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Índios fecham Esplanada e entram em conflito com PM em ato por demarcação

Indígenas acampados em Brasília fecharam a Esplanada dos Ministérios durante uma marcha até o Congresso Nacional, na tarde desta terça-feira (25). A caminhada começou às 15h. Por volta das 15h30, os índios desceram correndo o gramado em frente ao Congresso e foram impedidos por policiais da Tropa de Choque de acessar a entrada que dá acesso à Câmara e ao Senado.

Policial e índio apontam armas, um contra o outro, durante protesto por demarcação de terras indígenas, em Brasília (Foto: REUTERS/Gregg Newton)

Policial e índio apontam armas, um contra o outro, durante protesto por demarcação de terras indígenas, em Brasília (Foto: REUTERS/Gregg Newton)

De acordo com a Polícia Militar, 2 mil índios participaram da manifestação. A organização do ato fala em 3,4 mil. A PM usou bombas de gás, balas de borracha e spray de pimenta para impedir que os manifestantes seguissem em direção ao prédio. Em resposta, indígenas atiraram flechas contra os militares e em direção ao Congresso.

A Polícia Militar usou bombas de gás para dispersar uma manifestação de índios em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, nesta terça-feira, 25. (Foto: Dida Sampaío/Estadão Conteúdo)

A Polícia Militar usou bombas de gás para dispersar uma manifestação de índios em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, nesta terça-feira, 25. (Foto: Dida Sampaío/Estadão Conteúdo)

Mais numerosos do que os policiais, os manifestantes conseguiram furar o bloqueio e começaram a pular dentro do espelho d’água. Caixões de papel foram jogados no gramado e também na água. O grupo protesta contra o governo do presidente Michel Temer e reivindica o avanço na demarcação de terras indígenas.

Índios fecham Esplanada e entram em conflito com PM em ato por demarcação (Foto: Marília Marques/G1)

Índios fecham Esplanada e entram em conflito com PM em ato por demarcação (Foto: Marília Marques/G1)

Índios de diferentes etnias estão reunidos em Brasília para a 14ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL). O objetivo é pedir mais respeito à natureza e à demarcação de terras. O evento é promovido pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e deve se estender até a próxima sexta-feira (28).

Por volta de 16h, um pequeno grupo de manifestantes chegou a descer a rampa em direção à chapelaria do Congresso – rota de passagem para visitantes e parlamentares –, mas subiu novamente sem conseguir acessar a parte interna do prédio.

Policial com flecha indígena durante protesto (Foto: Polícia Militar/ Divulgação)

Policial com flecha indígena durante protesto (Foto: Polícia Militar/ Divulgação)

Por diversas vezes, mulheres que participavam do ato tentaram formar um cordão humano em torno do gramado central da Esplanada, na área próxima ao Congresso. O grupo foi impedido pela PM. Segundo os manifestantes, uma mulher ficou ferida e quatro índios foram presos.

Índios fecham Esplanada e entram em conflito com PM em ato por demarcação (Foto: Marília Marques/G1)

Índios fecham Esplanada e entram em conflito com PM em ato por demarcação (Foto: Marília Marques/G1)

No auge do confronto, os dois sentidos da Esplanada chegaram a ser interditados. Por volta das 16h30, os índios ainda bloqueavam o trânsito no sentido Congresso-Rodoviária do Plano Piloto, mas as faixas na direção contrária estavam liberadas para veículos.

O ato surpreendeu motoristas que passavam pelo local. “Estava indo buscar um passageiro mas me pararam aqui. Eles fecharam a pista, mas tem um cliente me esperando no Supremo [Tribunal Federal]”, disse o taxista Gilberto Ramos.

