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Pesquisadores da UFPB criam respirador mais barato do país e empresas podem solicitar produção

A Agência de Inovação Tecnológica da Universidade Federal da Paraíba (INOVA-UFPB), finalizou o desenvolvimento do protótipo de ventilador pulmonar que é o mais econômico já produzido até o momento no Brasil. De acordo com os inventores, o custo estimado do aparelho será de R$ 400,00, mais barato do que o da USP que custará R$ 1 mil reais e 37,5 vezes mais barato do que um ventilador no mercado que custa R$ 15 mil.

A equipe de pesquisadores e servidores da UFPB foi responsável pelo pedido de patente, mas não pela fabricação, que deverá ser feita por empresa com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o aparelho ainda precisa passar por testes pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). Nesses últimos caso, acredita-se que em face da urgência as tramitações burocráticas e testes sejam aceleradas.

O projeto tem licença aberta para os interessados em produzir o ventilador pulmonar. Os interessados deverão entrar em contato com a INOVA-UFPB por meio do e-mail: inova@reitoria.ufpb.br.

O equipamento também é de rápida montagem e programação, sendo possível concluir a montagem e deixá-lo plenamente operável em 60 segundos. Outro detalhe é que ele não é um respirador de emergência, podendo ser usado indefinidamente; ou seja, um substituto aos convencionais comercializados atualmente.

Os inventores tiveram como missão garantir uma alternativa nacional viável que pudesse ser disponibilizado com um baixíssimo custo para hospitais.

O produto faz uso da tecnologia touch-screen, é equipado com sistema multibiométrico e tem conectividade wireless. Inclusive é possível acessá-lo, monitorá-lo e operá-lo em tempo real remotamente por meio de aplicativo em dispositivos móveis (smartphones).

No dia 30 de março de 2020 as imagens do protótipo já estavam disponíveis nas redes sociais. No dia 31, foi realizada nova força tarefa com os inventores, a equipe da Diretoria de Propriedade Intelectual da INOVA-UFPB e do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (CGDI/EDIR-PE/SEDIR-PB/INPI) para preparar a redação do pedido de patente. No dia 01 de abril o pedido de patente foi finalizado e no dia 02 foi protocolado no INPI.

A iniciativa tem a coordenação do diretor Presidente Prof. Dr. Petrônio Filgueiras de Athayde Filho, que fez a demanda do projeto no dia 28 de março de 2020 para que fosse desenvolvido um ventilador pulmonar por pesquisadores do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN). A equipe composta por Railson Ramos, Mario Ugulino, Válber Almeida, Tiago Maritan e Marcos Alves concluíram em 48 horas a missão.

 

clickpb

 

 

Cientistas criam método mais rápido e barato para detectar zika

Uma equipe internacional de pesquisadores conseguiu desenvolver um teste mais rápido e barato capaz de detectar o vírus da zika em mosquitos e em amostras humanas. Além de ser uma alternativa para diagnosticar pacientes no futuro, o método pode desempenhar um papel importante no monitoramento da chegada do vírus a novas regiões do mundo.

A pesquisa, liderada por pesquisadores do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Patologia da Universidade do Estado do Colorado, nos Estados Unidos, usou um método chamado LAMP (sigla para amplificação isotérmica mediada por loop, em inglês).

A brasileira Tereza Magalhães, pesquisadora da Universidade do Estado do Colorado e uma das autoras do estudo, explica que o teste desenvolvido é parecido com um outro método atualmente utilizado na detecção de zika chamado RT-PCR (sigla para reação de transcrição reversa seguida por reação em cadeia da polimerase). Esse teste amplifica o material genético do vírus presente na amostra para que ele se torne detectável. Trata-se de um teste caro, de alta complexidade que exige profissionais treinados e laboratórios especiais.

“É possível, após esses estudos, que tenhamos uma ideia melhor da sua utilidade prática em áreas endêmicas e que seja possível implementá-lo em serviços de saúde e vigilância”

O método LAMP também detecta o material genético do vírus, porém sem a necessidade de equipamentos sofisticados, materiais purificados e temperaturas distintas. Além disso, os resultados podem ser visualizados a olho nu por mudanças de cor. “Tudo isso facilita imensamente a realização do teste e minimiza bastante o custo e o tempo em comparação à PCR”, afirma Tereza.

