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Catador encontra R$ 50 mil e devolve ao dono

catadorUm catador de recicláveis de Iporã, no noroeste do Paraná, encontrou R$ 50 mil no meio de um caderno jogado na rua. Ao descobrir o dinheiro, a primeira coisa que Antônio Garcia do Prado fez foi ir até uma emissora de rádio local para divulgar o achado e tentar encontrar o dono.

Prado conta que só foi ver o dinheiro dentro do caderno quando chegou em casa à noite. “Do jeito que eu achei ele [o caderno], eu só juntei, coloquei dentro do carrinho e fui embora”. Quando viu a quantia, em cheques e notas, o catador ficou surpreso. “A gente se sente surpreso porque eu achei que não tinha nada. A gente se assusta um pouco”, afirma.

Embora receba apenas cerca de R$ 20 por dia, Prado disse que jamais pensou em ficar com o dinheiro que encontrou. No dia seguinte, ele foi até a rádio local para localizar o dono do dinheiro.

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O radialista de imediato divulgou a notícia e o dono do valor logo apareceu. O empresário Amauri Rodrigues contou que esqueceu o caderno com o dinheiro em cima do carro e quando saiu com o veículo, perdeu. “Em cima do carro só poderia cair. Cabeça cheia, descuido… Nem imaginava que eu tinha perdido”, explica.

Mais do que ter de volta o dinheiro perdido, a surpresa de Rodrigues foi mesmo encontrar alguém tão honesto quanto Prado. “Fiquei muito emocionado. Uma pessoa honesta, que me devolveu tudo, ele não ficou com nenhum centavo, me devolveu tudo”, ressalta.

“Me sinto realizado de ter achado o dinheiro e o dono”, garante. “Precisa ter mais gente assim”, concluí Rodrigues, que em agradecimento recompensou o catador com um valor em dinheiro.

G1

Solidariedade faz Natal de catador de latas ser inesquecível em Cabo Frio

solidariedadeO Natal de 2013 vai ser inesquecível para o catador de latinhas Marinô Pascoal de Melo, de 45 anos, morador de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. Há quatro meses vivendo a incerteza de quem perdeu todas as economias, ele agora pode voltar a sorrir. Após todo o dinheiro que tinha guardado em uma mochila no quarto ser furtado pelas próprias sobrinhas, de 13 e 14 anos, acompanhadas de uma amiga de 14 anos e da mãe da amiga, Marinô viu uma grande mobilização se formar em torno de seu sofrimento. O resultado desta rede de solidariedade foi uma surpresa para ele e a mãe, Neide Pascoal de Melo, de 76 anos. Ao conferirem o extrato do banco na sexta-feira (20), eles tiveram a boa notícia: agora Marinô tem quase R$ 43 mil em sua conta no banco.

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“Nem sei o que dizer. Quero apenas agradecer a tantas pessoas que me ajudaram”, disse ele, ao lado da mãe, ao ver o saldo da conta.

Extrato Marinô (Foto: Tomás Baggio/G1)Extrato da conta mostra os depósitos da campanha e
o saldo atual (Foto: Tomás Baggio/G1)

A história do homem simples que juntou
R$ 28 mil em casa e teve o dinheiro furtado comoveu moradores de Cabo Frio e internautas de todo o país. Marinô tinha o sonho de comprar um imóvel para alugar e viver com a renda. Ele é deficiente físico, mora com a mãe e economizou quase tudo o que ganhava como catador de latinhas e guardador de carros ao longo de dez anos. O dinheiro ficava em uma mochila guardada no armário do quarto, mas ao procurá-lo para pagar a quitinete de R$ 25 mil que decidiu comprar, Marinô deu conta do sumiço do dinheiro.

A campanha na web tinha o objetivo de devolver toda a quantia e fazer com que ele pudesse adquirir o imóvel desejado. A organizadora da campanha, Fabiana Andrade, chegou a viajar 580 Km de Baependi, em Minas Gerais, até Cabo Frio para conhecer Marinô e a família. O saldo desejado foi preenchido por meio de financiamento coletivo em aproximadamente dois meses. Mas, segundo Fabiana, problemas na documentação de Marinô atrasaram a entrega do dinheiro.

Fabiana (esquerda) viajou 580 quilômetros para conhecer Dona Neide e Marinô (Foto: Tomás Baggio/G1)Fabiana Andrade (esquerda) viajou 580 Km para
conhecer Marinô (Foto: Tomás Baggio/G1)

“O financiamento foi feito por meio de um site que transfere automaticamente o dinheiro para a conta indicada. Como eu criei a campanha, tive que fazer um termo de transferência de propriedade para o dinheiro ser depositado na conta do Marinô. Mas para esse termo ter validade, o site precisava das informações de todos os documentos do Marinô, e isso demorou a chegar. Assim que as informações foram repassadas, o site iniciou a operação de transferência, que tem prazo de 15 dias úteis para ser concluída. Fico feliz que ele possa ter recebido o dinheiro antes do Natal”, disse ela por telefone.

Doações e promessas não cumpridas
Dois depósitos foram feitos pela campanha: um de R$ 4.999,99 e outro de R$ 22.494,19, que entrou após a confirmação do primeiro. O total desta campanha é de R$ 27.494,58, já descontadas as taxas de operação bancária. Entretanto, além do financiamento coletivo, Marinô também recebeu doações diretas na conta dele, cujo número foi divulgado na imprensa local. De acordo com a mãe de Marinô, as doações diretas na conta chegaram a cerca de R$ 13 mil. Além disso, a venda de parte do material comprado com o dinheiro do furto, como móveis e equipamentos eletrônicos, que foram entregues a Marinô após a descoberta da autoria, também rendeu mais um trocado. O resultado é um saldo de R$ 42.994,18 na poupança dele.