Indígenas marcham no Eixo Monumental, em Brasília, e pedem maior demarcação de terras (Foto: Marília Marques/G1)

Indígenas marcham no Eixo Monumental, em Brasília, e pedem maior demarcação de terras (Foto: Marília Marques/G1)

A manifestação terminou às 18h. As vias foram liberadas e os indígenas voltaram para o acampamento montado em uma área próxima ao Teatro Nacional, onde pretendem ficar até o fim da semana.

G1

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Farc e governo da Colômbia assinam acordo de paz após 52 anos de conflito

Agência Lusa/EPA, Ricardo Maldonado/Direitos Reservados
Agência Lusa/EPA, Ricardo Maldonado/Direitos Reservados

O acordo de paz entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) acaba de ser assinado em Cartagena das Índias. O evento reuniu autoridades e chefes de Estado de todo mundo em uma cerimônia de mais de duas horas. Todos os presentes estavam vestidos de roupas brancas, a cor símbolo da paz.

A paz na Colômbia chega após mais de três anos de negociações entre representantes do governo e rebeldes em Havana, capital de Cuba. O acordo põe fim ao último conflito armado da América Lantina e um dos mais longos da história latina. De acordo com a Agência de NotíciasAnsa, o papa Francisco é considerado uma das peças-chave da negociação do acordo de paz.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou que o acordo de paz é a “melhor notícia em meio de um mundo convulsionado pela guerra e violência”. Santos destacou ainda que o as Farc seguirão como movimento político, sem uso de armas. “Trocar as armas por ideias: foi a decisão mais valente, mais inteligente”.

“O que assinamos hoje é uma declaração do povo colombiano para o mundo de que não aceitamos a guerra para defender nossas ideias. Não mais guerras. Não mais a violência, que gerou pobreza e desigualdade em campos e cidades e que tem sido um freio ao desenvolvimento da Colômbia”.

O líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, ressaltou que o acordo foi assinado de forma unânime entre os 207 guerrilheiros que debateram o documento durante a 10ª Conferência da guerrilha, realizado na cidade de El Diamante, sudeste colombiano.

“Esse é o dia que renascemos para entrar numa nova era de construção de paz. Que ninguém duvide que vamos hastear a política sem armas.Preparemos todos para desarmar as mentes e os corações. A chave está na implementação desse acordo e o povo colombiano será o principal responsável por garantir que nós vamos cumprir e esperamos que esse governo cumpra”, acrescentou Londoño.

“Que Deus bendiga a Colômbia. Acabou a guerra, estamos começando a fazer a paz”, completou o líder das Farc.

Após a assinatura, o povo colombiano irá às urnas no próximo domingo, 2 de outubro, para referendar o documento assinado entre governo e Farc. Pesquisas de opinião apontam que a maioria dos colombianos é favorável ao pacto de paz.

*Com informações da Ansa Brasil 

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Policial é atingido por tiro de raspão durante conflito em João Pessoa

(Foto: Walter Paparazzo/G1)
(Foto: Walter Paparazzo/G1)

Um policial militar foi baleado em uma troca de tiros entre policiais e suspeitos de tráfico de drogas no final da tarde desta segunda-feira (25), no bairro do Padre Zé, em João Pessoa. De acordo com a Polícia Militar, a equipe estava averiguando o local por suspeita de tráfico de drogas. Os primeiros socorros foram realizados pelos policiais que estavam no local.

Segundo a PM, os policiais encontraram uma casa onde havia supeita de tráfico. Na troca de tiros, um policial foi atingido com um tiro de raspão. A polícia informou que os dois tiros efetuados contra a equipe do policial foram disparados de uma calabina calibre 12, que foi apreendida.

A ocorrência ainda está em andamento e a polícia continua em busca do suspeito. Estão presentes no local equipes da Força Tática, da Rotam, do policiamento preventivo do 1º Batalhão da Polícia Militar e também equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

G1 PB

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Coronel Euller nega ‘corpo mole’ da PM e destaca: ‘na PB não morreu nenhum policial’ por conflito com bandidos

coronel-eullerO comandante da Polícia Militar na Paraíba, Coronel Euller Chaves, negou que a Polícia esteja fazendo ‘corpo mole’ e destacou a quantidade de armas apreendidas de 2011 até agora. Além disso, o coronel apontou a ‘guerra’ entre polícia e ‘bandidos’ travada em estados como o Rio de Janeiro e Bahia, destacando que na Paraíba nenhum policial foi morto.

