Arquivo da tag: Amélia

Machismo: pesquisa mostra que brasileiros ainda querem uma ‘Amélia’

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

O machismo no Brasil é um tema que volta e meia está no topo das discussões: quando se pensa que avançamos neste aspecto, logo aparece alguma novidade para provar o contrário. E enquanto muita gente pensa que alguns conceitos ficaram lá no século passado, uma pesquisa vem trazendo dados preocupantes dentro deste cenário.

 

O instituto Avon apresentou esta semana os resultados do estudo Percepções dos homens sobre a violência doméstica contra a mulher. O tema machismo foi abordado em diversas questões, uma vez que o comportamento representa um tipo de violência.

 

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Ficou comprovado que muitos deles ainda esperam da mulher o papel de Amélia: servil e pouco ousada. Entre os destaques, estão dados como: 85% dos homens consideram inaceitável que a mulher fique bêbada; 69% não querem que a mulher saia com amigos (as) sem o marido e 46% não gostam que mulheres usem roupas justas e decotadas.

 

Quando o assunto são as tarefas domésticas, 43% acham que quem deve cuidar da casa é a mulher, enquanto que 89% dos entrevistados consideram inaceitável que a mulher não mantenha a casa em ordem. No campo da sexualidade, 47% deles concordam que o homem precisa mais de sexo do que a mulher.

 

Álcool, roupas e liberdade
Sair com as amigas, para muitas mulheres, é sinônimo de liberdade e de algumas horas de descontração – longe das obrigações envolvendo trabalho, filhos e casa. Embora alguns homens tenham dificuldade em admitir, o ciúme e o instinto de ‘propriedade’ está presente em muitos relacionamentos.

 

​Luciano Vinícius de Carvalho Castro, 36, tecnólogo, reforça os números da pesquisa neste sentido. “Sair com as amigas implica em não saber o que está acontecendo, o que coloca o homem na condição de quem perdeu o controle sobre a situação”, afirma.

 

Já o gestor ambiental Marcos Flavio, 28, discorda. “Dentro de uma razoabilidade moral, não sendo ridículo, nem expondo a intimidade, creio que uma roupa decotada, combinando, seja sim bonito”, analisa.

 

As roupas justas, condenadas por 46% da amostra, também representam um problema para Luciano. “É natural que o homem hétero sinta atração pelo corpo da mulher. É isso que, a princípio, desperta sua libido, e ele não se sente confortável sabendo que outros homens possam estar – e estarão – admirando o corpo de ‘sua propriedade’”, pontua.

 

Já quando o assunto é o álcool, rejeitado por 85% dos homens da pesquisa, as opiniões são divergentes. Diego Rodrigues, 28, executivo, acredita que é aceitável uma mulher ficar bêbada, mas com uma ressalva. “Desde que não seja uma coisa frequente, ou em situações em que não convém.”

 

O gestor operacional Robson Leandro da Silva discorda. “E daí que a mulher ficou bêbada? Se fosse o contrário (mulheres achando inaceitável homens bêbados) diriam que é frescura”.

 

Luciano observa que, entre os que criticam e os que simplesmente aceitam, também existe uma terceira categoria: os que tiram uma vantagem dessa situação. “Acho pior que considerar inaceitável, a maioria dos homens espera tirar proveito de mulheres alteradas pelo álcool”, observa.

 

Síndrome de Amélia
O estigma da Amélia, ‘que era mulher de verdade’, vem sendo rejeitado ao longo dos anos por muitas mulheres, que hoje em dia têm enorme representatividade no mercado de trabalho. Os homens mais abertos à esta mudança de padrão aceitaram a virada, porém, como comprova a pesquisa, existem muitos que ainda preferem se acomodar no papel de marido provedor – que simplesmente é servido e não assume papéis na vida doméstica.

 

Luciano tem uma explicação para a alta porcentagem que acha que cuidar da casa é coisa de mulher. “Eu diria até que mais de 43% acham isso, pois é uma mentalidade transmitida e reproduzida pela família tradicional”. Diego concorda: “acho que mulher tem mais bom gosto para cuidar da casa no que diz respeito a móveis, louças, organização.”

 

Adriana Tamashiro ficou com o rosto cheio de hematomas após a agressão Foto: Divulgação
Violência à mulher é problema cultural; especialistas cobram campanha
Foto: Divulgação

 

Para Matheus, o segredo é o equilíbrio. “Os casais atuais dividem as tarefas e compartilham as coisas boas e ruins de cuidar da casa”, afirma, embora também acredite que “as mulheres são muito mais preocupadas com isso que os homens.”

 

Robson é contra o número da pesquisa. “Essa divisão não deve existir. Se você divide a casa com alguém, deve dividir as tarefas. A menos que um dos dois tenha por hobby, por exemplo, cozinhar. O que não acredito que aconteça com a questão da limpeza. Felizmente, as mulheres trabalham hoje e não devem assumir as funções de doméstica”, observa.