Nos levaram até um terreno no Jardim Esperança para uma reportagem na televisão e disseram que o terreno era meu. Um homem foi lá, disse que era empresário e que eu era um guerreiro. Ele prometeu me doar o terreno para recomeçar o meu sonho ali mas, depois que a reportagem foi ao ar, ele nunca mais voltou e nem a equipe de reportagem da televisão”
Marinô Pascoal de Melo

Mas, apesar da felicidade pelo sucesso da campanha, Marinô e dona Neide também ficaram ressentidos com a forma que a história deles foi tratada. Eles reclamam de compromissos não cumpridos, e garantem que um terreno prometido nunca foi realmente doado. “Nos levaram até um terreno no Jardim Esperança (bairro de Cabo Frio) para uma reportagem na televisão e disseram que o terreno era meu. Um homem foi lá, disse que era empresário e que eu era um guerreiro. Ele prometeu me doar o terreno para recomeçar o meu sonho ali mas, depois que a reportagem foi ao ar, ele nunca mais voltou e nem a equipe de reportagem da televisão”, conta o cabofriense. “Isso não foi certo”, emenda a mãe dele.

Decepção dentro da própria família
Foram muitas surpresas na vida de Marinô nos últimos meses. O furto do dinheiro de dentro da mochila que ficava no armário do quarto deu início a uma série de acontecimentos que envolveram toda a família. Na semana seguinte à descoberta do furto, os investigadores da 126ª DP (Cabo Frio) chegaram até as sobrinhas de Marinô. Em depoimento, elas confessaram o furto e deram detalhes. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Luiz Cláudio Cruz, o dinheiro foi furtado aos poucos.

“Esta versão foi confirmada após os depoimentos prestados na delegacia. As duas sobrinhas descobriram que ele tinha o dinheiro e começaram a furtá-lo aos poucos. Elas envolveram uma amiga e, posteriormente, a mãe desta amiga descobriu o que estava acontecendo ao ver as coisas que a filha estava comprando. Só que a mãe incentivou o crime e as meninas continuaram furtando até a vítima descobrir, um mês depois”, explicou o delegado.

Só temos a agradecer de todo o coração às pessoas que nos ajudaram desta forma. Gente que fez isso por nós mesmo sem nos conhecer. Desejo que Jesus possa abençoar a todos. E que tenham um Natal com a mesma felicidade que nós vamos ter”
Neide Pascoal de Melo, mãe de Marinô

Segundo ele, o dinheiro foi usado para comprar roupas, produtos domésticos e de informática, além de bancar passeios e jantares. As menores foram autuadas por furto, enquanto a mulher identificada como Marcely, mãe de uma delas, responde por corrupção de menores. Os processos estão em andamento e todos os envolvidos respondem em liberdade.

“Estamos muito decepcionados, é claro. Jamais poderíamos imaginar isso”, disse, na época, a irmã de Marinô e mãe das outras duas meninas que participaram do furto, Ednéia Pascoal de Melo.

Marinô Pascoal de Melo mostra o armário e a mochila que guardavam o dinheiro roubado (Foto: Tomás Baggio/G1)Marinô mostra o armário e a mochila onde guardava o dinheiro roubado (Foto: Tomás Baggio/G1)

Arrecadação por financiamento coletivo
O sucesso da campanha foi motivo de comemoração também para os diretores do site em que a campanha foi hospedada. Para eles, o resultado é mais um indício da consolidação deste tipo de financiamento.

“Esta campanha fugiu um pouco do que estamos acostumados a fazer pelo valor expressivo do financiamento. Isso mostra o crescimento e a consolidação desta atividade. Cada vez mais o financiamento coletivo estará presente no dia-a-dia das pessoas”, afirma Fabrício Milesi, co-fundador do Vakinha.

Marinô e dona Neide conferem o saldo da conta no banco (Foto: Tomás Baggio/G1)Marinô e dona Neide conferem o saldo da conta no
banco (Foto: Tomás Baggio/G1)

Promessa de não repetir o descuido
Humilde, com pouca instrução e dificuldade para lidar com equipamentos eletrônicos, Marinô Pascoal de Melo afirma que juntava o dinheiro no quarto por não saber realizar operações bancárias. Mas o susto pela perda do dinheiro, seguido da surpresa por ver o dobro do valor ser recuperado, foi uma lição para ele.

“O dinheirinho do meu trabalho agora vai para o banco”, diz ele, que pretende contar com a ajuda de familiares para fazer a movimentação financeira.

Apesar da quitinete que ele queria antes do dinheiro ser furtado não estar mais disponível, Marinô não desiste do sonho e faz planos. Como tem mais dinheiro agora do que tinha antes, ele cogita comprar um terreno e construir o imóvel aos poucos. Já a mãe dele, que não acreditava que o dinheiro pudesse ser recuperado, agora é só alegria. Para ela, o resultado da campanha solidária “é um milagre”.

“Só temos a agradecer de todo o coração às pessoas que nos ajudaram desta forma. Gente que fez isso por nós mesmo sem nos conhecer. Desejo que Jesus possa abençoar a todos. E que tenham um Natal com a mesma felicidade que nós vamos ter”, disse dona Neide.

G1