Psicólogo alerta que a droga Oxi pode estar na PB apesar de não ter sido feita nenhuma apreensão

Publicado em sábado, Maio 14, 2011 ·

oxiO psicólogo Deusimar Wanderley Guedes, que desenvolve um trabalho

filantrópico de prevenção às drogas, afirmou que já ouviu depoimentos

de vários usuários de drogas dando conta da presença da “nova droga”

conhecida por Oxi aqui em nosso estado.  No entanto, ele diz que

desconhece que tenha acontecido alguma apreensão por parte do aparelho

policial, mas os psicólogos e tratadores de dependentes químicos já

registram  a presença dessa droga no Estado.

Ela explica que o Oxi é uma nova forma de apresentação de cocaína e

foi descoberta há alguns anos no estado do Acre, fronteira com a

Bolívia, e nos últimos meses têm se espalhado por outros estados da

federação brasileira e é possivelmente uma das mais potentes e

perigosas drogas conhecidas, não bastasse o efeito devastador do uso

do crack, que já contaminou todo o Brasil.

Deusimar Guedes explica que o “Oxi ou Oxidado”, como é apelidado pelos

seus usuários, é uma variante do crack a diferença é que, na

elaboração do ‘Oxidado’, ao invés de se acrescentar bicarbonato e por

vezes soda cáustica a pasta base de cocaína, como é o caso do crack,

interrompe-se o processo de refino nas fases iniciais, (pasta base de

coca), apenas com a presença do querosene e a cal virgem bem como o

ácido sulfúrico (principal componente da solução de baterias elétricas

veiculares), para obter o oxi.

Ele afirma que no princípio os especialistas acreditaram que a Oxi

ficaria restrita a região Norte do Brasil, na fronteira da Bolívia, a

exemplo da “Merla”, (pasta base de cocaína), que há muitos anos é

consumida abusivamente naquela mesma fronteira e no Distrito Federal

(Brasília), não tendo se difundido pelo restante do país.  “Contudo,

não é o que temos visto acontecer em relação ao Oxi ou oxidado, que

inclusive está sendo considerada pelos estudiosos da temática drogas,

como mais potente e letal que o próprio crack”, acrescenta.

Mas, o que de fato é o oxi? É realmente uma nova droga como propaga a

imprensa ou uma nova forma de consumo da cocaína? E será que é tão

nova assim? Poderia, portanto, ser a oxi classificada tecnicamente

como pasta base? interroga o psicólogo. Nos laboratórios de

criminalística da Polícia Federal Brasileira, quanto aos ensaios

físico-químicos mais corriqueiros realizados para teste da cocaína,

não há distinção clara daquilo que é chamado de oxi e de pasta base, é

o que afirmam a maioria dos peritos criminais federais.

O psicólogo lembra que historicamente, a maioria das apreensões de

cocaína realizadas pela Polícia Federal Brasileira na região Norte do

Brasil, especialmente no estado do Acre, onde se registrou há quase

dez anos o primeiro caso de apreensão de Oxi, é de pasta base.

Abundante na região, a pasta base é vendida a baixo custo,  e

posteriormente “batizada” ou transformada em outras formas de

apresentação da cocaína, como o crack e o cloridrato (cocaína em pó,

sal).

A pasta é a forma de cocaína consumida pelas camadas mais pobres da

população. “O nome ‘oxi’, aliás, é originário do fato de a pasta base

encontrada naquela região, apresentar alta concentração dos produtos

oxidantes já citados, e/ou já ter passado pelo processo de oxidação,

pela ação do permanganato de potássio”, explica o psicólogo que também

é advogado e especialista em Criminologia e Psicologia Criminal

Investigativa.

“Daí, a dificuldade que se impõe é distinguir o que é o oxi e o que é

pasta base. O crack e as formas mais puras da cocaína já refinada –

tanto o sal quanto a base livre – possuem características físico –

químicas que os distinguem facilmente de outras formas de

apresentação. Já a pasta base e o oxi são muito parecidos, isso

admitindo que exista realmente alguma diferença em seus constituintes.

Ambos possuem coloração ocre a amarelada, e, dependendo de sua origem,

podem ser encontrados na forma de pedras ou em consistência sólida e

úmida, explica Deusimar Guedes.

Além disso,  ambos possuem odor bastante característico, oriundo dos

solventes utilizados na sua obtenção. Na sua maioria, são produtos

como os já citados: cal virgem, cimento (utilizado nas regiões

agrícolas colombianas) e querosene (mais comum na Bolívia), país do

qual se origina mais de 90% da cocaína consumida no Brasil em suas

diversas formas de apresentação, ácido sulfúrico, entre outros. Os

mesmos que, teoricamente, são utilizados para a produção do oxi.

Deusimar Guedes lembra que outro fator agravante em relação ao Oxi

e/ou pasta base é que o baixo preço, em média R$ 2,00 a R$ 5,00 (dois

a cinco reais), democratiza o consumo da mesma, ficando acessível a

todas as classes sociais, inclusive as mais pobres.

“Enfim, podemos acrescentar que o Oxi nada mais é, que a cocaína em

sua forma rudimentar, haja vista, que o processo de refino

(separação), da mesma é interrompido em suas primeiras etapas, com

alta concentração de produtos oxidantes, e comercializada da forma em

que se encontra. Assim, na minha ótica, esta não é uma droga nova, mas

apenas uma nova forma de apresentação da cocaína”, finalizou o

psicólogo Deusimar Guedes.

Paraíba.com

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