 

Sexo
Os hormônios masculinos geralmente são os ‘culpados’ pela aparente maior necessidade de sexo deles. E pelo visto eles concordam, já que 47% pensam desta forma, segundo a pesquisa.

 

C.R.S., 33, contato comercial, que prefere não se identificar, a informação procede. “O homem é mais sexual do que a mulher. Os homens admitem e as mulheres mais convencionais também. Mas não é palavra, é comportamento, pelo menos sob minha visão.”

 

Luciano acha que, neste caso, o machismo vem delas. “A maioria das mulheres que introduziram o machismo em suas vidas pensa que o homem necessita mais de sexo do que elas mesmas. Por isso acham um absurdo dividir a conta do jantar e do motel”, completa.

 

Violência doméstica
Os números da violência propriamente dita, revelados pelo estudo, também não são animadores. Entre os mais alarmantes, estão o de que 16% já foram violentos com a companheira, atual ou ex; 56% dos homens já cometerem algum tipo de agressão com a companheira, entre eles, xingamentos (53%), empurrões (19%), tapas (8%).

 

Além disso, 35% disseram desconhecer a lei Maria da Penha, enquanto que 48% deles não apoia a mulher a buscar a Delegacia de Mulher caso o homem a obrigue a fazer sexo sem vontade.

 

A pesquisa lembra ainda que a cada 4 minutos uma mulher é vítima de agressão no Brasil e até 70% delas sofrem violência ao longo da vida.

 

Terra

Ex-jornalista, senadora Ana Amélia fala sobre diploma, regulação e “A Voz do Brasil”

Foto: Pedro França / Agência Senado

Em 15 de março de 2010, após 33 anos de empresa e 40 de jornalismo, Ana Amélia Lemos se despediu do grupo RBS – afiliada da Rede Globo e maior grupo de mídia do Sul do país – para disputar as eleições como candidata à senadora deu sua terra natal, o Rio Grande do Sul.

Em sua estreia na política, foi eleita com 3 milhões e 400 mil votos pelo Partido Progressista (PP-RS). “Minha campanha custou 2 milhões e 900 mil reais, talvez tenha sido a mais barata do país proporcionalmente ao número de votos que recebi”, afirma.

No grupo gaúcho, começou em 1977 assinando a primeira coluna de economia da TV do sul do país, transferindo-se para Brasília em 1979, onde foi repórter e colunista do jornal Zero Hora, da RBS TV e Rádio Gaúcha, além de diretora da RBS local entre 1982 e 2003.

Para ela, a carreira jornalística tem sido fundamental para sua atuação no Senado. “Nós, jornalistas, temos cheiro de pauta. O jornalismo me dá a esperteza de saber qual é o tema que está interessando para uma sociedade”, comenta.

Hoje, a senadora Ana Amélia está entre os parlamentares do país que vigiam constantemente as matérias relacionadas à classe jornalística. Veja abaixo a opinião dela sobre alguns destes projetos, em discussão no Congresso Nacional.

PEC do Diploma

“A PEC do diploma é o projeto mais importante sobre o jornalismo em discussão no Congresso. Até por uma questão de coerência, tenho defendido o diploma. Como é que eu que fiz uma faculdade de jornalismo não vou valorizar as faculdades e o próprio exercício da profissão? Qualquer profissional pode ser um comentarista, como um médico que pode comentar sobre medicina, como faz o Dráuzio Varella, que é um comunicador hoje, mas acho que o exercício do jornalismo depende de um diploma.”

Regulação da mídia

“Até agora, o governo não disse claramente o que ele quer com essa tal de regulação da mídia. É uma dúvida. O governo traz um prato-feito e você tem que aceitar? Não. [A proposta] quer dizer o quê? Que a emissora tem que operar em tais ondas, e nessas ondas tem que ter tais potências? Se for isso, é uma questão técnica. Aí pode dar outro nome, como normas técnicas para funcionamento das emissoras de rádio e TV. Já regulação tem outro espectro: há o risco de você tolher e cercear conteúdos, o que é inaceitável.”

“A Voz do Brasil”

“Sou favorável à flexibilização da transmissão d’A Voz do Brasil”. Acho que o líder do PT na Câmara Gilmar Tatto foi infeliz ao se posicionar contra a proposta. Não há interesse comercial nesse negócio, o interesse é de utilidade pública. Não sou uma pessoa radical, não defendo o término do programa, que surgiu com Getúlio Vargas. A flexibilização é um bom caminho, não para acabar a Voz do Brasil, mas para ver que o cidadão brasileiro deveria ter o direito nesse horário de ter informação sobre o trânsito caótico de São Paulo, por exemplo.”

portalimprensa