Só falta o Papa…

Publicado em sábado, Maio 18, 2013 ·

artigoramalho

No mundo da política, o relacionamento entre o gestor que sucede e o sucedido, dificilmente não termina em briga. Sobre essa tendência natural, o governador Burity costumava dizer: só quem não brigou foi Tomé de Souza, primeiro governador-geral  do Brasil, por motivos óbvios. Competindo na categoria de não ter com quem se desentender, sempre esteve o Papa.Reinando absoluto no Vaticano, nunca o Papa, até a renuncia de Bento XVI, sucedeu a outro Papa que continua vivo e morando a poucos passos da Capela Sistina.Se a possibilidade de Tomé de Souza romper com o “sucedido” era inexistente, a realidade do Vaticano hoje, impede que naquele pequeno Estado, a regra seja exceção. Agora, até o Papa tem um sucedido com quem ser comparado e pode,da comparação, nascer a discórdia.

Se lesse os jornais, o Papa Emérito Bento XVI já teria alguns motivos para botar as barbas de molho. A imprensa divulga fatos que podem fomentar a discórdia entre ícones da sociedade,sejam da política, da religião ou da própria  classe. Basta ler certas noticias com outros olhos para encontrar nas entrelinhas a semente da cizânia. “Francisco ultrapassa Bento  no negócio das lojas da Cova da Iria” é um manchete que colhi. Outra:”Decepção  com Bento XVI deixa comercio de Aparecida indiferente à visita do Papa Francisco”. Para falar somente nos efeitos econômicos da sucessão. Não precisa lembrar a simplicidade do argentino que voltou ao  hotel, como um homem comum,para pagar a conta de sua hospedagem ou comparar sua falta de medo ao cruzar a Praça de São Pedro dispensando o Papamóvel à prova de bala ou ainda a renuncia às vestes luxuosas e aos adereços de ouro que costumavam adornar o peito do antecessor e de todos os Papas. Desde Pedro?

Desde o retorno de Bento XVI  do seu período de quarentena em Castel Gandolfo, foi iniciada uma experiência  inédita de convivência de um Papa com o substituído. Bento reside agora no Mosteiro Mater Ecclesiae, dentro do Vaticano. Descendo para o patamar dos mortais e pecadores, seria como entronizar Dilma no Palácio do Planalto e ceder o Palácio da Alvorada a Lula. Esperemos não chegar a ver entre as lideranças da Igreja, a desarmonia tornada pública entre  lideranças da política em todos os níveis.

Mas deixem eu voltar ao meu território, pois a Roma que conheço é um distrito lá de Bananeiras.A alusão de Burity a Tomé de Souza, prendia-se às desavenças locais com troca de “amabilidades” entre ex-governadores da terrinha.Ele mesmo, ungido ao cargo depois de Ivan Bichara desentendeu-se com o próprio e destituiu seu cunhado Hermano Almeida, da Prefeitura da Capital. Ivan, por sua vez, teve em Ernany Satyro, a quem sucedera, um crítico implacável. No segundo mandato, adquirido em eleição direta, seria a vez de Burity ter a sua desavença com Ronaldo, que o sucedeu. Ronaldo, por sua vez, encontrou, no sucedido José Maranhão, a razão da divisão  em dois pedaços, do partido que Humberto Lucena construíra juntando os cacos dos destroços  salvos da ditadura iniciada em  64. Para falar somente no período pós 64, a dissensão mais dissimulada foi entre Ernany Satyro e Joao Agripino, pois apesar de estimulada separação e declarada rivalidade, nunca chegaram às “vias de fato” e se juntaram novamente na malograda campanha de Antonio Mariz a governador, na eleição indireta.

Mais para trás, lembro que,  estudante e trabalhando como Oficial de Gabinete do governador Pedro Gondim, um dia, ele encostado a uma janela do terraço que ainda mantinha o piso das suásticas nazistas, sabedor da minha ligação com Clovis Bezerra, um dos lideres da UDN, me chama e dá um recado. Era para chegar aos ouvidos do respeitado político de Bananeiras, e eu entendi também assim.

-Eu soube que há uma certa resistência de setores da UDN em me ter no palanque de João Agripino. Se a minha presença atrapalhar a vitória de João, fico fora. Mas estou pronto para ajudar! Revelou,cheio de mágoa…

O recado foi passado adiante. A UDN sabia que Pedro ajudaria e no primeiro comício a que compareceu, na Duarte da Silveira, foi uma apoteose. Não faltaria a outros. Tentaram uma briga entre Pedro e João e não conseguiram.

Em toda regra há exceção. Espero que, com referencia aos lideres da nossa Igreja Católica, a exceção prevaleça. Em nome de Jesus!

 

 

RAMALHO LEITE

 

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