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Ronco, sono agitado e fadiga após acordar? Pode ser apneia do sono

Publicado em domingo, outubro 10, 2021 ·

Mais comum nos homens do que nas mulheres, a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (Saos) acomete 30% da população e eleva o risco de doença cardiovascular e cerebrovascular. Os principais fatores de risco associados à apneia do sono são a idade, o gênero, o Índice de Massa Corpórea (IMC), a medida da circunferência do pescoço e as alterações craniofaciais.  Além disso, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo e mudanças hormonais também foram associados à presença da síndrome.

O cardiologista, escritor e pesquisador Valério Vasconcelos explica que a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono é a obstrução completa ou incompleta das vias aéreas superiores durante o sono. Tais interrupções respiratórias acarretam redução do oxigênio no sangue e, como consequência, despertares abruptos. “Isso provoca fragmentação do sono e leva à liberação de substâncias endógenas que aumentam o risco de doenças no sistema cardiovascular”.

Na relação “apneia do sono x saúde do coração”, as principais consequências cardiovasculares são: alterações no sistema nervoso autonômico (alteração na frequência cardíaca e na pressão arterial); hipertensão arterial; arritmias cardíacas; doença arterial coronária (entupimento das artérias do coração, que pode contribuir para os eventos coronários agudos (infarto) nas primeiras horas da manhã); acidente vascular cerebral; e insuficiência cardíaca congestiva (coração crescido e sem força para bombear o sangue).

Conforme o especialista, o sintoma mais comum da síndrome é ronco durante o sono (em volume alto ou baixo) e que normalmente leva o indivíduo a procurar auxílio médico estimulado pelo parceiro ou familiar. “Outros sintomas também estão presentes em maior ou menor intensidade a depender da gravidade da doença, como fadiga, dores de cabeça ao acordar, sonolência diurna excessiva, alterações cognitivas, prejuízo à memória, diminuição da libido, impotência sexual e transtornos do humor (depressão)”, afirma o cardiologista.

De forma geral, a apneia do sono atinge cerca de 30% da população, mas sua prevalência pode afetar 50% dos indivíduos em subgrupos específicos, incluindo sexo masculino, indivíduos mais velhos e aqueles com sobrepeso ou obesidade. Apesar de ser mais comum nos homens do que nas mulheres, o risco para o público feminino aumenta após a menopausa.

Além disso, pessoas com excesso de peso ou obesidade são mais propensas a ter apneia do sono. “A obesidade, classificada como um índice de massa corporal (IMC) acima de 30 ou mesmo o sobrepeso (IMC) acima de 25 é um fator de risco bem estabelecido para a apneia do sono. Mas também pode ocorrer em pessoas magras”, diz Valério Vasconcelos.

Autor do livro “O coração gosta de coisas boas”, o cardiologista e pesquisador lembra que uma das formas mais eficazes para resolver as pausas na respiração durante o sono é o uso de um mecanismo chamado CPAP — sigla para pressão positiva contínua nas vias aéreas. Apneias mais leves (em geral provocadas pelo hábito de respirar pela boca), porém, costumam ser tratadas com dilatadores de narinas. “Conhecer a origem do distúrbio é fundamental para o especialista determinar as medidas de controle. Se a pessoa for obesa, a recomendação inicial é a perda de peso, associada a exercícios fonoaudiológicos para tonificar os músculos da garganta”, afirma o médico.

Valério Vasconcelos aproveita para reforçar a importância do sono reparador para o bom funcionamento do corpo. “Dormir bem é fundamental para o bom funcionamento do corpo. O sono é responsável pelo descanso da mente, da musculatura, da respiração e do coração. É durante o sono que são liberados hormônios que interferem no metabolismo do corpo, tais como o hormônio do crescimento e o hormônio da saciedade”, declara.

Um sono de má qualidade, acrescenta o cardiologista, tem várias implicações para a saúde, como aumento da sonolência diurna, redução da memória, atenção e raciocínio e elevação do risco de acidentes automobilísticos. Associado a isso, quando o indivíduo não dorme bem, ocorre redução do crescimento das cartilagens dos ossos e de produção de massa muscular; e aumento da chance de ganho de peso e de depressão, o que reduz a qualidade de vida. “São duas as principais doenças responsáveis por um sono de má qualidade: insônia e apneia obstrutiva do sono (apneia do sono)”, destaca.

RELAÇÃO COM A COVID – Além do que já foi apontado pelo médico Valério Vasconcelos, estudos sugerem que a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono pode ser um fator de risco para casos graves de covid-19. “Um estudo divulgado em setembro passado pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, alerta para a necessidade de investigar mais profundamente o impacto do vírus Sars-CoV-2 nas pessoas com a apneia. Já outra pesquisa recente identificou a possibilidade de pacientes com apneia do sono e diabetes terem um risco 2,8% vezes maior de morrer no sétimo dia de internação da covid-19”, afirma o cardiologista.

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