismo em uma base militar Guantánamo, no território cubano. O então presidente George W. Bush inclui o país na lista dos que apoiam o terrorismo.

O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro (centro), participa de festa de gala celebrando seu aniversário de 90 anos, acompanhado de seu irmão, Raúl (ao fundo) e do presidente da Velezuela, Nicolas Maduro (direita), no teatro Karl Marx em Havana (Foto: Ismael Francisco/Cubadebate/AP)O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro (centro), participa de festa de gala celebrando seu aniversário de 90 anos, acompanhado de seu irmão, Raúl (ao fundo) e do presidente da Velezuela, Nicolas Maduro (direita), no teatro Karl Marx em Havana (Foto: Ismael Francisco/Cubadebate/AP)

Segredos
Desde que caiu doente e entregou o poder provisoriamente a Raúl, Fidel deixou claro que sua doença era um assunto delicado e não um assunto de domínio público.

“Devido aos planos do império (EUA), meu estado de saúde se converte em um segredo de Estado a respeito do qual não se pode ficar constantemente divulgando informações”, afirmou.

Os segredos em torno do ex-dirigente são guardados com tanto afinco que não se conhecia nem mesmo o local onde Fidel se recuperava.

Conta-se que, durante anos, Fidel jamais dormiu duas noites no mesmo lugar.

Ele circulava por Cuba em uma caravana com três carros Mercedes Benz pretos idênticos, e a presença dele nas cúpulas realizadas no exterior nunca está 100% confirmada antes de sua chegada.

Até a ideologia comunista dele foi objeto de mistério nos primeiros anos da revolução.
Diferentemente de outros líderes mundiais, a vida privada de Fidel não comparece aos jornais.

O único dos filhos dele que ocupou um cargo público é Fidel Castro Diaz-Balart, o “Fidelito”, um engenheiro nuclear que trabalhou como assessor científico do Conselho de Estado.

Fidel nunca abandonou suas ideias sobre estratégia militar. Em 1953, quando organizou o ataque contra o quartel Moncada, em Santiago de Cuba, sua primeira e desastrosa ação militar, quase todos os seus companheiros só ficaram sabendo do objetivo da investida no último minuto.

Cronologia Fidel Castro V3 (Foto: Editoria de Arte/G1)

G1

Acompanhe mais notícias do FN nas redes sociais: FacebookTwitterYoutube e Instagram

Entre em contato com a redação do FN:  WhatsApp (83) 99907-8550. 

E-mail: jornalismo@focandoanoticia.com.br

 

 

Cuba provoca, vence Brasil e deixa seleção sob mais pressão no Pan

William Lucas/inovafoto
William Lucas/inovafoto

Desde o Mundial de 2010, quando foi vice-campeã do Mundial, Cuba não consegue ter grande destaque no vôlei internacional. Mas neste domingo, a renovada equipe do Caribe decretou a primeira derrota do Brasil em dois jogos no torneio masculino do Pan de Toronto.

Em uma partida tensa e com muita rivalidade, os cubanos fizeram 3 sets a 2, com parciais de 25-20, 18-25, 25-23, 22-25 e 15-11.

Diferentemente do Brasil, que está com um time alternativo e fazendo testes no Canadá, Cuba mandou para o Pan seu time principal. A seleção que joga no Canadá é a mesma que ficou na última posição da Segunda Divisão da Liga Mundial, com apenas sete pontos conquistados em doze partidas. Foram três vitorias e nove derrotas.

A derrota deste domingo diminui as chances de a seleção terminar na liderança do Grupo A, que conta ainda com Colômbia e Argentina – rival na terça-feira, às 14h30 (de Brasília).

ACOMPANHE O FOCANDO A NOTÍCIA NAS REDES SOCIAIS:

FACEBOOK                TWITTER                    INSTAGRAM

“Eles têm mania de provocar desde a base. A gente tenta levar na boa, se não a gente não consegue jogar. Não era o resultado que queríamos, mas perdemos na hora certa, quando dá para recuperar”, disse Murilo Radke depois da derrota.

“Eles gostam de provocar, não podemos cair nisso. Mas é claro que o jogador brasileiro não tem sangue frio. Eles provocavam muito, olhavam na cara. Só acalmaram depois de levar um cartão amarelo”, disse o levantador Thiaguinho.