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Em entrevista ao Sistema Arapuan de Comunicação, Chaves questionou ‘como as instituições estariam de corpo mole apreendendo 10 mil armas em pouco mais de três anos? Pelo contrário, há um processo motivacional’, destacou apontando os investimentos do governador Ricardo Coutinho (PSB) em logística e recursos humanos, com premiações que dão ao policial mais segurança para trabalhar.

Chaves lembrou as notícias nacionais que apontam a guerra entre policiais e bandidos em estados como Rio de Janeiro e a Bahia, este último, o comandate afirmou que foram 27 policiais mortos em conflito. “Pergunte quantos foram na Paraíba? Zero”, conta.

Para o coronel, esse dado reflete ‘claramente’ que estamos no ‘caminho certo’.

Marília Domingues

Campinense é punido com perda de dois mandos de campo e multa de 20 mil por conflito de torcida no jogo contra o Central

torcidaO que a comissão técnica, diretoria, jogadores e torcida da Raposa temia se confirmou. Mais uma vez o Campinense foi punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) com a perda de dois mandos de campo e multa de R$ 20 mil. Desta vez o rubro-negro foi penalizada devido os incidentes entre as torcidas do time raposeiro e do Central, em jogo realizado em 27 de julho. O Central de Caruaru, mandante do jogo também sofreu a mesma punição. O julgamento aconteceu na tarde desta terça-feira (05).

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Esta é a segunda punição consecutiva na quarta divisão em que o time se complica por causa de seus torcedores. Em 2012, em sua última participação na Série D, o time já tinha sido punido no jogo final. Por conta desse incidente, o Campinense jogou no sábado a primeira partida em “casa” na Série D de 2014 contra Jacuipense no estádio O Almeidão em João Pessoa. Ao saber da nova punição, o presidente do rubro-negro Willian Simões autorizou o departamento jurídico a recorrer da decisão do STJD.

O confronto entre torcedores do Campinense e do Central de Caruaru aconteceu no último dia 27 de julho, no Estádio Lacerdão, em Caruaru, na partida que marcou a estreia da Raposa na Série D deste ano. Um torcedor centralino ficou ferido e precisou ser levado ao hospital para receber atendimento médico. Por conta dessa confusão, o jogo, inclusive, ficou parado por mais de 20 minutos, porque a ambulância que levou o ferido ao hospital precisava retornar ao campo para que a partida tivesse sequência. No final do jogo, que terminou com empate por 1 a 1, o árbitro sergipano Michael Vinícius relatou na súmula os incidentes que aconteceram entre as torcidas.

Mesmo com a punição, o presidente William Simões, garantiu que a partida entre Campinense e Baraúnas-RN está confirmada para o próximo domingo no estádio O Amigão. Isso porque, o pleno do STJD tem um prazo de 20 dias para julgar o recurso. a A CBF divulgou nesta terça-feira a escala de arbitragem para o jogo contra o Baraúnas, e confirmou a partida para Campina Grande.Wiliam Simões ainda acredita que o departamento jurídico da Raposa poderá reduzir a pena. A Raposa ocupa a segunda posição do Grupo A-3 do Campeonato Brasileiro da Série D, com dois pontos em dois jogos disputados.

