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Casar relaxa? Pessoas casadas têm menores níveis do hormônio do estresse

casal-felizUm estudo da Universidade de Carnegie Mellon, nos EUA, mostrou que os casados podem ter sorte no amor e na saúde. Pesquisadores encontraram uma evidência biológica para explicar como o casamento afeta a saúde e faz com que os casados sejam mais saudáveis que solteiros, divorciados e viúvos.

Durante três dias (não consecutivos), os cientistas coletaram amostras de saliva de 527 adultos saudáveis que tinham entre 21 e 55 anos. A cada 24 horas, amostras foram retiradas e testadas para o hormônio do estresse, o cortisol.

Em todos os testes, os participantes casados registraram níveis mais baixos do hormônio do estresse do que os solteiros ou os que já casaram anteriormente. O resultado, publicado na revista Psychoneuroendocrinology, suporta a crença de que os solteiros enfrentam mais estresse psicológico do que os que estão casados.

O estresse prolongado é associado com níveis aumentados de cortisol, que podem interferir na capacidade do organismo para regular a inflamação, que por sua vez, promove o desenvolvimento e a progressão de muitas doenças.

É emocionante descobrir um caminho fisiológico que pode explicar como os relacionamentos influenciam na saúde e na doença.”

Brian Chin, da Universidade Carnegie Mellon

Os pesquisadores também compararam o ritmo diário do cortisol de casa pessoa. Tipicamente, os níveis de cortisol atingem o pico quando uma pessoa acorda e caem ao longo do dia. Os casados mostraram um declínio mais rápido, um padrão que tem sido associado com menos doenças cardíacas e maior sobrevivência entre pacientes com câncer.

“Esses dados fornecem informações importantes sobre o modo como nossas relações sociais íntimas influenciam nossa saúde”, afirma o diretor e coautor do estudo, Sheldon Cohen, professor de psicologia da Universidade Carnegie Mellon.

Uol

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Brasil tem cerca de 90 mil crianças de 10 a 14 anos casadas

BBC Brasil
BBC Brasil

Imagine que sua filha vai se casar. Engravidou do primeiro namorado, um rapaz mais velho que ela conheceu na vizinhança. Vai deixar de estudar por causa da gravidez e do marido. O jovem casal vai morar na casa dos pais dele. No entanto, ela só tem 12 anos.

O casamento de crianças e adolescentes brasileiros, como na situação narrada acima, é o tema da pesquisa Ela vai no meu barco, realizada pelo Instituto Promundo, ONG que desde 1997 estuda questões de gênero.

De acordo com o Censo 2010, pelo menos 88 mil meninos e meninas com idades de 10 a 14 anos estavam casados em todo o Brasil. Na faixa etária de 15 a 17 anos, são 567 mil.

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A partir dos dados do Censo, a equipe de pesquisadores – financiada pela Fundação Ford, com apoio da Plan International e da Universidade Federal do Pará (UFPA) – foi ao Pará e ao Maranhão, Estados onde o fenômeno do casamento infanto-juvenil é mais comum, e mergulhou no universo das adolescentes que tão cedo têm que se transformar em adultas.

Numa pesquisa qualitativa, foram entrevistadas 60 pessoas, entre garotas de 12 a 18 anos, seus maridos (todos com mais de 20 anos), seus parentes e funcionários da rede de proteção à infância e adolescência no Brasil.

A idade média das jovens entrevistadas foi de 15 anos; seus maridos são, em média, nove anos mais velhos.

Mas os pesquisadores descobriram que, no Brasil, o casamento de crianças e adolescentes é bem diferente dos arranjos ritualísticos existentes em países africanos e asiáticos, com jovens noivas prometidas pelas famílias em casamentos arranjados pelos parentes ou até mesmo forçados.

O que acontece no Brasil, por outro lado, é um fenômeno marcado pela informalidade, pela pobreza e pela repressão da sexualidade e da vontade femininas.

Normalmente os casamentos de jovens são informais (sem registro em cartório) e considerados consensuais, ou seja, de livre e espontânea vontade.

Naturalização

Entre os motivos para os casamentos, a coordenadora do levantamento, Alice Taylor, pesquisadora do Instituto Promundo, destaca a falta de perspectiva das jovens e o desejo de deixar a casa dos pais como forma de encontrar uma vida melhor.