Para os cubanos, não se trata de uma provocação simples e barata e sim representa o jeito que gostam de jogar, soltando gritos após cada ponto e até aplaudindo erros dos adversários.

“Não é uma provocação, é uma característica que temos sempre. É a maneira de nos motivarmos durante o jogo  para enfrentar equipes mais fortes e que são favoritas. Se não jogarmos assim, não vamos ganhar de ninguém”,  afirmou o cubano Rolando Cepeda, autor de 21 pontos.

“Se é exagerar ou não cabe aos outros dizer, mas para nós é algo normal, é como estamos acostumados a jogar”, disse Javier Jimenez, que fez impressionantes 26 pontos.

O Brasil começou a partida tendo muitas dificuldades para recepcionar o ataque cubano e parar os ataques dos rivais, que abusavam dos saques forçados. O placar de 25 a 20 refletiu a superioridade dos caribenhos.

No segundo set, a seleção brasileira acertou a recepção e melhorou bastante no bloqueio, principalmente com o gigante Renan, de 2,17m. Assim, a equipe nacional conseguiu controlar o marcador desde o início e fechou em 25 a 18.

A igualdade no marcador também deixou o jogo mais tenso, com algumas provocações de lado a lado. O cubano Jimenez acabou sendo advertido com um cartão amarelo.

O clima seguiu quente e a parcial equilibrada. Os cubanos chegaram a fazer 20 a 18, mas depois de um ace de Otavio e um erro de ataque dos caribenhos, o placar ficou em 20 a 20.

Mas Cuba conseguiu a vitória por 25 a 23 após Douglas parar no bloqueio adversário.

O início do quarto set foi desastroso para o Brasil. Embalados pelo triunfo na parcial anterior, os cubanos abriram 5 a 0 e mantiveram a vantagem até a parte final do set, quando a virada veio.

A reação brasileira foi em vão. Responsável por fechar o quarto set, Mauricio Borges, o mais experiente, teve um tie-break horrível e desperdiçou diversos ataques, deixando os cubanos com vantagem suficiente para definir o jogo com tranquilidade.

 

Uol

Cuba publicou as primeiras fotos de Fidel Castro em quase seis meses

Foto: Agência Brasil Foto do dia 23 de janeiro divulgada pelo site Cubadebate em 3 de fevereiro. Na imagem, Fidel Castro lê um jornal durante encontro com o líder estudantil Randy Perdomo Garcia
Foto: Agência Brasil
Foto do dia 23 de janeiro divulgada pelo site Cubadebate em 3 de fevereiro. Na imagem, Fidel Castro lê um jornal durante encontro com o líder estudantil Randy Perdomo Garcia

O diário cubano Granma e outros meios de comunicação oficiais publicaram nessa segunda-feira (2) à noite as primeiras fotos  de Fidel Castro em quase seis meses, depois de o estado de saúde do ex-presidente ter sido objeto de rumores nas últimas semanas.

“Fidel é um ser excepcional” é o título  de um artigo publicado na edição online do Granma, que está acompanhado de várias fotos de um encontro entre o líder da Revolução Cubana, de 88 anos, e o dirigente da Federação dos Estudantes Universitários, Randy Perdomo Garcia.

Nas fotos, Fidel Castro aparece com uma roupa esportiva azul conversando com Garcia, sob o olhar da companheira, Dalia Soto del Valle.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

O artigo que acompanha as fotos, assinado pelo líder estudantil, revela que as imagens foram feitas em um encontro no dia 23 de janeiro, na residência do ex-chefe de Estado cubano, na região oeste de Havana.

Agência Brasil

Rússia perdoa dívida de US$ 35 bilhões de Cuba com a ex-União Soviética

Fidel Castro com o premiê da URSS, Nikita Kruschev, nos anos 60: ilha se tornou dependente da potência socialista
Fidel Castro com o premiê da URSS, Nikita Kruschev, nos anos 60: ilha se tornou dependente da potência socialista

A Duma, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira no poder legislativo russo, ratificou na última sexta-feira um acordo assinado entre Rússia e Cuba que prevê a anulação de 90% da dívida de Havana com a extinta União Soviética, valor estimado em US$ 35,2 bilhões.

