Paraíba

Sargento Pereira afirma: Bolsonaro não tem apoio das polícias para impor golpe

Publicado em terça-feira, junho 9, 2020 ·

O sargento da Polícia Militar da Paraíba, Astronadc Pereira de Morais (sargento Pereira), disse em artigo, nesta terça-feira (9), não acreditar que o presidente Jair Bolsonaro tenha “o apoio das polícias do Brasil, enquanto instituição, para impor um golpe de estado.”

Ele lembrou que no período ditatorial, no Brasil, juízes e desembargadores foram impedidos de trabalhar e outros foram expulsos de suas funções. “O Congresso foi fechado. O povo perdeu a liberdade e o direito de escolher seus representantes.”

Confira artigo na íntegra:

O povo brasileiro teme um retrocesso ainda maior nas garantias de direitos. As instituições democráticas sentem que o perigo se aproxima e que a cada dia as ameaças são mais diretas, ostensivas e contundentes. Segmentos sociais, políticos, acadêmicos e sociedade em geral têm estado em alerta psicológico desde que Bolsonaro assumiu a presidência da República.

Há várias teses de setores da imprensa nacional, de políticos e movimentos de dentro da sociedade organizada de como o presidente poderia atuar na tentativa de golpe contra a democracia do Brasil. Alguns falam em “golpe – policial militar sob a liderança fascista”!

O sociólogo e ex-secretário de Segurança do RJ, Luiz Eduardo Soares, escreveu: “há pouco o vice-presidente publicou um artigo absurdo e ameaçador no jornal Estadão”. O filho do Presidente Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, confirmou: “a ruptura está decidida, espera-se apenas a oportunidade”. “O presidente sobrevoou manifestação contra o Supremo e o Congresso ao lado do ministro da Defesa”, lembra Soares.

E Soares ainda diz que: “o “poder moderador” das Forças Armadas se imporá, porque, afinal de contas, “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”. Interventores, com apoio das polícias estaduais, tomarão o poder nos estados. Em lugar do Supremo, uma corte de exceção será nomeada.”

Devo lembrar que no período ditatorial, no Brasil, juízes e desembargadores foram impedidos de trabalhar e outros foram expulsos de suas funções. O Congresso foi fechado. O povo perdeu a liberdade e o direito de escolher seus representantes. Alguém deseja a volta da época das trevas no Brasil?

As forças estaduais (polícia) usualmente têm uma perspectiva um tanto conservadora. A categoria policial deste país serviu muitas vezes de voz que reverberava nas comunidades e na sociedade em geral.

São estes que alcançam todos os setores da sociedade e isto não pode ser desprezado. Bolsonaro foi eleito a partir de um projeto policial da categoria que não aguentou tanto desprestígio nos últimos 30 anos, somando a isso, evidentemente, a frustração ao PT por parte significativa da sociedade. E o escárnio da criminalidade contra uma sociedade assaltada todos os dias por infratores corruptos que debochavam e ainda debocham da Justiça e da polícia. Some-se a isso o projeto burguês que não se sentia contemplado.

Dizer que estamos prestes a sofrer um golpe no Brasil é desconhecer em muito as inúmeras possibilidades que nos alcança a lei, as instituições democráticas, a Constituição Federal, o povo brasileiro, o Congresso Nacional e suas correlações de forças. Mais do que isso, é desconhecer a natureza das policiais estaduais, suas normas regulamentares e seus integrantes. Destes são muitos a defender a democracia e a liberdade do povo brasileiro.

A pesar do conservadorismo dentro das polícias ser uma marca simbólica no imaginário coletivo, somos homens e mulheres que temos famílias, estudamos, desejamos a liberdade, nenhum retrocesso, e queremos sempre mais defender a Constituição Federal, o Estado Democrático de Direito, as Instituições Democráticas e o povo brasileiro.

O presidente Jair Messias Bolsonaro não tem o apoio das polícias do Brasil, enquanto instituição, para impor um golpe de estado. Ele tem apoiadores que são integrantes da polícia, e que tem uma perspectiva quanto ao governo Bolsonaro diferente dos demais governos de oposição. E isto não quer dizer que ele detém o poder legítimo e moral dos militares estaduais. Nós policiais iremos obedecer de forma absoluta a lei e as autoridades constituídas, em defesa da democracia e da liberdade do povo brasileiro. E aqueles que integram as forças de segurança que se contrapuserem à democracia e a lei responderão na justiça, na medida de suas ações intempestivas.

Convém salientar que o Nordeste tem um papel preponderante na defesa da nossa democracia, juntamente com expressões democráticas e progressistas de setores militares federal. E no plano internacional um golpe seria mais perigoso do que do jeito que estar. Lembremos que a tentativa de golpe pode ser frutada e os golpistas podem ser preso pelo povo.

Assim sendo, espero que o presidente Bolsonaro tenha a devida cautela e sensibilidade democrática que um presidente deve ter, e que possa assegurar que o bem-estar do povo brasileiro esteja em primeiro lugar, ou seja, acima das questões particulares e de cunho partidário ideológico. Afinal, ninguém vive para sempre no poder e nenhum regime é para sempre.

Astronadc Pereira de Morais (sargento Pereira)

1º sargento da Polícia Militar da Paraíba

 

 

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