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Eleições 2020: assassinatos a candidatos triplica nos últimos quatro anos

O número de assassinatos a candidatos e pré-candidatos as vagas disputadas no período eleitoral triplicou nos últimos quatro anos. Um levantamento conduzido pelas Organizações não-governamentais (ONGs) Terra de Direitos e Justiça Global indica que foram registrados 46 homicídios em 2016 e até setembro deste ano, esse número saltou para 136 mortos. Fora desta estatística o portal Brasil61.com apurou que ao menos outros três atentados a candidatos foram registrados na última semana de outubro, sendo dois com mortes, além de um atentado a um jornalista sob a suspeita de denúncias políticas.

No Pará, a casa da candidata à vice-prefeita de Belém, Patrícia Queiroz (PSC), foi alvo de tiros durante a madrugada do dia 23 de outubro. Pelo menos dois disparos atingiram a residência, ninguém ficou ferido. Em Fortaleza, o corpo de um candidato a vereador de Caucaia, foi encontrado com marcas de faca dentro de sua casa, na noite do dia 26 de outubro. Evangelista de Sousa Jerônimo, conhecido como Batista da Banca, era candidato a vereador pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Em Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul, João Carraro, também do PSB, foi morto a tiros, no dia 27 de outubro, enquanto fazia atividade de campanha na localidade de Lagoa Bela, interior do município.

Para o analista de risco político, Matheus Albuquerque a violência está diretamente relacionada ao local onde acontece. “Se pegarmos as metrópoles mais violentas do Brasil e fizermos uma relação com o número de casos de violência contra candidatos, é possível enxergar essa relação”, afirma.

A coordenadora do levantamento, Elida Lauris, aumenta esse leque. Segundo ela, casos como os citados, apesar de não terem sido contabilizados pela pesquisa, repetem a questão motivacional observada pelo levantamento. “Você tem fenômenos de rixas familiares, disputas de prefeitos e vice-prefeitos. Em alguns estados, dados relacionados com corrupção, atividades ilícitas que acabam vulnerabilizando e induzindo as disputas que levam a assassinatos políticos. Temos também questões relacionadas com conflitos fundiários, conflitos por posse da terra, dívidas de campanha. Cada estado, as situações vão ganhando uma certa conotação de violência que acaba em assassinato ou atentado”, cita.

Uma dessas situações levou o jornalista Romano dos Anjos, apresentador da TV Imperial de Roraima a ser sequestrado e torturado no dia 26 de outubro. No dia seguinte ele foi encontrado com vida e com ferimentos nos braços e nas pernas. A principal linha de investigação da polícia, é que a violência tenha acontecido como forma de represália às reportagens que denunciavam supostos esquemas de corrupção de parlamentares e candidatos das eleições municipais do estado.

Em Patrocínio, Minas Gerais, diferente do jornalista o candidato a vereador Cássio Remis dos Santos, não resistiu e morreu após denunciar supostas irregularidades da atual gestão da cidade. Segundo explica a esposa do político, Nayara Queiroz Remis, Cássio fazia uma live nas redes sociais no momento exato em que foi alvejado pelo ex-secretário de obras e irmão do atual prefeito, Jorge Marra.

“Em pleno século XXI, às vésperas de uma eleição, estava fazendo uma live denunciando que o prefeito atual reformava, com dinheiro público, o passeio de uma casa que seria comitê eleitoral. Uma pessoa que é capaz de matar a outra, em frente a uma câmera de segurança, com seis tiros, às 15h30, indica que ela e sua família realmente são capazes de tudo, né?”, indaga.

Nayara afirma que o marido não chegou a fazer nenhum boletim de ocorrência por ameaça antes do atentado, mas no dia de sua morte, comentou com a esposa que gostaria de contratar seguranças. A família tem medo que algo possa ocorrer novamente, mas Nayara afirma que não deixará de denunciar e fará justiça.

Eleições desfalcadas

De acordo com a coordenadora do Mestrado em Governança, Tecnologia e Inovação da Universidade Católica de Brasília, Marcelle Gomes Figueira, é preciso avaliar também como fica o cenário político após estes atentados.
“O próprio assassinato da vereadora Marielle Franco, né? A forma como essa violência contra os candidatos têm afetado as eleições. Me parece pouco analisado e estudado”, questiona.
Segundo os indicativos de violência contra candidatos, 91% das vítimas são homens e 83% dos casos ocorrem no interior dos estados, como em Patrocínio.  Destes registros, apenas 12% das investigações são concluídas. Ao todo, o levantamento mapeou entre 2016 e setembro de 2020, 327 casos de violência contra políticos eleitos, candidatos e pré-candidatos, sendo 85 ameaças, 33 agressões, 59 ofensas.