Além do perdão à dívida, o acordo prevê ainda que a Rússia invista na economia cubana valor equivalente ao reembolso do restante do valor da dívida, algo em torno de US$ 3,5 milhões, ao longo dos próximos dez anos. O dinheiro será transferido para fundos nacionais específicos de investimentos.

A ratificação ocorre uma semana antes de uma visita à ilha do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, durante a qual buscará intensificar as relações comerciais bilaterais. Desde 2005, Rússia e Cuba têm buscado intensificar relações diplomáticas e comerciais, que estiveram estagnadas após a desintegração do bloco soviético, em 1991.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Dependente do petróleo fornecido pela antiga União Soviética desde os primeiros anos após a revolução de 1959, a economia cubana sofreu um grande baque com a dissolução do bloco socialista. Durante a maior parte da década de 1990, época que ganhou o apelido de “período especial”, a ilha lutou para manter o abastecimento de bens essenciais à população, como alimentos e produtos de higiene, em um enfrentamento solitário contra o embargo econômico mantido até hoje pelos Estados Unidos contra Cuba.

Os primeiros passos da recuperação vieram apenas a partir da colaboração com o governo bolivariano da Venezuela, instalado pelo presidente Hugo Chávez (1999-2012), que criou um novo canal de troca de petróleo por produtos e serviços, especialmente na área de saúde pública, por parte do governo cubano.

Aposta no futuro

A Rússia não é o único país emergente que busca estreitar relações com Cuba, que passa por fase de transição da política econômica do modelo atual, integralmente estatal e planejado, para um modelo misto, como o chinês, que permite empreendimentos capitalistas em áreas controladas do país. A perspectiva de que a economia de Cuba passe por um processo de abertura é visto como oportunidade única para países que disputam com os Estados Unidos, que mantém postura hostil em relação ao governo socialista de Cuba, uma fatia maior do Produto Interno Bruto (PIB) e da influência política global.

Em 2008, a Venezuela conectou a ilha ao backbone de internet, da estatal CanTV, oferecendo conexão de alta velocidade à ilha. A China aumentou consideravelmente o comércio com a ilha nos últimos anos, levando o saldo comercial com Cuba a cerca de US$ 2 bilhões anuais, contra menos de US$ 500 milhões em 2005.

Já o Brasil emprestou, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 682 milhões para o Porto de Mariel, localizado na primeira Zona Especial de Desenvolvimento do país caribenho. A expectativa brasileira é que a ilha se transforme em entreposto preferencial de transporte marítimo de mercadorias no mar do Caribe nos próximos anos, e, com o empréstimo para a construção do porto, o governo garantiu participação de empresas brasileiras na operação.

RBA Com informações do Brasil de Fato

 

Médica vai pedir na Justiça salário do Mais Médicos que teria ido para Cuba

A médica cubana Ramona Rodriguez (Foto: Reprodução GloboNews)
A médica cubana Ramona Rodriguez
(Foto: Reprodução GloboNews)

A médica cubana Ramona Rodriguez, que abandonou o programa Mais Médicos, entrará com uma ação na justiça trabalhista para pedir indenização por danos morais e receber a diferença do salário de R$ 10 mil oferecido pelo governo brasileiro que, segundo a médica, não foi pago a ela durante os quatro meses em que trabalhou no país. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (6) pelo líder do DEM, Mendonça Filho (PE), e o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).

Ramona afirma que recebia apenas US$ 400 por mês e outros US$ 600 seriam depositados mensalmente em uma conta em Cuba e entregues aos profissionais somente após o término do contrato com o governo brasileiro. Segundo Ronaldo Caiado, a ação será preparada pela assessoria jurídica do DEM e será protocolada na Justiça trabalhista do Pará.

A cubana trabalhou pelo programa Mais Médicos na cidade de Pacajá (PA) durante quatro meses. De acordo com o deputado, na ação, Ramona, além do ressarcimento, alegará danos morais, sob o argumento de que teve a honra atingida por ter sido “discriminada” em relação aos médicos de outros países.

