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Suspeita de ebola leva inquietação a imigrantes africanos no Paraná

Os haitianos Façon Exama, 40, Jude Cajour, 24, Wilfrid Arristé, 31, Rose Marie Dor, 44, Marie Michelove Ulysse, 30 e Maxeme Dormera, 31, em uma das casas onde vivem no bairro Canselli, em Cascavel (PR); região atrai mão de obra estrangeira para abate de frangos e construção civil
Os haitianos Façon Exama, 40, Jude Cajour, 24, Wilfrid Arristé, 31, Rose Marie Dor, 44, Marie Michelove Ulysse, 30 e Maxeme Dormera, 31, em uma das casas onde vivem no bairro Canselli, em Cascavel (PR); região atrai mão de obra estrangeira para abate de frangos e construção civil

Modu Beyé, 31, esteve mais calado do que de costume nos últimos dias. O senegalês é figura conhecida em Cascavel, no oeste do Paraná, pela animação nas conversas com amigos brasileiros no entorno da antiga rodoviária, ponto de reunião de imigrantes.

A preocupação era sobre como ele e conterrâneos seriam vistos por moradores após o anúncio de que um outro imigrante na cidade é o primeiro caso suspeito de ebola detectado no país.

“As pessoas confundem tudo, Guiné, Senegal. Falam África como se fosse um país. É um continente”, aborrece-se Modu num bom português de três anos em Cascavel.

 

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O guineano Souleymane Bah, 47, foi atendido numa unidade de saúde da cidade na quinta (9), após ter entrado no país em 19 de setembro. Antes, esteve por 17 dias num albergue local, onde dividiu espaço com imigrantes.

Transferido para o Rio, deve ter nesta segunda (13) a confirmação final do exame negativo para a doença, que no atual surto já contaminou mais de 7.000 africanos e matou mais de metade deles.

O caso em Cascavel somou mais um fator de inquietação à comunidade de imigrantes haitianos e africanos no oeste do Paraná.

Atraídos por ofertas de trabalho em frigoríficos e na construção civil, eles são 2.000 só em Cascavel –90% deles haitianos da diáspora pós-terremoto de 2010.

LUTA DIÁRIA

Passada a tensão da suspeita, a comunidade de imigrantes, que já enfrenta episódios isolados de preconceito, retoma o cotidiano em busca de adaptação e melhores condições de trabalho.

Hoje o salário médio dos imigrantes varia de R$ 900 a R$ 1.200 por até dez horas de trabalho, muitas delas em pé dentro de frigoríficos. “Dói ficar tanto em pé”, lamenta-se Simone Junlen, 36, do Haiti.

Para os africanos, a jornada ao Brasil começa em escalas de voos na Espanha ou Portugal, de onde seguem para São Paulo ou Recife. Alguns tomam ônibus para o Sul e outros —como teria feito o guineano— pegam voos voo para a Argentina e cruzam a fronteira pelo Rio Grande do Sul ou Santa Catarina.

No caso dos haitianos o trajeto é sempre o mesmo: voos até o Equador, estradas pelo Peru e entrada por terra pelo Acre, de onde se espalham.

O destino comumente é definido por referências —o senegalês Modu, por exemplo, recebeu um irmão de 23 anos há uma semana em Cascavel.

Muçulmano, o senegalês Bassiro Diop, 25, desembarcou sozinho em São Paulo e buscou apoio numa mesquita da capital. Sem achar emprego, um dos religiosos lhe sugeriu: “Vá para Cascavel”.

Na cidade, como outros muçulmanos, frequenta uma casa de oração, onde, sextas-feiras à noite, africanos, árabes e brasileiros convertidos atualizam a prática religiosa.

Alguns, como o senegalês Abdou Lat Diop, 22, conseguiram negociar pausas no trabalho para as cinco orações diárias em direção à Meca.

No albergue noturno André Luiz, que recebe estrangeiros e locais, a oração noturna foi vetada pelo o barulho — o quarto é coletivo.