Muitas fogem de abusos, escapam de ter de se prostituir e convivem de perto com a miséria e o uso de drogas. As entrevistas das jovens, transcritas no relatório final da pesquisa sob condição de anonimato, mostram um pouco do que elas enfrentam, como esta que diz ter saído de casa por causa do padrasto, que a maltratava.

“Porque eu tava entrando na minha adolescência, eu queria sair, eu queria curtir, queria andar (…). Eu me relacionei com ele, namorei com ele três meses, ele me convidou pra morar na casa dele, aí eu fui pra casa dele. Não gostava muito dele, eu só fui mesmo pelo fato de o meu padrasto (me maltratar), aí na convivência nossa ele (o marido) me fez aprender a gostar dele, e hoje eu sou louca por ele”, conta uma das garotas.

A jovem casou-se aos 12 anos, grávida, com um homem de 19. No relatório, os pesquisadores afirmam que ela relatou ser abusada pelo padrasto, mas não fica claro o tipo de abuso.

Também em Belém, outra jovem entrevistada, que casou grávida aos 15 anos, diz que a mãe “achou por bem a gente se casar logo, pra não haver esses falatórios que ia haver realmente”. O rapaz era cinco anos mais velho.

Em São Luís, uma das meninas mais novas entrevistadas relata que se casou aos 13 com um homem de 36 anos. E mostra a falta de perspectiva como fator fundamental para a decisão, ao dizer o que poderia acontecer caso não estivesse casada: “Acho que eu estaria quase no mesmo caminho que a minha irmã, que a minha irmã tá quase no caminho da prostituição”.

A coordenadora da pesquisa de campo em Belém, Maria Lúcia Chaves Lima, professora da UFPA, disse que as entrevistadas falaram de modo natural sobre suas uniões conjugais, mesmo sendo tão precoces.

“É uma realidade naturalizada e pouco problematizada na nossa região”, afirma.

Segundo Lima, a gravidez ainda é a grande motivadora do casamento na adolescência, e a união é vista como uma forma de controlar a sexualidade das meninas.

“A lógica é: ‘melhor ser de só um do que de vários’. O casamento também aparece como forma de escapar de uma vida de limitações, seja econômica ou de liberdade”, diz.

Legislação atrasada

O casamento infantil, reconhecido internacionalmente como uma violação aos direitos humanos, é definido pela Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (CRC) – que o Brasil assinou e ratificou em 1990 – como uma união envolvendo pelo menos um cônjuge abaixo dos 18 anos.

No Brasil, acontece mais frequentemente a partir dos 12 anos, o que faz com que os pesquisadores definam o fenômeno como casamento na infância e na adolescência.

Segundo a pesquisa, estimativa do Unicef com dados de 2011 aponta que o Brasil ocupa o quarto lugar no mundo em números absolutos de mulheres casadas antes dos 15 anos: seriam 877 mil mulheres com idades entre 20 e 24 anos que disseram ter se casado antes dos 15 anos.

Mas essa estimativa exclui, por falta de dados, países como China, Bahrein, Irã, Israel, Kuait, Líbia, Omã, Catar, Arábia Saudita, Tunísia e os Emirados Árabes Unidos, entre outros.

De qualquer modo, os pesquisadores alertam para a falta de discussão sobre o tema no Brasil e a necessidade de mudanças na legislação. No Brasil, a idade legal para o casamento é estabelecida como 18 anos para homens e mulheres, com várias exceções listadas no Código Civil.

A primeira exceção — compartilhada por quase todos os países do mundo — permite o casamento com o consentimento de ambos os pais (ou com a autorização dos representantes legais) a partir dos 16 anos.

Outra exceção é que a menor pode se casar antes dos 16 anos em caso de gravidez. E a última, prevista no Código Civil, é que o casamento antes dos 16 anos também é permitido a fim de evitar a “imposição de pena criminal” em casos de estupro.

Na prática, essa exceção permite que um estuprador evite a punição ao se casar com a vítima.

Sonhos que envelhecem cedo

De acordo com as entrevistas e a análise dos pesquisadores, o que acontece, na maioria das vezes, é que, em vez de serem controladas pelos pais, as garotas passam a ser controladas pelos maridos. Qualquer sonho de escola ou trabalho envelhece cedo, na rotina de criar os filhos e se adequar às exigências do cônjuge.

