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Estudo encontra ligação entre dor crônica e transtornos de ansiedade

ansiedadeUma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, descobriu uma conexão entre dor crônica e ansiedade, além de um possível tratamento que possa ser usado neste caso.

As conclusões do estudo mostram que o aumento do Polipeptídeo ativador da adenilato-ciclase pituitária (PACAP) – um neurotransmissor que o corpo libera em resposta ao estresse – é também aumentado em resposta à dor neuropática, contribuindo para os sintomas das dores crônicas.

O PACAP está presente em diversas funções biológicas, como neurotransmissor, neuromodulador, neuroprotetor e fator neurotrófico. Além disso, estudos sugerem que o PACAP desempenha um importante papel na modulação do comportamento social, aprendizagem e memória.

Neste estudo, os pesquisadores analisaram como a substância PACAP percorria uma das vias do sistema nervoso para o cérebro, passando da medula espinhal para as amígdalas. Assim, eles foram capazes de observar onde o estresse e as vias de dor crônica se cruzavam.

“A dor crônica e os distúrbios relacionados a ansiedade andam juntos com grande frequência,” diz o autor sênior Victor Maio, Ph.D., professor de ciências neurológicas na Universidade de Vermont.

Em um estudo realizado em 2011, os mesmos pesquisadores descobriram que a PACAP era evidente em mulheres que apresentavam sintomas de estresse pós-traumático. Os pesquisadores notaram que quando uma substância projetada para bloquear a PACAP era aplicada, a dor reduzia significativamente.

O próximo passo para os pesquisadores será desenvolver compostos de moléculas pequenas que possam combater completamente as ações da substância PACAP. “Ao aplicar este mediador, temos a oportunidade de bloquear a dor crônica e os transtornos de ansiedade. Esta seria uma abordagem completamente diferente, fugindo dos medicamentos tracionais, como sedativos, hipnóticos e relaxantes musculares.”, comenta Victor.

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Dia Mundial do Rim: silenciosa, doença renal crônica atinge 10% da população

rinsA doença renal crônica atinge 10% da população mundial e afeta pessoas de todas as idades e raças. A estimativa é que a enfermidade afete um em cada cinco homens e uma em cada quatro mulheres com idade entre 65 e 74 anos, sendo que metade da população com 75 anos ou mais sofre algum grau da doença. Diante desse cenário, no Dia Mundial do Rim, lembrado hoje (12), a Sociedade Brasileira de Nefrologia defende que a creatinina sérica e a pesquisa de proteína na urina façam parte dos exames médicos anuais.

O risco de doença renal crônica, de acordo com a entidade, deve ser avaliado por meio de oito perguntas: Você tem pressão alta? Você sofre de diabetes mellitus? Há pessoas com doença renal crônica na sua família? Você está acima do peso ideal? Você fuma? Você tem mais de 50 anos? Você tem problema no coração ou nos vasos das pernas (doença cardiovascular)? Se uma das respostas for sim, a orientação é procurar um médico.

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Os principais sintomas da doença renal crônica são falta de apetite, cansaço, palidez cutânea, inchaços nas pernas, aumento da pressão arterial, alteração dos hábitos urinários como urinar mais à noite e urina com sangue ou espumosa.

As recomendações das entidades médicas para reduzir o risco ou para evitar que o quadro se agrave incluem manter hábitos alimentares saudáveis, controlar o peso, praticar atividades físicas regularmente, controlar a pressão arterial, beber água, não fumar, não tomar medicamentos sem orientação médica, controlar a glicemia quando houver histórico na família e avaliar regularmente a função dos rins em casos de diabetes, hipertensão arterial, obesidade, doença cardiovascular e histórico de doença renal crônica na família.

Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que 100 mil pessoas fazem diálise no Brasil. Atualmente, existem 750 unidades cadastradas no país, sendo 35 apenas na cidade de São Paulo. Os números mostram ainda que 70% dos pacientes que fazem diálise descobrem a doença tardiamente. A taxa de mortalidade para quem enfrenta o tratamento é 15%.

