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Juízes são despreparados para combater assédio moral nos locais de trabalho

SINTRATEL
SINTRATEL

A dificuldade para identificar o assédio moral institucional nos locais de trabalho pode ser consequência também da falta de preparo e do conservadorismo do Judiciário brasileiro, admite o juiz do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) Paulo Eduardo Vieira de Oliveira. Ele participou de um debate sobre o assédio moral no setor bancário, realizado na semana passada na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo.

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Segundo o juiz, mais da metade dos casos de assédio moral é ignorada porque há uma crença geral de que o controle excessivo, a pressão e a cobrança abusivas por desempenho fazem parte da rotina normal do trabalho. “Outro dia ouvi (de um jurista) no tribunal: ‘mas o empregador não pode regular o tempo do empregado ir ao banheiro?”, relatou, para ilustrar como a organização de rotinas de trabalho, mesmo as degradantes, estão fortemente calcadas no imaginário de todos, inclusive de integrantes do Judiciário.

Segundo estudo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), dois terços da categoria bancária já sofreu com o assédio moral. Pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) revela que o número de tentativas de suicídio entre bancários já chega à média de uma por dia. E, a cada 20 dias, um trabalhador ou uma trabalhadora do ramo financeiro acaba por consumar o ato.

“O assédio é tão antigo quanto o trabalho. Recentemente as denúncias ganharam força porque os estudos de psiquiatria e psicologia evoluíram e agora as pessoas têm informações e estão conscientes de que não querem ter a saúde mental abalada e buscam por saúde integral, física e mental”, disse a advogada especialista em direito do trabalho Adriana Calvo.

Segundo a advogada, o assédio moral pode ser definido como violência psicológica e comportamento abusivo praticado de forma repetitiva, com ideia de infringir regras éticas. Mas como definir regras claras que permitam à Justiça do Trabalho aplicar indenizações ao assediado? “Um dos grandes problemas é determinar o que não é assédio moral, há vários critérios para se definir o que é isso”, afirma Adriana.

DANILO RAMOS/SEEB-SPAuditora fiscal do trabalho Luciana Veloso
Auditora do Trabalho Luciana Veloso

Organizacional

O assédio moral institucional ou organizacional é a forma que mais atinge os trabalhadores de forma geral. Ele está diretamente relacionado ao método de gestão das empresas e à organização de trabalho. No setor bancário, a pressão pelo cumprimento de metas cada vez maiores, impostas de forma unilateral, em um ritmo que muitas vezes o trabalhador não consegue acompanhar, agravam o quadro, levando os trabalhadores a diversas manifestações de transtorno mental.

“Metas existem em todas as organizações, até em instituições filantrópicas sem fins lucrativos. As metas são estabelecidas pelo planejamento estratégico de cada organização e negociadas internamente. O problema não está nas metas. Ele pode estar na forma como elas estão instituídas ou na forma como elas são monitoradas”, admitiu o assessor de relações trabalhistas e sindicais da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), NicolinoEugênio da Silva Júnior.

Na campanha salarial deste ano, os bancários conseguiram incluir na convenção coletiva duas cláusulas para ajudar a combater o problema. A primeira proíbe o envio de mensagens pelos bancos ao celular particular dos bancários, cobrando por resultados e cumprimentos de metas, e a segunda obriga os bancos a investigarem as causas de adoecimento da categoria.

“Existe o problema, claro. Percebemos que é necessário estabelecer alguns limites de parâmetros razoáveis na busca de soluções que evitem o pior, que é a judicialização. Existe um compromisso das partes justamente de evitar isso”, afirmou o assessor da Febraban.

Direito

Apesar de crescente, o número de ações na Justiça contra gestores acusados de prática de assédio moral contra empregados é baixo, segundo o juiz Paulo Vieira. “O setor bancário assedia ‘naturalmente’, mas nos últimos dois anos não recebi nenhuma ação civil pública. E as ações são poucas porque o advogado não sabe pedir, o juiz não sabe julgar, o empregado não sabe perceber. Assédio moral é confundido com dano moral.”