Os haitianos são cristãos, muitos evangélicos. Para Wilfrid Aristé, 31, que vive com outros sete haitianos, um dos poucos momentos de lazer é o culto adventista nas manhãs de sábado, que assistem mesmo sem compreender bem o idioma.

COMUNICAÇÃO

O grupo tenta descobrir a frequência de uma rádio local criada por haitianos, com músicas da terra natal e locuções em francês e créole. “Outro dia fui à livraria, quis comprar um livro, mas não havia nenhum em francês”, lamenta Harland Joinville, 29.

Para conversar com a família, visitam hotéis para usar a internet nos celulares.

Em Cascavel levam vida econômica, instalados em hotéis baratos e casas modestas. O objetivo de quase todos é conseguir enviar dinheiro para parentes em casa.

Um obstáculo par isso, dizem, é a taxa de câmbio no país, desconhecida pela maioria até a chegada.

“Economizo R$ 1.000 e só consigo enviar US$ 300 para minha mulher e meus dois filhos”, afirma o haitiano Jon Saint Vema, 27, que se diz arrependido da mudança após três anos em Cascavel.

“Saí do Haiti por uma vida melhor. Foi muito sacrifício para chegar até aqui. Mas hoje não sei se compensou.”

 

Folha Online

Na contra mão, países africanos reforçam leis contra homossexuais

bandeira-glbtEnquanto a igualdade de direitos para homossexuais avança a passos largos na Europa e nas Américas — já são 17 os países que permitem o casamento de parceiros do mesmo sexo —, na África, o movimento é inverso. Muitas das 54 nações do continente não só mantêm leis específicas para punir este segmento da população por sua orientação sexual, como buscam novo respaldo legal para uma repressão ainda mais dura. A mistura de populações majoritariamente conservadoras, oportunismo político e extremismo religioso provoca uma escalada de ódio com consequências graves para uma minoria que, mesmo perseguida, não desiste de se fazer ouvir.

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Os dois exemplos mais recentes são Nigéria e Uganda, países que já impunham limites aos direitos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), mas aprovaram novas leis ainda mais restritivas. Na Nigéria, o presidente Goodluck Jonathan sancionou em janeiro a proibição do casamento gay, da defesa dos direitos LGBT e da “propaganda de relacionamentos homossexuais”. No mês anterior, o Parlamento de Uganda aprovou a punição a homossexuais com prisão perpétua, e o presidente Yoweri Museveni — para quem ser gay é uma “anormalidade” — prometeu assinar o texto.

Mas estes são apenas dois de 38 países africanos no quais não ser heterossexual dá cadeia. Em quatro deles, é crime passível de pena de morte: Mauritânia, Somália, Sudão e a própria Nigéria (apenas nos estados do Norte, onde vigora uma rígida interpretação da sharia, a lei islâmica). Em Camarões e Quênia, registros de prisões, espancamentos e mortes de homossexuais são frequentes.

Na visão de quem acompanha o tema, as investidas contra os cidadãos LGBT surgem menos do preconceito e mais de manobras políticas com o objetivo de distrair a população de problemas não resolvidos e assegurar a liderança frente a uma maioria conservadora sobre a qual igrejas cristãs ganharam influência nos últimos 20 anos.

— Neste países, os líderes políticos estão sendo pressionados pela população, e por isso recorrem a leis populistas — disse o escritor queniano Binyavanga Wainaina, cuja saída do armário por meio de um texto no jornal “Guardian”, no mês passado, rodou o mundo. — A Nigéria enfrenta uma crise energética e vai ter eleições em 2015.

Neela Ghoshal, pesquisadora sobre direitos LGBT da ONG Human Rights Watch (HRW), e a diretora de comunicação da Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas (IGLHRC, na sigla em inglês), Roberta Sklar, também destacam o elemento político como incentivador da repressão. Além disso, citam a organização cada vez maior do segmento LGBT em países africanos na última década e as consequentes reivindicações por igualdade de direitos como um incômodo para populações e governos.