Agência Brasil

Quase 40% dos brasileiros apresentaram pelo menos uma doença crônica em 2013

populacao-brasileira-ibgeA primeira edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou que 39,3% dos brasileiros adultos, com 18 anos ou mais, foram diagnosticados com pelo menos uma das 11 doenças crônicas não transmissíveis investigadas (câncer, depressão, colesterol alto, diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, acidente vascular cerebral – AVC, asma, insuficiência renal, problemas de coluna e problemas osteomoleculares). Juntas, essas doenças respondem por mais de 70% das mortes no país, observou o instituto.

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Os pesquisadores visitaram 80 mil casas em 1.600 municípios de todas as regiões, durante o segundo semestre do ano passado e expandiram os resultados obtidos para o universo de 146,3 milhões de pessoas com 18 anos ou mais de idade, em 2013.

A PNS estimou que o Brasil tem 31,3 milhões de hipertensos (21,4% do total), 27 milhões com problemas na coluna (18,5%) e 2,2 milhões de pessoas que já sofreram um AVC. Parte da população (12,5%) foi diagnosticada com colesterol alto, enquanto 6,2% têm diabetes e 4,2% apresentam alguma doença cardiovascular.

A Região Sudeste liderou os diagnósticos de hipertensão, com 23,3%. Entre as mulheres adultas, a prevalência da doença foi maior (24,2%) que entre os homens (18,3%).

Em todo o Brasil, 69,7% dos hipertensos disseram receber assistência médica nos 12 meses anteriores à pesquisa. As unidades básicas de Saúde foram responsáveis por 45,9% dos atendimentos aos hipertensos.

No que se refere ao colesterol elevado, a proporção maior foi encontrada também nas mulheres adultas (15,1%). Entre os homens, o percentual foi 9,7%, sendo que para ambos os sexos, a principal recomendação médica para baixar a taxa de colesterol foi ter uma alimentação saudável, em 93,7% dos casos.

Em termos de depressão, a doença foi confirmada por um profissional de saúde mental em 11,2 milhões de adultos, o que correspondeu a 7,6% de pessoas com 18 anos ou mais.

A pesquisa destaca, entretanto, que desse total somente 46,6% tiveram assistência médica nos 12 meses anteriores à pesquisa. No que se refere ao câncer, o diagnóstico foi positivo para 1,8% da população adulta (2,7 milhões de pessoas), com incidência maior de próstata (36,9%), entre os homens, e de mama (39,1%) e colo de útero (11,8%), entre as mulheres. Nos dois sexos, o tipo de câncer mais comum é o de pele (16,2%).

A única região que apresentou proporção de casos de problema crônico de coluna superior à média nacional foi a Sul, com 23,3%. A maior prevalência no Brasil, em 2013, para esse tipo de doença foi encontrada também entre as mulheres (21,1%), enquanto nos homens o índice foi 15,5%.

A PNS identificou que 24% da população adulta costumavam ingerir bebida alcoólica pelo menos uma vez por semana, sendo que esse hábito é mais frequente entre os homens (36,3%) do que entre as mulheres (13%).

Em entrevista à Agência Brasil, a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira, destacou que “quando se associa a bebida à direção, verifica-se que a proporção de homens (27,4%) supera a de mulheres (11,9%)”.

Entre os brasileiros acima de 18 anos que dirigem veículos no trânsito, 24,3% admitiram ter dirigido automóvel ou motocicleta após ingerir bebida alcoólica.

Do total de adultos pesquisados no Brasil, 12,7% eram fumantes diários e 17,5%, ex-fumantes, em 2013. Entre os fumantes diários, os homens foram a maior parcela: 16,2%, contra 9,7% de mulheres. O cigarro industrializado foi o produto do tabaco mais consumido por 14,5% dos fumantes.

A PNS mostrou ainda que 46% dos adultos consultados não costumavam praticar atividades físicas em nível satisfatório tanto no lazer, quanto no trabalho, em casa ou nos deslocamentos para o trabalho.