Entre as saídas para resolver a situação estão a busca por orientações aos sindicatos das categorias e a aplicação de multas mais altas aos empregadores. “Acredito que está na representação sindical uma possibilidade muito forte para resolver esse problema. No sindicato patronal no sentido de fomentar a discussão e no sindicato dos trabalhadores no sentido de fazer esse acompanhamento no local de trabalho”, afirmou o procurador do Trabalho Ramón Bezerra dos Santos.

“A responsabilidade é do empregador, que tem de ser penalizado duramente pelo Estado, com ações civis públicas. Estamos num sistema capitalista de produção, seguindo a busca no maior lucro possível. Então temos que entender que a forma ideal para acabar com isso é coibir. Como? Mexendo no bolso, aplicar indenizações acima de seis zeros, porque é só assim que eles (empresas que permitem os casos de assedio) vão aprender”, endossou o juiz Paulo Vieira.

 

 

Viviane Claudino, da RBA

‘Cantadas’ na rua ampliam debate sobre assédio sexual e direitos da mulher

DESIRÉE FERREIRA/BLOG DE FOTOGRAFIAS
DESIRÉE FERREIRA/BLOG DE FOTOGRAFIAS

O ponto de partida para o debate sobre os direitos da mulher e o machismo nunca aparentou ser tão inofensivo. As chamadas “cantadas”, ou ‘elogios’, levantaram discussão na semana passada sobre o que é ou não adequado de se dizer a mulheres desconhecidas no espaço público, e assim, sobre os direitos dessas mulheres de circularem livremente.

Movimentos feministas e especialistas na questão do gênero qualificam as cantadas como um tipo de violência contra a mulher, ao mesmo tempo que são rebatidos por setores que alertam para o perigo da criação de uma espécie de cartilha feminista, que passaria a reger novas formas, mais duras, de relações sociais.

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Uma pesquisa online feita pela jornalista Karin Hueck revelou que 99,6% das 7.762 mulheres que participaram do questionário já sofreram algum tipo de assédio sexual ou verbal enquanto estavam na rua, no transporte público, no trabalho e na balada.

“Linda”, “Gostosa” e “Delícia” são algumas das exclamações mais listadas pelas participantes. Destas, 83% diz não considerar as cantadas como algo positivo, e 90% declarou já ter trocado de roupa com medo do assédio que poderia sofrer ao sair de casa.

“Essas cantadas configuram assédio moral e sexual, na medida em que há um constrangimento das mulheres que, ao andarem nas ruas, têm de ouvir o que não querem. A questão que tem de ser feita é se ela quer passar por este constrangimento. É uma violência achar normal assobiar e dizer ‘gostosa’, sem considerar a vontade e o desejo dela”, afirma a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo federal, Aparecida Gonçalves.

Ela lembra que o direito de ir e vir, garantido constitucionalmente, é ferido a partir do momento em que as mulheres sentem medo ao circular por espaços públicos.

“Se não houvesse medo, se a mulher não se sentisse envergonhada e constrangida ao passar por estas situações, não haveria problema nenhum. Mas estas cantadas são elementos que fazem parte de uma cultura machista, de achar que pode assobiar quando vê uma mulher gostosa, de colocar a mulher como objeto passivo de desejo do homem.”

Generalização

Segundo a autora da pesquisa, Karin Hueck, as cantadas são algo pela qual toda mulher passa de forma recorrente. Apesar da prática generalizada, esse é um tema pouco abordado quando se discutem questões de gênero, por ser visto como natural.

“Acho que a pesquisa pegou bem num ponto de uma ferida exposta há muito tempo, e que ninguém estava querendo tratar”, afirma a jornalista.

