Promotor pede a PF e Relações Exteriores intervenção para repatriar travestis traficados para Itália

Publicado em quarta-feira, agosto 14, 2013 ·

Marinho MendesO promotor da Infância e da Juventude de Bayeux, Marinho Mendes, solicitou a Polícia Federal e ao Ministério das Relações Exteriores intervenção para que fossem repatriados dois travestis que foram traficados para a Itália e vivem em situação de risco naquele país. A informação foi repassada nesta quarta-feira (14) ao Portal Pariaba.com.br.

 

“Queremos que eles viabilizem o retorno de dois paraibano que se encontram na Itália, na região Perúgia. Um de Araçagi, foi levado ainda de menor com documentos adulterados pelos traficantes. Outro é natural de Cuitegi, e a família está desesperada pedindo socorro. Eles foram levados para se prostituir e para servirem de mulas do tráfico”, explicou Marinho.

 

Segundo o promotor, já estão em andamento várias investigações e foi aberto processo judicial. Marinho conta que os traficantes se utilizavam de pessoas da própria região para atrair os jovens. “Já existiam pessoas da região que estavam lá, falavam das propostas de vantagens, possibilidade riquezas. Os traficantes pagavam 50 mil euros para os já trabalhavam na área caíssem em campo, persuadissem novos rapazes, fizessem a transformação em travesti e os enviassem à Itália. Eles eram levados por rotas alternativas”, explica.

 

O promotor revelou que a família desses dois jovens estão desesperadas e um dos rapazes está vivendo em cárcere privado. “Avaliamos em mais de 40 pessoas traficadas”, lembra. O chefe da quadrilha já está preso, é um travesti conhecido como Ismar, casado com um italiano. Ismar seria natural de Mulungu, ele e mais dois italianos são acusados de comandarem a quadrilha.

 

Diminuição do fluxo – O promotor informou ainda que com a crise na Europa o tráfico para o velho continente tem diminuído e agora os travestis estão migrando para o Paraná, e se instalam em cidades como Londrina e Curitiba.

 

“Agora eles mesmos se organizam e vão”, frisa. Questionado sobre o que leva os rapazes a migrar, Marinho explicou que ainda é a promessa riqueza e dinheiro fácil, mas quando chegam no Paraná não podem sair a rua, moram na periferia e vão trabalhar nas ruas, sofrendo repressão policial, disputa de pontos, violência e sendo alvo dos traficantes de drogas.

Paulo Dantas

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