No lazer, considerado mais importante pelos técnicos do IBGE, 27,1% dos homens acima de 18 anos praticavam o nível recomendado de atividades físicas em 2013. Entre as mulheres, o índice foi 18,4%.

Entre os adultos, 28,9% admitiram assistir à televisão por um período acima de três horas por dia. Conjugado ao fato de não praticarem atividades físicas suficientes no tempo livre, principalmente, isso amplia a possibilidade de se tornarem obesas e, em consequência, sujeitas a outras doenças., alerta a pesquisa.

Em 2013, 37,3% da população relataram seguir a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) no que se refere ao consumo de frutas e hortaliças, que envolve a ingestão diária de, pelo menos, 400 gramas desses alimentos. São destaques as regiões Centro-Oeste e Sudeste, onde o consumo de frutas e hortaliças atingiu 43,9% e 42,8%, respectivamente.

Maria Lúcia chamou a atenção, em contrapartida, para o fato de 37,2% dos brasileiros adultos terem admitido consumir carne vermelha ou frango com excesso de gordura, principalmente na Região Centro-Oeste (45,7%). O consumo desses alimentos foi maior entre os homens (47,2%) do que entre as mulheres (28,3%).

Maria Lúcia avaliou que embora as mulheres fumem menos e bebam menos do que os homens, elas ficam mais doentes, de forma geral. A diferença, segundo esclareceu a gerente da PNS, é que a pesquisa abordou as doenças crônicas e não o fato de as pessoas terem ou não a doença.

“A gente sabe que as mulheres frequentam mais os consultórios médicos, elas procuram mais que os homens, por isso têm mais diagnóstico. Além disso, elas atingem idades mais avançadas e essas doenças crônicas ocorrem em maior proporção conforme a idade aumenta. Essas seriam as justificativas para as mulheres terem uma prevalência maior dessas doenças”, disse.

Fonte: Agência Brasil

Jornalista em Sergipe é condenado à prisão por escrever crônica ficcional

christian_goesA Justiça em Sergipe acaba de condenar o jornalista José Cristian Góes a sete meses e 16 dias de detenção. O crime cometido por ele: ter escrito uma crônica ficcional sobre o coronelismo.

Mesmo sendo um texto em primeira pessoa e sem citar nome de ninguém, o desembargador e vice-presidente do Tribunal de Justiça Edson Ulisses, alegou que se sentiu pessoalmente ofendido pela expressão “jagunço das leis” e pediu a prisão do jornalista por injúria.

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Apesar de todo o processo ter sido presidido pela juíza Brígida Declerc, do Juizado Especial Criminal em Aracaju, a sentença foi assinada no último dia 04 de julho pelo juiz substituto Luiz Eduardo Araújo Portela.

“Esta é uma decisão em primeira instância. Vamos ingressar com os recursos. Em razão de ser uma sentença absurda, não acreditamos que ela prospere, mas se for o caso vamos até o STF em razão da decisão ferir gravemente à Constituição Federal, e quem sabe, podemos ir até ao CNJ e as Cortes Internacionais de Direitos Humanos”, informou Antônio Rodrigo, advogado de Cristian Góes.

Os sete meses e 16 dias de detenção foram convertidos pelo juiz Eduardo Portela em prestação de serviço a alguma entidade assistencial.

O desembargador Edson Ulisses, cunhado do governador Marcelo Déda (PT), alegou que a crônica literária intitulada “Eu, o coronel em mim”, escrita pelo jornalista Cristian Góes em maio de 2012 em seu blog, ataca diretamente o governador de Sergipe e a ele, por consequência.

Por isso, ingressou com duas ações judiciais. Na criminal, o desembargador pedia a prisão de quatro anos do jornalista. Na ação cível, solicita que o juiz estabeleça um valor de indenização por danos morais e já estipula os honorários dos seus advogados em R$ 25 mil.

Numa audiência, o desembargador afirma: “Todo mundo sabe que ele escreveu contra o governador e contra mim. Não tem nomes e nem precisa, mas todo mundo sabe que o texto ataca Déda e a mim”.

