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PADRE DJACY: Alienação religiosa no âmbito cristão

            padre djacyComo cristão, que tenta seguir os passos de Jesus libertador, estou estupefato com tanta alienação religiosa, tanta euforia espiritual, desvinculada de qualquer compromisso com o verdadeiro Reino de Deus. Trata-se da vivência de uma fé intimista, subjetivista, inócua e interesseira. Estamos vivenciando, portanto, não o cristianismo profético- historicizado, contextualizado, comprometedor e libertador, desejado pelo Jesus histórico, mas um cristianismo nas nuvens, descaracterizado na sua essência, um cristianismo alienante e, sem dúvida, muito perigoso. É a era do espiritualismo exacerbado. O que prevalece é a fé intimista: Deus e eu.
         O cristianismo verdadeiro, libertador, puro, compromissado com as causas sociais, com os pobres, os excluídos, os injustiçados, com a vida do povo de Deus, está cedendo espaço para um cristianismo platônico, a – histórico, estéril e inócuo. Agora é uma vivência de fé extremamente conservadora, alienante, reacionária. Longe daquele cristianismo libertário idealizado por Jesus, que vendo a multidão faminta falara: “Tenho pena deste povo, porque é como ovelhas sem pastor” ou, senão, “eu vim para que todos tenham vida”.

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          Estão descaracterizando o evangelho de um Jesus que visava libertar os pobres das garras dos poderosos. Aliás, Jesus é enviado para anunciar a Boa Nova aos pobres, os prediletos de Deus, seu Pai.
             Hoje, o que importa é anunciar um Cristo milagreiro, que soluciona qualquer problema pessoal, que é capaz de promover riquezas, curas, bem-estar pessoal etc. Há uma verdadeira dosagem de alienação a partir do culto, da pregação da palavra e das músicas.
O culto ou a celebração gira em torno de louvores, orações prolongadas desvinculadas da vida sofrida do povo, aplausos, choros, lágrimas, pula pula, gritaria, chegando às vezes ao histerismo. Até diria que esses eventos ditos religiosos funcionam muito mais como terapia, como alivio de um espírito perturbado, estressado.
            As leituras bíblicas são lidas e interpretadas de modo bem adocicadas e alienantes, não levando em consideração o contexto social, econômico e politico do momento. Até diria que as mesmas são escolhidas de acordo com os problemas pessoais, funcionando mais como receita espiritual. O caminho para os seus problemas ou dificuldades está aqui. Siga esses versículos da Bíblia, e o resultado será positivo, quer na doença, nos problemas de finanças etc. É a interpretação intimista, subjetivista, rasteira, superficial,  fundamentalista, da palavra de Deus.
             As músicas, tão badaladas no rádio e na TV,nem se fala, são totalmente alienantes, voltadas mais para o emocionalismo, o subjetivismo. São verdadeiros anestésicos espirituais. São alheias à realidade do povo sofredor, injustiçado, excluído. São musicas desvinculadas do verdadeiro profetismo, não anunciam nem denunciam. Não evangelizam. Funcionam mais como sedativos espirituais. O pior é que fazem um sucesso danado. E toma fama e dinheiro.
            E o mercado religioso, hein? Será que para alguns, a religião cristã não se tornou fonte inesgotável de enriquecimento? Ora, como é notório, muitos usam indevidamente, irresponsavelmente, o nome de Jesus para ludibriar a consciência dos féis e, com isso, explorá-los financeiramente. É o mercado religioso funcionando a todo vapor. Há mercadoria para todo gosto.
            Não vai demorar para ser criado o banco do Senhor. Quem sabe, alguns ousados, metidos a cristãos, criarem o banco de Jesus com os seguintes dizeres: aqui o seu investimento tem retorno: milagres, curas, prosperidade, vida longa, felicidade e garantia de vida eterna. Invista em nome do Senhor Jesus.
             E o estrelato, hein? Quem conta ou aparece não é Jesus, o profeta do reino, mas o famoso, a “estrela”.  Agora virou moda. Quer ficar famoso, conhecido? Grave um cd, escreva livros (livros também alienantes), fale com elegância, use roupa especial, apareça na TV, e pronto. O sucesso está garantido.   Para isso, não falta marketing. A elite “caridosa” adora aplaudir esses líderes. Para ela, esses são os verdadeiros missionários de Deus.
            O que tem de gente religiosa famosa, brilhando nos palcos holofotizados, ganhando dinheiro à custa do nome de Jesus não é brincadeira. As suas músicas e pregações são alienantes, a-históricos. É um espiritualismo exacerbado fora de sério. O pior é que muita gente adora essas “estrelas” da religião.
Onde fica a fé libertadora, encarnada, historicizada? Onde, afinal, está o verdadeiro anúncio do Reino? O Reino que era o núcleo central de toda pregação de Cristo? Não há mais profetismo? O anúncio e a denuncia desapareceram? O Jesus histórico, libertador, não é mais referencial? Seu Evangelho de anuncio e libertação não vale para os tempos atuais?
        Uma coisa é certa: o Jesus profeta, libertador, desapareceu para dar lugar a um Jesus distante, insensível, apático, passivo, descompromissado, que não está nem aí com o clamor pungente dos sofridos e maltratados filhos de Deus. Logicamente, a burguesia, a elite, a classe dominante, só tem a bater palmas para esse cristianismo estéril, inócuo.
           Para os que estão descaracterizando o evangelho, vale estas palavras do grande teólogo da Teologia da Libertação, Padre Jon Sobrino, no seu livro Descer da Cruz: “Jesus morreu na cruz, não porque Deus exigia o seu sacrifício, mas “por anunciar a esperança aos pobres e denunciar seus opressores” (p.318)”.
Padre Djacy Brasileiro, em 20 de março de 2015.
Twitter: @Padredjacy