Severino Lopes 

PBAgora

Conflito em Gaza já matou 392 crianças, diz Unicef

Crianças palestinas são vistas em caminhão ao deixarem suas casas durante bombardeio israelense em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, em 24 de julho (Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters)
Crianças palestinas são vistas em caminhão ao deixarem suas casas durante bombardeio israelense em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, em 24 de julho (Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters)

Os bombardeios do Exército de Israel em Gaza deixaram 392 crianças mortas e 2.502 feridas, segundo a Unicef, que calcula em 370 mil o número de menores que necessitam urgentemente de ajuda psicológica.

“A ofensiva teve um impacto catastrófico e trágico nas crianças. Se levarmos em conta o que estes números representam para a população de Gaza, é como se tivessem morrido 200 mil crianças nos Estados Unidos”, afirmou Pernille Ironside, chefe da Unicef em Gaza, segundo a EFE.

Nesta terça-feira (5), Israel anunciou a retirada de suas tropas da cidade de Gaza para posições defensivas, 15 minutos antes do cessar-fogo de 3 dias proposto pelo Egito e aceito por israelenses e as facções palestinas, incluindo o Hamas, entrar em vigor.

Ironside ressaltou que não há eletricidade e que os sistemas de água potável e saneamento não funcionam, por isso o perigo de doenças transmissíveis e de diarreia -que pode ser fatal em menores de cinco anos- é iminente.

“É preciso se levar em conta o tamanho da Faixa de Gaza, são 45 quilômetros de comprimento por entre seis e 14 de largura. Não há uma só família que não tenha sido diretamente afetada por alguma perda”, disse.

“A destruição é total. Usaram armamentos horríveis que provocam terríveis amputações. E isto se passou na frente dos olhos das crianças, que viram morrer seus amigos e seus pais”, afirmou a funcionária.

Por isso a Unicef calcula que 370 mil crianças necessitarão ajuda psicológica para superar o trauma.

“Levemos em conta que uma criança que tem sete anos já passou por três ofensivas, a de 2008-2009, a de 2012 e a de agora. Imaginem o impacto que isso pode ter tanto nas crianças menores como nas quais já entendem o que isso significa”, afirmou.

Os bombardeios israelenses afetaram 142 escolas em Gaza, incluídas 89 da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), enumerou Ironside, que lembrou os ataques diretos a três colégios da ONU.

Um soldado israelense faz sinal de vitória a bordo de seu tanque perto da fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza (Foto: Thomas Coex/AFP)Um soldado israelense faz sinal de vitória a bordo de seu tanque perto da fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza (Foto: Thomas Coex/AFP)

Cessar-fogo
Começou às 8h desta terça-feira (5) – 2h em Brasília – a trégua de três dias proposta pelo Egito e aceita por Israel e facções palestinas, incluindo o Hamas, na Faixa de Gaza, após uma intensa pressão internacional para acabar com um conflito – que em 29 dias, deixou quase 1.900 mortos no território palestino.

Quinze minutos antes do início do cessar-fogo, as tropas israelenses anunciaram a saída das tropas que haviam entrado em Gaza para a operação destinada a acabar com o lançamento de foguetes do Hamas e destruir os túneis usados pelos islamitas para infiltrar-se em território israelense.

“As forças de defesa de Israel serão redistribuídas em posições defensivas fora da Faixa de Gaza. Vamos manter essas posições defensivas”, disse o tenente-coronel e porta-voz do Exército Peter Lerner, segundo a France Presse.

As duas partes demonstram determinação em prosseguir com os combates quase até o momento do início do cessar-fogo, às 8h.

As sirenes soaram em Jerusalém, Tel Aviv e nas regiões central e sul de Israel para uma última salva de 16 foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza. Um projétil atingiu uma casa palestina perto de Belém (Cisjordânia), sem provocar vítimas, segundo testemunhas.

A aviação israelense realizou pelo menos cinco bombardeios na Faixa de Gaza, que não provocaram mortos nem feridos, antes do início da trégua, segundo correspondentes da AFP.