O advogado Antônio Rodrigo provou com farta documentação que é completamente impossível na crônica literária assinada por Cristian Góes encontrar a mínima prova da intenção de ofender a honra de ninguém. “Esse ‘alguém’ não existe no texto. Não é uma questão de interpretação. A figura do injuriado não existe”, disse o advogado.

Durante o processo, a juíza negou à defesa do jornalista ouvir duas de suas testemunhas, sendo uma chave para esclarecer todo processo: o governador Marcelo Déda. Também não foi permitida uma série de perguntas do advogado ao desembargador Edson Ulisses e às suas testemunhas.

A crônica literária “Eu, o coronel em mim” é um texto em estilo de confissão de um coronel imaginário dos tempos de escravidão que se vê chocado com o momento democrático. Não há citação de nomes, locais, datas, cargos públicos.

Em Sergipe, o irmão do governador Marcelo Déda, o desembargador Cláudio Déda, é o presidente do Tribunal de Justiça e o cunhado do governador, o desembargador Edson Ulisses é o vice-presidente, sendo que este último foi escolhido e nomeado pelo governador.

Atendendo ao pedido do desembargador Edson Ulisses, o Ministério Público, ainda na primeira audiência de conciliação, denunciou criminalmente o jornalista. Por coincidência, dias depois da denúncia, a promotora de Justiça Allana Costa, que era substituta e trabalhava no interior de Sergipe, foi premiada com a promoção para a capital, em cargo de coordenadoria.

Em uma das audiências do caso, vários representantes de movimentos sociais que lutam pela liberdade de expressão, e até familiares do jornalista, foram impedidos de participar da audiência. A segurança da Polícia Militar foi reforçada na sede do Tribunal de Justiça. Todos os lugares da sala de audiência foram tomados desde cedo por funcionários com cargos comissionados e terceirizados do Tribunal de Justiça.

Fotos: Reprodução/Facebook

brasildefato

Balanço ambiental nos oceanos: a crônica da morte anunciada

“Sem dúvida, a irresponsabilidade, a acidificação dos mares, a mudança climática, as atividades contaminantes e a exploração mais do que intensa dos recursos marinhos têm convertido os oceanos em um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta”.

Esse é um pequeno trecho de um documento de 20 páginas que a Unesco e a Organização Marítima Internacional apresentaram aos participantes da Rio+20, em junho de 2012. Além de reforçar que eles são responsáveis por 80% da produção pesqueira mundial, destinadas ao consumo humano, representa 15% da ingestão de proteína animal per capita a 4,2 bilhões de pessoas, sendo que a pesca e a aquicultura – criação comercial – davam trabalho total ou parcial a 180 milhões de pessoas, serviam de sustento a cerca de 500 milhões de pessoas.

Mas já existe no planeta cerca de 500 zonas hipóxicas ( ausência de oxigênio) nos oceanos, resultado da poluição de ingredientes químicos, da agricultura e pecuária, que provocam um fenômeno chamado de eutrofização – acúmulo desses nutrientes, como nitrogênio, fósforo, silício, que muitas vezes provocam o crescimento rápido de algas e bactérias tóxicas. Fato comum em grandes metrópoles cercadas por rios lamacentos e poluídos. O número de 2008 abrangia mais de 245 mil quilômetros quadrados, quase a mesma área desmatada da Amazônia.

Resíduos industriais, com metais pesados e efluentes orgânicos dos esgotos que jorram nos rios e depois acabam nos oceanos somam de 300 a 400 milhões de toneladas anualmente, em todo o mundo. Não são números de 2012. As zonas mortas, por exemplo, dobram de tamanho a cada ano. Enquanto a maior riqueza dos oceanos, o plâncton, também conhecido como microalgas, reduz a sua capacidade de se reproduzir 1% a cada ano.

A vida invisível
As microalgas captam gás carbônico para fazer a fotossíntese. Parte desses microrganismos produzem carapaças de carbonato de cálcio, assim como os corais produzem seus esqueletos.