“Essa peça processual está sendo montada. Vai ser dada entrada no fórum do Pará ação trabalhista e também por danos morais para que ela seja ressarcida não só do diferencial de R$ 9 mil por mês que ela não recebeu, mas também todos os direitos trabalhistas, como FGTS, e também danos morais”, disse Caiado.

De acordo com o parlamentar, se a Justiça deferir o pedido, Ramona receberá pelo menos R$ 36 mil, o equivalente aos R$ 9 mil que ela deixou de obter em quatro meses de atuação no programa Mais Médicos.

O líder do DEM, Mendonça Filho, afirmou que o partido também entrará com uma representação no Ministério Público do Trabalho sugerindo uma ação coletiva para que todos os cubanos contratados para atuar no Brasil possam receber o percentual do salário que teria ido para Cuba.

“Vamos pedir que a Procuradoria-Geral do Trabalho patrocine uma ação coletiva a todos os médicos cubanos que estão sendo tratados de forma desigual, desumana e desrespeitosa”, disse.

Contrato de trabalho
O deputado Ronaldo Caiado relatou ainda que a Associação Médica Brasileira ofereceu a Ramona Rodriguez um emprego na área administrativa do escritório da entidade em Brasília. Com isso, a médica cubana poderia pleitear um visto de trabalho e permanecer no território.

De acordo com o parlamentar, a associação também dará suporte para que a médica possa fazer a prova do Revalida, exame necessário para que médicos formados no exterior trabalhem no Brasil.

“A Associação Médica Brasileira, por intermédio de seu presidente, acabou de falar conosco  que a AMB vai contratá-la no seu escritório de Brasília. Ela será funcionária da AMB. A entidade dará a ela todo apoio para que ela, inicialmente em um trabalho administrativo, possa fazer a prova do Revalida para que ela possa posteriormente exercer a profissão aqui”, afirmou

 

G1

Porto de Mariel em Cuba gera mais de 150 mil empregos no Brasil

Conforme informações publicadas nesta segunda-feira (27) pelo Blog do Planalto, as obras de modernização do Porto de Mariel e sua estrutura logística exigiram investimentos de US$ 957 milhões, sendo US$ 682 milhões financiados pelo Brasil e o restante aportados por Cuba. Isso proporcionou a centenas de empresas brasileiras a oportunidade de participar do empreendimento, mediante a exportação dos serviços que prestam e dos bens fabricados no Brasil.

 

Divulgação

Porto de Mariel em Cuba gera mais de 150 mil empregos no BrasilPorto de Mariel gera mais de 150 mil empregos no Brasil e US$ 800 milhões gastos integralmente na exportação de bens e serviços.

Para aprovação do crédito, o BNDES acordou com o governo cubano que, dos US$ 957 milhões necessários, pelo menos US$ 802 milhões fossem gastos no Brasil na compra de bens e serviços comprovadamente brasileiros.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

O subsecretário-geral da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Antonio José Ferreira Simões, o compromisso é o ponto mais importante da viagem presidencial a Cuba, e o empreendimento, que conta com papel importante do Brasil, levará a uma transformação do país caribenho.

“Um dos pontos mais importantes da visita da presidenta Dilma a Cuba será a inauguração do Porto de Mariel. Quando concluído, ele será o principal porto do Caribe. Junto a Mariel, será instalada uma zona econômica especial. Nessa zona econômica especial, nos moldes do que já existe na China, haverá um elemento muito importante, industrial, e esse componente industrial terá um elemento transformador muito importante em relação a Cuba”, afirmou.

Mauro Hueb, diretor-superintendente em Cuba da Odebrecht, empresa brasileira responsável pelas obras em sociedade com a Quality, companhia vinculada ao governo cubano, disse que “É importante ressaltar que US$ 800 milhões foram gastos integralmente no Brasil para financiar exportação de bens e serviços brasileiros para construção do porto e, como consequência disso, gerando algo em torno de 156 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, quando se analisa que a partir de cada US$ 100 milhões de bens e serviços exportados do Brasil, por empresas brasileiras, geram-se algo em torno de 19,2 mil empregos diretos, indiretos e induzidos”.

