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Enquanto ‘Em família’ despenca no Ibope, ‘Meu Pedacinho de Chão’ ganha as graças do público

meu-pedacinho-de-chaoMeu Pedacinho de Chão (Globo, 18 horas, de segunda a sábado) é o maior aglomerado de citações literais ou implícitas da história da tevê brasileira. Começa por citar a si mesma, aqueleMeu Padacinho de Chão que se estendeu por 185 longuíssimos capítulos, de 1971 a 1972, estreando o que viria a ser o horário cativo da novela das 6, e escrito pelo mesmo Benedito Ruy Barbosa que, num remake que ele diz não ser um remake, recorre desta vez à expertise de duas gerações da família (a filha Edilene e o neto Marcos assinam com ele a trama).

O enredo é meio conto de fadas, meio cordel, meio romance armorial, como se Ariano Suassuna fosse subitamente aparecer em cena trazendo pelas mãos Dom Quixote e Dulcineia. Tem ecos de chanchada e alvoroços de saltimbancos, o que justifica o talentoso casting de atrizes do Galpão (Inês Peixoto, Teuda Bara), a trupe jogralesca de Minas. A toada nordestina é temperada pelo eventual sotaque de caipira paulista. Total melting pot.

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Na cenografia, as alusões explodem em fartura policromática que evoca, do início ao fim, o Tim Burton de Peixe GrandeA Fantástica Fábrica de Chocolate. O figurino de golas, perucas e looks à Maria Antonieta promove um revivalenigmático que, de tão irreal, de tão fictício, provoca a nostalgia ambígua de um tempo jamais vivido. Desde o seriadoHoje é Dia de Maria, Luiz Fernando de Carvalho (agora, com Carlos Araújo) se esmera num faz de conta corajoso e inovador, de persongens que, propositalmente caricatos, ainda assim não deixam de ser ligeiramente espectrais.

Carvalho não tem à mão Johnny Depp ou Marion Cotillard, mas tem Irandhir Santos (o Zelão) e Bruna Linzmeyer (a Juliana) roubando a cena em meio a um elenco de notáveis. O horário das 6 agradece. A novela, quando criativa, quando irrequieta, ainda tem seu lugar.

Carta Capital

Ricardo responde as criticas de Cássio: “não uso pistola, tenho projetos”

ricardo-coutinhoO governador Ricardo Coutinho, respondeu esta manhã, a Rádio CBN João Pessoa, a declaração que o senador Cássio Cunha Lima fez durante a reunião do PSDC ontem (1).

Ricardo Coutinho lamentou o pronunciamento do senador e disse que fala apenas de política. “Meu discurso sempre foi na base das ideias. Minha única arma foram as ideias. Não preciso usar pistola, eu nunca atirei em ninguém para resolver minha pendências, isso está distante da minha personalidade”, provocou.

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O governador disse ainda que esta não é a ocasião adequada para desavenças. “Infelizmente algumas pessoas estão tentando levar para um momento tão importante, que é o momento das escolhas, para um campo movediço. Eu não vou brigar com ninguém, vou vencer com as ideias, ideias que tratam todos, inclusive os diferentes, por igual”, ressaltou.

Coutinho destacou que sua resposta é trabalhar, “enquanto alguns querem brigar eu quero ter o direito de trabalhar e vou para a briga apresentando projetos. Em outubro, caso ele, (Cássio), tenha o direito de se candidatar, nas urnas saberemos pelo que anseia o povo paraibano”, completou.

 

Ascom

Às vésperas da Copa, grupos retomam protestos e buscam apoio internacional

protestos-no-brasilA menos de 30 dias da Copa do Mundo, uma série de ações marcadas para esta quinta-feira buscam dar impulso a um eventual retorno dos grandes protestos às vésperas do megaevento.

E além de saírem às ruas das capitais brasileiras, os manifestantes contam agora com apoio internacional – em ao menos oito países foram confirmados atos de solidariedade aos manifestantes no momento em que o mundo está de olho no Brasil.

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Organizados por dezenas de movimentos sociais, grupos de estudantes, sindicatos e diferentes entidades, os protestos estão sendo coordenados pelo Comitê Popular da Copa de São Paulo e de outros locais. Eles contariam com apoio do Movimento Passe Livre (que iniciou a onda de protestos no ano passado), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), e ao menos no Rio de Janeiro teriam apoio dos adeptos da tática Black Bloc.