“Com o LAMP, você não precisa da sofisticação de uma máquina”, diz o professor Joel Rovnak, um dos autores do estudo. Isso tornaria o método mais viável em países em desenvolvimento atingidos pelo vírus. Segundo os pesquisadores, o teste seria importante para determinar políticas públicas de prevenção em locais onde fossem identificados mosquitos infectados, mesmo antes de surgirem casos em humanos.

Mosquitos e amostras humanas

De acordo com Tereza, o teste teve resultados excelentes em amostras de mosquitos e em amostras biológicas humanas artificialmente inoculadas com zika. O método também teve sucesso em testes de amostras de pacientes do Brasil e da Nicarágua. Porém neste caso, segundo Tereza, os resultados foram melhores quando foi utilizado o RNA purificado do vírus, em vez de amostras sem purificação. É possível que o teste tenha de ser aprimorado especificamente para cada tipo de amostra, como de sangue, sêmen, saliva ou urina.

Hoje, o teste está sendo aplicado em amostras de mosquito coletados em campo e também em novos pacientes infectados com o vírus da zika. “É possível, após esses estudos, que tenhamos uma ideia melhor da sua utilidade prática em áreas endêmicas e que seja possível implementá-lo em serviços de saúde e vigilância, se houver interesse” afirma Tereza.

A pesquisadora lembra que o diagnóstico de zika ainda representa um desafio de saúde pública, principalmente por causa dos sintomas muito parecidos com outras arboviroses, como dengue e chikungunya. Poucos serviços realizam os testes moleculares através de RT-PCR, devido à complexidade do método. E os testes sorológicos, que detectam os anticorpos contra o vírus, são problemáticos por terem altos índices de reação cruzada com outros vírus transmitidos por mosquitos, especialmente o da dengue.

“A verdade é que o diagnóstico para essas arboviroses representa um grande problema e desafio para o Brasil que merece muito, mas muito mais atenção”, diz a pesquisadora.

Vírus africano x vírus asiático

O novo teste também é capaz de distinguir se o vírus é da linhagem africana ou asiática. A comunidade científica acredita que o vírus asiático – que chegou ao Brasil vindo da Polinésia Francesa e, a partir daqui, se espalhou pelo mundo – seja mais perigoso e tenha uma associação mais forte com o surgimento de casos de microcefalia em bebês cujas mães foram infectadas. Daí a importância de se distinguir qual a linhagem presente em cada região.

G1

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Plano de saúde mais barato aliviará gasto com financiamento do SUS, diz ministro

plano-de-saude-funcionarios-publicosO ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse nesta segunda (8), durante almoço-debate do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), que a implantação de planos de saúde populares permitirá o acesso de mais pessoas a esses serviços, aumentando a integração hospitalar no país. Segundo Barros, a criação de um plano de saúde com custos menores poderia aliviar os gastos com o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em palestra sobre o tema Gestão transformadora para a saúde pública, Barros disse que os planos ambulatoriais já são autorizados, com a contratação de diversos tipos de modalidade, e que o governo não estabelecerá modelos para os novos planos, cabendo a cada empresa propor seu modelo para o mercado.

“Queremos mais recursos para a saúde e, como estamos nessa crise fiscal, se tivermos planos acessíveis com modelos de que a sociedade deseje participar, teremos R$ 20 ou R$ 30 bilhões a mais de recursos que serão colocados para atendimento de saúde. Isso vai aliviar nosso sistema, que está congestionado”, afirmou.

Na última sexta-feira (5), entrou em vigor o grupo de trabalho criado pelo Ministério da Saúde para discutir e elaborar um projeto sobre o tema. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União. A proposta consiste em oferecer planos de saúde com menos serviços do que o que foi definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como cobertura mínima obrigatória. A adesão a tais planos seria voluntária. Responsável pela regulação do setor de planos de saúde, a ANS tem atualmente um rol de procedimentos obrigatórios que as empresas devem oferecer aos clientes.

As operadoras não serão obrigadas a oferecer esse tipo de plano. “Precisamos criar um mecanismo que possa simplificar a regulação para permitir que a oferta de serviço à população seja mais ampla. Quem regula é a ANS, quem fiscaliza é o Procon, e as pessoas aderem, ou não, livremente. Ninguém é obrigado, e quem não está satisfeito não precisa continuar pagando o plano de saúde. É uma questão de oferta e qualidade do serviço e de manutenção dessas pessoas no sistema, que alivia o SUS.”

