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Delegado afirma que foi agredido e nega ter ameaçado advogado na Central de Polícia de João Pessoa

O delegado Afrânio Doglia Brito Filho, que foi apontado como responsável por ameaçar um advogado e agredir outros na Central de Polícia de João Pessoa, afirmou que os fatos não ocorreram como os advogados estão relatando. Em entrevista ao ClickPB, ele negou ter ameaçado o advogado Felipe Leite e afirmou que foi agredido por advogados da OAB-PB, junto com mais dois agentes da Polícia Civil, que ficaram bastante feridos.

De acordo com Afrânio, o advogado Felipe Leite não foi impedido de participar da oitiva de cliente presa em flagrante, como foi afirmado. O que ocorreu, segundo o delegado, foi que o advogado discordou da forma que a delegada Viviane Magalhães procedeu a autuação, querendo uma situação mais favorável para a sua cliente. ”Ele começou a dizer que a delegada estava errada, que ela não estudou, então ele pediu que ele fosse retirado da sala até chegar a vez da cliente dele depor”, disse.

Afrânio garantiu que o advogado participou da oitiva e, inclusive assinou toda a documentação, apesar de ter se exaltado e até agredido a delegada Viviane Magalhães. ”Ele é jovem, só tem dois três meses de OAB, acho que pela imaturidade ele errou”, comentou. ele nega que tenha telefonado para o advogado para fazer ameaças. ”Eu sou delegado há 15 anos. Você acha que eu ia ligar para ameaçar alguém por causa de uma coisa corriqueira da profissão que aconteceu com a minha esposa?”, disse.

O delegado afirmou que o vídeo que circula na internet, na qual Viviane Magalhães aprece xingando o advogado, foi feito no momento em que a delegada perdeu a paciência por conta das agressões sofridas. ”Por que não posta o vídeo todo? Aparece só a parte que interessa pra eles”.
No dia seguinte ao ocorrido, na sexta-feira (25), o delegado contou que estava de plantão quando cerca de 40 advogados apareceram na Central de Polícia para protestar. ”Acho ótimo, faz parte do processo democrático”, ressaltou o delegado, que explicou, porém, que o protesto não poderia ocorrer em salas privativas dentro da Central.

Ele contou que viu um agente argumentando com os advogados que eles não poderiam entrar em uma determinada área. O agente então teria sido empurrado por um advogado com o antebraço. Ao ver a cena, o delegado deu ordem de prisão ao advogado por desacato, já que o empurrão com o antebraço não se classificaria como lesão corporal. Nesse momento ele conta que levou uma cotovelada no pescoço e tanto ele, quanto os agentes tiveram que ”reagir com a força proporcional” para conter os manifestantes. Três foram presos. Segundo o delegado, um dos agentes machucou o braço e outro, de quase 60 anos, levou um chute no quadril.

Por fim, o delegado disse estar tranquilo diante das acusações sofridas, pois tem provas de que todas as ações foram realizadas dentro da lei. Ele destacou que a prisão dos advogados foi realizada por outra delegada, já que ele figurava como vítima, e teve como testemunhas dois outros advogados, de fora do protesto, e um repórter policial que trabalhavam na Central e presenciaram a situação.

 

clickpb

 

 

Dono de site se diz ameaçado por advogado do PDT de Guarabira para retirar matéria do ar

No vídeo, Martiliano pede desculpas aos leitores do Portal Independente por ter sido quase que forçado retirar a notícia do ar

