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Estudo revela que amamentação no primeiro ano de vida é primordial por causar efeito positivo no cérebro

Considerado um ato fundamental para o desenvolvimento saudável de uma criança, o aleitamento materno tem ganhado cada vez mais atenção no Brasil. É o que revela o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) do Ministério da Saúde. De acordo com o balanço, 14.505 crianças menores de cinco anos foram avaliadas no período entre fevereiro de 2019 e março de 2020. Desse total, 53% continua sendo amamentada no primeiro ano de vida.

Em relação às crianças menores de seis meses, o índice de amamentação exclusiva é de 45,7%. Quanto às menores de quatro meses, a taxa chega a 60%. Esses resultados, segundo o secretário de Atenção Primária à Saúde, Raphael Câmara Medeiros, representa um avanço importante, pois uma amamentação feita da maneira correta contribui, de maneira significativa, para uma vida saudável, tanto no momento atual, quanto no futuro.

“A amamentação é importante porque reduz em até 13% a mortalidade infantil, diminui as chances da criança ter alergia, infecções, diarreia, doenças respiratórias, obesidade e diabetes tipo 2. Além disso, causa um efeito positivo na inteligência, reduz as chances da mulher vir a ter câncer de mama e de ovário, não causa poluição ambiente por não ter embalagens e diminui os custos com tratamentos e para o sistema de saúde”, pontua Medeiros.

Os dados foram apresentados durante o lançamento da campanha de incentivo à amamentação, do Ministério da Saúde. A iniciativa marca o início do Agosto Dourado e da Semana Mundial do Aleitamento Materno 2020 (SMAM), que ocorre em mais de 150 países.

Na ocasião, foram apresentadas informações sobre o último dado de 2006 da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS). Quando comparados ao Enani, esses dados apontam para um aumento de 15 vezes na prevalência de aleitamento materno exclusivo entre as crianças menores de 4 meses, e de 8,6 vezes entre crianças menores de 6 meses.

Por outro lado, em relação aos últimos 34 anos, percebe-se um salto de aproximadamente 13 vezes no índice de amamentação exclusiva em crianças menores de 4 meses e de cerca de 16 vezes entre crianças menores de 6 meses.

“Esses resultados mostram que o Brasil avançou nesses indicadores, revelando a importância das políticas públicas nessa área e a importância de continuar investindo em políticas públicas para promover e apoiar a amamentação. A nossa recomendação é que as crianças mamem por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos seis primeiros meses, priorizando a amamentação na primeira hora de vida”, destaca a coordenadora Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN) do Ministério da Saúde, Gisele Bertolini.

Amamentação na pandemia

Apesar das recomendações sobre os cuidados para evitar contágio da Covid-19 serem mantidas, o Ministério da Saúde orienta que a amamentação seja contínua mesmo durante a pandemia. Nesse caso, são levados em conta alguns pontos como benefícios para a saúde da criança e da mulher e a ausência de constatações científicas significativas sobre a transmissão do coronavírus por meio do leite materno.

A diretora substituta do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (DAPES), Maria Dilma Teodoro afirma que ainda é considerado o fato de não haver recomendação para a suspensão do aleitamento materno na transmissão de outros vírus respiratórios.

“A mulher deve procurar um profissional de saúde para obter orientações sobre os cuidados necessários para manter a amamentação no período da infecção por vírus. Caso ela tenha alguma dúvida ou se sinta insegura, a recomendação é procurar esclarecimentos com alguém da área e que tente não interromper a amamentação se não houver uma indicação em outro sentido”, explica Maria Dilma.

Nessa situação específica, a amamentação deve ocorrer apenas se a mãe desejar e estiver em condições clínicas adequadas para realizá-la. No caso das mães que tenham confirmação ou estejam com suspeita da Covid-19 que não puderem ou não quiserem amamentar, devem ser orientadas por profissionais de saúde a realizarem a extração do leite materno manualmente ou por bomba.