Assista a entrevista do Blog do Planalto:

A zona que foi criada na região do Porto de Mariel é uma área equivalente a 450 km² que vai contar com toda a infraestrutura adequada para receber empresas de alta tecnologia e de tecnologia limpa. De acordo com Hueb, o governo brasileiro fez um trabalho de promoção da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel mundo afora e já começa a perceber a chegada de grupos empresariais para buscar negócios e investimentos no porto.

Cesário Melantonio Neto, embaixador brasileiro em Cuba, destacou os ganhos para o comércio internacional do Brasil com a maior inserção do país na América Central e no Caribe.

“O Porto de Mariel é importante para aumentar a inserção caribenha do Brasil. Evidentemente o Brasil tem uma inserção maior no nosso entorno regional, que é a América do Sul. O Brasil tem historicamente uma inserção menor na América Central e também no Caribe. Provavelmente, com a vinda de empresas brasileiras para se instalarem no Porto de Mariel, que é um porto que oferece uma série de vantagens fiscais, mais ou menos como o modelo das zonas de processamento de exportação (ZPE) no Brasil, com sistema de drawback, sem limite de remessas para múltiplos de dividendos, haverá uma maior presença comercial do Brasil, não só em Cuba, mas em toda a região. Essa que é a importância para o Brasil do Porto de Mariel”, disse.

Hipólito Rocha Gaspar, diretor-geral em Cuba da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) também destacou o impacto para as exportações brasileiras.
“Desde o momento que se decidiu fazer, há cinco anos atrás, isso tem implementado grandemente a presença brasileira no país, nas exportações. Com a obra de Mariel, mais, praticamente, 500 empresas se beneficiaram com essa obra, onde essa obra vai representar um momento diferente comercial de Cuba para o mundo. Eu acho que nós usaremos também Mariel para o crescimento das nossas exportações”, afirmou.

Segundo analistas econômicos, o fato de uma empresa brasileira participar ativamente da obra coloca o empresariado nacional em posição também privilegiada para investir nesse novo espaço comercial. Para estimular a atração de investimentos ao Porto de Mariel, a zona econômica especial oferecerá incentivos e regimes de tratamento especial aos concessionários e usuários. Estes incentivos abrangerão questões aduaneiras, tributárias, monetárias, bancárias e trabalhistas.

Da redação do Vermelho,
Com informações do Blog do Planalto

Cuba tem a menor taxa de mortalidade infantil da história

Cuba terminou 2013 com uma taxa de mortalidade infantil de 4,2 por cada mil nascidos vivos, o número mais baixo da história da ilha, informaram nesta quinta-feira (02/01) os veículos de imprensa do país.

 

 

crianças cubanas 

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

A primeira vez que os cubanos registraram taxa inferior a 5, foi 2008, com 4,7. Desde então, os índices foram 4,8 em 2008, 4,5 em 2010, 4,9 em 2011 e 4,6 em 2012.

De acordo com a ONU, a média mundial de mortalidade infantil no ano passado era de 48 para cada mil nascidos. No Brasil, em 2012, esse índice era de 12,9. A dos Estados Unidos, por sua vez, era de 7 mortes para cada mil nascimentos
O jornal Granma destacou que o resultado coloca a ilha “entre as primeiras nações do mundo” neste quesito. Segundo números oficiais, oito das 15 províncias cubanas atingiram indicadores menores que a taxa nacional de 4,2, em 2013. Neste ano, foram registrados 125.830 nascimentos, 156 a mais que no ano anterior.
Segundo dados do ministério de Saúde Pública do país, as principais causas de morte de crianças no país estão relacionadas a anomalias congênitas, infecções e afecções perinatais.
Com relação às mães, em 2013 foram registrados 26 óbitos relacionados diretamente com gravidez, parto e pós-parto, uma taxa de 20,7 mulheres para cada 100 mil nascimentos, também a mais baixa da história de Cuba.

Com agências

Em 2013, Cuba anunciou reformas para fortalecer economia

Apesar da manutenção do bloqueio econômico que impede o desenvolvimento econômico de Cuba, o país tem adotado importantes medidas para aperfeiçoar seu sistema e preservar suas conquistas sociais .