Ela defende que a naturalização do assédio é relacionada ao fato de o corpo da mulher, assim como a rua, a praça, e o parque, ser visto como algo público.

“As cantadas partem do pressuposto que o corpo da mulher é público, em oposição ao intimo. Mas o fato de a mulher andar no espaço público não torna o corpo dela, a roupa dela públicos. Ninguém tem o direito de invadir a intimidade dela só porque ela está andando no espaço público, com a roupa que quiser.”

Para a professora de Antropologia da USP e especialista em gênero, Heloísa Buarque de Almeida, a prática das cantadas revela em como os direitos das mulheres no Brasil sempre foram restritos em relação aos dos homens.

“É uma explicação muito histórica para se pensar no Brasil. Principalmente as mulheres de classe alta não ocupavam a rua. Até os anos 50, a mulher não podia sair sozinha de casa. Mas a mulher de classe popular sempre estava na rua porque elas tinham que trabalhar. Chamar a mulher de pública era chamar de puta”, explica.

Elogio X Assédio

A reciprocidade e o interesse mútuo são colocados pela professora da USP como o grande divisor de águas para estabelecer o que é uma manifestação saudável de interesse de uma pessoa por outra.

“A grande diferença é que uma coisa é uma paquera e outra coisa é uma cantada. A paquera pressupõe que a menina está lá também olhando para este homem, que há uma reciprocidade, um interesse mútuo.”

Surgiram nas redes sociais tentativas de esquematizar, com definições, o que é o elogio e o que é o assédio. A professora alerta que esta é uma definição difícil de ser desenhada esquemática e objetivamente, já que as relações interpessoais não são regidas por manuais, mas condicionadas por códigos culturais.

“São códigos culturais que são compartilhados. É difícil você descrever objetivamente, mas as pessoas sabem o que se passa quando vivem a situação. O moço sabe quando a moça está também olhando para ele”, comenta.

A militante da Marcha Mundial das Mulheres, um dos movimentos feministas mais atuantes do país, Thandara Santos, aponta que não é objetivo das entidades que lutam por direitos das mulheres criar esquemas de como relações sociais devem se dar.

“Acho que não cabe à gente este papel, a questão é gerar o debate. A pesquisa retratou a voz de oito mil mulheres. O resultado é significativo porque são milhares de mulheres falando em medo, não em elogio. É importante que esse debate gere o entendimento de que a relação entre homens e mulheres deve estar pautada pelo respeito, pela autonomia, pela liberdade dessas mulheres de andarem na rua da forma como quiserem.”

A acusação do surgimento de uma “patrulha feminista” surgiu como uma forma de reação ao debate, a partir da repercussão da pesquisa. Para Thandara, o debate e a reivindicação por relações mais igualitárias nos espaços públicos é um movimento natural de resposta às violações contra as mulheres.

“Se existe violência é óbvio que vai haver uma patrulha, isso é histórico e é óbvio que vai haver em relação a todas as violências que se cometem contra as mulheres. E este tipo de assédio na rua entendemos como como violência.”

Estereótipos

O índice de 17% das mulheres que relataram receber as cantadas como algo positivo pode ser usado como argumento por aqueles que consideram as cantadas como elogios. Para as militantes feministas, porém, isso pode ser explicado através de um estereótipo de mulher, muito ligado à cultura midiática contemporânea. Além disso, os movimentos apontam uma falta de empoderamento feminino, já que as mulheres também fazem parte da sociedade que sempre teve os homens como modelos de poder.

“As mulheres são muito diferentes, de faixa etárias diferentes, classe social, cor. No Brasil, se você olhar o que faz a mídia, tem uma promoção de que toda mulher tem de ser bonita e gostosa, ser elegante, bacana, glamourosa e gostar de ser olhada. E para algumas mulheres inclusive isso é uma via de ascensão social. É através do corpo que elas conseguem algumas coisas. É o corpo como capital”, afirma Heloísa.