Fonte: Brasil 61

 

Mais da metade das grávidas do Nordeste têm dúvidas sobre mitos da amamentação

Pesquisa aplicada pelo IBOPE Conecta, a pedido de Pfizer e Nestlé, mostra que 61% das gestantes do Nordeste[1] têm dúvidas sobre a influência de mitos, como o consumo de canjica, na produção do leite materno

Não é à toa que as gestantes ficam tão preocupadas com a produção do leite: o alimento é principal fonte de nutrientes para os bebês até os 6 meses de idade, além de atuar na prevenção de doenças nos recém-nascidos. Em meio a tanta informação, o aleitamento materno pode gerar dúvidas nas mães, levando-as a crer, muitas vezes, em falsas estratégias para aumentar a quantidade de leite produzido.

A pesquisa “Como vai a alimentação das gestantes brasileiras? A mãe moderna e o desafio da nutrição equilibrada”, conduzida pelo IBOPE Conecta, a pedido de Pfizer e Nestlé, para entender os hábitos alimentares e nutricionais das gestantes do País, mostra que mais da metade das grávidas entrevistadas no Nordeste acredita ou não sabe que algumas crenças populares sobre o aleitamento materno são falsas. Entre as gestantes consultadas na região, 61% acreditam ou não sabem se comer canjica aumenta a quantidade do leite.
Já 45,7% acreditam ou se questionam sobre a influência da cerveja preta na amamentação.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), não há evidências científicas que comprovem que determinados alimentos aumentem a produção de leite[2]. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, ainda, que o consumo de bebidas alcoólicas seja suspenso durante a gravidez, a fim de prevenir o parto prematuro e a síndrome fetal[3]. A SBP reforça também que, para a manter a saúde de mãe e bebê durante a gravidez, é essencial manter uma alimentação saudável[4], já que há um aumento do gasto de energia para a produção do leite e um incremento na intensidade da atividade fisiológica e necessidades nutricionais para o desenvolvimento da criança.

No Nordeste, 88% das grávidas entrevistadas desconhecem a importância da suplementação vitamínica para suprir as necessidades do corpo durante a gestação, 5 pontos acima da média nacional (83%).
A OMS recomenda que as grávidas adotem a suplementação diária de ácido fólico e de ferro[5]. O primeiro atua no desenvolvimento placentário[6] e na formação do tubo neural do bebê[7], prevenindo possíveis malformações, como coluna aberta e anencefalia[8]. Já o ferro contribui para a produção de hemoglobinas e proteínas responsáveis pelo suprimento de oxigênio do organismo[9], além de auxiliar na prevenção da anemia na mãe e no bebê. A demanda pelo mineral crescerá cinco vezes do início ao fim da gestação[10].

Larissa Ribeiro

 

Saúde promove “Agosto Dourado” para incentivar e estimular a amamentação

Incentivar e estimular a amamentação são os objetivos do mês intitulado Agosto Dourado. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) organizou uma programação vasta que com início neste 1º  de agosto até o dia 31, em todo estado, por meio de ações nos hospitais, envolvendo os profissionais e a população para conscientizar sobre a importância de oferecer ao bebê o leite materno durante os primeiros anos de vida da criança.

“Para o fortalecimento da amamentação é indispensável que a família e a comunidade apóiem. Afinal, a amamentação é responsabilidade de todos, pois significa saúde para todas as crianças da sociedade, através do acesso da primeira e melhor alimentação. Sendo assim, buscaremos, durante todo mês, atingir a sociedade com diversas ações”, disse a diretora do Banco de Leite Anita Cabral da SES, Thaíse Ribeiro.

De acordo com a programação, no dia 1º (quinta-feira), terá um café da manhã de abertura do mês de incentivo à amamentação, no Banco de Leite Anita Cabral, em Cruz das Armas. No dia 6 (terça-feira), serão realizadas atividades de incentivo à amamentação e esclarecimento acerca dos direitos das mulheres trabalhadoras que amamentam na empresa Energisa (das14h às 17h).

Na quarta-feira (7), haverá atividade de incentivo à amamentação nos hospitais com leitos obstétricos  do estado, com visitas e palestras ao alojamento conjunto. No dia 9 (sexta-feira), terá promoção do aleitamento materno para enfermeiros e nutricionistas da Atenção Básica e Nasf em João Pessoa. No dia 13 (terça-feira), haverá roda de conversa sobre gravidez, maternagem e amamentação na Funad.

