Ramalho Leite – Centenário de Clóvis Bezerra

Publicado em domingo, junho 5, 2011 ·

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Aos doze dias do mes de novembro do ano de mil novecentos e quarenta e cinco, as dez e meia hora, no salão principal da Prefeitura Municipal desta cidade de Bananeiras, Estado da Paraíba, onde presente se achava Luis Telésforo de Oliveira, escriturário, compareceu o dr.Clovis Bezerra Cavalcanti que exibiu uma portaria de sua nomeação para o cargo de Prefeito deste município, assinado pelo Exmo. Senhor  Interventor Federal deste Estado, Desembargador Severino Montenegro. Presente neste ato o Exmo Senhor  Doutor Mario Moacyr Porto, Juiz Eleitoral desta comarca, outras autoridades e pessoas gradas da sociedade local..

O registro acima, que consta do Livro de Ata de Posse dos Prefeitos do Município de Bananeiras aberto em 1º. de setembro de 1940, é o marco inicial da carreira política de dr.Clovis que, se vivo estivesse, completaria hoje cem anos de idade. Em já contei que quando ele completou cinqüenta anos, comemorou o “primeiro cinqüentenário” pois, como acreditava, completaria o segundo, a exemplo de sua avó, dona Dondon, que deixou a terra depois dos cem.

A sua permanência no cargo de prefeito durou até que foi trocado o interventor de plantão. O seu primo Odon Bezerra Cavalcanti, cento e treze dias depois, nomearia Henrique Lucena da Costa como novo prefeito.Seu substituto, Antonio Maia Neto, nomeado pelo Governador eleito Osvaldo Trigueiro de Albuquerque foi empossado pelo novo deputado Clovis Bezerra, no ato representando o Chefe do Executivo Estadual.O primeiro prefeito eleito da cidade, Major Augusto Bezerra Cavalcanti, pai do deputado, só tomaria posse em 15 de novembro de 1947.

Do seu primeiro mandato de deputado até o final de sua carreira política Clovis Bezerra conheceu apenas uma derrota pessoal quando ofereceu seu nome ao sacrifício, compondo a chapa de senador encabeçada por Aloísio Afonso Campos, fato descrito por Soares Madruga: “ Sem uma derrota pessoal, perde para suplente por convocação do seu partido.Para crescer ainda mais entre seus correligionários,pois se torna grande até na derrota”.

Fechou o ciclo de sua vida pública ocupando, como sucessor de Tarcisio Burity, o cargo de Governador da Paraíba.Como correligionário comemorei sua escolha para vice de Ernani Satyro em 1970. Quando foi novamente ungido à vice-governança, em 1978 eu já me encontrava em campo oposto e tinha nele meu principal adversário a quem dei o bom combate, sem nunca negar suas qualidades morais e cívicas. Quando voltei à Assembléia, eleito em 1982, era dr. Clovis o Governador deste Estado. O destino me deu hoje a oportunidade de promover, com a equipe de A União e o concurso intelectual de Gonzaga Rodrigues e Martinho Moreira Franco, uma justa homenagem a esse bananeirense de escol, publicando um caderno especial a respeito da sua vida e obra. O Município de Bananeiras pela sua prefeita Marta Eleonora Aragão Ramalho instituiu concurso literário para premiar trabalhos de estudantes sobre a vida do homenageado, na passagem do seu centenário de nascimento. Poder-se-ía indagar: e as querelas do passado, as rixas eleitorais e as mágoas encravadas foram sepultadas com a morte do ilustre adversário? Responderia como Ernani Satyro ao destacar as qualidades de um opositor post mortem: não é que a morte apague tudo, é que a vida é maior do que a morte…

RAMALHO LEITE

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