Fonte: Brasil 61

 

 

Feminicídios são mais de 50% dos assassinatos de mulheres em sete meses de 2020, na Paraíba

Nos sete primeiros meses de 2020, 49 mulheres foram mortas por crimes letais intencionais em toda a Paraíba. Do total, 17 casos estão sendo investigados como feminicídios. O número representa 53% dos assassinatos de mulheres. No mês de julho, três mulheres foram mortas e dois casos são investigados como feminicídio.

Em relação a 2019, o número de assassinatos de 2020 continua maior, com dez mortes a mais. Nos sete primeiros meses de 2019 foram 18 feminicídios. Os dados são da Secretaria de Estado da Segurança e Defesa Social (Seds), solicitados pela Lei de Acesso à Informação.

Feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido devido ao fato de ela ser mulher ou em decorrência da violência doméstica. Foi inserido no Código Penal como uma qualificação do crime de homicídio em 2015 e é considerado crime hediondo.

Em relação ao assassinato de mulheres, o mês mais violento foi o de janeiro, quando 11 mulheres foram mortas. Um caso está sendo investigado como feminicídio. Importante destacar que, no decorrer dos meses do ano, outro caso investigado como feminicídio foi adicionado no mês de janeiro, mas em junho ele foi descartado.

Apesar disso, maio foi o mês que mais registrou feminicídios, com cinco casos em investigação, representando 50% do total de mulheres assassinadas (10) no mês. Nas estatísticas divulgadas sobre o mês de maio, quatro casos estavam em investigação, isto é, um caso foi acrescentado nas investigações da Polícia Civil após o fechamento das estatísticas anteriores.

Proporcionalmente, abril foi o mês com maior número de feminicídios com relação aos casos de mulheres assassinadas. Do total de sete crimes violentos contra mulheres, 4 deles são investigados como feminicídio, o que representa um percentual de 57%. Os outros três casos são homicídios dolosos, que podem ter outras motivações.

Jovem é achada morta dentro de casa em Monteiro e namorado é principal suspeito

Uma jovem de 21 anos foi achada morta dentro de casa na cidade de Monteiro, que fica a cerca de 300 quilômetros de João Pessoa, no dia 19 de julho. Kleane Ferreira do Nascimento foi encontrada morta por um amigo do seu namorado na casa em que morava, no Centro de Monteiro, de acordo com o delegado da cidade, Jorge Luiz.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a jovem tinha reatado seu relacionamento há poucos dias. O término tinha acontecido por conta de ciúmes do namorado, que acaba gerando brigas constantes entre os dois, segundo relatos de familiares à polícia. O relacionamento tinha sido reatado no dia 15 de agosto após muito insistência do suspeito.

Segundo o delegado Jorge Luiz, na quinta eles foram passear em um açude da cidade, lá ingeriram bebida alcoólica e o suspeito teve uma crise de ciúmes e chegou a tentar afogar a vítima.

O suspeito, de 35 anos, foi preso na manhã da última quinta-feira (13) na mesma cidade. De acordo com a Polícia Civil, durante quase todo o depoimento, o suspeito se manteve calado. “Ao ser perguntado pelo estado civil, ele se disse viúvo e sorriu, desdenhando do crime cometido”, relatou o delegado da 14ª Delegacia Seccional de Polícia Civil da Paraíba, Gilson Duarte.

G1

 

PB registra 46 assassinatos de mulheres no 1º semestre de 2020

Uma mulher de 44 anos foi achada morta dentro de um apartamento no Vale das Palmeiras, no bairro do Cristo, na Zona Oeste de João Pessoa. O crime ocorreu nessa quarta-feira (12) e o suspeito seria o companheiro da vítima. Nos primeiros seis meses deste ano, 46 mulheres já foram mortas na Paraíba.