No sábado (17), acontecerá um mamaço, no Espaço Cultural, no auditório 06, com oficinas para gestantes, mães e familiares, das 14 às 17h. Do dia 19 a 22, será promovido um curso de manejo clínico da lactação para hospitais Amigo da Criança da grande João Pessoa, no auditório do Cefor. No dia 22 (quinta-feira), terá atualização para profissionais em laboratório de processamento de leite humano em bancos de leite humano, no Banco de Leite Anita Cabral.

Dentro da programação do “Agosto Dourado”, terão ações também voltadas para a juventude. Do dia 1º ao dia 31 acontecerá o mês de apoio à amamentação na adolescência com visitas diárias ao alojamento conjunto da Maternidade Frei Damião; no dia 7 (quarta-feira), haverá roda de conversa sobre gravidez e amamentação na adolescência, no Banco de Leite Anita Cabral e ambulatório de pré-natal da maternidade Frei Damião; e no dia 30 (sexta-feira), estará em foco o tema Amamentação e universidade: desafios da manutenção do aleitamento materno após o retorno à vida acadêmica, cuja atividade será na UFPB.

Secom\PB

 

 

Polícia investiga morte de bebê que teria se engasgado durante amamentação na PB

A Polícia Civil da Paraíba está abrindo um inquérito para investigar a morte de um bebê, na cidade de Pedras de Fogo, na região da Mata Paraibana. A principal suspeita é de que a criança tenha se engasgado enquanto era amamentada pela mãe, mas ainda não há laudo confirmando o motivo da morte.

O caso ocorreu nesta segunda-feira (22). Segundo a Polícia Civil, a criança já chegou ao Hospital Regional de Pedras de Fogo sem vida. A equipe médica tentou reanimar o bebê, mas não houve reação. Depois disso a Polícia Civil foi acionada pelo hospital.

De acordo com o delegado Paulo de Oliveira Martins, no hospital, a mãe disse que o bebê teria se engasgado enquanto estava mamando. Porém, a Polícia Civil solicitou que um exame para confirmar o motivo da morte.

“Nós solicitamos um exame no Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), para de fato saber como essa criança morreu. Nessa terça-feira (23) vamos já tentar algum adiantamento de resposta por parte do Numol para encaminhar o inquérito”, disse ele.

A mãe da criança ainda não foi ouvida pela Polícia Civil. O delegado informou que deve ouvir ela ainda essa semana. “Por questões logísticas e também pelo estado que a mãe se encontrava com a morte da criança ainda não ouvimos ela oficialmente. O que soubemos foi apenas o que foi dito no hospital”, explicou o delegado.

G1

 

Ginecologista ressalta os cuidados e a importância da amamentação para a mãe e o bebê

No Brasil, só 41% das crianças são amamentadas exclusivamente com leite materno até os seis meses, como a OMS recomenda.

 

O aleitamento materno exclusivo é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) até os 6 meses de vida do bebê, sendo continuado após esse período por até 2 anos ou mais, com a adição de suplementos alimentares. No Brasil, só 41% das crianças são amamentadas exclusivamente com leite materno até os seis meses, como a OMS recomenda.

“A amamentação é um processo importantíssimo para o bebê. Além de fortalecer os laços entre a criança e a mãe, o leite materno tem um papel fundamental para o desenvolvimento do sistema imunológico do recém-nascido, já que o protege contra doenças e alergias”, reforça a ginecologista e obstetra Dra. Erica Mantelli.

Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) confirmou que a alimentação exclusiva com leite materno no começo da vida faz mesmo muita diferença no desenvolvimento do organismo do bebê.

Algumas mães são mais sensíveis ao ato de amamentar, e podem sofrer no início por conta da mama inchada, das fissuras e do ingurgitamento mamário. É pelo leite materno que o bebê recebe fontes de nutrição, proteção, estimulação e conveniência nos primeiros meses de vida.

De acordo com a medica, é preciso ter alguns cuidados durante a gestação para que no pós-parto essa fase seja menos conturbada. “É importante que a mulher utilize loção hidratante apenas nas mamas, evitando a aréola e os mamilos. O sutiã tem que se adequar ao novo tamanho e peso, para evitar que a mamãe sinta dor nos ombros, nas mamas e evitar o aparecimento de estrias. O indicado é usar sutiã com boa sustentação, alças mais largas e fácil de ser aberto”, ressalta.