O radialista Gibal Martiliano disse, em vídeo divulgado nas redes sociais, ter recebido ligação de um dos advogados do PDT de Guarabira, argumentando, em “tom de ameaças”, para a retirada do ar de matéria do Poral Independente que divulgava resultado de uma enquete para prefeito realizada na manhã desta sexta-feira (07).
A sondagem foi feita pela Rádio Guarabira FM sobre a campanha de prefeito nas eleições deste ano em Guarabira. Segundo o radialista (proprietário do Portal Independente), o advogado identificado por Marinaldo Pontes, dizendo trabalhar para a pré-candidatura a prefeito pelo PDT local, argumentou que o site não poderia divulgar enquete realizada por outro veículo de comunicação.
O advogado, conforme Gibal, “mandou” que a matéria fosse retirada do ar, o que foi feito pelo proprietário do portal.
No vídeo, Martiliano pede desculpas aos leitores do Portal Independente por ter sido quase que forçado para retirar a notícia do ar.
Contraditório – Em relação as declarações de Gibal, Fato a Fato se coloca à disposição da pré-candidatura a prefeito do PDT em Guarabira para o contraditório.
Veja vídeo com Gibal
 

 
Da Redação/Fato a Fato

 

Luiz Couto volta a ser ameaçado e Comissão pede proteção

coutoDepois de receber denúncia de ameaça de morte perpetradas contra o deputado Luiz Couto (PT-PB), o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, deputado Padre João (PT-MG), encaminhou dois ofícios, ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para solicitar providências de garantia da segurança do parlamentar.

O deputado Luiz Couto, membro da CDHM, recebeu no dia 22 de setembro um aviso, através de um e-mail, sobre um plano orquestrado com a finalidade de assassiná-lo, a mando de um ex-policial militar.

O próprio deputado enviou pedidos de informações a órgãos de segurança do estado da Paraíba, bem como ao governador Ricardo Coutinho, para investigar a procedência do e-mail e a veracidade das denúncias enviadas.

A CDHM seguirá acompanhando o caso, por meio de sua assessoria técnica.

Assessoria

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Armazenamento de combustível é ameaçado na PB e pode se concentrar em PE

Foto:Divulgação Porto de Cabedelo
Foto:Divulgação
Porto de Cabedelo

A tancagem, que é o armazenamento de combustíveis, feita pela Petrobras no Porto de Cabedelo, permanece como está. Porém, a estatal avisou nessa quinta-feira (27), em nota, que pretende ofertar mais derivados de petróleo a partir de Pernambuco em até cinco anos. Apesar de não falar diretamente em fim da tancagem na Paraíba, o risco do estado perder o procedimento pode acarretar prejuízos de R$ 20 milhões por mês para o estado.

A alteração da tancagem no Porto de Cabedelo vem sendo debatida entre políticos e se houver alguma alteração, só Cabedelo, na Grande João Pessoa, perderia cerca de R$ 4 milhões por mês.

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Outro problema seria a logística para a distribuição de combustíveis na Paraíba, que dependeria mais de Pernambuco, o que poderia encarecer os custos e o preço para o consumidor final.
Segundo o comunicado da Petrobras, as distribuidoras são responsáveis pela definição de onde vão buscar combustíveis, ou seja, se elas poderão optar pela Refinaria de Abreu e Lima (RNEST), na Grande Recife (PE), ou se manter no Porto de Cabedelo, na Grande João Pessoa.

“Cabe ressaltar que o local de aquisição dos produtos para suprimento dos mercados é uma opção das companhias distribuidoras, considerando a logística de cada empresa e os aspectos tributários envolvidos”, disse a empresa.

Tancagem, cabotagem…

Outro processo ameaçado foi o da cabotagem, um procedimento que ocorre por meio de navegação com troca de mercadorias de um porto a outro, no mesmo país, em trajetos curtos, e que serve para reduzir custos e tornar mais eficiente a logística na distribuição de produtos.

Após reuniões com políticos e várias discussões sobre o assunto, a Petrobras afirmou que a cabotagem permanece ocorrendo em Cabedelo, mesmo reforçando, também nesse caso, que há planos para uma oferta maior de derivados do petróleo a partir de Pernambuco, em até cinco anos.

Sobre a cabotagem, o Porto de Cabedelo disse que não havia recebido nenhuma informação de alteração por parte da Petrobras. A administração do Porto destacou, inclusive, o crescimento de 46% nas movimentações, frente à crise.