Barros informou que está convidando todos os atores ligados ao setor para fazer parte do grupo de trabalho e avaliar a proposta de acordo com o que pode ser melhor para esse plano, para que todos possam contribuir para a construção de uma proposta adequada que leve a população a ser atendida sem enfrentar grandes filas. A ideia é resolver o problema com melhora na qualidade no atendimento primário.

Quanto às críticas de especialistas à possibilidade de adesão do consumidor a determinados planos e uma possível necessidade posterior de atendimentos não cobertos pelo plano, Barros observou que isso já acontece atualmente com os planos de saúde existentes. “Esse risco já está no mercado. As pessoas escolhem planos com diferentes coberturas. Não entendo por que os especialistas estão se especializando em criticar o que já está no mercado. Não vai mudar nada, só queremos que a regulação permita menos cobertura e menos custo e que mais brasileiros ajudem a saúde do Brasil.”

O ministro destacou que o rol mínimo existe e que a ideia com essa proposta é colocar um “rol mínimo do mínimo”, para que os planos possam oferecer esses produtos dentro de uma exigência menor. “De qualquer forma, todo brasileiro tem direito ao SUS. Se ele não for atendido no plano, vai ser atendido no SUS igual. O que eu não vejo é como se pode entender que é ruim para o Brasil se houver mais brasileiros querendo colocar algum dinheiro para que o atendimento à sua saúde seja mais ágil. Nós estamos ampliando essa oportunidade.”

Barros ressaltou que não é favorável a qualquer tipo de imposto exclusivo para financiar a saúde e negou que o governo pretenda privatizar o setor, até porque não é possível, de acordo com a Constituição, que prevê que esse é um direito do cidadão que deve ser garantido pelo Estado. Ele disse que pretende melhorar a saúde “fazendo mais com menos”, investindo na melhoria de gestão dos recursos. “Quando estivermos gastando bem o que temos quem sabe teremos moral para pedir mais recursos.”

Agência Brasil

 

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Barril do petróleo mais barato têm favorecido contas do Brasil

petroleoO principal alento para a balança comercial brasileira este ano vem do comércio de petróleo, vilão do comércio exterior nos últimos anos. O preço do barril vem cedendo, ancorado na maior oferta e na retração da demanda global. A tendência é de uma melhora no déficit comercial da chamada conta-petróleo. Na última semana, a cotação do petróleo do tipo Brent, referência internacional de preços, caiu abaixo dos US$ 100 pela primeira vez em 16 meses.

Até aqui nem os conflitos próximos a regiões produtoras como Iraque, Ucrânia e Líbia ajudaram a cotação do barril a reagir. Para o Brasil, o ciclo de baixa é positivo porque historicamente o País têm registrado déficit na balança do produto e seus derivados, com o valor das importações ultrapassando o das exportações e pressionando o balanço da Petrobras.

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A estatal vem sofrendo com a defasagem de preços dos derivados no mercado doméstico ante o preço de importação. Além do arrefecimento do preço, o País está exportando mais petróleo. A Petrobras estima uma alta de 7,5% de sua produção de óleo bruto e gás neste ano. Até agosto o déficit acumulado na balança do petróleo e combustíveis foi de US$ 12,9 bilhões, 30,8% menor que o de igual período de 2013.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, calcula que a conta do petróleo feche em um vermelho mais suave: US$ 15,8 bilhões, ante US$ 23,7 bilhões no ano passado. “Este ano o superávit será ajudado pela queda no valor da importação e o aumento da quantidade de petróleo produzida e exportada, um efeito que não vai se repetir em 2015”, diz Castro. Em julho, a AEB reduziu sua previsão para o saldo comercial total brasileiro no ano em 75,2%, para apenas US$ 635 milhões.

 

Estadão 

“É muito barato matar um jornalista hoje no mundo”, diz líder de entidade

Os assassinatos por encomenda se tornaram uma ameaça maior à vida de jornalistas do que as guerras.

O alerta é de Jim Boumelha, presidente da Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês).

Ele cobra ações dos governos para frear as mortes e acusa as Nações Unidas de não tomarem medidas práticas que ajudem a reforçar a segurança dos profissionais que cobrem conflitos.