O título da pesquisa, Ela vai no meu barco, vem de uma frase de um dos maridos entrevistados, de 19 anos, afirmando que a jovem mulher, de 14 anos, grávida à época do casamento, tinha de seguir sua orientação.

“Ela vai no sonho que eu pretendo pra mim, né? Ela vai seguindo… Acho que é uma desvantagem de a pessoa não ser bem estruturada, né? Geralmente cada um leva as suas escolhas, né? Mas por ela ser mais nova e eu ser mais velho, tipo assim, ela vai no meu barco”, resume ele.

Casadas, as jovens muitas vezes enfraquecem seus laços de amizade, sua vida social e passam a se dedicar apenas ao marido e aos filhos. São alvo do controle e do ciúme dos maridos, e algumas relataram casos de violência.

“Queremos alertar que essa situação não é apenas restrita aos rincões do país. As entrevistas foram feitas em Belém e São Luís, o que mostra que é uma questão que ocorre nos centros urbanos”, afirma Alice Taylor.

5 principais razões de casamento infanto-juventil no Brasil

•    Gravidez indesejada;
•    Controle dos pais sobre a sexualidade das filhas, com a ideia de que, “se começou a ter relação sexual, é melhor casar logo”;
•    Pobreza da família e necessidade de um provedor financeiro;
•    Falta de perspectiva de vida das jovens, sem interesse especial pela escola e sem futuro profissional, o que amplia a vontade de sair da casa dos pais;
•    Desejo expresso dos maridos de se casarem com garotas mais jovens e mais “obedientes” a eles.

Fonte: Pesquisa “Ela vai no meu barco”

Pessoas casadas sobrevivem mais a câncer de pulmão, diz estudo

Foto: Getty Images

Um estudo revelou que ser casado ou ter um companheiro pode fazer muita diferença em quanto tempo as pessoas sobrevivem depois de fazerem algum tratamento contra câncer no pulmão. As informações são do jornal inglês Daily Mail.

Os cientistas acompanharam 168 pacientes com câncer avançado no pulmão e que eram tratados com quimioterapia e radioterapia por dez anos, entre janeiro de 2000 e dezembro de 2010.  Após três anos de tratamentos, eles concluíram que 33% dos pacientes casados continuavam vivos, comparados aos 10% dos entrevistados solteiros que resistiram às terapias neste mesmo período.

As mulheres casadas tiveram a melhor taxa de vida neste espaço de três anos, com 46%, enquanto os homens solteiros apresentaram o pior número, 3%. Mulheres solteiras e homens casados mostraram as mesmas taxas de sobrevivência.

A etnia foi motivo de analise e foi concluído que as pessoas brancas e casadas tiveram melhores taxas de resultados positivos do que os africanos e americanos que estavam em um relacionamento estável.

A autora do estudo, Elizabeth Nichols, residente em oncologia radiológica no Centro de Câncer Greenebaum da University of Maryland, nos Estados Unidos, comentou o resultado. “O estado civil parece ser um indicador independente muito importante em relação à sobrevivência dos pacientes com câncer localizado de pulmão”, informou.

“A razão ainda é desconhecida, mas nossas descobertas sugerem que é imprescindível prever suporte social e cuidados aos pacientes que estão sendo tratados. Eles precisam de cuidados diários durante as atividades e precisamos garantir que eles recebam a atenção devida”, explicou a Dra. Nichols.

Ela disse ainda: “nós acreditamos que com melhores cuidados e mecanismos de atenção aos pacientes com câncer, eles podem apresentar um melhor impacto na taxa de sobrevivência do que várias outras técnicas de terapias utilizadas”.

“Precisamos continuar com as pesquisas e encontrar novos remédios e tratamentos, mas também encontrar caminhos melhores para o suporte social dos pacientes com câncer”, concluiu a oncologista.

O vice-presidente de estudos médicos da University of Maryland, E. Albert Reece, comentou o estudo. “Câncer no pulmão é o número um de causas de morte da doença tanto em homens quando em mulheres, e este estudo sugere que ter um companheiro que possa cuidar do paciente melhora a taxa de sobrevivência dos doentes. Nós precisamos descobrir como mantê-los vivos por mais tempo, com uma melhor qualidade de vida, independente de seu estado civil”.

Terra