Por Halan Azevedo

Radialista é ameaçado de morte em sua própria residência em Guarabira

Natanael estava embriagado em um moto Honda Bros (Foto: Reprodução Facebook/Nordeste1)
Natanael estava embriagado em um moto Honda Bros (Foto: Reprodução Facebook/Nordeste1)

Na noite do último domingo (29), um homem identificado por Natanael de Aguiar Medeiros Júnior, 35 anos, apresentando sintomas de embriaguez, se dirigiu á residência do radialista Rudney Araujo, ameaçado o profissional de morte.

Segundo informações, o acusado conduzia uma motocicleta Honda Bros, preta, placa MOO 9177 – PB. Vítima e acusado residem na mesma rua, na ocasião Natanael estava intimidando moradores da localidade.

A vítima entrou em contato com o 4° Batalhão da Polícia Militar em Guarabira e relatou o que estava acontecendo em sua residência.

De acordo com a Polícia Militar, o acusado passou algumas vezes pelo o local e dizendo “Quem manda nesta rua é o prefeito”, logo depois se dirigiu a residência do radialista, onde, chutando o portão da vítima, disse se ele saísse de casa iria morrer.

A guarnição 5435, comandada pelo Cabo Neto, fez diligências na localidade e localizou o acusado e foi conduzido á Delegacia de Polícia, ouvido pelo delegado de plantão Dr, Fábio Facciolo e liberado na sequência.

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Nordeste1

Ameaçado por traficantes, pai algema filho viciado em droga em casa no PI

Sem saber mais o que fazer com o filho descontrolado pelo vício em crack e ameaçado por traficantes, o pai do jovem, que é policial, algemou o próprio filho em uma árvore no quintal de casa. O caso ocorreu na Rua Ari Barroso, no bairro Monte Castelo, Zona Sul de Teresina.

Pai que também é policial algemou filho viciado em crack (Foto: Douglas Ferreria/Arquivo pessoal)
Pai que também é policial algemou filho viciado em
crack (Foto: Douglas Ferreria/Arquivo pessoal)

Com as mãos algemadas, ele gritava e falava descontroladamente, dizendo que queria se libertar. O pai acompanhava de perto a crise. Segundo a família, os transtornos são provocados pelo uso de crack. “Sofro junto com ele, mas sou obrigado a fazer isso para não ver meu filho morto. Se eu soltar ele vai direto comprar droga. Não sei mais o que fazer para acabar com esse sofrimento”, disse o pai sem querer se identificar.

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Ainda de acordo com o pai, o filho já furtou vários objetos de dentro da casa para manter o vício. “Devido ao vício, ele fez dívidas com traficantes, que o ameaçaram de morte, caso ele não pague o que deve. Ele roubou vários objetos de dentro da própria casa para comprar crack. Já fiz o pedido de internação para o estado, mas eu não sei se nós esperaremos até lá”, falou.

O pai do jovem, que também é policial afirmou saber que pode sofre punições. “Sei que posso ser punido, mas a punição maior é a morte do meu filho e por isso tento mantê-lo dentro de casa e a única forma que encontrie foi essa. Quero que algum órgão responsável faça algo pela nossa família”, finalizou o pai.

G1 tentou contato com a Coordenadoria de Enfrentamento às Drogas, para ter uma posição sobre a disponibilidade de vagas em entidades que tratam dependentes químicos, mas ninguém foi encontrado para comentar o caso.

Pai está cometendo crime, diz OAB
O presidente da Comissão de Defesa de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, secção Piauí, Campelo Filho, diz entender a situação do pai e suas intenções, mas afirma que ele está cometendo um crime ao prender o filho.

“É uma situação muito triste o pai ter que prender o filho a uma árvore para que ele não consuma drogas. Infelizmente, mesmo nessa situação ao adotar essa medida ele está cometendo um crime que é o de cárcere privado. Inclusive a pena é de um a três anos de prisão, como a vitima é descente, sendo o filho, passa de dois a cinco anos”, afirmou.