Esta é a segunda trégua de 72 horas que as duas partes decidem respeitar nos últimos quatro dias. A anterior, em 1º de agosto, negociada com mediação dos Estados Unidos e da ONU, durou apenas 90 minutos e terminou com um banho de sangue.

g1

Torcedores entram em conflito com atletas do Palmeiras na Argentina

Imagem reprodução TV Globo
Imagem reprodução TV Globo

O clima ruim no Palmeiras após a derrota para o Tigre na Argentina na noite desta quarta-feira ficou ainda pior nesta quinta. No embarque da delegação alviverde na cidade de Buenos Aires com destino a São Paulo, torcedores da Mancha Verde entraram em conflito com os atletas no saguão do Aeroparque Jorge Newbery.

Insatisfeitos com o desempenho da equipe na partida válida pela terceira rodada do Grupo 2 da Taça Libertadores da América, membros da Mancha Verde foram ao local protestar e acabaram brigando com seguranças e jogadores do Palmeiras. O alvo dos torcedores era o meia Valdivia, que estava em uma lanchonete do local. Após discussão, copos voaram para todos os lados e o chileno teve de ser protegido pelos companheiros. Wesley também foi bastante cobrado pelos mais exaltados.

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Fernando Prass, com um ferimento na orelha por causa dos estilhaços de vidro, teve de receber atendimento no aeroporto. Um torcedor, que também esteve envolvido nas confusões recentes com os jogadores João Victor e Fabinho Capixaba, estava no local.

Apesar da confusão, a delegação alviverde conseguiu embarcar e tem chegada prevista em São Paulo para o início da tarde. Com três pontos na Libertadores, o Verdão ocupa a terceira colocação da sua chave, empatado com o Tigre, o quarto colocado. O Libertad, do Paraguai, é o líder com sete pontos, seguido pelo Sporting Cristal, do Peru, com quatro. No domingo, o time do técnico Gilson Kleina volta a campo para encarar o São Paulo, às 16h no Morumbi, em partida válida pela 11ª rodada do Campeonato Paulista.

 

 

Globoesporte.com

Analista afirma que os Kirchner preferem conflito como forma de governo

Na avaliação de Maria Esperanza, Néstor e Cristina garantiram com o enfrentamento a principal conquista desde 2003 (Foto: Casa Rosada)

Agentes e presidentes da ditadura, Poder Judiciário, produtores rurais, Grupo Clarín: a lista de gente incomodada com os Kirchner cresce sem parar de 2003 até hoje, e não se resume a quatro ou cinco nomes. Se no começo a busca pelo conflito foi intuitiva, hoje é racional, avalia a analista política Maria Esperanza Casullo, professora de las universidades de Rio Negro e Di Tella, em Buenos Aires.

“O maior problema da democracia argentina de 1983 para cá foi a fraqueza do poder político, a debilidade em construir autonomia em relação ao poder econômico”, afirma, em entrevista à RBA. “Este, para mim, é um dos maiores avanços dos dez anos de kirchnerismo. Conseguiu-se construir uma maior autonomia do poder político, Executivo e também do Legislativo, com respeito aos grupos empresariais.”

A conversa foi realizada em meio à tormenta entre governo, Judiciário e Clarín em torno da Lei de Meios. O maior grupo midiático do país conseguiu em 6 de dezembro a extensão da liminar que venceria no dia seguinte, e que o desobriga de cumprir com os mecanismos de desconcentração do controle das emissoras de rádio e televisão. Uma semana depois, vitória da Casa Rosada, com decisão judicial pela constitucionalidade da legislação. Mas, após três dias, nova sentença pró-Clarín, que recuperou a validade da liminar que o ampara.

Para a analista, nada que chegue a atrapalhar Cristina Fernández de Kirchner, já que ajuda a mostrar que o governo não ostenta o poder desmedido de que lhe acusam alguns meios de comunicação. “A sociedade argentina é antihegemônica, não gosta em geral de uma acumulação de poder”, argumenta. “A este governo convém ter um mecanismo de construção de poder mais amena frente à sociedade, e não passar a impressão de que tem um poder tão frontal.”