Seus idealizadores prometeram ações em 15 cidades, entre elas a capital paulista, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.

A expectativa é de que em São Paulo ocorram ações simbólicas e paralisações no trânsito desde o início da manhã, além do protesto marcado para o final da tarde.

Já no exterior, os organizadores dizem que haverá atos em Santiago do Chile, Buenos Aires, Londres, Paris, Berlim, Barcelona, San Francisco, Nova York e Bogotá – outras cidades aguardavam confirmação até a noite de quarta-feira.

Para Juliana Machado, do Comitê Popular da Copa de São Paulo, o apoio internacional ao “15M”, como está sendo chamado o dia de mobilizações, é resultado de um esforço de divulgação.

“Está acontecendo um tour de ativistas brasileiros por algumas capitais do mundo, alertando para as nossas lutas. Além disso, traduzimos o manifesto para inglês, alemão, francês, italiano, espanhol, dentre outros idiomas, e disseminamos por nossas redes de contatos e articulações de movimentos”, explica.

Ela diz que houve a sugestão de que os protestos ocorressem diante das embaixadas brasileiras, mas que há total autonomia local quanto ao formato, lugar e horário das manifestações.

A ativista diz que a mobilização internacional conta tanto com ativistas brasileiros vivendo no exterior como estrangeiros que integram movimentos sociais em seus países e que se solidarizam com as demandas.

Dentre os 11 itens constantes do manifesto defendido pelo grupo e assinado por dezenas de organizações constam o passe livre, o direito à livre manifestação, a realocação das famílias removidas pelas obras da Copa, a indenização às famílias dos nove mortos durante as obras, dentre outras.

Impacto internacional

O geógrafo americano Christopher Gaffney, professor-visitante de pós-graduação na Universidade Federal Fluminense (UFF) que vem analisando as mudanças em curso no Brasil devido aos grandes eventos, diz que o embate dos diferentes atores sociais terá impactos diretos em como o mundo vai ver o Brasil nas próximas semanas.

“O que ocorrer aqui terá impacto direto lá fora. Se a polícia for violenta no Brasil, você terá reações no exterior. Mais ou menos protestos vai depender do que acontecer daqui para frente”, diz.

Quanto aos reflexos para a imagem do país no exterior, Gaffney diz que depende de quem se está tentando convencer. “Para os executivos e grandes corporações internacionais, agrada ver que o Estado brasileiro está disposto a usar a força para defender seus interesses. Para o turismo e para mostrar que aqui se vive um estado democrático de direito, no entanto, será péssimo se as cenas de violência de junho do ano passado se repetirem agora”.

Movimentação e outro lado

Após meses de especulação de especialistas, sociólogos e da imprensa, que buscaram prever a intensidade das mobilizações populares durante a Copa, o “15M” pode ser um primeiro teste de como as ruas vão, de fato, reagir ao megaevento.

“Eu tendo a achar que a linha é essa mesmo, do recomeço dos protestos de grande impacto. Acredito que deve haver um fluxo regular agora de manifestações, ações emblemáticas, e de grandes protestos”, diz Gustavo Mehl, do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, no Rio de Janeiro.

Ele diz que deve haver a confluência entre as demandas dos movimentos sociais e dos trabalhadores que devem intensificar as greves que já estão ocorrendo.

“Muitos trabalhadores tiveram o custo de vida aumentado, os aluguéis subiram. Há o sentimento de revolta de que os eventos trazem oportunidades de negócios para os grandes empresários, e agora as pessoas querem sua parte. O trabalhador está cobrando a conta da Copa”, diz.

Na visão dos organizadores, os protestos, embora legítimos, devem ser adiados para depois do Mundial. Tanto a Fifa quanto o Ministério do Esporte apostam no clima de festa e comemoração e pedem que as manifestações sejam “adiadas”.

Em entrevista à BBC, em Londres, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse em março deste ano que a Copa do Mundo “não é um momento de nós fazermos protestos, porque teremos todo o tempo para reivindicar e para melhorar as coisas no nosso país [depois do Mundial]”.

Pouco antes, o secretário-geral da Fifa, o francês Jerôme Valcke, disse que a Copa “é a hora errada de protestar, porque é a hora que o Brasil deveria curtir esse momento único, um momento que eles não puderam ter desde 1950. É um direito protestar. Para eles (os manifestantes), é o melhor momento. Para mim, é a hora errada”.

