Rachel Sheherazade diz que SBT planeja nova atração na qual ela poderá dar opinião

Publicado em quinta-feira, Abril 17, 2014 ·

rachelTrês dias depois da divulgação da informação de que seus comentários estavam vetados no telejornal “SBT Brasil”, Rachel Sheherazade conta que a decisão foi tomada numa “reunião de cúpula da emissora” e que o objetivo foi proteger sua imagem. Ela destaca, no entanto, que a medida não é definitiva e que pretende prosseguir no canal de Silvio Santos, onde tem contrato até o ano que vem. A jornalista adianta ainda que a emissora tem projetos de criar um programa para ela apresentar, num formato novo, aliando opinião e informação. A âncora se envolveu numa série de polêmicas por conta das opiniões que emitia no telejornal. A maior delas foi quando comentou o caso do rapaz acusado de roubo que foi preso pelo pescoço a um poste no bairro do Flamengo por justiceiros. A seguir, numa entrevista por e-mail, Rachel fala sobre as razões da mudança do modelo do jornal.

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Como você foi informada de que não poderia mais ler editoriais escritos por você no telejornal “SBT Brasil”?

Tivemos uma reunião com a cúpula da emissora, e essa solução nos foi apresentada para proteger a minha imagem profissional. A suspensão dos comentários foi uma estratégia de recuo diante de tantas pressões pelas quais venho passando. Mas nada é definitivo. Gosto daquela máxima que diz: “Às vezes, é preciso dar um passo atrás para poder dar um salto à frente”. E eu quero ir muito além de onde estou.

Em entrevistas anteriores, você afirmou que havia sido contratada pelo SBT justamente por dar suas opiniões, sem ter medo de provocar polêmica. O que mudou?

Mudou o modelo do telejornal. Isso é muito comum em televisão. Há 3 anos, o SBT inovou mais uma vez seu telejornalismo apresentando um jornal plural, opinativo, com os âncoras e comentaristas se posicionando diante dos fatos. O público aprovou. Nossa audiência cresceu. Os anunciantes fazem fila para entrar no nosso horário comercial. A fórmula de reunir, em um único produto, notícias e opiniões foi um sucesso. Mas, a televisão é um mundo em constante movimento. É preciso estar preparado e aberto a toda mudança.

Silvio Santos falou diretamente com você?

Ainda não.

A assessoria do canal informou que, talvez, você leia editoriais escritos pela equipe do telejornal. Como se sente em relação a isso?

Fico muito à vontade para fazer isso, afinal, todos sabem que um editorial não é a opinião do jornalista, mas do jornalismo da emissora. E ler editoriais é uma das funções do âncora de TV.

Tem ideia do que acarretou essa mudança? Foi a pressão do público?

O público nunca pediu o fim das opiniões.

Houve pressão de anunciantes?

Não houve pressão dos anunciantes. A única pressão foi política, vinda de dois partidos PSOL e PCdoB, que ingressaram com representações contra minhas opiniões na tv aberta. Tanto o deputado Ivan Valente quanto a deputada Jandira Fegahli pedem meu afastamento da televisão.

Acha que essa mudança vai fazer você perder sua característica principal como âncora?

Não. A forma de um jornal não muda a essência do seu jornalista. Continuo sendo uma profissional independente, corajosa e de opinião.

O SBT planeja outra atração para você, onde você possa dar suas opiniões fora da bancada?

Sim. Há planos da emissora de um programa apresentado por mim que possa aliar informação e opinião, num formato novo.

Você vai continuar no canal, mesmo após essa mudança? Até quando vai o seu contrato? Foi procurada por outras emissoras? Quais?

Tenho contrato com a emissora até 2015 e é no SBT que pretendo continuar a atuar. Confio nos projetos que a empresa tem para mim no futuro.

O Globo

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