Conforme apuração da TV Correio, a filha da mulher saiu de casa sem falar com a mãe porque sabia que ela estava no quarto com o namorado. Ao voltar, percebeu que a mãe continuava no quarto e ao abrir a porta, a encontrou morta.

Segundo a polícia, a mulher pode ter sido morta com golpes de foice ou facão. Até o fechamento desta matéria, o suspeito do crime ainda não havia sido preso.

O namoro dos dois não era aprovado pela família e o companheiro da vítima não era conhecido por ela pelo nome verdadeiro, mesmo após três anos de convívio. A polícia informou à TV Correio que ele é conhecido das autoridades por ter cometido outros crimes.

Mulheres vítimas

Segundo dados da Secretaria de Segurança do Estado, 46 mulheres foram mortas na Paraíba no primeiro semestre deste ano. Em 15 casos, a polícia apura se houve feminicídio, o que representa 32,6% do total dessas mortes.

A Polícia Civil aponta que há subnotificação e orienta como as mulheres podem denunciar: em delegacias físicas do estado, na Delegacia Online ou pelos telefones 190 ou 180.

 

portalcorreio

 

 

Feminicídios são mais de 32% dos assassinatos de mulheres no 1º semestre de 2020, na PB

No primeiro semestre de 2020, 46 mulheres foram mortas por crimes letais intencionais em toda a Paraíba. Do total, 15 casos estão sendo investigados como feminicídios. O número representa 32,6% dos assassinatos de mulheres. Essa proporção é menor do que o mesmo período do ano de 2019, quando 32 mulheres foram assassinadas e 17 casos foram tratados como feminicídios, representando 53% do total. Os dados são da Secretaria de Estado da Segurança e Defesa Social (Seds), solicitados pela Lei de Acesso à Informação.

Feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido devido ao fato de ela ser mulher ou em decorrência da violência doméstica. Foi inserido no Código Penal como uma qualificação do crime de homicídio em 2015 e é considerado crime hediondo.

Em relação ao assassinato de mulheres, o mês mais violento foi o de janeiro, quando 11 mulheres foram mortas. Um caso está sendo investigado como feminicídio. Importante destacar que, no decorrer dos meses do ano, outro caso investigado como feminicídio foi adicionado no mês de janeiro, mas em junho ele foi descartado.

Apesar disso, maio foi o mês que mais registrou feminicídios, com cinco casos em investigação, representando 50% do total de mulheres assassinadas (10) no mês. Nas estatísticas divulgadas sobre o mês de maio, quatro casos estavam em investigação, isto é, um caso foi acrescentado nas investigações da Polícia Civil após o fechamento das estatísticas anteriores.

Proporcionalmente, abril foi o mês com maior número de feminicídios com relação aos casos de mulheres assassinadas. Do total de sete crimes violentos contra mulheres, 4 deles são investigados como feminicídio, o que representa um percentual de 57%. Os outros três casos são homicídios dolosos, que podem ter outras motivações.

G1

 

Paraíba tem aumento de mais de 50% no número de assassinatos em abril

A Paraíba teve uma alta de 51,2% no número de assassinatos em abril deste ano em comparação com o mesmo mês de 2019. É o que mostra o índice nacional de homicídios criado pelo G1, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.

De acordo com a ferramenta, houve 124 mortes violentas em abril de 2020, enquanto no mesmo mês de 2019 foram 82 assassinatos.

Além disso, a Paraíba teve uma alta de 39,3% no número de assassinatos em abril deste ano em comparação com o mês de março de 2020, quando houve 89 mortes violentas.

O crescimento ocorre mesmo em meio à pandemia da Covid-19, em um mês onde medidas de isolamento social foram adotadas em todo o país.

Já considerando o período de janeiro a abril de 2020, foram 388 vítimas de assassinatos neste ano, contra 319 em 2019, uma diferença de 69 mortes.

A alta no início deste ano vai na contramão de 2019, que teve uma queda de 22% no número de assassinatos em todo o ano, na Paraíba. Em 2019, foram registrados 942 assassinatos, o menor número desde 2011, enquanto que em 2018 o número era 1.210.

Os dados apontam que:

  • o estado teve 124 assassinatos em abril de 2020
  • houve 42 mortes a mais na comparação com o mesmo mês de 2019, uma alta de 51%
  • já de janeiro a abril, foram 388 crimes violentos, um crescimento de 21%

 

G1

 

 

Mesmo com pandemia da Covid-19, PB tem alta de 15% no número de assassinatos em março

A Paraíba teve uma alta de 15,5% no número de assassinatos em março deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. É o que mostra o índice nacional de homicídios criado pelo G1, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.