Para que as aréolas fiquem mais resistentes e menos propensas à rachaduras e machucados, é indicado que a gestante tome sol por cerca de 15 minutos (antes das 10h ou depois das 16h) ou um banho de luz, que pode ser feito com uma lâmpada de 40 watts com distância de 15 cm da pele.

O processo de aleitamento pode ser bastante difícil inicialmente, porém, com o passar dos dias, as dores tendem a melhorar. “Nos casos em que a mãe sentir desconforto e dor na hora da mamada é importante que ela seja avaliada para corrigir a posição e a pega, além de receber orientações para evitar o surgimento de machucados que possam predispor às infecções como, por exemplo, a mastite. É preciso conversar sempre com o médico responsável e procurar ajuda especializada em caso de dúvidas ou dificuldades”, completa Erica Mantelli.

Dra. Erica Mantelli

Graduada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro, com título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Dra. Erica Mantelli tem pós-graduação em Medicina Legal e Perícias Médicas e Sexologia/Sexualidade Humana pela Universidade de São Paulo (USP). É formada também em Programação Neurolinguística, por Mateusz Grzesiak (Elsever Institute).

Assessoria especial para o FN

Bebê de quatro meses morre após se engasgar durante amamentação

Uma bebê de apenas quatro meses faleceu na noite deste domingo (29) em Campina Grande após passar mal durante a amamentação. A criança estava sendo amamentada na residência da família, localizada no bairro São Januário.

Após se engasgar com o leite materno, a criança foi levada para receber socorro no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande. Ela foi submetida a procedimentos de emergência, mas não resistiu e acabou falecendo.

clickpb

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Pediatra afirma que amamentação reforça saúde do bebê e da mãe

amamentacaoBase de pesquisa para diversos estudos científicos de todo o mundo, o leite materno é fundamental na prevenção de alergias e problemas de saúde causados durante o desenvolvimento da criança.  “Por conter células de defesa materna, ele protege o bebê da maioria das doenças”, explica o pediatra e nutrólogo do Hapvida Saúde, Marcelo Maranhão.

Até os seis meses de vida do bebê, o leite materno é o responsável por suprir as necessidades alimentares da criança e só depois desta idade é preciso inserir outros alimentos, como afirma o pediatra. “No início o bebê pode rejeitar as ofertas porque tudo é novidade (a colher, o sabor e a consistência do alimento). Mesmo recebendo outros alimentos, a criança deve mamar até os dois anos ou mais, pois o leite materno continua alimentando e protegendo contra doenças”.

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O cuidado com a alimentação do bebê é fundamental para que a criança tenha pleno desenvolvimento, cresça de forma saudável e esteja menos suscetível a adquirir doenças. O leite materno possui benefícios a curto e longo prazo, sobretudo para os prematuros, já que eles precisam ainda mais de nutrientes específicos para o seu desenvolvimento, como proteínas, cálcio, fósforo, magnésio e lactose, que também estão envolvidos na formação do sistema motor.

Para o pediatra, a amamentação estabelece uma ligação mais íntima entre a mãe e o bebê, além de garantir segurança emocional para a criança. De acordo com Marcelo Maranhão, esse momento também garante inúmeros benefícios para a mãe. “Além de produzir em maior quantidade os hormônios que auxiliam o corpo a voltar ao normal, a amamentação também protege as mulheres contra a depressão pós-parto e reduz o sangramento após o parto”, revela.

Assessoria

Leite materno: os desafios de garantir a amamentação exclusiva

Clarisse Castro/Portal Fiocruz
Clarisse Castro/Portal Fiocruz

Amamentar é um ato de amor. Você provavelmente já ouviu ou leu essa frase em algum lugar, e não costumam existir dúvidas a respeito do valor que o gesto tem. Porém, além de amor, o processo de amamentação envolve confiança, dedicação, apoio e muita informação.

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Muitas mães têm a sorte de viver o momento de forma tranquila desde o princípio. O leite desce no tempo previsto, o filho pega bem o peito e os meses de mamadas dão força à relação dos dois e saúde ao recém-nascido.

Para outras mães, contudo, um mundo de dificuldades se coloca no caminho, e o desafio é transpô-las sem perder a chance de viver uma fase única em afeto e aprendizado. “Tive muita dificuldade na amamentação. Meus seios ficaram muito feridos. Para mim, a melhor hora era quando ela estava dormindo. Pensar que teria que amamentar quando ela acordasse me deixava angustiada”. É o que relembra a jornalista Cristal Sá.