Confira a seguir trechos da entrevista concedida à RBA.

Como se analisa o conflito entre governo, Judiciário e Clarín?

De 1983 até aqui se avançou muito na construção do Poder Legislativo, no Executivo, mas o poder que não está sujeito à luz do público é o Judiciário. E as relações do Poder Judiciário com os sucessivos governos e, mais que nada, com grupos empresariais sempre existiram, mas ninguém falava disso. É a primeira vez que se tematiza essa relação. Um dos juízes que está no caso Clarín foi recusado porque foi a férias pagas de 15 dias a um hotel luxuoso pagas pelo Clarín.

A Justiça na Argentina é um poder que vem há muitos anos em um sistema muito corporativo, é um poder que não gosta de ser apertado pelo governo de turno. Não gosta de ser pressionado. E tem diversos laços com grupos empresariais. É isso que atuou neste caso.

Há também um erro do governo em avançar do conflito com o Clarín ao conflito com a Justiça. Embora também seja difícil pensar em não antagonizar-se com eles porque se tem um juiz que vai de férias pago pelo Clarín, como fazer? Além disso, é um governo que tende a ser muito frontal.

A senhora escreveu que este é um governo que gosta do conflito. Não só não foge como o procura. Esta foi uma postura intuitiva ou racional?

Em algum momento foi intuitivo. Em outro momento foi racional. O maior problema da democracia argentina de 1983 para cá foi a fraqueza do poder político, a debilidade em construir autonomia em relação ao poder econômico. Raúl Alfonsín tentou fazer isso na década de 1980 com um governo relativamente de esquerda. Os atores econômicos e empresariais perderam rapidamente a confiança no governo, houve uma crise inflacionária. Durante o menemismo houve estabilidade, mas, bom, não houve autonomia do governo em relação aos setores econômicos. Foi uma paz social ao custo de que o governo se rendesse a todas as políticas do setor empresarial.

Este, para mim, é um dos maiores avanços dos dez anos de kirchnerismo. Conseguiu-se construir uma maior autonomia do poder político, Executivo e também do Legislativo, com respeito aos grupos empresariais. Não se pode esquecer que Clarín não é apenas um meio de comunicação. É um dos grupos empresariais mais importantes da Argentina. Tem o principal distribuidor de sinal de TV a cabo, controla Papel Prensa, foi sócio de Goldman Sachs e fez operações muito complexas no mercado financeiro. Não é só um enfrentamento com um diário.

Nesta série de enfrentamentos o governo aprendeu que uma das principais cartas é administrar o fator-surpresa. Este governo não tem vazamento de informações. Anuncia a estatização de YPF e até o dia anterior ninguém sabia. A outra é que todos os atores econômicos e sociais do país sabem que se você enfrentar o governo, o governo vai para cima. Então é muito complicado que os diferentes atores assumam os custos deste acirramento. É muito provável que enfrentando o governo se saia destruído. Então, esta dureza é muito racional.

Para o governo, quais os limites deste conflito? Em qual contexto isso deixa de funcionar?

Os limites são dois. Os primeiros são os que são colocados pelas instituições que na Argentina funcionam. Não estou definitivamente de acordo com essa ideia de que há um atropelo institucional. Em 2008 o Senado votou contra o governo a Resolução 120 [que aumentava os impostos sobre as agroexportações. Aí há um limite. O outro limite é social. Ou seja, quando a sociedade se cansa da escalada de conflito ou vê que se passou uma fronteira tolerável do que é construir o poder.

A pergunta vital no caso da Lei de Meios é se a Corte Suprema vai dizer se é constitucional ou não. O melhor cenário para o governo é que a Corte Suprema diga que é. Se isso ocorre, obviamente estamos pensando em um processo de dois, três, cinco anos em que o Clarín vai fazer recursos de absolutamente tudo que possa. Mas, se a Corte diz que é constitucional, todo o resto é secundário.