Polícia e segurança pública

Consultadas pela BBC Brasil, as corporações de polícia das duas maiores cidades do país dizem estar preparadas para os protestos desta quinta-feira, mas se recusaram a comentar o assunto em maiores detalhes.

“A Polícia Militar se preparou especialmente para atuar nesses eventos, porém o esquema de policiamento, por questões estratégicas, não será comentado neste momento. Após as operações, deveremos fazer um balanço e comentar os resultados”, disse em nota a Polícia Militar do Estado de São Paulo.

No Rio, a nota cita vandalismo e detenções. “A Polícia Militar estará presente em toda e qualquer manifestação garantindo o direito constitucional. Se houver atos de vandalismo e dano ao patrimônio público, as pessoas serão detidas e conduzidas para as delegacias’.

E a Secretaria de Estado de Segurança diz reconhecer “a importância de manifestações democráticas e que é dever e papel das polícias prover a segurança e preservar o direito de ir e vir de todos”.

 

 

BBC Brasil

Às vésperas da prisão, Jefferson desfruta dos últimos momentos de liberdade

Um dia antes de ter a prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão, pegou a estrada. Montado em sua moto Harley Davidson, ele viajou por cerca de três horas e meia, mas não informou o destino. Com jaqueta de couro e calça da marca de motos, ele saiu às 8h deste domingo e voltou às 11h30m. De volta a Levy Gasparian, Jefferson disse que está aproveitando os últimos momentos de liberdade: 

Pablo Jacob / Agência O Globo
Pablo Jacob / Agência O Globo

– Estou desfrutando dos momentos finais da minha liberdade. Quanto a vocês (jornalistas), curtam a sua, porque ela é o bem supremo da vida – disse o presidente de honra do PTB, que teve o pedido de prisão domiciliar negado pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa.

À espera de Roberto Jefferson, estava o comerciante Afonso Dominguito de Castro, montado em uma Harley Davidson, que disse vir de Cataguases, em Minas Gerais, para doar R$ 100 ao ex-deputado. Nesta sexta-feira, Jefferson revelou ao GLOBO que começou uma campanha de arrecadação para pagar a multa de R$ 720 mil. Entre os doadores, a filha Cristiane Brasil, secretária municipal de Envelhecimento e Qualidade de Vida no governo de Eduardo Paes (PMDB). O ex-presidente Fernando Collor, do PTB, também estará entre os doadores.

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– Eu vim mostrar a cara, está aqui meu cpf, ao contrário desses que doam sem se mostrar. Vou doar R$ 100 para esse homem, ele pelo menos deu um passo para nós brasileiros, precisamos de mais políticos honestos. Ele devia ser menos condenado. Pelo menos ele fez algum bem pro país. Aqui está meu dinheiro – disse o comerciante, ao que Jefferson respondeu:

– Foi um gesto espontâneo. Gente boa – disse, convidando o comerciante para entrar em sua casa.

Bem humorado, o petebista apareceu, por volta das 17h deste domingo, na sacada de sua casa para pendurar uma bandeira do Botafogo, que ganha de 1 a 0 a partida contra o Fluminense. E brincou:

– Tem algum tricolor aqui? Desculpe o mau jeito aí, flamenguista – disse a um jornalista que usava a camisa do Flamengo.

Neste domingo, Roberto Jefferson publicou em seu blog se despedindo dos leitores. A partir de agora, a página será administrada pela equipe do ex-deputado. “Até que a Justiça determine o meu status de preso, a partir de hoje deixo vocês na companhia da minha equipe”, disse, afirmando que, sempre que possível e “dentro dos limites da lei”, se comunicará com os leitores. “Até breve”, completa, na publicação intitulada “Força Maior”.

Abaixo, a íntegra da publicação:

Até que a Justiça determine o meu status de preso, isto é, o que posso e o que não posso fazer, como escrever neste blog, por exemplo, a partir de hoje deixo vocês na companhia da minha equipe, que já trabalha comigo há anos e conhece meu sentimento em muitos assuntos, principalmente na Política, que neste ano eleitoral e de Copa do Mundo nos reserva muitas e variadas surpresas. Vocês ficarão bem assistidos, não tenho dúvidas. Mas, tenham certeza de uma coisa: sempre que possível e dentro dos limites da lei, me comunicarei com vocês. Até breve.

 

LETICIA FERNANDES,