— O público LGBT passou a exigir direitos em suas casas, nas ruas, no trabalho. Quando as pessoas passam a exigir direitos, há uma reação negativa — opina Roberta. — Não é só sobre homossexualidade, é sobre o uso do ódio para fins políticos.

Fundamentalismo importado

A presença maciça de religiosos com discurso fundamentalista, principalmente cristãos, também foi lembrada pelos entrevistados ouvidos pelo GLOBO. Segundo Wainaina, a virada ocorreu entre os anos 1980 e 1990, quando missionários vindos dos EUA passaram a atrair milhões de pessoas e, com elas, o interesse dos políticos.

— Apesar das leis, até essa época praticamente ninguém era preso por ser gay — diz.

Neela Ghoshal, da HRW, argumenta que esse movimento aumentou com o avanço da igualdade de direitos no Ocidente.

— Os religiosos fundamentalistas dos EUA perderam relevância no país com avanços como a legalização do casamento gay — explica.

O uso da homofobia como instrumento de dominação popular também tem efeitos nefastos sobre a prevenção e o tratamento da Aids, e logo no continente que concentra 70% dos diagnosticados com a doença no mundo, conta o diretor executivo adjunto do Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids (Unaids, na sigla em inglês), Luiz Loures. Ele lembra que a homofobia tem aparecido como tendência também em países da Ásia e do Leste Europeu. Consciente das dificuldades de reversão do panorama, ele aposta no diálogo.

— Estamos nos preparando para um desafio de longo prazo e adotando novas estratégias. Por exemplo, estamos trabalhando com as comissões nacionais de direitos humanos e com parlamentares. — explica Loures. — É necessário investir em setores que influenciam o comportamento da sociedade. É importante sensibilizar os setores religiosos. Neste momento, os segmentos religiosos extremistas estão à frente e apoiando leis que são contra a vida. Precisamos urgentemente de vozes ativas que defendam a vida e a dignidade das pessoas.

Apesar do momento difícil, há um certo sentimento de otimismo: Loures cita a vibrante sociedade civil nigeriana, e Neela Ghoshal conta que os gays de Uganda se articulam com movimentos LGBT de outros países. Para Roberta Sklar, países de leis homofóbicas serão pressionados se tiverem que assinar acordos comerciais com nações ocidentais. E Wainaina lembra que a população ainda pode ser majoritariamente conservadora, mas os muitos jovens africanos, com o combustível do acesso fácil à internet móvel após anos de democracia e crescimento econômico — apesar de desigual — têm mais expectativas de liberdades que seus pais. Para ele, o debate tem implicações que vão além da causa LGBT.

— São tempos de mudanças rápidas. Isso ameaça o establishment político.

O Globo

Estudantes africanos/as realizam ações contra atos racistas e discriminatórios na Paraíba

Os/as estudantes africanos/as da Paraíba realizarão a “Marcha a Favor da Justiça e Contra Discriminação aos Estudantes Africanos”, no dia 14 de junho, no Centro da cidade, para protestar contra as agressões que vêm sofrendo.

Palarelamente, encaminharam carta ao Embaixador de Cabo Verde no Brasil, Dr. Daniel Pereira, solicitando uma reação diplomática conjunta, condenando as práticas de racismo e discriminação.

Esses/as estudantes africano/as no Brasil, em especial os residentes na Paraíba, vindos de diversos países (Angola, Burkina Faso, Cabo Verde, Guiné-Bissau e República Democrática do Congo), marcham nas ruas de João Pessoa para denunciar atos de racismo e discriminações ocorridos nos últimos anos, que resultaram/resultam em ações preconceituosas, difamações, violências físicas e até mesmo assassinatos, como o ocorrido em 22 de maio de 2012, com a morte de uma estudante angolana na cidade de São Paulo.

Veja a carta enviada ao Embaixador: http://racismoambiental.net.br/2012/06/marcha-1406-acoes-de-estudantes-africanosas-contra-atos-racistas-e-discriminatorios-na-paraiba/

Adital