Informado sobre a dificuldade de conseguir uma vaga em uma entidade que trate de dependentes químicos, o advogado aconselhou o pai a documentar seu pedido. “O pai deve procurar as autoridades públicas e tentar internar o filho. Aconselho que ele formule o pedido por escrito para que ele tenha como provar essas solicitações e depois possa cobrar a solução do poder público”, finalizou.

 

Ellyo Teixeira

Em carta, jornalista afirma que está sendo ameaçado de morte

ameaçaO jornalista e advogado Roberto Guedes afirmou ter recebido diversas ameaças de “agressão física, cadeia e mesmo morte violenta” em carta enviada publicamente a autoridade do Rio Grande do Norte, informou a Tribuna do Norte.
“Ameaçam-me por diferentes meios os mesmos autores do atentado à minha vida perpetrado a 15 de setembro do ano passado, e desta feita acrescenta-se um Sargento PM atrabiliário e comprometido politicamente, do qual recebi nesta quarta-feira a informação de que serei preso, pela prática de crime hediondo, algo impensável a meu respeito, se pisasse em Caiçara do Rio do Vento esta semana”.

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O jornalista ainda afirmou que “as ameaças não vêm de hoje; apenas elevam o tom”. E ainda disse: ”Minha família torce para que eu não viaje, mas o que seria de mim se me curvasse agora diante desta intimidação?”. Guedes terminou a carta dizendo que viajaria mesmo assim.
Portal IMPRENSA

No plenário, blogueiro e radialista é ameaçado por vereador em Ilhéus (BA)

Na última terça-feira (19/3), o blogueiro baiano Emílio Gusmão, que mantém o Blog do Gusmão, veículo de comunicação independente de Ilhéus (BA), recebeu ameaças do médico e vereador da cidade litorânea, Aldemir Almeida (PSB), informou o site Desculpe Nossa Falha, a quem pediu ajuda. “Ameaçou-me de morte quatro vezes. Disse o seguinte: “se eu não fizer, vou mandar fazer”. Tudo foi gravado”, denunciou.

Crédito:Reprodução
Jornalista mudou a rotina para evitar ameaças do vereador

As declarações foram feitas no plenário da Câmara dos Vereadores. O áudio com parte da sessão está no site do Desculpe Nossa Falha. No trecho disponível, o vereador relata supostos ataques recebidos de blogs, pede para ser deixado em paz e alerta aos blogueiros que é melhor “parar” ou “não vai acabar bem” porque “vai dar o troco à altura”. Procurado pela reportagem, Almeida não atendeu o celular, nem o partido retornou o contato.

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Segundo Gusmão, as ameaças são por conta de um post em seu blog que afirma que o vereador defende os prestadores de serviço de saúde de uma clínica da qual foi sócio. Os profissionais estão com os pagamentos suspensos pela prefeitura por não estarem em dia com as obrigações fiscais.

Na mesma sessão, o vereador e advogado Cosme Araujo (PDT) pediu que Almeida “retirasse as palavras”, já que alguém poderia cometer o crime e a culpa recairia sobre ele, que “ameaçou publicamente”. Almeida não voltou atrás, apenas pediu desculpas pela expressão “blog prostituta”, atribuída à página, no ar desde 2007.

“Tenho evitado sair na rua. Mudei minha rotina. Como sou jornalista investigativo, faço denúncias, e tenho medo que outros desafetos usem isso [ameaças do vereador para encobrir possível crime] contra mim”, explicou à IMPRENSA.

Ele relatou que procurou ajuda dos blogs na esperança de o Estado ou alguém ler e tomar alguma providencia. “A única arma do jornalista é divulgar o fato, para ver se consegue algum tipo de proteção”, lamentou. O radialista também representou por escrito o fato no Ministério Público, anexando o CD com o áudio da sessão.

“Até agora não recebi nenhum telefonema de alguma autoridade que possa me dar segurança. Fazer jornalismo independente na Bahia, sobretudo no sul do Estado, é muito complicado, é colocar a vida em risco. Não é a primeira vez que isso acontece, mas dessa vez foi muito grave, foi no plenário da Câmara”, destacou. “Tenho certeza de que se não houver pressão, não vai acontecer nada com esse vereador, que feriu o decoro parlamentar”, completou.