Um relatório divulgado pela IFJ no último dia 31 informa que 121 jornalistas foram assassinados em 2012 no exercício da profissão ou em represália por seu trabalho.

O ranking de mortes é liderado por Síria (35 casos) e Somália (18), que vivem conflitos armados.

O Brasil aparece em quinto lugar, com seis mortes –Eduardo Carvalho, do “Última Hora News” (MS); Valério Luiz, da rádio Jornal 820 (GO); o blogueiro Décio Sá (MA); Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, do “Jornal da Praça” (MS); Mário Randolfo Marques Lopes, do “Vassouras na Net” (RJ); e Laécio de Souza, da Sucesso FM (BA).

Está à frente de países que passaram por guerras como Iraque e Afeganistão.

Grigoriy Sisoev/Divulgação
Jim Boumelha, presidente da Federação Internacional dos Jornalistas
Jim Boumelha, presidente da Federação Internacional dos Jornalistas

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Folha – O relatório da IFJ mostra que 2012 foi um dos anos mais sangrentos para a imprensa, com 121 jornalistas assassinados. O que esse número representa?
Jim Boumelha – É um número terrível, precisamos chamar atenção para ele. Se fossem cem médicos ou cem advogados assassinados em um ano, não se falaria em outra coisa no mundo.[bb]

O mais preocupante é que a soma de mortes tem se mantido num patamar muito alto a cada ano que passa.

Os países em guerra civil lideram o ranking de mortes de jornalistas, mas não chegam à metade do total de casos no mundo. Por quê?
As pessoas acham que a maioria das mortes acontece nas coberturas de guerra, mas isso não é verdade.

A maior parte dos assassinatos que nós temos registrado é fruto de perseguição a profissionais que estão fazendo reportagens nos lugares em que costumam trabalhar no seu dia a dia.

É muito barato matar um jornalista. A impunidade é muito grande.

Em vários países, esta tem sido a melhor forma de silenciar um jornal ou interromper uma série de reportagens investigativas.

Na maior parte das vezes, os alvos desses assassinatos por encomenda são jornalistas que não são famosos. Por isso, os crimes acontecem e muita gente nem se lembra dos nomes das vítimas.[bb]

É o caso do Brasil, onde os seis mortos em 2012 trabalhavam para sites ou veículos de expressão regional…
Exatamente. E seis assassinatos é um número muito alto para um só país. O Brasil é um caso preocupante.

As famílias dessas vítimas deveriam se unir para forçar o governo a fazer alguma coisa. Não há nada mais forte para pressionar políticos do que as vozes de viúvas e órfãos.

Outro caso que chama a atenção é o do México, que teve dez jornalistas assassinados em 2012. O país está vivendo uma guerra por causa das drogas, e os repórteres que investigam isso estão se tornando alvos do tráfico.

Entre tantas notícias ruins, o relatório traz algum avanço que mereça ser destacado?
Sim. A Rússia, que era um dos países mais perigosos, só registrou duas mortes em todo o ano. Isso reflete um esforço dos órgãos de investigação e da sociedade para combater a impunidade.

Nas coberturas de guerra, é possível fazer alguma coisa para reforçar a segurança dos correspondentes?
Quando você está no fogo cruzado, é impossível eliminar os riscos. Tudo o que se pode fazer é reduzi-los.

Nos últimos anos, as grandes empresas de mídia sofreram muita pressão em seus países e tiveram que tomar medidas para proteger e treinar melhor os seus enviados especiais a zonas de conflito.

O maior problema está entre os jornalistas que cobrem guerras para grupos menores ou como freelancers [sem contrato fixo de trabalho].

Também temos uma preocupação muito grande com as pessoas que atuam nessas regiões como fixers [ajudantes das equipes] ou como intérpretes.

Muitas vezes, são as que mais se arriscam para viabilizar uma reportagem.

Há algo que possa ser feito para frear as mortes na Síria?
Infelizmente, não existe uma fórmula mágica. Tem sido difícil até contabilizar as mortes, porque muitas informações chegam de forma truncada ou contraditória.

Muitas pessoas estão cobrindo o conflito como blogueiros ou nas redes sociais.

O comunicado que foi divulgado junto com o relatório da IFJ acusa a Organização das Nações Unidas de se omitir sobre as mortes de jornalistas em áreas de conflito. Por quê?
As posições da ONU são muito boas no papel.
O Conselho de Segurança já manifestou preocupação com o assunto, chegou a editar uma resolução para frear as mortes, mas nada aconteceu.