Agora, se a Corte diz que é inconstitucional, seria o primeiro exemplo de que tenho memória de 1983 para cá de que o Judiciário diz para deixar para trás uma lei consolidada. Todos os grupos, salvo o Clarín, já manifestaram por escrito o cumprimento da lei. Isso seria um limite muito claro e uma situação de crise institucional inédito.[bb]

A outra questão é que há um cansaço social muito grande que não sei como se expressaria. Provavelmente uma derrota nas eleições legislativas no ano que vem.

Atente para o fato de que não estou citando os partidos de oposição. Eles hoje não têm condições de colocar limites ao governo. São os outros poderes, ou a sociedade.

Depois do fracasso nas eleições presidenciais do ano passado, esperava-se um novo discurso e uma nova liderança. Mas são os mesmos de sempre.

Faz meses que venho publicando artigos sobre isso. Não é que eu tenha a bola de cristal, mas é evidente que a oposição vem fechada no microclima do Clarín, falando dos temas que interessam ao Clarín e que não interessam à sociedade. A oposição precisa encontrar um discurso econômico, que expresse claramente uma alternativa econômica ao governo. O tema central é o econômico. Clarín é secundário aos temas reais do país, que são outros, são o crescimento, o emprego, os impactos da crise internacional, a inflação. É articular um discurso que fale diretamente à sociedade e que seja menos “governocêntrico”, ou seja, que deixe de comentar o tempo inteiro o que está fazendo o governo. Não falam à sociedade. Este é o grande desafio que tem a oposição daqui até 2015.

Parece que Maurício Macri e Hermes Binner querem fazer um discurso de que o kirchnerismo teve seu lugar, teve dez anos, e agora é um governo que já foi, passou. Que é preciso pensar como se segue adiante, pensando os problemas de agora. E deixar de discutir se o kirchnerismo é satânico ou não. Se os Kirchner vão para casa amanhã, o país já mudou, não poderá voltar aos anos 1990. Em algum sentido é parecido ao que vimos na última campanha do PT no Brasil: a dúvida entre criticar um governo e dizer que se pode fazer melhor que um governo bem avaliado. Isso é o que não conseguem articular.

O interessante da Argentina é que, ainda que existam figuras relativamente novas, como Binner, acabam tragadas. Centrados em um discurso sobre temas institucionais, sobre ameaças à República. São discursos que não têm ressonância na sociedade porque a sociedade não entende que haja ameaças à República. A sociedade está preocupada com a inflação, com a manutenção dos salários em um contexto de crise econômica. A sociedade fica nervosa com os trens, que são lentos, com as tarifas de eletricidade. O povo votou em Cristina em 2011. Então, dizer que este é um governo totalitário é o mesmo que chamá-los de estúpidos. Este é o grande desafio.[bb]

Note-se que as principais figuras políticas não se meteram no conflito com o Clarín. Os que criticam são figuras marginais. Se eu fosse Binner, Macri ou qualquer político com pretensões de chegar ao poder central estaria feliz e agradecido com que o kirchnerismo rompa o grupo monopólico. O presidente que governe depois deste conflito vai governar com um fator de pressão menos. O Clarín é um fator de pressão impressionante. Antes de votar qualquer lei, apareciam no Congresso assessores de Clarín escolhendo a pauta de votação e oferecendo recompensas e ameaças.

Os panelaços de novembro, como interpretá-los? O que estava expressado aí?

Foram algo muito interessante do ponto de vista da sociologia política. Expressam diferentes coisas. Para mim expressa sobretudo que há um grupo social na Argentina que é profundamente antikirchnerista e que não tem representação política. Se este pessoal tivesse alguém que falasse com eles, seguramente não teriam saído de casa.[bb]

Isso me faz lembrar o que foi o final do menemismo na década de 1990. Quando apareceu o Frepaso, a figura de Chacho Álvarez, que era um pouco a voz que representava os setores de classe média urbanos, ele falava por esses setores. Este pessoal hoje não tem quem fale por eles.