De acordo com a ferramenta, houve 89 mortes violentas em março de 2020. No mesmo mês no ano passado, foram 77. O crescimento ocorre mesmo em meio à pandemia da Covid-19. Em relação aos crimes cometidos neste mês de março, o homicídio doloso lidera as estatísticas, com 88 assassinatos. A outra morte registrada foi um latrocínio, que é o roubo seguido de morte.

Já considerando o trimestre, foram 264 vítimas de assassinatos neste ano contra 237 em 2019, uma diferença de 27 mortes e um crescimento de quase 11,3%.

A alta no início deste ano vai na contramão de 2019, que teve uma queda de 25% no número de assassinatos no primeiro trimestre do ano com relação ao mesmo período em 2018.

Os dados apontam que:

  • o estado teve 89 assassinatos em março de 2020
  • houve 12 mortes a mais na comparação com o mesmo mês de 2019, uma alta de 15,5%
  • já no trimestre de 2020, foram 264 crimes violentos, um crescimento de quase 11,3%

 

G1

 

 

Após ano de queda, número de assassinatos sobe 6% na PB nos dois primeiros meses de 2020

A Paraíba teve uma alta de 6,8% no número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) nos dois primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. É o que mostra o índice nacional de homicídios criado pelo G1, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.

Essa é a primeira parcial divulgada no ano. Em razão da pandemia do novo coronavírus, houve atraso na entrega dos dados e dificuldade para obter os números de todos os estados.

De acordo com a ferramenta, houve 171 mortes violentas no primeiro bimestre de 2020. Ao todo, 89 pessoas foram mortas no mês de janeiro e 82 no mês de fevereiro. No mesmo período do ano passado, foram 160, sendo 77 em janeiro e 83 assassinato em fevereiro.

A alta no início deste ano vai na contramão de 2019, que teve uma queda de quase 29% no número de assassinatos no primeiro bimestre do ano passado em relação a 2018, quando 225 pessoas foram assassinadas na Paraíba, sendo 128 só em janeiro e 97 em fevereiro.

Os dados apontam que:

  • o estado teve 171 assassinatos nos primeiros dois meses de 2020
  • houve 11 mortes a mais na comparação com 2019, uma alta de 6,8%
  • alta vai na contramão da queda que aconteceu em 2019 com relação a 2018

 

G1

 

 

Assassinatos têm redução pelo quarto ano no Carnaval e 2020 registra queda de 9,1%

Este ano, as forças de Segurança da Paraíba alcançaram quatro anos de redução consecutiva de assassinatos no período carnavalesco. Em 2020, a queda em relação ao ano anterior foi de 9,1%, com um caso a menos, sem homicídios registrados em locais de festa, e em 2019 a diminuição de ocorrências foi de 35% em comparação a 2018. Os números são resultado do Planejamento Estratégico traçado pela Secretaria da Segurança e da Defesa Social (Sesds) e executado pela Polícia Militar, Polícia Civil e pelo Corpo de Bombeiros Militar da sexta-feira de Carnaval até a Quarta-feira de Cinzas, envolvendo ações preventivas e repressivas, realização de procedimentos policiais, além de resgates e salvamentos, tanto na região do litoral como no sertão paraibano, por parte dos órgãos operativos da pasta.

De acordo com o Núcleo de Análise Criminal e Estatística (Nace) da pasta, este ano foram contabilizados 10 casos de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) – homicídios dolosos ou qualquer outro crime doloso que resulte em morte – no período no Carnaval (sexta a terça-feira). As ocorrências aconteceram nas cidades de João Pessoa, Santa Rita, Soledade, Aroeiras, São Miguel de Taipu, Fagundes, Junco do Seridó e Catolé do Rocha.