São bilhões de toneladas de carbono que descem para o fundo dos oceanos e que ficam enterrados por milhares de anos, quando eles morrem. Uma integração que está sendo alterada nas últimas décadas, em função do aquecimento global. Se o plâncton, que também é responsável por metade da produção primária do planeta, é a base alimentar da vida marinha – deles se alimenta o zooplâncton, por exemplo, cuja figura mais conhecida é o krill, um pequeno camarão vive nas águas do oceano austral, e que alimenta muitas outras espécies -, não captar o CO2 da atmosfera e não enterrar no fundo dos oceanos, ele vai continuar na atmosfera.

Se o CO2 dissolvido nas águas dos oceanos não for incorporado nas conchas e estruturas de carbonato de cálcio, ele vai aumentar a acidez das águas, elas vão ficar mais corrosivas. O pH da água marinha pura é levemente alcalino, acima de 8 – pH 7 é neutro, abaixo, ácido. O pH é uma medida da concentração de íons hidrogênio. Cada unidade perdida no pH representa 10 vezes mais a concentração de íons hidrogênio. Então a água do oceano global está ficando mais quente e mais ácida, com menos produção primária de comida, que é a base de toda a cadeia de vida marinha.

E isso é uma péssima notícia. Não é um assunto fácil de abordar. Por isso, não aparece nas discussões sobre mudanças climáticas e aquecimento global. Talvez essa seja a maior gravidade.

100 vezes mais rápido
Em 2008, aconteceu o segundo Simpósio sobre Oceanos em um mundo com elevado CO2, onde participaram 220 cientistas, de 32 países, sob patrocínio da Unesco, dos Laboratórios Ambientais Marinhos, da Agência Internacional de Energia, do Museu Oceanográfico de Mônaco, entre outras entidades.

Entre as deliberações, os cientistas deixaram a sua preocupação, com a seguinte situação:

“- Anualmente os oceanos absorvem 25% do CO2 emitido para a atmosfera pelas atividades humanas. Quando o CO2 se dissolve na água do mar, forma o ácido carbônico, processo denominado acidificação oceânica, está tornando a água do mar mais corrosiva para conchas e esqueletos de numerosos organismos marinhos, afetando a reprodução e a sua fisiologia.

-Nas próximas décadas, a química dos oceanos tropicais não sustentará o crescimento de recifes de corais e grandes extensões dos oceanos polares se tornarão corrosivas aos organismos marinhos calcificados. Haverá um impacto na cadeia alimentar, na biodiversidade.

– A acidez dos oceanos aumentou 30% desde o início da Revolução Industrial. É um aumento 100 vezes mais rápido do que qualquer mudança na acidez vivenciada pelos organismos marinhos, pelo menos nos últimos 20 milhões de anos. A atual acidificação, induzida pelo homem, representa um evento raro na história geológica do nosso planeta. A partir de 1990, o pH dos oceanos – 8,13 – começou a cair – 8.08 em 2010”.

E o mais importante: embora as mudanças climáticas e os seus impactos impliquem em incertezas significativas, as alterações químicas, que ocorrem nos oceanos, em decorrência do aumento de CO2 atmosférico, são notadas agora e facilmente previsíveis para o futuro. A acidificação oceânica não é uma questão climática periférica. Ela é outro problema acarretado pelo CO2.

A acidificação oceânica poderá disparar uma reação em cadeia de impactos sobre a teia alimentar, afetarão a indústria pesqueira e de frutos do mar, que movimenta bilhões de dólares e ameaçará a segurança alimentar de milhões de pessoas, dentre as mais pobres do planeta. Peixes na fase larval, moluscos e crustáceos são particularmente vulneráveis a esses impactos.

Por último: a capacidade dos oceanos em absorver CO2 atmosférico está sendo alterada pela acidificação oceânica, o que dificultará a estabilização das concentrações de CO2 atmosférico. Este é um assunto novo, onde 62% dos artigos científicos começaram a ser publicados a partir de 2004.