Ao mesmo tempo o panelaço manifesta um rechaço a certas medidas do governo, especialmente de caráter econômico, sobretudo do dólar, que na Argentina é uma questão muito profunda. A poupança, uma questão simbólica, o dólar é um horizonte de desejo muito forte para a classe alta, a classe média e a classe média-baixa. A mim chamou atenção que não houvesse mais manifestações frente à decisão do governo de controlar o mercado do dólar. Nem tanto pelo impacto econômico, mas porque os argentinos economizam em dólares há pelo menos 40 anos. É o que permite viajar ao exterior, sentir-se parte do mundo.[bb]

redebrasilatual

TSE: 14,6 mil presos provisórios e jovens em conflito com a lei podem votar em outubro

Nas eleições municipais do próximo dia 7 de outubro, 14.671 presos provisórios e jovens em conflito com a lei poderão votar para prefeito e vereador em 22 estados. São Paulo, o Amazonas e a Bahia têm os maiores números desses eleitores. No total, serão 207 locais de votação em presídios e centros socioeducativos de todo o país, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A votação de detentos é organizada pelos tribunais regionais eleitorais (TREs) em parceria com as secretarias estaduais de Segurança Pública. O direito dos presos provisórios e dos jovens de votar está garantido na Constituição Federal, no Artigo 15.

Os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas, que estão em idade de votar e têm o título de eleitor, poderão escolher seu candidato. A medida vale para quem é maior de 16 anos e menor de 18. Porém, para esses eleitores será organizada uma estrutura diferenciada.

No caso dos menores, as medidas envolvem questões de segurança, a formação de mesas eleitorais em presídios e em entidades de internação de adolescentes, além da convocação de mesários preparados para esse tipo de atendimento.

Para essas votações envolvendo jovens em conflito com a lei os mesários serão indicados pelos juízes eleitorais. As pessoas serão escolhidas nos departamentos penitenciários, entre os representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Defensoria pública, vinculados ao atendimento dessas necessidades.

Agência Brasil

Adolescentes em conflito com a lei: seminário discute desafios para um jornalismo de qualidade

A realidade vivida pelos adolescentes em conflito com a lei será o foco de debate do Seminário Direitos em Pauta, entre os dias 22 a 24 de maio, no hotel Kubitschek Plaza, em Brasília (DF). O encontro reunirá 240 participantes, entre profissionais e estudantes de comunicação e especialistas brasileiros e latino-americanos.

A abertura do evento, que tem como tema: Imprensa, Agenda Social e Adolescentes em Conflito com a Lei, acontecerá às 15h do dia 22 maio no Espaço Cultural Ecco, com a palestra da psicóloga e cineasta Eliane Caffé, diretora do filme Narradores de Javé, e uma exposição de fotografias produzidas por jovens de vários estados do Brasil.

Um dos objetivos é identificar parâmetros que balizem a construção de um noticiário ético, pautado pela investigação de políticas públicas. A temática, além de polêmica, enfrenta graves obstáculos para conquistar espaço qualificado na esfera pública de discussões.

O evento é realizado pela ANDI – Comunicação e Direitos em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, contando com patrocínio da Petrobras e apoio do Instituto Camargo Corrêa.

Durante o evento, serão lançadas duas publicações realizadas a partir de parceria estabelecida entre a ANDI e a SDH: o manual “Adolescentes em conflito com a lei: Guia de referência para a cobertura jornalística” e o estudo “Direitos em Pauta: Imprensa, agenda social e adolescentes em conflito com a lei – uma análise da cobertura de 54 jornais brasileiros entre 2006 e 2010”.

Fonte: Equipe ANDI