Por Théa Rodrigues e Vanessa Silva, da redação do Vermelho

 

Cuba anunciou diversas medidas para fortalecer sua economia| Foto: Reuters

Uma das principais mudanças é que o país se abre aos investimentos estrangeiros mediante empresas mistas, nas quais o Estado cubano sempre dispõe de uma maioria de ao menos 51%. O novo modelo também promove as cooperativas, pequenas propriedades agrícolas e trabalhadores independentes, com a finalidade de reduzir o papel do Estado nos campos estratégicos.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook
Cuba também atualizou sua política migratória, o novo código de trabalho, o sistema de compra e venda de carros e criou a Zona de Desenvolvimento Especial de Mariel (ZDEM) , uma das medidas econômicas mais importantes do país.

A ZDEM é o maior investimento em infraestrutura das últimas duas décadas em Cuba e tem 80% de capital brasileiro. A zona possui instalações portuárias para acomodar os novos e maiores navios de contêineres, seguindo a expansão do Canal de Panamá e também uma zona de processamento de exportações e nova infraestrutura de comunicações e transporte terrestre.

 

Portal Vermelho

Na ONU, mundo pede fim do bloqueio imposto pelos EUA a Cuba

A Assembleia Geral da ONU votou pela 22ª vez a situação de Cuba diante do bloqueio econômico, financeiro e comercial que os Estados Unidos impuseram à ilha durante a Guerra Fria e que persiste há mais de 50 anos. Nessa terça-feira (29) 188 países votaram pelo fim da prática, mesmo número que o alcançado em 2012. Apenas dois países — Estados Unidos e Israel — foram contra o fim do bloqueio, três se abstiveram e dois não votaram.

 

Cartazes em Havana denunciam prejuízos provocados pelo bloqueio imposto pelos EUA

Desde 1992 quando o assunto passou a fazer parte da pauta da ONU que o resultado é similar, sempre ultrapassando os 180 países contra a medida considerada genocida pelo país caribenho.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

O projeto que pede o desbloqueio do país apela aos princípios de “soberania e igualdade entre Estados, a liberdade de comércio e navegação e a não interferência em assuntos internos” para pedir que Washington levante as sanções contra o país.

Recrudescimento do bloqueio

Em sua exposição diante das demais nações presentes na Assembleia, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que durante o governo Barack Obama o bloqueio financeiro contra a ilha “recrudesceu” e afirmou que as transações monetárias de Cuba são vigiadas de perto pelo “enorme sistema de espionagem global” dos Estados Unidos.

Para Rodríguez está nas mãos do mandatário estadunidense criar uma nova dinâmica que mude de maneira definitiva a realidade do país: “O que se ganha com a velha e eticamente inaceitável política que não tem funcionado nos últimos 50 anos?, questionou durante seu discurso em Nova York, e lembrou que Obama foi escolhido “para a mudança”.

Rodríguez explicou que o bloqueio afeta toda a população e mencionou um centro de cardiologia onde pacientes não podem ser atendidos com a mais alta tecnologia porque a administração Obama considera o centro como um “hospital negado”.

Rechaço mundial

Há algumas semanas, durante a 68ª Assembleia Geral da ONU, mais de 40 presidentes, primeiros-ministros e chanceleres dos cinco continentes pediram o fim do bloqueio classificado como “genocídio, ilegal e relíquia da guerra fria”.

De acordo com informações de Cuba, o bloqueio já provocou perdas superiores a 1 trilhão 157 bilhões 327 milhões de dólares.

Da Redação do Vermelho
Vanessa Silva, com agências

“Pobre estudar medicina é afronta para a elite”, diz médico formado em Cuba

saudeA elitização do ensino de medicina no Brasil é um obstáculo para jovens de baixa renda entrarem nas universidade e se formarem. Já os problemas nas provas de revalidação do diploma dificultam o exercício da profissão em território nacional pelos brasileiros que conseguiram se formar no exterior.

“Quem estuda medicina no nosso país são os filhos das elites, em sua maioria. É uma afronta para a elite um negro, um pobre, um trabalhador rural, filho de Sem Terra estudar medicina na faculdade, principalmente pelo status conferido por essa profissão”, afirma Augusto César, médico brasileiro formado em Cuba e militante do MST.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Estudo do Ministério da Educação (MEC) aponta que 88% dos matriculados em universidades públicas de medicina estudaram em escolas particulares no ensino fundamental e médio. Os programas do governo de acesso à universidade, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), ampliaram o acesso, mas ainda não conseguiram universalizar e democratizar a educação.