O pesquisador Osmar Pinto Júnior, do Inpe, fez um trabalho com pesquisadores do MIT (EUA) sobre as tempestades que caem no sudeste brasileiro. Analisaram as tempestades mensais nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. Nos próximos 60 anos todo o sudeste do Brasil sofrerá três vezes mais com tempestades e raios, devido às mudanças climáticas que o aquecimento global provoca nos oceanos. As tempestades acontecem na costa brasileira, quando existe a conjunção do fenômeno climático natural La Nina, que resfria as águas do oceano Pacífico, com um aumento da temperatura das águas do Atlântico. Quanto mais quente estiver o Atlântico, mais intensas são as tempestades. Mesmo com La Nina, deveria resfriar as águas, as temperaturas se mostraram cada vez mais altas, com aquecimento médio de 0,6 grau centígrado, simultâneo ao aumento de 0,8 grau na temperatura do planeta.

Desequilíbrio energético
Pinto Júnior faz questão de ressaltar: “estamos falando de uma realidade e não de uma projeção. O oceano Atlântico está ficando mais quente e a tendência é que a temperatura continue a subir, se não pararem as emissões de carbono. A probabilidade desse cenário se concretizar é de 99%, uma taxa de confiabilidade que não pode ser ignorada”.

James Hansen é um cientista reconhecido no mundo, do Instituto de Estudos Espaciais da Nasa, por seu depoimento sobre mudanças climáticas em 1988 no Congresso dos Estados Unidos. Ele defende o argumento sobre o desequilíbrio energético do planeta, ou seja, mais energia solar está sendo absorvida do que devolvida ao espaço em forma de calor. O desequilíbrio tem um número – de 0,5 a 1 watt/m2. Uma minúscula lâmpada de enfeite de Natal. A irradiação solar é cerca de 1.400 watts/m2.

Como são os oceanos que absorvem este calor, é justamente ali que ele está retido. Alguns cientistas dizem que o calor atmosférico demora 30 anos para se harmonizar nos oceanos. Hansen cita um estudo do cientista Sydney Levitus, da Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera (Noaa), dos Estados Unidos, que analisou as mudanças de temperatura nos últimos 50 anos, descobriu que o conteúdo de calor do oceano mundial aumentou cerca de 10watts/ano/m2.

“A taxa corrente de estocagem de calor oceânico é uma medida planetária crítica. Ela não só determina a quantidade adicional do aquecimento global em andamento, como também equivale à redução de forçantes climáticas necessárias para estabilizar o atual clima terrestre”, completou James Hansen. A forçante climática é uma perturbação imposta sobre o balanço de energia do planeta.

Tudo acaba lá
E aí chegamos à região Antártica, onde o oceano austral forma a maior corrente marítima do mundo. Onde se encontram três massas oceânicas – Pacífica, Atlântica e Índica. E aonde chegam todos os resíduos da atmosfera. Os testes atômicos das décadas de 50 e 60, do século passado. As queimadas na África, Índia e no continente sul-americano. O carbono das queimadas tem uma assinatura própria – isótopos diferentes. Chegam duas semanas depois das queimadas na América do Sul. Os pesquisadores chamam de Black Carbon. São aerossóis que interferem no balanço radioativo de energia. Caem sobre superfícies, normalmente refletoras de radiação. Acaba contribuindo para maior absorção de energia. 84% do Black Carbon da América do Sul é originário de queima de biomassa.

A Antártica contando o continente e o oceano congelado tem mais de 45 milhões de km2, somente o continente tem 13,8 milhões de km2. É maior que o Brasil. Tem um relevo alto, média de quase dois mil metros, com picos acima de quatro mil metros. A parte mais fria, no interior do continente, conhecida como Domo A registra temperaturas perto de 90 graus centígrados. Os registros do aquecimento global também estão presentes, como não poderia deixar de ser, num sistema que funciona integrado no planeta.