Apesar disso, a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves aponta um empoderamento das mulheres na última década. O próprio debate gerado pela pesquisa mostra que as mulheres estão mais atentas para a questão do machismo, e perderam o medo em falar em feminismo.

“As mulheres estão mais presentes no mercado de trabalho, elas estudam mais, e acompanham mais os debates políticos. Elas percebem este medo e sabem que têm o direito de não se sentirem constrangidas, têm o direito de viver sem violência. O importante na pesquisa é que ela foi pioneira em dizer que as mulheres não gostam disso. Elas também têm direitos ao espaço público, e elas estão mais empoderadas.”

Políticas de combate

A educação voltada para a igualdade de gênero e para a diversidade é apontada como a política pública mais eficaz no combate a comportamentos sexistas.

“Os cursos, desde a educação básica, tinham de ter alguns elementos nas próprias disciplinas que discutissem a questão de gênero e de violência contra a mulher. Isso é fundamental para a formação de uma nova mentalidade”, afirma Aparecida.

Para a professora da USP, a escola funciona com um espaço de reprodução das lógicas machistas. “A escola, desde pequenininhos, promove a desigualdade entre meninos e meninas, a maioria das escolas. O principal é você ter uma educação voltada para a ideia da igualdade do gênero”, explica Heloísa.

Em maio deste ano, a Secretaria de Políticas Para as Mulheres, criada em 2003 na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lançou o Programa Mulher Viver Sem Violência, que prevê a ampliação de serviços públicos de segurança, justiça, saúde e assistência social à mulheres vítimas de violência doméstica.

Segundo Aparecida, a pesquisa e o debate gerado por ela pautaram a Secretaria para uma das próximas campanhas educativas, dentro do programa, para o combate a comportamentos sexistas, incluindo a questão do assédio nas ruas.

“Precisamos no Brasil de uma campanha educativa que altere o comportamento das pessoas. Tem que ser prioridade número um, que os cidadãos respeitem um aos outros independentemente de sexo, raça e orientação sexual. Este é um desafio em âmbito nacional, e de segurança publica, inclusive. Estamos em processo de criação de cinco grandes campanhas, uma delas pode ser pautada por estes resultados [da pesquisa]”, afirma.

 

 

por Júlia Rabahie, da RBA

Pesquisa conclui que as policiais no Rio são vítimas de assédio sexual e moral

Policial FemininoAs mulheres entraram para instituições de segurança pública estaduais na década de 1980. No estado, a incorporação delas à Polícia Militar completa 30 anos. No entanto, nesses anos, as corporações não se adaptaram para lidar com as diferenças entre os gêneros em termos de equipamentos, direitos e para enfrentar as práticas de assédio sexual e moral.

A constatação é da pesquisa Mulheres na Segurança, do Ministério da Justiça. Divulgado em fevereiro, o levantamento nacional revela os problemas que as policiais civis e militares, inclusive dos corpos de bombeiros têm nas instituições de segurança fluminense, estado pioneiro na promoção de mulheres as cúpulas da Polícia Civil e Militar e entre os três estados com mais mulheres nas corporações.

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Com cerca de 10% de mulheres entre os policiais militares 16% entre os bombeiros, as declarações dadas pelas entrevistadas ao MJ revelam o ambiente sexista no qual estão inseridas. “Sempre é muito difícil comunicar assédio moral por conta do corporativismo dos superiores e da omissão dos companheiros, que temem represálias”, disse uma escrivã fluminense.

De acordo com a pesquisa, as instituições não oferecem apoio para vítimas de assédio e canais de denúncia confiáveis, “que não resultem em novas punições e constrangimentos para vítimas”. Outro problema apontado no encaminhamento das denúncias “é a remoção da pessoa assediada, nunca a da que assedia”, o que acaba revertendo a punição, afirma o levantamento.