Papa adverte: “O mundo precisa de unidade e reconciliação; o cristão morda sua língua antes de difamar

papaMais de 80 mil fiéis lotaram a Praça São Pedro na manhã desta quarta-feira, 25 de setembro, para a Audiência Geral com o Papa Francisco. Em sua catequese, o Pontífice falou da Igreja “una”, como confessamos no Credo. “Se olharmos para a Igreja Católica no mundo descobrimos que ela compreende quase 3.000 dioceses espalhadas em todos os continentes. Mesmo assim, milhares de comunidades católicas formam uma unidade – unidade na fé, na esperança, na caridade, nos Sacramentos e no Ministério”.

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O Santo Padre ensinou que onde quer que esteja, “mesmo na menor paróquia no ângulo mais remoto desta Terra, há uma única Igreja; nós estamos em casa, somos uma família, estamos entre irmãos e irmãs. E este é um grande dom de Deus! A Igreja é uma só para todos. Não há uma Igreja para os europeus, uma para os africanos, uma para os americanos, uma para os asiáticos, uma para quem vive na Oceania, mas é a mesma em todos os lugares.”

Como exemplo dessa unidade, o Papa então citou a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro: “Naquela multidão sem fim de jovens na praia de Copacabana, ouviam-se falar tantas línguas, se viam tantos rostos com traços diferentes, e mesmo assim havia uma profunda unidade, se formava uma única Igreja”.

Francisco propôs um questionamento aos fiéis, se todos sentem e vivem esta unidade ou se privatizam a Igreja a um grupo, a uma nação ou a amigos. “Quando ouço falar de cristãos que sofrem no mundo, fico indiferente ou sinto-o como se sofresse um da minha família? É importante olhar para fora do próprio recinto, sentir-se Igreja, única família de Deus!”

Às vezes, constatou o Pontífice, surgem incompreensões, conflitos, tensões, divisões que ferem a Igreja. “Somos nós a criar dilacerações! E se olharmos para as divisões que ainda existem entre cristãos, católicos, ortodoxos, protestantes… sentimos a fadiga de tornar plenamente visível esta unidade. É preciso buscar, construir a comunhão, educar-nos à comunhão, a superar incompreensões e divisões, começando pela família, pelas realidades eclesiais, no diálogo ecumênico. O nosso mundo necessita de unidade, de reconciliação, de comunhão e a Igreja é Casa de comunhão. Antes de fazer intrigas, um cristão deve morder a própria língua.”

Papa Francisco, o motor da unidade da Igreja é o Espírito Santo, que faz a harmonia na diversidade. “Por isso é importante rezar”, concluiu Francisco: “Peçamos ao Senhor que nos faça cada vez mais unidos e jamais nos deixe ser instrumentos de divisão. Como diz uma bela oração franciscana, que levemos amor onde há ódio, o perdão onde há ofensa, união onde há discórdia”.

 

 

CNBB / RÁDIO VATICANO

Manifesto cristão pede aprovação de lei que prevê atendimento a vítimas de violência sexual

violencia_mulheresBiblistas, teólogas e teólogos de diferentes igrejas cristãs, integrantes de entidades religiosas divulgaram, nesta semana, um manifesto de apoio em que solicitam a sanção integral e imediata do Projeto de Lei Complementar (PLC 3/2013), que dispõe sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os signatários do documento também assumem o compromisso de participar do processo de informação e formação das mulheres sobre seus direitos reforçados no PL 3/2013 e de reforço de normas técnicas já existentes sobre o assunto nos aspectos de atendimento universal, integral e de qualidade à saúde ameaçada de mulheres e adolescentes vítimas de violência.

“A violência sexista existe como fenômeno estrutural e como marca na história de vida de milhões de mulheres. Presentes na academia, nas comunidades de leitura popular da Bíblia e nos mais variados espaços, convivemos com as realidades e as consequências persistentes dessa forma de violência. Identificamos múltiplos problemas que atualizam os mecanismos de violência: a desigualdade social, econômica e política se expressam em estruturas que naturalizam as formas diretas e indiretas de violência. Reconhecemos também que as religiões, e em especial a Bíblia têm sido usadas como imaginário cultural que legitima ou naturaliza os cenários domésticos e públicos de agressão”, assinala o documento.

A opinião dos signatários é que o exercício da interpretação bíblica, quando não feito de maneira fundamentalista, ajuda a manter o exercício da crítica em relação às respostas sociais disponíveis. Para eles, em qualquer idade e de modo universal a violência sexual deve ser prevenida com trabalho educativo e crítico aliado a conhecimentos científicos atualizados e com todas os instrumentos de tecnologia e políticas disponíveis em todas as situações necessárias de atendimento de emergência, monitoramento e reabilitação e o tratamento efetivo e dos impactos da violência sexual.

Assinam o manifesto entidades como Aliança de Batistas do Brasil, Centro de Estudos Bíblicos (Cebi), Católicas pelo Direito de Decidir e CLAI (Conselho Latino-Americano de Igrejas – Região Brasil). Outras 56 pessoas físicas, entre teólogos e teólogas, além de outras pessoas ligadas aos estudos bíblicos e às igrejas também assinam o documento.

 

Adital