Ramalho Leite – Personagem da história

Publicado em terça-feira, novembro 8, 2011 ·

ramalhoConsiderar  Nelson Coelho, apenas, como testemunha da história,  é muito pouco.As histórias que conta no seu mais recente trabalho o envolvem totalmente. É mais personagem do que testemunha. Na cena  dos acontecimentos políticos da Paraíba nos últimos cinqüenta anos, como catador de notícia ou como “gato de palácio”, Nelson viu quase tudo. O que não viu lhe contaram, e se  não contaram, imaginou, pois o que não lhe falta é  a capacidade de perquirir e investigar.De tudo, acumulou um acervo de fatos que  ganham em seu livro “Testemunha da Historia” o selo da perpetuidade.

Vinculado a um partido político, não procura demonstrar isenção na sua narrativa.Pelo contrário, destaca sua condição de militante e, por vezes, revela  frustrações  e decepções com os companheiros de luta aos quais serviu e não foi correspondido como se julgava merecedor. Penitencia-se e se confessa arrependido de alguns momentos em que se deixou vencer pela paixão e defendeu com fúria seus amigos injuriados. Colheu desilusão e vai perpetuar inimizades.

A leitura é interessante e nos faz voltar a um passado recente.Rememora fatos que só mereciam o esquecimento da historia, como o vergonhoso desconvite que o Cabo Branco fez a JK  para que participasse do seu carnaval. Os milicos vetaram a presença do ex-presidente cassado, apesar do esforço de Nelson para que o fato fosse contornado pelo Governador Ernani Satyro. Um fato para mim inédito: um segundo atentado à vida de Aloisio Afonso Campos, acontecido em Brasilia e que fez vitima de um balaço a sua secretária. Do hospital, Aloisio se socorre de Raymundo Asfora para as providencias legais e abafamento da mídia.Na ocasião, quem estava com Asfora em um restaurante de Brasilia? Justamente Nelson, que ajudou a acudir a moça.

O testemunho de Nelson Coelho envereda pela sua vida familiar e narra sem meias palavras as dificuldades que enfrentou ao virar oposição.Não esconde por igual sua decepção com os que lhe voltaram as costas naquele momento de sofrimento, negando-lhe uma oportunidade de trabalho. Renova sua fidelidade a José Maranhão mesmo diante da sua negativa de lhe favorecer com  um exílio voluntário e remunerado junto a um governo amigo de estado vizinho.No governo a que serviu, se o chefe lhe faltava, os culpados eram Giovanni Meireles e Solon Benevides, nunca o chefe maior. Revela com esse comportamento, um acendrado sentimento de gratidão e de respeito, coisa incomum nos dias de hoje.

Quando aportei  no Palácio da Redenção como repórter da Sala de Imprensa. e depois Oficial de Gabinete do Governador Pedro Gondim, Nelson Coelho já estava lá. Eu sai e ele ficou. E como foi difícil tirá-lo de lá…

RAMALHO LEITE

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