“As mulheres na polícia tendem, não a esconder, mas a não falar (sobre os assédios) porque isso pode significar um rebaixamento ou perseguição”, disse a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, citada na pesquisa, Maria Cecília Minayo. “As instituições não assumem o problema porque as mulheres não dão queixa. Mas elas não dão queixa porque têm medo”, explicou.

Cecilia Minayo acrescentou que, no Rio, os problemas são apresentados as chefias. “É mais fácil para os pesquisadores colocar o dedo nessa ferida (do que para essas mulheres”. E cobrou  apoio da sociedade por melhores condições de trabalho e salários tanto para mulheres quantos homens policiais. “Eles não são robôs. Não podemos cobrar apenas desempenho”.

Até a publicação desta notícia, a Polícia Civil não resapondeu à Agência Brasil sobre a participação de mulheres em seus quadros no Rio nem sobre possíveis casos de assédio sexual, moral ou comportamento discriminatório na corporação.

 

 

Isabela Vieira, Repórter da Agência Brasil

Sindicato aciona prefeito de Cacimba de Areia no MPE por assédio moral

A presidente do SINFEMP- Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Patos e Região, Carminha Soares, protocolou na manhã desta segunda-feira, dia 7, uma denúncia contra o prefeito de Cacimba de Areia, Orisman Ferreira da Nóbrega, no Ministério Público Estadual, por prática de assédio moral contra os servidores públicos municipais.

O prefeito publicou edital de convocação dos servidores convocando-os para fazer um cadastramento no período de 9 a 24 de janeiro de 2013, mas, no entanto, está proibindo os servidores de trabalharem, o que tem revoltado a categoria.

O maior problema está relacionado com os aprovados no último concurso público, que estão ameaçados de demissão por parte do atual prefeito e segundo informações de terceiros, foi publicado decreto anulando os atos do ex-prefeito Betinho Campos.

O SINFEMP vai fazer a defesa dos servidores públicos municipais, desde que todos estejam associados à entidade, como também irá lutar pela não anulação do concurso público, pois durante o período não ouve contestação por parte dos atuais gestores municipais.

O SINFEMP vai solicitar todas as portarias de nomeação dos servidores, acompanhados do CPF, identidade, carteira do sindicato e último contracheque para entrar com mandado de segurança contra a prefeitura, assegurando que todos possam trabalhar e receber os seus salários em dia.

No próximo dia 22 haverá assembleia geral com todos os servidores municipais na Escola Capitulina Sátiro para discutir a situação.

Carminha Soares lamentou a situação de que pais de famílias estão sendo prejudicados por picuinhas políticas e que o prefeito está agindo informalmente, sem oficializar os servidores da situação, notificando-os.  “O SINFEMP não vai aceitar esse tipo de coisa”, frisou a presidente.

Assessoria

Desembargador goiano acusado de assédio sexual é aposentado pelo CNJ

O desembargador Hélio Maurício de Amorim, do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), foi aposentado compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na terça-feira (3). Ele recebeu a máxima punição administrativa para juízes por ter assediado uma mulher que era parte de processo sob sua responsabilidade. Segundo a denúncia, o desembargador – que então era juiz de uma vara de família de Goiânia – encaminhava processo de dissolução de união estável da vítima quando começou a procurá-la, por telefone e pessoalmente. A mulher informou que Amorim tentou agarrá-la na cozinha da casa dela e que a chamou para “tomar uma cervejinha e um vinhozinho”.
A defesa do desembargador não nega os telefonemas nem a visita, mas credita as atitudes à movimentação que Amorim fazia para encaixar a filha da denunciante – desempregada e recém-formada em direito – em um cargo no tribunal.
A denúncia foi arquivada no TJGO em março de 2009, o que levou a vítima a acionar o CNJ para fugir de um possível corporativismo. Em julho do mesmo ano, Amorim foi promovido a desembargador do TJGO. O CNJ decidiu abrir processo administrativo contra o desembargador em agosto de 2010.
Depois de ter colhido mais informações sobre o caso, o CNJ voltou a analisar o processo nesta tarde. Os conselheiros concluíram, por unanimidade, que a atitude do magistrado foi reprovável e feriu “a honra, a dignidade e o decoro exigidos pela magistratura”, pois mesmo que o assédio não tenha ocorrido, um juiz não pode procurar partes de processo sob sua responsabilidade.
O desembargador tem 65 anos e seria aposentado compulsoriamente daqui a cinco anos. Ele receberá vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.