Formado em Rádio e TV, ele contou que já foi obrigado judicialmente a retirar conteúdo do blog e responde, atualmente, a 18 processos, a maioria movida por autoridades e políticos locais, denunciados por ele. “Não abordo o lado pessoal, apenas as questões públicas”, ressaltou.

 

 

Jéssica Oliveira

Pai de acusado de matar um e ferir três em Belém, diz que está sendo ameaçado e pede para filho se entregar

paiO senhor José Ferreira da Silva, de 53 anos de idade, residente no conjunto em Belém, procurou a nossa reportagem na tarde dessa segunda-feira (18) para relatar o drama que está vivendo. O desempregado é pai de José Ferreira Junior da Silva, o “Priquitinho”, que na noite do último sábado atirou contra um jovem e acabou baleando mais três. Na ação, uma pessoa morreu e três ficaram feridas.

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De acordo com o que relatou a nossa reportagem, o pai do acusado está sendo ameaçado por familiares das vítimas que sofreram o atentado. “Soube que andam dizendo por aí que se meu filho não for preso, eles vão acertar as coisas de outro jeito. Eu sou um homem trabalhador e não tenho culpa do que meu filho fez.” O homem disse temer pela própria vida, pela vida da sua esposa e dos outros filhos. “Eu tenho esposa, tenho outros filhos e estamos assustados, temendo que aconteça alguma coisa com a gente.” Disse.

Seu Zé Priquito, como é conhecido o pai do homicida, aproveitou para pedir que seu filho se entregasse. “Que você se entregue, porque eu prefiro ver você preso do que ver você morto.” Declarou o homem.

A polícia realiza buscas pelo acusado desde a madrugada do domingo (17).
Por Júnior Campos

Fora do Brasil, repórter ameaçado por ‘policiais’ relata mudança brusca de vida

Após escrever uma reportagem em julho relatando que o ex-comandante da Rota (a controversa unidade de elite da Polícia Militar de São Paulo) e vereador eleito Paulo Telhada usava sua página no Facebook para pregar a violência, o repórter André Caramante, do jornal Folha de S.Paulo, passou a ser alvo de ameaças que o levaram a deixar o país com a família.

Com os filhos fora da escola regular e longe dos amigos e da profissão, o jornalista espera providências das autoridades, que ainda não identificaram os autores de ameaças como: “Quero deixar um recado para o André Caramante. Para ele deixar a polícia trabalhar em paz ou os filhos dele vão estudar no tacho do inferno”, feita por telefone a um funcionário da Folha de S.Paulo, segundo o Ministério Público.

Segundo o advogado de Telhada, as ameaças não partiram dele – que pediu pela internet apenas que seus simpatizantes escrevessem ao jornal em atitude de “desagravo” à reportagem. Porém, o pedido deflagrou a perseguição ao repórter feita por supostos policiais que equiparam a defesa dos direitos humanos à proteção a bandidos.

O episódio mostrou, contudo, que Caramante não está sozinho. Ele tem o apoio de diversas organizações não-governamentais, entidades de classe e movimentos sociais. Na última segunda-feira, recebeu o Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo – devido não só à reportagem de julho, mas a um trabalho sistemático de denúncia de abusos de direitos humanos no país.

Na terça-feira, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, escreveu em sua conta no Twitter que Caramante, “que denuncia impunidade e violência” em São Paulo, “deve poder trabalhar livre de ameaças”. Ela afirmou também que o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana reforçará o apoio aos jornalistas.

Leia abaixo trechos da entrevista de Caramante à BBC Brasil. Veja também o “Outro lado”, com as reações do advogado do coronel Paulo Telhada, da Secretaria de Segurança Pública e da Polícia Militar às declarações do jornalista.

