Sacerdote afirma que estudantes mexicanos desaparecidos foram queimados vivos

Publicado em segunda-feira, outubro 20, 2014 ·

Já se passou quase um mês do massacre estudantil na cidade mexicana de Iguala e as conjecturas sobre o paradeiro dos 43 estudantes desaparecidos começam a apontar cada vez mais para a tese de que os jovens teriam sido brutamente assassinados. No último dia 17 de outubro, o sacerdote mexicano Alejandro Solalinde, ativista na causa dos imigrantes e defensor dos direitos humanos no país, afirmou à imprensa que os normalistas foram queimados ainda vivos.

Para tal declaração, ele se utiliza de afirmações de testemunhas do caso, que preferem não se identificar nem denunciar formalmente o ocorrido por temor de represálias. “Eu disse porque as pessoas que estão buscando seus filhos merecem a verdade, porque essa é uma forma de pressionar o governo. Se digo isso, eles estão obrigadíssimos a demonstrar para mim que sou um mentiroso”, declarou Solalinde aos jornalistas.

 

Com a declaração à imprensa, Solalinde quer pressionar o governo a esclarecer o caso. Foto: Reprodução.

O padre afirmou que desconhece o local do suposto massacre, que teria vitimado os normalistas desaparecidos e disse que suas fontes estariam aterrorizadas com a possibilidade de serem as próximas vítimas no caso. “Para mim não disseram como havia sido. Simplesmente, foram pessoas que viram, de última hora, como eles foram queimados”, contou o clérigo.

 

Para ele, se os normalistas estivessem vivos, não deixariam que o caso gerasse tamanha repercussão nacional e internacional. O silêncio dos jovens, segundo o padre, é a maior prova de que eles estão mortos. Ganhador do Prêmio Nacional de Direitos Humanos de 2012, o padre afirmou ainda que o mais seguro a fazer é que as testemunhas do caso saiam do país e se protejam contra ataques dos envolvidos no massacre estudantil. Autoridades afirmam que Solalinde deve ser intimado a prestar depoimento sobre as informações que afirma ter.

No último dia 17 de outubro, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, reuniu-se com representantes da área de Segurança Pública e anunciou à imprensa que a prioridade é encontrar os estudantes desaparecidos. O procurador-geral da República do México, José Murillo Karam, chegou a dizer que o órgão oferece recompensas em dinheiro em troca de qualquer informação que permita localizar os jovens.

Para o sacerdote, no entanto, a posição das autoridades não passa de uma simulação: “Eu acredito que nessa reunião de segurança que o presidente fez não se tratou da maneira a buscar essas pessoas, pois já não podem ser encontrados, mas de como administrar isso, porque é uma batata quente que o presidente tem nas mãos, que tem o partido PRI [Partido Revolucionário Institucional], que tem o governo; e que o México está a ponto de ser incendiado”, afirmou à imprensa o padre.

Além disso, Solalinde assegurou que o governador do Estado de Guerrero, Ángel Heladio Aguirre Rivero, teria conhecimento do destino dos estudantes. “Ele sabe perfeitamente de tudo isso. Sabe. Porque é impossível que façam alguma coisa sem que ele saiba”, disse o ativista.

Até agora, as autoridades detiveram 36 agentes policiais acusados de envolvimento no ataque aos estudantes e 17 supostos membros do grupo criminoso Guerreiros Unidos, acusados de serem autores dos disparos contra os jovens. Enquanto isso, cresce a pressão em todo o país para que o governo mexicano esclareça o caso. No último dia 15 de outubro, uma greve acadêmica tomou grandes proporções, na qual manifestantes ameaçaram tomar 81 prefeituras do Estado de Guerrero. No dia seguinte, cumpriram o aviso, ocupando seis palácios municipais, incluindo o de Iguala.

 

Adital

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