Como consequência do aumento de temperatura e concentrações de CO2 na superfície do oceano Austral, tem acumulado mais calor e gás carbônico do que a média dos oceanos globais. Esta é a região onde o plâncton se reproduz. Portanto menos microalgas, menos CO2 absorvido e o ciclo continua. Os cientistas calculam em 3 graus centígrados o aumento da temperatura na região Antártica. Também aumentam os ventos do oeste que trazem calor do Equador. Levam calor para dentro da região. A Península Antártica Ocidental é onde os cientistas registraram maiores alterações. Foi constatada retração no gelo marinho do mar de Bellingshausen. É na Península Antártica que se formam as massas de ar frio que vêm em direção ao continente sul-americano. A Península fica a pouco mais de três mil quilômetros da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai.

Uma projeção dos cientistas sobre a Antártica: se as temperaturas continuarem aumentando na atmosfera e nos oceanos, a área de cobertura por gelo marinho poderá diminuir 30%. Claro que nas próximas décadas. O problema não são as previsões ou as projeções, mas o que já está acontecendo com o oceano global. Entupido de poluição, mais quente, mais ácido, interferindo diretamente no sistema mais complexo do clima terrestre – a interação entre atmosfera e oceano. A crônica da morte anunciada.

Carta Maior

Dor crônica afeta entre 15% e 40% dos brasileiros, dependendo da região do país

O percentual médio de pessoas afetadas por algum tipo de dor crônica no Brasil varia de estado para estado e pode ser de 15% a 40% da população. Estudos disponíveis revelam que em São Luís (MA), por exemplo, o índice de queixas de dores crônicas chega a 47%, enquanto em Salvador (BA), chega a 41% e em São Paulo, fica entre 30% e 40%. Entre a população mundial, de 20% a 30% sofrem com essas dores.

A informação foi dada à Agência Brasil pelo vice-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos para a Dor (SBED), Durval Campos Kraychete, que também coordena o Ambulatório da Dor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Segundo ele, dependendo do tipo de política governamental de saúde, esses números podem aumentar ou diminuir. “Se você [adota] medidas preventivas para a dor, a tendência é diminuir. Mas se a dor continuar subestimada, em termos de avaliação e de diagnóstico, e subtratada, a tendência é aumentar”.

Kraychete disse que a média de tempo que um paciente com dor leva até procurar um ambulatório ou serviço especializado é de oito anos. “Aí, já estão bem comprometidos do ponto de vista da doença, muitas vezes com incapacidade”. Para o especialista, a implantação no Sistema Único de Saúde (SUS) dos Centros de Referência em Tratamento da Dor Crônica, criados por meio da Portaria 1.319/2002, do Ministério da Saúde, poderá contribuir para melhorar o tratamento da população brasileira afetada por vários tipos de dor crônica e reduzir esses índices. “Porque isso acaba tendo impactos econômicos enormes”, destacou.

O médico disse que estudos internacionais mostram que o impacto em termos de perdas de pessoas em plena capacidade laborativa é grande. “A gente acaba tendo gastos enormes para poder reabilitar essas pessoas – as perdas chegam a bilhões de dólares e, em geral, afetam pessoas ativas, entre 40 anos e 60 anos”.

De acordo com dados da Previdência Social, a dor de coluna responde por quase 160 mil licenças por ano. Os centros públicos poderiam reduzir bastante esse número, assegurou Durval Kraychete, “se tivesse uma avaliação adequada, um diagnóstico correto e um tratamento também condizente com a doença que o paciente apresente. Porque o que acontece é que tem muita doença de coluna que é mal diagnosticada, mal tratada e muito uso inadequado da dor de coluna na Previdência Social”.

O especialista defendeu a adoção de uma política de educação continuada, não só para a população, mas também para os profissionais de saúde, de modo a permitir abordagens e diagnóstico corretos da dor. Ele lamentou que poucas universidades do país tenham o estudo da dor nos currículos médicos. “Ou de qualquer profissional, já que a abordagem da dor crônica é multidisciplinar”. Segundo Kraychete, isso deveria valer tanto para medicina, quanto para a odontologia, a enfermagem, a fisioterapia e outras especialidades. “O desconhecimento começa, muitas vezes, no diagnóstico incorreto”.

Agência Brasil