BBC Brasil – Que tipo de ameaças você recebeu após a publicação da matéria sobre o coronel Paulo Telhada?André Caramante – Por telefone, ameaçaram minha família. Pela internet, houve uma onda de ameaças e intimidações em redes sociais, blogs e até no próprio site do jornal Folha de S.Paulo, na seção de comentários. Entre as mensagens, fui chamado de “bandido”. Disseram coisas como “bala nele”, “você ainda será vítima de um sequestro relâmpago”, “quando apontarem uma arma para você…” e, ironizando, “espero que nada de mau te aconteça”. Esta onda teve grande força por mais de um mês, e seguiu forte até outubro.

 

O coronel me chamou publicamente, no Facebook, de “notório defensor de bandidos” e pediu uma mobilização contra mim. Houve incitação de pessoas para que denegrissem meu trabalho e deflagrou-se uma onda de intimidações e de incitação à violência contra mim e contra o jornal.

 

As ameaças e intimidações na internet estão ligadas, em sua maioria, a alguns policiais, por meio de declarações próprias, e simpatizantes. Em relação aos atos fora da internet, até o momento, não é possível apontar um autor.

 

BBC Brasil – A defesa do coronel diz que ele nunca falou com você…

Caramante – Esse mesmo coronel da PM reformado, eleito vereador, é alguém que durante seu trabalho na Polícia Militar assume ter matado 36 pessoas – todas “dentro da lei”, segundo afirma. Na tentativa de desmoralizar meu trabalho na Folha de S. Paulo, ele disse nunca ter falado comigo. Não é fato. Já fiz reportagens sobre a Rota quando era comandada por ele.

 

Conversamos para que ele pudesse oferecer sua versão sobre uma suspeita de que seus subordinados haviam feito uma emboscada na qual seis suspeitos de tentar roubar caixas eletrônicos em um supermercado foram mortos. Existe a suspeita de que a operação policial teve a oportunidade de prender os suspeitos, mas eles foram mortos. Isso aconteceu em agosto de 2011.

 

BBC Brasil – Qual foi o impacto de tudo isso para você e para a sua família? Estão no exterior?

Caramante – Sim, atualmente estamos no exterior. Ao contrário do que tentaram dizer, não considero que eu e minha família passamos a viver escondidos e sim que mudamos temporariamente nossa localização. Isso por causa das ameaças de morte e fatos que consideramos suspeitos, relacionados por exemplo a chamadas telefônicas, à presença de motocicletas durante percursos em trajetos iguais aos meus e ao levantamento de informações de parentes meus por policiais.

 

BBC Brasil – Como foram as mudanças na sua vida pessoal? Está pensando em voltar logo?

Caramante – Toda mudança de rotina, ainda mais esta, brusca e imposta, traz transtornos e desafios. Meus filhos tiveram seu processo de aprendizado regular interrompido. Minha companheira mudou completamente sua rotina. Hoje, parte de nossa vida é transportada em malas de viagem. A comunicação com amigos e parentes é bem restrita.

 

Continuo trabalhando à distância, mas sinto a angústia de não poder exercer plenamente minha profissão. Repórter tem mais é que sujar os sapatos atrás da notícia, tem de estar nas ruas, estar em contato direto com as fontes de informação.

 

A avaliação sobre o meu retorno, juntamente com minha família, será feita em conjunto com a direção da Folha de S.Paulo. Desde o início desse período de maior pressão, tudo tem sido decidido em conjunto com o jornal, afinal, o que aconteceu também foi uma tentativa de atentar contra o direito de informar.

 

BBC Brasil – Como se sente nesta situação?

Caramante – Essa tentativa de intimidação contra a liberdade de imprensa não é nova e não se restringe apenas a mim. No México, por exemplo, as pressões contra a imprensa livre são exercidas pelo narcotráfico. No Brasil, mesmo após o fim da ditadura militar, há quase 30 anos, as indicações são de que setores das forças de segurança tentam impedir a divulgação de informações.