Desde que essa resolução foi aprovada, em 2006, já morreram mais de 600 jornalistas.

O fato é que os assassinatos continuam ocorrendo e a ONU não tem feito pressão política sobre os países para reverter o quadro.

Assim que um ano termina, como agora, nós fechamos o relatório de mortes e já temos que começar a contar os novos casos do ano seguinte. O ciclo de violência não termina, permanece constante.

Folha.com

Professor Universitário diz que solução para a seca no NE é mais barato que carros-pipa

O Jornal O Estado de São Paulo publicou uma matéria nesta sexta, 30, falando sobre a situação da seca no Nordeste. O texto enfatiza o sofrimento de 70% dos paraibanos com a seca e a solução proposta pelo professor universitário e pesquisador João Abner, da UFRN, custaria menos que o programa de abastecimento por carros-pipa.

Segundo Abner, um programa de distribuição da água existente no Nordeste custaria cerca de R$ 20 por pessoa.

Leia o texto na íntegra:

Com a cobertura mais frequente que a televisão vem dando nas últimas semanas à questão da seca no Semiárido nordestino, vai-se de espanto em espanto, diante da gravidade do panorama, da insuficiência – para não dizer ausência – de providências eficazes do governo federal e das informações sobre tudo o que se poderia fazer por caminhos competentes, mas não se faz. E tudo isso na mesma hora em que se vê a teimosia do foco oficial no projeto de transposição de águas, como se ele fosse o santo milagreiro – quando não é, já está custando quase o dobro do orçamento inicial (de R$ 4,6 bilhões para R$ 8,2 bilhões), com vários trechos parados, outros já necessitando de obras reparadoras e outros ainda, de novos “aditivos” nos orçamentos. Inacreditável.

Diz o Operador Nacional do Sistema Elétrico (Estado, 31/10) que o último mês de outubro foi o mais seco em toda a região nos últimos 83 anos. As opiniões de especialistas asseguram que se trata da mais forte estiagem entre 30 e 50 anos. Em depoimento na audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, o diretor da Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional ( Agência Brasil) afirmou que 10 milhões de pessoas foram atingidas em 1.317 municípios.

Só em Pernambuco, segundo o engenheiro José Artur Padilha, criador do projeto Base Zero (Estado, 19/11), são 1,18 milhão de pessoas afetadas diretamente, enquanto mais 3,67 milhões sentem os efeitos em 122 dos 184 municípios do Estado. Só nas lavouras de subsistência as perdas já chegam a 370 mil hectares. Os rebanhos pernambucanos perderâoi5%, entre bovinos, ovinos e caprinos (remaatlantico, 7/11). Na Paraíba estão sofrendo 2,3 milhões de pessoas, ou 70% da população, em 198 dos 223 municípios, decretaram situação de emergência. Na Bahia são 250 municípios em emergência. Em Caém, a 333 quilômetros de Salvador, não chove há um ano e meio (Estado, 31/10). No Piauí são 215 dias sem chuva, 200 municípios em emergência. E muitos especialistas já dizem que as chuvas só virão em 2013.

Será todo esse quadro uma fatalidade? Nada a fazer? Na mesma audiência na Câmara dos Deputados, o professor João Abner, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, especialista em recursos hídricos que há décadas se dedica ao problema, assegura que não (Agência Brasil, novembro/2012). Segundo ele, fome, seca e perdas poderiam ser evitadas se houvesse programas de abastecimento de água como o Luz para Todos. “Tem água sobrando para consumo humano e animal”, assegura. “Tem estoques de água suficientes para atender plenamente, mesmo em época como agora. São 10 bilhões de metros cúbicos armazenados na região acima do Rio São Francisco, em grandes reservatórios.” Só que não há sistemas de abastecimento ligados aos açudes, que servem apenas aos grandes proprietários rurais. E “com menos de 20% da disponibilidade hídrica dos reservatórios” se atenderia a toda a demanda local.

Mais surpreendente ainda, diz o professor Abner que “o Semiárido brasileiro é um dos sistemas ambientais mais chuvosos no mundo, mas o acesso à água não está democratizado”. Há 60 mil açudes reservados para poucos. E 95% da água se perde na evaporação. Um programa do tipo Água para Todos custaria menos de R$ 20 por pessoa. Menos que o custo de um carro-pipa, lembra ele; um terço do custo da transposição do São Francisco.