Débora Zampier/Repórter da Agência Brasil
Focando a Notícia

Jovem tenta defender namorada de assédio e é morto

A briga em um bar, localizado no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, resultou na morte de um jovem de 21 anos. Além disso, uma mulher de 24 anos foi atingida com um tiro nas nádegas.

Segundo a polícia, José Sousa dos Santos, 21 anos, estava com a namorada – identificada como Lucineide Fabrício Florence, 24 anos – bebendo no bar da Netinha.

vitima morta

Dois homens chegaram no bar e começaram a assediar a mulher. Na saída do estabelecimento, a vítima não gostou e foi tirar satisfação com a dupla, que estava armada e começou a atirar contra ele.

José dos Santos ainda tentou correr, pulou o muro de uma casa vizinha, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Lucineide foi atingida com um tiro e socorrida para o Hospital de Emergência e Trauma, onde se encontra em estado regular.

Em seguida, os acusados fugiram em uma moto. No local, impera a lei do silêncio. O delegado Everaldo Medeiros informou que apenas a mulher pode ajudar nas investigações.

Foto: Plantao190 PB

Da Redação, com informações de Poliana Costa, da TV Correio

Jovens trabalhadores sofrem com assédio moral e dupla jornada, mostram pesquisas

São Paulo – Enfrentar o cotidiano de trabalho e estudos e sofrer assédio moral são problemas que afetam os trabalhadores desde a juventude, indicam duas pesquisas realizadas por alunas de mestrado da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP). Em um dos estudos, a psicóloga Samantha Lemos Turte procurou identificar se trabalhadores jovens sabem reconhecer violência psicológica no cotidiano de trabalho. No decorrer das entrevistas com 40 adolescentes com idade inferior a 18 anos, residentes na zona sul da capital paulista, a especialista detectou situações que podem ser entendidas como violência psicológica. A pesquisa foi feita em 2009 e 2010.

Entre os abusos relatados pelos adolescentes estavam desde constrangimentos provocados por outros funcionários da empresa até a atuação em funções para as quais não foram contratados. Também chamou atenção a banalização das más condições de trabalho a que jovens e adultos estão submetidos. Segundo ela, é comum ouvir que trabalhar é ruim e difícil. Essa mentalidade faz perder a noção de que a promoção da saúde mental deve ser estendida ao ambiente profissional. “Naturalizamos problemas do trabalho e irradiamos na nossa vida pessoal”, afirmou a pesquisadora.

Inicialmente os jovens não sabiam reconhecer se haviam sido vítimas de violência psicológica. Mas, ao serem informados da definição do termo, compararam a situação ao bullying, prática de agressão comum entre crianças na idade escolar. Jovens com noção sobre o que é assédio moral demonstraram ter mais segurança em defender-se da prática e reclamar por seus direitos.

Peso duplo

A influência da dupla jornada na vida dos jovens trabalhadores foi tema da pesquisa da psicóloga Andréa Aparecida da Luz, também da FSP/USP. A pesquisadora entrevistou 40 adolescentes entre 14 e 20 anos, da zona sul da capital paulista, inscritos em uma ONG que prepara jovens para atuar em empresas parceiras.

O estudo realizado entre 2008 e 2010 identificou alterações na vida e na saúde de adolescentes aprendizes, como perda ou ganho excessivo de peso, sonolência e, principalmente, diminuição da capacidade de manter a atenção e queda no desempenho escolar. Todos os jovens trabalhavam há pelo menos seis meses, no turno diurno, e eram expostos a uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, além da dedicação aos estudos no período noturno.