Emprego de efetivo – A Polícia Militar montou um esquema envolvendo o reforço de 1.850 policiais por dia, especificamente para os festejos e locais de maior movimentação nesta época, com viaturas, POPs (Pontos de Observação Policial), drones e van de videomonitoramento. Entre as prévias e o carnaval, a PM esteve em mais de 630 eventos, o que demandou mais de 17 mil serviços gerados.

ações do Corpo de Bombeiros Militar (CBMPB) incluíram prevenção e o salvamento aquático, além de combate a incêndio, atendimento pré-hospitalar e busca e salvamento, bem como a atuação dos mergulhadores de resgate. Este ano, não houve mortes por afogamentos. De forma geral, 454 militares foram empregados durante o período, desenvolvendo ações de prevenção e emergência, auxiliados por 10 embarcações. Da praia de Barra de Camaratuba até Acaú, na cidade de Pitimbu, a corporação teve guarda-vidas espalhados nos pontos tradicionalmente mais movimentados, totalizando 36 postos ativos.

A Polícia Civil da Paraíba aumentou o efetivo nas delegacias e manteve pólos de atendimento em regime de plantão durante o Carnaval, em todas as regiões do Estado. Foram utilizados 1.005 policiais civis em escalas de plantão entre delegados, escrivães, agentes de investigação, agentes operacionais, peritos, técnicos em perícia, necrotomistas e papiloscopistas. Para atendimento à população, também foram utilizadas 270 viaturas espalhadas entre os pólos de plantão das seccionais de Polícia Civil.

Operação Lei Seca – Este ano, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PB) notificou 57 motoristas por dirigir sob efeito de álcool, durante a Operação Lei Seca realizada no Carnaval de 2020. De acordo com a Coordenação de Policiamento e Fiscalização de Trânsito, foram realizados 798 testes de bafômetro, resultando na apreensão de 52 carteiras de habilitação (CNH) e na remoção de 13 veículos aos pátios do órgão. A operação ainda autuou 80 condutores em flagrante pela prática de outras infrações ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

 

Secom/PB

 

 

Feminicídios são mais de 50% dos assassinatos de mulheres em 2019, na Paraíba

Tâmara de Oliveira Queiroz tinha acabado de comprar seu próprio carro. Estava feliz, compartilhando com a filha, por ligação em vídeo, a conquista que tinha realizado. Mas já carregava consigo um passado de agressões e violência. Seu último momento de vida foi no dia 18 de abril de 2019. “Ela estava linda no dia”, disse Sara Valença, de 20 anos, filha da vítima. Tâmara foi uma das 38 mulheres assassinadas em 2019 por motivação relacionada ao gênero.

O número de feminicídios representa 52% da quantidade de mulheres assassinadas no ano passado. Em 2018, esse percentual foi de 40,5%. De acordo com o Núcleo de Análise Criminal e Estatística, foram registrados 84 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) com vítimas do sexo feminino, sendo 34 desses, feminicídios – quatro a menos que no ano de 2019.

O ano de 2019 foi violento para as mulheres da Paraíba. O número de 38 feminicídios é superior ao de homicídios dolosos de mulheres, que não têm relação com o gênero, e acertou a estatística de 32 casos. Além disso, os dados também mostram que duas mulheres morreram por latrocínio, quando acontece o roubo seguido de morte, e outra por lesão corporal seguida de morte. No total, 73 mortes.

O mês com o maior número de feminicídios foi justamente o que fez Tâmara entrar para as estatísticas. Além dela, outras cinco mulheres também foram mortas por seus companheiros ou ex-companheiros. Igualando a abril, o mês de outubro também registrou 6 feminicídios. Não houve um mês do ano que uma mulher não tenha sido morta por questões de gênero.

‘Marconi deu um tiro na sua mãe e se matou’

Essa foi a frase que Sara escutou quando recebeu a notícia sobre a morte da mãe. Marconi Alves Diniz matou a ex-companheira com três tiros, no bairro da Torre, em João Pessoa. Logo depois ele também se matou com um tiro no ouvido. O crime aconteceu em frente a uma concessionária de veículos. De acordo com informações da Polícia Militar, a vítima do feminicídio chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu.

Conforme a Polícia Civil, o filho do homem é o dono da concessionária. A vítima e o suspeito trabalhavam juntos no estabelecimento. Eles estavam separados há cerca de dois meses, mas Marconi não aceitava o fim do relacionamento. Antes dos tiros, os dois teriam discutido. A arma do crime foi encontrada embaixo do corpo dele.

