Procurador lamenta omissão da população em fazer denúncias e desabafa: ‘o povo não sabe sequer escolher, quanto mais cobrar’

Publicado em sexta-feira, outubro 3, 2014 ·

eduardo-varandas-Procurador do Trabalho da Paraíba, Eduardo Varandas, comentou que não houve nenhuma denúncia de trabalho escravo na campanha eleitoral no Estado e criticou que a população, no Brasil inteiro, tem pouco civismo, altruísmo e consciência cidadã.

De acordo com Varandas, é preciso o Ministério Público ser provocado pela população para então investigar, e mesmo solicitando auditorias da Superintendência Regional de Trabalho e Emprego, notificar os partidos e fazer audiência pública a fim de evitar o trabalho de crianças e adolescentes no serviço de panfletagem, ‘lamentavelmente a população não participou, não provocou o MP’.

Mesmo assim, o procurador explicou que fez campanha na TV esclarecendo e solicitando a participação da população. “Se houve de fato a exploração do trabalho de crianças e adolescentes no pleito até agora nenhum relatório fiscal ou denúncia do povo chegou ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Não existe eficiência do MP sem a participação da População”, diz.

Questionado a respeito de trabalho escravo na Paraíba, o procurador foi taxativo e criticou: “Espera-se que o povo tenha um pouco mais de civismo, altruísmo, consciência cidadã. Isso falta muito ao povo brasileiro e o exemplo disso são as eleições passadas, quem o povo elege? São as pessoas que o povo elege que mais descumpre a própria lei, se o povo ao exercer o seu direito fundamental de voto não sabe sequer escolher, quanto mais denunciar e cobrar do próprio Ministério Público”, reclama.

Varandas explicou que no sentido epidêmico, não há. Mas já foram detectados até pelo menos 5 casos de trabalho degradante equiparado ao escravo e existe muito aliciamento de trabalho para serem escravizados no Sudeste e Centro Oeste. “Essa campanha vem sob dois prismas, o primeiro é dar consciência ao trabalho de não se iludir com essas falsas promessas, procurar saber qual empresa está contratando, em que fazenda vai trabalhar antes de embarcar em viagem para ouro estado. E a segunda é como a campanha é nacional, de combater o trabalho escravo propriamente dito, é uma mazela que ainda mancha a bandeira da República”, explica.

Marília Domingues

 

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