Durante as entrevistas, Andrea ouviu relatos de abusos no trabalho, como cumprir as mesmas metas e cotas de funcionários com capacitação técnica, ou substituir cargos de chefia na ausência de supervisores. Dos 40 jovens que participaram da pesquisa, apenas um descreveu ter recebido treinamento específico para a função que exercia.

Apesar das dificuldades, a maior parte dos adolescentes não pensava em deixar o emprego, principalmente por desejarem custear um curso universitário. Alguns adolescentes eram responsáveis por 65% da renda familiar. Ela também percebeu motivações dos jovens trabalhadores relacionadas ao ganho de status e poder de consumo. Mas questiona: “a que preço?”

redebrasilatual

No Brasil, 40% já sofreram assédio sexual no trabalho, diz pesquisa

Considerado crime no Brasil desde 2001, o assédio sexual no ambiente de trabalho é um problema mais discutido fora do país, onde as legislações costumam ser mais duras e casos de autoridades e políticos famosos movimentam a mídia, como o de Dominique Strauss-Kahn, que renunciou ao cargo de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) após ser acusado de agressão sexual. Aqui, até hoje, ao contrário do que acontece na Europa, a vítima é quem deve provar que foi assediada. Mas isso não quer dizer que o problema não afete trabalhadores brasileiros.

Uma pesquisa da Trabalhando.com com 478 pessoas – homens e mulheres – aponta que 40% dos entrevistados já sofreram ou sofrem algum tipo de assédio sexual no ambiente de trabalho, sendo 32% mulheres e 8%, homens. Os 60% restantes afirmam nunca terem sofrido nenhuma agressão desse tipo. O mais surpreendente, segundo a pesquisa, é que, das 191 pessoas que responderam ter sofrido algum tipo de assédio, 20% são homens.

Segundo o diretor-geral da consultoria e autor do best-seller de carreira ”A estratégia do olho de tigre”, Renato Grinberg, o assédio sexual pode se configurar de diferentes maneiras, e que é importante que a vítima informe imediatamente que não está confortável com o comportamento da pessoa que a está assediando, antes mesmo de envolver o RH da empresa ou autoridades de fora.

“Um profissional pode ser assediado por meio de promessas de tratamento diferenciado ou ameaças de represálias, como a perda do emprego, por parte do superior hierárquico ou sócio da empresa, exigindo que o empregado ceda às suas investidas”, diz.

Ele ressalta que, nos Estados Unidos, o assédio é considerado discriminação sexual e o responsável por ele pode sofrer um processo civil e ter de pagar uma indenização à vítima. Aqui no Brasil, no entanto, isso ainda é mais difícil, mas é possível sim processar quem pratica esse tipo de assédio.

O Globo

“Tarado de Bayeux” é preso em flagrante acusado de assédio sexual a menores

Um homem de 35 anos foi preso em flagrante na manhã desta segunda-feira (9), em Bayeux, região metropolitana de João Pessoa, acusado de assédio sexual a meninos com idades entre 13 e 15 anos.

A prisão aconteceu na casa do acusado identificado por Ricardo Lopes da Silva que reside na Rua Pedro Ulisses, no centro, após uma denúncia anônima ao serviço Linha Direta da Polícia Militar. Quando os policiais chegaram para efetuar a prisão, o ´Tarado de Bayeux´ pediu para um menor de 13 anos pular o muro.

Segundo o cabo PM Jone, da 2ª Cia, a denúncia é de que o acusado vinha cometendo os abusos há vários meses apenas com meninos.

A prisão foi efetuada pelo cabo Jone e os soldados Guilherme e Maykelson.

O “Tarado de Bayeux” foi levado para 6ª Delegacia em Santa Rita.

 

Bayeux em Foco