“A maioria das pessoas que entram na universidade pública para cursar medicina tem dinheiro para fazer um bom cursinho ou estudou o tempo todo numa escola particular. Claro que há exceções, mas o ensino de medicina do nosso país é altamente elitizado”, acredita Augusto.

“A maior parte das pessoas que tem acesso às escolas de medicina são de classe média e classe média alta. Um pobre numa universidade particular não consegue se sustentar pelo alto preço das mensalidades. Sem contar que hoje temos mais universidades privadas do que públicas na área da saúde, dificultando ainda mais o acesso”, diz a médica formada em Cuba Andréia Campigotto, que também é militante do MST.

Revalidação

A necessidade dos médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros passarem por uma prova para verificar se estão capacitados a exercer a profissão é um tema frequentemente pautado pela comunidade médica brasileira.

Independentemente do curso, todos os estudantes brasileiros que realizam um curso fora do país precisam passar por uma revalidação do diploma. No entanto, há falhas nesse processo no caso da medicina.

Um dos principais problemas é que não existe um padrão para o conteúdo dessas provas. Cada universidade federal pode abrir sua prova de reconhecimento de títulos no exterior. Com isso, o conteúdo não é uniforme.

Além disso, o custo dessas avaliações é alto. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) cobra uma taxa de inscrição de R$1.172,20. Outras universidades pelo país têm preços similares.

Preconceito

“As provas são injustas, porque têm um nível de médicos especialistas, e não de ‘generalistas’, que é o que somos após nos graduar. Isso causa uma desaprovação considerável dos estudantes que vem de fora”, acredita Andréia.

“O que a categoria médica não divulga é que 50% dos estudantes da USP reprovaram na prova feita pelo Conselho de Medicina de São Paulo. Foi uma prova para médico generalista, muito mais fácil que a de revalidação”, revela.

Para Andréia, há um “grande preconceito” por parte dos profissionais brasileiros em relação aos médicos formados em outros países, o que cria um entrave para a revalidação dos diplomas.

“Seria justo se os profissionais que se formam no Brasil fizessem as mesmas provas que nós, para ver se realmente se comprova uma suposta má formação de nossa parte, bem como discursa a categoria médica brasileira”, observa.

Os dois médicos defendem a realização de uma avaliação dos conhecimentos dos profissionais graduados no exterior, mas destacam que as provas atuais não cumprem esse papel, porque não são aplicados testes adequados para auferir o conhecimento.

“As provas teóricas e práticas atuais não levam em conta as complexidades. Seria muito melhor colocar esse médico para trabalhar sob um tutor e, a partir daí, se instaurar uma avaliação rigorosa e permanente. Mas isso não tem sido pensado”, pontua Augusto.

Formação

A concepção de medicina ensinada nas universidades impede também que os estudantes vejam a luta pela saúde além do tratamento de doenças.

“Nas universidades de medicina, só se vê doença. Não se fala em saúde. Como você pode lutar pela saúde se só vê doenças? Também é saúde lutar pelo direito à cidade e por um sistema público de saúde de qualidade”, destaca Augusto.

De acordo com o militante, a concepção de saúde deve ultrapassar uma formação técnica. “O médico deve exercer a medicina a favor da construção de um país mais saudável, sem esperar que as pessoas ou uma comunidade adoeça para depois intervir sobre ela, pois é o modo de vida que vivemos que gera as doenças do país”, defende.

Andréia quer se tornar professora de medicina para colaborar para a mudança da forma de ensinar das universidades. Ela se classificou na primeira fase do concurso para lecionar na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Segundo ela, o campo da educação deve ser ocupado por aqueles que querem democratizar a educação. “Precisamos formar profissionais com um novo perfil, realmente voltados para atender o povo, para se fixar nos locais de difícil acesso, não só nos grandes centros como hoje. É um campo interessante de atuação”.

 

 

José Coutinho Júnior, da página do MST