Quando soube do que aconteceu, Sara saiu do quarto gritando. Difícil acreditar, já que o dia amanheceu tão contente para Tâmara. Os irmãos ouviram e também se desesperaram. “O corpo dela estava em choque, por isso pensaram que ela estava viva”, conta Sara. Tâmara ainda foi levada para um hospital particular.

Crime aconteceu no bairro da Torre, em João Pessoa — Foto: Walter Paparazzo/G1

Crime aconteceu no bairro da Torre, em João Pessoa — Foto: Walter Paparazzo/G1

“A imagem não sai da minha cabeça”, revela a filha. Sara conta com detalhes e emocionada a cena que encontrou quando chegou ao local. Jamais imaginaria que a última vez que veria a mãe seria dentro de um saco preto, com um roteiro nada agradável. Não teve tempo de sentir o luto. Sara foi logo resolver pendências de velório e enterro. As lágrimas representavam um misto de saudade, indignação e a estranha sensação de não acreditar no que estava acontecendo.

Tâmara deixou para trás cinco filhos que tentam se recuperar diariamente da dor dilacerada que três tiros foram capazes de deixar. Apenas um desses filhos também é filho de Marconi. Nenhum deles trabalhava, alguns já tinham filhos, mas a maioria era ajudado por Tâmara.

Com o passar dos meses, a responsabilidade bateu na porta. Sara e a irmã foram morar com os namorados. O filho do casal foi morar com uma tia, porque as irmãs não tinham condições de criá-lo. “Quando minha filha completou sete meses fui atrás de emprego, agora eu estou trabalhando, mas com muita dificuldade”, conta Sara. O emprego dela também é em uma concessionária. Tudo lembra a mãe.

História marcada por violência

A história de Tâmara começa em Caruaru, com quatro filhos e vítima diária da violência doméstica. Quando resolveu dar um basta na situação, fugiu com os filhos para João Pessoa, quando começou a trabalhar para o primo de Marconi. “Depois de um tempo, Marconi veio para João Pessoa tirar férias e visitar o filho. Foi então que eles se conheceram”, disse Sara. Tâmara trabalhava como doméstica e Marconi na concessionária do filho. Com o tempo, passou a trabalhar na mesma concessionária como vendedora e, em seguida, como gerente, sendo o braço direito do filho de Marconi.

Tâmara e a filha de Sara — Foto: Sara Valença/Arquivo Pessoal

Tâmara e a filha de Sara — Foto: Sara Valença/Arquivo Pessoal

Com as dificuldades financeiras que Tâmara passava, Marconi acabou sendo um apoio. Comprou geladeira, fogão e ajudou em várias situações. Os anos se passaram, se conheceram melhor e começaram o relacionamento. Em seguida, nasceu o filho dos dois, hoje com dez anos.

“Antes de acontecer, eu nunca tinha reparado no que estava acontecendo diariamente. Após o acontecido, foi que eu vi o que estava se passando”, revela Sara. Marconi já havia tentado matar Tâmara outra vez. E esse teria sido justamente o motivo da separação. No dia que esse momento aconteceu, Tâmara ligou para Sara chorando, desesperada. Ela disse que estava trancada em casa, com medo do que Marconi pudesse fazer com o filho deles, de apenas dez anos. Sara estava grávida nessa época, dois meses antes da morte da mãe.

Os casos de ciúmes eram frequentes. Os dois estavam em casa quando Tâmara recebeu um telefonema de um cliente. “Ele surtou”, conta Sara. Foi até o quarto e procurou a arma. Quando encontrou, apontou o revólver para Tâmara. Nesse momento, o filho se jogou na frente da mãe pedindo para o pai matar ele, mas deixar a mãe dele viva.

Com o tumulto de vizinhos e familiares que começaram a chegar, Marconi foi embora da casa. Mas depois voltou e não queria sair mais para que Tâmara pudesse pegar suas roupas e ir embora de vez, porque acreditava que os dois pudessem reatar o relacionamento. Já separados, por muito tempo, Marconi a seguia.

Na noite anterior ao crime, Marconi foi até a casa do namorado de Sara. “Só falava dela (Tâmara). Disse que era a última vez que ia tentar voltar com minha mãe. Era incrível como ele reagia. Era como se ele estivesse aéreo”, lembra Sara.