Morena, que hoje está no puro encantamento dos seus três aninhos, nem imagina o que sua mãe precisou fazer para garantir que ela tivesse amamentação exclusiva por cinco meses e meio. Os bicos dos seios racharam, fazer a retirada de leite pela ordenha era dolorido, e coisas muito inusitadas surgiram no caminho, como a recomendação de usar banana para ajudar a cicatrizar e minimizar a dor. “Não conseguia vestir nada. Andava sem blusa e pingando leite. Isso derruba qualquer autoestima. Todo dia eu pensava comigo mesma:  só vou amamentar hoje. Amanhã eu desisto. Mas, no dia seguinte, recomeçava.”

A história de Cristal é uma dentre várias que acontecem todos os dias, fazendo com que muitas mães desistam de amamentar, apesar de todas as provas de que o leite materno é a melhor alimentação para o bebê.

As dificuldades biológicas podem vir do tipo de bico do seio que a mãe possui ou da quantidade de leite que ela consegue produzir. Mas também há aquelas do tipo cultural: as cobranças, palpites, enganos e publicidades muito bem produzidas de laticínios colocam a insegurança na rota das mulheres.

Os dois tipos de dificuldade impedem que o índice de amamentação exclusiva até os seis meses, recomendado pela Organização Mundial de Saúde, atinja o padrão desejado.

Uma pesquisa realizada em 2008 e sistematizada em 2010 pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz em 227 municípios brasileiros, com 120.125 crianças, apontou que 87% dos municípios (198) apresentam um índice apenas razoável de amamentação exclusiva, quando algo entre 12% e 49% dos entrevistados declararam realizar a prática.

Para a doula e educadora perinatal, coordenadora da Roda Bebedubem, e mãe de três crianças, Débora Regina Diniz, grande parte das dificuldades é cultural. Segundo ela, ante o desafio de amamentar, toda mãe se cobra, é cobrada e alvejada por centenas de interferências que a distanciam da sua condição natural de mamífera. “Temos todos os aparatos, mas frente ao bebê e com toda a nossa insegurança, fica difícil reconhecer o poder que toda mulher tem. Precisamos confiar em nosso instinto”.

No Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), a enfermeira Nina Savoldi e a médica Marlene Assumpção, da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, recebem diariamente um sem número de mães e pais aflitos com as dificuldades de amamentar.

Muitos dos pais já são desencorajados na maternidade de persistir nas tentativas, e recebem recomendações de fórmulas {em forma de pó, são misturadas em água}, acessórios e medicamentos que nem sempre resolvem os problemas, e muitas vezes causam outros. “A recomendação da fórmula {substância em pó, a ser diluída em água, fabricada para ser muito parecida com o leite materno} nos primeiros dias de vida, quando tanto mãe quanto bebê estão aprendendo a viver o processo de amamentação, muitas vezes ancorada numa perda de peso instantânea do recém-nascido, revela o desconhecimento de alguns profissionais de saúde, mesmo que estes tenham boa vontade.”, explica Marlene.

Fonte:

Fundação Oswaldo Cruz

Mães terão maior apoio no período da amamentação

amamentaçãoO Ministério da Saúde quer ampliar o apoio às mães no período de amamentação em unidades de saúde, hospitais e bancos de leite. Nessa quinta (1º), os governos de mais de 170 países promovem atividades para comemorar a Semana Mundial do Aleitamento Materno. No Brasil, foi lançada a Campanha do Aleitamento 2013, com o tema Tão Importante Quanto Amamentar Seu Bebê, É Ter Alguém Que Escute Você. O objetivo é enfatizar aos profissionais de saúde a necessidade de um atendimento especial às mulheres em período de amamentação. Um fato que merece atenção é que, por falta de informação, muitas mães abrem mão do aleitamento, que é a única forma recomendada para bebês até os 6 meses de idade.

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Para o coordenador da área de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, Paulo Bonilha, a mulher precisa de apoio para ter sucesso no aleitamento, especialmente em casos nos quais a mãe está ansiosa, tem dúvidas e dificuldades em relação à alimentação do bebê. Esse apoio, segundo ele, deve vir tanto do companheiro, quanto da família e de profissionais de saúde.