Não é ele apenas que tem visões dessa natureza. Na mesma ocasião, o professor João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, depois de acentuar que metade da população “sofre com seca e fome”, lembrou que 80% das secas são “no miolo da região”, por má distribuição dos recursos, Esta não atende a diretrizes já definidas há décadas, inclusive pelo Ministério do Meio Ambiente, segundo as quais é preciso ter “estratégias de convivência” com o Semiárido – e não tentativas de “combater a seca”. A propósito, há alguns anos, quando fazia um documentário para a TV Cultura sobre o tema, o autor destas linhas ouviu do consagrado e experiente escritor Ariano Suassuna (que cria cabras na região) que “tentar combater a seca no Nordeste é o mesmo que tentar impedir que caia neve sobre a Sibéria”.

Também o professor João Suassuna enfatiza o problema de manter a água estocada em reservatórios (só no Ceará, 8 mil, com capacidade para 18 bilhões de metros cúbicos), sem distribuição. Para ele, mesmo depois de concluída a transposição do São Francisco persistirá o problema das populações que vivem em pequenas comunidades isoladas, aonde não chegarão adutoras – os 12 milhões de pessoas para quem “será levada uma caneca de água”, no dizer do ex-presidente da República. Por isso, em lugar de transpor água, o governo deveria pensar nos projetos contidos desde 2006 no Atlas do Nordeste de Abastecimento de Água, coordenado pela própria Agência Nacional de Águas – e que custariam, para executar, menos de metade (R$3,3 bilhões) do investimento na transposição e atenderia 34 milhões de pessoas.

E há mais. Desde o final da década de 90 o engenheiro José Artur Padilha vem experimentando – e viabilizando – em Afogados da Ingazeira (PE) o sistema chamado de Base Zero. São barragens construídas em leitos de rios secos, só com pedras, em cujos interstícios, sem argamassa, se depositam na época das chuvas sedimentos e materiais orgânicos que fertilizam a área no entorno. A água infiltrada e retida nos períodos chuvosos permite o plantio na seca. E cada bacia assim fertilizada pode tornar viável o desenvolvimento adequado para 40 a 50 famílias em 2 mil hectares. No Polígono das Secas, com 800 mil quilômetros quadrados, seria possível atender por esse caminho 2 milhões de famílias. Desde 1999 (6/5) este escriba comenta o projeto neste espaço. Mas os formuladores de políticas não se comovem.

Soluções há. Sem tentar, inutilmente, derrotar a seca.

Jornal O Estado de S. Paulo

Desvalorização dos veículos deve deixar IPVA 15% mais barato

O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para carros usados deve ter uma redução de até 15% para o próximo ano. Segundo economistas, a queda será o resultado da desvalorização dos veículos usados diante da redução de IPI, que incentivou a comercialização dos carros novos durante este ano.

Para o professor de economia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Alysson Cabral, como o imposto cobrado em 2013 tem como base as tabelas de avaliação dos veículos deste ano, a redução vai variar de acordo com a desvalorização ocorrida nos modelos de cada montadora, mas que, de maneira geral, deve ser em torno de 10% a 15%.

“Houve uma queda nos preços do carro novo por causa do IPI reduzido e aumento do crédito dos bancos para carro zero. Ao mesmo tempo, houve queda na venda dos carros usados por causa da redução de crédito e pelas vantagens para se financiar um carro zero. Muita gente partiu direto para o novo e causou um aumento grande do carro usado que ficou à venda”, avaliou.

Para o economista, provavelmente, o que deve acontecer é que o carro mantenha o mesmo preço após o fim da redução de IPI. Isso porque, nesse período, as montadoras retiraram os descontos. Uma elevação nos preços como antes dessa redução do imposto deverá ocorrer então apenas em meados de 2013.

“Isso já aconteceu em 2010 e 2011 provocado pela política do Governo Federal. Mas nos anos anteriores a redução não passava de 10% e no próximo ano deve ser maior. Também é interessante observar que, se por um lado houve redução de IPI, por outro teve aumento na arrecadação de IPVA. Já que venderam mais carros, o estado acabou arrecadando mais do carro novo. É uma consequência natural do que aconteceu”, avaliou.

Álisson Arruda, com Jornal Correio da Paraíba