Policiais estão envolvidos nas mortes de jornalistas de MG, diz chefe da Polícia Civil

Publicado em sábado, Abril 20, 2013 ·

Nessa sexta-feira (19/4), o chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Cylton Brandão da Matta, admitiu em coletiva de imprensa em Ipatinga, na região do Vale do Aço, que há policiais envolvidos nas execuções do repórter Rodrigo Neto e do fotojornalista Walgney Carvalho, nos dias 8 de março e 14 de abril, respectivamente. As investigações continuam. Maiores detalhes não foram revelados.

 

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Crédito:Arquivo pessoal
Polícia civil acredita que policiais estejam envolvidos na morte de jornalistas de Ipatinga (MG)
IMPRENSA ouviu a coletiva por meio do celular de um investigador da equipe local. Em sua explanação inicial, em que admitiu o envolvimento de policiais, Matta garantiu que todos os casos serão apurados e irão à Justiça, “doa a quem doer”.
“Sabemos que são casos pontuais, são pessoas que estão agindo de formas inadequadas e nós não queremos dentro da polícia, nem em outro segmento, pessoas que agem dessa forma”, afirmou Matta. “Não temos nenhuma dúvida de que vamos chegar às pessoas que estão cometendo esses delitos. Não é só um, não são dois, são vários”, continuou, sem mencionar se já há ou quem são os suspeitos. Segundo ele, as linhas de investigações dão conta de várias pessoas envolvidas.

Ele afirmou que o objetivo é ter provas robustas para evitar que os policiais não fiquem sem a devida condenação. “Tivemos casos de policiais que foram até o tribunal do júri e foram absolvidos. Porque muitas vezes as provas não tinham o teor, a robustez, a confiabilidade de trazer aos jurados motivos para levar à condenação”, explicou. Em seguida, ele reiterou que o trabalho precisa e está sendo feito de forma “profissional, qualificada e responsável”.

“Jornalistas podem trabalhar tranquilos”
O repórter Rodrigo Neto e o fotojornalista Walgney Carvalho cobriam a editoria de polícia e trabalhavam no jornal Vale do Aço.

Após os crimes, uma onda de pânico começou a inibir a imprensa local que atua na mesma área. No Diário Popular, uma jornalista policial pediu demissão e saiu do Estado. No Vale do Aço, a redação está com dificuldades em substituir os profissionais mortos por falta de candidatos.

Mesmo assim, Matta afirmou que os veículos e seus profissionais devem continuar realizando seu trabalho “com total tranquilidade”. “Nós temos uma situação pontual aqui no Vale do Aço”, comentou.

Ele ressaltou que as autoridades responsáveis pelas investigações estão dedicadas a elucidar os crimes. Otimista, ele afirmou ainda não ter dúvidas de que, em breve, e “certamente a tranquilidade e a segurança dos jornalistas será restabelecida”. Questionado sobre uma suposta lista de novos alvos, o delegado afirmou desconhecer o assunto.

Em Ipatinga, ficará responsável pelo caso o delegado corregedor Elder Dângelo, com o apoio do delegado geral Wagner de Souza. Matta afirmou que outras “forças” da Polícia Civil irão para a cidade, entre delegados e investigadores.
Pela manhã, o portal R7 publicou que informações “que correm pelo município” dão conta de que um ex-policial civil, que atualmente é político no local, estaria envolvido. Neto teria sido morto por ter um dossiê com informações sigilosas sobre o homem. Esses dados não foram comentados na coletiva.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

Jéssica Oliveira

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