“A mulher pode ter ansiedade, dúvida ou dificuldade em relação ao aleitamento – se [a quantidade] está sendo suficiente para alimentar seu filho, em casos de rachaduras dos mamilos ou leite empedrado. Se o apoio à amamentação não acontece no momento oportuno, a mulher pode desistir. É preciso que o acesso à informação no âmbito das unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) não seja burocratizado. É errado exigir que se agende uma consulta para isso”, informou Bonilha.

De acordo com representante do Ministério da Saúde, estima-se que 41% das mulheres amamentem seus bebês até os primeiros seis meses. “O nosso objetivo é que consigamos avançar nessa área. Temos a expectativa de que, no ano que vem, quando vamos fazer uma pesquisa nacional sobre prevalência do aleitamento, possamos ter avançado ainda mais”, disse.

O Brasil tem a maior rede de bancos de leite do mundo, com 210 unidades e 117 postos de coleta. Por ano, são coletados em média 166 mil litros de leite humano que beneficiam, aproximadamente, 170 mil recém-nascidos, segundo dados do Ministério da Saúde. A expectativa é que, este ano, o governo invista R$ 7 milhões nos bancos de leite.

O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e coordenador da rede brasileira de aleitamento, João Aprijo, pede que as mulheres busquem apoio de um profissional antes de tomar a decisão de parar de amamentar seu bebê. De acordo com ele, em 2012, mais de 2,6 milhões de mulheres conseguiram seguir amamentando devido a ações assistenciais.

“Quando nos falamos de amamentação, sempre lembramos da criança. Mas é bom lembrar que o verdadeiro protagonista é a mulher. Apesar de muita gente dizer que [amamentar] é um ato natural, instintivo e biológico, é mais ou menos. É bom lembrar que a mulher está em um momento de grande vulnerabilidade, com sentimentos ambíguos e contraditórios o tempo inteiro. Essa mulher tem dúvidas, e ela tem todo o direito de ter”, explicou Aprijo.

 

Agência Brasil

Informe revela que amamentação vem diminuindo e alerta sobre importância do aleitamento materno

amamentacaoApesar de ser do conhecimento público que o leite materno é o mais importante alimento para bebês em seus primeiros seis meses de vida, o recém-publicado informe da organização Save The Children “Superalimento para bebês” (Superfood for babies) revelou que a prática vem sendo deixada de lado em vários países, colocando em risco a saúde de crianças.

De acordo com o estudo, os índices de amamentação estão parando ou até mesmo diminuindo em escala global. Países como México, República Popular Democrática da Coreia e República Dominicana têm apresentado os mais baixos indicadores de aleitamento materno ou de aleitamento como fonte exclusiva de alimento.

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O informe aponta que nestes casos existe incapacitação profissional na área da saúde para orientar as mães sobre a importância e a forma adequada de alimentar recém-nascidos. Outro agravante é a falta de apoio às mães que trabalham, já que as licenças maternidade em alguns países tem curta duração. “Na realidade, a maioria das mães que vivem em países mais pobres não tem acesso a nenhum tipo de licença maternidade remunerada”, explica o documento.

Por outro lado, Brasil, Nicarágua, Honduras e Peru se destacam na América Latina em promover iniciativas para incentivar a prática da amamentação e, consequentemente, o desenvolvimento infantil. Dentre esses países, o Brasil aparece como “um pioneiro no desenvolvimento de políticas em matéria de aleitamento materno e um exemplo para outros países”.

Para estimular a prática da amamentação, Save the Children recomenda que governos e organizações civis reforcem ações sobre a importância da prática do aleitamento materno como fonte exclusiva de alimento para salvar a vida das crianças.

Benefícios do aleitamento materno

O aleitamento materno feito desde o nascimento pode salvar 95 bebês por hora (830 mil por ano), em todo o planeta. O informe de Save the Children reforça a importância de o bebê receber o colostro, primeira secreção que sai do seio materno logo após o parto, em sua primeira hora de vida depois do parto, para fortalecer o sistema imunológico e proteger a saúde da criança, diminuindo consideravelmente a probabilidade de morte por causa de doenças como diarreia e pneumonia.

Para ler o informe completo, em inglês, clique aqui.

 

 

Adital