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No Semiárido, agricultores criam técnicas para conviver com estiagem

“[A seca] é um fenômeno natural, que ocorre em muitas partes do planeta. A gente não pode viver se mudando, de lugar em lugar.”

Os períodos de estiagem prolongada no Semiárido brasileiro provocaram durante décadas a perda de rebanhos e lavouras e também contribuíram para o aumento do êxodo rural. Essa realidade, no entanto, está em processo de mudança. Técnicas adequadas de manejo, além de acesso e estocagem de água, têm garantido a permanência de famílias que vivem da agricultura em suas terras.

“[A seca] é um fenômeno natural, que ocorre em muitas partes do planeta. A gente não pode viver se mudando, de lugar em lugar.”

A conservação de grãos para ração animal, a captação da água da chuva e a perfuração do solo para a implantação de cisternas e de poços artesianos são algumas das ações adotadas para garantir uma convivência melhor com o clima seco.

“Seca, nós nunca vamos conseguir viver sem. Tem é que produzir, cuidar dos animais [mesmo com a estiagem]”, diz a agricultora Francisca Carvalho, de 41 anos, conhecida como Kika. Ela vive desde 1999 em um assentamento na Chapada do Apodi, perto do município de Apodi, no Rio Grande do Norte. Cresceu na região e sempre conviveu com a estiagem.

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“A seca de 1993 foi terrível. Meu pai tinha muita criação de caprinos e perdeu tudo. Uma roladeira [estrutura formada por latas com capacidade para 18 litros de água cada] de seis latas tinha que servir para uma família de seis pessoas. Tinha que dar para beber, tomar banho, cozinhar e dar para os animais”, lembra ela.

Segundo Francisca, a situação começou a melhorar um pouco depois da época em que ela foi assentada. Em 2000, o assentamento ganhou quatro cisternas de 16 mil litros cada. Hoje, de acordo com ela, dos 23 assentados, 12 têm poços em suas casas. Depois, algumas famílias também tiveram acesso à cisterna-enxurrada e à cisterna-calçadão, estruturas que captam água da chuva e têm capacidade para 52 mil litros.

Na cisterna-enxurrada, a água armazenada é para consumo humano. Na cisterna-calçadão, para irrigar a produção. A implantação das cisternas ocorreu com a ajuda da organização não governamental Articulação no Semiárido Brasileiro (Asa). A entidade, que recebe recursos do governo federal e de outros parceiros, fornece material e orientação para construir as estruturas.

O acesso a algumas técnicas também foi importante para ajudar Francisca e outros agricultores a enfrentar a seca. “Quando chegamos, tivemos várias capacitações do governo e de movimentos sociais”, diz ela, explicando que os assentados aprenderam a utilizar a técnica do silo, que consiste em armazenar o sorgo em um buraco na terra. Assim, a ração é conservada para a alimentação dos rebanhos.

“Recentemente [em 2010, 2012 e 2013] teve pouca chuva e a produção caiu, mas não perdemos rebanho. A gente conseguiu colher sorgo e fazer o silo”, diz Francisca, cuja família cria e planta para subsistência e eventualmente vende a produção excedente.

No caso do agricultor José Ivan Monteiro Lopes, de 34 anos, os poços artesianos foram o caminho para salvar a lavoura e manter o rebanho de gado. Ele perfurou dois poços no fim de 2012, um deles com recursos próprios e o outro com ajuda da organização não governamental Diaconia.

“A diferença [do poço artesiano em relação a outras soluções] é que ele chega a 40 metros de profundidade e tem muito mais água”, diz José Ivan, que vive em uma área rural perto da cidade de Tuparetama, em Pernambuco.

O agricultor conta que a forte estiagem em 2012 e 2013 o forçou a tomar a decisão de diminuir seu rebanho. De oito cabeças de gado, ele vendeu quatro com o intuito de ter menos animais para alimentar. Mesmo com as dificuldades, José Ivan acredita que a solução para os moradores do Semiárido é aprender a lidar com as particularidades da região. “[A seca] é um fenômeno natural, que ocorre em muitas partes do planeta. A gente não pode viver se mudando, de lugar em lugar.”

De acordo com dados divulgados pela Asa, o Semiárido abrange um território de 982,5 mil quilômetros quadrados. A área equivale a 18,2% do território nacional e a 53% da área do Nordeste. Seus moradores correspondem a 11% da população brasileira, o equivalente a 22,5 milhões de pessoas. Desse total, 14 milhões vivem na área urbana e 8,5 milhões são moradores da zona rural. Além disso, 1,5 milhão são agricultores familiares.

Fonte: Agência Brasil

Conviver com pessimistas pode torná-lo mais propenso à depressão

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Depressão e as emoções associadas a ela podem ser contagiosas. Esta é a conclusão de um novo estudo publicado na revista Clinical Psychological Science e divulgado no jornal Daily Mail. A pesquisa, realizada pela Universidade de Notre Dame, descobriu que pessoas que respondem negativamente a eventos estressantes, interpretando-os como resultado de fatores que eles não podem mudar e como um reflexo de suas próprias falhas, são mais vulneráveis à depressão. E que essa postura pode ser “contagiosa”.

 

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Segundo os médicos Gerald Haeffel e Jennifer Hames, essa vulnerabilidade parece se estabelecer durante o início da adolescência, mas pode se manter durante a vida adulta. A pesquisa investigou ainda se essa propensão seria “contagiosa” durante os períodos de grande transição, como na entrada na universidade. Para isso, os pesquisadores acompanharam 206 companheiros de quarto que haviam acabado de iniciar o primeiro ano de faculdade.

 

Os resultados revelaram que os alunos que tinham companheiros com altos níveis de vulnerabilidade cognitiva eram suscetíveis a “pegar” esse estilo, desenvolvendo uma propensão à depressão. O inverso também era verdadeiro. Aqueles com companheiros de quarto sem propensão à depressão experimentaram uma redução em seu próprio nível de negativismo.

 

Os alunos que desenvolveram um aumento no pensamento depressivo nos primeiros três meses de faculdade, tinha quase o dobro do nível de sintomas depressivos em seis meses do que aqueles que não apresentaram esse aumento. Segundo Gerald, o estudo é uma forte evidência da teoria do contágio.

 

Para os especialistas os resultados sugerem que alterar o ambiente de uma pessoa pode ser usado uma parte de um tratamento para a depressão, porque a vulnerabilidade de uma pessoa varia ao longo do tempo. “Nosso estudo demonstra que a vulnerabilidade cognitiva tem o potencial de aumentar e diminuir ao longo do tempo, dependendo do contexto social. Isso significa que ela deve ser pensada ​​como mutável, em vez de estática”, defende Gerald.

 

 

 

Terra

“Precisamos de políticas públicas para conviver com a Seca”, afirma secretário

O secretário da Casa Civil, Adriano Galdino (PSB), falou sobre as medidas tomadas pelo Governo Estadual, em relação a Seca.

Adriano ressaltou que o Governo Federal deveria criar o “ministério de convivência com a seca”, pois frisou que devem ser criadas políticas públicas para ajudar a amenizar o problema.

– Temos que fazer politicas planejadas para que possamos conviver e executar todo o ano com a seca. O Governo do Estado já tomou várias medidas para amenizar as consequências que a seca causou. Além de termos feito a compra de ração, distribuímos carros pipas, construção de barragens, entre outras obras. Porém, o abastecimento de água está sob a responsabilidade do Exercito, que faz um serviço mais caro do que as prefeituras e atende menos pessoas – elucidou ele.

As declarações repercutiram na Rádio Caturité AM, nesta segunda-feira (24).

paraibaonline