Tâmara de Oliveira Queiroz foi morta pelo ex-companheiro com três tiros, em João Pessoa — Foto: Sara Valença/Arquivo Pessoal

Tâmara de Oliveira Queiroz foi morta pelo ex-companheiro com três tiros, em João Pessoa — Foto: Sara Valença/Arquivo Pessoal

‘Um vazio que não cabe no peito’

Depois de mais de nove meses, a visão de Sara sobre os relacionamentos mudou. “Nunca concordei em ela preservar esse relacionamento abusivo. Ele era doente de ciúmes. Arranhava o carro dos clientes, ficava olhando ela no escritório pelas câmeras”, conta.

Hoje, o que sente, é “um vazio que não cabe no peito, uma dor incomparável”, desabafa. “Se não fosse minha filha, meu mundo estaria acabado, porque minha vontade é de morrer. Todos os dias quando acordo penso o quanto ela foi boa para nós, o quanto ela se dedicou para dar o melhor”, desabafa emocionada.

A dor não foi embora. Mas Sara passou a entender. “Porque assim como minha mãe, outras mulheres se submetem a passar por isso, ‘por amor’, ‘por filhos’, ‘por família’, e esquecem que o que importa é sua vida emocional. As mulheres podem tudo que quiser, elas não precisam de um homem para viver. E elas precisam, sim, denunciar. Eu imagino que se da primeira vez que ele tentou matar, ela tivesse denunciado, talvez teria evitado (a morte)”, conta.

Suspeito Aderlon de Souza e a vítima Dayse Alves — Foto: Reprodução/TV Paraíba

Suspeito Aderlon de Souza e a vítima Dayse Alves — Foto: Reprodução/TV Paraíba

Crime semelhante

No dia 15 de abril de 2019, um homem também matou a esposa e depois cometeu suicídio, em um motel na BR-104, entre a saída de Campina Grande e a cidade de Queimadas, no Agreste paraibano. Ele mandou mensagens no WhatsApp para o irmão informando que matou a mulher e que iria se matar em seguida com um revólver.

Para a polícia, Aderlon planejou a morte de Dayse Ariceia da Silva Alves, de 40 anos. Ainda de acordo com a polícia, o casal – que tinha duas filhas, uma de 8 anos e outra de 17 – estava separado há 9 dias. Mas, segundo a família, Dayse e Aderlon já não viviam na mesma casa há cerca de um ano, quando o homem decidiu ir morar na casa da mãe dele.

Homem enviou mensagens para irmão após matar esposa em quarto de motel na Paraíba — Foto: TV Paraíba/Reprodução

Homem enviou mensagens para irmão após matar esposa em quarto de motel na Paraíba — Foto: TV Paraíba/Reprodução

 

G1

 

 

Paraíba reduz em 22% o número de assassinatos em 2019

A Paraíba apresentou dez meses de redução consecutiva de assassinatos em 2019. O resultado das ações da Secretaria da Segurança e da Defesa Social (Sesds) e do Programa Paraíba Unida pela Paz foi divulgado pelo governador João Azevêdo, nesta segunda-feira (25), durante o programa semanal ‘Fala, governador’, transmitido em cadeia estadual pela rádio Tabajara. De acordo com dados do Núcleo de Análise Criminal e Estatística (Nace) da Sesds, de janeiro a outubro a queda acumulada foi de 22%, com o registro de 786 ocorrências de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), que são os homicídios dolosos ou qualquer outro crime doloso que resulte em morte. Em 2018, no mesmo período, foram 1.008 casos. Já os assassinatos de mulheres tiveram queda de 7%, com 65 casos (sendo 33 feminicídios), contra 70 no ano passado.

De acordo com o chefe do Executivo estadual, os números são reflexos dos investimentos do governo e da união das forças de segurança do Estado. “Nós estamos promovendo grandes ações na segurança, fazendo com que recursos relacionados a pagamentos de bolsas, equipamentos, armamentos e tecnologia sejam constantes. A criação do BEPMotos de João Pessoa e de Campina Grande, da Patrulha Maria da Penha, a implantação de batalhões e a construção dos Centros de Comando e Controle de João Pessoa, Campina Grande e Patos têm feito com que a segurança pública da Paraíba continue avançando e a população da Paraíba pode ficar certa de que esse é um foco do governo e vamos continuar com esse olhar constante”, assegurou.