 

Posso citar dois exemplos, cada um com seu grau de intensidade, mas ainda assim semelhantes por terem PMs como alvo de denúncia: o do jornalista Caco Barcellos, autor do livro-reportagem Rota 66 – A História da Polícia que Mata, ameaçado de morte e obrigado a deixar o país nos anos 1990 por mostrar a política de extermínio da tropa especial da PM de São Paulo.

 

E também o do jornalista Renato Santana que, em 2011, após denunciar grupos de extermínio na região do litoral paulista, passou a ser ameaçado e teve de pedir demissão do jornal para o qual trabalhava e se mudar.

 

BBC Brasil – O governo estadual poderia ter feito alguma coisa para evitar essa situação, ou pode tomar alguma atitude agora?

Caramante – Depois de a notícia sobre minha mudança temporária de localização ter sido tornada pública, o governador Geraldo Alckmin propôs me colocar, ao lado de minha família, no programa estadual de proteção a vítimas e testemunhas. Mas isso não atendeu a minha expectativa, porque faria com que eu tivesse de abrir mão de minha atividade profissional, do direito de informar.

 

(O programa) faz com que um jornalista tenha de deixar de exercer seu trabalho, rompa laços de amizade, mude de casa ou até mesmo de nome, mas não diz nada sobre como responder à ameaça contra a liberdade de imprensa que a minha situação expôs.

 

No fim de julho, o secretário da Segurança Pública do governador Alckmin já havia afirmado que iria determinar uma investigação na Corregedoria da PM contra o coronel reformado sobre as atitudes dele contra mim no Facebook. Até hoje não fui informado sobre o resultado dessa investigação. Somente dois meses depois dessa afirmação, a Corregedoria da PM, sabendo que eu já estava fora do país, enviou um ofício ao jornal para me ouvir. Fica muito difícil acreditar em resultados. Afinal, havia uma investigação em curso no fim de julho?

 

BBC Brasil – Qual é a sua opinião sobre o posicionamento do governo Alckmin?

Caramante – Se tivéssemos uma política de segurança pública transparente em São Paulo, o governo manteria de forma explícita, por exemplo, uma lista completa com todos os dados das vítimas dessa onda de violência em andamento. Em São Paulo, jornalistas não têm acesso a documentos públicos sobre esses crimes. A desculpa é a de que a revelação sobre quem morreu “atrapalharia as investigações”.

 

BBC Brasil – Como vê essa atitude do governo do Estado de trocar cúpula e aceitar ajuda federal?

Caramante – Diante da atual onda de violência enfrentada pela população de São Paulo, a mudança no comando da Segurança Pública e o recebimento de ajuda do governo federal eram medidas cujo adiamento seria muito difícil justificar. O novo comando chega com a necessidade de apresentar resultados urgentes à população, que espera voltar a confiar plenamente nas instituições governamentais, nas leis. A população não pode temer suas polícias e nem viver sob a pressão de criminosos. Essa mesma população quer afastar o fantasma do estado de exceção que assombra as periferias, onde se atropelam direitos fundamentais.

 

BBC Brasil – Você recebeu apoio de alguma instituição?

Caramante – Recebi a solidariedade de familiares, amigos, de entidades de classe, estudantes, colegas de profissão e de organizações que defendem os Direitos Humanos e a Liberdade de Imprensa, como Repórteres Sem Fronteiras, SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), Instituto Vladimir Herzog, Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, S.O.S. Racismo (Assembleia Legislativa de SP), Condepe (Conselho de Defesa da Pessoa Humana de SP), Comitê Paulista Pela Memória, Verdade e Justiça, e também das ONGs Justiça Global, Conectas, Instituto Sou da Paz.

 

Membros do hip hop e da cena cultural da periferia de São Paulo, como a Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia), estenderam as mãos e isso tem muito valor, assim como o incentivo que sempre me foi dado pelo grupo independente Mães de Maio, composto por familiares de jovens mortos durante o primeiro grande enfrentamento entre o crime organizado e as forças de segurança, em maio de 2006.

BBC Brasil