Dados – As estatísticas apontam que, em termos de taxa, no comparativo entre 2010 e 2018, a Paraíba saiu de 41,5 assassinatos por cem mil habitantes para 24,3, representando uma redução acumulada de 43%. Em João Pessoa, a taxa caiu de 71,3 homicídios por cem mil habitantes para 24,3 (-66%) e em Campina Grande de 51,7 para 23,3 assassinatos por cem mil habitantes (-74%).

Ainda de acordo com relatório do Nace, das 22 Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisp), definidas pela LC 111/2012, 17 tiveram queda no número de CVLI, de janeiro a outubro: 5ª Aisp de Santa Rita, 2ª Aisp zona sul de João Pessoa, 6ª Aisp de Alhandra, 22ª Aisp na zona Oeste de Campina Grande, 14ª Aisp de Monteiro, 13ª Aisp de Picuí, 21ª Aisp de Solânea, 10ª Aisp na zona leste de Campina Grande, 8ª Aisp de Guarabira, 11ª Aisp de Queimadas, 1ª Aisp na zona norte de João Pessoa, 19ª Aisp de Sousa, 4ª Aisp de Bayeux, 3ª Aisp de Cabedelo, 12ª Aisp de Esperança, 20ª Aisp de Cajazeiras e 7ª Aisp de Mamanguape.

Redução de ataques a bancos – O trabalho de prevenção e repressão qualificadas aos crimes contra instituições bancárias na Paraíba resultou na queda de 59% das ocorrências, com 28 casos registrados de janeiro a outubro deste ano, entre arrombamentos, explosões e roubos, contabilizados em 19 dos 223 municípios paraibanos. Especificamente em relação às explosões, a redução nas ocorrências foi de 71%, com 18 casos em dez meses.

Queda dos roubos em João Pessoa e Campina Grande – As duas maiores cidades do Estado registraram queda nas ocorrências de crimes patrimoniais no período de janeiro a outubro deste ano. Na capital, a redução foi de 33%, incluindo roubos a pessoas (-36%), roubos a estabelecimentos comerciais (-8%) e roubos em transportes coletivos (-32%). Já em Campina Grande o decréscimo foi de 22%, abrangendo roubos a pessoa (-12%), roubos a estabelecimentos comerciais (-37%), roubos a residências (-35%) e roubos em transportes coletivos (-51%).

Em relação aos roubos de veículos, os dois municípios acumulam uma redução de 19% nas ocorrências. As ações da Polícia Civil e da Polícia Militar também conseguiram recuperar 61% dos veículos roubados ou furtados no Estado, somando 2.199.

Operações e prisões de interesse estratégico – De janeiro a outubro de 2019, 2.332 prisões de interesse estratégico foram realizadas pelas forças de segurança (suspeitos de homicídios, roubos, incluindo de veículos, e pessoas com mandados de prisão em aberto) e um total de 16 mil prisões no Estado no mesmo período. Tiveram destaque as 1.387 prisões de autores de crimes patrimoniais (59%).
Nos dez meses, 4.198 operações realizadas pela Polícia Militar, Polícia Civil e pelo Corpo de Bombeiros Militar, sendo 2.993 operações de interesse estratégico.

Apreensão de armas e drogas – Em dez meses, um total de 3.171 armas de fogo, entre revólveres, espingardas, fuzis e pistolas, foi apreendido nas ruas em decorrências do trabalho de policiais militares e civis. O número é 55% maior do que foi retirado de circulação no mesmo período de 2018 (2.042 armas). As apreensões tiveram aumento nas três Regiões Integradas de Segurança Pública (Reisp) – João Pessoa, Campina Grande e Patos.

Também nesse período, mais de uma tonelada de entorpecentes foi apreendida no Estado, entre maconha, crack e cocaína. Os destaques nas ações policiais foram as desarticulações de laboratórios de refino de drogas, pelas Polícias Militar e Civil.

Resgate de acidentes de trânsito – A atuação do Corpo de Bombeiros Militar resultou no resgate de 3.117 pessoas acidentadas no trânsito, de janeiro a outubro deste ano. A maioria das ações aconteceu em João Pessoa (1.623 casos). Na região de Campina Grande, 390 pessoas foram resgatadas e no Sertão os bombeiros militares foram responsáveis por 435 ações desse tipo. No comparativo entre os anos de 2018 e 2019, foram 542 resgates a mais.

 

Secom